História As Origens de Sebastian - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Tags Andreiakennen, As Origens De Sebastian, Drama, Fantasia, Original, Romance
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Capítulo II - Lua Cheia


As Origens de Sebastian

Capítulo II

Lua Cheia

O tempo passou rápido para o jovem Crispian e seu novo amigo Earthen.

Entre os afazeres, os estudos e as aulas de defesa pessoal, o jovem nobre se encontrava com o lobo-amigo para se divertirem juntos.

Durante a noite o animal dormia no chão do quarto do agora rapaz e desde que Crispian o adotara só havia um momento em que os dois se separavam: as noites de lua cheia.

Quando aconteceu pela primeira vez Crispian teve uma crise compulsiva de choro, além de febre por três dias, tudo por imaginar que o seu amigo havia sido roubado.

No entanto, uma semana depois, Earthen reapareceu, são e salvo, para alívio da criança. Entretanto, o período de ausência passou a se tornar uma constante. Todos os meses, no mesmo ciclo lunar, o lobo desaparecia.

O nobre-pai tinha sua teoria: que esse era o período de acasalamento do animal e, por isso, Earthen se ausentava para procurar fêmeas com quem pudesse se saciar.

No começo, quando ainda era menor e não entendia do que exatamente se tratava o acasalamento, Crispian não aceitou bem aquela notícia e chegou a sentir raiva. Raiva por achar que Earthen estava traindo sua amizade. Tinha receios de que o lobo se divertisse mais com uma companheira da espécie do que com um amigo humano e decidisse assim nunca mais retornar.

Foi pensando nisso que ao chegar a adolescência Crispian passou a estudar melhor o comportamento do amigo. Também passou a pesquisar sobre o tal ritual de acasalamento. Tudo por um motivo: elaborar um plano capaz de impedir de vez que Earthen continuasse se ausentando naquele período.

Mas oito anos se passaram em um piscar de olhos e nada foi mudado. Pelo menos não até aquela noite. Era a primeira noite do ciclo da lua cheia daquele mês e o nobre adolescente havia finalmente tomado uma decisão: aquela seria a noite que impediria Earthen de partir.

 Na grande mesa de carvalho Crispian e sua mãe jantavam sozinhos. O pai estava ausente devido a missão por ordem do reino e não tinha previsão de retorno.

Enquanto jantavam, Francine não deixou de observar que o filho mal tocara na comida e comentou o fato com ele.

— Sem fome novamente, príncipe?

— Desculpe-me, mãe? — ele pediu, afastando o prato. — Estou sem apetite.

A mulher repousou seus talheres ao lado do prato, limpou a boca com o guardanapo de tecido o qual apanhou do seu colo, e suspirou cansada.

— Há quantos anos Earthen está conosco?

— Oito.

— Desde quando ele se ausenta nas noites de lua cheia?

— Desde o segundo mês da sua chegada.

— Então, são praticamente oito anos que esse ritual se repete todos os meses. Quando irá aceitar, Crispian?

“Nunca” era a resposta malcriada que Crispian tinha na ponta da língua. Mas não podia ser tão grosseiro com a mãe, então só retrucou como sempre fazia.

— O meu amor por ele deveria ser o suficiente.

— Meu filho, eu sei. Todos nós sabemos. E, quer saber também? Estou cansada dessa reprise. Já que não quer comer suba para o seu quarto.

Apesar de não ser mais uma criança para que a mãe o punisse mandando-o para o quarto, Crispian decidiu acatar a ordem. Fazia parte do seu plano. Não queria que a mãe levantasse suspeita do que tinha em mente, então achou prudente irritá-la para que ela tomasse exatamente aquela decisão.

Após dar o beijo de boa noite em Francine, o rapaz deixou a mesa e subiu para o seu quarto pensativo, repassando mentalmente tudo o que ainda restava pôr em prática.

Ao entrar no seu aposento, Crispian se deparou com Earthen perto da janela, como era de costume. Ali era onde se despediam e depois o animal pulava a janela e partia.

Sentiu seu estômago comprimir ao pensar que naquela noite as coisas seriam diferentes. Não fazia ideia de qual seria a reação do lobo ao ser impedido de sair, pois nunca tentara prendê-lo, não naquele período. E não era tão ingênuo ao ponto de não ter conhecimento de que não era prudente deter um animal que possuía instinto selvagem.

Mas Crispian estava cansado de sofrer na ausência do amigo e achou que era hora de correr aquele risco. Mantendo seus pensamentos centrados, encostou a porta atrás de si e a trancou usando duas vigas grossas que passavam por ferrolhos. Em seguida passou pelo lobo e repetiu o gesto com a janela, que naqueles oito anos sempre ficara aberta para a partida e retorno dele.

Ascendeu mais uma vela para iluminar o ambiente agora desprovido totalmente da luz do fim de tarde e a deixou sobre a cômoda. Respirou profundamente, sentindo o anseio o corroer por dentro ao fitar os olhos azuis do animal que até então estava sentado no carpete de pele de urso no chão, apenas analisando seus movimentos.

 Analisou com cuidado a primeira reação de Earthen. O lobo se levantou calmamente e andou até a janela, ergueu-se nas patas traseiras, apoiou as dianteiras no beiral da janela, farejou a viga grossa que a trancava e empurrou a janela com uma das patas. Ao perceber que esta não se movera voltou a se acomodar no chão, encarando o seu dono como se pedisse a ele por respostas e foi o que Crispian fez, o respondeu.

— Perdoe-me, meu amigo, mas desta vez você não vai — afirmou convencido, retirando o camisão que usava para dormir por cima da cabeça e expondo seu corpo nu e magro diante do animal.

Earthen não seu moveu, continuou apenas observando a ação do seu dono.

— Sei que pode achar estranho. Eu sou um humano e não um lobo. Mas eu o amo demais para continuar suportando sua partida todos os meses — dito isso, fez uma pausa e inspirou profundamente, buscando coragem para terminar de dizer o que pretendia. Então, num tom gaguejante, prosseguiu: — E- e- eu o- ouvi dos guardas q- que q- quando eles não têm moedas para pagar as meretrizes na vila, e- eles se satisfazem com animais — concluiu a explicação, engolindo em seco ao final.

Mas o lobo permanecera inerte, apenas o observando.

— Eu estudei durante algum tempo o ato do acasalamento dos lobos. Sei que um animal pode satisfazer seus instintos com um ser humano da mesma forma que o ser humano pode se satisfazer com um animal. — Crispian pausou mais uma vez, suspirou brevemente, procurando acalentar o nervosismo que o fazia esfregar as mãos uma nas outras e então prosseguiu. — Por isso, eu lhe peço Earthen: não se ausente mais durante as noites de lua cheia. Eu não suporto a ideia de saber que está lá fora e que outro alguém, ou algo, poderá levá-lo de mim. É angustiante ficar esperando seu retorno e ainda assim ter a incerteza como companheira. Se o que você procura é mesmo satisfazer seus instintos, use meu corpo a partir de agora.

Crispian terminou de falar e subiu na cama, deitou-se de bruços e afundou o rosto abrasado nos travesseiros de plumas.

— Eu sei que você me entende — continuou falando agora com a voz abafada. — Eu o amo. Então, estou pedindo-lhe, pedindo não, implorando. Por favor, não vá. Acasale-se comigo.

Havia exposto por completo seu plano, então Crispian ficou em silêncio, aguardando. Mas diferente do que imaginara o lobo não se moveu de onde estava.

Os anseios do jovem lorde aumentaram, fazendo com que seu corpo nu e ainda virgem ficasse ainda mais sensível. Estava com medo, mesmo assim, havia se preparado muito para aquele momento.

As lágrimas brotaram nas margens dos olhos e logo transbordaram, molhando o tecido fino da fronha. O corpo nu passou a tremer compulsivo devido aos espasmos causados pelos soluços. Crispian não conseguia sequer pensar na ideia de falhar e ter que permitir que Earthen se fosse.

Nunca tivera certeza de que sua pretensão daria certo, porém ousara tentar. Mas ter consciência de que ele não era suficiente para saciar os desejos do seu lobo era angustiante de uma forma dolorida.  

— Por favor, Earthen — implorou mais uma vez. — Eu sei que me entende. Eu não vou deixá-lo partir. Por favor, faça comigo.

O choro de Crispian e a inércia do animal prosseguiram por mais um tempo. E quando o jovem estava dando-se por vencido assustou-se com o repentino salto do lobo para cima da sua cama. Virou o rosto o suficiente para ver as patas grandes e pesadas de Earthen afundando-se no seu colchão. O jovem nobre suspendera o choro assim como a respiração e arrepiou ao sentir as lambidas, que eram tão comuns do amigo em sua face. Earthen estava secando suas lágrimas.

Crispian fungou e respirou profundamente. Então, o lobo demonstrou-se ainda mais condescendente com a dor do seu mestre ao descer as lambidas para a boca dele. Crispian correspondeu as lambidas do animal, colocando a língua para fora e repetindo o gesto dele, fazendo suas línguas se encontrarem.

Foi então que o animal desceu as lambidas para regiões não antes tocadas por ele como os ombros, a nuca e as costas. Crispian passou a se contorcer com o toque da língua úmida do animal, a qual provocava sensações adversas como formigamento e arrepios. Mas quando Earthen correu a língua úmida pela curva central de suas costas, o jovem sentiu algo totalmente diferente: um comprimir no estômago e o enrijecimento do seu membro que o fez agir por instinto e resfolegá-lo na cama enquanto contraía o traseiro.

Eram sensações distintas, novas, boas. Compostas por arrepios que se somavam com o efeito estranho de sentir seu órgão sexual endurecendo mais conforme se resfolegava no tecido confortável da cama. Seu membro, até então intocado, começou a latejar e tentando entender o próprio corpo, Crispian passou a friccionar seu ventre contra o colchão com mais força, enquanto as batidas do seu coração aumentavam gradativamente, fazendo-o ofegar e fechar os olhos para se aprofundar naquelas sensações.

Earthen parecia saber exatamente o que estava fazendo. Era como se o animal fosse experiente na arte de fazer amor dos humanos, pois ele parecia compreender quais regiões eram sensíveis ao toque da sua língua.

Foi quando o animal direcionou as lambidas para as nádegas de Crispian as quais ele precisou apartar ao notar a intenção dele em introduzir o focinho entre elas. Assim que o fez, Crispian sentiu a língua no animal ser penetrar o pequeno orifício entre as nádegas e depois disso não foi capaz de evitar os gemidos desconexos.

Crispian intensificava o contrair da região que era tocada pela língua de Earthen, quando o lobo parou, e cutucou-o com o focinho na lateral do seu corpo. O jovem nobre entendera aquilo como um pedido para se virar e foi o que fez. Pôs-se de barriga para cima, manteve as pernas afastadas e só então percebeu o quanto estava tomado pelo desejo, pois viu seu membro despontar ereto e dolorido.

Teve a intenção de tocar aquela região, mas foi impedido por Earthen que voltou a lamber seu corpo. O jovem lorde deixou que ele agisse, a sensação só foi melhorando, tornando-se perturbadora, se remexeu de um lado para o outro na cama, tomado pela excitação. Nunca sentira aquelas sensações antes.

As lambidas do lobo se detiveram em seus mamilos ouriçados e assim que eles foram mordiscados Crispian teve que elevar a mão em punho até a boca e mordê-la e assim tentar controlar a vontade de soltar um grito. Seus mamilos eram sensíveis, senti-los serem lambidos e mordidos fizeram seu corpo inteiro esquentar.

Aquela sensação adensou ainda mais seus nervos, fazendo-o arquear-se da cama e contrair mais as nádegas. Mesmo não tendo certeza do que estava acontecendo, ele não conseguia mais ser dono de suas vontades. A consciência estava sendo absorvida, dando lugar somente as sensações. Cada novo toque fazia-o se remexer e se contorcer. Até mesmo o resfolegar do pêlo de Earthen rastelando sobre sua pele nua era luxuriante, ou o toque gelado do focinho que causava-lhe um frenesi crescente.

Arqueou o corpo, retirando as costas do colchão, e sentiu a língua do animal passar rapidamente por sua barriga, virilha e encontrar seu membro.

— Ah, não! — exclamou, não segurando mais os gemidos que deixavam sua boca involuntariamente.  

O lençol desforrou a cama e caiu pela lateral dela. O medo alucinante que sentiu quando os caninos afiados do lobo arranharam seu órgão fizeram aumentar sua adrenalina, deixando-o em completo estado de torpor. Segurou os pêlos da cabeça de Earthen entre seus dedos e quase foi capaz de senti-lo ofegar também.

Mas ainda restava a Crispian uma gota de consciência e esta o fizera lembrar de que encarcerara o amigo ali com o intuito de fazê-lo satisfizer em si e não do contrário.

“Eu preciso mudar de posição”, Crispian pensou fazendo Earthen deter as lambidas em seu membro ao escorregar seu corpo para fora da cama e, mesmo muito trêmulo, se pôs de quatro no chão, empinando o quadril e deitando a face no carpete para manter o corpo apoiado naquela posição. Com as mãos livres, apartou ambas as nádegas.

— Vem, Earthen — demandou, oferecendo o caminho aonde o lobo deveria entrar. — Sei que conseguirá se satisfazer se conseguir penetrar essa região. Foi isso que aprendi nas minhas pesquisas.

O animal, que até aquele momento parecia ter o controle total de suas ações, foi dominado por seus impulsos selvagens e não recusou a oferta. Cobriu as costas do seu jovem amo e abocanhou de leve a nuca dele, fazendo-o empinar mais o quadril. Em meio aos pêlos o membro animal despontou vermelho e latente e conforme este foi crescendo foi se introduzindo diretamente na entrada anal de Crispian, rompendo-a com dificuldade.

Crispian tentou abafar o grito de dor mordendo o carpete de pelos de urso no chão, mas a dor fora tamanha que as lágrimas vieram sem permissão. Não era somente o falo do animal que o rompia e que lhe causava aquela dor lancinante, mas o peso todo do lobo sobre ele era algo quase insuportável. Mas havia se disposto e iria suportar, pois aquela decisão havia partido dele. Apertou os lábios com força e tentou evitar os lamentos, enquanto ia se acostumando ao início das estocadas.

 O lobo estava começando a se mexer mais rápido e, diferente do que Crispian esperava, a sensação de dor foi se aliviando conforme Earthen se aprofundava.

Após as primeiras investidas, o falo do animal começou a expelir algum tipo de líquido viscoso que lubrificou o caminho aonde se introduzia, aliviando também a dor e o desconforto de Crispian, fazendo com que começasse a sentir algo diferente, prazeroso.

Crispian parou de morder o carpete e voltou a arfar quando a dor insuportável do início do coito diminuiu. Seus gemidos aumentaram mais nos instantes em que o membro do animal atingia com força o limite do seu interior e o agraciava com uma sensação ímpar, quase extasiante.  

Earthen passou a arremeter com mais velocidade. Crispian se sentiu tomado por aquelas sensações e passou a mover o quadril ao encontro das estocadas. Seu corpo gritava por algo que estava prestes a explodir e com o aumento das investidas de Earthen aquilo começou a acontecer: contrações e pulsações involuntárias fizeram a passagem anal de Crispian se contrair em torno do membro de Earthen que o preencheu com seu orgasmo.

Aquele espasmo inebriante repentino percorreu todo o corpo de Crispian, fazendo-o trincar os dentes, apertar os pelos do carpete em suas mãos e arquear mais as costas. Arrepios correram toda a sua espinha dorsal e então soltou um gemido estrangulado parecido com um urro. Era êxtase puro. Seu corpo todo pulsava. Até o membro expelia jatos fortes de sêmen para o chão.

Os dois corações tamborilaram no mesmo ritmo. Crispian sentiu a semente de Earthen descendo por suas pernas e depois de alguns segundos, ainda naquela posição, o lobo finalmente o aliviou ao sair de cima dele e se deitar exaurido no carpete ao seu lado.  

Perdendo totalmente a força nas pernas, Crispian fez o mesmo, deitou-se no chão e fitou seu lobo exausto, enquanto tentava regularizar sua respiração.

Sorriu satisfeito. Vitorioso. Feliz. Não apenas por ter conseguido manter seu amado lobo ali, mas também por ter descoberto aquele mar de novas sensações que seus corpos podiam proporcionar um ao outro.

“Nunca mais o deixarei procurar por outros meios de se saciar, Earthen. Sempre terá a mim”, garantiu.  

— Vamos dormir junto comigo na cama? — perguntou, observando o lobo entortar a cabeça para observá-lo.

Contudo, naquele instante, o jovem milorde presenciou algo que não havia passado por sua mente.

Era noite completa do lado de fora e a luz da brilhante lua cheia invadia o quarto através de algumas fissuras na parede e das frestas da janela, e estas, alcançaram os pelos de Earthen.

Foi nesse instante que os olhos do jovem presenciaram uma estranha transformação: a pelugem espessa do seu lobo começou a se encolher. Os dedos das patas se alongarem e o corpo passou a tomar formas mais delgadas, lisas e eretas. O focinho encolheu até afundar-se na face e transformar-se em um nariz humano, pequeno e empinado. Embaixo do pequeno nariz surgiram lábios rosados, carnudos e bem desenhados. O pelo do rosto desapareceu por completo e os olhos ganharam cílios longos e sobrancelhas grossas. Então as pálpebras fechadas se descerraram, afrontando com sua cor azul o mais belo céu de primavera.

Crispian havia presenciado um milagre: o seu lobo, Earthen, havia acabado de se transformar em um humano.

Quando a metamorfose cessou, o jovem lorde o contemplou deitado no chão do seu quarto, ainda respirando com dificuldade, o mais belo homem que vira em sua vida.

Seus olhos se arregalaram e o coração disparara ainda mais. Sentou-se para observá-lo melhor e o deslumbramento não o permitiu proferir qualquer palavra que fosse, suas mãos tremiam, suavam.

Earthen tinha a forma de um homem adulto, talvez em torno dos 26 anos, cabelos negros, com mechas avermelhadas, tais como eram os pelos da forma lobo. A franja caía em formato de “v” na testa e os fios que iniciavam rentes a nuca faziam ondas nas pontas, idênticas a calda do que fora o lobo.

Apenas aqueles olhos gentis eram familiares a Crispian.  

A única coisa que Earthen vestia eram as jóias que o próprio lobo usava antes. Os brincos, o colar no pescoço, as argolas douradas nos punhos e nos tornozelos. Crispian deteve sua contemplação quando notou o homem diante de si piscar, apoiar as mãos no chão e se sentar, ficando diante do seu jovem dono.

Era a segunda vez que se conheciam.

Mas, igual a primeira vez, Crispian estava hipnotizado.

Com receio, o mesmo do primeiro encontro, ele ergueu uma das mãos e tocou aquela tez com as pontas dos dedos, para se certificar de que não estava sonhando ou delirando.

Mas, não. Não estava.

Seu tato provou toda a maciez daquele rosto que era lindo. Não havia nesta nenhuma marca de imperfeição, muito menos de sinais da idade. Era como a pele de um recém-nascido.

O homem-lobo, por sua vez, se deixou ser analisado, mas quando a mão do seu jovem amante chegou a seus lábios ele segurou o toque apanhando com cuidado o punho dele — para não feri-lo com suas unhas longas e que pareciam afiadas — então, levou os dedos de Crispian a sua boca e lambeu as pontas destes.

O adolescente puxou ar com força para dentro dos pulmões através do nariz. Não conseguia desprender seus olhos daquele ser. Apesar da aparência humana havia nele peculiaridades que o distinguiria como sendo de uma etnia única. Além da pele limpa e desprovida dos pelos, os cabelos eram exatamente como os pelos: fios espessos. Os olhos, apesar de azuis claríssimos, eram grandes e as pupilas tinham um formato de em um risco vertical. Ainda tinha aquelas unhas. Eram certamente garras, pois eram compridas e curvadas.

Um frio assolou o estômago do jovem. O olhar de Earthen estava fixo nos seus e parecia mais intenso do que antes fora. Era como se o estivesse analisando também. Mais do que isso, desejando-o, ansiando em devorá-lo novamente.

Respirou, respirou e respirou. Precisava se manter calmo. Ainda era seu Earthen apesar da nova forma. E mesmo aquele diante de si sendo um homem exótico para sua espécie, era com certeza tão belo e tão perfeito como em sua forma lobo.

Crispian moveu seus dedos sobre a carne macia que eram os lábios dele e entreabriu os seus próprios, desejando ardentemente que aquela boca tocasse a sua. E com um arfar quase sufocante, soltou um gemido ao ver os lábios do lobo se entreabrirem em um sorriso que mostraram pela primeira vez a fileira de dentes brancos, quase ofuscantes, lineares, exceto pelos caninos avantajados que mal se mantinham na margem da boca.  

Crispian estava extasiado. Sentiu o hálito quente de Earthen roçar-lhe a pele conforme ele se aproximava e então o toque sutil da boca dele sobre a sua se fez, reiniciando todo o turbilhão de sensações pela qual passara há pouco. Seu ventre ardeu e aquele beijo foi o estopim para que a excitação o tomasse de novo.

Agarrou-se ao homem em um abraço sufocante e correspondeu ao beijo. As peles se encontraram pela primeira vez. Crispian emaranhou seus dedos nos cabelos de Earthen sentindo a maciez dois fios espessos. A luxúria o enlevara novamente. Tornava-o obsceno, exigente. Queria tê-lo dentro de si naquele instante e foi o que pediu.

— Tome-me, por favor, Earthen — implorou entre o beijo.  

E, claro, fora atendido de imediato. O lobo, agora em sua forma humana, deitou o jovem lorde no carpete e, após afastar as pernas dele uma da outra, segurou seu membro que apontara rijo e o posicionou na pequena entrada ainda avermelhada do primeiro ato. Após sorrir, admirado da face tomada pelo desejo de Crispian, Earthen debruçou-se sobre ele fazendo seu órgão ultrapassar a resistência inicial do orifício anal e se deteve ali.

Crispian fez uma careta de dor, mas notou que sua careta impediu Earthen de continuar, então meneou a cabeça dando-lhe direito de seguir.

— Faça — ordenou incisivo.

Earthen o fez. Entrou devagar, comedidamente, e o que seguiu na sequência fora um alvoroço de beijos e de toques eloquentes. Quanto mais o homem-lobo adentrava o orifício anal do jovem lorde, mais este se abria para ser penetrado. Não demorou e mais uma vez estavam gemendo e gozando.

E aquele gozo ainda não seria o último da noite. Posicionaram-se de formas diferentes mais vezes, buscando sempre sensações mais intensas e amaram-se como se o dia de amanhã não fosse mais existir.

Quase no findar da noite, quando não dispunham de nenhuma gota de energia, os dois deitaram-se abraçados na cama. Os corpos abrasados agradando-se até da mínima corrente de ar que invadia o quarto através das rachaduras nas paredes e das pequenas frestas da grande janela de madeira.

Foi quando o jovem lorde ouviu pela primeira vez uma voz de timbre grosso, mais suave e sensual, sussurrar-lhe ao pé do ouvido.

— Eu também te amo, Crispian.

Crispian fechou os olhos e sentiu novos arrepios. Estava tão cansado que não imaginava que algo pudesse causar-lhe novos tremores. Desejando que aquela voz continuasse ressoando em seus ouvidos pela eternidade, ele ergueu seu rosto do peito de Earthen e fitou os orbes azuis brilhantes.

— É mesmo um milagre! Você também fala?

— Apenas quando estou nessa forma.

— Mas me compreende quando está na forma de lobo?

— Perfeitamente. Sempre o compreendi, milorde — concordou. — Mas infelizmente não falo quando estou na outra forma. Por isso, estou respondendo agora o que me confessou antes de pedir para eu ficar. Você disse que me amava e por isso não me deixaria partir. Então eu lhe respondo: Eu também te amo, Crispian. O amei desde que o encontrei naquela floresta. E quero que saiba, a minha ausência não era por eu estar atrás de fêmeas da minha espécie ou para acasalar conforme imaginava, eu desaparecia, porque não desejava que descobrisse meus segredos.

Crispian sorriu envergonhado ao ouvir aquela confissão e abraçou mais forte o corpo do homem-lobo.

— Estou mesmo aliviado de ouvir essa declaração. Mas estou ainda mais curioso sobre a verdade em torno de você, Earthen. O quê você é? Um ser enfeitiçado? Você era humano que foi transformado em lobo ou um lobo que foi transformado em humano?

Earthen suspirou profundamente. Aquela era a parte que desejaria simplesmente deixar de lado, mas não podia esconder a verdade de Crispian, que o amava tão verdadeiramente.

— Podemos conversar quando o sol se puser novamente? — pediu ele. — Você está exausto e é bom que descanse ou lady Francine ficará desconfiada.

— Sim. Está bem — o rapaz consentiu, se aconchegando novamente ao peito do outro. — Mas me prometa que não irá partir.

— Confie em mim, milorde. Não farei nada que não deseje.

— Obrigado, Earthen.

O lobo na sua forma humana sorriu e aconchegou mais seu jovem dono em seus braços.

— Sim, meu amo.

Continua...

 


Notas Finais


A tradução de “Earthen” (inglês) tem vários significados, mas eu quis usar o termo como “Terrestre” que cabe também. Só para constar. ;)
Capítulo dois postado. ;)
Bem mais intenso que o anterior.
Mas, esta história ainda renderá muitos momentos estranhos.
Continuem acompanhando e irão conferir.
Até o próximo o/


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