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História Interestelar - Capítulo 15


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Notas do Autor


(quem tá vivo sempre aparece não é mesmo?)
♡ capítulo dedicado a: @starbabybear que me deu um surto de criatividade por causa de um tweet ♡
♥ @TKtrash_ também é pra você meu maior fã ♥

LEIAM AS NOTAS FINAIS!

Capítulo 15 - Atlas


— Você não deu para ele?!

Teria ficado mais feliz se Hoseok não tivesse dito aquilo naquele volume. Talvez minha vergonha não tivesse me derrubado com uma avalanche. A sorte que estávamos só nós dois na sala de robótica da Alfa173. Chaerin estava cuidando das Yeri que finalmente tinham terminado todo seu serviço com as pessoas que sofreram com a Travessia enquanto Jason e Trina estavam acordando alguns batedores do hipersono — em menos de duas semanas chegaríamos a Beta871.

Sobre essa última informação: eu tentava não focar muito nela.

Tecnicamente, era para nós dois estarmos fazendo as contas com as repetições das cores dos destroços da highthunder para descobrir as coordenadas das naves dos outros, coisa que Chaerin tinha começado a fazer antes da Travessia. Mas Hoseok achou muito mais contundente me empurrar em uma cadeira e perguntar porque acordou sozinho de ressaca, com uma garrafa de vinho, em meu quarto. Quando ele me perguntou, eu só senti meu rosto ficar quente e tampei meu rosto com as mãos e levou menos de cinco segundos para Hoseok entender tudo:

— Como não pensei nisso antes? Eu sozinho no quarto? Vocês dois sumidos logo que você se deu conta que tudo que mais quer é estar com o chato do TaeTae? FINALMENTE MOLHARAM O BISCOITO!

Hoseok ficou um tempinho preso em sua própria euforia de achar que eu e Taehyung havíamos transado (por que alguém ficaria tão feliz que outra pessoa havia transado?) e eu fiquei momentaneamente me questionando do que se tratava a frase “molhar o biscoito”. Eu jurava que ele ia desatar em me perguntar tudo que havia acontecido após ele ter desmaiado em minha cama, mas ele só virou para mim e perguntou:

— E aí, seu cu está doendo muito?

— QUE — gritei e voltei a sentir meu rosto esquentar — Não! Hoseok hyung, isso não é o tipo de coisa que a gente per…

— Como assim que teu rabo não ‘tá doendo, pelo menos uma dorzinha no cu tem que ter — Hoseok se aproximou de mim erguendo a mão, como se fosse me levantar por si mesmo e ver se minha bunda aparentava estar dolorida. Aproveitei que a cadeira era de rodinhas e me empurrei para longe de si — Não é possível que não esteja dolorido, tudo que sei do Taehyung por fofoca é que o cara fode muit…

Tapei os ouvidos e exclamei, com pouquíssima vontade de ouvir as outras experiências sexuais de Taehyung:

— Lá, lá, lá!

— Jungkookie! Larga de ser bobo e conta pro seu grandíssimo hyung Hoseok: doeu sentar no pau do famoso Kim Taehyung? E eu sei que pode soar nojento já que Taehyung é quase um irmão para mim mas preciso saber o taman-

— Eu sei lá o tamanho do pau dele, hyung! — o interrompi, querendo enfiar minha cabeça num buraco. Adorava Hoseok com todo meu coração mas sua falta de filtro para fazer esse tipo de pergunta me dava vontade de colocar ele no ponto mais distante da nave. — Nem vi o pau dele, como eu saberia?

Hoseok congelou por um instante e pensei por dois segundos que eu tinha dado curto nele.

— Você não deu para ele?!

— Não!

— EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊS NÃO FIZERAM NADA!!!! NADINHA DE NADA? NEM UM MEIA NOVE? — agora parecia que Hoseok estava tendo um acesso de loucura. Saltei da cadeira que eu estava e tampei a boca do meu hyung com uma mão enquanto a outra o segurava.

— Olha aqui, eu sentei no colo dele de cueca e ele também estava de cueca e então a gente ficou… ahn… você sabe — tentei resumir mesmo que a minha vontade era de sair correndo e nunca mais parar. — E foi bom. Muito bom. Sem mais perguntas.

Hoseok tinha os olhos arregalados para mim. Assim que terminei de falar, sua expressão se suavizou e ele lambeu a palma da minha mão que estava contra sua boca. Automaticamente, tirei a minha mão e exclamei:

— HYUNG! Qual é seu problema?

— Você não ia largar minha cara tão cedo — Hoseok me respondeu e deu de ombros enquanto eu limpava sua saliva em minhas calças — Do jeito que você é fresco era óbvio que ia me soltar se eu lambesse sua mão.

— O que custa ser uma pessoa normal e dizer: “Me solta, por favor?”— questionei com as sobrancelhas erguidas.

— Disse o supernormal que tinha todas as chances para sentar no pau mais famoso da galáxia e não sentou — rebateu e eu fechei meus olhos, querendo bater minha cabeça contra parede. Ai hyung… — Você tinha a faca e o queijo na mão, Jungkookie! Todas as chances ao seu favor e mesmo assim: não deu para ele!

Respirei fundo, morrendo de vergonha. Taehyung não estava errado em dizer que as pessoas limitam muito o sexo.... Mas eu não ia conseguir entrar nesse papo com Hoseok nem se eu quisesse. Já fora demais para minha timidez ter feito… aquilo tudo com Taehyung e eu não estava muito a fim de expandir ainda mais meus limites.

— Você fala como se fosse fácil estar sempre… Sabe? — joguei no ar uma coisa que havia passado pela minha cabeça, assim que respirei fundo para não surtar com a falta de escrúpulos de meu hyung.

— Tá falando da chuca em dia, Jungkookie? — fiquei vermelho e isso confirmou minha pergunta mal feita. Na hora que eu estava com Taehyung não estava pensando em nada disso… Até porque… Sabe. Mas agora que Hoseok tinha me posto contra a parede, eu raciocinei. Tinha tempos que eu não fazia aquela limpeza no local onde o Sol não bate e se sabe lá o que Taehyung encontraria se resolvesse ir para lá de uma vez — Meu queridíssimo, eu te ensino como fazer isso com uma garrafa de água cheia e um pouco de soro fisiológico!

Fiz uma careta de imediato.

— Eu já fiz a chuca de jeitos piores, ter minha fase viciado me ensinou algumas coisinhas sobre sexo, bem úteis e…

Jamais fiquei tão feliz de ter tido uma conversa interrompida por uma das Yeri adentrando a sala.

— Atenção: todos os comandantes e subcomandantes de suas respectivas áreas devem se dirigir a sala de reuniões, reunião urgente, reunião urgente! — a Yeri exclamou, logo que abriu a porta da sala de robótica com um tanto de violência. Deveria ser urgente mesmo. Eu e Hoseok trocamos olhares e logo fomos em direção a porta, largando nosso trabalho para trás.

A Yeri saiu em frente, provavelmente indo atrás do resto do grupo que iria para a reunião. Hoseok cutucou meu braço enquanto andávamos a passos largos para a sala de reuniões, que não era exatamente o lugar que tínhamos boas memórias, e disse:

— A nossa conversa ainda não acabou mocinho! Vou te ensinar como fazer uma chuca de qualidade com pouca coisa e também vou te ensinar como fazer o Taehyung liberar também! Não é justo que só você d…

— Hoseok hyung, por céus! — exclamei e abaixei a cabeça, andando bem mais rápido querendo me afastar do meu hyung depravado.

— Jungkookie, eu nem falei das camisinhas ainda!

 

 

A sala de reuniões tinha retornado ao seu formato de quando a vi pela primeira vez: totalmente branca, com uma enorme mesa redonda com várias cadeiras e parecendo uma caixa de sapato. Por um instante, até cheguei a sentir falta de como ela estava gigantesca quando fomos fazer a Travessia, provavelmente, me sentiria menos claustrofóbico. Mas aí, logo lembrei como a Travessia foi sofrida e fiquei: “Uau, que bela sala de reuniões!”.

Por incrível que pareça, todo mundo já estava presente. E quando eu digo todo mundo, era todo mundo mesmo.

Seokjin e Namjoon estavam de volta como hologramas. Acompanhados deles, tinham mais 4 hologramas: duas mulheres, uma de traços que pelo meu palpite eram vietnamitas e outra era negra usando o mesmo penteado que Trina usava, um cara branco igual papel como Jason e o general do quartel de Tóquio.

Sabia quem era ele pois havia o conhecido em uma ocasião, quando ainda estava no quartel. Ele tinha ido visitar o general de Busan em uma reunião militar e quis ver o tal “prodígio de Busan”. Lembro que apertou minha mão e disse que eu deveria me sentir honrado de ser o mais jovem a compor o grupo dos futuros soldados interestelares. Óbvio que eu não fui com a cara dele e ele também não tinha o rosto mais convidativo do universo.

Seokjin cravou os olhos em mim, extremamente irritadiço. Ótimo. Tudo que eu precisava era um Kim me odiando. O encarei de volta com a mesma irritação, me recordando que ele quem me colocou como batedor. Não que tenha sido ruim, no fim das contas, mas eu sabia que ele tinha feito de maldade. Namjoon como sempre parecia tranquilo. E tinha Taehyung.

Assim que meus olhos caíram nele, vi que ele já estava me olhando. Senti meu coração errar um pouco as batidas. Ok, eu sabia que a situação exigia uma seriedade de minha parte só que como que eu mandaria meu corpo não reagir a ele? Em menos de um dia estávamos na simulação do Louvre e nos beijando e… Estar agora de volta a situação de soldado e comandante, me fazia pensar que talvez, estivéssemos em outro universo. Até mesmo naqueles minutos antes de voltarmos para esse universo de outros e frota, aqueles minutos depois de acordar, parecia outra realidade.

Ficamos agarrados logo que acordamos, e permanecemos assim ao menos meia hora, sem nos mexer. Cochichamos nossos quadros e esculturas prediletos no Louvre. Ele beijou todos os meus dedos. Beijei suas pintinhas. Vi seus olhos irem de azul ao caramelo ao castanho. Ele disse que meus olhos pareciam duas pedrinhas de ônix de tão escuros. Acho que foi a primeira vez que não fiquei com vergonha de encarar alguém nos olhos por tanto tempo.

E depois, infelizmente, voltamos para o universo caótico que era nossa realidade.

Enfim, apesar do rosto do Kim mais novo estar igual aos olhos, bem sérios (e profundamente azuis, daquela vez), sua presença me acalmou. Ia tentar usar essa calmaria repentina para surtar menos com Seokjin (era incrível que só de olhar para o Kim mais velho, eu já queria sair no soco).

— Am… Desculpe pelo atraso? — Hoseok falou em meio tom de pergunta, um tanto desorientado de todo mundo já ter chego. Até mesmo as chamadas de hologramas que costumavam demorar mais para se conectarem, de fato, já estavam presentes. Pude ver Trina balançando a cabeça, sem acreditar o quão devagar seu amigo era para determinadas coisas. Senti meu rosto esquentar e logo abaixei minha cabeça.

— Jung, Jeon, sentem-se — pude ouvir Seokjin ordenar. Levantei a cabeça, irritado já de antemão. Troquei olhares com Taehyung e um breve lampejo de castanho transpassou por seus olhos ao se dirigir para mim. Bufei, entendendo seu olhar para eu me acalmar e acabei por me sentar na cadeira vazia que, por coincidencia, era de frente para Namjoon. Ele acenou para mim. Devolvi. — Então, Jeon Jungkook, como é ter acertado em sua previsão catastrófica?

Olhei para o Kim mais velho que estava ao lado direito de Namjoon. Ele me fez a pergunta com uma raiva evidente. Franzi o cenho e tentei não exibir tanta irritação quanto ele:

— Como assim?

— Você acertou garoto — Dante se pronunciou. Não o via desde a Travessia. Parecia bem mais magro e abatido, mas seu sotaque continuava fortíssimo, o que contrastava com sua aparência — Os outros foram mesmo pra a Terra.

Me lembrei como um estalo de tudo que tinha acontecido antes da Travessia. O ataque a 273 parecia ter ocorrido em uma galáxia muito distante — apesar de as minhas memórias recorrentes por causa do trauma —, e a minha ideia de que os outros teriam utilizado o ataque como pretexto para tentar atacar a Terra diretamente nem eu me recordava de ter dito. Quando eu tinha sugerido aquilo no Concílio, eu não acreditava naquilo realmente. Ou melhor, não queria acreditar que fosse acontecer. Só disse para que houvesse uma precaução devida.

Automaticamente, meu rosto se virou para Taehyung, procurando confirmação. Eu nunca quis ter errado tanto algo em toda minha vida.

O comandante não me respondeu diretamente. Apenas clicou na mesa e um holograma da Terra — só que diferente daquele que havia sido mostrado no concílio anterior. Era um holograma em que haviam 6 naves, quase da monstruosidade que a Alfa273, cada uma em um extremo do planeta. Assim como eu havia sugerido.

— Então, logo que todas as capsulas chegaram a Terra, há 3 anos, 6 naves de porte inferior de guerra foram enviadas para a órbita da Terra — Taehyung começou a explicar o que ocorreu na Terra. A sala só continha o barulho de sua voz. Ninguém parecia respirar, como se se dar ao luxo de soltar o carbono em seus pulmões remetia a perder alguma informação — Em questão de menos de 1 ano, ataques em todos os extremos em que colocamos nossas naves se sucederam.

Travei a minha respiração. Não conseguia acreditar que realmente o que eu tinha dito, realmente, chegou a acontecer.

Será que Mingyu tinha ido para uma dessas naves? Será que ele estava bem? Por que ninguém da minha família ou Jimin havia me questionado disso?

Olhei ao meu redor e todos que não fossem os hologramas e Taehyung, pareciam imersos em seus próprios pensamentos. Provavelmente estavam se questionando sobre os seus que estavam na Terra, no mesmo nível de preocupação que eu ou até mesmo pior.

— Até o início desse ano, foi dito a toda população que as naves no espaço eram apenas de precaução e simulações. As batalhas conseguiram ser contidas no espaço e tivemos êxito em não permitir que nenhum destroço de nave ou qualquer coisa que fosse dos outros passasse da termosfera— a moça de tranças parecia entender perfeitamente nossa preocupação e explicou esse detalhe, em um sotaque leve de francês. — Não se teve nenhuma baixa civil até o presente momento.

Pude ouvir a sala soltar ar em conjunto. Perder nossos colegas da frota era péssimo, mas desde o momento que pisamos em nosso quartel de formação, nos é ensinado que é inadmissível perder uma vida civil.

E claro: todos que deixamos na Terra, em grande maioria, eram civis.

Gradualmente, os olhares se voltaram para mim. Olhei para minhas mãos e belisquei uma delas. Queria sentir que eu ainda era eu (meu mais novo tique do pós-Travessia).

“Minha família está bem, minha família está bem, minha família está bem”… Era a única coisa que eu repetia em minha cabeça.

— Então… se o Jeon não tivesse dito aquilo… — Jason começou a dizer. — Ia ter muita gente morta?

— Em certo ponto, conseguiríamos neutralizar a situação caso não tivéssemos sido alertados antes — o general japonês respondeu — Mas sim, a sugestão do subcomandante Jeon fora muito bem-vinda.

— Que nada! Ele salvou gente pra dedéu — Hoseok me defendeu, estava sentado ao lado de Jaebeom, que revirou os olhos com o jeito expansivo do meu hyung. E também porque ele não gostava de mim, porém, isso é detalhe. — ‘To orgulhoso filhote!

— Hoseok, não é hora — Trina o repreendeu de braços cruzados só que tinha um sorrisinho escondidinho no canto da sua boca. Chaerin estava ao meu lado e apertou meu ombro, cochichando que estava orgulhosa também.

Quis sair correndo de vergonha de mais uma vez ser o centro das atenções entre eles.

Ok, eu era o subcomandante da robótica? Era. Também estava treinando para batedor? Estava. Merecia aquilo toda aquela atenção por simplesmente ter usado a lógica? Definitivamente não.

— A gente deveria ter feito um bolão — Jason soltou e Hoseok apontou para ele, entusiasmado e bateu palmas.

— Esse concílio ainda não acabou, soldados — Namjoon disse em um tom bem calmo a fim de interromper a bobeira de Jason e Hoseok (agradeci internamente). Era impressionante como ele era diferente dos irmãos. Seokjin era totalmente irritadiço, Taehyung (de primeira impressão) era frio (depois você entendia que ele era complexo demais para ser tachado assim). E tinha Kim Namjoon. Calmo. Sereno. Como se sempre estivesse encarando o oceano, em paz — Mas deixo claro se tiver um bolão futuramente, aposto todas as fichas em Jungkook.

Arregalei meus olhos para o Kim. Ele piscou para mim. Não era uma piscada de flerte, era daquele tipo de piscada de uma pessoa mais velha que acreditava no mais novo, que tinha lhe passado alguma dica subliminar.

Não que eu tenha pego a mensagem que ele passara, só que foi bom ver que Kim Namjoon acreditava em mim e no meu potencial. E de calha, Seokjin ficou irritadíssimo, para o meu deleite. Ele parecia que ia explodir.

— Se ninguém se machucou, por que estamos aqui? — Jaebeom se pronunciou pela primeira vez, de braços cruzados e como sempre, uma carranca. Ele até seria bonito se não estivesse sempre com cara de quem acabou de discutir e perdeu a discussão. — Claro que é bom ser atualizado do que tem se passado na Terra mas…

— Quanta impaciência — a mulher com sotaque francês falou baixinho. Quis rir. Ela parecia ser boa pessoa.

— Alguns meses atrás, os outros pararam de atacar. Uns 3 meses ou menos— Seokjin pareceu se recuperar de seu piti interno e começou a esclarecer a situação. Chegava até ser estranho ele soar mais sério e profissional, o único contato que eu tinha tido consigo, eu apenas via sua seriedade mesclada com sarcasmo e a sensação de superioridade. — Então, quatro naves de porte pequeno se instalaram em pontos específicos dos quais nossos alcance como naves de guerra de porte inferior, são menores.

— A tensão foi automática — a moça que eu cogitei ser vietnamita se pronunciou. Acertei, seu sotaque era de lá — A primeira nave apareceu em direção ao Vietnã, depois Congo, Alasca e Japão.

Taehyung moveu seus dedos longos na mesa redonda e o holograma se modificou. As quatro naves surgiram nos espaços mais longínquos das nossas, o que já trazia, de fato, uma sensação de alerta. Exposição.

“Por um tempo, elas não fizeram nada. E nada era detectado também. Porém, umas duas semanas atrás, uma quantidade de energia, de forma exorbitante começou a ser exibida em nossos aparelhos. Toda essa energia vindo das naves deles. Temos uma teoria de que é questão de tempo até a que aquelas naves liberem toda essa energia”.

— Quanto tempo?

— Um mês, pelos cálculos — o general respondeu, cruzando os braços. — Mesmo a tecnologia deles sendo muito diferente da nossa, uma nave daquele porte não pode acumular tanta energia sem explodir.

— O que será que vai sair dessas coisinhas?

— Coisa boa que não é.

— E ser for algum… transportador?

— Como assim?

— Eles saíram de perto de nós porque entenderam que não iam chegar a Terra com as nossas naves pairando os céus, sabiam que iriamos pará-los caso ameaçassem um ataque direto…

— Você tá sugerindo que eles vão se teletransportar? Isso é…

— Impossível? As pessoas que vieram antes de nós acreditavam que alienígenas eram apenas bactérias sem pensamento inteligente! Por que um teletransportador não é possível então?

— Hoseok, entenda: já viajamos grande parte desse universo e nunca achamos o planeta deles. Ou seja, provavelmente, é muitoooooooo longe. Pra eles se teletransportarem dessa distância, nada sobreviveria, não no formato original pelo menos. — Chaerin explicou.

A discussão seguiu fervorosa. Todos dando pitaco sobre o que seriam aquelas coisas cheias de energia. Os únicos em silêncio eram eu, Taehyung, o general japonês e… Trina (por incrível que pareça, não estava brigando com Jason, só encarava o holograma do planeta intensamente).

— Esperem aí — a voz de Trina se destacou entre o amontoado de zumbidos das hipóteses daqueles soldados. — Congo… Vietnã… Alasca… Japão… Esses lugares, eles tem uma coisa em comum.

Franzi as sobrancelhas.

— São os países em que a maioria das bases focam em estudar os androides quebrados — Hoseok disse após o comentário de Trina. — Então não é teletransporte…

— Eles vão fazer uso de ímãs de novo — falei, olhando para o holograma e observando a Terra de mentirinha girar e aquelas pequenas naves seguindo o movimento, nunca saindo de sua posição original.

— Os outros vão fazer um exército de androides mortos-vivos?! — Jason exclamou e percebi que ele não tinha a menor noção que sua voz estava muito mais grave que quando era 3 anos mais novo (parecia que ele estava falando pra milhares de pessoas o ouvirem sem microfone).

Um breve silêncio se instalou pela sala, como se todo mundo raciocinasse se aquilo poderia, de fato, acontecer. Olhei para Taehyung. Apesar da expressão fechada, eu via na cor de seus olhos (castanhos, dessa vez), que ele estava preocupado.

E eu também. Aquelas pequenas naves não tinham um porte grande o suficiente para transportarem os outros de seja lá qual parte do universo estão para Terra tão rápido, já um ímã e controlar os robôs de longe…

— Esses desgraçados não já pegaram muito da gente? — Dante resmungou irritado. — Por que mais ataques?

— Quando se está na posição de dominância e opressão, usufruir do oprimido nunca é demais — o sotaque francês da moça congolesa fez a frase soar mais devastadora. Eramos os oprimidos ali. A humanidade em toda sua potência foi subjugada por uma outra sociedade que nem fomos capazes de conhecer os rostos.

— Enfim — Hoseok bateu as duas mãos e olhou para os lados como se procurasse sugestões — O que a gente faz agora? Eu to cagado de medo e com zero ideias.

— Generais, avisem suas respectivas bases e peçam exames imediatamente para confirmar se as naves realmente são ímãs — Namjoon ordenou para os hologramas ao seu lado. Todos acenaram em confirmação — Estão dispensados.

Os quatro hologramas sumiram numa rapidez gigantesca. Namjoon se virou para nós e disse:

— Em alguns minutos, eles nos confirmarão se são ou não ímãs mas até lá… Jeon Jungkook, tem ideias do que fazer caso realmente sejam?

Inferno.

Eu me sentia de volta a escola primária onde o professor me escolhia e todos viravam seus olhos infantis para mim. Só que era 10 vezes pior porque eram vários soldados com muito mais tempo de experiência que eu que facilmente me encheriam de porrada.

Obrigado, Kim Namjoon.

— Ah… — comecei, sem querer realmente começar a dizer algo. Jaebeom me encarava na mesma intensidade de irritação que Seokjin. Divertido. — Podemos…

— Não tinham uns uniformes boladíssimos que deixavam a gente conectar nossa mente lá na Terra? — Jason me interrompeu e deu essa sugestão. Percebi pela visão periférica que Hoseok começou a gesticular ao meu lado, provavelmente algo pra Jason e era algo que ele não poderia falar em voz alta.

Não demorou muito pra eu compreender.

— Uniformes…? O Atlas? — virei pra Hoseok e perguntei num tom acusatório e depois voltei o olhar para os Kim.

No quartel, tinham sempre aulas de todos os tipos para se sobreviver numa guerra e auxiliar na vitória dela. Dentre elas, haviam as aulas de robótica. Nessas aulas que eu aprendi tudo que sei hoje em dia e era onde eu mais me divertia. Eu gostava de inventar coisas. Uma das coisas que criei com Mingyu e Yugyeom foi o Atlas, uniformes de realidade compartilhada. Você vestia o uniforme e sua mente estaria conectada a de um dos nossos robôs de guerra.

O professor tinha adorado a ideia e incentivou que nós dessemos mais empenho no projeto. Trabalhamos por semanas. Procuramos veteranos experientes em robótica para nos ajudar a construir. Chegamos até a fazer um protótipo do uniforme e ficamos extremamente orgulhosos. E cheios de esperança, porque quando você apresenta um projeto bom o suficiente o quartel te recompensa com férias e dinheiro para suas famílias. Eu como o garoto de 16 anos que eu era, estava ansioso por férias, passar mais tempo com minha família e com meu namorado. Já Mingyu e Yugyeom precisavam do dinheiro mais que eu para ajudar suas famílias.

O quartel pegou o Atlas e nunca mais devolveu e falou mais nada. Quando fomos atrás para saber o que havia acontecido, o professor disse que nosso trabalho não foi aprovado e que deveríamos desistir de robótica. Pode parecer que estou inventando, mas foi exatamente isso que o professor disse.

Yugyeom desistiu completamente da robótica e disse que só focaria em coisas práticas de fato e que ajudariam financeiramente sua família. Mingyu até que continuou na facção robótica, indo para a área de pilotagem e obviamente que teria de aprender sobre montar e desmontar as naves.

Eu fui o único que persistiu na robótica. Porque eu, logo que ouvi o professor dizendo para desistirmos, não acreditei. Não acreditei e também, mal ouvi seus argumentos para tal. Senti em algum lugar em mim que aquilo não era verdade e, tinham de alguma forma se apoderado da nossa ideia.

Sempre tive essa impressão. Resolvi guardar para mim. Não queria que Yugyeom e Mingyu ficassem com essa pulga atrás da orelha e se irritassem mais pelo ocorrido. Óbvio que eles me questionaram de eu continuar na robótica e eu só disse que queria continuar e tentar inventar mais coisas.

Mas o que mais me prendeu ali foi a curiosidade de descobrir se minha indagação estava correta.

E estava. A frota interestelar havia roubado o meu primeiro trabalho no quartel. Além de roubar minha adolescência, juventude, ainda roubaram um trabalho de minha autoria e de meus amigos.

Encarei Taehyung, mais uma vez o questionando em silêncio. Dessa vez era uma pergunta raivosa, triste e machucada.

Todo projeto que, de fato, causa interesse e é usado pela frota, passa pela mão dos Kim. Ou seja, ele sabia do Atlas.

Taehyung mexeu seus lábios um: “Me desculpe”.

Abaixei meu olhar e fechei meu rosto numa expressão que provavelmente era aborrecida. Se falaram comigo depois disso, eu não ouvi. Entrei numa espiral de ressentimento e imaginar como tudo poderia ter sido diferente. Nem todo mundo da robótica necessariamente vai servir no espaço. Yugyeom poderia estar vivo. Na Terra. Inventando coisas e sustentando a família. Ele e Mingyu poderiam ter ficado juntos, afinal, passariam muito mais tempo na companhia um do outro se estivessem na mesma função. Com as férias, eu poderia ter passado muito mais tempo em casa. Teria mais momentos em família, tido um mês de adolescência...

Só sai desse ciclo de hipóteses de memórias que nunca vão existir quando percebi que eles realmente estavam debatendo sobre usar o Atlas. Na verdade, estavam falando de quais grupos da frota que seriam interessantes de usarem os uniformes. Pelo visto, os generais já tinham confirmado que aquelas coisas realmente eram ímãs. Ímãs quase como tivessem congelados.

Qual era da obsessão dos outros com Ímãs?

— Claro que os batedores vão ser o grupo majoritário usando os uniformes — Trina disse sucinta — Eu treino eles para isso!

— Tá, mas nem todos os batedores vão poder ir, não é todo mundo que consegue usar aqueles uniformes — Jaebeom disse com um leve tom de desinteresse. — São uniformes estranhos aliás.

— Exige muito esforço mental usar aquelas coisas — Jason disse, parecendo levemente arrependido de ter se lembrado da existência do Atlas. Ele me olhava preocupado de vez em quando.

— É preciso avisar os países que provavelmente vão sofrer os ataques de que se deve organizar os robôs de guerra para que possamos usar o Atlas — Namjoon disse e vi Taehyung soslaio escrever rapidamente em algum teclado. — E…

— Eu vou — falei pela primeira vez em algum tempo e pouco me importei de interromper Kim Namjoon. Todos se viraram para mim novamente. Não me importei com os olhares.

— Você é da robótica, é mais necessário aqui para qualquer problema fora dos uniformes do que usando eles — Taehyung disse naquela voz de comandante. Pela primeira vez em muito tempo, eu não sentia absolutamente nada com a voz além de um ressentimento gigantesco. Eu estava muito chateado mesmo.

— Também sou batedor — rebati e o encarei desafiador. Os olhos de Taehyung pareciam uma chuva de relâmpagos azuis. Faiscando, irritados comigo. Pouco me importava. Eu ia usar aquele uniforme que eu havia criado com meus amigos. Era meu direito. — E sou bom no que faço. Eu vou usar o Atlas.

Antes que Taehyung viesse com outro argumento em tom de ordem, Seokjin cortou nossa guerra de olhares e breves palavras, dizendo:

— Irmão, deixe o garoto lutar… Quem está correndo risco de morrer é ele, não você.

— Os uniformes matam as pessoas? Nem me lembrava disso! — Dante exclamou, parecendo estupefato.

— Assim que se coloca o uniforme, um laço mental é feito entre seu cérebro e a máquina. Se você levar um soco, mesmo estando num corpo de robô, vai sentir o soco. Se levar um tiro… — Hoseok nem precisou terminar para que entendêssemos o raciocínio.

Era uma das nossas preocupações enquanto desenvolvíamos o projeto. Talvez se tivessem nos deixado os créditos e logo, permitido que aprimorássemos o Atlas, isso não seria um risco.

— Por mim, Jeon vai — Trina deu de ombros e pude sentir Hoseok julgando ela violentamente com o olhar — Ele é bom batedor e pensa rápido. Vai ser útil lá.

— Isso se a mente dele se conectar mesmo ao robô — Namjoon disse, naquele mesmo tom de paz interior de sempre. — Não é todo mundo que consegue ficar muito tempo usando o Atlas.

Mesmo que Namjoon estivesse falando, me virei para Taehyung. Rosto ilegível como sempre. Mas os olhos violentamente azuis. Estava irritado. Mas eu via ali naquele olhar intenso que me encarava, uma pitada de medo.

Estava com medo por mim. Porque sabia que eu me colocaria em risco e ele não poderia me salvar, talvez nem iria na batalha quando ela acontecesse em alguma hora naquelas 3 semanas em que aqueles ímãs fossem começar a funcionar. Os Kim, quando juntos, devem comandar de longe. Fizeram isso em várias batalhas que aconteceram na Terra e eles estavam em alguma das naves, buscando crianças.

Ele estava com medo porque não estaria lá para me salvar.

Mas eu não queria ser salvo.

Aqueles minutos no quarto do comandante depois de acordar pareciam, definitivamente, ser de outra realidade. Começou a virar uma memória distante.

Uma pontada de dor me transpassou. Parece que sempre vai ter alguma coisa a separar eu e Taehyung. Comandante e soldado. Namoro. Um ressentimento...

— Eu vou conseguir — falei firmemente, sem uma sombra de dúvida em minha voz. Olhei para Taehyung na mesma intensidade em que ele me olhava. Eu queria que ele entendesse que eu estava com raiva. E que eu iria naquela batalha mesmo que ele me ordenasse a não ir. — Eu quem o criei.

 


Notas Finais


COMENTEM O QUE ACHARAM (quem ainda lê a fic ne porque meu deus não atualiza nunca)

INFORMAÇÃO IMPORTANTE:
— Atlas é um titã da mitologia grega que foi condenado por Zeus a carregar os céus para sempre. O uniforme se chama Atlas por carregar a conexão entre quem o usa e o robô, uma conexão que ultrapassa a segurança do titã dos céus da Terra.
É isso espero que tenham entendido aaaaaaaaaaaaaaa
agora, oi gente!
6 meses sem atualizações dessa fanfic que acho que já tem 4 anos de vida. acho que nesse ritmo vou terminar a fanfic em 10 anos. vocês não vão aguentar até lá né? qualquer coisa, eu conto a história toda pra vocês. se demorar demais. isso SE acontecer.
pra quem leu as notas do capítulo passado: estou melhorando do braço. é um problema de má posição da coluna. já estou tratando e sentindo que está progredindo. obrigada a todos que mandaram seus votos de melhoras.
tenho que confessar que estou me sentindo meio velha para escrever fanfic sobre gays no espaço. mas eu fico feliz quando acabo um capítulo, mesmo que tenha só 5k como esse. e acho que vocês ficam felizes também.

não tem previsão de capítulo novo, mas vocês sabem. eu sempre volto.

meu twitter para surtos, amizades, falar de BBB e etc: @BATHOFVENUS
amo vocês, se cuidem!


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