História Hermione Granger e Draco Malfoy: Dramione - Do Ódio ao Amor - Capítulo 22


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Capítulo 22 - Heróis Também Choram


Fanfic / Fanfiction Hermione Granger e Draco Malfoy: Dramione - Do Ódio ao Amor - Capítulo 22 - Heróis Também Choram

Draco:

   O tempo demorou tanto para passar hoje que cheguei a acreditar que a ampulheta estava entupida.

    Ando pelos corredores do castelo sem pressa alguma, quando estou passando pelo banheiro masculino escuto um ruído e isso chama minha atenção de modo que paro imediatamente no lugar.

   Minha curiosidade é a minha ruína. Me aproximo do recinto e adentro lentamente, da porta posso ver o santo Potter esmurrando a pia e ... Chorando? É sério isso? Me seguro para não rir.

     Caminho lentamente e me encosto em uma porta próximo a ele.

    — Então quer dizer que heróis choram? — não pude conter o sarcasmo.

    Olha, eu até ando me afeiçoando ao cicatriz após algumas reuniões da A.D, porém não vou bancar o amiguinho dele só por estarmos metidos nisso juntos.

    Vê-lo assim atiçou minha curiosidade e me senti um tanto vingado por tê-lo visto abraçando minha garota.

      Se ela me ouvisse a chamando assim, eu estaria ferrado.

      O Potter me olha pelo reflexo do espelho e tenta a todo custo engolir o choro.

    — Agora não, Malfoy. — Ele diz e começa a recolher sua capa e seus livros que estavam jogados.

      Quando faz menção de passar por mim por impulso seguro seu pulso.

     — A qual é? Me deixa aproveitar um pouquinho, não é sempre que se vê o grande Harry Potter chorando igual a uma garotinha. — O Cicatriz puxa o braço com determinada força, me olhando de um jeito indecifrável e encara o chão.

      Chego a acreditar que ele vai embora, porém ele permanece ali, parado, não diz nada ou faz menção de sair, quando me preparo para mais uma farpa ele me encara novamente com uma expressão que nunca tinha me lançado. Engoli a seco.

     — Não sei mesmo o que ela viu em você, você vai magoá-la e quando isso acontecer, eu juro por Merlim que vou acabar com você. — Meu corpo esfriou e logo em seguida ferveu, ele passa a se locomover — Malfoy! — Ele me chama por cima dos ombros — Ela é boa demais, espero que saiba onde está se metendo. 

    Ele deixa o banheiro, e fico olhando para o local sem entender nada.

      Ele gosta dela? Estava chorando por ela...? Mas é claro que estava! Mas que porra é essa?

     Será que ele está certo? Vou magoá-la? Espera aí... esse infeliz me ameaçou? Esse merdinha ousa ameaçar um Malfoy?

     Saio do banheiro em disparada, mas já não o vejo em direção alguma. Enfio as mãos nos bolsos e ando lentamente para o dormitório, com a cabeça a mil.

    O que está acontecendo? Será que eles tinham algo? Achei que era o Weasley que gostava dela não o Potter... Ela estava abraçada a ele, será que ele se declarou e ela o dispensou? Merlim, estou tão confuso.

      [...]

    Adentro a sala comunal e nem sinal de Hermione por aqui, provavelmente está na biblioteca. Antes estudando do que com o Potter, né? 

    Resolvo tomar banho na esperança de me desestressar, não me preocupo em escolher roupa alguma, levo junto comigo apenas uma cueca e uma calça de moletom preta.

    Hermione:

    As aulas foram bem menos interessantes que o normal, o que me surpreende, não parava de pensar no Harry. Como não percebi nada antes? Costumo premeditar as coisas, mas isso? Nem passou pela minha cabeça. Estou com tanta pena dele...se ele soubesse o quanto Gina gosta dele, ele parecia tão desolado. Se para Gina é horrível vê-lo com a Cho, imagina para ele que tende a ver ela sempre com alguém novo, Merlim, como isso pôde acontecer? Eu realmente não esperava.

     Combinei de encontrar a Gina em seu dormitório, vou para lá com certa ansiedade, afinal, eu sei de uma bomba mas não poderei contar a ela e ainda terei de me esforçar ao máximo para que ela não perceba que escondo algo, detesto esconder coisas dela.

    Ao chegar, encontro ela e Gina rindo provavelmente de alguma maluquice de Luna, elas são demais.

      — Olá! — as duas me olham abrem sorrisos de mil dentes.

      — Hermione! — elas dizem em uníssono e começamos a rir, me junto a elas.

     — Hum... Malfoy, é? — Luna me olha com o olhar mais sorrateiro que um ser poderia ter.

    — Sério? Vamos começar já com esse assunto? — elas assintem e bufo derrotada, terei que dizer algo para elas ou me encherão até o entardecer — O que querem saber?

   —Ah, sei lá, tipo...tudo? — brinca Gina

   —Ai meninas, eu nem sei por onde começar... — enrolo um pouco — Ele me faz sentir coisas com apenas um toque que nem com livros pude imaginar, não sei se eu o amo mas com toda certeza, gosto muito dele, muito mesmo. É estranho, porque é ele, sabe? É o Draco Malfoy... E nunca imaginei sentir algo assim por ele, ele me faz sentir medo, medo de tudo mesmo, de perdê-lo, de me machucar ou de tudo não passar de um sonho. — Noto que disse de mais, pois as duas me olham como bobas, fico constrangida e minhas bochechas queimam — e é isso... — completo.

    O silêncio reina.

       — O Harry tocou minha boca hoje — Gina quebra o gelo prendendo nossa atenção — bem... já fizeram bem mais do que apenas tocar mas... Eu o odeio tanto por me fazer sentir essas coisas com um simples e estúpido toque é tão... ridículo!! Perguntei se ele gostava da Cho e ele confirmou, dizendo que ela o afastava de confusão, mas quando foi que o Harry esteve fora de confusão? — Gina estava com as bochechas da cor das próprias madeixas e seus olhos estavam vibrantes. Quero tanto contar sobre o Harry mas sinto que não tenho o direito. — Depois ele veio com uma pergunta confusa: "família é o mais importante, certo?" — ela imita a voz dele com as bochechas arfadas, o som que sai é fofo e bobo ao mesmo tempo. Ele perguntou isso? Por isso ele veio com aquele papo de que não podia estragar as coisas, oh meu Merlim! Isso está desandando tanto... — Fiquei tão brava por ele dizer que gostava da Cho que resolvi que precisava sair do corredor que estávamos e nem me preocupei com o Filch em nos pegar, estou tão irritada com isso... mas é algo tão bobo.

     — Por que não conta pra ele? Você parece querer que ele goste de você ou pelo menos que saiba que gosta dele. Então vai em frente. — Luna diz num tom bem determinado brincando com os dedos dos pés... 

     É Gina... queríamos ser tão bem resolvidas como Luna, mas ela não entende o quão complexo é essa coisa chamada "paixão".

   Ficamos caladas prestando atenção na loira, quando ela nota ri como se fossemos idiotas, adoro isso na Luna, ela é espontânea e isso é divino.

     — Eu.. Eu vou fazer isso. — Gina parece dizer mais para si mesma que para nós. E eu fico chocada. 

     

   Meu peito se enche de alegria quando ela diz isso... ele iria ficar tão feliz se soubesse que é correspondido. E assim eu não teria que guardar esse segredo por mais tempo. Todo mundo sai ganhando.

  [...]

     Ando pelos corredores sem pensar em esconder o riso, vez ou outra solto um ao lembrar de algo. Já fui pega pelo Pirraça enquanto tinha uma dessas minhas crises e o bobão me encheu a semana inteira!

    Quando entro no dormitório logo avisto Draco dormindo no sofá com um livro ameaçando cair de sua mão, me aproximo e tiro o mesmo o colocando na mesinha de centro. Ele dorme tão tranquilamente, não quero acordá-lo então vou em direção ao banheiro e tomo um banho rápido, visto meu pijama e desço para onde o loiro ainda está dormindo. Me sento no braço do sofá próximo a sua cabeça, começo a acariciar seus cabelos, eles são tão macios. 

    Draco: 

    Sinto dedos brincando dentre meus cabelos os desalinhando, abro os olhos lentamente e vejo ela. Gosto da sensação  de acordar e vê-la, mas logo meu peito dói e sinto angústia, lembro de tudo que aconteceu ao decorrer do meu dia, das dúvidas que me torturaram.

    — O Potter gosta de você? — Sou direto. Ela faz uma careta.

    — Somos melhores amigos, morreria por ele Draco, então espero que ele "goste" de mim. — sua expressão era séria.

     — Hermione, vi vocês dois abraçados e depois da aula, encontrei o Potter esbravejando, ele até me ameaçou! Então quando pergunto se ele gosta de você, não quero saber se são amigos.

     Minhas paranóias estão aguçadas, consigo vê-los rindo de mim pelas costas enquanto caio de quatro pela castanha, mas ao mesmo tempo acho que confio na Hermione, não consigo acreditar em mim mesmo.

    Estou me esforçando para não perder a linha e confiar em minhas ideias.

     Ela endireita a coluna e seu olhar parece perdido.

   — Está com ciúmes do Harry, Malfoy? 

   Hermione:

    — Está com ciúmes do Harry, Malfoy? — Ele me olha de forma indecifrável, mas sobre tudo, sentia sua tensão sem nem ao menos tocá-lo.

    Se ele soubesse o quão louco Harry está por uma certa ruiva nem perderia o próprio tempo neste estado ou diálogo, porém me sinto muito divertida com a situação.

   O Malfoy com ciúmes de mim por causa de Harry Potter? Morreria sem isso passar por todos meus desvaneios com muita facilidade.

      — Não é isso Hermione — Ah, é sim — Ele.. ele estava mal e isso depois de vocês conversarem e se abraçarem daquela forma... O que ele me disse... liguei os pontos... — Draco me olha e se levanta inquieto — vocês estão brincando comigo, sim? Foi tudo um plano do trio de ouro, Granger? 

     Espera, o quê? Harry estava mal? Achei que ele estava ao menos um pouco melhor, que poderia ter se acalmado depois de conversarmos, mas pelo visto não. Como fui idiota, não pensei nele, ahh.

      — Ele estava mal? O que aconteceu, Draco? — Draco deixa os braços cair em derrota e me olha com mágoa, mas o quê? Não entendi nada.

      — Então é verdade. Eu... eu fui tão idiota! — seus olhos não me olham mais, e sinto um baque em meu peito, ele faz menção de passar por mim.

     —Do que está falando? — ele me olha com confusão e sinto o medo percorrer todo meu corpo, de repente minha espinha esfria, o que se passa na cabeça dele?

     — Hermione não se faça de desentendida, é pior. Fui tolo, muito tolo de acreditar em você, você ao menos me ouviu? Ou só o que importa é que O SANTO POTTER NÃO ESTAVA BEM? — Ele diz se aproximando e se exaltando, o medo cresce dentro de mim, ele me olha como se pudesse ler minha mente, bufa e bagunça seus cabelos me deixando sozinha e estática sem saber o que fazer.

     Demoro para engolir o que acaba de ocorrer corro para o quarto mas Draco já está deitado e aparenta dormir. Já entendi o recado, ele não quer falar com ninguém agora.

        — Draco? — Ele não diz nada e meu coração se aperta pela segunda vez em minutos — Draco? — O chamo de novo.  Ele não parece estar bem, poderia ter agido de outra forma. Ele está só com ciúmes ou realmente acredita que tem algo a mais? Tolice, deve estar nervoso.

    Eu acho errada essa atitude dele de nem ao menos ouvir o meu lado, ele ouve as coisas pela metade e já sai pensando o que quer.

   Resolvo não insistir mais e o deixo em paz decidida a conversar com o mesmo no dia seguinte.

     [...]

     Acordo bem cedo mas não encontro Draco na sala comunal, já deve ter saído, o que realmente é muito estranho.

   Me sinto muito cansada, mesmo tendo acabado de levantar da cama. Vou tomar um banho quente, com toda certeza me fará mais que bem.

     [...]

   Chego no Salão Principal, não encontro Draco na mesa da Sonserina, vou para minha mesa e tudo está normal; Harry está meio quieto mas não aparenta estar tão desconfortável quanto ontem.

    — Ela me agarrou e não tive mesmo reação, não sei como falar com ela agora. — Ronald diz enfiando tudo que vê na boca.

      Mas é um idiota mesmo.

   — Parar de comer assim já seria um começo, ou se não morrerá engasgado.— digo assustada com a velocidade que o ruivo enfia coisas na boca.

     — Ronald, é só uma garota, se acalme. — Harry diz rindo da situação do amigo mas não consigo evitar de lhe lançar um olhar cúmplice e o mesmo cora, como se entendesse que está sendo um completo hipócrita, por mais que entenda suas razões.

     — Vamos ou iremos chegar atrasados, temos Poções agora. — Tento mudar o foco de toda essa situação embaraçosa que Ron se encontra.

      [...]

     Ao chegar a sala de Poções vejo Draco sentado sozinho, não havia ninguém ainda na mesma, me sento junto aos meus amigos, em momento algum ele me direcionou o olhar, ele olha para seu pergaminho como se sua vida dependesse disso, em poucos minutos todos já estão aqui e a aula começa. O Professor Snape, como sempre, está com a cara fechada.

     Draco sempre me lançava olhares furtivos quando estamos no mesmo ambiente, mas hoje, me senti invisível, talvez ele realmente esteja chateado, devia ter lhe dado mais atenção, conversarei com ele mais tarde.

    — Está tudo bem, Mione? — Harry sussurra próximo ao meu ouvido e assinto em confirmação, olho mais uma vez para o Malfoy, o mesmo olha para o professor Severus totalmente concentrado, suspiro sentindo culpa e volto minha atenção a aula.

   Draco foi o primeiro a deixar a sala e não o vi mais ao decorrer do dia. Vou para a nossa Sala Comunal com certa pressa, e quando chego não o encontro, apenas um pergaminho em cima da minha cama.

Irei separar os monitores em quatro equipes, você cuida de duas e eu das outras duas. As minhas equipes cuidarão da parte mais bruta do evento, quanto a sua, faz os arranjos e separa as músicas.

  Pretendo reunir todos os monitores essa noite após a ronda noturna pelo castelo para decidirmos como iremos fazer tudo.

                                                Draco Malfoy.

    Mas o quê? Estou começando a achar que esse garoto está me evitando... ele quer que eu rasteje atrás dele? Não fiz nada de errado, ele quem criou teorias e se agora acha que lhe devo desculpas, está muito enganado.

   Vou para o quarto pego um livro e começo a folheá-lo.

   Realmente havia me esquecido dos preparativos para o baile de inverno, minha cabeça anda muito atordoada, não sou assim. 

    Ontem uma coruja enviada pelo diretor trouxe uma carta nos informava a data e as informações necessárias para o baile. Na verdade o prazo foi bem curto e o Professor Dumbledore nos deixou responsáveis por todos os preparos, temos menos de uma semana para acertar tudo. 

    [...]

  O tempo passou rápido, logo ouço a porta da Sala Comunal se abrindo, olho pela janela e a lua já está lá no alto, paro alguns segundos para contemplá-la, ela está linda. Guardo o livro desço me encontrando com Draco sentado no sofá.

   Draco:

   Me sinto traído, não sei se acredito no que acho que está acontecendo mas sei que não vou dar o braço a torcer, não para esses três. Eu nunca deveria ter baixado a guarda.

   Ouço ela descendo as escadas e novamente sinto o nó na garganta e meu coração ameaça a se afundar no meu peito.

   Levanto o olhar e encontro a mesma com uma expressão que conheço bem, raiva.

    Então ela está com raiva? Ótimo.

    — Tem ideia de como quer o baile? — tento fingir indiferença o que faz ela arfar as bochechas e ficar vermelha.

     — O que está acontecendo Draco? Por que está agindo assim? — ela esbraveja e escolho não respondê-la — Draco isso tudo é ciúmes?

    Ciúmes? Olho para a mesma e sinto o ódio reinar.

   — Ah sim, claro Hermione, claro que é. — ironizo — Bom, quero resolver a questão do baile  logo, é daqui alguns dias e não temos nada ainda. — Reprimo tudo que sinto e nem entendo o motivo de agir assim, nunca fui de engolir sapos. — Pensei em fazer algo fora do castelo mas se não gostar da ideia estou aberto a sugestões.

   — Por que está fazendo isso com a gente? — Seus olhos ficam marejados e isso me causa dor, muita dor, odeio ser a razão disso.

   — Eu? Claro. — não vou discutir, ela quer fazer isso para me fazer acreditar nela, ela sempre me faz ver seu lado quando chora e não quero ver seu lado agora.

   — Entendo... ok. — Ela limpa as lágrimas e toma um posicionamento mais rijo e confiante, não estou errado, mas sinto como se estivesse e odeio isso, odeio tudo isso que venho sentindo. — Não, fora do castelo não. Pode chover e estragar tudo, fora o acúmulo de neve, vamos fazer no pátio, pensei em azul e cinza para as cores da paleta, talvez uns tons de lilás, gosta? 

    — Sim, apenas bebidas e comidas quentes? — pergunto a mesma e vou anotando tudo. Ficamos discutindo tudo friamente como se nem ao menos nos conhecemos, e isso doía. A cada frase dela sentia a tristeza me apunhalando. Quando chegamos ao fim, fomos cada um para um lado do castelo, depois nos encontramos no Salão Principal e conversamos com os monitores; andamos em silêncio para a nossa sala comunal. Tive que me segurar por diversas vezes para não abraçá-la... era o que mais queria mas, e se estiver sentindo isso sozinho? E se ela realmente estiver só brincando comigo? E ainda tem a droga desse orgulho, quero tanto sentir seu cheiro de morango e ahh como eu odeio minha vida.

    Hermione:

    Sinto tanta dor e raiva que poderia facilmente chorar igual uma garotinha. Mas é claro que isso iria acontecer, fui tão idiota de realmente gostar dele, ele deve ter usado isso para me afastar e deixar que pensasse que a culpa era minha, ou será que sou mesmo culpada de algo?

    [...]

   Os dias se passaram e eu e Draco nos tratávamos como completos estranhos, essa seria a noite do baile, estava com ele desde o nascer do sol, estávamos deixando tudo pronto para a noite de hoje.

  Todos esses dias disse a mim mesma que iria esquecer isso, iria deixar isso para trás tão bem quanto ele estava demostrando deixar, como se não fosse nada. Mas hoje em especial está sendo difícil, estávamos nos evitando mas estamos juntos a muito tempo aqui e sinto que a qualquer comento vou desatar a chorar, e odeio essa sensação. Odeio parecer frágil. Odeio estar assim por causa dele.

     Em pensar que essa noite estaremos juntos até que a mesma acabe, sinto que irei sufocar, acho que não vou conseguir. Dumbledore foi claro quando disse que seríamos um o par do outro.

   Quando estamos quase acabando, vejo que terei muito tempo para estar com as meninas e me sentir viva novamente.

   Antes de sair, vou em sua direção para perguntar se tudo bem eu deixá-lo supervisionando todo o resto, que não era muito, mas estremeço quando ouço sua risada, meu corpo todo tensiona e a vontade de chorar cresce, saio correndo na direção oposta de onde ele estava, corro pelos corredores deixando enfim as lágrimas caírem, esbarro em algo e vou de encontro ao chão.

    — Hermione! — Harry me ajuda a levantar e se espanta ao ver meu estado — O que aconteceu? 

    Ele segura meus cotovelos e me olha com preocupação. Droga, não queria que ele me visse assim.

    — Eu.. eu não consigo. — pulo em seu colo e deixo as lágrimas rolarem como nunca antes, Harry me conduz até uma escada e nos sentamos. — Eu deixei ele entrar Harry, abri meu coração e ele agora me trata como se não fossemos nada, como se nunca tivéssemos sido e isso.. isso está me trucidando e eu me odeio por isso, por ser esse tipo de garota burra. Não entendo o que fiz ou o que aconteceu, ele não conversa comigo... eu não sei! — deixo as palavras saírem sem me importar de deixá-lo me ver assim, Harry suspira e parece estar com a respiração descompassada.

      — Não entendo o que viu nele, sabe? Mas sei que viu algo que valia a pena. Você não é uma garotinha boba que se apaixonou por ele, e sim a garota mais brilhante de nossa geração, Hermione, não está perdendo ele, ele é quem está. Você não fez nada de errado. — Ele me abraça com mais força e fico ali por um tempo até me sentir melhor.

     — Obrigada Harry, você sempre sabe como melhorar as coisas pra mim. — Ele sorri e me sinto mais disposta a continuar meu dia, ou pelo menos o que sobrou dele. — Vou encontrar as meninas para nos arrumarmos juntas, te vejo mais tarde, sim?

     — Claro.

    Deixo Harry e vou em direção a Sala Comunal da Grifinória. Hoje a noite será ótima para muitos, mas sinto que terei meu inferno pessoal em algumas horas.

Draco: 

   Estava conversando com Blásio sobre uma certa loirinha quando vejo o mesmo fechar a cara, sigo seu olhar e vejo Hermione correndo; meu primeiro impulso é ir em sua direção mas paro quase que imediatamente. Minhas pernas travam e ergo a cabeça novamente como se nada tivesse ocorrido.

    Meu peito dói, como posso ser tão ridiculamente estúpido? Mas que droga.

    — Já mandei tirar essa porra daí, Longbottom! — o mesmo me olha com dureza e então tira o arranjo que eu já havia pedido lhe para tirar da mesa de bebidas.

    — Descontar suas frustrações no pobre Neville não vai diminuí-las, Malfoy— Blás diz paciente, e por mais que saiba que é verdade me irrito e o deixo falando sozinho.

     Estamos conjurando o último feitiço, e pequenos cristais passam a cair e desaparecer antes de chegar ao solo.

     No final, tudo ficou bem legal, a decoração fria deu um ar elegante, e os arranjos que Hermione preparou estavam delicados e quebravam um pouco a frieza do local, deve ser um dom que a mesma tem... estou pensando nela novamente.

    Estou cansado, quero dormir e não levantar mais, não quero vê-la hoje e muito menos ser seu par nesta noite, porém ao mesmo tempo é a única coisa que quero: estar com ela. Não me entendo, deixo o salão sem pressa alguma.

Estou andando pelo corredor da escola quando ouço uma voz num tom bem rude:

     — Foi seu pai, né? — Olho por cima dos ombros e vejo o cicatriz encostado na porta do Salão Principal. Ele está com cara de poucos amigos.

     O dia já foi tão desgastante, preciso mesmo disso?

     — O que você quer, Potter? — continuo andando sabendo que o mesmo está na minha cola. 

     — Seu pai lhe pediu para se afastar dela e está obedecendo ele como um cachorrinho, não é? — Ele fala com uma certa paciência porém a minha se esgota, estaco no lugar e viro bruscamente lhe encarando.

      — Está mesmo me perguntando o motivo de ter me afastado da Hermione? Veio mesmo aqui se doer no lugar da mesma? O que foi? Ela foi atrás de você para dizer o quão terrível eu sou? — seu rosto é uma confusão mas minha cabeça com toda certeza está em um pior estado, a raiva que reprimi todos esses dias ameaça sair e tento respirar fundo e controlá-la — Não venha envolver meu pai em suas paranóias, ou teses, se isso está acontecendo a culpa é sua. 

     — Minha? — Ele junta ainda mais as sombrancelhas e logo as afasta como se entendesse algo, desisto da conversa e saio andando, sei que por mais um pouco irei explodir, por mais tentador que seja ser expulso de Hogwarts por matar Harry Potter, não vale a pena. — MALFOY, SEU DESGRAÇADO.

     Quando viro na direção do grito, sinto algo duro se chocar contra meu rosto me obrigando a virá-lo.

    Mas que porra é essa? Vou matar esse filho da puta.

     Penso em sacar a varinha, mas desisto, irei me sentir muito melhor se ferí-lo com minhas próprias mãos.

      Seguro o mesmo pela gola de sua camiseta e lhe enfio a mão na cara com toda a adrenalina em meu corpo, repito o movimento mais duas vezes e sinto dor no estômago, o mesmo me acertou com o punho. Me afasto um pouco com a mão no local.

     — ESTÁ FAZENDO ESSA PALHAÇADA TODA POR TEORIAS SEU MERDA? — Potter cospe no chão e limpa o sangue ainda restante em seu lábios com o dorso da mão — Achei que poderia estar sendo ameaçado, que pudesse ter um motivo, ela apostou em você, E VOCÊ A AFASTA E MALTRATA POR TEORIAS, MALFOY? 

     Meu corpo gela, me sinto um idiota mas logo esquenta e sinto a necessidade de obrigá-lo a calar a boca.

      — E o que você sabe sobre mim, hein? Quem é você para achar algo? Para me julgar quanto a isso? — Me aproximo aos pouco enquanto rosno as palavras com certa dificuldade tentando controlar a raiva — O quanto quer pegar ela para vir me encher desta maneira? — Digo próximo ao seu ouvido com a guarda completamente baixa, esperando que o mesmo abra o jogo ou que finalize-mos essa palhaçada de uma vez.

     Doeu mais em mim dizer isso do que o soco que levei em seguida. O cicatriz enfurecido passa a me socar repetidamente na barriga, enquanto segura meu pescoço, ergo a perna e o chuto para longe, e troco as posições, começo a socá-lo intercalando entre rosto e seu abdômen, me afasto por conta do cansaço tentando recuperar o fôlego e sinto meu abdômen estremecer com a tentativa.

      Potter tenta se manter em pé mas cai de joelho e se apoia em uma das mãos enquanto a outra está na barriga, não estou melhor que ele, apenas sou orgulhoso de mais para o ato.

      — Você é mais burro do que pensei, está perdendo a única coisa boa que poderia ter tido por ser burro — ele levanta o olhar e não consigo entender o mesmo — Ela é forte, e vai te superar quando menos esperar, e quando notar... awn... — ele geme de dor e se senta no chão com muito esforço — quando você notar, será tarde, e isso vai doer, posso dizer que adoraria ver isso, nunca entendi isso dela gostar logo de você. Você não vai fazer ela chorar novamente como ela chorou hoje, não irá se aproximar se for para destruir, se quer mesmo perder isso, perca, mas não vai mais fazê-la chorar! — Potter se levanta e se aproxima, me sinto tonto. — Te matarei antes, sabemos porquê não usei feitiços aqui hoje.

      Ele me deixa, e sai andando.

     Mas é claro que me ofendi com sua ameaça, mas a chance dele estar certo me enjoa, a chance de estar sendo idiota me assusta e se estiver mesmo perdendo ela, sei que era exatamente o que estava fazendo, estava afastando ela, mas quando ouvi ele dizer a ficha caiu e...

   — Droga mas que porra está acontecendo comigo? — saio andando furioso para a minha sala comunal, ao chegar na mesma começo quebrar as minhas coisas e tudo que vi na minha frente, assim que me sinto exausto, passo a arrancar minha roupa antes mesmo de entrar no banheiro, entro no banheiro e curo todos meus ferimento do rosto, não consigo fazer o mesmo no meu abdômen, mas a dor passou, vou mais tarde na enfermaria com toda certeza, mas agora? Vou me afundar nessa merda de banheira e esperar que essa confusão desça pelo ralo.

[...]



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