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História Freedom - Capítulo 3


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Notas do Autor


Eu NUNCA abandono uma história. Eu sumo, eu fujo, mas sempre volto. tenham isso em mente. o ritmo é sempre da minha mente pertubada que tem bloqueios criativos e insights aleatóriamente.

Obrigada e amo vocês

Capítulo 3 - Seven Nation Army


Fanfic / Fanfiction Freedom - Capítulo 3 - Seven Nation Army

A primeira semana após a viagem foi estranha e solitária, Draco e Gina haviam ido em uma viagem para um festival de tatuagens e Blásio se enfiou em inúmeras reuniões com a gestão já que a empresa entrava no período de fechamento de contratos, somente Theo e Luna lembravam de mim me enchendo de mensagens perguntando como eu estava e prometendo que logo nos encontraríamos, eu sonhava com as memórias daqueles dias na praia e nunca teria imaginado que tudo aquilo agiria como uma droga viciante em mim, eu só conseguia pensar em quando estaria com eles novamente e qual seria a loucura da vez, eu precisava daquilo, eraa única forma de me manter sã em meio ao caos da minha vida tediosa.

Minhas noites solitárias eram regadas à rock na roll e vinho barato e eu já tinha perdido a conta de quantas vezes havia sonhado com as lembranças do que aconteceu naquela barraca, das mãos quentes de Draco e dos olhos que desnudavam minha alma e, quando ele finalmente deu o ar da graça na quinta feira mandando uma selfie dele e de Gina completamente cobertos de tinta das mais diversas cores, eu não conseguia parar de rir pensando no que eles tinham se metido daquela vez,  o sorriso genuíno dele era tudo o que eu conseguia ver.

Na sexta feira Blásio não foi trabalhar e o final de semana já começava uma merda, o supervisor que o substituiu era um carrasco e eu saí de lá com um humor péssimo no fim do dia. Apesar de não saber quando Draco voltaria, eu ainda queria acreditar que poderia passar o sábado na sua cama, fazendo sabe-se lá o que, eu apenas sentia uma dolorosa abstinência do seu perfume. A sensação era horrível, de repente ficar dois dias seguidos sozinha na minha humilde kitnet só com a companhia dos meus cactos e das séries de romance parecia uma tortura, era sexta a noite e nem sinal de Draco, Luna, ninguém. Tomei então uma decisão.

Eu sabia que estava procrastinando a visita aos meus pais há quase dois meses e a ideia de passar duas horas e meia dentro de um trem para conseguir vê-los não era nada agradável, mas ainda assim era melhor que a solidão. Assim, no sábado acordei antes do sol nascer, arrumei minha mochila, já que voltaria pra casa só no dia seguinte e encarei a caminhada até a estação aproveitando que àquela hora tudo era mais tranquilo. Viajar de trem era sempre algo completamente louco, logo após o sol nascer os vagões já estavam lotados de vendedores ambulantes que tinham desde canetas com luzinha laser até tasers elétricos capazes de eletrocutar alguém até a morte e em poucos minutos eu já tinha comprado um café da manhã completo, com direito a bolo e café para comer enquanto Sweet Child O’Mine explodia meus tímpanos em meus fones de ouvido recém adquiridos, eu observava o mundo passar pela janela, a paisagem mudando drasticamente à cada estação. Quando paramos em Pleamont inúmeros homens e mulheres, vestidos em seus uniformes de motorista e empregada entraram, prontos para passarem mais um final de semana em casa, era estranho pensar que aquelas pessoas passavam a maior parte de seus dias vivendo numa casa que não era delas, num mundo ao qual não pertenciam.

Algum tempo depois que terminei minha farta refeição paramos na estação Campus, o limiar entre um lado e outro da cidade, a Universidade Estadual se erguia além dos muros da estação, como um terreno neutro onde todos, independente da sua classe social poderiam estar, era engraçado pensar como eu nunca quis ir para a faculdade, apesar da insistência do meu pai e do xilique da minha mãe quando me recusei a fazer o vestibular, simplesmente me negava a acreditar que o aprendizado se resumia a livros e palavras e os anos da escola já haviam sido torturantes o suficiente para garantir que eu não iria querer aquilo nunca mais. As experiências é que tinham valor, o aprendizado pela experimentação, para mim ela valiam infinitamente mais que qualquer papel e, porra, eu não conseguia parar de pensar em todas as experiências que vivi desde que havia saído de casa, principalmente nas ultimas semanas. O que a garotinha virgem do subúrbio diria para mim agora? Eu me sentia completamente diferente daquela época, como se experimentasse a liberdade do ar livre pela primeira vez.

No calor sufocante do trem era impossível não pensar naqueles dias na praia, no cheiro do mar, na barraca apertada, nas risadas compartilhadas, em Draco. Mordi meu lábio tentando não xingar como uma louca surtada enquanto me dava conta de como meus sonhos com Draco haviam mudado drasticamente, não que eu não gastasse mais minha doce imaginação pensando em todas as coisas sórdidas que poderíamos fazer, mas havia algo mais, algo que eu queria desde que Rony havia ido embora. Era estranho pensar em Rony, eu não o amava mais, mas jamais superei ter sido deixada, eu sentia falta dele ou de qualquer outro, até de Draco, mas a verdade é que eu sentia falta de sentir. Me sentir amada, desejada, eu apenas sentia falta. Quando o trem parou na penúltima estação afastei as ideias estúpidas da minha cabeça me preparando para a longa caminhada de doze quadras até a casa dos meus pais, eu era grata por ele morarem na parte alta do bairro, um lugar mais privilegiado, porém, onde infelizmente as peruas de transporte não passavam. Apesar da longa caminhada a playlist ajudava e muito e eu agradecia a Gina por ter me mandado o link na quarta a noite, depois de meia garrafa de vinho barato eu só precisei ouvir as musicas compartilhadas ali a noite toda para conseguir encarar o resto da semana, eu ainda não tinha adicionado nenhuma música, mas estava amando cada uma das que Theo e Gina colocaram, muitas que eu nunca tia ouvido antes.

Chegar a casa dos meus pais era sempre uma sensação estranha, observar como nossa casa, apesar de simples era linda e bem cuidada, não havia um jardim na frente, só uma garagem pequena e ao lado a janela da sala que dava diretamente na calçada, a cortina amarrada na grade indicava que minha mãe limpou o chão e esqueceu de abaixar a longa cortina da crochê que tinha sido de minha avó, era estranho pensar que apesar de aquela não ser mais a minha casa ela continuava tão minha desde o dia em que nasci, no meu chaveiro ainda tinham aquelas mesmas chaves que meu pai havia me dado quando fiz onze anos, quando eu finalmente pude voltar da escola sozinha a quatro quarteirões dali. Abri o portão encarando a nostalgia e o cheiro de comida me alcançou antes que eu terminasse de atravessar o corredor lateral para chegar até a cozinha, nos fundos. Com a pequena área de trás da casa entulhada com inúmeros vasos de plantas da minha mãe e os varais que preenchiam todo o espaço. Meu pai estava sentado na poltrona rasgada que era dele desde ante de eu nascer, no seu cantinho ao lado da máquina de lavar, ainda estava coberto de graxa e nas mãos analisava uma peça que, pelo que percebi, deveria girar, mas parecia travada, seu olhar concentrado era reconfortante, vê-lo depois de tanto tempo me aquecia, mas durou pouco até ele olhar pra mim e questionar:

— Filhota, cadê as malas?

E então eu me lembrei como ele sempre quis que eu voltasse para casa e eu sabia que se não fosse ilegal eles teriam me amarrado no pé da cama e me obrigado a ficar ali, ou teriam me embalado em uma caixa dos correios e despachado para a universidade o que, no fim, dava no mesmo. Mamãe saiu da cozinha enxugando as mãos num pano de prato e antes que eu falasse algo e me abraçou me enchendo de beijos e me puxando pra sentar a mesa da cozinha, colocando um copo de suco gelado na minha frente. Ela andava de um lado pro outro mexendo a panela com o macarrão cozinhando e conferindo o frango que assava no forno enquanto o rádio ligado continuava a tocar uma moda de viola que me arrastou pelas minhas memórias de infância quando eu sentava ali para estudar.

Bebi meu suco com calma, aproveitando o sabor doce da laranja misturada às acerolas do pequeno pé que minha mãe cultivava, e quando estava na metade do segundo copo senti meu celular vibrar com uma mensagem de um numero desconhecido, apenas meu nome escrito em maiúsculas na tela, ri pensando que nada me surpreenderia mais e tentei pensar de qual dos doidos era aquele número, digitando uma pergunta:

Draco?

A resposta demorou e me chocou quando chegou, me deixando um tanto perturbada, levantei da mesa em silencio, deixando minha mãe terminando o almoço e me dirigindo para meu quarto. Assim que entrei fechei a porta, largando a mochila e sentando na cama que ainda tinha a mesma colcha rosa, as pernas cruzadas e a impaciência começando a me irritar enquanto eu relia a mensagem de novo, um nervoso sem razão crescendo no meu peito.

Draco? Como você conhece Draco, Hermione?

A impaciência me dominava, não conseguia pensar em quem poderia ser aquela criatura que de repente tirou a paz do meu sábado, e mal percebi quando disquei o numero ouvindo a chamada ser completada e lamentando pelo fim dos meus últimos reais de crédito. Não dei sequer tempo para que a pessoa pensasse quando a chamada foi atendida, disparando logo a pergunta que me corroia:

— Quem é você?

Não sei se ficava aliviada ou surtava de uma vez quando ouvi do outro lado da linha um bufar impaciente e uma voz que eu conhecia bem, bem até demais.

– Sou eu Hermione, Ronald. Como você conhece Draco?

A exasperação fazia meu corpo formigar ao mesmo tempo em que me sentia estática, aquele não era o número de Rony que eu tinha salvo, ainda assim era ele do outro lado da linha e eu não conseguia me decidir entre soltar todos os xingamentos acumulados ou desligar na cara dele, mas simplesmente havia entrado em pane e tudo o que consegui foi responder com a voz distante e falha, como se não fosse sequer eu mesma que estivesse falando, como se as palavras  saíssem sozinhas de minha boca..

— Ele é tatuador, fez uma tatuagem em mim.

Eu não sabia por que estava contando aquilo a Ronald, apenas disse enquanto erguia a manga da blusa longa de tecido leve que eu usava numa tentativa de adiar o momento em que meus pais veriam a frase gravada na minha pele, eu ainda lembrava como minha mãe dizia que eu tinha que parar de furar a orelha ou ela iria cair quando fiz meu terceiro e último furo. Eu ouvia Rony xingar do outro lado da linha e simplesmente não conseguia ter reação alguma, sentia o quarto a minha volta girar e mal conseguia ouvir minha própria respiração,o mundo estava me engolindo e eu não tinha forças pra fugir.

— Hermione, onde você está? No apartamento? Estou indo aí.

— Estou com meus pais.

Ouvi uma porta de carro bater do outro lado da linha e sabia que ele estava vindo quando ouvi o som do motor antes da ligação ser encerrada. Eu mal havia assimilado o fato de que eu veria Rony quando, em menos de cinco minutos meu celular voltou a vibrar com uma ligação de Gina.

— Hermione onde você está?

Era a segunda vez em pouquíssimo que me faziam aquela pergunta e eu começava a ficar tensa com a situação, a voz de Gina também não parecia nem um pouco tranquila e levei mais de um minuto para raciocinar que eu poderia estar prestes a presenciar uma briga de irmãos de proporções tsunâmicas, só não conseguia entender exatamente o que aquilo tinha haver comigo.

— Gina o que está acontecendo?

O silêncio foi mortal e durou mais do que minha paz e tranquilidade suportariam, eu estava no limiar entre uma crise de choro e o surto total enquanto ouvia os ruídos na linha, o telefone trocando de mãos, até que a voz dele soou do outro lado, firme, como naquela noite na barraca, quase como uma ordem, mas havia algo mais, preocupação talvez.

— Hermione, eu preciso saber onde você está agora. Prometo explicar tudo quando chegar, agora mande sua localização para Gina por mensagem.Ok?

Não sei dizer como o “Sim” encontrou o caminho para sair entre meus lábios e nem mesmo como consegui enviar a minha localização de tanto que tremia. Levantei da cama dando voltas pelo quarto buscando a calma que precisava antes de retornar para a cozinha onde minha mãe estava debruçada na pia chacoalhando os quadris ao som de um forró animado, respirei fundo, não importava o que estava acontecendo, logo eles estariam ali e eu resolveria a situação, mas antes de tudo precisava me acalmar, então forcei a voz a sair da minha garganta sem nenhum tremor.

— Mãe, alguns amigos meus podem vir almoçar?

O seu sorriso foi a resposta mais que suficiente enquanto ela caminhava até a geladeira e pegava uma torta congelada no freezer colocando no microondas em seguida, eu sabia que minha mãe adorava a casa cheia, almoços lotados com muita risada e conversas, algo que não tínhamos desde a morte de minha avó, abracei ela apertado me sentindo muito mais tranquila e a afastei, com minhas mãos nos seus ombros olhando nos seus olhos que eram iguais aos meus, achei que aquele momento de tranquilidade seria eterno até ouvir o bufar indignado do meu pai.

— Hermione, o que é isso no seu braço?

O olhar revoltado da minha mãe quando viu a tatuagem no meu braço que estava com a manga erguida só não foi maior do que o xilique do meu pai e a longa conversa regada a frases decepcionadas não melhorou em nada meu dia, Já era quase uma da tarde quando eles chegaram e logo toda a raiva do meu pai estava direcionada exclusivamente a Draco que exibia suas inumeras tatuagens com uma inocência cruel.

A torta fumegava sobre a mesa e minha mãe estava em uma conversa animada com Gina e Luna apreciando os inúmeros elogios de Theo à sua comida, eu estava sentada entre Draco e Rony e só desejava que o chão me engolisse tamanho o constrangimento que sentia, agradecia por minha mãe ter tido o tato de não perguntar sobre mim e Rony, ou talvez ela apenas não o tivesse reconhecido, de qualquer forma tudo era lucro naqula situação de merda. Eu não sabia porque todos, exceto Blásio, estavam ali e sequer tinha coragem de abrir minha boca para perguntar, só conseguia manter minha cabeça baixa tentando comer ao menos uma quantidade razoável para que minha mãe não ficasse chateada. Só consegui retomar meu próprio controle quando arrastei todos de casa com a desculpa de irmos comprar sorvete. Sentamos na praça a algumas quadras de distância, em uma das poucas mesas de pedra que tinha todos os bancos inteiros enquanto ouvíamos o barulho das crianças correndo e brincando no parquinho decadente ao lado.

Todos pareciam tensos e eu só queria respostas, mas me dei conta de que não conseguiria o que desejava quando Rony parou de andar de um lado para o outro e puxando os cabelos ruivos esbravejou para Draco.

— Não me importa o que você está fazendo com ela, mas não vai enfia-la nas suas merdas Malfoy, já basta a minha irmã!

Eu sequer havia trocado meia dúzia de palavras com qualquer um deles e me sentia perdida entre os dois, Draco definitivamente estava furioso, a vermelhidão em seu pescoço, o vinco entre as sobrancelhas e as mãos apertadas em punhos sobre a mesa indicavam isso e eu tive medo dele socar a cara de Ronald. Eu sabia que estavam falando de mim, mas tinha medo de que qualquer palavra que dissesse dispararia uma onda de ódio e tensão sobre os dois e eu teria de assisti-los brigar. Para meu alivio foi Theo que falou a voz calma e com um tom extremamente cortante, ele também estava nervoso eu só não sabia com o que.

— Como ele nos encontrou?

Ninguém respondeu por quase um minuto inteiro, Luna continuava olhando para as próprias mãos e retorcendo os dedos enquanto Gina balançava a perna como se a simples possibilidade de parar pudesse lhe causar um surto psicótico, eu continuava perdida, fitando Rony a espera de uma resposta para algo que eu definitivamente não entendia.

— Não sei, mas ele não é burro, vocês acham que estão um passo a frente, mas ele está bem na cola de vocês a muito tempo. Eu só não acredito no quanto a vida é fudida, eu caí fora enquanto dava tempo de não ferrar com a vida dela e agora você a arrasta pra sua sujeira? Porra Draco!

A mão estendida de Rony na minha direção despertou os meus piores sentidos e num segundo eu estava de pé, tremendo como uma vara verde, não sei se de ódio ou vontade de chorar enquanto olhava no fundo dos olhos dele Rony e despejava tudo o que vinha na minha mente sem me preocupar com filtro algum.

— Cala a porra da sua boca Ronald, ninguém me obrigou a nada e nem me arrastou pra porra nenhuma, eu fui porque eu quis, porque eu tive vontade, porque eu precisava ter algo na vida além da merda daquele apartamento e da porcaria da vida tediosa em que você me largou quando foi embora, você não é mais nada meu não tem mais nenhuma responsabilidade sobre mim. O que você está fazendo aqui, o que você quer e que porra está acontecendo? É melhor você explicar direitinho ou eu mesma vou arrebentar a sua cara.

Após o surto inevitável eu me sentia ao mesmo tempo completamente leve e energizada, poderia correr uma maratona sem derramar uma única gota de suor, e ele ainda me olhava como se considerasse todas as possibilidades entre contar tudo ou mentir, eu não sei quem exatamente era ele, mas aquele não o cara que eu havia namorado, nesse momento, ele não parecia nada tedioso e eu começava a pensar no quanto, ainda naquela época eu o quis assim, feroz. Mas agora não queria mais, mais nada de Ronald porque tudo o que minha mente e meu corpo desejavam era me molhar na tempestade que se formava nos olhos de Draco.

O silencio durou muito, mais do que eu gostaria e quando finalmente foi quebrado, a voz de Gina, baixa e tremula tão diferente do habitual, foi um choque que arrepiou todo meu corpo. E eu já não sabia se o medo e torpor que tomavam conta de mim eram devido ao que ela dizia ou se eu estava alucinando.

— É complicado, mas vou tentar resumir, só por cima, pra você entender. Mas basicamente, cada grande cidade nesse país possuí uma espécie de governo do crime e não, não são feitas eleições.

A risada amarga era como uma faca cortando o resto de calma que havia em todos. Rony andava de um lado pro outro, Draco apertava as mãos até ficar brancas, Theo tremia e Luna chorava baixo, cada um preso no terror que aquilo causava, fosse o que fosse.

— É mais como um reino, uma família controla a cidade e outras famílias controlam as regiões, não é algo tipo norte e sul, cada região é dividida por seus crimes característicos, então cada família controla a região de acordo com suas especialidades. Quando um “Rei” cai, aquele que o derrubou conquista o direito de comandar a cidade, mas se ele não cair sua função é passada pro filho, É estúpido e uma filha da putagem sem tamanho.

Eu tentava organizar tudo na minha cabeça, de alguma forma louca. Tudo aquilo parecia surreal, como se eu tivesse me enfiado em um daqueles filmes estúpidos de gangsters, mas eu sabia que era bem possível, afinal não era mistério pra ninguém que o crime organizado existia em qualquer lugar eu só não pensava que eram tão organizados assim e a cada palavra de Gina as coisas só pioravam e mais.

— Nós não somos daqui, óbvio, mas também não somos de muito longe, a cidade que morávamos quem controlava era o pai do Draco. E Hermione... Tudo o que você imaginar de pior nesse mundo eles fazem, tudo por dinheiro e poder, tudo. Era insuportável e nenhumm de nós queria continuar naquilo, decidimos sair...

Ela começou a chorar, algo que eu nunca tinha visto Gina fazer. Ela soluçava e eu me sentia cada vez mais apavorada, a merda era enorme e eu definitivamente estava no centro dela, se Rony era irmão de Gina ele também estava nisso, todos estavam e eu tinha caído como um patinho naquela armadilha, eu só não sabia o por que.

— Por que eu? Porque me enfiaram nisso?

Eu não entendia direito e ninguém parecia disposto a continuar aquela história, não naquele momento. E nem mesmo eu sabia se queria ouvir, só me sentia cansada de repente, como se o peso do mundo tivesse sido jogado nas minhas costas. Eu sabia que tinha entrado naquilo sem saber e sabia também que não tinha saída, as palavras de Rony era cortantes e sinceras “Foi o acaso, não se julgue especial demais.”. Minha girava completamente em branco e todas as alegrias que aquele final de semana poderia ter haviam sumido. A volta de Draco, ver meus pais, até mesmo Rony ter reaparecido. Nada, absolutamente nada importava porque eu estava completamente apavorada por não saber o que fazer, ou como seriam os dias que viriam. De repente, eu só queria dormir e acordar quando tudo tivesse passado. Ficamos lá, perdidos em nós até começar a escurecer, naquela noite não teve sobremesa.

Eu queria ter ficado com meus pais, fugido de tudo que havia ouvido, queria ter me escondido embaixo da velha colcha rosa no meu antigo quarto, ter dormido e descoberto na manhã seguinte que tudo era fruto da minha mente perturbada, mas eu sabia que era real quando, apesar dos olhares desaprovadores dos meus pais eu entrei no carro com Rony, Gina e Draco, e partimos pela rodovia do contorno da cidade com Theo e Luna na moto atrás de nós e fomos direto para o apartamento.

Eu já não conseguia pensar no quanto havia desejado estar com eles, no quanto eu havia desejado por os pés novamente naquele apartamento e mergulhar na vida que eu queria pra mim, mas ali, naquele momento eu duvidava de tudo, minha mente em branco, sem conseguir processar nada daquele dia me fazia sentir perdida dentro de mim, e eu não gostava daquela sensação. Após um banho no chuveiro que tinha uma pequena goteira gelada insistente no meio do cano, saí do banheiro, ainda dispersa, minhas coisas foram deixadas no quarto de Draco já que, segundo Gina, era mais seguro que Rony dormisse com ela já que eles poderiam se matar durante a noite e o quarto de Blásio continuava trancado. Eu não sabia o porquê dele não ter ido à casa dos meus pais junto com eles, e sequer conseguia perguntar, ele deveria estar com a namorada ou o que quer que fosse aproveitando o resto de uma vida normal.

O cheiro de Draco  dominava tudo e era absurdamente calmante, eu me sentia exausta pela tensão que me dominou por todo o dia, e só de pensar o quanto sonhei com aquele cômodo eu poderia deitar e dormir por uma semana ou mais apenas embalada por aquele cheiro aconchegante e minha mente criativa, mas haviam muitas lacunas ainda, muitas perguntas e eu queria respostas.

 Me vesti apressada fugindo da tentação das minhas memórias e cheguei à sala quando Luna terminava de arrumar a mesa de centro com os copos e guardanapos, as caixas de pizza estavam empilhadas do lado e Gina chegou com o refrigerante,  logo estávamos novamente reunidos em torno de uma mesa tentando descobrir onde tínhamos chegado. O silencio permanecia e o único som era de Theo mastigando, ele já estava no quarto pedaço quando finalmente consegui formular a primeira pergunta de tantas que giravam na minha cabeça.

— Como fugiram?

A pergunta era idiota e eu me sentia burra demais naquele momento, mas não sei se havia, de fato, algo certo a se perguntar, eu tentava não sentir raiva deles ou de mim mesma, afinal ninguém ali tinha culpa de merda nenhuma, ou talvez, eu apenas não tivesse encontrado o culpado ainda. Draco começou:

— Íamos buscar um carregamento. Cocaína. Pegamos as duas caminhonetes e ao invés de fazer a entrega dirigimos até aqui. Snape comandava na época e recebeu a gente numa boa, apesar de ser um cretino, a droga garantiu uma boa recepção, e certa proteção, era só não sair dos arredores da cidade. Mas meu pai nunca tinha vindo atrás da gente, nunca. Até agora.

O ar parecia ter parado e eu finalmente entendi quando Luna começou a chorar de novo. Travei, e de repente não tinha apetite nenhum pra pizza que continuava pela metade no meu prato, nada, queria que o chão abrisse sob os meus pés e me engolisse, qualquer coisa era melhor do que aquilo e quando Theo falou eu soube que tudo, absolutamente tudo poderia piorar.

— Pegaram Blás.

A noite foi uma tortura e logo o domingo amanheceu cinzento. Eu mal consegui pregar o olho, a frase de Theo ecoando na minha mente me corroia por dentro. Já não me sentia eu mesma e cada vez mais me perdia em mim. Já amanhecia quando Draco desistiu do sofá e veio deitar ao meu lado na cama, dedilhando acordes no violão, não sei quanto tempo gastei observando-o através do espelho do guarda-roupa, apenas adormeci sem me dar conta, mas quando acordei, ele não estava mais lá. A casa silenciosa denunciava que todos ainda estavam dormindo apesar do relógio marcar onze horas da manhã, mas não era pra menos, tudo aquilo, toda a história, Blás, tudo, eu ainda me sentia exausta apesar de todas as horas de sono. A boca seca incomodava e não havia como procrastinar quando levantei e atravessei o corredor atrás de um pouco de água.

Quando cheguei à sala Draco estava largado no sofá, com as mesmas roupas do dia anterior, um cigarro queimando esquecido na mão esquerda enquanto com a mão direita acariciava as orelhas do gato preto que dormia em seu colo. Seu olhar vidrado na parede mostrava o quão longe sua mente estava ele sequer piscava e eu tive medo de quebrar aquela bolha de tensão na qual ele havia entrado, não queria vê-lo ruir mesmo sabendo que eu mesma estava à beira do colapso. Mas o gato traidor percebeu minha presença e com um miado preguiçoso saltou do colo de Draco vindo se esfregar nas minhas pernas.

O cheiro dele ainda estava impregnado em mim, era um conforto imerecido e vê-lo ali tão frágil me quebrava de formas que eu nunca havia experimentado antes, era estranho, , era diferente, algo que se misturava com medo e alegria quando seus olhos estavam presos em mim, eu me sentia uma tonta, a garota aleatória no meio do mundo caótico dele. Naqueles dias eu queria tanto sair do marasmo, precisava ter mais cuidado com o que desejava, se aquele simples desejo havia me levado até ali o que minha mente conturbada poderia fazer? Sua expressão séria contrastava tão bem com seus piercings, Draco estava perdido em si, perdido de si, parecia impossível que houvesse seriedade nele, mas ainda assim ali estava ele, exausto e absurdamente sério. Eu não gostava nem um pouco do vinco entre suas sobrancelhas e da ausência do seu sorriso, sentia que poderia beija-lo até sugar toda a dor para mim até ele voltar a ser apenas ele.

Tive medo de agarra-lo, como se num segundo eu pudesse perder o controle do meu corpo e simplesmente me deixar levar pelo o que eu queria Como se ignorasse o fato de que era exatamente isso que havia feito desde aquele maldito dia no estúdio de tatuagem, me deixado levar, pela primeira vez em todo aquele tempo, eu tive vergonha da marca na minha pele. Ali, diante dele eu queria dizer tanta coisa, pedir perdão por der entrado na vida deles e agora ser um fardo, queria  encontrar uma solução, qualquer coisa, mas não tinha nada na minha mente, poderia simplesmente ter desejado um bom dia, mas no final foi ele que falou primeiro.

— Conseguiu dormir?

A voz rouca junto das marcas escuras nos olhos turvos denunciava que ele não havia dormido aquela noite e o meu coração se apertava mais em culpa. Acenei positivamente, esquecendo completamente da água que precisava beber, foi difícil encontrar a voz que saiu arranhando do fundo da garganta seca, mas eu precisava sair dali, precisava fazer qualquer coisa antes que toda a confusão que estava dentro de mim me consumisse.

— Preciso ir pra casa.

— Não pode, é perigoso.

Eu me sentia completamente fraca e ao mesmo tempo podia sentir a adrenalina correndo em minhas veias. Como ele conseguia fazer isso era uma incógnita, sequer havia completado um mês que eu o conhecia e Draco já era capaz de arrancar tudo de mim, do melhor e do pior, eu queria fugir dos seus olhos que liam minha alm0, fosse castigo ou destino, o homem a minha frente, cuja vida era um mistério que aos poucos se revelava, tinha domínio sobre mim me ocasionando reações diversas. Eu estava fudida e sabia disso. E naquele momento só queria sair da sala, sem discutir, sem nada, apenas sair dali.

— Vou fazer um café.

Em poucos passos cheguei à cozinha e me encolhi no chão, sentada ao lado da geladeira barulhenta, era um conforto ninguém me ouvir chorar, minhas mãos tremiam e o ar que entrava em meus pulmões parecia insuficiente, era como se a qualquer instante meu coração fosse parar e eu fosse morrer uma das piores sensações que já tinha experimentado e ao mesmo tempo em que pareciam ter mil e um motivos plausíveis para aquilo eu ainda sentia que era só uma tonta dramática atrapalhando tudo, surtando ao invés de ajudar a encontrar Blás.

Não sei quanto tempo fiquei ali, pareceram horas, mas logo Luna apareceu sentou do meu lado e me abraçou. Era incrível como ela conseguia fazer tudo melhorar, como se irradiasse uma força dela que dissolvia os problemas. Nos braços dela eu chorei como uma criança, sentindo seu cabelo dourado úmido pelas minhas lágrimas enquanto se misturava aos meus fios castanhos, só me dei conta de que havia passado quando me peguei distraída contornando as flores da tatuagem no braço dela. Gina interrompeu entrando na porta apressada, o rosto vermelho e descabelada, claros indícios de que havia sido arrancada da cama contra sua vontade e os barulhos na sala indicavam que não era a única.

— Rápido, é sobre Blás.

Ela saiu e em um instante já estávamos de pé, por mais que não quisesse ver Draco, naquele momento eu faria qualquer coisa por Blásio. Na sala era perceptível que Gina e Rony haviam dividido a cama de forma não amigável, ainda era estranho vê-lo novamente e ainda mais estranho lembrar que ele era irmão de Gina. Theo estava sentado no chão com uma samba-canção estampada com poodles mexendo no cordão da aliança completamente distraído. Quando chegamos Gina estendeu o celular pra Luna e ao lado dela consegui ver uma foto de uma fileira de barracões aparentemente abandonados próximos a algum rio, embaixo um número era a única mensagem, 13.

— É lá que ele está.

A voz de Gina era trêmula, assim como suas mãos, mas havia fogo em seus olhos e eu sabia que ela faria tudo para salvar Blás naquele momento. Eu sequer tinha parado pra pensar no que ele poderia estar passando ou no que poderia acontecer com ele, apenas me agarrava nas palavras do dia anterior “tudo de pior que eu pudesse imaginar”, isso bastava para o sangue gelar nas minhas veias e a frase de Rony me apavorou mais ainda.

— É uma armadilha.

Era. Todos sabiam, até eu sabia. Considerei questionar se não poderíamos simplesmente ligar para a polícia, chorar e implorar por ajuda, mas mesmo antes de abrir a boca sabia que essa era uma ideia de merda e que não tinha outro jeito. A sentença foi dada por Draco, com a voz firme e sem olhar nos olhos de ninguém.

— Não importa. Vamos busca-lo.


Notas Finais


Sweet Child O' Mine - Guns N' Roses
Seven Nation Army - The White Stripes


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