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História Helena ao início (vampiro) - Capítulo 88


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Capítulo 88 - Está tudo bem


Passeamos por uma praça depois do almoço. Era bem escondida e eu não me lembrava de ter ido lá antes.

Segurou a minha mão na sua, com um certo cuidado. Mediu o nossa intimidade neste ato. Levantei o meu olhar para os olhos cinzas que me aguardavam. Parou, ficando de frente para mim.

_ Como estamos no seu presente?

O magnetismo, tão natural entre nós, se manifestou, eu senti. Seu corpo estava próximo e suas mãos estavam na minha cintura.

_  Estamos bem. É desconcertante, para mim, ver o quanto nos damos bem. Pois se levar em conta que eu conheci os outros antes de você, não deveria ser como se eu te conhecesse a minha vida inteira.

_ Você já me disse isso alguma vez?

_ Acho que não.

_ Obrigado por dizer agora. 

_ Por quê isso é importante?

_ Porquê? Que pergunta insensível, Helena. Por que é você.

Me envolveu em seu abraço acariciando a minha nuca por baixo dos cabelos. Senti o seu coração levemente acelerado. 

_ Desculpa. Sempre deveria ter sido só nós dois _ falei se me mover.

_ Deveria sim. Mas nunca poderia ser como deveria. Não com as más decisões que eu tomei.

_ Você está falando do Lui e do Will?

_ Não exatamente. Falo do medo.

_ Medo? De que?

_ De ser feliz. Eu sofri tanto que isso se tornou cômodo e, a felicidade me dava medo. Eu sentia medo de abraçar essa desconhecida que me tiraria da infelicidade que já me acompanhava há tanto tempo.

_ Você perdeu este medo?

_ No momento em que entrei na sua casa antes do Lui.

Procurei o seu olhar para entender melhor o que ele me dizia. O seu olhar pousou sincero sobre o meu.

_ Você mudou o futuro? Mas disse que não o fez.

_ Eu não fiz nada de mais. Apenas escolhi ser feliz. O tempo não é linear, Helena. Você pode corrigir os seus erros a qualquer momento. Basta decidir e agir certo.

_ Mas e os outros?

_ Eles farão o mesmo, o certo. E você terá quatro vidas simultâneas e simples. Vai aprender a lidar com isso de tal modo que não notará que é assim. Você também será feliz. Tudo ficará bem.

_ Você fez de propósito?

_ Como eu poderia? Mas assim que eu o fiz, notei que tudo mudou. E a sua presença aqui foi a confirmação disto. Creio que não nos veremos de novo.

_ Como assim?

_ Agora que você encontrou a sua lógica, não há questões pendentes. Tudo seguirá com toda normalidade possível. Eu sempre te amei acima de tudo.

Beijou os meus lábios como nunca fez antes. 

O olhar do Lui estava sobre mim.

_ Bom dia, amor _ sorriu _ Mais algum sonho?

Olhei ao redor, era noite _ Bom dia, Lui. Mas é noite _ sorri deitando sobre o seu peito _ Sonhei com um anjo. Ele me disse que está tudo bem.

_ Ele tem razão. Vamos jantar fora hoje?

_ Claro. Balada depois do jantar?

_ Sim, estou com sede. 

_ Fico pronta em meia hora.

Tomei um banho rápido, vesti o vestido que ele escolheu com o sapato combinando e ajeitei os cabelos presos. Ele estava pronto antes de mim com sua roupa social escura.

_ Por quê você usa roupas escuras sempre.

_ Para esconder qualquer gota de sangue que pode vir a manchar.

_ Claro _ me arrependi de ter perguntado.

_ Saímos de casa dando na praça de São Marcos.

_ Lui.

_ Sim.

_ Existe algo que te impeça de me transformar?

Vi o Lui mergulhar em pensamentos por alguns segundos e me fitar confuso _ Não existe. Estranho! Porque eu não te transformei ainda?

Sorri.

Jantei e depois descemos o canal, até uma boate. Lui pediu serviço privado para o leão de chácara do lugar, e ele lhe entregou uma chave indicando um lugar.

Seguimos para o piso superior até a multidão de corpos dançantes ficarem para trás. Abriu a porta de um quarto elegante com a chave. Entramos. Estava vazio.

Observei o moreno ir direto para a adega e servir dois copos. Nos entreolhamos quando me entregou um dos copos.

_ Você quer ser imortal? _ quebrou o silêncio.

_ Quero.

_ Não vai sentir falta de nada?

_ Realmente não.

Sorriu e bebeu do seu copo _ Será minha para sempre depois disto e não vai ter volta _ avisou.

Sorri _ Isto é uma promessa?

Sorriu agradado.

Notei a falta do Will neste cenário e não o vi em lugar algum, dentro das memórias que eu tinha com o Lui.

_ Você não conhece ninguém chamado William?

_ Não. Na minha infância, havia o filho de um vizinho com este nome. Eu não era muito sociável.

_ E agora é?

_ Agora eu não preciso ser. Todos me amam _ brincou.

Bateram na porta e ela se abriu. As três garotas altas me notaram ao entrar. Lui estendeu a mão para uma delas, que sorriu e a fez sentar na cama, sussurrou algo no seu ouvido, e ela ficou atenta a ele. Fez o mesmo com a outra e simulou um lento dançar com a terceira. Lançou-me um olhar por cima do ombro dela antes de morder o seu pescoço.

Acompanhei a sua expressão de prazer enquanto a bebia. Quase senti sede de vê-lo. O abracei por trás beijando e mordendo o seu pescoço e sussurrei algo inusitado em seu ouvido quando ele me ignorou desejando mais sangue.

_ É a minha vez.

Ele a soltou, de repente, me olhando surpreso. Tinha o olhar negro e as presas expostas. A ferida no pescoço da moça estava aberta e o sangue se derramava sendo ignorado pelo vampiro que só tinha olhos para mim.

Quando notou, ele fechou a ferida no pescoço dela e a fez dormir sobre a cama. Chamou e mordeu a próxima, sem desviar os olhos de mim. Eu mexi com ele, mas ele parecia perturbado com isso.

Desta vez, ele não curtiu o sangue como antes. Apenas me olhava, bebendo da sua humana de aluguel. Parou sozinho. E assim que terminou com a terceira, caminhou para mim e me beijou. Esperei sentir gosto de sangue, mas não tinha sangue algum.

_ Não faz isso comigo.

_ Isso o quê?

_ Se voluntáriar para mim. Nenhum sangue neste mundo é mais desejado que o seu.

Sorri do seu aviso _ Então, talvez eu devesse continuar humana.

_ Quem disse que não vou beber o seu sangue quando você for imortal? _ divertiu-se _ Vamos para casa. Quero ter você para sempre.

Seguimos para casa. A gôndola nos deixou na praça de São Marcos. Caminhamos pela praça deserta e mal iluminada. Lembrei do encontro que tivemos com o Marcos e esperei que se repetisse.

Notei que o Lui viu algo na escuridão _ Está tudo bem?

_ Sim. É apenas um irmão.

Ele estava calmo quando o Marcos apareceu diante de nós.

_ Boa noite, Lui.

_ Como vai? Deixa eu te apresentar a minha esposa _ houve uma ênfase no esposa _ Helena.

Marcos o fitou mais demorado quando passou olhar em mim e viu que eu era humana.

_ Não faça piadas sem graça _ soou a descaso.

_ Não é piada. Vou torná-la imortal em alguns minutos. Portanto, fique longe dela.

Marcos me deu um último olhar e abaixou a cabeça, antes de sair rumo às gôndolas.

_ Pobre Marcos _ deixei escapar quando voltamos a caminhar.






Notas Finais


❤️


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