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História Hope - Capítulo 4


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Notas do Autor


Hola! como vão? já peço perdão pelos erros que com toda certeza irão encontar mas espero que gostem do capítulo, sí?

Capítulo 4 - Recommencer.


Fanfic / Fanfiction Hope - Capítulo 4 - Recommencer.

Buenos ángeles de lectura!

— 'Tô falando sério! Nada deixa uma mulher mais desinibida do quê homens que sabem soltar a voz! — Oh não, ela não disse isso.

— Mãe, por favor, não faz isso… — Suspirei pelo que parece ser a centésima vez naquele dia.

— Ué, mas por que? Eu tô dizendo, é sexo forte!, preciso passar as informações, amigas unidas jamais serão vencidas. Nunca ouviu?

Eu... eu não acredito nisso.

— Cisa, e-eu... — A sabe tudo tentou falar, mais vermelha que a própria cor. — não foi o que eu quis dizer!

— Mione, isso aqui é a vida real — Minha mãe retomou — vamos, petit garçon¹, você é um gangster agora!

Dessa vez, uma onda de risadas ecoou pela sala onde estávamos, confortavelmente sentados no chão, com Teddy em meu colo, dormindo como o anjo que é.

Gangster...

Não demorou muito para que meus pensamentos se voltassem para tudo o que aconteceu até chegarmos aqui.

Foi algo tão, mas tão confortável e natural que, pensando agora, chega a ser assustador.

Quando chegamos em casa, com Teddy cheio de manha pelo dia cheio que teve, Ticy não demorou a aparecer, logo se apresentando a nova visitante e se dispondo a saber sobre nosso dia.

Ao que minha atenção se voltou para Granger, pude perceber como seu olhar estava pesado, não a culpo, da última vez em que ela esteve aqui minha tia tinha se dado ao trabalho de torturá-la no chão da mesma sala em que se encontrava agora. Um fato curioso era, que mesmo com seu desconforto visível, ela sorria. Parecia sincero.

O Jantar correu bem. Teddy já estava cansado demais então minha prioridade foi colocá-lo para dormir assim que terminei de deixá-lo bem alimentado. Lembro da Granger na grande biblioteca da casa e apesar de não participar muito, lembro de seus sorrisos e expressões suaves enquanto conversava com minha mãe.

A fadiga me alcançou duas horas mais tarde. Meu corpo não era mais tão resistente e implorava por cuidados. O ruim é que eu sabia que ele implorava pelo cuidado de alguém. E quando me recusei a pensar mais sobre isso no instante seguinte houve um estalo, e em um agonizante estalo a dor se alastrou pelo meu corpo. Não lembro de muito depois de tomar as porções, como de praxe; Primeiro a poção para dor seguido de uma porção extra de sonífero.

O que está realmente martelando em minha cabeça e pesando em meu coração foi o que aconteceu horas depois, antes do alvorecer, antes de chegarmos a esse ponto.

Era o mesmo pesadelo, sempre o mesmo.

Mas não era novidade acordar na madrugada, suado e arfando, tendo que levantar para tomar uma ducha e só então, tentar colocar os pensamentos em dia. A novidade foi depois de banhar, quando estava voltando para cama e quase ir ao chão por causa de algo deitado sobre o mesmo. Bom, por alguém;

— Draco? — Meus olhos já estavam arregalados — Está tudo bem? Preciso chamar a Ticy? – Escutei a voz da Granger, mas não podia ser não é? Afinal, o que ela estaria fazendo deitada em um colchão ao lado da minha cama? No meu quarto?

— Granger? — Eu tinha que ter certeza, não fazia sentido algum.

Oh, Merlin!, isso é coisa de Veela? Alucinações?

Mas pensando por outro lado não era tão ruim se baseado em minha primeira descoberta - além do que já era de conhecimento geral - sobre ser ligado romanticamente a alguém. Parei meus estudos sobre a linhagem Veela logo depois disso, já me era suficiente o tamanho do absurdo, me recusava a saber mais a fundo.

Seria bom parar por aí, mas pensando bem, ter alucinações é melhor do que estar ligado a uma pessoa pelo resto da vida sem nem ao menos ter o controle sobre isso.

— Está sentindo dor não é? Foi o motivo de ter levantado? – Surpreendentemente ela me respondeu e eu não podia estar mais encabulado quanto estou agora. — Merlin! Foram duas doses de sonífero, você devia estar hibernando.

Não é uma alucinação? Mas que porra...

Ela piscou algumas vezes antes de voltar a falar — Por Morgana, por quê diabos eu estou tagalerando?! – Não respondi. — Sente-se que eu volto o mais rápido possível!

— Granger? – Saiu em um sussurro desacreditado. —  o que você 'tá fazendo no meu quarto? – Ela pareceu confusa, mas eu com toda certeza tinha uma interrogação acima da minha cabeça igualzinho dos desenhos que Teddy sempre me fazia assistir com ele — E eu estou bem, não sinto dor. Apenas me responda o que faz aqui.

Sua expressão mudou de confusa para assustada e de assustada para aliviada seguida para o vermelho vivo de suas bochechas gordas.

— Então está bem?  – Parecia insegura, o que me fez ficar ainda mais confuso, a irritação se instalando em meu corpo — Isso é um alívio.

— Me responda. — Meu tom demonstrou como eu me sentia; irritado e com apenas um fio de paciência. – O que faz aqui? Existem vários quartos de hóspedes, por que está justo no meu?

Ela abaixou a cabeça, parecendo envergonhada e assustada pelo timbre da minha voz. Não retirei o que eu disse, queria a resposta.

— E-eu... – Ela pareceu inspirar fundo e expirar lentamente, tentando se acalmar, presumo. E apesar de querer uma resposta logo, mordi a ponta de minha língua, me forçando a ficar calado. — Quando voltei da biblioteca encontrei você no sofá, estava com muita dor, fiquei assustada de você sentir mais ainda durante a noite e escolhi dormir ao lado da sua cama, pra ajudar se precisar...

Oh...

Caímos em um imenso e desconfortável silêncio, ela parecia extremamente envergonhada e eu não estava muito diferente. Quero dizer, além de... confuso? Parecia que meu cérebro tinha parado de trabalhar e eu não conseguia entender e nem mesmo dar um nome ao que ela fez.

Sabia que meu olhar estava distante, mas minha atenção voltou a presença que estava a minha frente assim que a vi suspirar depois de – mesmo que parecesse horas – alguns minutos.

— Você pode me chamar de Hermione... — Sua voz estava baixa, mas não me impediu de ouvir com clareza, apesar de não compreender bulhufas nenhuma.

— O quê?

— Hermione. – Repetiu, ainda com a cabeça abaixada levando uma de suas mãos a longa franja, colocando atrás da orelha e sem me encarar. — Você ainda me chama de Granger…

Não a respondi. Não estava fazendo sentido algum...

— Eu… eu acho que… — Ela continuou quando não houve resposta. — podemos tentar uma amizade…– E após de concluir, voltou a se sentar no colchão que estava no chão.

Bufei após entender o que estava acontecendo.

— Não precisa disso, Granger. — Comecei enquanto andava até minha cama, deitando em seguida, fingindo que meu coração não estava nem um pouco pesado. — Você é amiga da minha mãe, entendo e repeito, é bom vê-la sorrir, porém não tem a necessidade de forçar isso.

— O quê? – Fechei meus olhos, estava ficando cansado daquela conversa. — Não, Draco! Não faço por ela, não mesmo. Estou sendo sincera.

Abri meus olhos, meu coração falhando uma batida, meu Veela parecia querer sorrir e abraça-la, mas controlei. Esses hormônios ainda me levarão a morte, eu tenho certeza.

Mesmo que desacreditado olhei para o seu rosto, me assustando completamente quando percebi que não só sua fala parecia sincera. Franzi a sobrancelha ao notar que ela aparentava mesmo estar falando sério.

A encarei profundamente, meu interior sendo invadido pela intuição de que sim, ela estava sendo sincera e ao perceber isso, com meus olhos quase semelhantes aos de Teddy, se arregalaram instantaneamente.

Ela queria minha amizade? Por quê?

— Por quê?

— Porquê acabou, Draco. — Sua expressão parecia leve, quase compreensiva. Eu realmente não entendia. — Um recomeço é tudo o que precisamos, tudo o que todos nós precisamos.

Percebi como ela fez questão de frisar o "todos nós", deixando claro de que eu não era o único mas eu ainda não tinha certeza disso. Apenas soltei uma risada amarga, antes de lhe responder:

— Não posso recomeçar se nem ao menos me conheço, Granger, oublie ça².

— E você acha que é o único? — Rebateu, dessa vez sua voz estava firme. — Saiba que não é, Malfoy, todos perdemos nessa guerra.

— Não é como se você entendesse. - Apertei minhas mãos em punhos, enquanto rangia os dentes, já cansado dessa conversa sem sentido. — Já se esqueceu de tudo o que te fiz? Não só a você, Granger, mas com todo o resto!

— Você acha que eu esqueci? - Rebateu no mesmo tom — Não Malfoy. Me lembro bem do espelho de Lucius que você tanto tentava ser! — Exclamou, sua expressão tão furiosa quanto a minha.

Ela citar o nome do meu pai me pegou de surpresa e mesmo tentando não me mostrar afetado, sei que ela percebeu minha expressão cair por um momento. Mas não encaixava, não é?! Ela não via? Como poderia eu ter a confiança de alguém como ela? Um amigo como ela? Alguém com poucos pecados. Alguém que realmente teve escolha. Alguém que não entendia minha dor.

Não, não, não…

— Até quando? — Se remexeu, impaciente. — Até quando vai carregar tudo sozinho? — Perguntou-me enquanto levava mais uma vez uma de suas mãos a franja caída em seu rosto — Recomece Malfoy! Pare de ser o covarde que seu pai lhe obrigava a ser!

— Pare de tentar me vitimizar, Granger – Minha voz já estava mais alta, meu peito subia e descia rapidamente, meu corpo transparecendo um pouco da bagunça que estava minha cabeça nesse momento. —, minhas pernas, meus atos, minha varinha… Eu. Aquele era eu!

Ela fez uma expressão indignada, como se eu fosse louco de pensar isso de mim. Eu não entendia.

— Escuta o que 'tá dizendo, Draco, por Merlin!

— Onde quer chegar, Granger? — Questionei, ainda mais indignado enquanto penetrava meus dedos entre meus fios, jogando-os para trás, levantando e começando a andar sem rumo pelo quarto. — O que está tentando fazer?

— Tentando dizer que você tem uma chance, Malfoy, então recomece! — Parecendo sentir a mesma indignação ela se levantou também, passando a mão pelo rosto. — Por que acha que não merece ser feliz?

— Você não pode falar merda alguma, Granger. Não conhece a minha dor! - Parei de andar e encarei seu rosto —, nem ao menos conhece o pouco da escuridão que vivi durante todos os meus anos de vida!

Ela não pareceu se abalar, ainda sustentando o contato de nossos olhos.

— Exatamente! Eu não conheço a pressão que passou por toda sua vida, não conheço. Mas eu reconheço, Draco, reconheço toda privação de escolhas que teve também. — Um sorriso brotou no canto de seus lábios. — Não percebe o quão forte você é? Mesmo depois de toda lavagem cerebral seu verdadeiro eu continuou vivo dentro de você e mesmo que você não o conheça, eu consigo ver..

Meu coração pareceu parar por alguns segundos. Franzi o cenho enquanto deixava minha expressão demostrar toda minha confusão.

Eu... eu sou… forte?

— O quê? — Minha indagação saiu como um sussurro enquanto encarava minhas mãos, tentando processar a nova informação.

— Sim, Draco. — Percebi que ela havia se aproximado de mim, tacando minhas mãos sutilmente, parecendo incerta com o ato. — Forte.

Levei meus olhos ao seu rosto, meu peito pesando cada vez mais, mas esse peso parecia diferente... não era o peso a qual eu já havia me acostumado. Hermione sorria docemente, seus olhos brilhavam com algo parecido com... orgulho?

Ela estava orgulhosa de mim?

Não foi consciente, mas quando percebi já estava sorrindo, sentindo os olhos marejados assim como os seus. Ela se importava?

Prendi a respiração quando ela me envolveu em seus braços, me abraçando apertado, levando uma de suas mãos até meus cabelos e fazendo carinho ali. Demorei para reagir e para entender o que acontecia naquele momento, mas depois de longos segundos, envolvi sua cintura com meus braços, fechando os olhos e permitindo, enquanto aproveitava aquele abraço recheado de carinho, as lágrimas rolarem pelo meu rosto.

Foi então que eu percebi o quanto estava assustado, com medo. Mas ali eu tive certeza. Tive certeza de que iria me permitir tentar.

Desfizemos o abraço após longos segundos e sem falar nada ela levou as mãos até o meu rosto, limpando todo vestígio de lágrimas que estava ali, ainda exibindo seu sorriso doce.

— E então? — Chamou minha atenção um tempo depois, quando eu já estava deitado em minha cama e ela no colchão ao lado, ambos olhando para o teto. — Hermione?

Soltei uma risada fraca, um tanto divertido, fechando os olhos antes de responder. — Hermione.

— Ótimo — Disse minutos depois, quando pensei que ela já havia dormido —, porquê eu estou sem sono, anda, levanta e vem fazer alguma coisa comigo.

Abri os olhos, surpreso, mas logo gargalhando um pouco contido. Ela não 'tá falando sério.

Mettons fin à notre amitié maintenant, mademoiselle³

— O que disse? — Ri contido, a sabe tudo não sabe tudo, então, uh? — Vamos logo, Malfoy, não se chinga os amigos depois de oito minutos de amizade, em que mundo você vive?

— No mundo em que não irei levantar as cinco e... — Olhei o relógio que ficava na parede de frente para cama — vinte e seis da manhã. Dorme Hermione.

No telhado da mansão, 5;36am;

— Um passa tempo?

— Fala sério, Hermione, isso é mesmo necessário? — Suspirei, ainda estava com sono.

— O que? Se é necessário conhecer seu mais novo amigo? — Soltou uma risada sarcástica. — Imagina, Malfoy, não é necessário não.

Fiz uma careta. Como é que eu vou saber? Minhas amizades são todas de infância!

— Haha. E eu não acredito que você me fez levantar da cama tão cedo — Bufei —, fille…

Estávamos agasalhados, sentados no telhado da mansão enquanto observamos o sol nascer.

— Já falei pra não me chingar! — Revirei os olhos — E pare de revirar os olhos para mim, mocinho, a esculhambada aqui fui eu!

Soltei uma gargalhada alta.

— "Esculhambada"? — Levantei a sobrancelha, ainda rindo. — E eu acho decepcionante você não saber francês, Hermione. — Ela fez uma careta indignada — E pela terceira vez, fille: garota.

— Wow, nem vem com essa, você cresceu aprendendo as duas línguas, não é justo!

— Eu sou Draco Malfoy, não sei o significado da palavra justiça.

— É, muito engraçado. — Revirou os olhos, mas tenho certeza de que vi um sorrisinho em seus lábios. Sorri também, surpreendentemente a companhia estava sendo agradável.

— E foi. – Dei de ombros.

— Idiota — Falou enquanto revirava os olhos outra vez. Será que era um tique? —, mas qual é, responde logo.

Pensei um pouco. O que eu gosto de fazer no tempo livre? Bom, eu costumo ter bastante tempo livre e não é sempre que estou com Teddy, ele ainda tem casa, afinal.

— Hum... - Ponderei — Estudar poções e livros filósofos. É. — Sua face se contorceu em uma careta indignada, o que me fez franzir o cenho. — O que?

— Poções Draco? Você tem uma biblioteca incrível e passa o seu tempo estudando poções?

Ah!, claro oras...

— Nunca se perguntou o por quê de eu ser melhor que você em poções?

— Melhor que eu? — Sorriu — Você bateu a cabeça em algum lugar quando subiu aqui?

— Okay, você não sabe perder. — Concluí ainda indignado — mas não muda o fato que eu te supero.

Para minha surpresa ela concordou.

— Tudo bem, tudo bem... — Bufou — mas não se acostume, não me ouvirá repetindo.

É, aparentemente a garota de ouro também tem seu orgulho. Não a respondi pois logo depois uma coruja albina de orbes verdes esmeraldas pousou em seu ombro, entregando a carta que carregava em suas patas, bicando seu dedo em seguida.

— É do Harry — Observou levando seu dedo até a boca, chupando o sangue. — Olá, Morty, como foi o vôo? Sempre muito delicado, uh? — Perguntou, mas logo sua atenção se voltou para a carta que tinha em mãos.

Não falei nada, fascinado com a beleza da coruja que aparentemente se chama Morty. Era uma bela ave, sem dúvidas. Surpreedendo a mim mesmo, não demorei muito pensando, peguei minha varinha conjurando um pote com água e alguns grãos de biscoito, sem pensar muito, levantei minha mão que estava sem a varinha até suas penas alvas. Entretanto, assim que meus dedos a tocaram, todos os pelos do meu corpo se arrepiaram instantaneamente, seguido de um forte sentimento que pareceu tocar meu interior por completo e não muito tempo depois, uma onda de calor me invadiu. Pareceu demorar séculos, mas quando voltei a mim pude perceber que Hermione ainda lia a carta, sua expressão parecia abalada e antes que eu pudesse me recuperar do estranho acontecimento de segundos atrás e perguntar se estava tudo bem, ela resmungou;

— Mas que porra?

Meus olhos de arregalaram imediatamente, saindo por completo do transe anterior e entrando em um novo numa vibe completamente distorcida. Minhas mãos foram imediatamente até minha boca, tamanho o meu espanto

— V-você dise um p-palavrão?

Seu rosto ficou vermelho imediatamente, seus olhos quase tão arregalados quanto os meus que já se enchiam de diversão.

— N-nada, não disse n-nada!

Sim, ela disse! Não consegui conter a gargalhada, levando meus dedos até os fios claros da minha cabeça, jogando meu corpo para trás, enquanto a observava colocar as mãos sobre o rosto e soltar um gritinho agudo.

— Você falou um palavrão — Acusei —, a Granger de ouro disse um palavrão!

- Ah, cala a boca! Você lê poções!

Sua face irritada não anulava o brilho de diversão que eu podia ver em seus olhos castanhos, e meu sorriso não podia ser mais sincero.

— Então... — falei quando a sessão de risos acabou — o que fez a menina de ouro soltar um palavrão? Wesel eu suponho. Vocês estão mesmo juntos, hm? — Já esperava o revirar de seus olhos no momento em que proferi o nome do Wesley errado, mas o incômodo presente era novidade.

— Na verdade, não...

A encarei surpreso. — Uh?

— Sim. — Passou as mãos pela franja, levando a mecha atrás da orelha. — Acho que todos esperavam por isso. Mas conversamos muito e percebemos que não funcionamos desse jeito. — Deu de ombros.

Não quis insistir no assunto, então apenas fiquei calado. Não era da minha conta, afinal.

— Mas não deu nada errado, nossa amizade parece ter sido renovada.

— É um… alívio? — Falei meio incerto.

— Sim, é. — Sorriu. — Enfim, por que acordou tão cedo?

Pensei um pouco antes de responder. Não era como se eu fosse entrar em detalhes, mas queria lhe dar uma resposta

— Eu não sei — Dei de ombros, não era uma mentira se pensar bem.

— Talvez seu Veela queira te mandar algum recado? Li sobre isso em algum lugar...

— Como é? — Perguntei/gritei. Como assim ela sabia?

— Ah fala sério, eu sou a sabe tudo, lembra?

— O quê... - Eu definitivamente não gostava do rumo dessa conversa. — Quando?

— Sinceramente? Acho que desde sempre...

— V-você não pode contar! — Exclamei alto. — E o que quer dizer com "desde sempre"?

A vi dar de ombros como se não fosse nada demais — Draco, você sempre foi muito bonito, mas agora... Minha nossa, você só falta brilhar! — Franzi a sobrancelha. — E seus traços sempre estavam lá, para qualquer um que quisesse ver...

— Claro. — Falei no automático, parando para pensar.

Eu já não sabia o que fazer. E sinceramente não deveria estar surpreso ao saber que uma das alunas mais inteligentes de Hogwarts havia percebido minha situação. Uma onda de constrangimento se alastrou em meu corpo, a vergonha parecia ter ido diretamente para minhas bochechas que pareciam queimar.

Eu não devia estar surpreso. Todos irão saber, não se esconde uma coisa dessas.

Balancei a cabeça para os lados, fechando os olhos no processo enquanto levava minhas mãos até minha nuca, agitando os cabelos ralos, frustrado.

Hermione pareceu perceber que não era um assunto que eu gostaria de falar então apenas me deu o espaço que precisava naquele momento. Também não demorou muito para minha mente começar a trabalhar até chegar a uma conclusão.

Eu estava preso. Preso em uma escolha. Uma escolha que teria como consequência mais uma mudança em minha vida. E é, elas estavam claras para mim.

Continuar minha vida do jeito que ela está seria escolher não ir para a escola. Não manter contato com o mundo bruxo por não querer que ninguém descubra. Viver de cartas com os meus amigos. Desistir de exercer qualquer futuro que a magia poderia me proporcionar. Ver Teddy nos fins de semana. Não poder sair como ele. Me esconder do mundo mágico.

Mas era isso que eu queria? Esse seria o recomeço que tantos falam?

Eu quero ver meus amigos, quero ir a escola e aprender como sempre gostei de fazer. Jogar quadribol com os garotos e sentir minha magia fluir em cada feitiço praticado. Descobrir qual seria minha vocação no mundo mágico. Quero sair com Teddy, não só nos finais de semana. Quero viver no meu mundo, onde nasci e cresci. É nesse mundo que eu quero me descobrir. E nesse mundo que desejo fazer minha escolha.

Eu quero...

Mas vale a pena arriscar e sair do conforto? Eu sou mesmo capaz de escolher por mim?

Uma enxurrada de lembranças invadiu minha mente, pisquei os olhos assustados enquanto um filme se passava em minha cabeça. Percebi um movimento brusco ao meu lado assim que curvei a cabeça, levando a testa até meus joelhos enquanto circulava meus braços ao redor do meu tronco, forçando os olhos a ficarem fechados.

— Draco você...?

A voz estava longe, oca, e minha mente trabalhava rápido, rápido demais. Senti minha respiração pesar em meu peito, até que eu já não conseguia prende-lo em meus pulmões, o que diabos estava acontecendo? Fechei os olhos com mais força porque tudo rodava, tudo...

Até que parou. Estava escuro, muito escuro...

Então eu reconheci. Não era uma visão, era uma lembrança. Uma lembrança daquela noite.

Minha mãe...

A noite em que ela pôs o destino do mundo bruxo em minhas mãos.

"Dray, ele está morto? Harry Potter está morto?"

Não, ele não estava. Ela sabia. Ela sabia mas me fez escolher. Ela desistiu de tudo por mim mais uma vez. Ela me deu a chance.

Eu já tinha feito aquilo antes. Eu o protegi quando havia sido capturado pelos bandidos, levado até minha casa. Recusei quando minha tia Bellatrix ordenou que eu o chamasse pela marca. Mas nenhuma dessas escolha foi por vontade. Eu estava com medo, é claro que estava.

Mas naquela noite, na floresta, quando Harry Potter estava impotente, eu escolhi.

Eu fiz a minha escolha.

— Sim. Ele está morto... — O sussurro simplesmente saiu de meus lábios num sopro mais leve que o vento. Com a respiração regulada abri os olhos.

— Draco? – Levei minha atenção a dona da voz chorosa ao meu lado. Eu estava em meu quarto? — Draco, quem está morto? Eu já vou chamar sua mãe, consegue me ouvir?

— Hermione... o que aconteceu? — Perguntei, sentando na cama e levando a mão até minha cabeça.

— Como assim o que aconteceu? – Seu tom parecia assustado. Franzi o cenho. — Um ataque de pânico seu idiota — Ela me deu um... soco? —, olha você não me assusta assim!

— Aí. — Olhei indignado – Você me bateu? Eu acabei de acordar de um desmaio!

— Você não desmaiou, foram três minutos! Três minutos com você tremendo, três minutos tentando trazer você até o quarto!

Eu estava meio assustado, ela gritava, andando de um lado para o outro com as mãos na cabeça. Três minutos? Pareceram horas...

Não demorou muito para tudo voltar a minha mente.

— Certo. Me desculpe... – Comecei a encarando. — eu me lembro e peço perdão,  mas eu tenho que te falar uma coisa...

Sua atenção estava voltada para mim agora. A chamei com a mão e ela veio se hesitar, sentando na cama ao meu lado. Ela estava assustada, seus olhos demonstravam isso.

Uma sensação de conforto me invadiu novamente. Saber que ela que preocupava, saber que eu tinha mais alguém ali por mim me deixava feliz e num lapso de coragem a abracei. Forte, como na madrugada. Eu já tinha minha decisão. Eu sabia o que eu queria.

Respirei fundo antes de falar.

— Faz uma tatuagem em mim.

Percebi seu corpo ficar tenso em meus braços e ao se afastar, com seus olhos arregalados e a expressão confusa, questionou:

—...O quê?

Encarei suas orbes castanhas, apoiando minhas mãos em seus ombros. — Faz uma tatuagem em mim. — Falei novamente.

Sua expressão confusa continuou a mesma então respirei fundo, antes de explicar.

— Eu preciso de uma marca, Hermione. De uma nova marca. Eu preciso de algo para me lembrar do recomeço, do recomeço que eu escolhi ter. — Seus olhos brilhavam, eu sabia que ela iria chorar a qualquer momento e sabia que seria sincero. — Lembrar que posso me conhecer de verdade... — Sorri, limpando uma lágrima que caiu em sua bochecha. - Que tenho o direito de fazer o que eu gosto... bom de descobrir o que eu gosto. Me descobrir. Eu quero isso, Hermione – Ela já sorria junto comigo. – Eu quero escolher marcar o meu corpo. — Dei de ombros — Apenas... escolher.

Ela respirou fundo, secando as lágrimas com as costas das mãos, deixando um riso soprado.

— Okay... - Respirou fundo. — okay, eu faço... — Eu já estava sorrindo — Mas eu quero que faça uma em mim também, igualzinha.

Meu riso morreu.

— O quê? — Questionei incrédulo. — Você não precisa fazer isso por mim, Hermione, não seja tola.

Soltou um riso – Tola? Draco, vou fazer porque eu quero. Eu tenho meus motivos.

A olhei ainda desconfiado. E se ela se arrependesse depois? Mas bem, não é como se a Sabe tudo fizesse algo que realmente não quisesse, ela tem personalidade demais para isso...

— Eu não posso te impedir, Hermione. Mas é o que você quer?

Ela sorriu antes de responder, firme como sempre foi. — É o que eu quero.

Sorri grande, animado com a ideia enquanto via Hermione começar a pular no colchão.

— E o que vamos tatuar?

Ela parou imediatamente.

— O quê? você não pensou nisso antes?

— Como assim pensei nisso antes? eu tive um ataque caso não tenha visto.

— E você decidiu querer fazer uma tatuagem, marcar sua pele para sempre, mas não sabe o que vai fazer? — A encarei mais indignado ainda.

— E a senhora sabe tudo por acaso sabe o que fazer? — Perguntei com os braços cruzados e a testa franzida.

— Claro, oras... — Falou olhando para os lados com uma careta esquisita na face. Mentirosa.

— Não, você não sabe! — Acusei com os braços cruzados.

— Tá, mas fazer uma tatuagem já significa uma coisa!

Revirei os olhos com sua resposta, apesar de fazer um pouco de sentido. Mordi o lábio inferior, pensativo. Como diabos eu não pensei nisso antes de ter a ideia?

— Já sei! — Pulei da cama, assustado com o grito agudo de Hermione ao meu lado. — Já sei, já sei!

— Que susto, louca! - Exclamei, levando uma de minhas mãos até meu coração acelerado. — Já sabe o que? Eu hein...

— Quanto drama, Malfoy - Revirou os olhos novamente, mas sem tirar o sorriso do rosto. – O Sistema Solar!

Fiz uma careta confusa. — O Sistema Solar?

— Sim! - Lhe encarei com a sombrancelha franzida. — Pra sempre se lembrar que o universo é infinito mas que fazemos parte de apenas um terço desse. É apenas o que conhecemos, apenas o que vimos, mas ele é maior Draco, ele é muito maior... assim como você.

O Sistema Solar... — Assim como eu? — Sussurrei, com a cabeça baixa, olhando para o braço que antes jazia a marca negra. A marca que depois da guerra foi simplesmente perdendo a cor até desaparecer por completo.

— Assim como você, Draco. — Levantei a cabeça passando a encarar sua face, estava serena. — Mas você tem que acreditar nisso...

— Eu... eu quero acreditar nisso, Hermione. – Um nó se formou em minha garganta – Quero muito.

— E você vai. — Pegou meu braço e sua varinha, acariciando o lugar antes de completar. — Eu vou estar com você, lembra?

Meus olhos já estavam embaçados e meu interior leve como uma pena. É, parece que meu Veela gostou da ideia. Respirei fundo antes de lhe dizer, com toda certeza que existia em mim naquele momento.

— Faça.

Ela pegou a varinha, olhando carinhosamente para meu braço. Eu sabia que ela estava mentalizando o desenho, e não demorou muito para que as cores começassem a aparecer em minha pele pálida. Os planetas alinhados tomava toda extensão do meu braço, alguns separados por rochas espaciais, todos com as cores características de cada planeta.

Lindo.

Encarei seus olhos brilhantes, mais do que satisfeito com o resultado. Mas antes de falar qualquer coisa, peguei minha varinha, logo segurando sua mão, imaginando a tatuagem perfeita para pessoa em minha frente. Uma luz logo se fez presente, a tinta por dentro da pele bronzeada formando o desenho também em seu braço.

Seus olhos pareceram brilhar ainda mais em surpresa. — Espero que não me odeie por isso Hermione. Mas é o que você representa para mim. Tu es le soleil de ce système.

No segundo seguinte ela já estava agarrada ao meu corpo, num abraço apertado enquanto chorava.

— É perfeito. — Sorri, acariciando suas mechas castanhas. – Mas o que foi que você falou em francês mesmo?

Eu nem tentei impedir a gargalhada que dei depois de sua fala. — Você é o sol desse sistema.

— Ah... então sim. — Ri mais um pouco, aproveitando o clima leve em meu quarto. – Já sei! - Mas durou pouco pois eu logo estava revirando os olhos novamente.

— Sabe é? — Resmunguei a soltando, indo em direção ao banheiro para lavar o rosto.

— O que acha de um brinco? — Gritou da cama, rindo quando tropeço em meu próprio pé após sua fala.

— Está querendo me vandalizar? – Lhe encarei assustado. — O que aconteceu com sua personalidade certíssima?

Haha... — Revirou os olhos, me seguindo até o banheiro. — Vamos lá, vai ficar lindo!

Olhei novamente em sua direção, será que a tinta da tatuagem foi parar em seu cérebro? Desviei o olhar, continuando meu caminho com ela em meu encalço.

— Sua pele está muito pálida — Cheguei na pia, ligando a torneira e levando minhas mãos até a água corrente —, precisa de uma corzinha, um acessório.

Revirei os olhos enquanto levava a água das minhas mãos até meu rosto, ainda sem responder.

Cruzou os braços, irritada. — Vamos lá, Malfoy, vai ficar lindo! — A respondi com uma careta. — É um brinco, se você não gostar é só não usar que fecha rapidinho.

— Por quê você 'tá fazendo bico? - Questionei risonho. Foquei minha atenção ao espelho em minha frente, estava realmente precisando de uma cor.

— Funciona com o Harry. — Deu de ombros, continuei sem responder. — Eu não diria isso se não tivesse certeza. Vai ficar magnífico!

Suspirei mordendo o lábio inferior em seguida, ainda encarando meu reflexo no espelho. E se...

Bufei revirando os olhos, e num impulso sentando no batente da pia a encarando — Se doer eu não respondo por mim. — Avisei, cruzando os braços.

E depois de fazer uma expressão vitoriosa e dar pulinhos sorridente, finalmente conjurou o brinco. Mas logo meus olhos pareciam saltar da órbita quando vi cinco brincos em sua mão.

— Hermione? — Ela tinha um sorriso no canto dos lábios, enquanto pegava o álcool na parte de trás do armário. — Por que você tem cinco brincos?

— Calma... — Respondeu, concentrada demais em higienizar a agulha grande em suas mãos. — É só se você gostar.

Soltei uma lamúria assustado quando a vi vindo em minha direção e murmurar algo balançando a varinha. — Quietinho...

Acontece que eu não senti dor alguma, e que adorei o contraste do brinco com meu rosto. A notícia ruim? Acabei com sete brincos em uma orelha e três em outra. 

Mas piorou, e foi só depois de ver o resultado em minha orelha, e gritar animado junto de Hermione que repetia que nunca errava toda vez que eu exclamava que tinha adorado e em seguida ouvir um barulho, quando percebemos que alguém tinha acordado e chegamos juntos a uma conclusão enquanto exclamávamos em uníssono:

— Mamãe vai nos matar.

— Estamos mortos.


Agora, na porta principal da mansão Malfoy. 19:08pm;


— Foi um prazer ter você aqui, Hermione. — Minha mãe dizia enquanto a abraçava. — Espero que não demore tanto para a próxima visita, uh?

Hermione sorriu, doce como sempre, beijando sua bochecha em seguida. — Não vou demorar, prometo.

Sua atenção se voltou a mim, sorrindo largo enquanto vinha em minha direção. Sorri a recebendo em meus braços.

— Se cuida direitinho! — Falou. — E não esquece de higienizar a orelha como ensinei, exatamente igual, 'tá entendendo?

Ri soprado com sua forma de falar. — Okay, fille.

— E eu vou pesquisar mais sobre as suas dores. Não fui com a cara daquele medi-bruxo. — Revirei os olhos. Ela havia encarnado nesse assunto. — E não revire os olhos para mim, mocinho.

Minha mãe soltou uma gargalhada animada e eu também me permitir rir um pouquinho, a apertando ainda mais em meus braços, agradecido.

— Bom, eu já vou indo antes que os meninos mandem uma patrulha atrás de mim. Boa noite.

E em seguida aparatou. Olhei para minha mãe, que tinha um sorriso orgulhoso nos labios. — Vamos entrar, gangster…

Revirei os olhos mesmo rindo junto, entrando em casa e indo direto até minha cama. Estava exausto. Mas não tinha problema.

Eu estava pronto para recomeçar.

Continua...  🐍


Avisos;

¹petit garçon: Filho.

²oublie ça: Esqueça.

³Mettons fin à notre amitié maintenant, mademoiselle: Vamos terminar nossa amizade agora, moça.

extra: fille: Garota. 

Tatuagens e brincos na mídia


Notas Finais


Eae galera, que passa? se cuidando direitinho?

Capítulo betado, mas é possível ter alguns erros, então me perdoem, sí? são 2:00 da madrugada, poxa..

E ah! só pra avisar que aqui não tem Dramione, belê? Relembrando que é drarry! E já peço desculpas pela falta de interação do casal principal, sei como isso é chato, mas isso é necessário para não deixar pontinhas soltas... E prometo que só mais um cap até a interação :)

Sobre as tatuagens e os brincos, foi tudo inspirado en mi mesmo. E eu sou Kpoper, acho que vem daí o exagero com os brincos, mas ambas as imagens foram tiradas da internet.

E também vão perdoando a mania de misturar o espanhol com o português, isso irrita meus amigos de uma forma kkkkkkkk,.mas eu gosto, é bom que voy treinando, poxa :(

Espero que tenha agradado, foram 5k de palavras e eu tô bem insegura pq tô sem meu not e tive que escrever pelo celular mesmo. :(

Também é por isso que desisti da att dupla, mas o próximo cap ta quase pronto.

É isso, niños, bjus! ;*


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