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História Mais Forte que o Amor - Capítulo 18


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Notas do Autor


Preparem os corações, pq agora é só sofrimento... Temos final feliz, mas até chegar lá vai ter muuuuita dor... TTuTT
Boa leitura!

Capítulo 18 - ...sem dizer adeus.


O vapor aquecia superficialmente as mãos de Shaka. O aroma de camomila reinava no ambiente. O loiro despejou o restante do chá em uma xícara. Mu havia levado um pouco para ver se conseguia fazer Afrodite se acalmar o mínimo que fosse. O estilista estava atordoado com desaparecimento da pequena Lizzie e, ver o amigo naquele estado deixava tanto Shaka quanto Mu cada vez mais destruídos. Revezavam-se em tentar animá-lo, distraí-lo e acalmá-lo, mas nada o fazia tirar a loirinha da cabeça.

O advogado suspirou, recostando-se a cadeira, cansado, quando sentiu pequenos bracinhos envolverem sua cintura.

—Papai, não consigo dormir... – A voz arrastada de Kiki denunciava o quanto sentia sono.

—Desculpe Kiki, mas não sou o Mu. – Respondeu, pegando o garoto no colo.

—Desculpa tio Shaka, você e o papai são tão parecidos... – Shaka tentava entender onde o pequeno via semelhança entre os dois, além dos cabelos longos e lisos.

—Você quer um pouco de chá? Vai ajuda-lo a conseguir dormir, o que acha? – Indagou, desviando do assunto, oferecendo sua xícara. Kiki respondeu balançando a cabeça positivamente e pegando-a com as duas mãos. Bebericou o líquido vagarosamente enquanto Shaka fazia-lhe cafuné. O loiro sentia-se confortável naquela posição. Gostava muito de Kiki, assim como gostava de Lizzie, havia se apegado aos pequenos. Lizzie fazia falta, e não saber onde a pequena estava lhe apertava o coração, mas, ao mesmo tempo, com Kiki ali, sentia-se um pouco mais calmo. Algum tempo depois viu o ruivinho terminar sua bebida e, deixando a xícara sobre a mesa, carregou-o até o quarto de Lizzie, onde o pequeno estava dormindo enquanto ficavam ali.

—Tio Shaka, você fica aqui comigo? – Pediu, com o rostinho corado, quando Shaka desligou a luz. – Tenho medo de ficar sozinho...

O loiro respondeu sentando-se ao seu lado na cama e fazendo mais carinho em seu cabelo. Não demorou muito para que Kiki caísse no sono e, logo em seguida, Shaka deixou o quarto. No corredor, deparou-se com Mu, encostado ao lado da porta. Parecia estar esperando-o e aquilo o surpreendeu.

—Obrigado... por cuidar do Kiki. – Ouviu-o dizer, definitivamente Shaka sentiu-se surpreso. – Com toda essa situação não consegui dar atenção ao meu próprio filho.

—Você não tem culpa. – Falou, seguindo Mu até a cozinha. – Afrodite precisa de apoio e você é quem está cuidando dele.

—Esse papel não devia ser meu. – Mu disse, em tom de voz irritado. – Camus devia estar aqui com ele.

—Por favor, não o julgue de forma leviana. – Pediu. – Camus é quem mais está trabalhando para resolver essa situação. Ele não vai descansar enquanto não achar a pequena.

—Mesmo assim! Eu não suporto ver isso! Ele não dá notícias, não liga para saber como o Afrodite está... eu não entendo.

—É porque ele não consegue. – Shaka respirou fundo. – Sabe... Camus descobriu sobre o que aconteceu com Afrodite, o passado dele.

—Não me diga que... você-

—Eu não disse nada. Ele apenas chegou a um ponto da investigação que seria impossível não descobrir. Você sabia que o tal Carlo Benetti era o mesmo cara que... que atacou o Afrodite, não é? Por isso ligou para ele aquela noite. – Mu desviou o olhar. O advogado suspirou novamente, encostando-se na bancada da pia. – Entendo. Não temos mais como fugir disso... nos resta apenas esperar que Camus e a polícia encontrem Lizzie e prendam esse cara.

—Sabe... – O homem de cabelos lavanda iniciou. – Eu tive uma primeira impressão muito errada de você. – Falou, sentido seu rosto aquecer. – Achei que fosse um bisbilhoteiro mal educado. E... bem, não queria enxerga-lo de outra forma. Mas você é um cara legal. Pude ver como é responsável e dedicado com o trabalho e o quanto se preocupa com as pessoas ao seu redor. Sinto muito por implicar com você esse tempo todo.

Shaka ouviu a tudo um tanto atônito, quase não podia acreditar no que estava ouvindo. Sentiu-se envergonhado com o pedido de desculpas sincero do outro ao mesmo tempo em que achou fofo o esforço feito para se redimir.

—Tudo bem, fico feliz que finalmente tenha me compreendido. Não precisa se desculpar nem nada do tipo.

—Eu senti essa necessidade. Não gosto de ficar guardando sentimentos ruins. Ainda mais de alguém que meu filho gosta tanto.

— Eu também... Gosto muito do Kiki... ele me faz pensar em coisas nas quais eu não havia parado para pensar antes. Como... formar uma família, me casar e ter filhos. Nunca me enxerguei desta forma e agora, aqui estou eu, sentindo inveja de você e do Afrodite. – Disse Shaka, rindo constrangido.

—Não é tarde para isso. Você é jovem, bem sucedido e com uma vida estável. Logo vai estar casado com alguma boa moça e formará sua própria família. – Mu disse, rindo minimamente.

Shaka assentiu, tentando fugir do assunto. Não tinha certeza daquilo, afinal, quem vinha povoando seus pensamentos e fazendo-o sentir uma torrente de novos sentimentos, com certeza não era uma boa moça.

 

---x---

 

Ajeitei os óculos escuros, colocando a chave na ignição e ligando o carro em seguida. Minhas mãos tremiam no volante e era difícil controlar as pernas, mas eu precisava fazer aquilo. Respirei fundo, tentando controlar o nervosismo. Era a única forma de salvar minha pequena florzinha. Aquela voz reverberava em minha cabeça ao passo em que o carro ganhava movimento. “É melhor que chegue aqui sem que ninguém perceba, ou não terei dó de estourar a cabeça dessa garota.

Precisava sair do prédio sem que os policiais que haviam montado guarda do lado de fora percebessem, para isso, além de um disfarce improvisado, fui obrigado a roubar o carro de Shaka. Tentei não chamar muita atenção com a aparência, havia cortado o cabelo às pressas com uma tesoura no banheiro do estacionamento e estava vestindo apenas uma camisa branca e calças jeans, com uma blusa de frio de reserva. E agora usava o carro de Shaka para sair sem ser notado. Os policiais com certeza estavam mais preocupados com que entrava no prédio e não com quem saía, pois mal me pediram para descer o vidro do carro e já me dispensaram.

Suspirei minimamente aliviado, tentando controlar a ansiedade e não acelerar de mais, para não chamar a atenção pelo motivo errado. Enquanto o veículo corria pelas ruas movimentadas da cidade, a voz daquele homem voltava a assombrar minha mente.

Eu estava deitado na cama, Mu havia saído do quarto com há pouco. O celular tocava incessantemente. Abri os olhos minimamente, sentido-os doloridos e, ao alcançar o aparelho, atendi sem saber quem era.

—Alô – Murmurei, mal conseguindo ouvir minha própria voz.

Que bom que finalmente atendeu, mia rosa. – Senti um calafrio percorrer todo meu corpo ao ouvir aquela voz, aquele forte sotaque italiano. Não podia ser... – Finalmente te encontrei, depois de tanto procurar.

—Qu-quem é?! Quem está falando?!

Não reconhece mais a minha voz? Pensei que a minha criança nunca me esqueceria... – Eu não consegui reagir. As lágrimas transbordavam de meus olhos sem que eu pudesse ao menos me mover, sem que eu pudesse encerrar aquela chamada odiosa, sem que eu pudesse me afastar daquele pesadelo. – Bom, estou um tanto decepcionado, mas tudo bem. Logo farei com que se lembre de tudo o que passamos juntos! Vamos poder nos divertir novamente! – Minha cabeça rodava e uma forte náusea me atingiu, o que teria feito com que eu abandonasse o telefone, se não tivesse escutado aquela frase – Eu estou com a garota.

Meu coração falhou uma batida e eu senti como se todo meu peito se comprimisse. Respirei fundo algumas vezes, tentando recuperar o ar.

—Po-porque está fazendo isso?! Porque... porque levou minha pequena...?

O que eu quero é você, mia rosa. Você sempre foi meu objetivo, meu desejo... Se você vier pra mim eu solto a menina. Se não vier... bem, posso arrumar algum dinheiro com os órgãos no mercado negro. Depois de me divertir um pouco com ela, é claro. – Sua risada nojenta fez com que o tremor que percorria meu corpo aumentasse.

—Qu-que garantia eu tenho... d-de que v-você não está me enganando? – Me forcei a falar, lembrando-me do que havia aprendido ao longo dos anos com Camus. Precisava ter certeza de que ele estava com Lizzie e de que realmente a deixaria ir.

—Vou deixar que fale com ela.

Papai! Flô! Socorro! – Sua voz doce estava frágil e era perceptível que estava chorando. - Eu ‘tô com medo!

—Lizzie! Va-vai ficar tudo bem! Eu vou salvar você! – Mal havia terminado de falar, a voz da pequena sumiu.

Opa, pronto! Já deu pra perceber que ela esta viva, né? Você vai vir até aqui, sozinho. Sei que seu prédio está cercado de policiais, então é melhor que saia sem ser percebido e vá até a Paris Gare du Nord. É melhor estar lá em meia hora, ou a garotinha aqui não vive pra contar história. Eu te ligo. – Dizendo isso, a ligação foi encerrada e eu me vi no escuro, sozinho em meu quarto.

Não podia contar com Camus e nem com mais ninguém. Não podia deixar que mais ninguém sofresse. Não podia deixar isso acontecer, não podia deixar que minha filha sofresse ainda mais, por minha causa. Eu tinha que salvá-la, sozinho, nem que para isso eu tivesse que me afundar novamente naquele inferno. Nem que eu não pudesse mais sair de lá. Nem que, nunca mais eu pudesse ver meu marido. Nem que, nunca mais eu pudesse ouvir a voz de Camus ou sentir seu cheiro, sua pele, seu calor. Nem que para isso eu tivesse que morrer.

 

---x---

 

A estação estava cheia e movimentada como sempre. Toda aquela gente me deixava ainda mais inquieto e ansioso. Olhei para o relógio da estação, faltavam apenas alguns minutos para completar a meia hora limite que me foi imposta. Respirei fundo esfregando os braços para afastar o frio e o nervosismo. Senti o celular vibrar e logo o peguei, para ver o nome de Camus surgir na tela. Já haviam percebido minha ausência e, se eu atendesse Camus conseguiria me rastrear. Apertei o botão de desligar, sentindo uma lágrima quente e solitária deixar um rastro em meu rosto.

—Sinto muito, meu amor. Queria tanto ao menos poder me despedir de você. – Murmurei, apertando o aparelho nas mãos e tentando desfazer o nó na garganta que mal me deixava respirar, para logo em seguida o celular tocar novamente e eu ver o número restrito na tela. O sangue gelou em minhas veias e eu atendi a chamada. – Alô.

Maravilhoso! Que bom que chegou no horário! Está tudo preparado para você, mia rosa... Atrás da lixeira do banheiro da ala oeste, tem uma caixa. Você vai pegá-la e trocar seu celular pelo que está lá dentro. Também tem a chave de um carro. É o que você vai usar para chegar até aqui. Não podemos correr nenhum risco de que você seja rastreado, né? Ele está em um estacionamento a duas quadras daí, em seu nome. O GPS já está configurado com o endereço, é só seguir a rota indicada. Eu vou estar te monitorando a partir de então. Qualquer movimento suspeito, mio amore, e você dirá adeus a essa criança.

Com o coração batendo forte no peito, fiz o que mandou assim que a chamada foi encerrada. Procurei pelo banheiro da ala oeste e ao encontrar a caixa, troquei os aparelhos telefônicos e peguei a chave do carro, mantendo a do Shaka comigo também.

Ele já tinha tudo planejado, havia preparado tudo para me atrair e me fazer chegar até ele. Eu não tinha mais para onde fugir. Olhei para trás uma ultima vez antes de entrar no carro que o manobrista do estacionamento me trouxe. Era o fim para mim. Respirei fundo, minha mente ficando em branco e uma estranha calmaria me invadindo. Adentrei o veículo, conduzindo-o para longe dali, direto para as portas do meu inferno.


Notas Finais


E então? Clima pesando né?
as coisas vão melhorar, mas não agora :(
Obrigada a todos que estão lendo, vejo vocês no próximo capítulo!


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