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História Laços - Capítulo 11


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Notas do Autor


Oi pessoal tudo bem? Achei que não conseguiria, mas consegui, capítulo hoje por que é aniversário do Harry. <3
Espero que gostem.

Capítulo 11 - Capítulo 10


    Escrever a carta para seu padrinho havia sido uma das coisas mais difíceis que fizera, não por que de alguma forma sentia certo bloqueio emocional, mas sim, pois não queria contar exatamente o que estava acontecendo. Não queria mais problemas com os tios, gostaria apenas de esquecer eles quando fosse viver com Sírius então preferia que ele não soubesse sobre o incidente com a varinha. Tinha ciência de que Lupin suspeitaria da carta, ele era inteligente demais para não notar que havia algo errado com uma carta tão repentina e direta, mas poderia inventar algo quando estivesse ao lado deles em segurança, uma vez que havia optado por apenas pedir para ir vê-los sem maiores explicações.

    Uma vez que sua coruja havia saído pela janela sabia que ou receberia uma resposta de Lupin em breve ou que Sírius aparecia logo frente a casa quase arrebentando a porta em algumas horas, dependendo de qual abrisse a carta. Gostava da energia positiva que ele passava e sentia que precisava disso desesperadamente. Já havia decidido que não falaria com Malfoy ou que sairia para fora da casa, havia fechado a janela de seu quarto permanentemente, de forma que sequer conseguia ver mais o quintal e assim não saberia se ele estava lá, ou se lhe olhava pela janela. Chegou a ligar o feitiço de espionagem algumas vezes, mas sem escutar nada e então presumiu que havia sido descoberto.

    Infelizmente, a resposta de Sírius demorou mais do que esperava para chegar, já era noite quando aconteceu, e não lhe deixou muito feliz. Apesar da animação em lhe receber, o padrinho estava em uma viagem de negócios e Lupin estava lhe acompanhando, tornando complicada sua mudança imediata. Mas a carta vinha com a promessa de que logo que chegassem iriam lhe buscar, e que isso aconteceria antes de seu aniversário.

    Apesar de tudo, era animador saber que tinha para onde correr e agora apenas ansiava para rever o padrinho. Sabia que se tivesse explicado a situação provavelmente Sírius trataria de aparecer o mais rápido possível naquela casa, entretanto, certamente, ele causaria um alvoroço grande sobre aquelas situação. Talvez devesse realmente ter dito, afinal, sua vida estava em perigo e sequer tinha uma varinha para se defender como antes, mas sempre que pensava sentia o peito doer.

    Não queria acreditar que depois de tudo Draco ainda conseguia seguir as mesmas ideias e que ainda pretendia lhe matar, mas era o que havia entendido. Talvez nem todas as pessoas merecessem uma segunda chance e Dumbledore estivesse errado e isso doía muito. Doía pensar que chegou tão perto de acreditar que tudo poderia ficar bem e que não precisavam se odiar. Havia aprendido a gostar de estar com Draco, dos momentos em que ele parecia implicar com cada palavra que dizia, ou a forma que ele parecia irritado toda vez que não entendia ou não conseguia fazer algo trouxa, mas mesmo assim tentava. Chegou a perceber certa doçura em Draco, na noite anterior quando ficou preso fora de casa e foi acolhido pelo loiro pensara que ele parecia corresponder a confiança que havia depositado nele… Mas agora tinha certeza que não passava de mentira.

    De certa forma se sentia envergonhado por ter sido enganado tão facilmente, por ter abaixado a guarda e por ter começado realmente a gostar de estar com Draco. Ainda era confuso entender a dor que sentia no peito ao pensar nisso e não queria admitir para ninguém, nem mesmo os amigos. Ter que admitir para si mesmo que estava se pondo em risco apenas porque não tinha coragem de entregar o loiro já era difícil demais e não precisava de mais carga mental que isso. Sabia que era burrice esperar para agir, mas ainda sim não era capaz de fazer.

    Subiu para o quarto naquela noite ainda cedo demais para dormir, apesar de ter acordado com o raiar do sol graças a Malfoy não se sentia cansado e sim ansioso. A situação estava propícia para que uma de suas crises fortes lhe apanhasse em meio a madrugada, gostaria de ter uma poção do sono naquele momento, mas em sua falta se contentou em tomar um dos remédios trouxas que sua tia tinha para curar resfriados e alergias acabando por dormir pelos efeitos colaterais de sonolência que davam.

    Apesar de ter dormido por toda a noite, quando acordou Harry ainda se sentia pesado e cansado, internamente desejava que o dia anterior não passasse de um pesadelo. Infelizmente era impossível se enganar uma vez que ainda tinha a carta do padrinho para lhe provar que tudo havia acontecido, sua única tranquilidade era saber que ao menos não precisaria se preocupar com os tios e o primo, pois haviam aproveitado uma folga de Valter para sair e apenas voltariam pela noite.

    Permitiu-se ao luxo de descer para a sala e ligar a TV em um programa infantil aleatório enquanto tomava um desjejum tardio, pelo horário. Seu único incômodo fora a ligação da tia que aos gritos avisou que uma amiga dela deixaria algum tipo de forma na casa e que deveria atender a porta dos fundos quando ela batesse, já que não possuía chave da porta da frente. Tentando evitar problemas, apenas concordou antes de desligar e voltar para seu lugar no sofá. Enquanto estava sentado, após arrumar as vasilhas que sujou, ouviu algumas batidas na porta e pensando ser a amiga da tia não se preocupou em verificar apenas abrindo a porta e se surpreendendo ao ver Draco Malfoy a sua frente parado.

    O loiro permaneceu estático por alguns segundos apenas olhando para o moreno, não estava incerto ou algo do tipo, na verdade havia pensado muito sobre o que faria. Sabia que se Potter relatasse o acontecido ao ministério teria problemas,  mas esta, de longe, não era a razão pela qual estava ali parado frente a porta.

    Desde o dia anterior, quando o grifinório saíra de sua casa em pura fúria sentiu-se tanto quanto miserável. Ainda não entendia os sentimentos que Potter lhe causava, mas sabia que por alguma razão ele havia se tornado importante, e saber que ele lhe odiava daquela forma era doloroso demais. Não ousou contar para a mãe o motivo de se sentir tão mal, mas no fundo sabia que ela tinha uma ideia, afinal, seria impossível não ter escutado a forma com que Harry saiu da casa naquele dia.

    --- Você poderia me escutar? --- Perguntou sem desviar o olhar do moreno vendo a feição de surpresa se fechar em pura raiva depois de alguns segundos.

    No fundo Draco entendia o moreno, em especial a forma com que ele olhava com raiva para si naquele momento, mas já havia tomado sua decisão e por mais difícil que fosse o que tinha a dizer, ele faria. Por isso quando viu a porta começar a se fechar segurou com uma das mãos impedindo da melhor forma que pode e apontou a varinha para o próprio rosto.

--- Veritatemdicere. --- Sim, podia ser burrice jogar um feitiço que lhe obrigaria a dizer a verdade, mas já havia pensado bastante para concluir que era a única forma. --- Potter pode ao menos me escutar? Não é uma armadilha ou algo assim, sabe que não posso mentir agora, por favor.

Era estranho estar tão vulnerável, o feitiço da verdade não permitiria que mentisse e isso tornava tudo mais assustador, haviam verdades sobre si que não queria compartilhar. Entretanto já havia engolido o próprio orgulho para estar ali e não colocaria tudo a perder novamente. Ainda que fosse olhado com desconfiança viu Harry sair pela porta, lhe obrigando a recuar alguns passos, e a fechando atrás de si sem dizer nada.

Podia sentir um arrepio em sua espinha, mas mesmo assim o sonserino se manteve firme da melhor forma que pode. Ainda tinha a varinha em mãos e a apertava entre os dedos fazendo com que ficassem ainda mais pálidos.

    --- E-eu… --- O olhar desconfiado do moreno fazia com que sua voz falhasse com mais facilidade e embora fosse um bom oclumente não tinha intenção de mentir ou ocultar qualquer informação. Pela primeira vez se permitiria ser completamente sincero.  --- Eu tenho que te explicar sobre o que leu, apenas me escute, por favor, sabe que não vou mentir.

    O grifinório ainda olhava para o outro desconfiado, mas essa seria a melhor forma de entender o que estava acontecendo. Quando ficou sabendo que os Malfoys estavam morando ao seu lado tinha pensando que tudo era um truque e se dispondo a descobrir qual era, agora tinha uma ideia em sua mente sobre o que poderia ser e podia ao menos se certificar que descobriria algo mais.

    --- Estou esperando Malfoy. --- Cruzou os braços frente ao corpo lançando um olhar desafiador ao outro. Agora que estava novamente frente a ele sentia certa raiva em seu peito, ter descoberto aquela carta havia sido como ser traído. Era capaz de entender tudo que Malfoy fez durante os anos de Hogwarts, mas entrava em sua cabeça como ele ainda era capaz de escolher o mesmo lado que antes, mesmo depois de tudo.

--- Se viu a carta viu aquele símbolo no pergaminho, é o símbolo da teia de Wyrd, basicamente quer dizer que nenhuma ação sai sem consequências… É bem simbólico para minha família, já que temos origens nórdicas. --- Era tanta coisa a explicar daquela carta que sequer conseguia pensar em como deveria continuar. Haviam muitas simbologias ocultas, as quais apenas as famílias sangue-puro conheciam, assim como os códigos usados para disfarçar os planos que faziam internamente em reuniões. Isso além das ideologias que eram escondidas até mesmo dos aliados mais fiéis. Não tinha certeza se Harry poderia entender, mas tinha que ao menos tentar. --- Então já pode imaginar quem foi que mandou, apesar de não estar assinada…

--- Seu pai? --- Harry respondeu sem entender o que tudo aquilo queria dizer, não passavam de palavras floreadas e voltas sem explicações. --- Onde quer chegar Malfoy?

--- Sim… Ele está em Azkaban agora, mas deve ter conseguido me mandar essa carta de alguma forma. --- Draco sabia que os outros comensais, pelo menos os foragidos, não sabiam sobre aquilo, algo tão minimamente criptografado levantaria suspeitas demais para ser entregue. --- Eu não cheguei a ler a carta Potter, pelo menos não até que você lesse, mas mesmo assim eu já imaginava o conteúdo… Minha família tem segredos que você nunca imaginaria.

Harry franziu o cenho ainda sem entender as conexões sobre o que aquelas frases diziam respeito, conseguia ver certo desespero nas feições do loiro enquanto ele falava. Não tinha certeza sobre como deveria se sentir em relação a isso. Sabia que devido ao feitiço era impossível que Malfoy estivesse contando alguma mentira, os melhores oclumentes conseguiam ocultar informações sem explicar realmente o que estava acontecendo, mas isso levava anos de prática e Malfoy não estava lhe ocultando nada ao que parecia.

--- Não está ajudando Malfoy. --- Ainda possuía uma feição dura, duvidava que qualquer coisa que ele falasse amenizasse a situação. 

--- A carta não era sobre você Potter!--- O sonserino sabia que era algo complicado tanto de explicar quanto de entender e teria que resumir tudo de uma forma que alguém que nunca fez parte das discussões que fora ensinado a vida toda entendesse, e ainda por cima a pessoa que teria todos os motivos para desconfiar de si. --- Ele não quer que eu te mate, na verdade ele fazia questão de me lembrar a todo momento que sou fraco demais para isso enquanto ainda estava livre... 

Harry mal conseguiu segurar a expressão de surpresa, podia perceber a voz do loiro embargada a medida que ele falava, embora fosse inacreditável, sabia que seria verdade, afinal naquele momento Draco não podia mentir. Mas ainda sim tudo parecia inacreditável, não fazia sentido que aquilo não fosse sobre si já que havia matado Voldemort e os comensais buscavam vingança pela morte do mestre.

--- Harry, a pessoa que querem que eu mate é minha mãe. --- Draco sentiu como se todo o ar tivesse sumido de seus pulmões ao mesmo tempo sentia os olhos arderem enquanto tentava ao máximo segurar as lágrimas. Tinha sorte que Narcisa não estava em casa para participar de algum tipo de entrevista no ministério, caso contrário todo esforço que fizera para esconder dela seria em vão. --- Ela… Ela é o elo podre. Depois que Voldemort morreu foi oferecido um acordo e ela faria qualquer coisa para me proteger, inclusive entregar meu pai para ser preso em Azkaban e entregar todos os outros comensais, incluindo a própria irmã.

Se sentiu obrigado a pausar por alguns segundos com a visão cada vez mais embaçada e a garganta ardendo, por tentar manter a voz o mais normal o possível. Não estava sendo uma tarefa fácil se abrir daquela forma, era doloroso tanto ao seu orgulho quanto por ter que escavar sentimentos que guardara tão fundo que havia esquecido que existiam. Não gostava de se lembrar que o pai estava preso, não gostava de se lembrar que era sua culpa e muito menos não gostava de se lembrar que se sentia aliviado de não ver mais Lucius Malfoy todos os dias.

--- Ele quer que eu a mate para provar que sou leal. Lucius sempre disse que os elos fracos da família devem ser retirados, por isso estamos aqui Harry. --- Nesse ponto Draco mal conseguia parar de chorar, não ligando para o quanto isso era condenável. O feitiço tornava os sentimentos mais transparentes tornando impossível que se enganasse também. --- Os comensais foragidos estão nos caçando, somos traidores para eles e Lucius acha que se eu matar minha mãe isso pode restaurar certo status para o nome da família, mas… --- Sentia as mãos tremendo assim como todo o corpo tornando cada vez mais difícil manter a respiração. --- Eu não posso fazer isso, eu não consigo… E-eu não quero ser como eles, eu não posso ser assim...

Finalmente cedendo completamente o loiro apenas permitiu que a voz sumisse se entregando ao choro, colocou as mãos sobre o rosto enquanto sentia um soluço preso em sua garganta. Nunca havia pensado nas coisas com tanta intensidade, agora sentia-se transbordar e era parcialmente culpa do feitiço que havia usado. Nunca havia usado tanta sinceridade nem mesmo com seu grupo de amigos mais próximos.

Desde que completara seus quinze sentia seu mundo desmoronar a cada ano, quando seu pai foi preso a primeira vez sentiu-se sem chão, o peso do mundo parecia estar sobre seus ombros naquele momento. Quando ele voltou as coisas não haviam melhorado, a família havia perdido prestígio com o Lorde das Trevas e seu pai, por mais que tentasse, não conseguia sair daquela condição. Voldemort passou a morar em sua casa, o quarto que ele ocupava era perto demais do seu, era assustador. Mesmo que não participasse de todas as reuniões ainda conseguia ouvir os gritos pelos corredores da mansão, aquele lugar que deveria ser sua casa estava se tornando qualquer outra coisa. Sequer conseguia mais ver graça nos jardins, sempre que ia lá acabava encontrando algum comensal ou sendo questionado sobre o por que estava andando naquele lugar como se aquela não fosse sua casa.

Tudo apenas piorou quando a missão foi lhe dada, deveria matar Dumbledore. Se lembrava de ver a mãe chorando quando ficou sabendo enquanto o pai lhe parabenizava pela honra que havia adquirido sendo o comensal mais novo a ter a marca negra. Aquela fora a primeira vez que sentiu realmente raiva do pai, tudo que ele dizia soava mais como uma ameaça do que como felicitações. Aquelas férias se passaram de forma estranha, se lembrava de não dormir direito pelo resto de toda as férias, a marca negra doía, e ainda tinha que planejar muito bem o que deveria fazer quando voltasse a Hogwarts.

Dias antes de voltar para Hogwarts recebeu a visita de Snape, ele tinha uma feição preocupada que nunca havia visto antes, ele falou consigo em privado, dando a entender que lhe ajudaria. Naquele momento apenas disse que não precisaria de ajuda, embora no fundo estivesse agradecido. Sabia que poderia contar com o professor, desde sua infância se lembrava dele lhe fazendo companhia em momentos difíceis, como nas brigas intermináveis que os pais tinham ou quando era castigado por algum mal comportamento. Agora era estranho pensar que na verdade ele era um agente duplo a serviço de Dumbledore, mas ainda sim não conseguia duvidar das boas intenções dele consigo. Ainda depois da guerra ele fora muito gentil, a forma dele, e se mostrou preocupado, chegando a lhe enviar poções do sono com certa frequência por saber sobre seus problemas para dormir.

Tudo que fora criado para acreditar estava se provando uma mentira, se sentia usado por todas aquelas ideologias e agora que não tinha mais valor, apenas podia ser descartado em nome da causa. Afinal, não era especial, nunca tinha feito nada de grande ou que os pais pudessem se orgulhar, e mesmo quando se via obrigado a fazer algo que eles pensavam ser bom não conseguira, acabou recuando mesmo sabendo as consequências daquele ato. Sabia que era incapaz de matar alguém, não gostava dos métodos violentos que o pai lidava com as coisas e não queria ser como ele, mesmo que isso fosse lhe tornar fraco aos olhos dos que conhecia.

Sempre se sentiu rejeitado de alguma forma, nunca fora o filho perfeito, nunca recebera as melhores notas e ainda conseguia se sentir patético em qualquer coisa que chegou a pensar que era bom. Sabia que não pertencia ao mesmo mundo que os pais, mas se não era aquele seu lugar qual seria? Não sabia a resposta. Por isso não fez menção em afastar o moreno quando ele se aproximou passando os braços ao seu redor

--- Draco me perdoa. --- Harry podia sentir a respiração pesada do loiro e as palpitações aceleradas de seu coração. Nunca havia o visto daquela forma, era uma angústia diferente, como se sentisse alguma dor intermitente. --- Eu não imaginava… Eu sequer te dei a oportunidade de se explicar.

O grifinório sentiu o coração apertar dentro do peito em arrependimento, não tinha ideia do que Draco havia passado, mas ainda sim sentiu-se no direito de julgá-lo antes mesmo de receber uma explicação. Não conseguia sequer imaginar como estava sendo para o sonserino lidar com tudo aquilo. Harry apertou Draco em seus braços sentindo o loiro tremer e aconchegar a cabeça em seu ombro, era quase como se pudesse sentir a angústia presente em Draco. Sabia que grande parte daquela sinceridade era apenas efeito do feitiço, assim como a forma que os sentimentos pareciam explodir no peito do loiro.

Pegou a varinha das mão de Draco, que não mostrou resistência em ceder, e apontou para o loiro desfazendo o feitiço com um “finite encantare”. Aos poucos percebeu Malfoy relaxar, com os tremores parando e mal podia ouvir ele chorar, mesmo assim demorou algum tempo até sentir Draco afastar seu corpo com um empurrão leve, quando foi capaz de ver o rosto do loiro novamente podia-se perceber os rastros do choro. Ele tinha os olhos vermelhos e levemente inchados e o rosto amassado com um marca na bochecha, que provavelmente foi causada por sua blusa.

--- Eu sei que não tem motivos para confiar em mim, não precisa se desculpar. --- A voz de Draco já parecia mais balanceada naquele momento chegando a deixar Harry impressionado como a forma que ele havia se recuperado.

--- Sua varinha… --- Harry disse devolvendo a varinha ao loiro, não conseguia sequer o olhar nos olhos, sentia vergonha de sua reação e da forma com que tirara todas as conclusões. Agora as coisas faziam sentido e não duvidava de nenhuma palavra, as peças se encaixavam e finalmente tinha a impressão de poder ver o quebra-cabeça montado.

Não sabia se deveria dizer algo ou como agir agora, antes de tudo aquilo podia dizer que estava se dando bem com Draco. Havia conseguido construir algo, que não sabia ao certo o que era, mas era bom. Mas agora havia estragado tudo. Queria pedir desculpas mais uma vez, entretanto sabia que não mudaria nada, havia sido cruel com Draco apenas porque tinha uma imagem dele e não fora capaz de se desvincular dela, mesmo tendo se prometido que o ajudaria.

O silêncio que seguia era doloroso para ambos os garotos, nenhum se sentia no direito de falar com o outro, permaneciam apenas imersos em seus pensamentos se culpando por motivos diferentes. Draco se culpava por tudo que fizera, desde os anos em que passara cúmplice de sua família até o dia em que ouvira os gritos furiosos de Potter por causa da carta. Se sentia mal em saber que apesar de tudo que fizera o grifinório fora tão gentil e agora apenas podia pensar que era tão ruim quanto os outros falavam. Havia agido como um idiota desde o primeiro dia que o vira e não poderia esperar que essa parte de sua vida fosse apenas apagada.

--- Eu entendo que não me quer por perto. --- Draco finalmente quebrou o silêncio entre os dois e apertou a varinha entre seus dedos enquanto se afastava.

Harry sentia certa urgência em chamar o loiro, não queria que as coisas ficassem daquele jeito, não queria ter aquela sensação de que estragara tudo. Seu corpo estava congelado no mesmo lugar e não foi capaz de sair nem mesmo quando viu o hesitar antes de abrir a porta e entrar dentro da própria casa. Sabia que tinha que concertar isso apenas não tinha ideia de como fazer. No fim havia novamente errado seu julgamento por Draco, como sempre fazia.

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado, como sempre o feedback é sempre bem vindo.
Vou tentar atualizar o mais rápido possível. <3


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