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História I Became The Number One - Capítulo 19


Escrita por: Marininhafanfiqueira

Notas do Autor


Menções constantes de suicídio, um novo personagem e está bem curtinho mas para postar dois no mesmo dia tem que ser assim ¯\_(ツ)_/¯

Capítulo 19 - Conto de um suicida


Fanfic / Fanfiction I Became The Number One - Capítulo 19 - Conto de um suicida

*Deku on*

 

Iida me pegou pela camiseta. E eu me senti errado

 

-Sem problemas - não gosto de estar errado - Me desculpa - minha vida inteira me senti errado - Não vou fazer de novo - Aliás - Eu juro - Eu nunca estou errado - Só por favor - Nunca estou errado porque - Por favor - Eu sou errado - Por favor não me mata! - Eu disse     sentindo lágrimas se formarem. Iida me soltou, me deixando cair no chão - O que? - Foi a única coisa que ele disse. Eu fiquei um tempo no chão tentando tirar Kacchan da minha cabeça. “Iida, Iida, Iida, Iida, Iida…” - Deku!

-Ah! - Eu gritei me jogando para trás como costumava fazer quando alguém vinha me bater - Merda! - Eu falei me levantando - O que houve mestre Deku? - Kota falou assustado - Nada, eu estou bem - Eu odeio mentiras… Então por que eu não consigo parar de mentir? - Eu vou ficar - Falei limpando a poeira da minha roupa - Deku fala comigo! - Iida gritou de novo - Para! Para! Para! Eu não quero ouvir! Eu odeio gritos! Cala a boca! - Eu vi Iida se mover para trás com uma expressão culpada - Se acalma gente, eu estou bem, é só um probleminha que eu tenho… Eu achei que você era o Kacchan… E o Kacchan ia gritar e bater e… Eu não sei preciso de um tempo sozinho… - Eu saí da sala, Kota veio atrás de mim - Mestre Deku! Está tudo bem mesmo?

-Sim, eu vou ficar um pouco na minha… Kota se importa de treinar amanhã?

-Não… Eu vou ficar bem

-Ok, então... Amanhã a gente começa - Eu disse saindo do quarto - Pessoal continuem sem mim, eu vou sair sozinho

 

    Eu andei pelas ruas, não saía faz tempo, tirando pelo ataque ao acampamento que não conta já que era uma área separada da cidade. O Japão é bonito… Ainda mais assim, um dia frio, nuvens, parece que vai chover mas sem chuva, parece que vai nevar mas não neva. Me chame de louco mas eu amo esses dias “feios”. Em geral, alguns dias depois disso chove, ou neva depende da época… Ele amaria me zoar por isso, ele foi capturado por mim, ele está no meu bolso, posso matá-lo quando quiser, mas não teria graça… Qual é o desafio de pegar alguém desprevenido ou esmagar uma bolinha de gude? Quando chegar em casa vou mandar o Compress desfazer isso, vou falar com Kacchan e depois soltá-lo… Isso não importa agora…

 

    Eu continuei andando pelas ruas até que estivesse escuro, eu estava sem rumo, mas encontrei um prédio, um prédio que eu conhecia, onde All Might me levou depois do “salvamento”, onde eu me escondia do Kacchan depois da escola, onde Kacchan me achou algumas vezes, onde eu tentei suicídio pela 3ª vez, onde eu pensei que minha mãe poderia me ajudar um última vez, onde eu tentei ligar para Tenko pela primeira vez desde sua morte, onde eu conheci mestre Stain… Esse prédio é mais minha casa do que a da tia Mitsuki jamais foi, eu odeio esse prédio, eu queria queimar ele agora, mas por algum motivo não consigo, eu só subo nele pela entrada dos fundos onde não tem vigilância como eu sempre fiz. Subi sem saber o que esperava achar naquele lugar. E na verdade não acho nada, além de um garoto, da minha idade, talvez mais velho, com cabelos curtos e bagunçados do qual o corte era completamente diferente mas ainda sim parecido com o meu cabelo. O garoto estava parado apoiado na cerca, assim como eu já estive muitas vezes

 

-Oi - Eu falei - Ah… Oi, eu não tinha te visto - Ele disse virando o rosto para mim, só então eu pude ver as cicatrizes em seu rosto, ele havia sido espancado, seu lábio sangrava assim como seu nariz e estava com um dos olhos roxo, possuía dois olhos azuis sem esperança, um olhar vazio e muitos machucados espalhados pelo corpo - O que aconteceu? - Eu perguntei, ele sorriu, um sorriso de lábios, singelo, porém triste, não foi a primeira vez que eu vi um sorriso assim, sorrisos desse tipo em geral te dão uma sensação ruim, mas nunca vi um tão... Difícil de engolir quanto o do garoto, chegava a ser agoniante olhar para ele - Sabe… Uma vez eu estava aqui, nesse mesmo lugar, nessa mesma posição, pensando em me matar… Eu tinha a mesma expressão que você tem agora, perdido, frio, sem esperanças… 

-Eu tenho que dizer que passei pela mesma coisa, sua expressão é a mesma que a minha…

-Ah… Eu não tinha notado, faz sentido… - Nós ficamos em silêncio por um longo tempo - Eu pulei.

-O que? - Eu perguntei confuso, ele encarava o chão com o olhar vazio que ele mesmo tanto havia falado - Naquele dia, quando eu estava aqui, eu pulei - Ele não movia um músculo enquanto falava - Eu sempre apanhei por não ter individualidade, uma coisa que todo mundo tinha menos eu, me cansei disso tudo e vim aqui, encarando o chão, e depois de alguns minutos repensando eu pulei, de braços abertos, esperando a morte, eu quase me arrependi enquanto caía, quase. Eu coloquei minhas mãos para baixo tentando proteger o rosto. Eu senti gosto de sangue, minhas mãos doíam muito e ardiam contra o asfalto, eu não sentia minhas pernas e minha cabeça não parava de doer. Eu fiquei assim, consciente pois o instinto falou mais alto, eu me defendi. A última coisa que eu vi foi uma ambulância, eu ouvi a sirene, vi alguns médicos saírem do carro e me colocaram na maca, minha visão ficou turva e tudo ficou escuro… - Ele parou, acho que isso era uma deixa para eu dizer se queria ouvir o resto ou não - Pode continuar, eu quero ouvir - Eu falei baixo - Quando eu acordei não via nada, eu ainda sentia um pouco de dor mas não era tão insuportável assim… Eu abri os olhos e não tinha ninguém ali, após alguns minutos uma médica chegou, não parecia impressionada nem nada, acho que ela já esperava que eu fosse acordar, ela me explicou alguns conceitos médicos, disse todos os cuidados que eu deveria tomar por conta dos danos, me disse que eu deveria ter acompanhamento terapêutico e psiquiátrico e me deixou sendo vigiado por um tempo mesmo depois de me dar alta e me mandar para casa para que não fizesse mais nenhuma besteira…

-E então? O que aconteceu depois?

-A história acabou, eu fui curado mandado para casa e acabou o meu conto

-Você está aqui, com o olho inchado, lábio sangrando e encarando o chão depressivamente, não acabou

-Você não quer um final feliz… - Ele disse vagarosamente - Você quer a realidade e não a fantasia onde ficou tudo bem. Em geral as pessoas só falam “graças a deus!” “que bom que ficou tudo bem” mesmo que eu não tenha dito que ficou no final, você quer o final realista - Eu engoli em seco - Sim, eu quero. Sou uma pessoa realista com depressão e ansiedade de verdade e eu sei que nunca acaba assim - Ele soltou ar pelo nariz, uma risada sem graça - Eu fiquei bem por um tempo… Não foi ruim não… Foi muito na verdade, bom mesmo, mas se você quer minha sinceridade, eu queria ter morrido naquele dia, queria mesmo… Então depois de um dia cansativo, muita humilhação, porrada, vontade de sumir, eu vim aqui de novo, fiquei nessa mesma pose tantas vezes que já perdi a conta para ser sincero, eu não exitei muito tempo, só pulei pela segunda vez, foi tudo igual, como uma memória, mas dessa vez eu não me defendi do asfalto me joguei. Assim que entrei em contato com o chão apaguei, não vi nada

-E o que aconteceu dessa vez?

-Eu acordei no hospital de novo, parece que algumas pessoas de outra sala estavam de olho em mim e acabaram chamando a ambulância rapidamente. Quando acordei a primeira coisa que fiz foi abrir os olhos, pensei que estaria com dor como da outra vez mas não, eu me sentia relativamente bem, eu prestei mais um pouco de atenção e vi que os médicos me olhavam tristes…

-O que houve? Me conta de uma vez

-Eu descobri qual era minha individualidade. Eu pensei que eles não haviam visto que eu acordei, eu não tinha forças para falar, então tentei mover meu braço para mostrar que eu estava bem, pensei que seria doloroso e complicado mas não, estava leve, eu mechi meu braço direito, os médicos não falaram nada, nem mudaram de expressão, eu mexi meu outro braço, nada, finalmente tentei mexer minhas pernas, que em tese estavam destroçadas, eu as mexi, ninguém disse nada, eu tentei chutar a médica, foi a única coisa que eu pensei em fazer… Minha perna atravessou o seu corpo, rapidamente em me levantei e olhei para a cama do hospital, meu próprio corpo estava lá deitado, eu fui para o lado dos médicos “Perdemos ele” uma disse. Eu verifiquei a máquina que media meu pulso, ela estava ligada ao meu corpo e a tela mostrava uma linha infinita, um barulho que mais soava como um grito para mim na hora, eu estava morto - Ele fez uma pausa longa, ficou encarando o chão e eu decidi não apressá-lo - Eu não estava triste por ter morrido, não mesmo, mas… Foi nesse momento que eu percebi que essa era a minha sina, não importa o quanto eu queira, eu estou preso nesse mundo, minha alma está presa aqui, pular de um prédio, se jogar na frente de um carro, uma arma, nada disso adianta. Sem contar no meu rosto, eu obrigado a ficar com a aparência que eu tinha quando morri, roupa da escola, cara espancada, machucados por toda parte e olhar vazio…

-Isso significa que…?

-Sim, todo mundo tem individualidade, as pessoas só não sabem disso porque muitas são inúteis ou imperceptíveis - Ele disse enquanto se sentava no alto da grade - Ou só se ativam depois da sua morte…

-Mas você disse que os médicos não podiam te ver, por que eu consigo?

-Vem comigo - Ele disse e saiu correndo, desceu o prédio pulando já que isso não faria diferença. Eu o segui, usei fogo para não me machucar na queda e continuei correndo atrás dele - Ei! Calma! Desse jeito eu não vou conseguir te alcançar! - Eu gritei, mas continuei indo atrás dele. Ficamos desse jeito por um tempo até que ele virou e entrou em um cemitério, ele parou na frente de uma cova que estava de costas para mim, eu o encarei confuso. O garoto pegou minha mão e me levou até a frente da cova onde eu pude ver uma escritura

 

"1973

Aqui jaz:

Hidetaka Midoriya

que descanse em paz"


Notas Finais


Eu não sei nem o que dizer, só segue a vida pessoal
Bjo sejam felizes ;)


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