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História Fantasy - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Acordando


Fanfic / Fanfiction Fantasy - Capítulo 1 - Acordando

‘’I’m not going to try ‘til decide

You’re ready to swallow all your pride

I’m stading here naked

Naked...naked (...)’’

Assim a voz ecoava nas paredes do carro de Itachi, que estava com o rádio ligado. O jovem estava a caminho de sua primeira cerimônia oficial de liderança ANBU, após quase três meses em coma no hospital de Konohagakure.  Atrasado, já havia realizado três ultrapassagens com um nível de perigo significante – precisei fazer isso – pensava Itachi, que não concordava com atrasos e possuía histórico de chamar a atenção de seus colegas pela falta de pontualidade.

O nervosismo com o horário perpassava os pensamentos do Uchiha que contava junto ao relógio os minutos que iam se passando – agora só temos mais cinco minutos – afirmou a si mesmo em um tom audível. Apesar da pressa, como de feitio, o jovem mantéu a serenidade e sua calma naquele momento, seu rosto sequer demonstrava algum tipo de ansiedade. Os olhos negros de Itachi estavam calmos, assim como seus ombros estavam posicionados de forma distensa, enquanto as suas mãos se concentravam em dirigir com mais cuidado.

Enquanto desacelerava pela pista, já dentro de um pequeno vilarejo, Itachi avistou a frente algumas moças vestidas com roupas longas e com penteados no cabelo ao pé da nuca. Algumas vestimentas eram de puro cetim, enquanto outras apenas de algodão, mas ambas na cor de rosa. Era um rosa claro, em tom pastel, e as garotas estavam conversando animadas, enquanto outras soltavam risadas mais leves.

Quase nada escapava aos olhos de Itachi que desde pequeno apreciava os detalhes de cada objeto ou situação. No entanto, não era comum Itachi despertar seus sentimentos nessas observações, mas por alguma razão, quando já acelerava o carro novamente, decidiu olhar pelo retrovisor direito de seu carro, avistando duas moças loiras em um renegade vestidas de forma similar ás das meninas que acabara de ver, logo atrás dele.

Itachi acelerou um pouco mais e viu o carro com as moças indicarem pela seta que entrariam na próxima à direita. O Uchiha as viu entrar na pista pelo pouco que o retrovisor ainda mostrava, e assim tomaram rumo desconhecido pelo jovem. Itachi esqueceu esse pequeno episódio e olhou novamente pelo relógio de pulso, havia passado não só os cinco minutos que ele esperava chegar até o local, como mais de quinze. Itachi suspirou, não muito fundo. Quando olhou novamente pelo parabrisa do carro, escutou sinos de uma igreja próxima e, de acordo com o que conhecia, aqueles toques suaves, com intervalo de alguns minutos, indicava que um casamento seria celebrado em alguns instantes.

Itachi estava em uma vila muito conhecida e prestigiada, a Vila do Bosque, que fica há aproximadamente 100km de Konoha. É uma cidade aconchegante e turística e, desde que acordou do coma, havia passado apenas uma semana com a sua família, logo precisou ir para a referida Vila. O mapa no celular de itachi indicava que em menos de dois minutos chegaria ao Parquet Center, local da cerimônia. O jovem decidiu olhar para o canto direito, onde se localizava a igreja e, ao visualizar os noivos que logo entrariam no altar, Itachi percebeu que uma estranha sensação cobria seus pensamentos, era um misto de emoções, não soube explicar, mas sentiu algo familiar, um pouco confuso, mas bom.

As sensações de itachi são interrompidas pelo comando de voz do mapa, dizendo:

– Seu destino está há menos de um minuto.

Nesse momento, Itachi toma conta novamente de seus pensamentos, tentando esquecer a estranha sensação que acabou de ter. Ao retirar o celular do suporte no painel do carro, o aparelho toca, Itachi olha para o celular – é Shisui, humpf. O amigo foi sempre muito preocupado com o jovem, mas Itachi nessa hora não achava que era necessário atende-lo, sabia que provavelmente Shisui o diria para não se preocupar com o horário, com a reunião, ou qualquer outra coisa, pois estaria tudo bem, e que se dependesse dele, o cobriria até que chegasse ao local.

Após estacionar o carro e sair depressa segurando seus óculos e alguns pertences, Itachi adentrou pela entrada principal e foi levado à sala de reuniões extraordinárias por uma mulher de aparência pálida, cabelos curtos espetados e com olhos verdes ansiosos. Itachi achou que deveria perguntar algumas coisas a moça, já que ignorou a chamada de Shisui. O jovem sequer sabia quantas pessoas já o aguardavam, na verdade, nem mesmo sabia se o amigo estaria presente pois, pelo que soube, Shisui cumpria uma missão importante e desconhecida em outro país.

No caminho da sala, já no corredor, a jovem que andava em passos largos fazendo barulho com o pequeno salto que calçava, resolveu orientar Itachi antes de adentrar na sala que estava logo a frente. A moça olhou pelos cantos dos olhos enquanto observava que Itachi a seguia. A jovem parou, se virou, e disse:

- Itachi-sama, é um prazer tê-lo em nosso Parquet Center. Espero que se sinta à vontade. Há pelo menos vinte pessoas nessa sala, entre líderes Jounins, a Força Policial da Folha, Caçadores Anbu, Kages, e até mesmo os senhores feudais.

Itachi assentiu a gentileza da moça em cumprimenta-lo, fazendo um gesto de agradecimento curvando um pouco a sua cabeça para a frente. Em seguida, indagou:

- Apenas pode me dizer há quanto tempo estão aguardando?

A moça assentiu, e disse:

- Bem, não s... – A jovem então é interrompida por um rapaz de cabelos curtos, negros e um tanto encaracolados, que acaba de abrir a porta da sala extraordinária. Os olhos e o sorriso do jovem são marcantes no momento, mas não há tempo suficiente para que a moça observe aquele rosto. Ele logo diz:

- Espero não ter atrapalhado muito, Tahana-sama! – Em seguida, o jovem espreita os olhos de Itachi, que devolve o olhar surpreso por ele estar ali. Itachi tenta suprimir tantos pensamentos que o atordoam até o momento, desejando apenas entrar de uma vez naquela sala. Tahana-sama curva a cabeça um pouco para a frente, e diz olhando para os jovens:

- Não se preocupe, Senhor. Apenas iria dizer ao Itachi que os convidados estão aguardando pela reunião com gratidão por ele estar bem, não há o que se falar em pressa. Além do mais, os horários das reuniões são aproximáveis – A jovem sorriu de leve virando-se para itachi, e terminou:

- Não se preocupe, já os avisei que você chegou, portanto, se me dão licença. – A moça mais uma vez abaixou o corpo levemente para a frente e, em seguida, saiu de forma apressada dando meia volta no corredor.

Itachi retirou os olhos da moça que sumia de suas vistas para olhar rapaz de cabelos curtos. Shisui estava com o semblante leve, seu corpo estava mais corado, moreno, e com algumas marcas de cicatrizes, pela forma que se encontravam os hematomas em seus braços e ombros, julgou Itachi que seriam recentes. O corpo sarado do jovem estava escondido em uma camisa branca de manga, meio colada, e nas calças mais largas. Sem dúvidas, o sorriso convidativo de Shisui era o que mais aproximava as pessoas dele, mas não era correto esquecer que suas características físicas eram bastante excitantes.

Itachi suspirou fundo dessa vez, a sua cabeça mais uma vez estava atordoada por coisas que nem mesmo ele sabia explicar, a mesma sensação que sentiu dentro do carro, anteriormente, queria voltar naquele mesmo instante, justo agora que participaria de um momento solene com várias pessoas importantes de sua Vila. Antes que Itachi pensasse em dizer algo para o amigo, Shisui indagou:

- Entre, Itachi. Mais tarde conversamos, imagino que esteja apressado. – Logo na sequência, Shisui abriu a porta com uma das mãos, enquanto a outra mão estava apoiada no bolso de sua calça. Shisui ainda fitava os olhos de Itachi, que retrucava o olhar como se estivesse concentrado em outras coisas. Antes que Itachi entrasse de vez na sala, ainda se virou para o canto onde estava Shisui, mas ainda estava sem uma palavra concreta para esboçar no momento. Itachi então sorriu de leve para o amigo, que o olhou de forma gentil.

Durante a reunião, diversas pautas de Konoha foram expostas ao Itachi e aos senhores feudais. Muitas mudanças ocorreram desde o ataque à Vila da folha por forças contrárias que instigavam o início de uma nova guerra. Embora Itachi tenha lutado de maneira árdua contra o último ataque à Folha provocada por países vizinhos, a situação ainda parecia instável. No entanto, seu pai, Fugaku, líder da Força Policial Uchiha, era o braço direito do Hokage da Folha, Naruto Uzumaki, e ambos estavam com fortes alianças vizinhas que planejavam um novo recorte de países e Vilas, que teriam três vezes mais a segurança que havia atualmente na Folha.

Em determinado momento, é apresentado a Itachi e aos caçadores Anbu alguns registros do último ataque a Konoha, assim, ao observar os escombros, eles decidiriam o melhor rumo para a reestruturação da Vila com maior seguridade em pontos estratégicos. Em uma das fotos, há uma zona de mata completamente destruída próxima ao rio Naka. Itachi resolve colocar os óculos e observa que o rio estava em uma cor diferente, em um tom marrom-avermelhado, parecia puro sangue. Aquilo que o jovem observou lhe deu um arrepio que correu todo corpo, sendo o suficiente para tirar a sua atenção por uns instantes da reunião. Itachi não conversou sobre isso com ninguém, mas tinha a plena certeza que Shisui tentou se suicidar pulando do precipício em frente ao rio Naka.

- Não é, Itachi?! – Sorriu Fugaku ao filho, percebendo em seguida que o mesmo sequer prestou atenção no que foi dito. Itachi colocou as duas mãos na cabeça, fazendo um movimento como se estivesse limpando o suor de suas têmporas. Os anfitriões ali reunidos esboçavam um pouco de preocupação com o jovem. Itachi, agora segurando os óculos em uma de suas mãos, enquanto uma das pontas encostava em sua boca, indaga aos reunidos, olhando para os mesmos:

- Nós da Folha faremos o possível para que os planos deem certo. Enquanto líder das forças Anbu, garanto que o trabalho será bem supervisionado por mim. – Em seguida, o jovem tomou um pouco da água que estava em sua mesa. O líquido desceu quente por sua garganta, provocando uma sensação desconfortável, assim como a que acabara de sentir ao ver a imagem. Por fim, Itachi afastou as fotos para longe de si.

Fugaku olhou para o filho em um tom temeroso, como de prática. No fundo, o líder policial estava feliz, por que sempre acreditou no potencial de Itachi e Sasuke. Fugaku sabia que os filhos eram grandes ninjas, além de serem reconhecidos pela Vila da Folha e pelo restante das Vilas shinobi. A reunião caminhava para o fim, e pouco a pouco os convidados pareciam querer despedir-se de forma amistosa regada a elogios para Uchiha Itachi, líder que lutou bravamente no último confronto na Vila da Folha. Antes que as congratulações pudessem acontecer de forma mais enérgica, Itachi levantou-se do lugar e prontamente agradeceu a todos pelo momento, complementando:

- Dispenso maiores elogios, senhores. – Com a cabeça curvada para a frente, em tom de respeito.

Alguns líderes e Kages olharam para o jovem encucados com a sua atitude e sorriram levemente, pensando no quão Itachi remediava tais elogios. O capitão anbu, Shisui, estava mais ao fundo da sala, em uma mesa compartilhada com o Kazekage do país do fogo, um jovem ruivo com cerca de vinte e cinco anos. Por alguns instantes, Itachi permaneceu seus olhos sob Shisui, observando a sua aproximação com o Kazegake, que sorria contente com algo que o moreno de camisa branca acabara de falar.

Itachi então olhou para as grandes janelas que a sala de reuniões portava, era possível visualizar nuvens negras sob o céu – a chuva certamente virá – pensou Itachi. O jovem colocou seus óculos preso a gola de sua blusa, e resolveu tirar a jaqueta de couro que vestia e a colocou em sua mesa. O vento soprou por uma das janelas, e Itachi pode sentir a pele arrepiar um pouco. O jovem, mesmo internado por algum tempo, ainda estava em forma. Seus ombros másculos e o peitoral a mostra na blusa de telinha preta confirmavam seu físico impecável.

 A reunião finalmente terminou e, após todos se despedirem, Itachi conversou com o pai por algum tempo, não se esqueceu do que Fugaku tinha lhe dito no dia em que quase perdeu a sua vida para salvar Konoha. Na ocasião, o pai prometeu que caso filho sobrevivesse, nunca mais o poria em situações pesarosas e arriscadas, nem mesmo iria incentivá-lo a suprimir os próprios sentimentos buscando cumprir um simples ‘’dever’’. No momento, Itachi não entendeu bem, mas hoje as palavras do pai estão cravadas em sua mente.

Quando Itachi já estava no estacionamento, observou que Shisui permanecia encostado na traseira de seu carro, olhando para o tempo fechado que se formou no céu. Itachi também olhou para cima, e sentiu os primeiros pingos de chuva atingirem seu rosto. Colocou uma das mãos no bolso da calça, e pegou a chave do carro. Ao se aproximar do amigo, este lhe olhou, novamente, de forma leve – sempre transmitindo a paz de sempre – pensou Itachi. Em seguida, o jovem abaixou a cabeça para o lado direito, na altura dos ombros, e sorrindo para Shisui, disse:

- Sempre nas minhas sombras, não? – Nessa hora, enquanto o sorriso de Itachi se desfazia, seu olhar estava mais pretencioso.

Shisui caminhou para mais perto do jovem, até que este percebeu que a sua jaqueta de couro estava nas mãos do moreno. Shisui, olhando para os olhos de Itachi, disse:

- Não concordo – deu uma risada leve, no canto da boca.

- Mas você esqueceu algo, vim até aqui te entregar. – O garoto deixou o sorriso desparecer e, sem perceber, desceu os olhos para o corpo de Itachi, contemplando a sua estimável estrutura física. Shisui ainda estava impressionado que o amigo não mudara em nada, mesmo após o período em que esteve hospitalizado e, principalmente pela força que despendeu lutando no último confronto protegendo a Vila da Folha.

A chuva rapidamente tomou quantidade e agora estava mais pesada. Antes que os jovens pensassem direito, Itachi pediu para que Shisui entrasse no carro, destrancando o mesmo logo em seguida. Itachi deixou os seus pertences em um local adequado do veículo, e vestiu novamente a jaqueta de couro que Shisui havia levado. O jovem então colocou a chave na ignição, olhou para o parabrisa molhado pela chuva, e disse para Shisui:

- Não me importo se você está nas minhas sombras. – Dessa vez, Itachi não o olhou diretamente.

Shisui hesitou em primeiro momento, contudo, devolveu dizendo:

- Mas acontece que não quero estar nas suas sombras. Você que é sempre misterioso, Itachi. Uma hora está aqui, depois não mais. Parece que estou te caçando – O jovem então prendeu dois dedos de sua mão direita em seus próprios cabelos e se calou, pensativo.

Itachi ouviu as palavras de Shisui e resolveu não interferir, entendeu não ser uma inverdade o que o amigo acabara de dizer. O jovem encostou o dorso da mão em seus olhos, coçando-os levemente, e depois colocou a lateral do rosto encostada no volante, olhando diretamente para o passageiro, onde estava Shisui. Itachi permaneceu nessa posição, observando-o calmamente.

 A personalidade de Shisui era contrária à de Itachi. O moreno era uma pessoa otimista e extrovertida, conseguia ligar as pessoas a sua volta, além do fato de que seus amigos e familiares o amavam muito. Era uma pessoa presente na vida de quem amava. Era protetor. Era, acima de tudo, muito forte e persistente. Itachi refletia sobre isso nesse momento, embora nunca tivesse dito nada disso ao amigo de infância.

A chuva lá fora que caía no carro agora embaçava o parabrisa e os vidros da janela por dentro, deixando, como consequência, uma temperatura mais abafada no ar. Itachi pensou – Não vou tirar essa jaqueta de novo, mas não posso abrir muito as janelas. Em seguida, interrompeu seus pensamentos torpes, voltando-se para o moreno que estava a sua frente. Itachi não sabia explicar, mas se sentia diferente em relação a Shisui, temia que o amigo não estivesse com a mesma sensação perpassando pelo seu corpo. Em um instinto rápido, Itachi disse:

- Sh..Shisui. – Olhando para a mão esquerda do amigo que estava sob o painel do carro.

- Diga – O moreno respondeu.

- Você sabe que somos muito diferentes, não é? – Transmitiu a mensagem em um tom mais pesaroso, pensativo, assim como estava o amigo há alguns minutos.

- Itachi, e você acha que eu me importo? – Respondeu de forma leve, como de costume.

- Mas é que, bem... nem sempre eu cumpro com aquilo que você deve esperar. – Itachi dessa vez percebe que a mão do amigo está sob o rádio e resolve por fim liga-lo, em uma atitude não muito pensada.

- Apenas quero que você fique bem, já que é assim. Conheço você há anos, sei que o seu jeito de demonstrar afeição é outro. – Respondeu Shisui, aparentemente escolhendo uma estação no rádio que melhor se encaixasse ao sinal da cidade.

- Você sempre agindo com compreensão, Shisui. Aposto que deve odiar sentir qualquer tipo de coisa por mim. – Respondeu Itachi, levantando a cabeça do volante e colocando as duas mãos no mesmo.

Shisui engoliu em seco o que escutou. Talvez seria verdade, o fato é que Shisui perdeu as contas de quantas vezes tentou suprimir o que sentia por Itachi. A amizade de ambos já não era algo que Shisui realmente queria, o sentimento ia além. Agora, mais do que nunca, seus pensamentos estavam bagunçados, não havia quem pudesse reorganizá-los naquele momento, a não ser a própria pessoa que deu início àquilo, a mesma pessoa que estava no carro, agora, com ele.

- Eu irei para o quarto em que estou hospedado, meu pai e outros líderes organizaram tudo. Ainda não fui lá hoje, conhecerei agora. Aceita ir comigo? – Perguntou Itachi, agora, com uma aparência mais cansada, ansioso para descansar da longa viagem.

- Como capitão de duas divisões Anbu, também organizaram um quarto para mim, me avisaram quando cheguei na reunião – Shisui tirou as mãos do rádio e a levou para a sua boca, bocejando em seguida.

- Eu não pretendia dormir na cidade, mas não me importo de ir com você agora. – No mesmo instante, olhou para a janela do passageiro, percebendo que a essa altura o estacionamento já estava praticamente vazio.

Itachi então pediu para que Shisui pegasse um endereço que estava anotado em um papel, aduzindo que provavelmente estaria no porta-copos do carro. Em seguida, saíram a caminho dos aposentos do jovem. Durante a rota, os amigos não conversaram muito, mas o quarto não seria tão distante de onde estavam, conforme os endereçamentos indicavam. Em um dado momento, Itachi olha para o passageiro e percebe que Shisui parece estar cansado tanto quanto ele, o moreno estava com o punho apoiado na cabeça, olhos fechados, e encostado na porta do carro.

Em vinte minutos estavam no local. Itachi deixou o carro em uma garagem reservada, pegou as chaves na portaria e subiu com Shisui até seu quarto, levando apenas uma pequena bagagem de roupas e objetos. Ao entrar no quarto, um cheiro de lavanda invadiu o olfato dos jovens. O quarto era amplo e as janelas com vistas para o Centro da cidade. Haviam longas cortinas brancas, um grande guarda-roupa e uma cama de casal com pelo menos uma dúzia de travesseiros.

- Não acredito que você irá embora ainda hoje – Disse Itachi, virando e sorrindo em um tom sarcástico para Shisui, que avistou a cama altamente convidativa. O moreno observou o quarto e realmente desejou estar ali, porém, mais do que isso, queria estar ali com Uchiha Itachi.

- Não é justo – O moreno sorriu de volta e, dessa vez, com um sorriso tão largo que era possível captar as suas covinhas nas bochechas. Um lindo desenho se formou no rosto de Shisui, pensava Itachi, ao vê-lo se deitar na cama.

Itachi deixou as suas coisas no guarda-roupa, e seguiu para tomar um bom banho. Não interrompeu Shisui, que parecia literalmente já estar dormindo na cama. O jovem deixou as suas roupas no local adequado do banheiro, que também era amplo, com azulejos brancos e alguns ladrilhos azuis que lembravam uma piscina. Itachi tomou um banho quente, esperava que a água fosse capaz de absorver todos os seus pensamentos confusos daquele dia, um dia diferente dos quais estava acostumado.

Vestindo apenas uma bermuda mais larga, Itachi deixou seu celular e acessórios em sua mochila, e se deitou na cama.  Instantaneamente, percebeu que Shisui tirou os sapatos e seus acessórios, como relógios e brincos. Itachi se levanta de fininho e recolhe os objetos, guardando-os junto de seus pertences. Volta novamente para a cama, e resolve observar o moreno que está em um sono aparentemente tranquilo, coberto até a altura dos joelhos por um edredom branco de cetim. O que estou fazendo aqui, olhando-o dessa forma? – Pensava Itachi, que parecia não querer medir as consequências de seus atos, não naquele momento.

O jovem olhou para o corpo de Shisui que ainda vestia a camiseta branca, mas agora o tecido estava ainda mais colado em seu corpo, por conta da posição que o moreno estava na cama. A boca do moço parecia ter sido desenhada, assim como o restante de todo o seu rosto. Itachi sentia a mesma sensação que postergou o dia todo. Por um momento, o jovem acreditou que não havia dúvidas do que estava sentindo pelo moreno, logo ele, Shisui, seu melhor amigo. O Uchiha não conseguia deixar de desejá-lo.

Preso aos próprios pensamentos, Itachi resolveu desligar a luz do abajur, e uma escuridão considerável tomou conta do quarto no mesmo momento. O jovem ajeitou alguns travesseiros em sua cabeça, e procurou por um pouco de edredom que estivesse disponível, já que Shisui dormia em cima de alguns, e mexer demais para pegá-los acabaria acordando-o. Por fim, acabou desistindo da ideia e resolveu apenas fechar os olhos. Sabia que o sono logo viria, fazendo-o descansar desse misto de sensações desconhecidas.


Notas Finais


Pessoal, estou à disposição de vocês, digam aí o que acharam. Demorou um pouco, mas fiz com muito carinho! :)


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