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História FNAF: Another Side - Capítulo 7


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Capítulo 7 - 07) A minha e a sua persona


Agora todo mundo está morto

E eles estão dirigindo para minha antiga escola

E ele tem a arma dele, ele veste o terno dele

Ela diz: Querido, você parece tão legal


The 1975 - ROBBERS


***


- Oh, você gostaria de ficar comigo? Enquanto todos são inimigos, nos teus lábios me torno suspiros... - Toy Bonnie continuou dedilhar calmamente as cordas da guitarra, aumentando o ritmo aos poucos. Uma feição despreocupada e dedos juntos de uma mente que não estava se esforçando para fazer algo bom. - Eu vou te encontrar em uma manhã ensolarada de maio, com um sorriso descarado, esteja preparado, eu não vou descansar... Até te ter em meus braços...

Aspirar teu amor completamente derrotado...

Foxy bateu na porta e ele teve que parar, sim, ele sabia que era ele. Porque a cama ao lado da sua estava vazia e as batidas ansiosas. A única pessoa possível naquele momento. Ele abriu a porta de madeira escura do dormitório com cuidado e a raposa entrou com pressa, indo de encontro com seus travesseiros. O coelho fechou a porta e perdeu sua expressão pouco preocupada.

- Aparentemente, você se divertiu bastante. - O tom de voz explodia em indignação. - Imagina se algum coordenador tivesse te encontrado? 

 - Eu sei! Eles são terríveis! - O ruivo se virou, esparramado e olhando para o azulado. - Oh, como eu me diverti. - Orbes esverdeadas se reviraram com a pronúncia irônica. - Me arrependi de não ter ficado com você. 

- Não se arrependa, acho que no fim eu precisava de um tempo. - Desviou os olhos, perdendo a raiva. A raposa estava sorrindo com malícia. O Toy ficou com as bochechas ainda mais rubras. - Que foi?

- Hm, tá amarrado, hein? Te colocaram na coleira foi? Essa cara de apaixonado não me engana. 

Toy Bonnie deu uma risada altíssima. 

- Foxy, tu não tem moral alguma para falar isso de mim. Você lambe o chão que o Bonnie pisa e diz que é o melhor sabor do mundo. 

- Outra coisa dele tem o melhor sabor do mundo. 

- Aí, meu deus, era pra você ter ficado naquela festa! - O coelho se sentou, lê-se jogou na mesma cama que ele, o fazendo ter que colocar sua cabeça desmiolada sob suas pernas. 

- Não muda de assunto, bora, quem é ele? 

- Tem mais o que fazer não?

- Não.

Ele mordeu os lábios, com a ansiedade a mil. Havia passado a semana inteira escrevendo músicas ruins e românticas dignas do lixo completamente entorpecido por um par de olhos cor de rosa. Como explicar isso. 

- Eu meio que ajudei ele? - Foxy o olhava como o intrometido que era e Toy Bonnie pensou em se enterrar. - Sabe, ainda tem gente intolerante nessa escola. 

- Uhum... Fala sobre ele então, como ele é?! Eu preciso descobrir e perseguir e ver se ele é bom pra você porque, anjo, é sua primeira paixão desde... 

Toy Bonnie colocou a mão sobre sua boca, o calando. De repente o quarto parecia ainda mais escuro e frio. 

- Não gosto nem de ouvir. Por favor, não estraga isso. Não esse momento. Estamos entendidos? - A raposa assentiu lentamente. O coelho retirou sua mão e depois de um suspiro, disse: - Não vou falar como ele é. 

Foxy se afastou apressado de suas pernas. Ficando sentado a uma distância considerável com as pernas cruzadas e uma expressão muitíssimo indignada. Como se o que Toy Bonnie tivesse falado fosse uma tremenda heresia e quem estivesse sendo queimado era ele. 

- Eu não acredito, seu vagabundo. Por que não quer me contar?! 

- Porque você é um surtado e não sabe ficar de bico calado. 

- Ah é?! Eu duvido que você fique cinco minutos sem falar dele. Se não falar também não me importo, porque eu sei quem deve saber. As notícias correm por tabela. Vou descobrir e vou fazer uma ficha sobre ele. Tudo porque você não quis me dizer como ele é. 

Toy Bonnie se viu em uma situação ridícula e pensou em vender Foxy no OLX, o namorado do ruivo não ia se importar. A preferência era que fosse um comprador que morasse na sexta dimensão. 

- Aí, seu tóxico, tá. Ele é fofo. 

- E? 

- E é isso. Ele é fofo. 

- Tá, mas fofo tipo fofinho? Ou fofo tipo fofão?

- Que porra?! Ele é fofo. Tipo bonitinho.

- Bonitinho? Quer dizer que ele na verdade é feio e você falou isso só pra amenizar? 

- NÃO, FOXY! Ele é bonito. Na verdade, ele é lindo. Sabe, muito bonito mesmo. 

- Isso já é de praxe. Todo mundo que você gostou e vice versa eram lindos. Pareciam que tinham saído da capa de uma revista de saúde. Quando eles andavam perto de você, parecia que você era uma lata de lixo. Agora, qual é a novidade?

Toy Bonnie deu um murro no braço de Foxy. E ele podia até ser meio preguiçoso mas sabia como meter um soco direito. Heranças das quais não se orgulhava.

- É que... Ele também tem um cheiro bom. 

- O mínimo, né. 

- Não, é que, ele é lindo e cheiroso e tem olhos rosa que são perfeitos. Foxy, é sério, os olhos dele são brilhantes. Ele é brilhante. Ele tem a pele tão branquinha e é menor que eu. Um pandinha! Dá vontade de morder. 

- Canibal. 

- É sério! Eu simplesmente não consigo descrever ele porque parece que nada é o suficiente. E até os defeitos dele eu gosto. Ele dorme na aula e eu não consigo me irritar com isso. O nariz dele, o narizinho dele, é tão...

- Deixa eu adivinhar, fofo? 

- Cala a boca. 

Foxy deu uma risada alta, porque Toy Bonnie estava completamente caidinho e isso era incrível. 

Porque nem todos os corações se curam com o tempo. 

Não demorou muito, entre aquelas risadas e declarações toscas e amáveis, para que Toy Bonnie entendesse o motivo de tudo aquilo. Os olhos duros de Foxy estavam se tornando mas propensos a interpretação.

- O que você está escondendo? Eu te sinto tenso desde que entrou aqui. A mim você não engana.

O avermelhado não tinha papas na língua. Sabia que esconder do garoto ao seu lado o que quer que fosse, seria uma missão difícil.

- Tem um novo aluno... Ele é problema. Problema pra Chica. Problema pra todo mundo. 

- Todo mundo aqui é problema. Mas, por quê? 

- É complicado. Você sabe que eu não tenho opção sem ser andar com a Chica, nem eu e nem Bonnie. - "pare de enrolar", foi o que o garoto dos olhos de esmeralda disse. - Enfim, ela me disse que um aluno novo ia chegar e eu ia mostrar as coisas pra ele. Eu não entendi o porquê do tratamento especial, pensei logo que poderia ser um filho de político que ela estivesse com dificuldade de enrolar. 

- Ela não tem dificuldade de enrolar ninguém. - Foxy colocou o dedo nos lábios dele, um aviso para que ficasse calado. 

- Imprevisível e sempre a vinte passos na sua frente. É isso que ela é. Calculista e mentirosa. Fruto de uma linhagem conservadora, muito conservadora. É isso que você sabe sobre ela. É isso que eu sei sobre ela. Moral? Medos? Se tem dificuldade em alguma coisa? Não tem como saber. - Ele tirou o dedo quente de seus lábios frios. - Eu fiz o combinado e trouxe Bonnie, porque dele não escondo nada. Eu fiquei muito puto, porque ela me chamou pra fazer isso justamente no dia que eu costumo ir pro cemitério ver o caixão da Mangle. - O qual está vazio, ele completou em sua mente. - Então eu contei pra ele sobre isso, porque, se fosse alguém da elite faria associação na hora. Por um momento, realmente pareceu. Então eu e Bonnie começamos a jogar várias dicas no ar. Morte, morte, morte. Ó, tal coisa aconteceu aqui. Só que eu estava enganado, Freddy não era um associado da Chica. Ele nem sabia da elite direito. Ela estava querendo falar com ele justamente para manter longe disso tudo. Sabe? Mantenha seus inimigos mais perto ainda. 

Ou, ao menos, era isso que Foxy achava que eram os planos da galinha.

Toy Bonnie não conseguiu se manter calado. Os olhos entraram em choque. Uma coisa se ligando na outra. - O que?!

- Freddy também tem TOC. Ansiedade a mi e problemas em querer deixar as coisas organizadas e limpas. Além de umas manias estranhas. Sabe, sem querer ofender, mas se você visse ele não dizia ser uma pessoa corajosa ou forte. Mirrado, pra dentro, cara de assustado. - Foxy deixou seu corpo relaxar. - Deixei tudo isso pra lá. Seja lá o que tivesse acontecido, não parecia ser algo preocupante. Sou otimista, me julgue. 

- Você se enganou, não foi? 

- Infelizmente. Esse merdinha é um The Bear! Filho direto do primogênito pelo que eu ouvi das fofocas entre os garçons. Só que ele não sabia disso. A elite tá pegando fogo. Ainda mais agora que ele tá concorrendo com a Chica, cara, as coisas já estavam complicadas com as revoltas, as organizões, aquela gangue... Agora isso. Eu tenho certeza que o Freddy é tão podre quanto todo mundo que tá lá. 

- Problema dentro da elite sempre teve. Não resta opções sem ser esperar pra ver o que acontece, desafiar é fácil, quero ver ele lutar contra os The Chicken. - Eles agora estavam sentados de forma próxima, os ombros encostados um no outro. A luz fraca fazia o cabelo de Foxy se iluminar e uma sombra se projetar no rosto de Toy Bonnie. - Eu me pergunto... Quantos Freddy's não estão espalhados por aí? Filhos de elitistas que estão perdidos? Quem sabe, só esperando a oportunidade?

O dourado se afundou no esmeralda. Medo. O mais puro medo. 

- Nós estaríamos perdidos, anjo. Esse país tem um muro ao redor dele que está ficando rachado. Um toque e tudo vai desandar, tudo vai ficar pior. A elite subestimou todos e nunca olhou para trás. Essa vai ser a ruína deles. O Freddy é só a primeira praga para o apocalipse. Ele precisa desistir do que está fazendo, porque assim como a Chica, o futuro vai se tornar imprevisível. Sem exagero algum. - Seus dedos se entrelaçaram e as lágrimas saíram de seus olhos doloridos. - Eu e Bonnie não sabemos como vai ser, porque, isso não vai ser uma mudança lenta. Vai ser um impacto. Nós não podemos perder um ao outro. Eu não posso perder você. - O toque ficou mais forte. - Você é meu melhor amigo, então, por favor, me promete que sempre vai se cuidar. Independente do lado que você escolher. 

Ele prometeu. De baixo de uma meia luz na madrugada, como todas as promessas feitas entre lágrimas, ele não poderia quebra-la. 

Foxy estava cansado de despedidas. 

***


Freddy estava no quarto dele novamente, os braços cruzados e sem expressão alguma olhando para o quadro de carmuça vazio. Toy Freddy estava dormindo, realizado com o dia que tiveram e em seus sonhos inocentes, via Freddy como um herói que levaria os The Bear de volta ao topo. 

Havia várias fotos e arquivos na mesa do seu herói. Ele organizava tudo na sua mente antes que suas mãos começassem a trabalhar. Ele sabia que tudo podia desmoronar, ele sabia que podia dar em nada, ele estava começando a entender tudo. 

Isso não piorava sua ansiedade, talvez ele tivesse chorado debaixo do chuveiro logo depois que ouviu pela primeira vez a palavra "vice" mas agora... Era como se isso trouxesse uma calma. Como se o trauma de seu pai estivesse sendo substituído por algum outro sentimento. Ele resolveria isso com seu psicólogo depois ou pediria mais alguma dose de suas "inas"* e "ams"*. 

Ele começou a preencher o quadro de carmuça, podia não saber para onde todas as linhas chegariam mas ele sabia muito bem quem estava no centro. 

Colocou uma tachinha bem no meio da testa de Chica The Chicken em uma foto dela com a família. 

Então, todas as suas dúvidas iam se saciando com certa dificuldade. Porque obviamente não dariam tudo nas mãos de um garoto só porque havia subido em um palanque. Mas ele podia riscar uma outra pergunta anotada em seu caderno. 

Freddy observou a pergunta sobre Mangle e sobre os Darks. 

A elite devia estar mesmo começando a influencia-lo, passou a entender o geral sobre o que havia acontecido com ela e deixou para lá, por enquanto, a questão dos que julgou ser irrelevantes. 

A última coisa que Freddy fez antes de se deitar e dormir foi grudar uma pequena foto três por quatro do rosto rosado de Mangle The Pirate e virar o quadro ao contrário. 

O que os olhos não podiam ver, o coração não podia sentir. 

***




Notas Finais


*Ams e Inas: como dito antes, Freddy faz uso de remédios, eu não sou psiquiatra então não quis colocar ele como usuário de um remédio em específico. Até porque cada caso é um caso. Mas, de forma geral, antidepressivos (que são usados em tratamentos de TOC) e outros remédios contra insônia costumam ter essas terminações. Exemplo: Bromazepam e Alprazolam, Clomipramina e Sertralina... Por aí vai. É uma lista extensa e nomes difíceis. 


Sobre o título, porque eu acho que a maioria daqui não sabe o que é persona: Persona é a máscara que o indivíduo usa em resposta às convenções e tradições sociais segundo o psiquiatra Carl Jung. O capítulo hoje foi divido entre o Foxy e o Freddy, ambos deixaram suas máscaras cair hoje. Freddy está sozinho, Foxy tem Toy Bonnie... É, interpretem como quiser. Eu indico muito a vocês que leiam o mapa da alma do Jung. <3 


É isso, dois beijo, comentem e sem estrelinha que o dedo não vai cair e é de graça. 


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