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História Forgotten: A Volta de um Esquecido - Capítulo 9


Escrita por: TaiTai_Sarah

Notas do Autor


Mals a demora fml

Capítulo 9 - Capítulo VIII


P.O.V: Kastiel

Calmarias e tempestades

Estava tudo tão calmo... Nem fodendo aquilo era real.

Eu costumo passar meus dias na Realidade desejada de Sara, tragando lentamente as lembranças boas que tenho com ela, e me perguntar se algum dia tudo aquilo que vivíamos poderia voltar. Mas hoje eu só aproveitava aquele imenso vazio branco pra descansar as asas, sem esperança de muita coisa. Foi uma surpresa olhar pro lado e encontrá-la sentada a poucos metros de mim... E agora, lá estava eu, abraçando a minha menina como se a minha vida dependesse daquilo.

- Vai ficar tudo bem agora sarinha. Eu tô aqui... Eu voltei. - Engoli seco. Ali, naquele momento, eu tive um lapso de dúvida. E raiva.

A dúvida, por achar que tudo aquilo era impossível e bom demais para ser verdade, e que ter Sara nos meus braços novamente, e esquentá-la, e sentir o cheiro e a sensação gostosa de seus cabelos entre meus dedos era só um sonho ridículo meu, que aquilo tudo era fruto de uma tentativa do meu consciente em tentar curar a falta que sara me faria. E a raiva, pra variar, pertencia a Shiel, isso porquê foi ele quem a deixou tão assustada, e fez ela pensar que eu - logo EU - queria algum tipo de vingança contra ela.  

E também porque eu teria que assumir essa culpa e inventar uma desculpa muito boa para justificar o meu estranho jeito de comunicação na noite anterior. Mas nisso eu conseguiria dar um jeito, e por enquanto eu só me permitia admirar o sorriso que nascia entre os lábios de Sara enquanto ela relaxava mais e mais no meu abraço. 

Apenas alguns segundos depois, senti a base do meu pescoço molhar com suas lágrimas, e como mágica, o antes vazio branco de sua dr transformava-se num clima pra tempestade, como se suas emoções passassem a ditar como tudo se pareceria. Quando me atrevi a afastá-la, segurando-a pelos ombros e olhar para ela, tentando formular alguma frase que amenizasse o que quer que ela estivesse sentindo, me interrompeu;

- Kasti... - Puta merda, nem eu sabia quanta saudade eu tinha de quando ela me chamava com esse apelido e essa vozinha baixa, quase rouca. - ... Me perdoa. 

Ainda segurando ela pelos ombros, respondi, sentindo a fina chuva cair e aumentar de acordo com o fluxo de suas lágrimas;

- Não preciso te perdoar por nada... - Seus olhos se voltaram aos meus e vi a culpa que tinha por um ato de que nem se lembrava de ter cometido. Ventou forte, e tive de cobri-la com uma asa. Ela baixou a cabeça e infelizmente concretizou o medo que a pouco eu carreguei;

- Se é assim... Por quê tudo aquilo? Mais do que ninguém você sabia que eu... Odeio aquela música, e não assisto mais aquele filme. - Minhas asas ouriçaram, surpresas, levantando-se do chão por alguns centímetros. O vento continuava impetuoso, e a chuva aumentara.

Ela se referia a música de Kamaitachi e ao seu filme preferido enquanto ainda éramos como carne e unha... Eu ainda me lembro de quando assistíamos trancados no quarto naquelas tardes tempestuosas daqui de Curitiba. Eu, ainda um pouco sem conhecimento de tudo, era medroso e me escondia nas minhas próprias asas em algumas cenas; em contraste total de meu medo, Sara era intrépida e seus olhos brilhavam cada vez que algum fato se encaixava no enredo de "Minha doce Audrina"...

... O único porém é que, no início daquele filme, ouvia-se uma voz fina, de criança, chamando a protagonista. Era a única parte em que era ela quem se escondia atrás das minhas penas, e eu sentia seus arrepios instintivos. E como, pelo menos por agora, eu não podia colocar a culpa em Shiel, tive de me virar com uma pequena mentira (que obviamente, não é o meu forte):

- É que... - 0. Nada. Vazio, branco total. Caralhos, bloqueio criativo, eu te odeio. - ... Eu não sabia outro jeito de... - Eu me sentia horrível mentindo assim, ainda mais tendo de olhar praqueles olhos cor-de-mel. - ... Te fazer lembrar. Sabe? Não consegui encontrar outra coisa que você... Já não tenha feito com outra pessoa.

Eu tenho de admitir, um tiro doeria menos do que dizer aquilo. O "céu" foi cortado por raios e trovões, que substituíram a chuva. Sem querer, expressei por meio do meu olhar baixo e da queda lenta das penas até tocarem o chão, do quão doloroso foi pra mim presenciar ela me esquecer dia pós dia, até que ela fizesse com outros colegas o que eu achava que só fazia comigo. Um exemplo disso é quando ela começou a desenhar nos braços dos outros com um delineador roubado de sua tia. Eu costumava pegá-lo e desenhar "metadinhas" de símbolos míticos, o meu alfabeto. Vê-la na sala de aula escrevendo esses mesmos símbolos em si mesma e em outros, quase me fazia chorar. 

Eu tinha certeza de que, se Sara se esforçasse, poderia ver esse filme passando pelos meus olhos caídos agora.

- Eu... Só queria te ver de novo, mas sabendo que você também me vê... Eu - Merda, merda, merda, alguém tapa a minha boca antes que seja tarde? - Sinto saudade sua. Todo dia. 

Sem aviso prévio, uma lágrima se formou e rolou solitária e dolorosamente devagar pelo meu rosto. Mas antes que chegasse ao queixo, foi impedida pelo toque delicado da mão de Sara. Logo senti suas mãos enquadrarem meu rosto recentemente cansado e subirem aos meus cabelos, passando sem medo pelos meus chifres, que eu decidi esconder naquele momento (sim, eu tenho esse direito), empurrando a minha cabeça para frente, até parar no seu peito, repentinamente. 

Tão rápido como a tempestade começou, acabou dissipando-se entre o imenso vazio, que agora parecia ser quente (um quente deliciosamente aconchegante), no exato momento em que Sara me acolheu em seus braços - Vamos apenas ignorar o fato de que para isso, eu tive de ficar um bom tanto curvado - Meus olhos estalados pelo ato, aos poucos se fecharam, me entregando ao carinho gostoso que meus cabelos recebiam.  

Meus joelhos cederam, e eu caí sentado, ainda acanhado no abraço dela. Num ato sem muito cálculo, movido apenas pela saudade, agarrei a cintura de Sara, laçando-a por completo, e apertando-a contra mim. Tive certeza de que 1. eu me arrependeria mais tarde e 2. provavelmente eu me daria conta de que estava com a cara praticamente enfiada no seu peito e viraria um pimentão de vergonha ou 3. eu provavelmente ficaria excitado com tudo aquilo. (antes que eu seja julgado e condenado, levem em conta de que, acima de tudo, eu sou um adolescente também).

Sara desceu suas mãos a altura do meu queixo novamente, e numa distância relativamente perigosa para o que eu queria muito fazer, confessou:

- É muito bom te ver de novo, Kasti. - E sorriu, o sorriso mais sincero e lindo de todos os do mundo.

Ali, ao seu lado, fui capaz de acreditar que depois da tempestade sempre há a calmaria. depois de tantas coisas e sentimentos ruins, um sorriso sincero. Eu não sei o que nos aconteceria depois, só sei que naquele segundo nada, de nenhum mundo, seria capaz de nos separar. Os dias de tempestade se passaram, e as provações postas em nosso caminho foram vencidas. Quanto a mim, eu só quero você e isso ninguém pode mudar, nem Shiel. Tenho certeza de que será sempre assim, por você, por mim, e por nós.

E também sei - e rezo - para que um dia eu tenha coragem de dizer isso a você, em alto e bom som.

Continua...



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