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História O Sereia - Capítulo 3


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Notas do Autor


Não tá pronto, mas era isso ou nada.

Capítulo 3 - Teus olhos verdes


Quando o garoto percebeu a presença e aproximação de Kai se assustou, deu um pulo e ficou mais desesperado ainda, começou a recuar em prantos.

— Ei, calma. — Kai se aproximava calmamente, mas por dentro em desespero. — Está tudo bem, eu não vou te machucar.

Notou as pernas do garoto, estavam arranhadas, com vários roxos e alguns cortes, totalmente judiadas. Dava para ver que não conseguia andar. Mesmo assim tentava recuar e se distanciar de Kai o máximo que podia, mesmo que já estivesse com as costas contra a rocha que se apoiava.

— Está tudo bem, eu quero ajudar — estendeu a mão ao garoto. — Eu não vou te machucar. — olhava para o rosto molhado do garoto.

Mesmo assim, ele continuava a recuar, ainda com medo e desespero estampado em sua face.

Olhou Kai no olhos, e assim o surfista viu seus grandes olhos verdes.

Se a situação fosse diferente, certamente Kai estaria namorando os olhos do garoto, de tão puros e belos que eram. Infelizmente eles estavam encharcados de medo e angústia. Por um segundo se desligou do mundo apenas para contemplar a beldade que eram aquelas grandes orbes verdes assustadas.

Voltou a realidade quando reenchergou que o menino ainda estava com medo, recuando e claramente angustiado.

— Não precisa ter medo. — estendia a mão.

O garoto negava com a cabeça.

— Por favor, eu só quero ajudar...

Ainda tremendo, olhou para a mão estendida, olhou para o mar, olhou novamente a mão, mordeu o lábio, e depois de muito exitar finalmente aceitou a mão.

Sua mão era macia e delicada, seu toque não era nada confiante do que estava fazendo, Kai conseguia sentir o tremor do corpo do outro.

Kai o puxou cuidadosamente para o ajudar a ficar de pé. Suas pernas estavam bambas, e no primeiro passo já caiu novamente. Bateu com os joelhos na areia e choramingou e olhou Kai com dor. Kai o segurou pelos braços, evitando que caísse com a cara na areia.

— Você não consegue andar? — perguntou preocupado.

O garoto negou com a cabeça.

— Tudo bem... — começou a se desesperar junto com o garoto. — “É claro que ele não consegue! É só olhar para as pernas dele!” — se repreendeu.

Se viu sem opções.

Não poderia deixá-lo alí sozinho, vulnerável e distante de acolhimento. Também demoraria muito tempo até uma ambulância chegar. Teve de pensar rápido.

Ajudou o garoto a ficar de pé novamente, e rapidamente passou um braço por debaixo das pernas no moreno e a outra pelas costas do mesmo.

Surpreendeu o moreno com o ato repentino. Seus batimentos aceleraram, sua respiração ficou falha e sua bochechas ruborizaram. Encolheu-se no peito de Kai, tentou esconder seu rosto amedrontado.

Kai conseguia sentir o calor da respiração desconpaçada do garoto, isso o deixou amolecido de pernas bambas. Suspirou fundo e começou a correr. Demoraria muito chegar num hospital mais próximo, e sua casa era literalmente cinco minutos dalí. Bom, dois, na velocidade que que corria.

Esqueceu totalmente de sua prancha e seus pertences que carregava a pouco, mas isso não importava num momento como aquele.

Seus pés se chocavam com a areia, correndo o mais rápido que podia tentando não causar desconforto ou mais dor ao garoto moreno.

Para seu azar não tinha ninguém nas ruas e nem na praia, ninguém que pudesse pedir ajuda, justo naquele momento, o pior momento para a praia estar deserta.

O garoto em seu colo se encolhia medroso, escondia seu rosto no peito de Kai. O surfista enquanto corria conseguia sentir a desconpaçada respiração do garoto, podia sentir sua testa quente e suada.

Rapidamente chegou em casa. Ela era tinha poucas escadas até chegar na porta da frente, porta que Kai agradeceu mentalmente por sempre se esquecer de trancar.

Já tratou de correr até o sofá e deitar o garoto da maneira mais confortável possível com uma almofada para servir de travesseiro. Ele ainda tremia muito, tinha os olhos fechados, provavelmente com medo de abri-los. Se enconlheu no sofá e escondia seu rosto amedrontado com as mãos.

Kai observou com pena e vontade de ajudar.

“Meu Deus, isso é tragicamente adorável” — quis se bater na cara por achar a maneira que o pobre garoto estava sofrendo era fofa.

Sentia vontade de abraçá-lo, acolhe-lo em seus braços, mima-lo de todas as formas possíveis.

Por hora, se preocuparia em confortá-lo o máximo possível.

— Vou preparar um banho para você. — disse se levantando prestes a sair do lugar quando é impedido pelo garoto ao puxar seu pulso firmemente.

O olhar do moreno era dolorido e cheio de dor sendo lançado para Kai.

— O que foi? — perguntou.

O garoto negou algo com a cabeça e os lábios tremendo.

— Não quer que eu vá? — foi respondido com um aceno positivo. — Não quer ficar sozinho? — chutou. Recebeu outro aceno positivo.

Suspirou com peso. Olhou dos olhos cheios de dor e sofrimento verdes do garoto e foi descendo o olhar por todo o seu corpo, até às canelas roxas e com alguns cortes rasos do moreno.

“O que diabos aconteceu com esse garoto?” — se questionava.

Ele obviamente sentia medo de ficar sozinho, e Kai não conseguia nem imaginar o que o pequeno teria passado para chegar nesse ponto. Levou os olhos até o pequeno corredor que no final tinha o banheiro. Não seria uma boa escolha contrariar os pedidos de alguém nessa situação de pânico e ansiedade.

— Tudo bem, está tudo bem.

Trouxe os braços do garoto e os envolveu em seu pescoço. Pôs um braço em baixo das pernas do moreno e o outro levou as suas costas. O carregou até o banheiro.

Chutou a porta que estava entreaberta e cuidadosamente pôs o corpo do moreno sentado no chão encostado na parede atrás de si. Com as mãos trêmulas ligou a chave de água e foi temperando com o frio e o quente, até formar uma temperatura morna e agradável. Quando finalmente chegou na temperatura desejada Kai pôs um pouco de sabão líquido para fazer bolhas.

A banheira já toda preparada, Kai novamente pegou o garoto no colo e cuidadosamente o pôs na banheira com água morna e bolhas.

O moreno sentiu um arrepio correr por todo o seu corpo ao entrar em contato com o calor aconchegante da água. Sentiu seus músculos almejarem pelo descanso. Precisava muito daquilo, daquele relaxamento corporal. Só não o teria por ainda estar banhado com medo e preocupação.

Kai conseguiu sentir a rápida onda de calma que fluiu dos nervos tensos do outros. Fez com que se sentisse mais calmo.

Suspirou fundo.

Levou uma mão até a bochecha morena do garoto e a outra a uma das mãos trêmulas que estavam pousadas nos joelhos. Fez um singelo carinho nessas partes que tocava. Fez com que o garoto levasse um pequeno choque e o olhasse nos olhos.

Mais uma vez encarava aqueles grandes olhos verdes, iguais a esmeraldas, inchados do tanto que havia chorado e inundados de angústia, agora pareciam mais calmos e curiosamente surpresos e atentos.

Ah, aqueles olhos.

Poderia observalos por mais tempo do que poderia imaginar.

Parecia que aqueles verdes olhos o chamavam, podiam ver sua alma e possuí-la.

Suas bochechas ganharam um leve tom avermelhado junto com as bochechas do moreno que ficaram iguais.

Quando se deu conta do tempo que encarava aquelas grandes orbes verdes desviou os olhos envergonhado.

— Tome e um banho e relaxe. Eu vou preparar uma roupa e algo para você comer... — ia se levantar, quando novamento tem seu pulso segurado com força e recebe de novo aquele olhar amedrontado. Doía o coração de ver aqueles olhinhos cheios de medo.

Mordeu o lábio sentindo o coração pular.

— Não precisa ter medo, eu não vou te deixar sozinho. Não vou sair daqui por nada. Vou estar o tempo todo na cozinha, eu não vou te deixar — garantiu com firmeza.

Temeroso o moreno desviou o olhar e mordeu o lábio, afrouxou o aperto no pulso de Kai, mas ainda o segurava. O olhou novamente com o olhar cheio de dúvida.

Kai sorriu de um jeito reconfortante.

— Eu prometo. — disse do fundo do coração.

O moreno ainda não se sentia totalmente certo daquilo, mas decidiu confiar na palavra do surfista, mesmo que ainda estivesse com medo. Hesitante no que fazia, o garoto foi afrouxando o aperto no pulso de Kai até que finalmente o soltasse.

— Fique calmo, ok? Daqui a pouco eu volto. — falou saindo lentamente do banheiro até finalmente chegar no corredor e deixar a porta encostada.

Suspirou fundo e olhou de canto para a brecha da porta.

Andou até a cozinha pensando no que poderia fazer. Não sabia cozinhar, só o bem básico para sobreviver.

“Definitivamente omelete com presunto e queijo não é o ideal numa situação dessas.” — concluiu. — “Preciso de algo nutritivo.”

Instantaneamente se lembrou de quando ficou gripado e Kaiki fez um ensopado para si. Não era muito fã de sopa, mas por Kaiki comeria até pedra, mas tinha que admitir que aquela sopa era dos deuses. No dia seguinte já estava quase cem por cento.

Pegou o celular e discou o número de Kaiki.

“Alô?”

“Oi, Kaiki”

“Ah, oi, Kai. Tudo bem?”

É... Mais ou menos. Vem cá, pode me passar a receita daquela sopa que você fez para mim quando eu gripei?”

“Ué, você está gripado de novo?”

“Não, é um pouco mais complicado que isso...”

“O que é?” — sua voz começou a se preocupar.

“É difícil de explicar por telefone... Pode me passar a receita? Eu juro que depois eu explico...”

“Claro” — Kai rapidamente correu até a geladeira para conferir se tinha tudo o que precisava. — “Primeiro você refoga dois dentes de alhos e meia cebola picada...”

— Cebola, alho... — confere, sorte que tinha exatamente meia cebola cortada na porta da geladeira.

“Uma abobrinha e uma cenoura picadas...”

— Droga, não tenho nenhum dos dois... Tudo bem, eu dou meu jeito.

“Três batatas cortadas em cubos...”

“Tem problema se usar só duas?”

“Acho que não. Continuando: duas xícaras de chá de feijão cozido, um macarrão de sua preferência, duas colheres de extrato de tomate e 800ml de água...”

Não tinha nem a abobrinha, nem a cenoura, nem macarrão. Que beleza.

Mas tinha o frango desfiado de três dias atrás.

”Posso substituir a o macarrão por frango e não colocar cenoura e abobrinha?”

“Acho que pode, deve ficar bom. Daí é só temperar com sal, pimenta e orégano a gosto, mecher e colocar na pressão por quinze minutos. Você precisa de ajuda? Aconteceu alguma coisa?”

“Eu juro que depois eu explico direitinho o que está acontecendo, muito obrigado, Kaiki.” — desligou.

Observava sua geladeira, procurando os ingredientes. Viu queijo e presunto, ficou muito feliz.

— Não são cenouras nem abobrinhas, mas vão ter que servir.

Revirou um pouco mais as coisas da geladeira e, por sorte, viu meia cenoura descascada. Pôs pra dentro da panela.

Fez tudo conforme a receita dada, colocou o queijo, o presunto, batata, frango e tudo o que havia para por. Temperou com muito cuidada, com medo de que o garoto tivesse alguma restrição alimentícia.

Pôs a sopa na pressão.

Nos quinze minutos que devia deixar, aproveitou o tempo para arranjar uma roupa confortável para seu novo hóspede temporário. Foi até seu quarto.

Seu quarto servia como um quarto de hóspedes, mesmo que suas coisas estivessem todas lá, já que dormia na sala. Na sala as janelas eram grandes e dava para ver o mar, ao contrário do quarto que as janelas eram pequenas e não dava para ver muita coisa. Por isso fez da sala seu novo quarto e o pôs uma cama.

Abriu seu guarda roupa, analisou peça por peça, blusa por blusa, cueca por cueca. Foi aí que percebeu que se vestia igual um mendigo, porquê a maioria de suas roupas eram largas, consequentemente sendo extremamente confortáveis.

Decidiu pegar um pijama de algodão de inverno, composto por uma blusa de manga longa branca e cinza com um gatinho em cartoon estampado na frente, e uma calça cinza. Separou-as num cantinho.

Começou a arrumar a cama, colocar cobertores, arrumar travesseiros, para que o garoto ficasse o mais confortável possível. Ajeitou o quarto, guardou algumas coisas e quando percebeu já tinha quase arrumado o quarto inteiro. A cama estava pronta para uma hibernação.

Suspirou satisfeito e voltou a cozinha.

Tirou a pressão da panela e ligou para Hani. Caixa postal.

“Oi, Hani, é o Kai. Espero que quando ouvir essa mensagem ainda esteja em casa, porque realmente não é uma boa hora para você vir me encher com suas teorias de sereias, e tals. É complicado... Quando ouvir essa mensagem me liga.” —desligou.

Tirou a tampa da panela e subiu um vapor quente em sua face. Cheirava bem, tinha de admitir.

Estava tudo pronto. Usou uma concha para colocar a sopa num prato fundo, e já satisfeito pelo bom trabalho, decidiu voltar ao banheiro para ver como o garoto estava.

Bateu três vezes na porta e colocou a cara para dentro do banheiro sorrindo gentilmente e um pouco sem jeito.

— Erh... Oi.

O garoto estava do mesmo jeito que quando havia saído. Sentado com os joelhos no peito, brincando com a água e a observando sem vida ou emoção. Ao ouvir a voz de Kai deu um pulo, logo depois o olhou nos olhos.

— Eu falei que não ia sair daqui, não falei? — sorriu.

Viu o moreno desviar os olhos e sorrir minimamente. Corou.

“Deuses, que sorriso mais lindo!” — pensou gritando internamente.

— Eu fiz uma sopa para você, deve estar faminto. — sorria abobado. — Vem, deixa eu te ajudar.

Novamente passou um braço por baixo das pernas do garoto e o outro por suas costas. Se molhou todo, mas não tinha importância. O colocou sentado no vaso e o enrolou com a toalha, novamente o pegou no colo, caminhou até seu quarto e o sentou na cama. Ajudou-o a se secar ao começar pelos cabelos macios e molhados do garoto.

Os fios castanhos escuros do moreno caiam perfeitamente por seu rosto, e seus verdes olhos não tinham mais toda aquela dor. Kai foi passando a toalha do seu cabelo até às bochechas, que fez com que o garoto o olhasse nos olhos novamente. Secando as bochechas do moreno ele fez uma carinha fofa, de derreter o coração do surfista como se fosse manteiga.

Calma e carinhosamente ajudou o moreno a se secar. Já totalmente seco, Kai pegou a muda de roupas que havia separado para o garoto.

O garoto pegou as roupas dobradas e fez uma expressão confusa. Kai corou.

— Eu vou... Deixar você se trocar... — falou com as bochechas coradas, envergonhado.

Saiu do quarto dando privacidade para seu novo hóspede se trocar. Enquanto isso, voltou a cozinha. Com uma concha colocou a aula em um prato fundo, e para sua surpresa estava com um cheiro e uma cara muito bons.

Sua mente viajou para mais cedo, quando o pobre garoto estava perdido no meio das rochas. Ele estava sozinho e despido, suas pernas machucadas. Seus olhos verdes estavam encharcados de medo, angústia e sofrimento. O que teria acontecido se Kai não o tivesse encontrado? Ainda estaria sozinho, nú, machucado e agonizando de dor? As pessoas não iam muito até aquela parte da praia, então provavelmente sim...

Depois já estava mais calmo, menos agitado e parecia ter confiado em Kai.

De repente sua mente já se lembrava da pele morena e dos lábios finos que tinha o garoto. Suas cochas, que mesmo totalmente maltratadas e machucadas, eram fartas. E seus olhos verdes.

Ahh, que olhos.

Poderia olha-los a vida inteira. Sentia que aqueles olhos verdes o chamava de uma forma assustadora e intimidante, mas de um jeito bom.

Quando se deu conta já imaginava coisas que não deveria estar imaginando.

Balançou a cabeça para afastar os pensamentos impróprios, e percebeu o tempo que já estava sonhando acordado. Estava fazendo o garoto esperar até agora, oh céus.

Parou de pensar naquilo que não deveria e voltou ao quarto para ver se o garoto precisava de alguma coisa, para finalmente dar-lhe de comer.



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