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História Mr. Hiddleston - Capítulo 9


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Notas do Autor


Opaa. Um capítulo novinho para vocês nessa quarentena geral aí. Espero que gostem e desse capítulo 😏 🔥 no parquinho.
Let's go
Boa leitura 😘

Capítulo 9 - Sra. Hiddleston


Fanfic / Fanfiction Mr. Hiddleston - Capítulo 9 - Sra. Hiddleston


"hey, Amy? Atende, vai. Todos os meus amigos estão viajando. Voltei de viagem ontem e tô tentando falar com você. Fui até sua casa mas você não estava. Seus pais ficaram estranhos. Acho que estão me escondendo algo. 

No fundo você sabe que eles ainda me consideram um genro" - a risada dele soprou e sorri enquanto ouvia seu recado na secretária eletrônica do telefone bem perto de mim. Eu estava sentada no sofá ao lado da mesinha de canto. Olhei para o aparelho e suspirei. 

– Pronto, você conseguiu minha atenção - atendi o telefone sem fio. 

– Filha da mãe, estava mesmo me evitando. - Peter resmungou. 

– Como ousa? Você acabou de dizer que seus amigos estão fora, por isso está tentando falar comigo, a última opção. - brinquei, fingindo que estava chateada.

– Ah, então está com ciúmes. - ele riu. 

– Vou desligar, hein. - ri também. 

– Você sabe que é especial. Sei que não temos mais nada. Mas ainda quero ser seu amigo. 

– Também quero. Se for só isso mesmo. 

– Me explica o lance dos seus pais. 

– Ah, eles só foram advertidos a não dizer pra ninguém que eu me mudei. Estou morando sozinha e não quero que ninguém saiba. 

– Está se escondendo de quê?

– Há - sorri - de nada. 

– Sei… é pra se encontrar com alguém não é? Você ainda está com aquele cara?

– Qual cara?

– Aquele que você disse estar interessada e por isso não podia ficar comigo. 

– Ah - pensei no que dizer - sim. Estamos juntos. E acho que é sério. 

– Hm… se você diz - Peter resmungou, nada convencido. Eu deveria não falar sobre isso. Peter era inteligente e captava fácil as coisas. Se eu desse muita corda nesse assunto ele traçaria a linha e descobriria o que tinha nas pontas. 

– Vamos mudar de assunto - pedi. 

– Quando vamos tomar um sorvete? 

– Pode ser hoje - dei de ombros. A tarde de domingo estava arrastada e eu não tinha nenhuma esperança de ver Tom pois o mesmo havia me dado certeza de que estaria muito atarefado e faria uma viagem rápida para resolver algo com sua irmã. 

– Ótimo - ele se animou - nos encontramos onde? Pode ser no shopping. Que tal a gente ver um filme?

– Totalmente aceito - falei - vou tomar um banho e me arrumar. 

– Eu poderia te buscar se soubesse onde você mora. 

– Pegue sua moto e vá com sua bundinha para o shopping. Estarei lá. 

– Mais respeito comigo, tenho dezoito. Sou mais velho que você, viu. - ele brincou. Parecia estar em movimento. Ouvi seus irmãos menores brincando pela casa. 

– Isso não quer dizer nada. Ainda posso dar uns chutes - lembrei de quando estudávamos no jardim de infância. Ele sempre implicava comigo e eu, para me defender, dava chutes em suas canelas. 

– Bem lembrado, senhorita - ele disse - vou para o banho. Até logo.

– Até. - desliguei e pensei em mandar uma mensagem para Tom mas deixei para lá. Ele não precisava saber de tudo, afinal também não havia me dado muitos detalhes do que ia fazer. 


A escolha de roupa foi totalmente feita a partir de querer parecer alguém que queria fazer amizades e não provocar ou namorar. Em vez de um vestido, coloquei minhas sapatilhas, uma calça leggin escura e uma blusa estampada de manga. Pendurei um colar no pescoço com o pingente de gatinho e prendi o cabelo em um rabo de cavalo simples. Na maquiagem apenas realcei os olhos com rímel, um pouco de cor nas bochechas e um gloss brilhoso na boca.  Estava pronta logo e decidi sair. Peguei um táxi até o shopping e aproveitei para comprar os ingressos do filme que foi escolhido por mensagens. Não havia nenhuma grande estréia então decidimos ver um filme qualquer de ação. Sentei com meu balde de pipoca e o esperei. Peter apareceu logo, indo comprar seus lanches e enfim entramos na sala escura do cinema. Talvez não fosse boa ideia aquilo. Se ele tentasse apelar para o lado paquerador eu seria obrigada a me afastar e levaria aquele clima chato pelo resto do dia. Então tratei de deixar parâmetros assim que nos sentamos para ver os trailers iniciais. 

– Já vou avisando que se você tentar alguma coisa eu te deixo aqui sozinho - comentei em tom ameaçador. 

– Caramba, eu não fiz nada - ele riu apoiando o copo no encaixe da poltrona e declinando no estofado. - Amy, relaxa. 

Olhei de lado para ele. Peter parecia tranquilo mesmo. Nos abraçamos quando ele chegou e em nenhum momento ele tentou fazer qualquer comentário galante ou coisa do tipo. 

– A não ser que você peça. - ele percebeu que eu o olhava. - está me olhando com uma cara...

– É que você com certeza tentaria alguma coisa, antigamente. - dei de ombros também recostando. Ele comeu a pipoca e me olhou. 

– Somos apenas amigos, não é? - ele ergueu as sobrancelhas - caso você queira mudar isso é só falar. Também não quero namorar mas nunca é tarde para uma amizade colorida. 

– Isso não - esbarrei em seu braço com o cotovelo. - vamos ficar só na amizade em preto e branco. 

– Fazer o que né - ele fez uma careta e balançou os ombros. Rimos e ficamos quietos quando o filme começou, fazendo pequenos comentários ou aumentando o assunto de conversas aleatórias quando o filme ficava chato. 


No fim foi divertido mais pela companhia. Saímos do cinema e fomos dar umas voltas pelas vitrines das lojas em direção a área de alimentação. 

Falamos sobre a expectativa dos estudos na faculdade. Peter ia fazer contabilidade em outra faculdade na cidade. 

– Vai ser bom. Vamos ter pouco tempo mas vou viver aqui visitando meus pais, podemos sempre marcar alguma coisa. - Peter sugeriu. Não vi nenhuma tentativa de ele querer induzir algo sobre nosso relacionamento. 

– Seria ótimo. - sorri. 

Passamos por mais algumas vitrines, parando de vez em quando para comentar alguma roupa ou objeto na última loja antes da área de alimentação. 

Eu estava paquerando um sapato maravilhoso e Peter olhava os pares de tênis da moda. Depois o cheiro dos lanches falou mais alto e passeamos por ali para decidir se íamos comer sorvete ou outra coisa. Demos uma volta e paramos no balcão de uma lanchonete. Ali tinha de tudo mas estávamos de olho nas sobremesas. Tortas, sorvetes, doces e bolos que davam água na boca só de olhar. Pedi uma torta de limão com sorvete de creme e Peter pediu a mesma coisa.

Entramos para achar uma mesa legal. 

– Hey - ele olhou para as mesas mais a frente, na parte de trás da lanchonete - aquele ali não é o Sr. Hiddleston? 

Demorei pra captar o que ele dizia pois foi completamente de repente. Ele olhava para a direita e acompanhei seu olhar.  

Pisquei e olhei atenta. Ele estava sentado com uma senhora e uma moça mais nova, muito bonita e elegante. 

– Aquela senhora é a mãe dele? - perguntei enquanto sentava com ele na mesa lateral. 

– Acho que sim. Me recordo um pouco. Meus pais conhecem eles. - Peter comentou. 

– Será aquela sua irmã? - me ouvi perguntar antes de processar as coisas. Ele não tinha dito que estaria longe? 

Mas que merda ele estava fazendo ali? 

– Não. Pelo que eu sei é a Sra. Hiddleston. 

Olhei para Peter rapidamente depois torci para que ele não notasse meu rosto branco. Senti todo o sangue fugir de mim e fiquei gelada. 

– Sra. Hiddleston? - murmurei a pergunta. 

Estava calor ali? abafado?

Comecei a sentir o suor brotar nas têmporas e nas mãos. Peter não percebeu minha reação. Talvez encarasse como curiosidade apenas. 

– Sim. Vai dizer que não sabia que ele era casado? - A garçonete serviu nossa mesa e Peter se pôs a comer sua torta com extremo gosto. Eu fingia que estava sentindo o sabor da minha mas apenas agia automaticamente. Pensei que minha reação seria diferente. Mais dramática. 

Respirei fundo e tentei pensar mas meu cérebro assumiu a função de economia de bateria. Só as funções necessárias me eram permitidas. 

No fundo da minha cabeça, em algum lugar lá dentro eu estava surtando, esmurrando tudo e quebrando coisas. Estava chorando e gritando, acusando-o e expondo tudo. Tudo o quê?! Não​ tínhamos nada.

Pisquei, um pouco tonta. Senti dificuldade de respirar e dei mais uma colherada na torta. Peter dizia alguma coisa mas eu não ouvia. Eu o olhava e acenava mas não fazia idéia do que ele estava falando. Meu olhar sempre rolava para a mesa na outra extremidade do lugar. Minha mão abaixo da mesa se apertava com tanta força que eu quase furava a pele com as unhas. Peter pegou o celular para responder algumas mensagens e agradeci por aquilo. 

Eu estava normal? Por que eu não estava em prantos ou sei lá? 

Eu estava estranha, vendo e ouvindo tudo como um borrão. A única coisa que eu tinha ciência era minha respiração precária pelo esforço de me manter firme e o coração martelando em meus ouvidos. E, é claro. A nítida visão de Tom Hiddleston do outro lado, com um blusão azul escuro e calça social de mesma cor, os cabelos penteados e bagunçados pelo vento… Ele conversava com sua mãe e… com a Sra. Hiddleston. Uma mulher lindíssima de pele branca e lisa de porcelana, longos cabelos negros e ondulados emoldurando o rosto firme. Ela não era doce, era feminina e puramente sensual. Um tanto rígida nas feições e nas expressões, porém nada anulava seu charme e seu olhar experiente e um tanto malicioso. De vez em quando ela o olhava com tristeza. Comecei a prestar atenção no que eles falavam, nas expressões deles. Tom gesticulava e bufava. Ele estava sem paciência e ela estava irritada. Já a senhora, mãe dele, agia como se tentasse apaziguar as coisas. 

– Amanda? - Ouvi a voz de Peter bem de longe. Parecia que eu voltava para a realidade depois de um transe. Fiquei um bom tempo bisbilhotando a outra mesa. - seu sorvete já era. Seria bom você mostrar menos interesse nas conversas alheias. 

– Eu fiquei curiosa. Nunca tinha visto aquela mulher - olhei com desaprovação para a poça de sorvete em meio a borda crocante da massa da torta e desisti de comer. Não era uma boa ideia ter voltado ao normal. Meus sentidos estavam aflorando. O choro e desespero logo viriam eu podia sentir. 

– Eu acho que eles brigaram por um tempo, mas se estão ali devem ter reatado. 

– Ele é casado, então? Mesmo?

– O que é isso agora? - Peter riu - você tinha esperanças com o professor? 

– Idiota - fingi que ria mas meu rosto estava congelado. Meu estômago se embrulhava de enjôo. 

Eles se levantaram para sair e na mesma hora eu me coloquei de pé. 

– Vamos dizer um oi - sugeri e saí andando antes que Peter respondesse. Ouvi ele vir atrás de mim. 

Andei depressa por entre os espaços das mesas até chegar neles. Elas entraram no banheiro e Tom foi pagar a conta. Ele parou no caixa e apoiou um braço no balcão, pensativo. Respirei fundo e continuei andando sem saber o que dizer ou fazer mas não consegui parar. Ele pagou a conta e olhou para o lado vendo Peter, deu um sorriso e logo me viu. Seu sorriso congelou e vi nitidamente em seu rosto o susto. Deixei que Peter se aproximasse e apertasse a mão dele. Me mantive quieta ao lado dele, perfurando seus olhos com os meus. Eu não sabia como falar, pôr as palavras na boca. Não consegui nem separar os lábios. 

– Quem é vivo sempre aparece - Peter começou a falar. Tom assumiu o modo neutro mas não escondia de mim o espanto. Ele evitava olhar para mim. 

– Digo o mesmo. Voltou hoje das férias? - ele perguntou e Peter fez um breve resumo de onde esteve. Tom perguntou se estávamos muito tempo ali no shopping, tentando jogar conversa fora. Eu queria tanto fazer um escândalo, mas para o meu bem fiquei na minha. Dei uma risada de deboche da cara de pau dele e resolvi atiçar.

– E o senhor, professor… passeando com a família? - perguntei finalmente encontrando minha voz totalmente revitalizada pela adrenalina que corria em minhas veias.

As moças voltaram, encontrando Tom e nos notando. 

– Mais ou menos isso - ele ajeitou os óculos e sorriu - assim como você em seu encontro. - Tom olhou para sua mãe e a outra mulher e nos apresentou. 

– Esses são meus antigos alunos. Excelentes alunos, devo dizer. 

Recebemos os sorrisos das duas.

– Esta é minha mãe e esta é Debora. 

Acenamos uns para os outros e Debora quebrou o silêncio momentâneo. 

– Que bom encontrar vocês. Lembro-me de você, Peter.  - ela sorriu me provocando calafrios. Sua voz combinava com ela. Sensual e elegante. - Ela é sua namorada? 

– Também me lembro, Sra. Hiddleston. -ele sorriu com simpatia. - Somos amigos.


Por um momento eu quis contrariar e dizer que éramos um casal mas fiquei extremamente cansada daquele jogo. Todas as emoções entravam agora e eu sentia os pedaços se partindo. A dor aumentava. 

Apenas assenti e sorri sem nenhuma vontade. 

– Foi mesmo muito bom encontrar vocês, mas já estamos de saída e vocês também. Não queremos atrapalhar. Viemos só dar um oi. - comentei. Segurei a mão de Peter e esperei ele dar tchau para seguir até o balcão do caixa. Em nenhum momento após isso eu olhei para Tom e eu sentia seu olhar sério em mim. 

– Ela é tão bonita - comentei com Peter vendo eles se afastarem. 

– É sim. Formam um belo casal. 

Prendi a respiração e voltei a engolir o desespero. Se eu rompesse as lágrimas ali não pararia mais. 

Fomos andando para a saída e eu respondia algumas perguntas de Peter, comentava alguma coisa ou outra. Chegamos nas portas e ele insistiu para me levar em casa mas recusei. Lhe dei um abraço forte e me despedi prometendo que nossa amizade ia continuar. Esperei ele partir com a moto e fui até o ponto de táxi mas antes de chegar um carro parou recostado na calçada que eu ia atravessar. O vidro abaixou. Olhei e vi Tom no carro. 

– Entra aí, te levo em casa. - ele pediu de forma educada e simpática. Eu quis rosnar pra ele de tanta raiva. Seus olhos mostravam que ele queria atenção e eu pude adivinhar as desculpas que ele me daria. 

– Não precisa se preocupar. Posso pegar um táxi. - eu ia me afastar mas sua mãe saiu do carro e insistiu para que eu entrasse. 

Aquele dia poderia ficar pior? 

A senhora de cabelos grisalhos e expressão doce esperou pacientemente com um sorriso nos lábios, então fui até lá e me sentei ao seu lado tentando ignorar que Debora estava do lado dele. 

Não tive tempo de me habituar com meu desconforto e talvez tenha deixado transparecer mas a mãe de Tom conversava comigo e falava bastante me fazendo perguntas sobre meus estudos, mantendo minha mente ocupada em tentar responder, o que era bom para meu plano de ignorar a existência das duas pessoas na minha frente. Debora também falava comigo e eu respondia rapidamente. 

Não reparei que ele fazia outro caminho e só entendi o que ele estava fazendo quando ele estacionou em uma rua desconhecida. 

– Volto logo, mãe. Vou deixar a Amanda e Debora em casa e depois tenho que passar na escola para pegar umas coisas que esqueci. 

– Ah, não precisa se preocupar, Tom.  Vou descer aqui com sua mãe para mais um pouco de prosa - Debora sorriu e olhou para a sogra no banco de trás. 

– Sabe que se quiser dormir aqui, a casa é sua. - disse a senhora. 

– Não será preciso. Depois posso ir andando para o apartamento. - Debora sorriu - Tchau, Amanda. Foi um prazer conhecer você. E boa sorte com seus estudos. Lancei um sorriso tímido para ela e para a mãe de Tom, vendo elas saírem do carro. Reparei que ela não o beijou e também reparei que nenhum dos dois usavam aliança. Esperei até que as duas se afastassem o suficiente e abri a porta para sair. Em vão. Estava trancada. Olhei para a janela aberta.

– Nem pense nisso - ele fechou as janelas também e me olhava pelo retrovisor. 

– Você não tem nada para pegar na escola e não vai me levar em casa. É melhor você ficar com sua família. 

Ele não respondeu, voltou a dirigir de olho na estrada. 

– Podemos fazer isso do jeito fácil ou do difícil, Amanda. Você escolhe.

– Quer dizer que tenho esse maldito direito?! - zombei aumentando a voz e me odiando por não consegui refrear mais as lágrimas. - Que bondade a sua. 

– Vamos conversar sobre isso e você vai entender. Não tire conclusões precipitadas. 

– Precipitadas sobre o quê, por exemplo?! Ah, a sua esposa? Ou sua mentira?! Você disse que estaria fora e ocupadíssimo, por isso não nos encontramos. Esse tempo todo você tem mentido pra mim não é? Me usando como uma vadia…

– Pelo amor de D…

– Não use esse tom comigo! - gritei acima da voz dele e depois me encolhi no banco. Eu queria quebrar o vidro e pular daquele carro, queria fugir daquele homem. - Me deixe ir embora, por favor. 

Ele não respondeu mas acelerou o carro e só parou quando chegou na frente do meu prédio. A noite caía junto da chuva. A rua estava vazia. 

Tentei abrir a porta e não consegui. 

– Por favor. A única coisa que quero de você é que abra a merda da porta. Me esquece, me deixa ir. 

Ele me olhou sério por um tempo pelo retrovisor e suspirou retirando o óculos e passando a mão nos cabelos. 

– Ela é sua esposa? - me ouvi perguntar. Me preparei para a resposta que já sabia. Ele me olhou novamente, muito sério. 

– Sim. - ele respondeu. 

Soltei um gemido de dor e apertei o peito. Os soluços romperam e meu rosto queimava pelo esforço do choro contínuo. - Mas não como você acha.

 Não olhei para ele. Escondi o rosto nas mãos, acuada. 

Ouvi quando ele saiu do carro, abrindo a porta ao meu lado e entrando. Se sentou no banco e virou para mim. 

– Não - murmurei sem tirar as mãos do rosto. Ele segurou meus braços e afastou minhas mãos. Seus olhos também estavam vermelhos e molhados. 

– Por favor não fique assim - ele pediu baixo em um tom morno e delicado que me feriu mais ainda - Me escuta. 

O olhei sentindo a paixão que corria por mim, vendo nele tudo o que eu desejava e queria… vendo ele ir embora e me deixando. Vendo ele me usando como um corpo para proporcionar prazer apenas. Eu joguei tudo isso em sua cara, berrei em plenos pulmões e em meio ao choro. Ele tentava me acalmar me segurando mas comecei a bater em seus braços e empurrar seu corpo para longe de mim ouvindo ele murmurar desculpas "eu não tenho nada com ela", "nos separamos mas não assinamos os papéis, é isso", "entenda, Amanda. Eu não a amo".

Aquilo me enfurecia mais e eu surtei em violência me debatendo com ele enquanto ele tentava me acalmar em vão. Eu berrava e xingava "seu filho da puta, eu não vou cair nas suas desculpas de sempre", "você me usou como uma vadia qualquer, é isso o que sou pra você".

Num momento era isso, ele tentando me fazer parar de gritar e respondendo, dando respostas que eu gostaria de ouvir se estivesse calma. Mas eu estava transtornada, agressiva e desesperada tentando causar nele pelo menos o mínimo de dor que eu estava sentindo. E, em outro momento que eu não sei exatamente como aconteceu, eu estava sendo puxada para seu colo e minhas agressões combinaram com o tesão que senti. Ele perdia a paciência e apelava para isso me esfregando os lábios, empurrando a língua na minha boca. Mordi seu lábio e senti o gosto de sangue mas ele apenas grunhiu e me manteve presa a ele com punhos de ferro me segurando em ambos os braços. Eu puxava seus cabelos e arrancava seu terno, rasgava seu blusão sentindo os botões voarem por ali resvalando em mim ao passar e cair no chão. Mordi sua pele e senti ele soltando meus cabelos. Nossa respiração era uma loucura e meu choro nunca parava. Meus gritos viraram grunhidos e meus lamentos se tornaram gemidos de prazer e dor. Tom ficou exasperado também, me jogando no banco apertado e arrancando minha calça jeans com toda a força bruta do momento. Sua calça foi arriada e vi seu pau duro como pedra, tão grosso e com veias saltadas proeminentes. A cabeça estava melada por seus fluídos. Vi tudo rapidamente enquanto ele se ajeitava e metia em mim com força. Senti dor mas o arranhei em resposta. Tom sibilou e se moveu metendo cada vez mais seus centímetros, me tomando, me fodendo. Meus mamilos foram chupados em desespero e do mesmo modo ele me beijou e moveu os quadris. Ele repetia "não vai me deixar", "não é nada do que você imagina", "por favor, confia em mim". 

Me surpreendi por estar gostando daquilo, do atrito de sua barba em meu rosto, me enchendo com seu aroma, com sua saliva, com seu pau. Uma sensação de possessividade me apossou e me senti feliz por ele estar ali dentro de mim e não com ela. Me odiei por aquilo e chorei mais, gemendo, soluçando e beijando aquela boca maravilhosa, aquele gosto era meu. Apertei seus cabelos querendo encapsular o momento para sempre. Ele era meu. Só meu. E cada estocada daquele pau provava isso e cada gemido rouco de sua garganta era por mim, pra mim. Ele era meu.

Seu jorro de gozo derramou em mim e soltei um longo gemido ao atingir meu orgasmo. Foi tão intenso que perdi os sentidos por um tempo. Meus músculos demoraram pra relaxar. Eu sentia Tom me beijar e recitar na minha pele que eu era a sua garota. 

– Minha menina linda - ele sussurrou beijando e ofegando contra meu pescoço e rosto. 

Ficamos ali deitados no banco curto. Não havia mais onde nos abrigar então ele ficou por cima de mim, dentro de mim. Seu cotovelo apoiado no estofado sustentava o tronco elevado para ele me olhar. Com seu outro braço livre ele levou a mão até meus cabelos, fazendo carinho. Fiquei de olhos fechados ainda sob efeito do orgasmo. A tranquilidade e o cansaço me atingiram. Eu estava exausta e sonolenta.

– Só assim eu consigo fazer com que você me escute. - ele me olhava, eu sentia isso mas não abri os olhos. 

– Estou ouvindo. - murmurei. 

– Tudo bem - ele respirou fundo. - Eu e Debora fomos casados por uns dois anos. Antes disso namoramos por quatro, mas acho que sempre nos conhecemos. Nossas famílias são muito amigas e sempre quiseram isso. Crescemos juntos mas só fomos namorar quando tínhamos 29 anos, depois dos estudos e de toda a fase adolescente, jovem e adultos. Era pra mim, a coisa certa a fazer. Nós havíamos passado por muitas coisas mas a amizade perdurou e num reencontro acabamos decidindo ficar juntos. Foi bom enquanto durou mas eu não a amava como ela esperava e isso causou muitas brigas e desgaste no relacionamento. Ela perdeu um filho nosso e se culpou demais, se afastou de mim mas eu não percebi tanto pois já estava afastado há tempos. Eu era infeliz e ela também estava ficando e percebendo que aquilo não daria certo. - Tom fez uma pausa e abri os olhos, ficando curiosa pelo resto. Ele deu um sorrisinho triste e continuou - Ela recebeu uma proposta de emprego fora do país. Eu aproveitei pra anunciar a separação e deixar ela livre pra ir​. 


Ele parou e limpou a garganta. Seus olhos buscavam em meu rosto as expressões mas eu não tinha nenhuma. Apenas pensava no que ele havia me dito. Parecia a verdade mas eu poderia colocar a mão no fogo por ele? 

– E agora ela voltou - pontuei, falando enfim com a voz rouca de ter gritado. 

– Voltou. - ele bufou - e com isso toda a mobilização da minha família para que a gente não assine os papéis do divórcio​. Antes eu não assinaria. Deixei o assunto para lá. E se ela voltasse, conversariamos sobre. Mas… u eu conheci você e então um dia liguei para ela pra informar que eu ia iniciar o processo do divórcio. Ela ficou surpresa. Acho que não esperava por isso. Deve ser por esse motivo que retornou. 

– Por que você sentiu que devia fazer isso? E, por que nunca me contou?

– Você apareceu e rapidamente mudou muita coisa. Eu devia ser cauteloso, mas nunca​ cogitei ser de alguma forma errado. Sabia que tinha que te contar mas achava que você não iria reagir bem. Pensei, por tolice minha, que deveria primeiro me divorciar e então falar sobre tudo. 

– Ou nunca me contaria. - reclamei - podia dizer pelo menos dizer que ela estava aqui. No exato momento que você soube disso era pra ter me contado tudo, mas foi se encontrar com ela. 

– Ela chegou ontem e me pegou totalmente de surpresa. - Tom franziu a testa - minha mãe marcou esse encontro comigo mas não disse que Debora estava lá. Por isso discutimos, mas não adianta falar se você não for acreditar. 

– Estou muito magoada com tudo isso. - as lágrimas voltaram - eu achava que já era difícil antes para a gente. Agora então… não sei como vou aguentar. 

– Eu sei, Amanda - seus olhos brilharam, úmidos. Ele acariciou meu rosto. - Mas por favor, me dê um voto de confiança. Vamos conversar sobre isso. Posso responder qualquer pergunta que você faça. Vou fazer ela assinar os papéis. 

– Ela não vai querer.

– Vai sim. Uma hora ela vai ver que eu não a quero. 

– Se eu fosse ela não assinaria. Eu nunca desistiria de você.

Ele me olhou com súplica nos olhos.

– Mesmo? Não desiste de mim, então. Eu sou seu. 

Chorei baixo. Tom saiu de dentro de mim e nos vestimos. Ele me puxou para perto quando nos sentamos. 

– Disse que não sei como vai ser - funguei. - não quero ter tantas expectativas. 

– Eu não tenho mais nada com ela. Me desculpa por não ter dito nada antes. - ele virou meu rosto para o dele e me beijou. - Não quero mais ninguém, não penso em mais ninguém a não ser você. 

– Vou precisar de um tempo pra processar tudo isso - correspondi o beijo e o olhei depois. 

– Não se afaste de mim - ele pediu, triste. 

– Só uns dias. Preciso organizar minha mente para as aulas. Não posso deixar que isso me afete. 

– Eu sei. 

– Continue me mandando mensagens e me ligando. E não se encontre com ela. 

– Pode deixar - ele assentiu. 

– Sei que não tenho o direito de pedir algo assim, já que não tenho oficialmente nada com você, mas peço mesmo assim. 

– Você​ tem meu coração - ele beijou minha mão e me despedi, descendo do carro de cabeça baixa, tentando arrumar o cabelo e andando depressa pra fugir da chuva. 


Tomei um longo banho de chuveiro com a água quente descendo pela minha cabeça. Que dia fodido! 

Chorei muito até estar tão cansada que considerei sentar ali mesmo e dormir. Me arrastei para fora do banheiro e dormi sem jantar, do jeito que me joguei na cama, de roupão, fiquei até o outro dia.


Notas Finais


E aí?! 😁


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