1. Spirit Fanfics >
  2. Maçã Dourada >
  3. Erros e Acertos

História Maçã Dourada - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, meus amores! Atrasou mas chegou!

Desculpem pelo atraso do capítulo, é que ocorreram alguns problemas que ocasionou nisso. Foi revisado por mim e o fiz só uma vez, portanto, peço que desconsiderem qualquer possível erro que encontrem.

Além disso, preciso dar um aviso. Ultimamente estou passando por um bloqueio mental dos grandes, além de ter alguns problemas pessoais que têm me incomodado, por conta disso, não vou mais postar com tanta frequência como tenho feito, toda semana. Infelizmente, não sei exatamente de quanto em quanto tempo irei postar, mas fiquem tranquilos, pois não pretendo abandonar a fic. Espero que compreendam.

Dado o aviso, lhes desejo agora uma boa leitura!

Capítulo 5 - Erros e Acertos


Kanon e sua mãe se encaravam em silêncio por alguns segundos. Ele não sabia o que dizer, nem como reagir. Havia tantas coisas que queria dizer para que ela pudesse ouvir, mas nada saía de seus lábios.

— Filho. — Ela quebrou o silêncio fazendo-o voltar de imediato à realidade.

— Filho?! Que ousadia aparecer na minha frente justo hoje! O que você quer? — Perguntou ríspido.

— É assim que fala com a sua mãe depois de tanto tempo sem vê-la?

— Não, minha mãe está desaparecida! Fala logo o que você quer!

— Está bem, filho. Eu direi. Sabe que a mamãe precisa sobreviver. Precisa desta vida. Sabe disso, não? Meu amor... — Ela se aproximou ainda mais tocando carinhosamente o braço de Kanon e quase o puxando para um abraço. — Sei que está trabalhando agora, tenho orgulho disso... Então eu pensei...

O loiro se afastou bruscamente e na maior velocidade que conseguiu. Ela não tinha noção de quanto aquilo conseguia o machucar, ainda que fingisse muito bem. A loira o encarava sem nenhuma surpresa no rosto, poderia ser considerada uma mulher muito bonita se fosse há um bom tempo atrás.

— Que cara de pau. Veio até aqui só pra me pedir grana pra comprar suas porcarias?!

— Kanon... — Ela se aproximou.

— Não me toque! Eu não vou alimentar esse seu vício! Espero realmente que você se torne uma pessoa melhor, embora eu já saiba que isso é impossível. Me dá licença "mãe", mas eu estou atrasado.

— Atrasado?

— É, eu tenho um encontro. — Não havia necessidade de justificar-se mas ainda assim o fez.

— Com uma mulher?

— Minha vida pessoal não é da sua conta.

— Você não presta mesmo, garoto. Acho que o que te faltou foram surras, para aprender a ser um homem de verdade.

— Você é doente! Não chegue mais perto de mim, me deixa em paz. — Saiu antes que ela dissesse mais alguma coisa. Estava determinado a não deixar nada estragar esse encontro. Por mais estranho que pudesse parecer, Radamanthys era um cara legal e não esperava estragar suas expectativas assim. Não por causa disso.

........................................

Na casa de Camus, os dois garotos se encaravam sem saber o que era aquela sensação estranha que sentiam após o beijo. Era algo entre maravilhados e confusos. O ruivo ainda estava corado, e depois de recuperar seu fôlego, ele quem quebrou o silêncio entre eles.

— M-Milo... É que... O que você tinha... Entendido?... — Perguntou incerto se era o momento adequado.

— O que? Você sabe. Você queria me beijar, não é?

— Oh... — Sentiu-se um pouco constrangido. — Eu não. Quer dizer, sim, mas... Não esperava que o fizesse agora.

— Como não esperava? — Perguntou confuso e um pouco envergonhado por sua atitude possivelmente precipitada.

— Nada. Isso foi incrível, só isso. E agora, o que acontece?

— Eu não sei. Por ora é melhor a gente não pensar nisso, veremos como fica.

Não era esse o tipo de resposta que Camus esperava depois de um beijo que não havia partido dele. Ainda que lhe parecesse um tanto quanto estranho, resolveu concordar que as coisas ficassem assim, talvez Milo só não soubesse responder à sua pergunta nesse momento. Realmente, precisavam de um tempo para pensar e o ruivo saberia respeitar esse tempo.

— Está bem, não precisamos ter pressa. Vamos terminar o filme.

— É... Não precisamos. — Milo respondeu com certo desconforto, diferente de Camus, que estava calmo. Talvez não soubesse lidar tão bem com suas decisões e seus sentimentos quanto achava que sabia.

Alguns minutos mais tarde, tocavam a campainha da porta de Camus. O mesmo foi abrir a porta enquanto o loiro pausava o filme. Pela porta, passou um Afrodite bastante entristecido; este seguiu diretamente para a poltrona, sentando na mesma, só então percebendo Milo ali também.

— Afrodite, nossa. Oi? — Milo falava um pouco brincalhão.

— Oi. — Ele respondeu sem nenhuma empolgação, sem clima para brincadeiras.

Camus fechou a porta e sentou ao lado de Milo no sofá, preocupado com o amigo que acabara de chegar. — Dite, aconteceu alguma coisa?

— Aconteceu tudo, Camus! O cara tava só me enganando... — Disse choroso. — Foi tudo por causa de uma aposta!

— Uma aposta? Mas, Dite, você tek certeza que não entendeu errado?...

— Não sou tão tapado! Eu não entendi nada errado, ele mesmo me disse que foi tudo uma aposta! Ele disse...

— Que idiota! Não fica assim por esse cara, viu? Você merece coisa melhor. — Milo se intrometeu indignado.

— Eu sei, mas... Será que consigo? Depois de tudo ele pediu desculpas e disse que estava arrependido... Provavelmente uma outra aposta daquele imbecil...

O ruivo andou até o amigo e lhe deu um abraço consolador. — Eu não sei o que te dizer, Dite. Mas não liga pra esse cara, logo isso passa. — Dominique apareceu na sala, se esfregando nas pernas de Afrodite buscando por carinho, sendo assim, o loiro se consolou pegando a gatinha no colo e se pondo a acariciá-la.

Afrodite tinha esse problema de se encantar rápido demais com as pessoas e por causa disso, acabava se desiludindo muito também. Mais uma vez, havia pensado que finalmente encontraria seu príncipe encantado em Giovanni.

................................................

Kanon chegou no restaurante que haviam marcado cinco minutos atrasado. Não deixou de reparar na elegância do lugar, era iluminado e um tanto rústico, com piso laminado e paredes decoradas. Mas era realmente muito bonito. Deu uma olhada pelo local procurando por Radamanthys, até o encontrar em uma mesa mais ao canto, uma boa escolha de lugar, considerando que poderiam ter privacidade. Foi até lá e sorriu para ele, demonstrando confiança.

— Atrasado. — Radamanthys disse com um sorriso. — Chegando ao melhor estilo Kanon.

— Desculpe, eu planejava vir bem antes. — Sentou-se.

— Não, tudo bem. Não me importei com isso nem um pouco. Estou feliz por ter vindo.

— Claro que eu viria, foi o que combinamos.

— Este argumento não é regra pra muitas pessoas.

— Muitas pessoas são idiotas, é por isso.

— Talvez. — Notou certa seriedade no tom que Kanon usava. — Acho melhor a gente pedir alguma coisa. — Fizeram seus pedidos e trocaram poucas palavras enquanto aguardavam, e enquanto jantavam também não foi diferente. — Está bom?

— Aham.

— Eu pensei que fosse gostar desse lugar, o que achou?

— Legal.

— Sei... Legal não é ruim. — Sorriu tentando o animar mas pelo visto não havia adiantado nada.

Radamanthys havia feito mais tentativas de interagir mais com o Kanon, mas todas foram falhas. O loiro não parecia muito entusiasmado e não escondia tão bem este fato, não tanto quanto pensava esconder; quanto gostaria. Depois de comerem e de alguns minutos de silêncio, Radamanthys resolveu mudar o rumo da conversa.

— Kanon, se não está gostando tudo bem. Não precisa fingir. Eu te levo pra casa. — Não obteve uma resposta apenas um olhar que não conseguiu deduzir o significado. Com isso, já foi levantando.

— Não, espere... Não é assim, eu nunca disse que não estava gostando. — Kanon tentou explicar-se.

— Desculpe, mas acho que você nem precisou dizer.

— Radamanthys... Não foi intencional. Deu tudo errado... É melhor eu ir pra casa mesmo, desculpa. — Saiu do restaurante quase que literalmente correndo, o que causou estranheza no outro.

— Kanon, pera aí! Droga. — Teve que pagar a conta antes de sair do restaurante, por sorte não precisou enfrentar nenhuma fila. Sendo assim, pagou e disparou atrás do loiro que acabara de sair. Para sua sorte, este ainda estava próximo ao local e logo foi alcançado por Radamanthys, que segurou seu braço o impedindo de seguir seu caminho.

— Rada, me solta... — Pediu baixinho.

— "Rada"?

— Seu nome é muito comprido...

— Tá, vamos ignorar essa parte por enquanto. Por que não me conta o que aconteceu? — Não obteve resposta. Somente após alguns segundos, pôde perceber que os olhos de Kanon estavam marejados, levando o assunto com mais seriedade então. — O que deu errado? Nós dois estamos bem, não precisa ficar desse jeito. — Tocou seu rosto, pois de outra forma Kanon não o olharia. — Aconteceu mais alguma coisa?

— Acho que sou um péssimo ator... — Desviou o olhar. — A minha mãe... Ela resolveu aparecer justo hoje...

— A sua mãe? Você e ela brigaram? — Tentava entender.

— Ela é tão... — Suspirou. — Você vê isso? — Abaixou um pouco a camisa na região do ombro, revelando a cicatriz que possuía. — Como acha que consegui isso? Presente da minha mãe. Ela sempre foi assim, comigo e com o meu irmão. Sempre foi desse jeito, eu sei que ela me odeia, mas...

— Eu sinto muito... — O abraçou calmamente. — Fique calmo, estou aqui com você. Vai ficar tudo bem.

— Eu estraguei tudo e ainda saí sem pagar, que vergonha...

Radamanthys acabou rindo brevemente de seu comentário. — Essa é a menor das nossas preocupações. E você não estragou nada. Vamos nos sentar logo ali. — Apontou para um gramado. — Aí você me conta sobre você, sobre sua história. Gostaria de ouvi-la. Se quiser me contar, claro. Isso ainda é um encontro, não é? — Kanon balançou a cabeça em afirmativa.

— Está bem.

Os dois Então sentaram-se no gramado, onde Kanon começou a contar sobre sua história. Explicou-lhe sobre seus pais, que era viciados e também muito agressivos. Ele e o irmão nunca foram planejados e ela deixava isso bem claro. Sempre que podia, ela os castigava e os motivos eram totalmente sem sentido, além de tudo, sua mãe não tinha escrúpulos ao fazer uso dos meninos para conseguir algum dinheiro. Pouco tempo depois deles completarem dezoito anos, seus pais foram embora, sumiram do mapa, deixando-os sem saber o que fazer.

Kanon recordava-se de muitos exemplos, mas não tinha vontade de entrar em detalhes. No entanto, havia contado tudo à Radamanthys. Esta era sua "família".

— Eu acho que já falei muito sobre eu mesmo. Por que você não me conta de você? — Tentou mudar o clima da conversa, detalhe que não passou despercebido por Radamanthys.

— O que quer saber por exemplo?

— Sua idade.

— Não sabe minha idade? — Sorriu, recebendo uma negação como resposta. — Tenho vinte anos.

— Nossa!

— Nem sou tão velho, seu exagerado! — Brincou.

— Rada, me diz, por que você abandonou a escrita?

— Não é que eu tenha abandonado de fato, só costumo escrever como um hobby. É possível que eu tenha me apegado demais as ideias do meu pai. E eu até gosto do que faço.

— Entendo.

— Você pretende fazer o que quando se formar?

— Eu não sei, não consigo me decidir. Mas eu acho que na hora vou saber exatamente o que quero fazer.

— Sim, tenho certeza que vai.

..........................................

Depois de muita conversa, Radamanthys acompanhou Kanon até a casa de Milo, enfim, haviam concluído seu encontro e ambos sentiam que estavam mais próximos um do outro. Depois de uma despedida com apenas um abraço, Kanon adentrou a casa. Milo também já estava lá, havia acabado de chegar e dormia no sofá cama da sala. Não era tão tarde, mas provavelmente ele tinha a intenção de assistir a um filme e acabou pegando no sono enquanto tentava cumprir seu objetivo. De qualquer forma, não estava com muita paciência para contar tudo o que houve e os detalhes de seu encontro, mas sabia que alguma hora ele iria perguntar. Poderiam falar disso no dia seguinte.

Seguiu diretamente para o quarto, onde encontrou Saga terminando de arrumar a cama.

— Oi, como foi o encontro? — Ele perguntou com um sorriso que tentava incentivar o irmão a lhe contar.

— Foi ótimo. Tirando algumas coisas... Onde você estava?

— Fui comprar livros novos, quando cheguei você já não estava. Por que disse "tirando algumas partes?"

— Ah, não é nada, Saga. Bobeira.

O gêmeo mais velho aproximou-se e trouxe Kanon para sentar na cama ao seu lado. — Você não precisa me esconder. Eu já sei.

— O que você já sabe? — Questionou preocupado, não gostaria que Saga soubesse sobre aquela mulher.

— Ela voltou, nossa mãe. Foi me procurar, e claramente fez o mesmo com você.

— Ah, Saga... Você já sabe... — Falou mais para si mesmo.

— É, eu sei. Ela não vai mais nos afetar, Kanon. Estamos conseguindo aguentar sozinhos. Quer dizer, temos nossos amigos. Não dê ouvidos à nada do que ela diz.

— Eu sei, mas... É meio difícil. Só um pouquinho...

— Penso assim também, mas eu sei que a gente se vira. Até eu tô fazendo tudo direitinho. — Sorriu brevemente. — Não se preocupe com isso. Agora... Quero saber do seu encontro.

— Ah, Saga! Não pode ser amanhã?

— Claro que pode mas vou te cobrar cada detalhe como juros!

— Tá bom, tá bom!

...............................................

No dia seguinte, Kanon teve que contar tanto para Milo quanto para Saga detalhadamente sobre os eventos que ocorreram em seu encontro com Radamanthys. É claro, também recebeu vários comentários bastante insinuantes, além de piadinhas de vez em quando. Afinal, havia mesmo saído com seu chefe... E havia gostado.

O casal parecia ter um sentimento recíproco, entretanto, nem todos se sentiam dessa forma. Ou melhor, nem todos sentiam-se como um casal sequer. Tanto Afrodite que ainda estava magoado com tudo o que aconteceu, quanto Camus e Milo.

No ponto de vista do ruivo, agora as coisas seriam mais fáceis, pois parecia que finalmente haviam entendido o que sentiam um pelo outro. Porém, parecia que Milo raciocinava de uma outra maneira. Na escola, agia como se nada nunca tivesse acontecido entre eles, e ignorava qualquer indireta que Camus lhe desse. Sabia que ele entendia, o loiro era mais rápido nesses assuntos do que o próprio Camus, mas ainda assim...

Para saber sobre o que estava acontecendo, o ruivo encontrou um momento para questionar Milo sobre suas atitudes. E este foi quando estavam trocando de período e o loiro estava sozinho mexendo em seu armário, provavelmente trocando os livros.

— Milo, eu não entendo. O que está acontecendo? Eu falo, sobre nós, pensei que...

— Não, Camus. Olha, desculpa mas é melhor a gente falar disso depois. Só não leva tão a sério, foi tudo no calor do momento.

— Calor do momento? — Perguntou incrédulo.

— Melhor irmos pra aula. — Saiu do local com bastante pressa, deixando Camus sozinho lá.

Como poderia ter sido no calor do momento? Estava claro que ele o beijou porque quis! Milo estava mentindo, era óbvio, mas se ele não queria falar, pois que não falasse. Já estava começando a se incomodar um pouco com essa constrangedora situação. Depois das primeiras aulas, seguiu para a biblioteca da escola, era o único local que conseguia realmente relaxar, e fazia isso através dos livros. O ruivo tentava alcançar um dos livros de seu gênero não favorito, mas também lhe agradava os romances. O grande problema era que ele se encontrava em uma prateleira não acessível para alguém da estatura de Camus. Não que fosse muito baixo, mas também não era tão alto. Talvez poucos fossem altos daquela forma na verdade. Em meio à suas falhas tentativas, nem percebeu a aproximação considerável de alguém que se acercou de si, pegando exatamente o livro que antes ele tentava pegar.

— Era esse? Aqui. — Só então Camus percebeu que um garoto mais alto do que ele o encarava com um sorriso. Era ruivo também, mas com tons diferentes de seus cabelos, pois seus fios eram mais alaranjados, e seus olhos tinham uma cor curiosa. Se lembrava desse garoto apenas de vista, pois não eram amigos nem nada.

— Obrigado. — Agradeceu um pouco constrangido por não ter alcançado sozinho. Não se considerava tão orgulhoso... É só que a situação lhe pareceu frustrante.

— Não há de quê. Você é o Camus, né?

— Como sabe o meu nome? — Perguntou um tanto quanto surpreso.

— Eu observei que seus amigos te chamam assim, só isso. Eu me chamo Surt, é um prazer.

— Igualmente. Bem, eu vou... Ler isso aqui. — Talvez Camus desejasse ficar um pouco sozinho, mas o garoto não tinha as mesmas intenções, tanto que logo continuou o assunto.

— Gosta de romances?

— Não generalizo muito, mas não os acho ruim.

— Eu adoro romance, acho que são minhas histórias fantasiosas que eu mais gosto. Tem um pouco de ficção com realidade, pra mim parece perfeito.

— Hum... Até que essa lógica não é ruim, embora meu gênero preferido seja poesia. Gosto da forma como as palavras são escritas, parecem ficar mais atrativas.

— Tem razão. Me desculpe se estou sendo muito invasivo, mas por que você não está comendo com seus amigos como costuma fazer normalmente?

Camus sorriu brevemente, estranhando a situação. — Você é algum stalker ou algo do tipo?

— Quem sabe... — Riu de si mesmo. — Não, eu estou brincando. É que às vezes eu reparo em você... Sabe, não tem como você não chamar atenção.

— Se fosse assim eu seria a pessoa mais popular do colégio. Não diria que é tão normal assim ser observado.

— Então talvez eu esteja reparando demais em você.

— Talvez. — O ruivo foi se retirando.

— Não, espera. Eu posso ser franco sobre isso. Só que tem que me levar a sério, não sou nenhum maluco stalker. Eu apenas gostaria de te conhecer melhor.

— Ah, sei... Não é que eu não te leve a sério, mas na verdade, tenho umas coisas pra fazer agora. Até mais. — Camus não sabia bem como reagir, visto que aquele garoto era um total estranho, então, como ele poderia ter se interessado ao menos um pouco por sua pessoa? Quer dizer, não que fosse algo totalmente absurdo, mas era uma situação incomum para o ruivo. Este pegou o livro e então foi até a bibliotecária antes de deixar o local.

Mesmo após alguns dias terem se passado, Surt não parecia querer desistir nem um pouco, ele continuou conversando com Camus e se aproximando ainda mais dele, enquanto que Milo cada vez mais afastava-se pelo que parecia. Apesar da situação da sua vida já estar bizarra, parecia que ainda não era o suficiente. O ruivo havia acabado de sair da educação física, ele não era muito atlético, mas fazia os exercícios quando solicitado. Por conta dos movimentos, seu rosto estava agora rosado e ele também estava com a pele quente. Estava terminado de guardar as coisas no devido lugar quando foi cercado por dois garotos que ele não fazia a menor ideia de quem eram.

— Querem alguma coisa? — Perguntou ele estranhando a situação. Os garotos apenas riram e um deles se aproximou.

— Soube que está arrasando corações por aí, ruivo. — Camus o encarou sem entender nada. — Sabe do que eu estou falando... — Ele tocou na cintura de Camus de um jeito malicioso e que o desagradou. Sustentado o olhar do garoto, o ruivo afastou sua mão e disse:

— Não, eu não sei. Se me der licença. — Foi saindo mas logo o garoto o agarrou e o prensou contra a parede.

— Não, você não vai à lugar nenhum. — O tocava, tateando seu corpo com vontade, ação que estava dando repulsa no ruivo.

— O que é isso?... — A princípio ficou paralisado, não podia acreditar no que eles estavam fazendo.

— Ora, se o Surt pode então por que a gente não? — Perguntou irônico.

— Surt?... Não, para! — Camus o empurrou com força, o outro garoto nada dizia, apenas ria de tudo. — Cala essa sua boca, otário! E tira as mãos de mim! — Conseguindo o afastar, correu rapidamente para fora da quadra, indo para os corredores. Passou por Milo que lhe chamou percebendo a correria, mas nem notou nada, ignorando-o. Logo depois Surt o perseguiu, segurando o ruivo pelo braço. Ele perguntou o que havia acontecido e depois, disse que aqueles garotos já não eram mais amigos seus, e que eles poderiam "estar afim" de Camus. Depois tentou o consolar e também o acalmar, pois além de assustado, ele estava muito, muito irritado. Para finalizar, Surt o abraçou e manteve seu rosto bem próximo do de Camus, isso porque ele não queria que os outros escutassem a conversa, no entanto, Milo que observava tudo fe longe, pensou que claramente eles estavam ficando, e claro, como antes Camus o ignorou, talvez já não fizesse tanta diferença sua presença.

Tudo bem que ele estava mesmo enrolando e até deixou o assunto um pouco de lado, mas Milo sabia que sentia por ele algo parecido, senão o mesmo que Camus sentia, mas se recusava a aceitar aquilo. Por que? Provavelmente por ter o nítido pensamento de ser um garoto heterossexual e nunca antes ter considerado beijar outro garoto. Mas depois de ver ele com Surt, ficou enjoado. Não do ruivo, e sim da situação em si. Parecia horrível, eles definitivamente não combinavam e aquilo tudo simplesmente lhe dava raiva, além de ser muito frustrante, não podia fazer nada para mudar isso.

...................................................

Camus e Milo não eram os únicos a ter surpresas indesejadas nesse dia. Afrodite havia arrumado suas coisas, e como Camus e Milo geralmente demoravam mais, ele resolveu ir na frente, poderiam se encontrar depois de qualquer forma. Assim que colocou o pé para fora da escola, percebeu um homem bastante conhecido o observando. Giovanni o olhava incessamente, o loiro a princípio apenas tentou desviar, mas claro que não seria fácil assim, Giovanni logo aproximou-se.

— Espere, preciso falar com você.

— Como descobriu onde estudo?

— Foi você que me disse.

É claro, Afrodite simplesmente tinha esquecido desse detalhe.

— Não temos nada pra falar, eu tenho muita coisa pra fazer, me deixa em paz.

— Não, não, não, Afrodite. Vim até aqui, tem que pelo menos me ouvir.

— Não quero ouvir nenhuma mentira que for sair da sua boca, não se cansou de zombar da minha cara? Fui. — O ignorou, porém, Giovanni não pretendia deixá-lo partir sem antes se explicar, por isso teve uma ideia maluca. Se aproximou de Afrodite e o ergueu, jogando-o sobre seus ombros.

— Ah! O que você pensa que está fazendo?! Me solta! Seu animal! Me põe no chão! — Se debatia, mal podia acreditar no que ele estava fazendo.

— Só se você me ouvir.

— Como é?!

— Não solto. — Foi saindo com ele sob os olhares de muitos alunos.

— Me solta! Tá me sequestrando, é? Tá, tá! Eu posso andar! Me solta.

Só então o rapaz o soltou lançando-lhe um sorriso quase imperceptível, no entanto, o loiro o encarava emburrado.

— Eu só queria um pouco da sua atenção.

— É, a minha e de toda a escola! Fala logo o que quer.

— Eu acho que você sabe. Afrodite, vim me desculpar pelo que aconteceu e explicar pra você que quando aceitei seu convite, foi porque eu queria sair com você e não por causa da aposta. Não sou de me amarrar em ninguém por isso eu soube na hora que você era diferente.

— Tá, onde estão?

— O que? — Giovanni o olhou confuso.

— Onde estão seus amiguinhos? Que foi? Te desafiaram de novo? — Bateu palmas. — Parabéns, bela atuação, mas não vou cair nessa de novo. Me deixa em paz. — Já ia sair novamente, mas foi impedido por Giovanni.

— Espera, não é nenhuma brincadeira, eu falo sério! Não tenho como provar a verdade se você não me dá alternativas!

— Duvido que vá me convencer de novo.

Giovanni cortou a distância e Afrodite percebeu, mas desta vez não recuou, apenas ficou atento para caso ele tentasse algo.

— Eu não. Me deixe tentar novamente, sem farsas. Dessa vez vai ser do meu jeito. Tem que me deixar mostrar à você. As coisas podem ser diferentes, você é quem sabe. Se me disser para ir eu irei. — O encarava seriamente. — Mas se não, terá que me conhecer como realmente sou.

O que poderia ter Giovanni de tão misterioso? Afrodite estava curioso mas também estava desconfiado, não queria ser enganado novamente. Todavia, considerava seu argumento de dar-lhe uma oportunidade, talvez não fosse má ideia... Afinal, não queria mais nada com ele, sendo assim, poderia apenas "checar" a veracidade de suas palavras.

— Você tem uma chance. E não pense que pode me convencer facilmente, porque não é assim. Se eu descobrir que está me enganando você vai pagar. — Na verdade não tinha nenhum plano em mente para caso fosse uma mentira, nem se considerava uma pessoa vingativa, pois realmente não era.

— Que medo. — Disse entre debochado e brincalhão.

— Humpf. — O loiro saiu de lá sem achar a menor graça de seu comentário, desta vez, sem ser impedido. Poderia estar cometendo um erro, mas por que não lhe dar o benefício da dúvida? No fundo, ainda desejava que esta situação não fosse ilusória. 


Notas Finais


O que será que vai acontecer com esses dois, hum? Vamos aguardar os próximos capítulos :)

Aviso novamente, não postarei mais toda semana como dito antes, por isso peço que aguardem.

Beijos e até a próxima


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...