História Fallen For You - Capítulo 26


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Categorias SHINee
Personagens Jinki Lee (Onew), Jonghyun Kim, KiBum "Key" Kim, Minho Choi, Taemin Lee
Tags 2min, Anjos, Jongkey, Kpop, Lemon, Minho, Romance, Shinee, Taemin
Visualizações 68
Palavras 4.215
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Fantasia, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Velho... EU NÃO SEI O QUE DIZER DEPOIS DE ESCREVER ESSE CAPÍTULO!
EU TO TIPO "QUEM SOU EU, QUAL É O MEU NOME"
Mano... Eu nunca escrevi algo assim, foi além da minha capacidade cognitiva, de verdade!
Desceu lágrimas, suor, sangue... Temperaturas a mil
Não sei o que diabos deu em mim, mas por favor, leiam esse capitulo com carinho
EU REALMENTE AMEI ELE, MAIS QUE TODOS!
BORA LER PELO AMOR DE TODOS OS ANJOS!

Capítulo 26 - Capítulo XXVI


Fanfic / Fanfiction Fallen For You - Capítulo 26 - Capítulo XXVI

Eu devia ter ficado largado naquele sofá, quem sabe enchendo a cara até não me aguentar em pé na tentativa de expulsar aqueles pensamentos, é tudo que eu sei. Se bem me lembro, havia dias em que eu costumava aproveitar festas, eu gostava tanto de festas quanto cachorros gostam de ossos, poderia considerar que eram os tempos mais felizes da minha vida. Mas não, na sobriedade da minha mente, hoje percebo que nada conseguiria ser tão vazio, nada conseguiria ser tão sem sentido.

Usar corpos para prazeres individuais e me afogar em álcool para um efeito “livre, leve e solto” são apenas sensações passageiras, era totalmente ao meu estilo desapegado da vida. Quem dera eu tivesse continuado com esses pensamentos, quem dera eu não houvesse me apaixonado pelo certo, único, permanente, apegado.

Quem dera eu estivesse sóbrio, e não guiado por um surto psíquico ao volante.  

Quem dera meu corpo agora respondesse aos meus comandos e eu pudesse respirar sem a ajuda de aparelhos.

Quem dera eu pudesse me sentir em meu próprio corpo, vivo.

As cortinas de cores claras refratavam a luz do sol vinda da janela daquele quarto de paredes extremamente brancas e de chão milimetricamente plano e polido como um espelho. O cilindro de oxigênio fazia o seu papel ao lado da cama expelindo o gás em uma intensidade leve, enquanto o apito repetitivo dos aparelhos era o único ruído que ressoava naquele quarto de hospital.

Imobilizada pelo colar cervical, a face amorenada de Minho -agora empalidecida- repousava contra o tecido fofo dos travesseiros, coberta por uma máscara de oxigênio e esparadrapos que impediam a ampla visão dos diversos ferimentos alastrados pelo rosto. Hematomas, cortes e arranhões eram visíveis.  

Minho estava em coma. O impacto do acidente havia fraturado uma parte dos seus ossos e os ferimentos haviam sido profundos, uma vez ter sofrido impacto contra os vidros do veículo. O relatório dos médicos traziam más resultados devido às hemorragias sofridas, não havia prazo para que ele acordasse e caso o paciente tornasse à consciência, já era esperada a presença de sequelas devido a provável coagulação sanguínea no cérebro, um aneurisma.

A porta do quarto foi aberta lentamente e por ela foi permitida a entrada de seus dois amigos. Jonghyun e Key usavam máscaras, camisolas hospitalares e touquinhas nos pés e nos cabelos após o procedimento de vestimentas que precisavam colocar para visitar pacientes na UTI.

Kibum já se derramava em prantos antes mesmo de entrar no recinto. Porém, diferente do que se imagina... Jonghyun não derramara sequer uma única lágrima, estava em um estado de choque ao ponto de seu corpo ainda não conseguir processar tal informação. 

Os dois encaravam àquela imagem e não acreditavam que aquilo havia realmente acontecido. Seguravam as mãos um do outro de maneira tão firme e forte que poderiam facilmente fraturar os dedos. Jonghyun que até então não havia sequer piscado, aproximou-se desorientado daquela cama, tocando a superfície fria da mão do seu melhor amigo. Naquele momento, lágrimas escorreram de seus olhos, caindo sobre os dedos e lubrificando àquele toque. As gotas escorreram por ambas as mãos, logo desaparecendo pelo tecido do lençol hospitalar.

-C... Como isso foi acontecer? O que estava fazendo... –Jonghyun sussurrava com a voz embargada enquanto acariciava a mão do seu amigo. Aos poucos a ficha ia caindo e o seu pranto passou a ser cada vez mais alto, assustando o loiro que tentava controlar-se e passar força para o mais baixo, algo que nem sempre conseguia.

-Jongas... –O loiro tocou o ombro do mais baixo que fechou os olhos, liberando mais lágrimas. –Ele pode melhorar, não vamos perder as esperanças...

-Não fala nada... Por favor... Isso é pior...  –Jonghyun sussurrou em súplica e Kibum desceu o aperto no ombro para a lateral dos braços do mais baixo.

-Tudo bem...

-Eu não devia ter saído de lá... Não deveria tê-lo deixado sozinho quando ele parecia tão desnorteado... P... Pensei que fosse uma boa ideia deixa-lo pensar, m... Mas olha onde estamos... Eu poderia ter evitado... –O choro aumentou e Jonghyun deixou-se ser acolhido nos braços de Kibum que tentava segurar o choro junto a ele.

-Não foi culpa sua, você não tinha como saber... O que importa agora é a recuperação dele, por favor, não se culpe... –Kibum o apertava forte entre seus braços e os dois observavam a feição tranquila –porém machucada- de Minho. –O Taemin deveria estar aqui... Não é?

-Sim, ele deveria... –Jonghyun voltou a ficar sério. Algo dentro de si afirmava que aquilo, de uma forma ou de outra, tinha alguma relação com o Taemin ou com os pais de Minho. Jonghyun lembrava-se de como o moreno estava sob uma descarga crítica de desespero, acúmulo de sentimentos e informações. –Mas ele não está... E eu nunca vou entender tudo o que ele fez... Não faz sentido.

-Ele deve ter tido os seus motivos, não faria isso por querer... Deve ter um lado da história de que não conhecemos...

-Sim, deve ser isso... Mas não justifica, seja lá o que tenha sido, poderíamos tê-lo ajudado se ele tivesse nos contado o que estava acontecendo e não fugido como o diabo foge da cruz. As coisas poderiam ter acontecido de outra forma...

-Mas não aconteceram. Estamos num estado crítico e você está com uma mania terrível de remoer nos “e se” da vida... Devemos nos preocupar com o que precisamos fazer e não no que passou. Não temos tempo para isso. –O loiro finalizou e Jonghyun suspirou apertando levemente a mão de Minho. Sabia que Kibum tinha razão, mas era difícil seguir em frente tão facilmente.

-O horário de visitas acabou. –Uma enfermeira adentrou o quarto e logo os acompanhantes se recompuseram em suas lágrimas. Ambos assentiram e Jonghyun deixou uma leve carícia na mão do amigo antes de se retirar acompanhado de Kibum que se certificou de agasalhar Minho antes de sair.

Já do lado de fora, Jonghyun e Key sentaram-se nas cadeiras que havia naquele corredor exageradamente branco. Key sentiu-se a vontade em repousar sua cabeça no ombro do mais baixo e Jonghyun encostou-se nos fios loiros de Kibum. Os dois respiravam descompassados, sequer haviam se dado conta do quão exaustivo havia sido para o psicológico de ambos enfrentarem tudo aquilo de frente.

O estado de Minho era crítico e quem o visse de fora, podia facilmente dá-lo como morto, tamanhos haviam sido os danos causados em seu físico. O acidente foi de alto risco e foi considerado um milagre para os médicos de que ele houvesse chegado ao hospital ainda com vida.

Um pigarreio chamou a atenção dos dois rapazes sentados, que imediatamente olharam na direção do corredor. Ambos surpreenderam-se ao darem de cara com alguém que não esperavam encontrar ali, alguém que já havia infernizado a vida de Minho o bastante para que fosse uma das culpadas de todos aqueles problemas. Por mais inacreditável que aquilo pudesse ser, Sulli estava ali. A mulher estava com os cabelos bagunçados, as roupas mal ajustadas e segurava um pequeno lencinho que vez ou outra levava ao rosto, este que não possuía sequer um resquício de choro.

-C... Como ele está? –A falsa voz embargada chegou aos ouvidos de Jonghyun causando um forte enjoo que ele tratou de ignorar, antes que fosse capaz de cometer um homicídio dentro de um hospital. Levantou-se de súbito sendo agarrado por Kibum que ainda encarava a garota, parecendo confuso.

-O que exatamente você faz aqui? –Jonghyun questionou irritado e Kibum voltava seu olhar entre os dois. O loiro reconhecia a garota do Karaokê e na medida em que as lembranças chegavam a sua mente, ficou muito surpreso mesmo ainda sentindo-se confuso em não saber exatamente o que estava acontecendo.

-Não é óbvio? Eu vim vê-lo... Eu e meu filho sentimos tanta falta dele... Não é justo que ele morra logo quan...

-Não ouse pronunciar mais nenhuma palavra sequer... –Jonghyun falou entredentes.

-Tem razão, eu não vim aqui para falar com você mesmo... Onde ele está? –Sulli já havia esquecido o lenço e falava normalmente como se nada tivesse acontecido. Jonghyun fechou suas mãos em punho e Kibum encarou a garota que permanecia com a sobrancelha arqueada, esperando uma resposta.

-Quem é você, afinal? –Kibum saltou-se ao lado de Jonghyun que logo percebeu que o loiro estava por fora das complicações que haviam passado. –Como soube que ele estava aqui?

-O acidente está sendo relatado em todos os noticiários, principalmente pela vítima ser alguém da família Choi... E como assim quem sou eu? Eu sou a noiva do Minho e a mãe do filho dele... –A garota fitou Kibum dos pés a cabeça e prosseguiu - E você quem é? Não me lembro de você. –Respondeu petulante.

-Olha, para você não importa quem sou eu, mas se veio aqui causar confusão, eu sugiro que dê o fora. Você ser a mãe do filho dele não lhe dá o direito de fazer o que quiser, e mais... Eu não me lembro dele estar noivo...

-Que garoto abusado você foi fisgar hein Jonghyun... Olha aqui mocinho sem nome... –Ela voltou-se a Kibum que já estava vermelho em irritação pelo comportamento da garota - Ele está noivo e em breve nos casaremos. A sua recuperação será rápida... Ele é capaz disso por mim e pelo nosso filho...

-Acredite, o seu filho pode até ser uma motivação para a recuperação de Minho, mas eu duvido que você possa contribuir em algo. Fora o desperdício de átomos, você não me parece útil para muita coisa além de berrar irritantemente e causar surdez alheia. Então, por favor, lhe desejo uma boa gravidez, mas a sua presença já deu por aqui, não acha? –A garota riu sem humor e logo fitou Kibum de forma raivosa, antes de voltar-se a Jonghyun completamente irritada.

-É sério que você tem fetiche nesses níveis, Jonghyun? Eu te conheci menos idiota naquela boate...

-Já chega! –Jonghyun saltou-se irritado e garota arregalou os olhos. –Vá embora daqui. –Alterou a voz e a garota arqueou a sobrancelha desconcertada.

-Não vou sair até vê-lo. –Sulli cruzou os braços e passou a bater o pé sobre o salto fino.

-Não me faça lhe arrastar daqui... –O mais baixo falou entredentes e Sulli o ignorou jogando a bolsa sobre a cadeira.

-Eu vou vê-lo, vocês querendo ou não! –A garota percebendo a proximidade do quarto para as cadeiras de onde os garotos estavam sentados, presumiu que aquele fosse o quarto de Minho. –Com licença... –Sulli aproximou-se do quarto, isenta de qualquer vestimenta apropriada e os dois arregalaram os olhos completamente incrédulos e irritados com as atitudes daquela mulher.

-Não se atreva! –Jonghyun vociferou quando a garota pôs a mão sobre a maçaneta. Sulli o olhou sobre os ombros e revirou os olhos antes de abrir a porta de vez, porém esta simplesmente estava trancada. A garota sorriu desconcertada para os homens atrás de si e passou a forçar a porta para frente, porém a madeira sequer se movia.

-Mas que palhaçada é essa? –Sulli vociferou para os dois que observavam a cena, atônitos. –Deem-me a chave, agora! –Jonghyun e Key entreolharam-se assustados.

-Mas que chave? –Perguntaram em uníssono.

-Vocês trancaram a porta, não é? Ah, só podem estar de brincadeira com a minha cara... Eu não vou pedir novamente, deem-me a chave, ou abram essa porcaria agora! –A garota alterava a voz e nenhum dos dois parecia se importar, uma vez que se perderam em questionamentos ao lembrarem-se de terem sido os últimos a saírem e não havia mais ninguém no quarto, não haviam trancado a porta, até porque não tinha uma chave.

-Não temos nenhuma chave. –Key respondeu e Sulli sorriu sem humor.

-E você espera que eu acredite em você?

-Bem, você tem outra opção? –O loiro deu de ombros e Jonghyun aproximou-se da porta, girando a maçaneta e comprovando que, realmente, a porta estava trancada.

-Isso não é possível... Key, não havia ninguém além de nós lá dentro, como a porta pode estar trancada? –O mais baixo virou-se a Kibum que franziu o cenho e foi ele mesmo tentar abrir a porta, mais uma vez, sem sucesso.

-Mas o que diabos está havendo...? Tem alguém ai dentro? –Kibum bateu o punho sobre a madeira enquanto gritava para quem quer que estivesse do lado de dentro, não obtendo respostas. –Jongas...

-Me espere aqui, eu vou à recepção... –Jonghyun afirmou afobado e correu pelos corredores até o elevador. Aquilo era realmente estranho.

-Estão atuando na minha frente? –Sulli cruzou os braços e encarou Kibum que permanecia preocupado tentando abrir a maçaneta. O loiro fitou-a e soltou a porta, parando em sua frente.

-Além de você não ser digna de tanto, temos outras prioridades... E elas realmente não envolvem você! –Key voltou à atenção a porta, usando todo o seu esforço para tentar abri-la, porém até a maçaneta estava endurecida.

-Olha aqui... Eu não costumo levar desaforos para casa... –Sulli estava irritada e Kibum sequer a olhava.

-Ah, que bom... Pra tudo tem uma primeira vez, não é mesmo? –O loiro rebateu.

-Quem você pensa que é para falar assim comigo?

-Olha... Eu estou sendo educado com você, sinto muito se você só se comunica com berros. Estamos em um hospital.

-Isso não interessa. Eu vim para ver o meu marido. –A garota batia insistentemente o pé como uma criança birrenta.

-Ele não é o seu marido.

-Ele vai casar comigo, teremos um filho, então sim, ele será o meu marido. –A garota falou confiante e Kibum revirou os olhos.

-Eu espero que com essas ilusões tão certas na sua cabeça, o seu tombo não seja tão feio, garota!

-Do que está falando? –Ela gritou novamente.

-Ele pode até se casar com você, mas não é de você que ele gosta. Me admira você se submeter a uma relação que não evoluirá afetivamente e se resumirá a algo morno e sem expectativas...  

-Você não é ninguém para falar isso! –Sulli passou a caminhar de um lado para o outro em nervosismo, próxima ao loiro.

-Bom, digamos que eu sou alguém que presenciei alguma coisa na vida Minho e posso te confessar como testemunha de que vi alguém completamente impenetrável e duro com sentimentos cair aos encantos de um garotinho fascinante e adorável. –A garota engoliu em seco ao lembrar-se das ações do moreno contra si no momento em que mencionou o garoto. Nunca se sentira tão humilhada.

-Já chega! Eu não vim aqui ouvir as suas picuinhas, nem aguentar você falando! –Sulli sentou-se na cadeira ao lado da porta.

-Eu estava pensando exatamente isso... Mas já que foi você que iniciou a conversa, seria falta de educação deixar você no vácuo. –Sulli bufou irritada e finalmente calou a boca.

Depois de tanto forçar a porta, Key tencionou o corpo ao lembrar-se perfeitamente de que a janela estava fechada e foi exatamente por isso que o desespero tomou conta de si, uma vez que jurou poder ouvir um barulho de ventania vindo de dentro do quarto fora uma tímida iluminação que passava pelas frestas da porta, refletindo em seus pés. Tinha alguém ali dentro... E ele pôde ter certeza quando forçou mais uma vez a maçaneta, e dessa vez, o trinco sequer girava.

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Uma dor compartilhada, uma saudade dilacerante e um anjo de poucas forças resvalado em agonia e desespero com o que suas vistas denunciavam... Taemin finalmente se via respirar o ar de um lugar que não era seu, mas que havia alguém ali para o qual ele havia se entregado. Doía-lhe a cabeça apenas em imaginar a infinidade de coisas que os separavam, mas ele estava ali, em sua frente; Desacordado, inconsciente, frágil, machucado, imóvel...

Taemin podia sentir a dor, sentir a angústia da alma que clamava por reações, que suplicava pela vida em libertar-se daquelas limitações humanas que o prendiam a uma cama de hospital. Mas foi quando o toque se concretizou, quando as mãos se tocaram e os lábios se encostaram, que o mísero aparelho passou a apitar incessantemente denunciando a alteração cardíaca acelerada do coração de Minho. Ele podia senti-lo ali.

A tatuagem incompleta já desenhava em suas costas em uma sensação familiar que ele sentira falta, mas não sentira tanto quanto a sensação física de um beijo, um beijo repleto de sentimentos.  O aparelho apitou uma última vez antes de desligar-se por completo. Taemin afastou-se e pôde ver o seu homem respirar por conta própria. Minho apenas dormia.

Contudo, não era tão simples como o clichê da Bela Adormecida, havia algo mais. E Taemin pôde sentir ao por as mãos sobre o peito repleto de esparadrapos do moreno. O coração pulsava tão forte que mesmo se não estivessem tão ligados, o anjo poderia ouvir a intensidade do sangue correndo pelas veias do mais velho. E foi quando fechou os olhos, que Taemin teve acesso ao mais profundo consciente do homem adormecido. Entrou em seus pensamentos, tomou os seus sonhos e os flashes de memória apenas para si. Podia enxerga-lo em sua própria mente, estavam encontrando-se em pensamento. 

Se você pudesse, por um segundo, se ver através dos meus olhos.

Penetrar em meu interior e sentir o mar de sentimentos que causa em mim.

Se você soubesse o que sua voz provoca em meu corpo cada vez que a ouço.

Se sentisse a reviravolta do meu estômago.

Se você se visse como eu o vejo.

-Minho... –Taemin pronunciou-se pela primeira vez, tendo a certeza que o mais velho estava o ouvindo. Poderia conversar com a sua consciência.

-Ainda que você tenha seguido em frente, eu não fiz o mesmo. Estou cansado de tentar fingir que posso viver sem você. Você não entende isso? Não consegue ver que isso está me matando? O que você pretende? –O anjo assustou-se pela reação repentina do mais velho. Não sabia que o contato fosse tão intenso.

-E... Eu vim com um único motivo, por favor... Escute-me... Não se apegue tanto a mim, por favor... Eu não tenho muito tempo...

-Porque veio então? Porque voltou aqui se logo vai me deixar novamente? O que quer de mim? Me destruir? Parabéns, você conseguiu... Já pode ir.

-Minho, por favor... Eu não quero te machucar, não posso te deixar morrer... Deixa-me te curar...

-Me curar? Você é o que? Um deus? Um anjo? Eu estou cansado de me perguntar isso todos os dias, estou cansado de não conseguir te tirar da cabeça, estou cansado de amar você e só me machucar...

-Você não é o único que se machuca... Eu tenho lutado por você todos os dias, nunca desisti de voltar para você... –As lágrimas tomavam os olhos do mais novo na medida em que a voz carregada de amargura saía dos lábios de Minho. Era tão injusto. –Eu não queria ter te causado tantas feridas, a última coisa que eu queria era te fazer sofrer, pelo contrário... Eu queria ficar ao seu lado, te trazer felicidade...

-Com você foi diferente... Dessa vez eu realmente fechei os olhos e pedi a Deus pra que desse certo. Só dessa vez... Mas ele sequer me escutou, nem você escutou... Eu demorei tanto para aceitar esses sentimentos, e quando eu finalmente os sinto verdadeiramente, você me dá as costas... Deixando a porcaria de uma carta, em que século você vive? –Taemin não poderia julgar aquelas palavras.

Era um Minho machucado, ferido e desnorteado com todas aquelas sensações entre a vida e a morte, sentimentos de saudade, de abandono, de confusão e tristeza... Ele o entendia, e por isso recuou passos... Ele não poderia ser a sua cura, não quando só o machucava, só o causava dor.

-Eu só quero que saiba que eu tentei... Eu lutei... Te amei e te amo... Você merece alguém que possa te abraçar, te amar e te cuidar, e dessas três coisas, eu só posso te cuidar em oração e te amar em silêncio, suportando a insistência do meu coração em sentir tudo por você durante, talvez, a eternidade, mesmo que sem poder lhe tocar.

-Você fala coisas estranhas... Você aparece em momentos inesperados... Você me deixa confuso e sem explicações... Mas mesmo assim, eu não consigo deixar de te amar... –Os olhos do mais novo arregalaram-se - Eu não esperava por isso, não esperava sentir essas coisas que sinto por você, não esperava e nem queria, porque mesmo se eu quisesse muito, eu descobri que não poderia te ter. Mas eu sinto. E dói. Dói porque te quero aqui, mas você está aí. Dói porque eu penso em você 24 horas por dia e só posso te ter assim, em meus pensamentos. Eu precisei quase morrer, para que você pudesse vir ao meu encontro, mesmo que num devaneio meu. –Os olhos denunciavam todo o sofrimento ao escorrerem lágrimas, a tristeza sendo colocada para fora em resquícios de pensamento.

A feição de Taemin contorceu-se em uma careta de dor quando uma pontada em suas costas assustou-o ao ponto de quase ir ao chão com a sensação perfurante. O seu tempo estava acabando. Olhou para o lado, e sua mente devaneou um imenso relógio, os ponteiros corriam na medida em que Minho era afastado de si e o ouvia gritar o seu nome de maneira quase agonizada. Tentou levantar-se, porém a dor era insuportável, olhou suas próprias mãos e as viu perderem os resquícios de existência, como se estivessem desaparecendo.

“Vamos Taemin... Levante-se... Ainda dá tempo, ainda é possível! Vamos!”

Mais uma tentativa, mais uma queda... Sua visão ainda lhe revelava a figura de Minho afastando-se de si enquanto gemia em dor, provavelmente sentindo-a junto a si.

“Se ele te amasse, você não estaria nesse estado deplorável”

Fechou os olhos, apertando-os enquanto sentia uma agonia adentrar em seu peito de forma avassaladora, aquelas vozes perturbava-lhe os pensamentos e lhe confundiam assustadoramente.

“Não o dê ouvidos Taemin! Vamos... Levante-se, você não pode se render.”

Taemin pôs-se de joelhos, engatando-se a chorar pela dor e pela agonia, estava tão desesperado que mal enxergava para onde iria dali em diante.

“Se fosse amor, os seus olhos não estariam inchados. Você estaria em paz ao invés de chorar em desespero, questionando-se os motivos das coisas sempre darem errado. Não dá tempo, você não conseguirá salvá-lo”

-P... Parem, parem com isso! –Taemin cobria os ouvidos e murmurava em meio ao choro, tentando parar aquelas vozes, aquela angústia.

Minho, sequer o via mais... Estava perdendo, seu interior queria desistir.

“Não! Não se renda! Eles estão te tentando... Não ouça esses demônios! Esse não tem que ser o seu destino Taemin, vocês se amam! Não tem que terminar assim, você é capaz de mudar tudo, você tem poderes, você pode salvá-lo.”

-Minho... –Taemin chamou-o com a mão sobre o peito sentindo seu coração bater forte, sua mente, seu corpo, seus sentimentos, todos os lados e faces que possuía. Todo o seu ser chamava por Minho. –Eu preciso tentar...

“Se ele te amasse você não estaria se perguntando se ele sente a sua falta como você sente a dele. Você não reconheceria que entregou o seu coração para alguém que não soube amar.”

-Não... O amor não é assim... Não tem que ser assim... –Taemin levantou-se do chão sentindo-se tonto e fraco pela dor. Estava de pé. –Ao fazer um desejo, talvez o último em que eu tenha oportunidade, eu fecho os olhos e o imagino em meus braços, eu o desejo com todas as minhas forças... Aninhar-me em seu peito, ouvir o bater do teu coração, sentir teus tremores e tuas alegrias, sentir seus desejos e mistérios. Ter-te em meus braços para esquecer o tempo, para todos os beijos... Acariciar tua alma num longo abraço.

Taemin olhou suas próprias mãos, vendo-as iluminarem em um clarão completamente desconhecido. Suas asas ardiam em brasas, seu peito concentrava uma força que jamais havia sentido antes, as vozes sumiram e seu olhar tornou-se negro como uma noite sem lua. Sem mais relutar, Taemin as abriu. Como o reflexo de um raio, não houve tempo de assustar-se quando as viu revelarem-se queimando em brasas, o fogo que emanava de suas penas lhe trouxe o calor necessário para que a energia fosse suficiente. Em um lapso de momento, viu-se novamente naquele quarto de hospital.

-Eu posso ser todo errado, mas eu jamais te deixaria partir, porque sem você nada funciona. Nada parece certo. Eu continuarei aqui todos os dias te amando e rezando para o dia em que estaremos juntos, pois cada segundo vale a pena enquanto eu estiver esperando por você... –Taemin sussurrou as últimas palavras tomado por um instinto totalmente desconhecido por si.

Suas mãos ainda concentravam o mesmo clarão, tendo elas o único destino direcionado ao lado esquerdo do peito de Minho. Em um suspiro descompassado, Taemin finalmente o tocou. O choque foi capaz de levantar o tronco do moreno repousado sobre a cama, numa espécie de desfibrilador. O anjo podia sentir a energia sendo transferida para o corpo em sua frente, enquanto o seu próprio era alvo de grande tensão e mecanismos de adrenalina. Em apenas alguns segundos, Taemin o soltou, logo sendo arremessado longe, chocando-se contra a parede e caindo sentado pela tamanha força do que havia realizado.

Rapidamente, olhou na direção da cama e a infinidade de aparelhos atrapalhava a visão do menor que não conseguia enxergar o rosto daquele que permanecia repousado sobre a cama. Porém foi quando o viu mexer os dedos que seu coração descompassou.

“Você conseguiu.”

 

 

 


Notas Finais


Nada a declarar, apenas que eu ainda to em choque, uma analfabeta, cega, no meio de um tiroteio... Bem eu no momento!
To tipo o Taemin, usei todas as minhas energias nesse belezinha!
Espero muitissimo que tenham gostado
novamente, EU DISSE QUE IA FICAR TUDO BEM
Beijinhoooos, e até mais!


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