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História (Não) Me Deixe - Capítulo 2


Escrita por: twngoox

Notas do Autor


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Capítulo 2 - BÔNUS: Para Sempre


(NÃO) ME DEIXE

BÔNUS: PARA SEMPRE

Escrito por twngoox







O sentimento de aflição e incerteza correu pelas vias sanguíneas do homem, que pediu licença da mesa e caminhou atordoado até o lado externo da casa, se sentindo um pouco melhor com a brisa fresca que batia em seu rosto. Encarou os pés e suspirou cansado, focando seu olhar no céu estrelado quando seus pensamentos voaram para bem longe. Sua mente regrediu para cinco anos atrás, no exato momento em que foi obrigado a deixar sua antiga vida, lhe fazendo andar milhas em uma floresta densa e perigosa enquanto se escondia de oito alfas determinados a lhe capturarem. Algumas lágrimas caíram pelas bochechas rosadas, lembrando do olhar severo e furioso dos pais, que não pensaram duas vezes em cogitar a ideia de mandar seu único filho ômega para a execução, sem ter uma gota de empatia pelo rapaz. As mãos pequenas limparam as lágrimas quentes, mas essas persistiram em cair e um soluço sofrido escapou por sua garganta. Assustou-se quando sua cintura foi abraçada, mas o cheiro de menta denunciou a identidade da pessoa que estava ali, então, Chanhee continuou soltando as lágrimas grossas, tentando aliviar a dor que sentia em seu interior. — Meu amor, não chora, por favor… – Younghoon pediu enquanto deixava alguns selares sobre a marca que enfeitava a curvatura do pescoço pálido, tentando acalmar o marido de alguma forma. O Kim mais novo suspirou e secou os olhos com as costas das mãos, fungando mais um pouco antes de se virar e espalmar as mãos no peitoral do alfa. — Você pode ficar em casa se quiser, amor, foi só uma ideia… 

— Não, eu quero ir com você, Hoonie, eu só… só não esperava… – Murmurou escondendo o rosto na curvatura do pescoço do alfa. — Não pensei que fosse voltar para aquele lugar depois de tanto tempo… – Comentou e escutou o mais velho suspirar, acariciando as costas alheias por cima da camiseta branca. Ficava mais calmo quando os feromônios mentolados entraram em seu olfato, se sentindo um tolo por ter reagido daquele jeito com o pedido gentil que seu marido havia lhe feito. Todavia, foi um choque para si quando ouviu Younghoon dizendo que faria uma viagem para a alcatéia do sul e ainda mais quando ele lhe perguntou se queria o acompanhar. — E os meninos? Com quem ficariam? 

— Nós podíamos levá-los conosco, amor. O que me diz? 

— Seria incrível, eu irei mostrar para eles todos os lugares que eu ia quando era criança, as brincadeiras, os doces que comia e… e… – Perdeu o fôlego e ouviu o alfa rir, se afastando para encarar o rosto alheio e sorrindo ao sentir os polegares limparem suas pequenas lágrimas de emoção. 

— Eles irão adorar, minha vida, mas… hm… você acha que seus pais irão querer te ver? 

— Tenho certeza que não… Mesmo tendo se passado tantos anos, eles são do tipo rancorosos… – Murmurou dando um suspiro no final, assistindo o mais velho morder os lábios. — Entretanto, será melhor assim, mesmo se eles me aceitassem novamente, fariam questão de me lembrar do erro que cometi. Os meninos não precisam conviver com pessoas assim, seus pais são maravilhosos e ótimos avós, é o suficiente. – Concluiu e Younghoon balançou a cabeça em concordância, o ômega sentiu uma gota de água cair perto de seu olho, rindo e abraçando o alfa com força enquanto a chuva lentamente ia pegando força. 

— Minha vida, vamos entrar, sim? Não quero que você fique doente. – Younghoon agarrou a cintura alheia e caminhou com o ômega para dentro de casa, um pouco molhados pelos minutos consideráveis que ficaram na chuva. Chanhee sorriu e deixou o alfa lhe guiar para o quarto, o qual foi colocado sentado na cama e assistiu o marido puxar uma toalha do guarda-roupa, caminhando até si e começando a enxugar seu cabelo loiro. Suspirou satisfeito e fechou os olhos, aproveitando a sensação de cuidado e carinho que estava presente em seu peito, não reparando quando o alfa se aproximou de si de forma rápida. — Coloquei nossos bebês para dormir antes de ir te encontrar na varanda… – Murmurou sugestivo no colo do ouvido alheio enquanto colocava a toalha em seu lado, as bochechas do ômega ficaram vermelhas e um sorriso pequeno pairou em seus lábios. 

— Isso significa que temos a noite toda para nós?

— Exatamente, minha vida. – Mordeu o lóbulo de sua orelha e Chanhee se arrepiou ao sentir as ondas de excitação vindas do selo juntamente da queimação insistente. Younghoon sorriu e empurrou o mais novo de forma gentil para a cama, escutando um arfar vindo do marido e as mãos alheias se enrolaram em seus fios da nuca. Os lábios se encontraram em um beijo afoito, com as mãos explorando os corpos alheio como se fosse a primeira vez, encerrando a noite compartilhando o prazer entre si e enchendo o quarto com sua nuvem de amor. — Eu amo você. – Sussurrou enquanto deixava marcas na região da clavícula, descendo para os mamilos e prendeu o esquerdo entre os dentes, escutando o gemido sensível do marido. Chanhee mordeu os lábios e puxou o mesmo homem para cima, beijando os lábios finos com paixão. — Amo tanto você… – Balbuciou contra os lábios, recebendo outro selinho antes do mais novo se afastar, Younghoon encarou os olhos brilhantes e seus lábios se curvaram em um sorriso. Eu também te amo, o Kim mais novo transmitiu com o olhar e o mais velho alargou o sorriso. 







Chanhee sorriu ao dobrar a última peça de roupa infantil, fechando a mala e suspirando cansado quando esticou as pernas, se sentindo aliviado com a sensação. Se levantou da cama e colocou as duas bagagens ao lado do armário, caminhando até a porta e girando a maçaneta, arfando surpreso quando deu de cara com o peito do alfa, ergueu o olhar e um sorriso afetuoso pairou em seus lábios, encarando o rosto alheio com apreço e ganhou um beijinho no nariz. — Já terminou, meu amor? – Perguntou com carinho e o ômega balançou a cabeça concordando, aconchegando a cabeça na curvatura do pescoço do mais velho, inalando o cheiro forte de menta enquanto respirava de forma tranquila. — Você realmente está bem com isso, amor? Você sabe que não precisa ir se não quiser. – Disse novamente, lembrando ao seu esposo que ele poderia ficar em casa caso se sentisse desconfortável em voltar para o sul.

— Não se preocupe, Hoonie, eu quero te acompanhar, não vou mentir que vai ser difícil voltar, mas eu sei que vai ficar tudo bem porque vocês vão estar comigo. – Murmurou enquanto brincava com os botões da camisa alfa, sentindo um aperto carinhoso na cintura. — E também não quero que nenhum ômega do sul pense que você está disponível. – Se afastou e o mais velho riu com o biquinho chateado enfeitando os lábios.

— Você sabe que eu só tenho olhos para ti…

— Eu sei, mas eles não sabem e conheço muito bem os ômegas do sul. – Revirou os olhos quando escutou a gargalhada do marido, batendo em seu peito para chamar sua atenção, observando o alfa continuar rindo mesmo depois de ver sua expressão séria. — Hoonie! Você… você não sabe como eles são! Eles ficam igual uma raposa quando encontra sua presa ao verem um alfa atraente, minha mãe disse que podem até roubar seu marido se você não marcar presença! – Disse horrorizado e Younghoon achou graça no rosto desesperado. — Não quero que eles roubem você de mim…

— Não vão, meu amor, eu nunca te deixaria por outro ômega. – Afirmou com convicção, escutando um suspiro aliviado do esposo e um sorriso carinhoso enfeitou seus lábios. — Você é o ômega que eu sempre quis, minha vida, e eu quero que saiba que nem a morte vai nos separar. – Younghoon concluiu apertando sua cintura com firmeza, Chanhee se sentiu melhor ao ouvir aquilo. — Eu te amo, Hee, muitíssimo… 

— Eu… – Começou a falar, mas logo foi interrompido e isso fez ambos desviarem o olhar para o fim do corredor, observando as duas figuras pequenas correndo até os dois.

— Papais! Vocês ainda não estão prontos? Eu quero ver a neve! – O pequeno alfa choramingou enquanto puxava a manga do moletom azul que Chanhee usava naquele dia, um sorriso apareceu no rosto do mais velho e logo se abaixou para pegar o filho no colo. Levou seu olhar para o marido, que estava segurando o caçula da família enquanto beijava suas bochechas. — Vamos logo, papa! – Prolongou as vogais das palavras de forma dengosa.

— Papa, é verdade que no sul neva o ano todo?

— É sim, meu amor. – Chanhee respondeu e observou o olhar do ômega mais novo se iluminar, deixando uma pequena risada escapar por seus lábios rosados. Entretanto, entendia o porquê da reação alheia. No norte nevava apenas no inverno e as temperaturas eram altas nas outras estações, tanto que foi difícil para o ômega se acostumar com a mudança de ambiente quando foi acolhido por sua atual alcatéia, e, já no sul era o total oposto. — Quando estivermos lá, iremos tomar um chocolate quente e assistir a um filme bem legal. 

— Com bastante marshmallows, papa! – Minho exclamou animado e Chanhee riu, balançando a cabeça em concordância e trocando os filhotes com o marido, pegando o ômega menor no colo e deixando o alfa com Younghoon.

— Papi irá comprar vários salgadinhos e iremos fazer uma cabana de cobertores, não é, papi? 

— Não, meu alfinha, papi estará em reunião. – O olhar decepcionado do pequeno foi notável por ambos os adultos e Younghoon suspirou cansado, deixando um selar na testa da criança. — Papi promete voltar o mais rápido possível, bebê, não fique assim. — Confortou o filhote, usando o tom carinhoso de sempre. — Seu papa estará com vocês o dia todo, tenho certeza que irão se divertir. – Younghoon sorriu e viu o esposo colocar o garotinho no chão, dando um passo para trás para pegar as malas dos filhotes. Logo mais, o alfa seguiu o mesmo gesto e foi pegar as bagagens grandes que Chanhee havia arrumado naquele mesmo dia, deixando o filhote no chão para caminhar até o carro, o qual abriu o porta-malas e ajeitou tudo com calma, sorrindo satisfeito assim que fechou a porta e viu o mais novo ajeitando as crianças na cadeirinha. Se acomodou no banco do motorista e observou o esposo se sentar ao seu lado, inclinando o corpo para deixar um selar carinhoso nos lábios finos, deixando o alfa com um sorriso bobo estampado no rosto.

— Eca! – Os dois adultos riram da reação do caçula da família e Chanhee apertou o nariz pequeno sem força, mandando um beijo no ar e acariciou as madeixas escuras do alfa menor quando ouviu o resmungo ciumento. — Prontos ou não, lá vamos nós! – Minho disse animado quando ouviu o motor do carro ser ligado.

— Quanto tempo você dá para a agitação acabar? – Younghoon perguntou para o parceiro em um sussurro, repousando a mão no joelho exposto pela parte que a bermuda clara não cobria enquanto manobrava para sair da garagem de ré. 

— Até a metade do caminho, Minho ficará cansado e irá dormir até chegarmos no sul e Soomin vai estar entretido demais com os desenhos no tablet que não vai ter tempo para ficar pulando igual pipoca.

— É, você tem razão.

— Eu sempre tenho, jagi. – Deu uma piscadela para o alfa e o sorriso convencido pairou em seus lábios, Younghoon revirou os olhos e deixou um selinho no nariz fofo do ômega de cabelos loiros antes de voltar a prestar atenção na estrada. Se acomodou de forma confortável no banco de couro e suspirou cansado, será uma longa viagem, pensou. 

Os olhos se abriram lentamente e um gemido desconfortável escapou pelos lábios rosados do ômega assim que mexeu a cabeça, esticou os braços de forma preguiçosa e dirigiu o olhar para os filhotes, sorrindo ao ver os dois dormindo de forma pacífica e um suspiro escapou por sua boca quando percebeu que já era final de tarde, havia esquecido que para chegar ao sul era demorado. Se assustou quando a mão grande do marido acariciou sua coxa pálida, lhe causando um choque térmico pelo o quão gelada ela parecia e por este motivo que percebeu o cobertor de pelúcia que estava sobre si, o protegendo do frio intenso característico do sul. — Pelo visto já chegamos… – O ômega murmurou de forma preguiçosa, se virando para encarar o alfa, que vestia um casaco grosso e com pelúcias adornando o capuz. Younghoon sorriu e deixou um selar nos lábios gordinhos, acariciando as bochechas coradas com carinho e sentindo sua marca queimar em satisfação, coisa que fez o sorriso nunca abandonar o rosto do mais velho. — Quando foi que você me cobriu, jagiya? – Questionou de forma curiosa.

— Logo que você adormeceu, um pouco depois da metade do caminho, você fez uma escolha de roupas horrível, estava tão gelado que eu fiquei preocupado. 

— Não sei o que seria de mim sem você, amor. – Chanhee riu e foi acompanhado pelo alfa, erguendo o corpo com facilidade e ajeitando a cadeira para que pudesse voltar a estar sentado. — Pode pegar um casaco para mim? 

— Claro, yeobo. 

— Uma calça seria boa também! E botas! Não esqueça das botas! – Chanhee disse alto enquanto seguia o marido com o olhar, observando este abrir o porta-malas e mexer na bagagem do ômega, retirando tudo o que ele havia pedido e em seguida o entregando. — Obrigado, Hoonie, você é o melhor marido do mundo. – Sorriu e ganhou um beijo como resposta, rindo baixinho e começando a colocar as peças que o mais velho havia trago para si, começando pela calça moletom preta e por fim calçou as botas com penugem nas bordas. Dobrou o cobertor e em seguida a bermuda que usava naquele dia, virando o corpo para destravar o cinto de segurança ligado à cadeirinha infantil. 

Ambos saíram do carro e Chanhee tomou frente para acordar os filhotes, recebendo uma certa relutância das crianças para acordarem, mas conseguiu por fim. O ômega agradeceu por Younghoon ter colocado as roupas de inverno nos dois garotos, mesmo depois de meia década, ainda não conseguia acreditar que havia casado com um alfa tão atencioso como o Kim. Os filhotes foram colocados no chão para que pudesse ajudar ao alfa com as malas, sorrindo ao ver ambos brincando com a neve branquinha que enfeitava o chão, todavia, logo a curvatura de seus lábios foi desmanchando ao ouvir o burburinho insistente enquanto sentia os olhares queimarem em sua pele, seu lobo choramingou e Chanhee abaixou o olhar para os filhotes, se concentrando neles para não deixar os sentimentos ruins tomarem conta de si, mas obviamente falhou. Younghoon suspirou e deixou um selar carinhoso na testa alheia, tentando passar a Chanhee que estava ali para ele em qualquer situação quando sua marca começou a formigar e a sensação de desconforto se fez presente.

"O ômega desonrado dos Choi voltou?"
"Olhe só, está até com crias!"
"O que ele faz com o líder do Norte?"

O ômega abaixou a cabeça e continuou andando, sendo guiado pelo marido até a casa a qual ficariam acomodados até o final das duas semanas que passariam no sul. Younghoon colocou a mão em sua frente, indicando para que parasse por um momento, respirou fundo e levantou o olhar, não ficando surpreso ao ver seu ex pretendente e atual líder do sul conversando com o Kim mais velho. — Kim Younghoon, seja bem-vindo a nossa alcatéia, espero que goste de sua estadia aqui. – O alfa disse em um tom educado, fazendo uma reverência respeitosa e pousando seu olhar no ômega de madeixas loiras quando tornou a posição inicial. — Choi Chanhee, é uma surpresa ver você vivo. – Comentou como quem não queria nada, analisando o mais novo com um olhar afiado e rancoroso. — Pensei que havia sido comido pelos lobos já que o conselho não conseguiu dar conta de você.

— … – O ômega permaneceu em silêncio, desviando o olhar para os filhotes que estavam atrás de si enfeitando o pequeno boneco de neve que fizeram com algumas pedrinhas que haviam achado escondidas no meio do aglomerado de flocos branquinhos. Woonsik seguiu o ômega com os olhos e encarou as duas crianças que brincavam despreocupadas.

— Pelo visto você virou a concubina do líder do Norte. – Disse com uma expressão de desdém, mas logo se arrependeu ao ouvir o rosnado forte do outro alfa, recuando em um passo e observando os habitantes do sul concentrarem seu olhar nos três. Chanhee conseguiu perceber a sensação de ódio queimar em sua marca, não teve outra atitude além de deixar a mala no chão e entrelaçar seus dedos com os do marido. — Não me surpreende tendo em vista que você desonrou o nome da própria família, como é a vida de uma prostituta? Há muitos como você no harém? – Questionou de forma ácida e com um sorriso ladino em puro deboche. Chanhee respirou fundo, tentando não demonstrar fraqueza, mesmo que as lágrimas estavam ameaçando cair.

— Lee Woonsik, eu não irei admitir que você fale assim do Chanhee, ou melhor, do meu ômega. – Ralhou de forma rude, respirando fundo quando percebeu que ambos os garotos estavam agarrados na perna do mais novo. — Estou aqui para tratar de negócios, e, caso você ou sua alcatéia desrespeitar o meu marido novamente, não pensarei duas vezes em retornar para o norte e nunca mais fazer negociações com o Sul. Já se passaram cinco anos desde que foi jogado ao vento, você deveria superar isso e começar a dar atenção para o seu companheiro, Chanhee agora faz parte do Norte, não deve e nem precisa ficar ouvindo suas lamúrias. – Concluiu com a expressão séria, vendo o outro alfa abrir a boca várias vezes, mas sem de fato falar alguma coisa. Pediu licença e fora acatado pelo sulista, que soltou o rosnado que prendia assim que eles estavam a uma distância considerável de si. Chanhee soltou a respiração e deixou as lágrimas que segurava caírem, sentindo o aperto da mão do mais velho sobre a sua. Younghoon suspirou e deixou a mala no chão, envolvendo o ômega num abraço carinhoso. — Não dê importância para o que ele disse, meu amor, você sabe que eu não me importo com o que você fez no passado porque isso não define quem és. E pra mim, você é o ômega mais doce, fofo, carinhoso e sensível do mundo, e eu te amo desse jeitinho. – Murmurou perto do ouvido deste, secando as bochechas úmidas assim que percebeu que ele já não estava mais chorando. Deixou um selar nos lábios rosados antes de se afastar e tomar a mão pequena novamente para voltarem a caminhada até a casa onde se hospedariam nas duas semanas que ficariam no Sul. — Eu espero que você goste do lugar que vamos ficar, tentei me aproximar o máximo da nossa casa para que você se sinta confortável. – Younghoon comentou enquanto destrancava a porta branca, abrindo-a segundos depois. O ômega apenas balançou a cabeça em concordância e adentrou o ambiente, levando um sorriso largo para o alfa. 

— Hoonie, eu adorei! – Chanhee exclamou contente, rodando o olhar pela casa enquanto caminhava de forma lenta até o corredor, que possuía algumas portas que julgava ser os quartos. Os filhotes passaram correndo ao seu lado, entrando em um dos cômodos e ficaram agitados ao ver a enorme cama de casal presente ali, não tendo outra atitude além de subirem e a fazerem de cama elástica. — Minho, Soomin, nada de pular na cama! – Repreendeu os dois garotos assim que entrou no quarto, sendo acompanhado pelo alfa moreno. 

— Papa, a cama é tão fofinha! 

— Parece um marshmallow! 

— Eu quero dormir aqui, papa! – Soomin disse enquanto afundava o rosto no travesseiro macio, fazendo os dois adultos rirem e se juntarem às crianças, deitando na cama e acomodando os filhos de forma confortável no colchão. 

— Esse quarto é dos papais, bebê. – Younghoon explicou enquanto acariciava os fios escuros do ômega, escutando um muxoxo desapontado do alfa. Observou o esposo brincar com as bochechas do outro garoto, deixando um sorriso escapar por seus lábios. — Amor, eu gostaria muito de ficar para olhar a casa com você, mas tenho uma reunião daqui a quinze minutos. – Comentou chateado e Chanhee levou seu olhar para o alfa com um biquinho chateado. — Não faz assim, yeobo. – Choramingou com a expressão adorável que o outro se encontrava.

— Não queria que você fosse agora, Hoonie… Pensei que fossemos aproveitar pelo menos hoje em família. 

— Eu sei, bebê. – Suspirou cansado e esfregou o polegar nas bochechas gordinhas. — Entretanto, você sabe que não viemos a passeio… – Disse enquanto erguia o corpo para se levantar, deixando o pequeno ômega pegar o seu lugar na cama. — Irei me esforçar para ser rápido nas reuniões, mas não prometo nada. – Concluiu e Chanhee ofegou surpreso quando recebeu um selinho rápido, observando o marido acenar com a mão para os filhotes e mandar um beijo no ar para o Kim loiro. — Até mais tarde, yeobo.

— Até, jagiya. – Se despediu do marido com um sorriso fraco no rosto, claramente desgostoso com o fato do alfa ter que ir para uma reunião em menos de dez minutos que estavam no Sul.







Os dedos habilidosos do ômega fizeram o último ajuste no anel de cristais feito de forma artesanal, os filhotes se aproximaram do loiro e observaram com curiosidade o que o pai fazia. Quatro dias haviam se passado, nada de muito surpreendente havia acontecido, Chanhee e as crianças ficaram em casa, aproveitando do clima frio aconchegados em frente a ladeira ou assistindo a algum filme. Todavia, alguma hora aquilo iria perder a graça e o ômega mais velho não viu outra alternativa senão começar atividades artesanais com os filhotes. A princípio, temeu que as crianças não fossem gostar da ideia e acharem chato aquilo que Chanhee tanto gostava de fazer, mas se surpreendeu quando percebeu que eles haviam se interessado. Uma risada escapou pelos lábios do ômega quando viu a careta que o pequeno alfa fazia ao tentar dobrar o arame ao redor do cristal azul. — Amor, por que você não pediu ajuda ao papa para envolver a pedrinha no arame? – Questionou enquanto retirava o objeto da mãozinha do filhote, usando o alicate para auxiliá-lo no que era preciso.

— Porque eu sou um alfa forte, papa! 

— Olha, papa, eu terminei o meu! – O garotinho de traços delicados sorriu e estendeu a pulseira para o outro ômega ver sua criação. O Kim mais velho sorriu orgulhoso, pegando o objeto com delicadeza e ajustando o arame para que os cristais não saíssem de forma fácil. — Como ficou, papa?

— Ficou lindo, Minnie. – Elogiou sincero e o pequeno ômega deu um sorriso infantil, pegando mais um pedaço de arame e alguns cristais para fazer outra pulseira. Chanhee levou seu olhar para o garoto mais velho e o instruiu novamente, ajudando ele a terminar seu anel e iniciar um novo projeto. Ao perceber que ambos estavam conseguindo desenvolver os acessórios artesanais, se espreguiçou e levantou de forma preguiçosa caminhando lentamente até a porta do quarto. — Papa irá na cozinha pegar um lanche para vocês, não briguem e nem façam bagunça. – Pediu de forma carinhosa, recebendo um 'sim' em uníssono vindo por parte dos dois filhotes. Sorriu e saiu do quarto, deixando a porta entreaberta e se dirigindo à cozinha. Abriu o armário e retirou o vidro com os biscoitos que haviam feito no dia anterior, colocou alguns em um prato, o qual deixou um espaço para colocar as frutas eventualmente. Da geladeira, pegou a jarra de suco e encheu as duas garrafinhas dos filhotes, seus lábios se curvaram em um sorriso bobo e resgatou algumas memórias do passado. Deu um pulinho de susto quando sua cintura foi agarrada pelos braços firmes do alfa, virou o corpo de forma rápida e ergueu o rosto para encarar o mais velho. — Você não cansa de me assustar, Hoonie? 

— Não. – Riu e levou um tapinha no braço antes de sentir o ômega descansar a cabeça em seu peito. — Onde os meninos estão? – Perguntou enquanto acariciava a cabeleira loira, sentindo o esposo ficar mole em seus braços e outra risadinha escapou por seus lábios. — Hm? – Insistiu ao perceber que ele não havia respondido e escutou um suspiro satisfeito pelo carinho.

— No quarto, estávamos fazendo acessórios artesanais. – Explicou se afastando do alfa para pegar o prato de porcelana com os alimentos. — Jagi, você pode trazer as garrafinhas para mim? – Pediu e viu o alfa acenar com a cabeça, caminhando até o quarto e assistindo o alfa abrir a porta para si e quase cair quando suas pernas foram agarradas pelos filhotes. Chanhee riu e colocou o prato no chão, pegando as garrafas coloridas logo depois, coisa que chamou a atenção dos dois garotos e os fizeram correr para perto do ômega. — Com cuidado, meus amores, assim vocês podem se engasgar. – Disse preocupado ao observar o pequeno alfa colocar um biscoito inteiro na boca. 

— Papi, come um biscoito também. 

— Claro, meu docinho de chocolate. – Younghoon pegou o biscoito que o filhote ômega estendeu para si e mordeu um pedaço, se sentindo satisfeito quando o sabor adentrou em seu paladar, reforçando mais uma vez o quão bem seu esposo cozinhava. — Amor, hoje eu tenho o resto da tarde livre, você quer passear pela alcatéia com os meninos? – Sugeriu e viu o esposo balançar a cabeça em afirmação, deixando um selar nos lábios rosados do mesmo homem. Chanhee suspirou com a cena familiar em seu campo de visão e encolheu os ombros, ficando em silêncio enquanto observava Younghoon brincar com os filhotes. — O que houve, yeobo? – Questiono preocupado ao sentir a marca formigar em um sentimento ruim que não soube identificar, levando olhar para o ômega e ficando confuso ao ver as lágrimas grossas caindo pelas bochechas gordinhas. — Por que você está chorando, Hee? Eu fiz algo que te chateou?

— Não, Hoonie, você não fez nada… O problema sou eu. – Chanhee murmurou enquanto brincava com a aliança dourada e o mais velho franziu o cenho com a fala alheia. Younghoon se aproximou do loiro e pegou em uma das mãos, a repousando no seu colo e o olhando com preocupação após a frase que havia escutado. — Eu não deveria dar importância às coisas que aconteceram no passado, mas… eu sempre penso que não mereço tudo isso que construímos… – O ômega desabafou em um tom envergonhado, se sentindo um bobo ao analisar a expressão surpresa do alfa. — Eu sinto que não mereço toda essa felicidade. – Confessou e deixou as lágrimas que segurava descerem por suas bochechas, ofegando surpreso ao sentir os braços dos filhotes lhe envolverem em um abraço carinhoso, Younghoon suspirou e fez a mesma coisa e deixou um selar na testa do ômega e dois na dos garotos.

— Minha vida, não pense assim, por favor. – Pediu de forma carinhosa e se assustou quando escutou o soluço sair pelos lábios rosados do mais novo. — Eu não quero escutar de você que não é merecedor da felicidade, depois de tudo o que você passou antes de vir pro norte, é a pessoa que merece todos os sentimentos bons que existem. – Ressaltou com firmeza, deixando outro selar afetuoso na testa alheia. — Eu amo você, yeobo, e não quero mais escutar uma coisa assim vindo de você, nunca mais, entendeu? 

— Sim, me desculpe por ser bobo, Hoonie. – Younghoon sorriu e ficou mais tranquilo ao sentir o sentimento ruim ir se dispersando gradativamente de seu interior, sabendo que Chanhee já não se sentia mais assim. Um silêncio confortável pairou sobre a família, escutando apenas as respirações tranquilas dos quatro e o ômega mais velho pensou que talvez ele realmente fosse um tolo por pensar que não merecia a família que havia construído com o alfa que tanto amava.

— Papais, quando nós iremos passear na neve? — O silêncio foi quebrado pelo alfa ansioso e fez os dois adultos rirem pelo momento afetuoso ter sido quebrado de forma repentina. Younghoon quebrou o abraço e secou as bochechas úmidas do esposo com os dedos, sorrindo ao perceber a expressão contente enfeitar o rosto de Chanhee novamente. Não pensou duas vezes em roubar um selinho do amado, beliscando as bochechas que estavam vermelhas como era costumeiro nos primeiros meses de namoro. Eu amo vocês, pensou enquanto deixava um sorriso carinhoso enfeitar os lábios de boneca.








O fim da primeira semana chegou e com isso a notícia de que ficariam mais alguns dias na alcatéia sulista, Chanhee, por mais que desejasse deixar o lugar em que claramente não era bem-vindo, já que mesmo com o ultimato de Younghoon, os olhares e comentários ainda não haviam parado, mas diminuíram, com toda certeza. A rotina da família era variada, às vezes com o alfa em casa, outras em que ele passava o dia fora e o ômega Kim tentava ao máximo planejar programas variados e divertido realizar com a família. Entretanto, ele já estava começando a ficar sem ideias. Aquele era mais um dia em que era apenas o ômega com os filhotes, Younghoon havia ido numa conferência a respeito do lugar em que a filial de uma das maiores empresas do Norte seria construída. Chanhee rolou pela enorme cama e afundou o rosto no travesseiro alheio, inspirando o aroma de menta enquanto tomava coragem para levantar e ir acordar os filhos. Levou seu olhar para a janela e observou os flocos branquinhos caírem, se aglomerando no chão e reforçando a grossa camada de neve que já estava ali. Aquele foi o momento em que sua mente fez um clique e ele rapidamente se levantou, os meninos iriam adorar brincar no parquinho que era feito de gelo, principalmente Minho. Um sorriso animado se formou em seus lábios e caminhou até o quarto das crianças, abrindo a porta e se aproximando dos pequenos com cautela, se ajoelhou entre as duas camas e primeiro fora acordar o ômega. — Minnie, já é hora de acordar. – Disse enquanto acariciava os fios desgrenhados e viu um biquinho se formar em seus lábios.

— Papa… – Murmurou enquanto escondia o rosto no cobertor grosso e Chanhee riu, puxando levamente o tecido para que pudesse deixar um beijo na testa alheia, sabia que Minho não iria enrolar para acordar, característica que herdou do pai alfa, que sempre levantava primeiro e passava bons minutos tentando acabar com a manha do pai ômega. — Papa, o que iremos fazer hoje? – Perguntou enquanto se ajeitava para se sentar na cama, observando o mais velho ir em direção ao irmão mais velho para acorda-lo. 

— É surpresa, mas tenho certeza que vocês irão gostar. – Sorriu e deixou um beijo na bochecha gordinha do alfa. — Soo, acorda, meu bem. – Balançou o filhote levemente, vendo ele resmungar e virar o corpo para o lado oposto, ficando de costas para o Kim mais velho. — Vamos, bebê, papa planejou uma coisa muito legal para fazermos hoje. – Tentou novamente, mas não obteve resposta, um suspiro cansado escapou por seus lábios e levou seu olhar até o filhote mais novo, que sorriu arteiro e pulou da cama, se aproximando do pai e do irmão. Minho subiu na cama alheia e começou a fazer cócegas nas costelas de Soomin, fazendo o mencionado começar a se contorcer e a risada se fazer presente. 

— Me ajuda, papa! – Pediu quando Soomin se virou e agarrou as mãos alheias, o impedindo de continuar já que biologicamente era mais forte. Chanhee sorriu e deu início a outra sessão de cócegas, mas diferente do ômega mais novo, seu alvo foram os pés que já estavam descobertos. — Acorda, hyung, papa tem uma surpresa para nós! – Comentou animado.

— Para… para! – Disse entre risadas, se contorcendo na cama e tentando afastar os pés. — Para, papa, eu já acordei! – Pediu e o ômega mais velho parou quando viu uma lágrima cair pelas bochechas, em sinal do tempo em que riu. — Ah! – Respirou fundo quando a rodada de cócegas terminou, se sentando na cama e coçando os olhos. Chanhee sorriu e arrumou os fios bagunçados, se levantando minutos depois e sendo acompanhado pelos filhos. Caminhou até a cozinha de forma preguiçosa, respirando fundo antes de abrir o armário e pegando a caixa do cereal favorito de ambos, em seguida abriu a geladeira e de lá retirou o leite junto do pote com frutas frescas. Colocou o leite por igual em cada tigela, repetindo o mesmo processo com o cereal antes de entregar para as crianças, que agradeceram com um sorriso banguela. Enquanto os filhotes comiam, preparou um sanduíche natural para si e encheu o copo com o suco de pêssego que Younghoon havia comprado pensando nele. O café da manhã foi tranquilo como o rotineiro, Minho e Soomin brincavam entre si enquanto Chanhee trocava mensagens com seus amigos e também deixando um recado carinhoso para o marido. — Papa, terminamos! – Soomin exclamou animado, descendo da cadeira e ajudando o irmão a seguir o mesmo gesto, Chanhee desviou sua atenção da tela para os garotos e sorriu.

— Agora vocês vão tomar um banho, escovar os dentes e colocar uma roupa bem quentinha para sairmos. – Disse enquanto pegava as louças para lavar, escutando ambos chiarem em empolgação, terminou de forma rápida o que fazia para logo dar atenção as crianças. Caminhou com eles até o banheiro, o qual ligou a luz e ligou na temperatura quente, observando a água ir enchendo a banheira lentamente. Deixou isso de lado e ajudou os filhotes a retirar as roupas, colocando no cesto de roupas sujas e logo mais desligando a torneira, colocando os dois dentro da banheira junto de alguns brinquedos que havia se preocupado em trazer. — Papa irá pegar a toalha e estará de volta logo, tomem cuidado, tudo bem? – Chanhee disse enquanto acariciando os fios escuros do filhote alfa e viu ambos balançarem a cabeça em concordância. Caminhou até o quarto das crianças e abriu o guarda-roupa, retirando as duas toalhas e colocou as peças de roupa na cama, sentiu o celular vibrar em seu bolso e logo o puxou para que pudesse verificar o que era. Um sorriso enfeitou seu rosto ao ver a notificação flutuante indicando que havia três mensagens de Younghoon para si.

Jagi ♡ | 02-598-346
Está tudo bem por aqui, amor, não se preocupe.
Não sei que horas irei voltar, yeobo, mas sei que será antes do anoitecer. 
Eu te amo.
Chanhee | 02-478-271
Estarei te esperando então.
Eu também te amo.

Respondeu de forma rápida, sorrindo bobo ao ler as três palavras que soavam de forma harmônica em sua mente. Guardou o telefone celular dentro do bolso de sua calça moletom e girou os calcanhares e voltou ao banheiro, deixando as toalhas sobre a pia dupla e se aproximando da banheira onde os dois filhotes estavam brincando, e molhando tudo ao redor, diga-se de passagem. Chanhee ajudou as crianças a terminarem o banho, lavando-os com cuidado para que não caísse espuma em seus olhos, logo mais retirou ambos da água e os enrolou na toalha, abrindo o ralo da banheiro para que está ficasse vazia. Caminhou com ambos até o quarto e riu quando Minho subiu na cama e começou a usá-la de pula-pula, deixou o mais novo se divertir enquanto ia cuidar do alfa que estava sentado na cama observando o irmão brincar. Chanhee se aproximou do garoto quietinho e começou a enxugar os fios escuros, passando a toalha com cuidado no cabelo para depois enxugar o corpinho alheio, deixou a toalha sobre os ombros e pegou o creme hidratante, espalhando na pele pálida antes de colocar a roupa que havia separado para ele. — Minho, agora é sua vez, vem aqui com o papai. – Chamou o ômega, que lhe obedeceu prontamente e correu até si, parando em sua frente e fazendo o mais velho rir com a empolgação alheia antes de repetir o mesmo processo com o filho caçula.

— Pronto, papa! Agora podemos ir?

— Ainda não, bebê, papa também irá tomar banho. – Chanhee riu divertido quando viu os biquinhos manhosos dos filhotes, não demorou muito para que deixasse ambos sozinhos e fosse cuidar de suas necessidades.

Meia hora depois, estavam prontos para sair, com todos agasalhados devidamente e a empolgação explícita dos filhotes eram presentes. Chanhee sorriu e abriu a porta sentindo a brisa fria bater em seu rosto e os flocos de neve voarem em sua direção, observou os garotos correrem para fora, as botas com isolante térmico afundavam na neve a cada passo que dava, trancou a porta minutos depois e respirou fundo quando sentiu sua pele queimar com os olhares curiosos. Chamou ambos para ficarem perto de si e pegou na mão dos dois garotos, começando com a caminhada até o parque, tentando de concentrar unicamente nos filhos, mas estava começando a ficar desconfortável com os cochichos nada discretos dos moradores. Seguiu o caminho fingindo que não ouvia o burburinho e não sentia os olhares queimando sua pele, um sorriso pairou em seus lábios quando avistou o parque, que se não fosse a presença das três famílias, estaria vazio. Coisa que não era incomum já que no Sul fazia muito frio e era compreensível que a maioria das pessoas dariam preferência para programas caseiros. 

— Papa, papa, olha! Um escorregador de gelo! – Minho gritou encantado e levou o olhar para o pai, pedindo silenciosamente para que ele o deixasse livre para ir até o brinquedo. Chanhee sorriu e soltou a mão de ambos, agachando para ficar na altura dos dois garotos.

— Antes de irem, papa irá pedir para que fiquem onde ele consiga ver, entenderam? 

— Sim, papa. – Soomin e Minho disseram em uníssono e o ômega mais velho deu um selar em ambas as testas, deixando os filhotes livres para brincarem. Chanhee caminhou até o banco mais próximo e se sentou, retirando da bolsa que havia trago uma linha de coloração alaranjada e agulhas de tricô para terminar o cachecol que estava fazendo para o marido. Seu dedos de moviam com agilidade, sorrindo entre o processo e cantarolando uma música de forma baixa, não esquecendo vigiar os dois garotos que corriam pelo parque coberto de neve, a sensação de tranquilidade reinou sobre o ômega Kim, transmitindo o sentimento para o marido, que sabia que estava irritado com alguma coisa. O ômega sorriu com a cena dos dois garotos brincando no balanço e não perdeu tempo em dar uma pausa no que estava fazendo para tirar uma foto, tal qual que entraria no álbum da família. — Soomin! Para! – O grito do ômega foi escutado uma hora depois e isso fez com que Chanhee entrasse em alerta, levantando seu olhar rapidamente e rosnando ao ver a testa do filho mais novo cortada enquanto tentava segurar o irmão que estava transtornado. O Kim deixou o que estava fazendo de lado para ir até os filhos, se colocando a frente deles e dirigindo o olhar para a outra criança que rosnava para Soomin. — Papa! – Choramingou enquanto se escondia entre os braços do pai.

— O que aconteceu, bebê?

— Papa, ele empurrou o Minho de propósito! 

— Claro que não, seu irmão que não olha por onde anda! – O outro alfa contestou a afirmação de Soomin, fazendo Chanhee rosnar e se colocar mais a frente em uma clara posição de defesa. — Eu não fiz nada! – Disse com a voz chorosa, chamando a atenção dos adultos presentes.

— Mas o que é isso?! Quem você pensa que é para ficar rosnando para o meu filho? 

— Quem eu sou não é importante, o que interessa aqui é que o seu filho empurrou o meu. – Chanhee disse entre dentes para o outro ômega, que arqueou as sobrancelhas e riu. — Contei alguma piada? Ou você acha que esse corte apareceu na testa do meu filhote do nada? Eu só quero um pedido de desculpas.

— Taeho não irá se desculpar por uma coisa que ele não fez. – Decidiu e Chanhee bufou irritado, estava claro que aquele garoto havia provocado toda aquela situação, mas o outro ômega adulto se recusava a admitir que estava errado. — Seu ômega deve ter caído sozinho e agora está colocando a culpa no meu filho.

— Tenho certeza que não, meus filhos não acusariam alguém do nada, eles foram muito bem educados, diferente do seu filhote. – Sorriu ácido e por um momento viu o outro ficar vermelho de tanta raiva. — Entenda, não quero que cure meu filho ou se ajoelhe pedindo perdão, eu só quero um simples pedido de desculpas. – Disse tentando manter o tom de voz baixo e ficou longos minutos esperando o que o ômega iria decidir. Todavia, ele sabia que não sairia dali sem o pedido de desculpas. Acariciou os fios escuros do filhote mais novo e continuou encarando os dois em sua frente, ajeitando a postura quando ouviu um pigarro vindo do outro e observou a outra criança dar um passo a frente.

— Desculpa por ter empurrado você, ômega. 

— Tudo bem. – Minho aceitou facilmente e Chanhee sorriu satisfeito, ignorando o rosnado e de afastou do outro levando seus filhotes consigo, respirando fundo e se ajoelhou quando ficou próximo das coisas que havia trago. Retirou um lenço umedecido e limpou delicadamente o sangue que estava seco, escutando um murmúrio incomodado vindo de Minho, logo depois pegou um curativo para colocar sobre o corte, ajeitando os fios escuros e deixando um selar na testa do garoto. Por fim decidiu ir embora, haviam ficado tempo mais do que o suficiente e queria evitar futuros conflitos que poderiam vir, guardou suas coisas na bolsa e chamou os filhos para ir embora, que embora protestarem contra, não deixaram de obedecer ao pai.

— Chanhee? – A voz conhecida soou e fez o ômega paralisar, segurando firme na mão dos filhotes enquanto respirava fundo. — Chanhee? – Repetiu o chamado e o mencionado virou lentamente, suspirando pesadamente por não se surpreender em quem era o dono da voz. — Eu não acredito! Nunca pensei que veria você novamente… Eu senti sua falta. – Disse se aproximando do ômega, mas recuou quando escutou o rosnado do pequeno alfa que lhe encarava sério. 

— Chanwon-ssi. – Cumprimentou e fez uma reverência respeitosa, vendo o alfa franzir o cenho confuso. 

— O que deu em você? Por que está sendo tão formal? Nós somos irmãos! – Exclamou em um tom de repreensão com a seriedade do mais novo. — Eu fiquei surpreso quando Daesung me disse que um ômega maluco havia rosnado para o nosso filhote e ainda mais por saber que era você, não sabia que você havia voltado para o Sul. – Comentou com entusiasmo. — Seus filhos são lindos, o pai deles é aquele alfa que você namorava? – Chanhee respirou fundo e permitiu os garotos brincarem mais um pouco no parque, eles não precisavam e nem deviam ouvir aquela conversa.

— É engraçado você perguntar o que deu em mim, parece até que esqueceu que eu fui deserdado da família Choi. – Cruzou os braços e proferiu aquela frase em um tom de deboche, vendo o alfa arquear as sobrancelhas, provavelmente ele não esperava receber aquele tipo de tratamento. — Eu não voltei para o Sul, sabe muito bem que não sou bem-vindo aqui, estou apenas acompanhando meu marido. – Explicou, não poupando o mais velho das palavras ácidas, estava irritado com Chanwon tratando sua ida como um ato voluntário. 

— Por que você está falando assim comigo? Até onde eu me lembro, não te fiz nada. Eu não tenho culpa se nossos pais te denunciaram ao Conselho. – Chanwon disse se aproximando de Chanhee, mas o próprio ômega se afastou.

— Exatamente por isso, Chanwon! Você não fez nada! Mesmo sabendo que eu iria ser executado, não fez nada para me ajudar quando sabia que a única pessoa que os senhores Choi ouvem é você! Entretanto, sempre foi assim não é? Você nunca fez nada para me defender. – Afirmou em um tom alto, sentindo a garganta se fechar e os olhos arderem, em seguida uma lágrima solitária caiu por sua bochecha gordinha, mas foi rápido em limpar. — Mas eu agradeço a você, Chanwon, se não fosse por isso eu não teria encontrado o meu alfa e formado minha família. – Chanhee sorriu forçado e chamou os filhotes para ir embora, dando de costas e respirando fundo, contendo as lágrimas que queriam cair. 

— Chanhee… – Proferiu o nome de forma arrastada e o mencionado levou seu olhar contragosto para o alfa mais velho. — Me desculpa… Eu… eu sei que deveria ter feito alguma coisa, na hora eu não consegui ter uma reação… Me perdoe, por favor… – Murmurou de forma amuada, fazendo o ômega suspirar cansado e dar de ombros, ficando em silêncio enquanto escutava o outro falar. — Eu estou feliz por você ter feito a família que você sempre sonhou, de verdade. 

— Obrigado, Chanwon. – Disse simplista e começou a caminhar, deixando o alfa para trás e seguindo o seu caminho de volta para casa. Respirou fundo e levou um sorriso para os filhotes, mesmo que não sentisse vontade de sorrir, mas por seus garotos ele poderia fazer esse esforço. A tranquilidade foi presente em todo o percurso, Chanhee escutava a conversa animada dos dois filhos e respondia quando lhe perguntavam algo. O sentimento de alívio pairou em seu peito quando chegou em casa, abrindo a porta e riu anasalado quando ambos passaram correndo por suas pernas, logo seguiu o mesmo processo e deixou a bolsa pendurada no cabide. Deixou os filhotes brincarem na sala enquanto se dirigia a cozinha para fazer o almoço, sua mente voou para o momento em que discutiu com o irmão e os olhos se encheram de lágrimas, que caíam copiosamente sobre suas bochechas e ficavam acumuladas em seu queixo. O aperto em seu peito era insuportável e o nó na garganta parecia tão forte que ficava sufocado, ele nunca iria perdoar o mais velho por ter se calado diante ao destino trágico que teria caso não tivesse fugido. Balançou a cabeça tentando afastar os pensamentos e secou as bochechas, respirando fundo e contando até três para começar a pegar as coisas que iria fazer para o almoço, naquele dia escolheu fazer um simples kimchi, distraindo a mente com o borbulhar da água e o som dos filhotes brincando.

— Boa tarde, yeobo. – A voz conhecida soou e Chanhee sorriu, levando seu olhar para a entrada da cozinha e vendo o marido com a expressão serena se aproximar de si. — Como foi o seu dia? – Questionou curioso enquanto agarrava a cintura fina do ômega, deixando alguns beijosq pela derme pálida.

— Sendo sincero, não foi muito bom.

— O que aconteceu? Eu deveria ter imaginado, seu humor estava oscilando muito. 

— Primeiro, um alfa empurrou Minho e ele cortou a testa. – Murmurou mexendo o molho mais um pouco antes de desligar o fogão e se deslocar de forma desajeitada para a ilha, se virando para o alfa e suspirando quando viu o cenho franzido do mesmo homem. — E depois, eu descobri que o pai do alfa é o meu irmão.

— E eu suponho que você discutiu com ele?

— Sim, ele quis me repreender por tratar ele como se fosse uma pessoa qualquer. – Disse escondendo o rosto na curvatura do pescoço alheio. — Mas eu não devo nada a ele, quando nossos pais me denunciaram ao Conselho, ele nem abriu a boca para me defender, sendo que ele sempre soube que os senhores Choi só davam ouvidos a ele e meu outro irmão. – Concluiu controlando a respiração, tentando se concentrar somente no carinho que Younghoon estava dando em seus fios claros. — Ele estava agindo como se nada tivesse acontecido, Hoonie! – Exclamou e sentiu as lágrimas caírem por suas bochechas, deixando um soluço escapar por seus lábios rosados e apertou os ombros alheios. 

— Calma, yeobo, calma. 

— Ele… ele… – Chanhee murmurou, mas não conseguiu formar uma frase, então se contentou em apenas deixar as lágrimas caírem. Younghoon suspirou e deixou um beijo na testa alheia, secando as bochechas delicadamente com a ponta dos dedos e apertando o mais novo entre seus braços, liberando seus feromônios mentolados para acalmar o esposo. — Hoonie…

— Não diga mais nada, meu amor, eu quero que você se acalme. – Sussurrou ao colo do ouvido do ômega, sentindo ele se aconchegar em si e tragar do seu aroma, sorriu quando a respiração alheia foi se normalizando. Acariciou as costas alheia e apoiou as mãos nos quadris estreitos, ficando naquela posição por alguns minutos consideráveis até o momento romântico ser interrompido por um barulho diferente. Chanhee se afastou do outro homem e soltou uma risada, sendo acompanhado pelos alfa.

— Vamos almoçar, jagi, você deve estar com fome.

— Você nem imagina, Hee. – Younghoon concordou e ajudou o esposo a servir os pratos, os levando para a mesa e pediu para que os filhotes fossem lavar as mãos para almoçar, que acataram ao pedido sem protestar contra. Ambos trocaram um selinho antes de Younghoon se sentar, o ômega serviu o suco para todos e ajudou os filhos a sentarem na cadeira para enfim seguir o mesmo processo. Observou todos comendo tranquilamente e sorriu, aquela sim era a sua família.







Chanhee respirou fundo e caminhou de um lado para o outro, se sentindo ansioso para a chegada do marido em casa. Faziam alguns dias desde notou que não estava passando bem, tonturas e dores de cabeça já estavam fazendo parte de sua rotina, fora que náuseas também eram comuns. A princípio, pensou que fosse um mal estar qualquer, mas mudou de opinião quando percebeu que os sintomas não passaram quando a terceira semana no Sul se encerrou, já estavam a quase um mês no território e aquele mal estar repentino não ia embora, então já era de de estranhar. Agora, teve a confirmação que seu caso não era apenas um resfriado e esperava que o marido ficasse feliz com a notícia. Virou a cabeça rapidamente quando escutou a fechadura da porta de entrada ser destrancada, armando um sorriso quando viu a figura alta passar pela porta e não teve outra ação além de correr e pular no homem, escutando o arfar surpreso e o segurar pela cintura. — Uau, isso tudo é saudade? – Younghoon brincou enquanto caminhava de forma desengonçada até o sofá, se sentando com dificuldade e tendo o ômega grudado em si como um pequeno coala.

— Hoonie, você chegou…

— Sim? – Concordou confuso com a fala alheia, deixando um suspiro escapar ao ver o sorriso largo estampado em seu rosto. — O que aconteceu? Você parece tão feliz… – Murmurou beijando o pescoço alheio e inalando o aroma de baunilha que o ômega exalava.

— Eu preciso te contar uma coisa. 

— Pode falar, amor.

— Certo, mas primeiro eu preciso que você prometa que não irá sair gritando, nossos filhotes já estão dormindo. – Chanhee pediu enquanto repousava as mãos no ombro alheio e Younghoon franziu o cenho, concordando com a cabeça ainda desconfiado. O loiro suspirou e mordeu os lábios, pegando uma das mãos do alfa e colocando sobre seu ventre. — Você vai ser papai… de novo. – Revelou sem rodeios, dando uma risadinha quando observou a boca do Kim mais velho cair em surpresa. Arfou surpreso ao ser colocado deitado no sofá e se arrepiou quando a camiseta do pijama foi levantada, sentindo o nariz do mais velho farejar sua barriga. 

— Quando? Como? Não consigo entender, Hee. 

— Provavelmente nosso bebê foi concebido naquela noite chuvosa, lembra? Quando você me pediu para te acompanhar na viagem. – Murmurou enquanto acariciava os fios negros, sorrindo ao sentir os beijinhos em sua pele. — Eu estou feliz, Hoonie, será que vamos ter outro menininho ou teremos uma garotinha? 

— Eu só quero que seja saudável, você sabe disso, yeobo. – O ômega fez um biquinho ao ouvir a resposta do alfa, mas logo foi desfeito quando um selar pousou em seus lábios e o nariz alheio passou por sua marca, fazendo o mais novo rir com a sensação de cócegas e ainda mais quando o maior começou a cutucar suas costelas, fazendo a risada doce ecoar pela sala e preencher o cômodo. 

— Papa… – Chanhee parou de rir e levou seu olhar para o ômega manhoso no final do corredor, sendo seguido pelo alfa que sorriu e chamou o filhote para se juntar a eles. Minho caminhou de forma preguiçosa e foi pego no colo pelo moreno, que o aconchegou confortavelmente em seus braços. — Papi, você voltou… – Disse dengoso enquanto deixava um bocejo no final da frase. — Papi, por que o papa estava rindo? 

— Papi estava brincando de fazer cócegas no papa. – Respondeu enquanto deixava um beijo na testa alheia e sentiu o ômega mais velho apoiar o queixo em seu ombro, Younghoon riu e deu um selinho no nariz do outro. — Vocês são os únicos ômegas na minha vida. 

— Jagi, não fale assim ou nosso bebê irá se sentir rejeitado caso for um ômega. – Repreendeu o marido e uma risada foi escutada, o de madeixas loiras checou o filhote e ficou aliviado ao perceber que ele já havia voltado a dormir, sabia que se o garotinho ômega soubesse da novidade primeiro que o alfa, causaria uma briga enorme. E, sendo sincero, até preferia que ambos ficassem sabendo juntos. — Agora a gente tem que se preparar para contar para a noona. Você acha que ela vai surtar igual a primeira vez?

— Acho que a resposta é óbvia. – O menor riu e concordou com a cabeça, pegando o filhote no colo para levá-lo até o quarto novamente e foi seguido pelo marido. Com cuidado, colocou Minho na cama de solteiro e o cobriu, logo depois indo até Soomin que dormia de forma pesada e ajeitando a criança na cama por estar em uma posição desconfortável. Checou o aquecedor mais uma vez antes de sair, fechando a porta com cuidado e ficando frente a frente com o alfa, apoiando suas mãos no peito alheio e sorrindo de forma amorosa. — Sabe de uma coisa? Eu estou louco para ver você barrigudinho de novo. 

— Hoonie! 

— Aí! Que foi? Eu só estou expressando o meu desejo! – Resmungou depois de levar um tapa no peito, encarando a expressão indignada do ômega com um sorrisinho. — Vai ficar igual uma bolinha, a coisa mais fofa desse mundo! – Prendeu a cintura entre seus braços firmes, impedindo o mais novo de se afastar.

— Se há alfa mais tagarela que você, eu não o conheço. – Revirou os olhos enquanto enterrava o rosto em seu peito. — Agora vamos para o quarto, eu preciso de você, jagi. – Murmurou e sentiu o alfa erguer o seu corpo, lhe fazendo entrelaçar a cintura alheia com as pernas e sorriu ao sentir o mais velho caminhar consigo até o quarto consigo, seria uma noite longa para o casal. 




Chanhee suspirou aliviado quando a paisagem limpa e ensolarada entrou em sua visão, sentiu a mão grande do marido acariciar sua barriga e levou um sorriso para o mesmo homem, que retribuiu o gesto e deixou um selar carinhoso nos lábios rosados quando estacionou o carro na garagem. O ômega observou o marido sair do carro e abrir a porta para si, depois de quase dois meses no Sul, Chanhee podia dizer que a energia do Norte era muito mais aconchegante e familiar. Ao sair do veículo, ajudou o marido a acordar os garotos e retirar as bagagens do porta-malas, mesmo que Younghoon tenha protestado contra dizendo que o ômega não poderia fazer esforço, mas obviamente foi ignorado. Levou parte das coisas para dentro da casa e observou os filhotes brincarem no pula-pula que o alfa havia instalado no quintal, se assustando quando o mesmo homem roubou um beijo seu. — Hoonie, eu irei fazer um café da tarde e reunirei nossos amigos e seus pais para contar a novidade, tudo bem? – Questionou enquanto acariciava a barriga sem volume algum e viu o mais velho sorrir.

— Claro, yeobo, faça o que você quiser, você sabe muito bem que não precisa me pedir autorização para fazer algo. 

— Eu sei, jagi, mas é costume… 

— Você pode começar a arrumar as coisas para o café, deixa as malas comigo, yeobo. – Younghoon disse enquanto pegava três malas de uma vez e caminhava até o corredor, o ômega sorriu e pegou o celular para mandar o convite para os que queria em sua casa e, mesmo a decisão sendo tomada de última hora, a maioria das pessoas que havia chamado já tinham confirmado a presença e isso motivou o ômega a começar a preparar os alimentos. Não deixando de vigiar os filhos pela janela da cozinha, mesmo sabendo que ninguém da alcatéia faria mal aos filhotes do líder, não queria arriscar. 

Quando beirava às quatro e meia da tarde, Chanhee ouviu o primeiro toque na campainha e isso fez seu lobo se agitar em empolgação, pedindo para o marido ficar de olho no bolo que estava no forno enquanto ele ia atender a porta. Um sorriso se formou em seu rosto quando a abriu, não hesitando em prender o indivíduo em um abraço apertado. — Changmin! – Exclamou contente, dando espaço para o ômega passar e fechando a porta logo em seguida. — Eu espero que não tenha te atrapalhado com o convite de última hora. – Disse apreensivo e relaxou os ombros quando o Ji riu e negou com a cabeça. O ômega de cabelos alaranjados havia se tornado seu irmão mais novo, faziam muitas coisas juntos, inclusive aula de tricô, e eles sempre estavam trocando mensagens em seu tempo livre. 

— Não se preocupe, eu estava deitado quando você me mandou mensagem. 

— E Sunwoo? Ele virá?

— Disse que daqui a dez minutos estará aqui, ele está muito curioso para saber o que é que vocês querem noticiar. – Comentou risonho. — Que cheiro bom, você está fazendo o que? – Perguntou curioso e varreu o olhar pela casa, observando a mesa de jantar enfeitada e com algumas coisas que Chanhee havia cozinhado. 

— Ah, é o bolo de laranja que você e a noona gostam, Hoonie ficou de tirá-lo do forno para mim. – Murmurou e se assustou quando a campainha tocou novamente, pediu licença para o outro e foi atendê-la, sorriu para os outros e trocou um abraço suave. — Hyunjae, Juyeon, sejam bem-vindos. – Cumprimentou e deu espaço para os mais velhos passarem, vendo três figuras pequenas passarem correndo entre suas pernas. — Soomin, Minho, não corram, papa e papi já falaram que vocês podem se machucar. – Repreendeu os dois garotos, mesmo que soubesse que eles nem estavam ouvindo. Levou seu olhar para o casal a sua frente, que sorria enquanto conversava com o outro ômega presente na casa. 

— Chanhee, senti sua falta! – Hyunjae disse abraçando o mais novo, que foi retribuído na mesma proporção. — Como foi no Sul? Aproveitou o clima frio? Ouvi dizer que esse clima é perfeito para recém-casados. – Comentou e Chanhee franziu o cenho confuso.

— Hyung, faz muito tempo desde que Younghoonie e eu deixamos o título de 'recém-casados'.

— É que para mim vocês vivem numa lua de mel eterna, não é Juju? – Procurou a resposta do marido, mas revirou os olhos quando percebeu que ele já tinha saído do seu lado para conversar com o alfa mais velho. — Esses alfas são um caso sério… – Murmurou num tom resmungão e escutou as risadas dos outros dois rapazes. — Como estão Soomin e Minho?

— Soomin continua sendo mais retraído e Minho, você sabe, energético até demais. – Riu enquanto caminhava até a cozinha para desenformar o bolo e colocar o mesmo no centro da mesa. — Você nem precisa me falar sobre o Baekho, já deu pra perceber que ele continua sapeca. Está te dando muito trabalho? 

— Você nem imagina, agora ele cismou que a água vai machucar o corpo dele e pra fazer-lo tomar banho é a maior luta, Juyeon sofre nessas horas. – Riu, mesmo que a situação real não fosse engraçada, e continuaram conversando até o ômega ter que pedir licença novamente para atender a porta. Seguindo o mesmo padrão até todos os que confirmaram a presença chegarem até a residência dos Kim, Chanhee sorriu para Younghoon e entrelaçou os dedos, respirando fundo e contando até três. Olhou pela janela e o sol já estava se pondo, decidiu que aquele era o momento para revelar a novidade e matar a curiosidade de todos os presentes. 

— Então, eu chamei vocês aqui por que há algo muito importante que eu e o Hoonie queremos contar para vocês. – Começou falando, chamando a atenção dos convidados e sentiu um aperto na mão vindo do alfa, indicando que ele podia continuar falando. A marca lhe transmitia um sentimento de nervosismo e ansiedade, por isso ensaiou em sua mente mais uma vez o que iria falar. — Antes de tudo, eu queria agradecer a cada um presente aqui e aos que não puderam vir esta tarde, vocês são muito importantes para mim e eu não me arrependo do laço que construí com vocês. – Acrescentou e viu a sogra apertar o braço do marido enquanto um sorriso imenso enfeitava seus lábios. — Quando cheguei ao Norte, eu não imaginei que teria tantas pessoas ao meu lado me apoiando em cada decisão, cada escolha, então, nada mais justo que compartilhar de primeira mão essa notícia com vocês. — Fez um pequeno suspense e levou seu olhar para o alfa, que tinha um sorriso no rosto enquanto as mãos hesitavam em pousar em sua barriga. — Eu estou esperando outro bebê. – Disse e escutou os arfares surpresos.

— Ah! Eu não acredito que vou ter outro netinho! – Jeonghwa foi a primeira pessoa a se manifestar, se levantando da cadeira e indo abraçar o genro, deixando um beijo na bochecha alheia. — Nossa alcatéia tem tanta sorte por ter um ômega como você ao lado do líder, agora vejo que valeu a pena todos os anos esperando Younghoon nos apresentar um parceiro! Parabéns, Chani! – Disse emocionada e Chanhee sorriu.

— Bem que Changmin disse que vocês são férteis igual coelhos! – Eric disse e resmungou ao levar uma cotovelada do irmão mais velho, fazendo todos rirem. — Estou feliz por vocês, hyungs! – Comentou e outra rodada de parabenizações começou, mas Chanhee havia reparado que o melhor amigo estava calado e com o semblante nervoso, aquilo fez ele franzir o cenho confuso e intrigado com a reação alheia. 

— Kyu? O que houve? Você está bem?

— Bom, eu… eu queria aproveitar o momento de revelações para anunciar que eu também estou esperando um bebê, Kim Sunwoo você vai ser papai! – Revelou de repente, rindo nervoso com as reações de surpresa e rindo quando o alfa veio até si de forma rápida, se encantando com o brilho que os olhos do mais novo tinha. — Sun? Você gostou da notícia, não é? Nós vamos ter um bebê. – Murmurou ansioso.

— Eu adorei! Não há alfa mais feliz do que eu! Min, eu te amo e amo nosso filhote que ainda é uma sementinha na sua barriga. – Disse emocionado, acariciando a barriga que não havia tido nenhuma alteração e escutou a risada envergonhada do mais velho. O momento só foi interrompido por um Chanhee afobado que se deslocou rapidamente até eles.

— Sunwoo, eu acho bom você parar de enrolar o Kyu e pedi-lo logo em casamento! – Chanhee exclamou abraçando o outro ômega, que sorriu e retribuiu. — Nós vamos ter bebês ao mesmo tempo praticamente! Eu quero ser o padrinho! – O ômega mais velho disse e viu Changmin concordar com a cabeça, os outros presentes na sala de jantar sorriram e parabenizaram ambos pela gestação, formando até mesmo uma discussão sobre quem seriam os padrinhos, mas nada muito sério. O fim do jantar foi algo agradável para todos, conversaram mais um pouco antes de irem embora e deixarem o casal anfitrião sozinhos, que não enrolaram para limpar a casa e cuidar dos filhotes que estavam sonolentos de tanto cansaço, parte disso por brincarem a tarde toda. — Jagi, eu estou tão feliz! – Comentou se sentando no colo do marido que estava no sofá descansando. — Sunwoo estava tão bobo com a notícia, parecia até você quando eu falei que estava esperando Minho e Soomin.

— Ver você feliz me deixa mais feliz ainda. – Younghoon disse invertendo a posição e colocando o ômega sob si. — Já te falei que você é o meu raio de sol? – Questionou e viu as bochechas gordinhas ficarem vermelhas, recebendo um aceno negativo como resposta. — O raio de sol mais lindo que ilumina minha vida… – Murmurou deixando um selar na testa, outro nas bochechas, um no nariz e por fim selou os lábios. — Nosso bebê vai ser lindo como você, tenho certeza. – Disse baixo e não deixou o ômega responder já que o calou com um beijo calmo e repleto de carinho, só se afastando quando o ar faltou e suspirando ao ver o mais novo ofegante. — Eu te amo.

— Eu também. – Respondeu com um sorriso sereno, acariciando as bochechas do alfa com cuidado e esfregando o polegar sobre a pintinha que havia ali. — Espero que não seja gêmeos novamente ou eu nunca mais vou deixar você tocar em mim. – Falou brincalhão e ouviu a risada de Younghoon, deixando o mesmo homem se acomodar atrás de si no sofá, que dava pequenos beijos em sua cabeleira loira e sorria enquanto o escutava falar sobre como estava feliz por compartilhar quase o mesmo tempo de gestação com Changmin, sem dúvidas o esposo era a pessoa mais adorável que já havia conhecido. Chanhee tinha a melhor família do mundo e nunca iria se arrepender das decisões que havia tomado antes, porque ele faria tudo de novo se isso significasse poder ter a oportunidade de construir uma família unida.



Notas Finais


eu reescrevi algumas coisas e acrescentei outras por que esse.bonus tava me incomodando demais, parecia que algo estava faltando r a história tinha ficado incompleta, então aí está.

provavelmente eu ainda irei voltar esse mês com outra história, então até logo!


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