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História O Que Shinsou Faz Depois Da Aula? - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


oioi!
estou beeeem atrasado com esse especial, mas aqui estou eu yeey
antes tarde do que nunca, né AHSJAJSS
enfim, espero que aproveitem, e boa leitura~

Capítulo 1 - Único.


— O Shinsou é tão dedicado – comentou Midoriya, com um ar admirado, e percebendo alguns olhares de dúvida de seus colegas, acrescentou – Às vezes, quando volto dos meus treinos extras com o All Might, vejo o Shinsou sair de fininho para ir treinar.

— Treinar tarde da noite assim? – questionou Bakugo, desconfiado.

— Pois é, estranho, não? Por isso achei tão interessante ele se dedicar tanto assim!

Os colegas se entreolharam, e Bakugo não se deu por vencido, estalando a língua, afirmou:

— Ninguém teria uma rotina de treino assim, não faz sentido treinar de noite em vez de acordar cedo de manhã.

— Deve ser por isso que ele está sempre cansado – comenta Kaminari, se lembrando das olheiras profundas do mais novo colega de classe.

— Eu tenho certeza que ele não está indo "estudar" ou algo assim.

Um arquejo surpreso ressoou pela sala, fazendo todos se virarem em direção ao som, apenas para encontrar uma Mina chocada.

— E se ele estiver se encontrando com alguém?! – ela exclamou, colocando as mãos no rosto, se tornando a própria personificação do emoji assustado.

— Será que é alguém da U.A.? – teorizou Uraraka, entrando na onda da amiga.

— E se for alguém de uma escola rival? E por isso ele não conta para nós? Porque ele acha que a gente ia julgar ele – Momo disparou.

— Uma história digna de Romeu e Julieta! – Aoyama grita dramaticamente, fazendo uma pose sofrida, arrancando risos de algumas pessoas da turma.

— Mas como vamos fazer para mostrar para ele que independente de quem for, a gente não vai julgar nem criticar ele?

Kaminari de repente se levanta do sofá e bate as mãos, chamando a atenção de todos, com um semblante determinado em seu rosto.

— Já sei! – ele declarou. – Vamos segui-lo!

Todos soltaram um pequeno "an?" em uníssono, não entendendo Denki.

— Olha, vamos ficar de vigia para ver se ele realmente está fazendo algo depois da aula ou se só foi uma coincidência. Se a primeira opção estiver correta, seguimos ele. – ele explicou, parecendo mais sério do que já esteve em toda sua vida.

Grande parte da turma pareceu concordar com o plano, todavia Bakugo, com seu mal humor de sempre, apenas resmungou e revirou os olhos.

— Ou nós podemos simplesmente perguntar à ele – ele sugeriu, como se falasse a coisa mais óbvia do mundo, mas seus colegas o olharam como se tivesse falado o maior absurdo.

— E qual é a graça nisso? – Sero perguntou e Kaminari assentiu, apoiando o outro.

Soltando um suspiro indignado, Bakugo jogou as mãos pro alto.

Mas não rejeitou a ideia de Kaminari. Queria ver onde aquela situação daria. Não admitiria, mas estava curioso para saber sobre o que se tratava as supostas fugas de Hitoshi.



Izuku, Uraraka, Todoroki e Iida aguardavam juntos atrás de um dos grandes arbustos que enfeitavam o pátio do prédio onde ficavam os dormitórios.

— Vocês têm certeza disso? – questionou Iida. – Não quero estragar a diversão de vocês, mas isso é uma violação da privacidade do Shinsou.

Uraraka pareceu dar de ombros, enquanto Midoriya se encolhia ligeiramente, mas Todoroki permanceu neutro.

— Eu estou curiosa – ela respondeu, indiferente.

— E eu meio que fui arrastado para cá – Izuku adicionou. – Mas confesso que também estou curioso para saber o que Shinsou faz depois da aula.

— Estou aqui porque me prometeram me pagar um prato de soba se participasse – Shouto contou.

Iida suspirou, mas não se moveu. 

Alguma coisa? – perguntou Kaminari pelo telefone.

Já faziam dois dias que estavam "stalkeando" Shinsou. Haviam se dividido em dois grupos: Midoriya, Tenya, Shouto e Ochako aguardariam na entrada do prédio, Momo, Jirou e Hagakure ficariam na cozinha, vigiando pelo balcão que separava o cômodo da sala de estar – Hagakure e Jirou porque suas individualidades de invisibilidade e escuta eram úteis para a "missão" e Momo apenas porque não queria ficar no frio da noite –, e Kaminari, Mina, Sero,  Kirishima e Bakugo estavam perto da entrada do lugar, por onde Shinsou sairia se as teorias dos colegas estivessem corretas.

Já estavam se desanimando por ficarem acordados dois – agora três – dias seguidos e não terem sucesso.

Mas aquilo iria mudar naquela noite.

— Estou ouvindo passos – Jirou avisa, assumindo uma postura alerta, assim como os outros colegas, fazendo sinal para Hagakure mover-se para o corredor.

A menina invisível, por sua vez, rapidamente avistou o menino de cabelos roxos em meio à escuridão.

— É ele! – exclama num sussurro alto, logo depois tapando a boca e correndo para longe, vendo Shinsou hesitar em seu passo.

Felizmente, para a turma, o garoto deu de ombros e seguiu seu trajeto.

Ao sair do prédio, passou rápido pelo quarteto escondido nos arbustos, sem nem pensar duas vezes, não notando a presença dos outros, e eles não deixaram de perceber que era provavelmente porque estava acostumado.

— Kaminari, ele está indo em direção à vocês. – Avisou Izuku, vendo o amigo assentir pela câmera da videochamada e desligar.



Kaminari, Mina, Sero e Kirishima poderiam ser muito desajeitados em vários momentos, mas eles se mostraram "espiões" – como Mina os autodenominou – muito bons.

Seguiram Shinsou a uma boa distância e entre as sombras das ruas da cidade, tomando cuidado ao virar em cada esquina.

Olhando no relógio, Bakugo percebeu que já passava da meia-noite e se Shinsou não estivesse envolvido com algo grave, ele prometeu a si mesmo que mataria aquele loiro desgraçado por deixá-lo curioso e ferrado com sua rotina de sono por nada.

Virando uma outra esquina, o grupo se deparou com uma rua normalmente movimentada, mas pelo fato de ser madrugada, haviam pouquíssimas pessoas ao redor.

Iluminada, havia um imenso estabelecimento com uma placa gigante brilhando em luzes vermelhas que diziam "Atendimento 24 Horas".

O grupo se entreolhou confuso, mas ainda assim adentraram o lugar.

— Então Shinsou foge dos dormitórios para vir... ao supermercado? – Kaminari questionou, claramente decepcionado.

— Vamos ver o que ele vai comprar – Bakugo sugeriu. – Perdi minha pacífica noite de sono para vigiar esse extra, quero pelo menos ver se o que ele está comprando mereceu tanto esforço e suspense.

Deram uma olhada no estabelecimento e constataram o óbvio: era apenas um supermercado 24 horas normal. Frustrados, saíram de lá, resmungando, e ficaram esperando seu colega na frente. 



— Chocolate? – perguntou Momo, numa mistura de supresa e confusa.

— Exatamente. – Kaminari conta, como se tentasse se convencer de suas próprias palavras. – Tudo que ele fez foi comprar uma caixa de bom-bons de chocolates e voltar para os dormitórios.

— Então, no final, não era nada demais – Izuku murmurou, decepcionado.

— Duvido – disse Bakugo, atraindo a atenção de todos no recinto.

— O quê? – os colegas perguntaram em um coro.

— Você, de todas as pessoas, era a última que eu imaginei que fosse se importar com isso tudo assim. – Sero comenta.

Suspirando pesado, demonstrando sua irritação, Katsuki cruzou os braços.

— Não me importo, mas tem algo de errado nessa história. Acho que devíamos investigar mais um pouco.



A turma levara em conta o que Bakugo dissera, voltando a alternar entre grupos para vigiar as saídas de Shinsou.

Depois de quase uma semana seguindo Hitoshi, todos estavam mais uma vez reunidos na sala de estar.

— Esse cara deve estar de sacanagem com a gente – reclamou Sero, jogado no sofá. – Anteontem ele saiu de novo e voltou com sabe o quê? – os colegas balançaram a cabeça em negação. – Uma tesoura e fita. Só isso. – jogou os braços pro alto em um movimento exasperado. – QUEM COMPRA MATERIAL ESCOLAR ÀS DUAS DA MANHÃ?

— Pois é! – exclamou Uraraka. – E ontem mesmo ele comprou só um rolo de papel presente. Para quê?

— Ele espera até de noite pra comprar umas coisas aleatórias num supermercado? – Kaminari perguntou ao nada, exaurido. – Por quê?

— Vocês são idiotas? – Bakugo reclamou, se levantando.

— Ei, quem nos convenceu a continuar espionando ele foi você – acusou Denki, apontando o dedo indicador para o amigo.

— Não é isso, extra – Katsuki revirou os olhos. – Será que eu tenho que explicar tudo para vocês?

— Então explica aí para nós, espertão – Mina desafiou, arqueando uma sobrancelha e cruzando os braços.

— Quais foram as coisas que ele comprou? É uma pergunta retórica, Pikachu – Katsuki acrescentou ao ver Denki levantar a mão. – Chocolate, tesoura, fita, papel de presente, adesivos e papel colorido. – A turma assentiu, ouvindo atentamente Bakugo. – E ele esperava até quando todos estavam dormindo para fazer essas coisas, provavelmente porque ele queria que ninguém soubesse sobre e o questionasse do porquê de comprar todas aquelas tralhas.

— Isso a gente já sabe, Katsuki – disse Kirishima. – Vai direto ao ponto.

Suspirando, Bakugo perguntou:

— Que dia é depois de amanhã?

— Catorze de fevereiro.

Bakugo, então, ficou em silêncio, esperando a ficha de seus colegas cair.

— DIA DOS NAMORADOS! – Todos gritaram em uníssono, chocados.

— Ele estava fazendo um presente de dia dos namorados para alguém e não queria que nós descobríssemos! – Mina raciocinou.

— E provavelmente porque esse alguém é da nossa escola – Momo continuou.

— Ou ainda, da nossa turma – Aoyama disse, causando ainda mais alvoroço.

— Quem poderia ser? – Hagakure questionou.

A conversa continuou por mais uma hora, cada um formando sua teoria, mas então Shouto, que não tinha opinado uma única palavra desde o começo da "reunião", avalia:

— Mas Midoriya disse que encontrou-se com Shinsou pela primeira vez quase dois meses atrás, muito antes de estarmos minimamente perto do Dia Dos Namorados, não faz sentido Shinsou estar todo esse tempo preparando um presente para um feriado apenas. Ele deve estar se encontrando com alguém mesmo, como a gente imaginou a princípio.

Todos ficaram em um completo silêncio absorvendo as palavras do outro, até que Sero diz:

— Viu, Bakugo, aprende com o Todoroki, quando for explicar as coisas, explica assim.

— Ah, vai se fuder, fita durex – Bakugo xingou, ameaçando avançar para cima do outro e sendo segurado por Kirishima.

Ei, ei, ei, DJ para o som, DJ para o som – Kaminari falou, entrando no meio da briga.

— Tem DJ nenhum aqui, não, Kaminari – Jirou disse, confusa, fazendo o outro revirar os olhos.

— Fica ouvindo música o dia inteiro e não conhece Pablo Vittar – ele reclama, deixando a menina ainda mais confusa.

— Gente – Mina chamou, interrompendo a confusão, fazendo todo mundo virar-se para ela. – O que o Todoroki disse faz muito sentido. Vamos continuar stalkeando ele até o dia dos namorados.



Aquele era o dia.

Finalmente, depois de tanto trabalho e tantas idas e vindas daquele supermercado – os funcionários provavelmente até já reconhecem seu nome e rosto –, Shinsou havia terminado de preparar seu presente.

Era uma caixa de bom-bons de chocolate preto embrulhada em um lindo e reluzente papel de presente vermelho, dourado e marrom.

Colado ao embrulho estava um singelo cartão escrito à mão e enfeitado com adesivos, nele estavam escritos um pequeno poema e uma pequena declaração de amor que Shinsou nunca teria coragem de dizer em voz alta.

Pegando cuidadosamente o presente em mãos, Shinsou deu-se uma última olhada no espelho, ajeitando seu cabelo agora lavado e penteado para trás, antes de sair de seu dormitório.

Vestia uma jaqueta roxa por cima de uma camiseta de manga longa e gola alta preta, nas pernas estava uma jeans skinny também preta com alguns rasgos nos joelhos, e calçava um Vans preto.

Basicamente, a única coisa colorida em seu outfit era sua jaqueta e seu cabelo roxos.

Chamou o elevador, descendo até o andar térreo.

O coração parecia pular pela boca de tanto nervosismo. E se Monoma não gostasse? E se ele tivesse comprado um tipo de chocolate que Monoma não gostava? E se Monoma nem ao menos gostava de chocolate?

Seu namorado podia ser bem exigente, e isso incluía o que comia.

"Mas... E se Monoma não gostasse do presente por que não queria receber um?", Shinsou pensava, "Nós estamos já namorando quase seis meses, e ele quase nunca comenta sobre esse tipo de presente ou feriado. E se...?"

O elevador soltou um baixo som, indicando que Hitoshi havia chegado ao andar que queria.

Sacudindo a cabeça, tentou afastar seus pensamentos negativos ao andar até a entrada do prédio.

Ao entrar em contato com o ar fresco da noite, Shinsou levantou a cabeça, respirando fundo e juntando confiança para andar do pátio até o portão que dava para a rua.

Kaminari, Mina, Sero, Kirishima e Bakugo pareceram prender a respiração ao ver Shinsou parado, anormalmente muito bem arrumado, com um presente na mão.

— Parece que o Todoroki estava certo – Mina murmura, e os outros quatro balançam a cabeça em concordância.

Uma leve brisa soprava, desajeitando minimamente o cabelo cor lavanda de Hitoshi, e batendo em seu rosto suavemente – e fazendo voar folhas de árvores direto na cara de Ashido, que resmungara um pouco alto demais, quase estragando o disfarce do grupo.

No entanto, antes que Shinsou tentasse se focar em achar a origem do ruído que ouvira, a pessoa que tanto esperava finalmente chegou.

E o grupo de amigos não estava nem um pouco preparado para o que estavam vendo.

Eles esperavam qualquer coisa: alguém da própria classe deles, alguém de uma escola rival ou até mesmo do primeiro ou terceiro ano.

Porém, nada os preparou para ver a cabeleira loira, os olhos acizentados e o sorriso torto de Monoma dobrarem a esquina.



— Oi, amor – cumprimentou Shinsou, prontamente agarrando o outro pela cintura e depositando um beijo em seus lábios.

— Oi, 'Toshi – o outro cumprimentou de volta, seu sorriso aumentando ainda mais (se é que isso era possível), e entrelaçando os braços ao redor do pescoço do namorado, passeando as mãos em sua nuca. – Oh, você ajeitou seu cabelo hoje?

Sorrindo um pouco envergonhado e desviando ligeiramente o olhar, Shinsou assentiu.

— Não precisa ficar sem-graça – Monoma riu, internamente adorando quando as bochechas do namorado ficaram vermelhas com sua fala seguinte – Você está perfeito, eu amo seu cabelo. – deslizou a mão entre as madeixas roxas de Hitoshi, acariciando, e apreciando quando Shinsou inclinou levemente a cabeça em direção à sua mão.

Neito sabia o quanto seu namorado amava receber um cafuné, descobriu no dia em que estavam à toa em seu dormitório e resolvera tocar em seus cabelos para descobrir se eram mesmo macios ou não, e depois Shinsou manteve-se abraçado nele por quase meia hora, pedindo por mais carinho – mas isso era uma história para outro dia.

Hitoshi segurou a mão de Monoma e delicadamente afastou-a, dando um suave beijo em sua palma.

— Eu te trouxe um presente – disse, as palavras soando leves, mas a insegurança da rejeição continuava presente em seu âmago.

Tirando as mãos das costas de Neito, entregou-lhe o embrulho.

Monoma, por outro lado, estava completamente confuso. "Um presente? Por quê?", pensou, ficando alarmado internamente, resistindo ao impulso de rir de nervoso, /"É nosso aniversário de namoro? Será que eu esqueci? Meu Deus, eu tinha que ter comprado um presente! Será que ele vai ficar bravo comigo?", de repente seus pensamentos são interrompidos por uma memória de Kendo e Tetsutetsu comentando sobre os cartões e presentes que as pessoas recebem nos Dia Dos Namorados.

— Ai, acho que esse ano talvez eu receba várias cartas de admiradores! – disse a ruiva, sonhadora. – A única vantagem de ter feito parte daquele comercial com Uwabami.

— Sempre quis receber aqueles presentes imensos, sabe? Com rosas, balões, música – Tetsutetsu contou.

— Não sabia que você era do tipo romântico, Tetsu – Kendo se surpreende.

Monoma, porém, apenas revirou os olhos e reclama em seu tom arrogante:

— Que brega! Por que vocês gostam tanto dessas coisas, hein? Qual o sentido?

— Um dia, quando você ganhar um presente assim, você vai entender – a garota afirmou, e Monoma apenas revirou os olhos novamente.

— Até parece.

— Garanto que o Shinsou não pensa assim – ela sorri ladina.

— O Shinsou concordaria comigo. Por isso a gente namora, ele me entende.

A garota apenas riu e continuou falando sobre todos os presentes extravagantes que gostaria de ganhar.

Agora, encarando o presente que segurava em suas mãos, Monoma entendeu o que Kendo queria dizer – e odiou admitir que a amiga estava certa.

Aquilo não era bizarro, brega e barulhento que nem as coisas que os amigos descreveram. Era simples, mas era visível a dedicação posta na preparação dele, os adesivos fofos, o papel colorido da cor favorita de Monoma, o laço bem-feito, tudo.

Simplesmente perfeito.

Antes que Neito pudesse se recompor e conseguir formular uma frase, Hitoshi desejava em um murmúrio:

— Feliz Dia Dos Namorados.

Sorrindo de orelha a orelha e sentindo as bochechas aquecerem, Monoma inclinou-se novamente em direção ao namorado e beijou-lhe nos lábios.

— Feliz Dia Dos Namorados – sussurrou de volta.



— Porra, parem de choramingar, eles vão nos ouvir! – Bakugo reclamou, vendo Kaminari fungar ao seu lado.

— M-Mas, Bakugo, eles são tão fofos... – Denki chora, fazendo Katsuki apenas revirar os olhos.

— Certo, vamos, já vimos o que tínhamos que ver, e...

— Ir embora? Agora? – Mina pergunta.

— É, ou vocês querem ficar que nem uns tarados na moita vendo os dois ali se pegarem?

— É que eu já chamei o resto da turma para se encontrar com a gente aqui.

— Você o quê? – o queixo de Bakugo cai e ele bate uma de suas mãos na própria testa. – Francamente... Vocês são ainda mais imbecis do que eu pensei.



Monoma e Shinsou não tinham muitos momentos sozinhos, sempre tiveram muitos afazeres, incluindo aulas e treinos e com os olhos sempre atentos de Aizawa em cima do filho, deixava Neito com medo de até mesmo segurar na mão de Hitoshi.

E agora, tendo ambos passado para o segundo ano, as tarefas dobraram de tamanho e urgência, e com Shinsou em uma turma diferente, eles basicamente nunca se viam.

Por isso ambos começaram com suas pequenas fugas à noite. Antes era apenas uma exceção porque queriam encontrar-se em alguma data especial, mas acabou se tornando um hábito.

Os dois estavam abraçados, trocando beijos, mas seu momento romântico fora interrompido por um grito à distância chamando por Shinsou, que atraiu a atenção dos dois.

O ruído em questão, havia sido feito por Midoriya Izuku e Uraraka Ochako, que corriam em sua direção junto com a turma 2-A inteira atrás deles.

E assim, a ansiedade de Shinsou estava de volta, o coração novamente parecendo estar a uma batida de pular para fora do peito. O menino de cabelos roxos abriu a boca, mas a única coisa que saiu foram gaguejos sem sentido, delatando seu nervosismo.

— Olha se não são os fracassados da 2-A – Monoma reagiu rápido, entrando na frente do namorado, assumindo uma postura quase protetora.

— Cala a boca, Regina George – Bakugo respondeu prontamente, novamente ameaçando bater no outro e sendo segurado por Kirishima.

— O que vocês estão fazendo aqui? Não deveriam estar dormindo? – debochou, ignorando Katsuki.

— A gente que deveria perguntar isso para vocês, né? – responde Mina, botando as mãos na cintura.

Shinsou sabia que Monoma estava sendo irritante apenas para tentar atrair a atenção para si e fazer com que ele se sentisse menos encurralado com a presença dos novos colegas de classe.

Hitoshi sempre odiou ser o centro das atenções; ter vários pares de olhos o encarando com curiosidade sempre lhe causaram pesadelos.

O que fez um pequeno sorriso surgir em seu rosto e coragem crescer em si. Assim, pôs-se lado a lado do outro, tentando disfarçar as pernas tremendo.

— Quebrar o horário de recolher é uma violação das regras. – Iida constatou, gesticulando com as mãos para enfatizar. – Deveríamos contar para o Aizawa sobre isso…

— Não! – Shinsou pede, subitamente. – Por favor, não conte nada a ele. Acabei de entrar para essa turma, não quero correr o risco de ser expulso logo depois disso.

— Além de que se você está aqui junto de nós, você mesmo quebrou as regras, quatro-olhos, assim como todo mundo da sua turma, que tipo de representante você é? – Monoma disparava, fazendo Iida corar envergonhado.

— É verdade, você tem um ponto, Monoma – Tenya admitiu, não perdendo seu tom rígido.

— Calma, não seja tão duro com ele – Shinsou sussurrou, no ouvido do outro. – Ele ainda é o representante da minha turma.

Monoma o encarou e revirou os olhos, desgostoso, murmurando um vago "certo, certo" de volta.

— Mas afinal – Momo começou, todos virando-se para ela. –, vocês são namorados ou o quê?

Os ombros de Shinsou tensionaram e ele se encolheu, acuado.

Ali, novamente, suas inseguranças atacando.

Não se conheciam muito bem, e por mais que todos daquela turma parecessem mente aberta, não havia como adivinhar como reagiriam ao descobrir a sexualidade de Hitoshi ou que estava namorando um homem.

Respirando fundo, olhou para o namorado, que permanecera quieto, estranhamente sem lançar qualquer deboche ou ironia como resposta para a pergunta de Momo.

Ambos se encararam, Neito parecendo pedir permissão mentalmente para Shinsou para responder, e o garoto de cabelos cor lavanda balançando a cabeça em negação e respondendo em um sussurro:

— Não se preocupe, deixe que eu lide com isso. – Virando-se novamente para os colegas, agora Shinsou falava em voz alta. – Sim. Nós estamos namorando.

Os dois meninos se prepararam para qualquer tipo de reação negativa: comentários maldosos, perguntas invasivas, olhares de decepção… Mas definitivamente não estavam prontos para os sorrisos que receberam e o grito de alguém falando "Eu sabia!".

— Ai, sério, vocês não tem noção do quanto a gente estava preocupado que você estivesse envolvido com coisa errada, kero – Tsuyu contou, respirando aliviada.

— É, da próxima vez que estiver fazendo algo assim, nos conte, ok? – Izuku adicionou.

— Então... – Shinsou começou, inseguro. – Vocês não tem problema com o fato de eu namorar um homem? Nem de eu ser pansexual?

— Não, claro que não… – os colegas responderam quase em coro, antes de serem interrompidos por uma voz grossa e raivosa.

— Eu tenho – Katsuki diz, atraindo a atenção dos colegas.

— Kacchan, por favor, não diga ou faça na... – Izuku tentou acalmar o amigo, mas foi dispensado com um empurrão.

Shinsou encolheu-se levemente em reação à investida de Bakugo. Poderia ser um portador forte de uma individualidade poderosa, mas ainda tinha suas inseguranças e não ser aceito por seus amigos e novos colegas era uma das maiores.

— Porque assim... Um "homem"? – Bakugo indignou-se. – O Kirishima é um homem, esse troço ali é um bicho do mato! Não tinha ninguém melhor para trocar saliva, não?

— Own, obrigado – Kirishima agradeceu o namorado antes de entrar em sua frente e impedi-lo de dizer qualquer outra coisa. – O que ele quis dizer, Shinsou, era que a gente não se importa com a tua sexualidade e que você continua sendo a mesma pessoa que sempre foi para a gente.

Shinsou riu, vendo a cara indignada de Monoma ao insulto de Bakugo, e sentindo-se grato por Kirishima "corrigi-lo" antes que Neito e Katsuki começassem a brigar fisicamente.

— Até porque a maioria dessa sala é LGBTQ , kero– adicionou Tsuyu, e todos fizeram um barulho de concordância. – Tipo o Bakugo e o Kirishima ali, que nem escondem o namoro mais.

Os dois meninos citados apenas coraram, mas não discordaram da fala da menina sapa.

Respirando aliviado, Shinsou abriu um sorriso genuinamente alegre, com pequenas lágrimas brotando no canto de seus olhos.

— Bom saber – ele responde, simples, segurando a mão de Monoma e entrelaçando seus dedos, arrancando um coro de "Own" vindo dos colegas.

— Agora vamos voltar para dentro, antes que… – Iida dizia, quebrando o clima, mas fora interrompido.

O que está acontecendo aqui? – era a voz de Aizawa, num tom cansado e furioso. – Por que estão fora da cama?

Todos entraram em pânico e começaram a gaguejar, até que Mina acusou:

— É tudo culpa do Kaminari, professor! Ele que arrastou todo mundo para esse plano maluco dele.

— E vocês foram junto, não é? – Shouta não se deixou enganar, vagando os olhos pelos alunos, até que fixou os olhos em uma cabeleira roxa que reconheceria em qualquer lugar. – Hitoshi?!

Rindo sem graça e envergonhado, Shinsou desviou o olhar e acenou com uma mão, murmurando um "oi, pai" baixinho.

— Na verdade, o Shinsou é a razão pelo qual isso tudo aconteceu, em primeiro lugar – Kaminari se defendeu, apontando. – Se ele não estivesse tendo esses encontrinhos de madrugada com o namorado dele, nada disso teria acontecido.

— É sério isso? Você tem fugido dos dormitórios de noite, se expondo ao perigo, para se encontrar com o Monoma? – ralhou com o filho, botando as mãos na cintura.

— B-Bem, eu… – o menino gaguejou, sem saber como negar a verdade.

— Depois vamos ter uma conversinha, mas antes… – voltou-se para o resto da classe. – Uma semana de detenção. Para todo mundo. Incluindo você, Senhor Monoma, entendeu? – apontou para o menino que fugia de fininho nas pontas dos pés.

Bufando e revirando os olhos, o loiro assentiu com a cabeça e respondeu um "entendi" aborrecido.

— Agora, todos para dentro.



Deitado em sua cama, Shinsou enviava mensagens de texto para Monoma.

Shinsou: Não vamos mais poder nos encontrar como antes :(

Shinsou: Meu pai me deixou de castigo por um mês e me proibiu de sair dos dormitórios de madrugada assim 

Monoma: Isso não vai ser um problema :)

Shinsou: Quê? Por quê?

Monoma: A gente pode se encontrar no seu quarto, daí você não vai precisar sair.

Alguns minutos se passaram e Monoma não mandara mais nenhuma mensagem explicando, então Hitoshi, rindo, enviara:

Shinsou: Não vai me dizer que você criou um pLaNo MiRaBoLaNtE pra invadir meu quarto.

A mensagem foi visualizada e não respondida, então Hitoshi, já ficando irritado pelo vácuo do namorado, começou a digitar outra mensagem um pouco mais raivosa, mas não chegou a mandá-la pois um barulho em sua janela o interrompera.

Virando-se, a reação de Shinsou dividiu-se entre rir e se surpreender com o que via: Monoma flutuando e cutucando o vidro da grande janela de seu quarto.

Levantou-se, ainda incrédulo, 

— Parece que afinal alguns dos idiotas de classe 2-A não são tão idiotas assim – Monoma diz, juntando os dedos das mãos e pousando no chão.

— Tipo quem? A pessoa de quem você roubou essa individualidade? – Shinsou brincou, cruzando os braços.

— Para sua informação, eu não "roubei" nada de ninguém, ela me deixou copiar a individualidade dela por pura e espontânea vontade.

— Ah, é? – admirou-se. – Bem, Uraraka realmente costuma ser boazinha demais, então acredito em você.

Monoma apenas mostrou-lhe a língua em resposta, como se se vangloriasse de sua vitória – da maneira mais infantil de todas –, arrancando risadas do namorado.

Talvez o relacionamento de seu namorado com a sua turma não estivesse totalmente fadado ao fracasso, no final das contas.

Mas não era sobre isso que Shinsou queria pensar sobre no momento.

Abraçando o outro, jogou-se na cama, levando Monoma consigo, que soltou um gritinho surpreso ao ser agarrado subitamente, mas logo passou a rir.

E foi assim que passaram a noite e as outras seguintes: abraçados, rindo, conversando ou em um silêncio confortável, trocando um beijo ou outro, apenas aproveitando tudo que poderiam tirar daquele tempinho raro que tinham juntos.

Porque era isso que Shinsou gostava de fazer depois da aula, dos treinos ou de qualquer coisa: voltar para o aconchego dos braços de Monoma.



Notas Finais


eu acredito fielmente que o denki é uma máquina de memes ambulante e ele fica a cada dois segundos citando um meme aleatório no meio das conversas KSKSSKSNKS

na minha cabeça o monoma é assim:
monoma: 2-A desgraçada odeio todos grrr 😠😠🤬😠😤😤🤢🤮🤮😠
shinso: *entra pra 2-A*
monoma: nossa mas a 2-A nem é de tooodo ruim assim né 🤗🤗😋🤩😸😸

e fiquei soft demais escrevendo as ceninhas monoshin, amo mt eles 🥺🥺

eu nunca tinha escrito nada monoshin antes, mas espero que eu tenha feito justiça e que tenham gostado 💞💞
até~


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