História My immortal - Capítulo 8


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Categorias Good Omens
Personagens Anathema Device, Aziraphale, Crowley, Madame Tracy, Personagens Originais
Tags Anathema Device, Aziraphale, Beelzebub, Belas Maldições, Crowley, Fanfic, Gabriel, Good Omens, Ineffable Husbands, Madame Tracy
Visualizações 37
Palavras 2.311
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, LGBT, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


avisos:
as notas finais são importantes e
esse capítulo tem um gatilho muito forte, então se vc não se sente bem com esse tipo de conteúdo não leia, ou pelo menos se prepare psicológicamente se for ler, é isto.

Capítulo 8 - Oito


— Anathema pintou minhas unhas de preto.

— Ficaram ótimas em você, querido — Disse Aziraphale abrindo o portãozinho do gramado, deixando Crowley passar na frente.

— Ela não limpou o borrado, maldita.

O caminho do portão até a porta do estúdio estava coberto por neve, tiveram dificuldades mas conseguiram chegar até ela. Aziraphale pegou as chaves e destrancou a porta.

— Tenho certeza que você mesmo pode limpar as... — Aziraphale empurrou a porta mas ela não abrira — Que estranho.

— O que?

— Não consigo abrir a porta, parece que tem algo bloqueando.

— Deixa eu ver isso pra você — Crowley empurrou a porta mas ela se mexeu minimamente. Os dois empurram juntos e um barulho arrastado de fez quando finalmente conseguiram abri-la.

Os sons justificavam a cena, assim que entrou, Aziraphale viu todas as suas obras espalhadas pelo chão, quebradas, a poeira estava forte assim como o cheiro de enxofre. Sentiu as pernas tremerem, o corpo físico sentia toda a adrenalina do medo, caminhou entre os pedaços de anjos "mortos".

— Que diabos é isso? — Disse Crowley boquiaberto, confuso pelo estado do local.

Ao andarem pelo meio das pedras, perceberam algumas cinzas e imediatamente viram que todos os livros haviam se queimado

— Deus do céu. O que aconteceu aqui, Crowley?

— Como você espera que eu saiba disso?

— Eu espero que você saiba.

— Você tá brincando? Eu não acredito que esteja pensando que eu tenho algo haver com isso.

— Eu não disse isso.

— DISSE... acabou de dizer. Espera, você é um anjo que vive em um mundo onde seres sobrenaturais existem mas acha que EU teria feito isso?

— Crowley não seja dramático, eu não quis dizer...

Passou pela porta um anjo de supetão.

— Aziraphale! Pelo amor de mamãe você está vivo — Disse Gabriel com aparência angustiada indo abraçar o loiro.

— Estou, mas...

— Beelzebub me disse o que os demônios fizeram aqui, pensei que você estivesse... morto?

— Então isso é coisa dos demônios, eu deveria saber — Aziraphale disse suspirando.

— Agora você sabe — Crowley usou máximo de sarcasmos que podia encarando os anjos.

— M-me desculpe... eu estou nervoso — Aziraphale disse desprendendo-se do aperto de Gabriel, se dirigindo ao ruivo e selando rapidamente seus lábios. — Peço que me perdoe.

Crowley apenas sorriu compreensivo, ainda estava magoado, mas resolveu dar os ombros.

— Você é um anjo? Não... deve ser um dos demônios, eu nunca o vi lá em cima — Disse Gabriel apontando para Crowley.

— E-eu? Não, eu sou um... humano. Sim, é isso que eu sou.

— Ah, um humano, entendo. Aziraphale eu poderia conversar a sós com você? Lamento pelos seus objetos materiais, mas isto é realmente sério.

— Ahn, c-certamente.

Os dois olharam para Crowley.

— E-eu vou... até a cozinha, é bom ver se não quebraram a geladeira, não é? Beber água é bom. Vou indo, deixar vocês à sós — Disse Crowley apertando o ombro de Aziraphale e dando as costas para sair do estúdio pelo corredor.

Depois que o ruivo sumiu, Gabriel caminhou envolta de Aziraphale.

— Por favor sente-se. O que houve? — O anjo apontou para o sofá, a única coisa ali que realmente estava inteira.

— Serei breve — Começou Gabriel. — Não pode levar isto adiante, não tem ideia de como é perigoso.

— O que?

— O humano, Aziraphale. É perigoso demais deixa-lo aqui, além do pertinente fato de ele ser imortal.

— Acredite, eu sei. Eu sei perfeitamente, mas não posso lutar contra isso. Eu tentei, mas não consigo me afastar dele, mesmo sabendo dos perigos e que um dia ele... — Aziraphale não conseguiu terminar antes que algumas lagrimas caíssem de seus olhos.

— Ele morrerá, sim, isso vai acontecer. E se demorar a velhice aparecerá e o que você vai fazer? Se permitir que isso dure mais do que deveria a administração provavelmente tomará graves providências.

— A administração? — Disse Aziraphale se levantando do sofá. — Deus me perdoe, mas esse é o menor dos problemas.

— Por enquanto. Veja o que aconteceu com o seu estúdio, seus livros, suas obras, quer que isso aconteça ao humano? E se ele morrer por sua causa? Aposto que não vai querer essa culpa em sua consciência. É muita dor, até mesmo para um anjo, então eu sugiro que faça isso enquanto ainda há tempo.

Aziraphale enxugou as lágrimas e permaneceu em silêncio, fitava a escultura de ouro de Crowley, que ironicamente foi a única que permaneceu inteira.

— Sabe Gabriel, eu lembro... de você... me dizendo que eu deveria pagar para ver; lembro de você nesse sofá, quase morto, quase morto por alguém, alguém de um lado oposto ao seu; lembro que você não hesitou nem por um segundo em lutar por Beelzebub, então, por que eu deveria desistir?

— Beelzebub é imortal, não acontecerá nada à elu. Fora que o ruivinho sabe demais, ele sabe que você é um anjo, sabe de tudo, tenho certeza de que nem o céu e nem o inferno aprovam isso.

— Eu sou um anjo, posso protegê-lo.

— Não pode, do tempo e muito menos da morte. Pense nisso Aziraphale, é para o bem de ambos.

O anjo não soltou uma só palavra e nem ao menos teve coragem de olhar para Gabriel.

— Bem, eu disse que seria breve. Agora eu preciso ir — o arcanjo mais uma vez, desapareceu no ar

-

A noite caiu, Crowley e Aziraphale limparam o estúdio durante a tarde inteira, recolhendo os pedaços quebrados e tentando salvar o máximo de livros possível, alguns tiveram apenas uma folha ou outra queimada, mas outros estava completamente em cinzas.

Aziraphale passara o dia distraído, meio que inexpressivo e Crowley entendeu que o motivo era por ter pedido toda sua obra, anos de trabalho sendo jogados em sacos plásticos, então decidiu não o incomodar com perguntas sobre seu humor. Naquele momento o ruivo estava varrendo o chão até que sua atenção foi levada à Aziraphale, que sentou-se no degrau do piso segurando um pedaço de mármore quebrado.

— Eu faria isso por você.

— O que? — Disse Aziraphale assustado pela quebra repentina do silêncio.

— Eu faria isso por você — repetiu Crowley. — Um milagre. Se eu fosse um anjo faria um milagre e traria de volta todas as duas coisas, sim, eu faria.

— Tem algo que você pode fazer por mim. — Disse Aziraphale ainda sério.

— O que? — Perguntou o ruivo animado.

— Crowley... eu... quero que você vá embora.

O ruivo ficou parado, desnorteado, sem saber o que dizer e nem se o que o anjo dissera era sério.

— O-o que eu fiz? Foi por que eu falei do milagre?

— Não, Crowley. É o melhor a se fazer, me deixe proteger você, não o quero em perigo e perto de mim você não estará seguro.

— Você é o meu anjo, Aziraphale. Nada pode acontecer.

— Não posso proteger você da morte.

— Claro que pode, pode me tornar imortal. Me faz um anjo como você, me faça ter asas, poderes, eu quero isso, mais do que qualquer outra coisa.

— Eu não tenho poderes para isso, Crowley. Sou apenas um anjo, não posso tornar pessoas imortais, não dá.

— Então me diga — Crowley disse com certo desespero, largando a vassoura no chão e indo até o loiro. — Me diga o que eu preciso fazer para ser imortal.

— O que? E-eu não sei, não é assim tão simples, não pode se tornar algo que você não nasceu para ser. Você não nasceu para ser um anjo, nem lhe agradaria a imortalidade.

— Eu quero isso, eu quero fazer parte disso. Quero experimentar esse mundo, esse lado, a imortalidade.

— Crowley, por favor — Disse pondo-se de pé. — Não torne tudo mais difícil do que é.

— Eu pensei que você sentia algo.

— Eu sinto — Disse o anjo com os olhos marejados — Eu amo você, Crowley. Por isso, peço que vá embora.

— E-eu amo você, anjo.

Aziraphale segurou o rosto do ruivo e o beijou, as lágrimas de ambos deixaram o beijo com um gosto salgado, não que importasse. Contra a vontade de Crowley, o anjo encerrou o contado entre seus lábios e deu as costas para ele, não queria vê-lo passar pela porta e ir embora.

-

Crowley e Aziraphale passaram a semana inteira bêbados, em suas respectivas residências. O anjo bêbado só conseguia ficar quietos no quarto com seus pensamentos voando por coisas bobas, Crowley por sua vez, brigou duas vezes com seu amigo zelador do prédio que não permitiu que ele dirigisse o Bentley. O ruivo não queria voltar à Tadfield, mas lembrou do motivo de tudo ter acontecido, a escultura, era sua, ele deveria a possuir por direito.

Não bebeu naquele dia, então conseguiu sair aos rotineiros 180 km/h pela estrada. Seu coração apertou quando atingiu a cidade e pensou a cada segundo em votar, quando pode perceber, já estava em frente a caso do anjo. Demorou para sair do carro, segurou o volante por um bom tempo, mas notou que o loiro estava do lado de fora com uma pá, para tirar a neve do caminho de pedras, encarando o Bentley.

Uma discussão começou no portãozinho até a entrada do estúdio.

— LEMBRE-SE DE QUE VOCÊ FEZ PARA MIM ENTÃO ELA É MINHA.

— EU TENHO TODO DIREITO SOBRE ELA — Gritou Aziraphale abrindo a porta indo em direção à escultura de ouro.

— SOU EU, EU PEDI PRA FAZER ENTÃO É MINHA, ME DÊ ANJ... AZIRAPHALE.

— Crowley, você veio aqui só pra isso? Eu quero ficar com ela, é a única forma de ficar perto de você.

— Não. Eu vim porque tem algo que eu preciso fazer.

Aziraphale não e moveu, mas estava tremendo e seu coração estava apertado pela presença do ruivo ali. Crowley segurou a escultura pelos ombros e fechou os olhos.

— DEUS! ESTÁ ME OUVINDO? VOCÊ PODE LEVAR TUDO DE MIM, PODE LEVAR MINHA ALMA, EU NÃO A QUERO... SÓ PEÇO QUE ME DÊ A SORTE DESTE PEDAÇO DE OURO, ME DÊ A IMORTALIDADE. ME MOSTRE A IMORTALIDADE.

O anjo observava, incrédulo, não seria possível Crowley chegar aquele ponto e não deveria interromper.

— FIQUE COM ESSA ALMA VAZIA — Continuo o ruivo. — DÊ PARA... MIM, DÊ PARA... o que eu fui um dia, feito de ouro.

Crowley suspirou, abriu os olhos, soltou a escultura e se voltou para Aziraphale.

— Crowley o que você...

— Eu sou imortal agora. Li isso em um livro, tenho certeza que foi do seu ex-namorado. Pensei não ser possível, mas agora que sei da existência de tudo isso, posso ver que é real.

— Oh Crowley... quando se tornou tão ingênuo?

— Não sou ingênuo, é o meu desejo.

— PELO AMOR DE DEUS — Aziraphale gritou assustando o ruivo. — O TE FAZ PENSAR QUE ISSO É TÃO FACIL ASSIM, CROWLEY? Não pode citar o nome do todo poderoso em vão.

— Jura que eu tô aqui praticamente dando a minha alma e você tá preocupado com um pecado de merda?

— Espero que mamãe perdoe você.

— Estou tentando por nós, por mim, por algo que quero.

— Não é assim que se torna imortal, Crowley — Aziraphale disse desviando o olhar do ruivo e empurrou a estátua para perto do piano.

— Espera, você disse que não sabia como fazer isso.

O anjo estremeceu, a velha sensação de falar sem pensar estava lá, mas dessa vez não sabia como concertar tudo.

— E-eu não sei.

— Não mente pra mim, não vai ajudar em nada.

— EU NÃO SEI, CROWLEY. NÃO QUERO QUE VOCÊ SAIBA, ISSO É... É... SUICÍDIO.

— Suicídio? — Repetiu o ruivo, pensativo.

— Não. Me diz, por que veio aqui? Não estava difícil o suficiente? Não existe mais "nós", já acabou — Disse Aziraphale se aproximando do maior.

Crowley engoliu seco e suspirou.

— Eu disse, certa vez, que você nunca mais me iria me ver. Bom, chegou a hora de cumprir, não é?

O anjo só voltou a si quando a porta bateu, deixando-o sozinho, segurando na imagem de ouro.

-

Assim voltou ao apartamento, pela noite, Crowley procurou uma das garrafas mais antigas de vinho que guardava, pegou-a e ao passar pelo corredor, observou as plantas que estavam ali; notou um pequeno vaso com uma planta de flores brancas, logo lembrou que se tratava de sua hemlock.

Hemlock era uma espécime de Crowley tinha, foi muito famosa entre os gregos pelo veneno de suas folhas sendo sua ingestão totalmente fatal. O ruivo a levou para a sala e a colocou em cima da mesa; abriu a garrafa e despejou o vinho na taça, respirou fundo e olhou para a planta, moveu suas mãos, arrancou algumas folhas e imediatamente as amassou dentro do vinho. Naquele instante, Crowley tremia, o nervosismo fez uma gota e suor se formar em sua testa. Levou a taça até perto da boca, pensou por um momento, até uma lágrima escorrer de seus olhos, então, em um impulso, bebeu todo o conteúdo da taça. Tirou os óculos e não demorou nada para sentir sua respiração sendo dificultada junto aos músculos das pernas completamente travados. Foi escorrendo da cadeira e caiu de bruços no chão, a respiração já estava comprometida, os espasmos nas mãos pararam assim que a paralisia chegou à todos os seus músculos. A agonia se sentir todos os órgãos morrerem não se comparava à de não poder respirar, tentou puxar ar pela boca, sem sucesso, tudo o que conseguiu foi emitir sons de desespero. Não demorou nada além de segundos, os segundos mais agoniantes de sua vida, para que Crowley estivesse, sozinho, morto no chão da sala.


Notas Finais


então gente é o seguinte: crowley não fez o que fez por causa de macho não, ele simplesmente quer ser imortal e infelizmente não há outro jeito pra isso. e, so pra esclarecer, não levem isso como algum tipo de influência ou incentivo, cuidem de vocês.


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