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História O vira-tempo - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Desconfiança


James ainda estava sem conseguir raciocinar e ainda tinha muitas dúvidas, mas sabia que Minerva não revelaria a história toda. 

– Como... Como foi que aconteceu? – perguntou sentindo a garganta seca. Minerva hesitou, mas, como ele já havia descoberto, contou.

– Você-sabe-quem foi até a casa de sua família e, para dar tempo da senhora Potter, você o enfrentou, sem varinha. Mas infelizmente, os dois morrem. Naquela noite, Harry foi o único sobrevivente.

A cada palavra dita por Minerva, James sentia o ar sumir dos seus pulmões. Sua mente estava girando. Mas ainda precisava saber de mais coisas.

– Quem são esses Dursley que são parentes de Harry? – perguntou, voltando seu olhar para Minerva, que tinha em seu rosto a expressão que James detestava. Pena.

– São os tios maternos dele. Harry Potter foi criado por eles. 

Dursley. O nome não o fazia lembrar de nenhuma família bruxa. Quando visitou o Largo Grimmauld n°12, James pode ver a na árvore genealógica dos Black muitas famílias bruxas de sangue puro, mas lá não havia nenhum nome "Dursley". Também não se recordava de bruxos mestiços com esse nome, logo, isso o fez pensar que essa família seria trouxa.

– Ele foi criado por trouxas? 

– Sim, Potter. Foi criado por trouxas. Agora, por favor, não me faça mais perguntas. O diretor não me deu autorização para responder a elas. – Minerva disse de maneira séria, mas tranquila. James assentiu e ficou sentado em silêncio por alguns minutos, apenas pensando. 

Depois que saiu da sala de Minerva, James passou o dia todo evitando seus amigos. Estava verdadeiramente mal e sentia que poderia desabar se visse neles o olhar de pena. O dia se passou duas vezes mais lento do que de costume e, para James, não teria como piorar. Sabia que um dia morreria, todo mundo morreria um dia afinal, mas nunca imaginou que sua morte estivesse tão perto, de certa forma. No entanto, se tinha uma coisa que doia mais do que ter um dia definido para sua morte, era saber que seu filho não foi criado por ele.

Com isso em mente, James começou a trabalhar em maneiras de como se aproximar de Harry sem parecer um completo perturbado. Sabia que no futuro não teria tempo com seu filho, então por que não aproveitar esse tempo que ele, de maneira desajeitada, ganhou?

James saiu de seus pensamentos quando ouviu um barulho, nada discreto, de alguém entrando no dormitório. Ao ver Sirius e Lupin, James nunca desejou tanto que tivesse com sua capa da invisibilidade, para assim não precisar encara-los. 

Sem dizer uma palavra, Sirius e Lupin se sentaram ao lado de James. Não estava sendo exatamente fácil para eles também, saber que em alguns anos, o melhor amigo deles morreria era devastador. Infelizmente, para James, o silêncio não estava sendo muito reconfortante, na verdade estava até sendo pior.

– Como aconteceu? – Lupin perguntou e James disse a eles o que Minerva lhe contou o que não era muita coisa, apenas o necessário.

– Nós podemos dar um jeito. – Sirius disse depois de um longo silêncio e James abaixou a cabeça. – Podemos mudar isso. Temos essa chance.

– Não, não podemos. – James disse, com pesar e Sirius o olhou como se ele fosse um maluco.

– Sim, podemos. Pontas, você não entendou o que podemos fazer... – Sirius foi interrompido por James, que não estava muito paciente.

– Almofadinhas, me escuta. Nós sabemos que o simples fato e estarmos aqui, pode alterar alguma coisa. Se tentarmos mudar o fato de que irei morrer, pode acontecer alguma coisa horrível. Não posso e não vou colocar a vida do Harry em perigo.– James disso com firmeza e em sua voz não havia um pingo de arrependimento. Para ele, já estava decidido.

Sirius se calou, mas não parecia muito contente. Não podiam simplesmente achar um jeito de ninguém morrer? É claro que não queria que Harry morresse, mas também não poderia viver sabendo que seu melhor amigo iria partir  tão cedo. 

Aquela situação toda estava deixando Lupin devastado. James sempre fora tão alegre e despreocupado que se ele não estivesse vendo o estado do amigo com os próprios olhos, nunca acreditaria. Ele estava, visivelmente, abalodo. 

Mesmo que boa parte de Remus, a sua parte racional, concordasse que não poderiam interferir no tempo, sua parte que tinha um enorme carinho por James, que mesmo sabendo seu maior e mais terrível segredo, sempre o tratou como um irmão, tentava achar uma forma de realmente mudar isso sem consequências graves.

– Qual é, não me olhe assim. – James reclamou para os amigos, que o olhavam com tristeza. – Ora, vocês não acharam que eu viveria para sempre não é? Além do mais, vocês podem ter tido uma ótima vida. Aluado, você chegou até a ser professor. E Sirius você... Bem, na verdade não sabemos o que aconteceu com você, mas tenho certeza que não foi nada ruim. 

Apesar do otmismo no tom de James, algo em Sirius discordava fortemente dessa afirmação. Não sabia porquê, mas o fato e não ter nenhuma notícia sobre sua vida o deixava com uma sensação péssima. Mesmo assim, Sirius forçou um sorriso para o amigo e assentiu. Mesmo estando apreensivo, não queria preocupar James com seus devaneios, afinal, ele já tinha seus próprios problemas para se preocupar.

O clima ainda estava bem pesado entre eles, mas Lupin se lembrou de algo que, talvez, animasse um pouco James e deixasse o clima mais leve e descontraído.

– Sabe, Lily ficou preocupada com você. Ficou o dia todo querendo conversar com você. – os olhos de James se iluminaram diante a informação obtida e Sirius se permitiu rir. Somente isso para animar James em um momento como esse.

– Quando subimos ela estava na sala comunal. Talvez devesse ir falar com ela antes que, você sabe, ela volte a te odiar. – Sirius comentou com falso desinteresse e James não disse nada, apenas deixou o dormitório com uma rapidez quase impressionante.

Na sala comunal, Lily se encontrava em uma poltrona próxima à lareira, olhando o fogo pensativa, exatamente como ela estava antes de voltarem no tempo. James sentiu o costumeiro nervosismo, que só Lily o fazia sentir, e se aproximou da garota calmante.

James ficou parado ao lado dela, mas não sabia o que dizer. Não queria estragar tudo falando alguma coisa presunçosa que a irritasse. Seria legal em algum outro momento, mas não estava com cabeça pra isso agora. Queria apenas conversa, antes que, nas palavras de Sirius, Lily voltasse a o odiar.

– Como você está? – Lily perguntou, voltando seu olhar para ele.

– Bem, eu acho. Quer dizer, é estranho ter um dia exato para morrer, mas... – James não conseguiu completar a sua linha de raciocínio. A verdade era que nem ele sabia o que sentia, a única coisa que tinha certeza era de seu arrependimento por brincar com algo tão delicado quanto um vira-tempo.

Mas James não precisava dizer o que sentia, pois Lily sabia exatamente o que era. Havia descoberto na noite passada que, no seu futuro, ela seria mãe de Harry e, segundo a informação obtida mais cedo, tanto ela quanto James morreram. Ao saber da notícia, Lily se sentiu perdida, confusa e quebrada. Ficou arrasada, mas soube disfarçar. 

Quando viu o quão mexido James ficou com isso, Lily quis conversar com ele, mas decidiu dar a ele o tempo que ele precisava para assimilar as coisas. Além disso, ela não tinha ideia do que diria a ele. Não pensava em contar que era a mãe de Harry. Não no momento, pelo menos. 

– Entendo. – Lily disse vagamente e James assentiu. – Falei com ele ontém. Com o Harry.

Isso atraiu a atenção de James, uma vez que falar com o garoto tem sido a coisa que ele mais quer fazer desde que descobriu que o mesmo era filho dele.

– Quando? – perguntou James, interessado. – Como ele é?

– Foi quando ele estava voltando da detenção com a Umbridge-Cara-de-Sapa. Não conversamos muito, mas ele foi gentil. – Lily respondeu e James sorriu minimamente. – Algo que ele, provavelmente, não herdou de você. – completou com intenção de deixar o clima mais leve e, como esperado, James riu.

Para Lily era estranho saber que no futuro se casaria com James, uma vez que não tinha nenhum interesse romântico no garoto. As coisas que ele e seus três mellhores amigos faziam deixavam Lily tão irritada, que sua vontade era azarar cada um deles. Com exceção de Remus, que sempre fora o mais comportado dos quatro. 

No entanto, nesses dias em que estavam no futuro, James havia passado de alguém completamente insuportável, para alguém tolerável. Mas, claro, ele não havia mudado a ponto de Lily se ver casando com ele um dia.

– Sabe, não é só isso que me preocupa. – James falou e Lily voltou sua atenção completamente para ele. – É sim a coisa que mais me preocupa, mas não a única. Quer dizer, o que aconteceu com meus amigos? Só ouvi falar que Aluado chegou a ser professor em Hogwarts o que, sinceramente, me deixa surpreso e orgulhoso. Mas e quanto Sirius e Peter? E... você?

Lily não respondeu. Não sabia o que falar. Era claro que os tempos não estavam fáceis, tanto que ela e James morreram. Lily não queria dar a ele falsas esperanças, porquê havia chances de que seus amigos tivessem tido um destino não muito agradável.

– Sabe, é muito legal da sua parte estar mais preocupado com seus amigos do que com você mesmo. – Lily comentou. Não podia negar que, quando descobriram que ele morreria no futuro, Lily achou que James iria procurar desesperadamente uma maneira de mudar o futuro. No entanto, ele se demonstrava calmo até demais.

– Não há razão para que e eu me preocupe comigo. Eu já sei o meu destino, mas ainda não sei o dos meus amigos e é isso que me assusta. 

O jeito calmo e sereno que James falava, deixava Lily nervosa. Tinha que admitir que ela, diferente dele, estava nervosa. Não sabia ao certo quando isso aconteceria e isso a assustava. 

– Quem são os Dursley que Hermione sitou hoje cedo? – Lily perguntou, a final, estava curiosa.

– Minerva disse que são os tios maternos de Harry. Trouxas. – James respondeu, dando de ombros. – Eles criaram Harry. Espero que, pelo menos, sejam boas pessoas.

Lily sentiu o estômago revirar. Se os Dursleys eram tios maternos de Harry e ela era mãe dele, então isso significa que sua irmã, Petunia, havia cuidado de Harry junto com seu marido. Será que, depois de tanto tanto, sua irmã e ela haviam feito as pazes? Infelizmente, Lily não conseguia imaginar um cenário onde sua irmã faria algo bom por ela, como cuidar de seu filho.

Se lembrava perfeitavamente da aversão que sua irmã sentia por magia. Sempre que Lily voltava para a casa para passar as férias de natal e de verão, Petunia fazia questão de chama-la de "anormal" ou "esquisita" e isso a machucava muito. Mesmo quando Lily tentava explicar mais sobre o mundo mágico, sua irmã não lhe dava ouvidos e a menosprezava. O que de fato animava Lily era que seus pais tinham orgulho dela e nunca a rejeitaram por ser uma bruxa. 

Pensar que sua irmã cuidara de Harry, a fazia questionar se Petunia, finalmente a aceitara do jeito que ela é. Mas, esse pensamento, por incrível que parece, lhe parece muito distante de realidade.

– Espero que sejam boas pessoas também. – Lily disse vagamente. – Acho que vou me deitar. – Lily se levanto e se dirifigiu para a escada que a levaria para o dormitório das garotas. Antes de subir, Lily se virou para James e disse, com um sorriso doce. – Fique bem James. – Dito isso, subiu para o dormitório das garotas. 

Não imagina de quantas maneiras mais esse futuro conseguiria a surpreender mais. Lily estava de fato muito cansada disso tudo. Seu maior desejo no momento é que Dumbledore achasse rápido um jeito para arrumar esse erro. Confiava no diretor e sabia que ele conseguiria, mas não podia deixar de achar essa situação estressante. Muito estressante.

Quando entrou no dormitório, ouviu Hermione conversando com uma garota ruiva.

– Ela é horrível. Não sei como Dumbledore aceitou que ela fosse professora. – a garota ruiva falou, escrevendo algo em um pergaminho. Lily não precisou de muito pra entender que elas falavam de Umbridge.

– Dumbledore provavelmente não teve escolha Gina. O ministro está agitado, quer ficar de olho em Dumbledore. – Hermione respondeu com calma, acariciando um gato que estava deitado nos pés de sua cama.

– Isso é ridículo. O falso Olho-Tonto era melhor que ela. Pelo menos, eles nos deixava usar a varinha. – Gina disse, com um tom sutil de raiva. 

Lily foi até sua cama e se sentou, em silêncio. Hermione a acompanhou com os olhos. Desde que viu o garoto extremamente parecido com Harry, Hermione tem prestado mais a atenção no grupo deles. Tentou lembra deles em nos anos anteriores, mas não vinha nada. Era muito estranho e intrigante. Eles estavam, assim como ela, no quinto ano e ela se lembraria de tê-los visto em algum momento, mesmo que de relance. 

Não havia comentado nada disso com Harry ou Rony, uma vez que Rony estava muito preocupado com o teste de Quadribol para o goleiro e Harry, bem, Harry tinha seus próprios problemas para se preocupar e não queria colocar mais coisas na cabeça do garoto. Havia comentado apenas com Gina, que achava que Hermione, talvez, estivesse pensando demais. Olhando para Lily, Hermione teve uma ideia, que apesar de parecer maluca, fazia sentido. Havia um garoto, que era a igual ao Harry e uma garota que se chamava Lily, era ruiva e tinha olhos verdes. Ou era só uma incrível coincidência ou os pais de Harry viajaram no tempo.

Hermione cutucou o braço de Gina e apontou com a cabeça para Lily, que ia para o banheiro tomar banho. Gina revirou os olhos.

– Você estava falando sério? Achei que estivesse brincando. – falou a garota e Hermione balançou a cabeça.

– Você não estava lá hoje de manhã. Aquele garoto era exatamente igual ao Harry. Essa garota, Lily, esse é o nome da mãe dele... – Hermione disse e foi interrompida pelo riso de Gina.

– Você não está sugerindo que eles sejam Lily e James Potter, está? – Gina perguntou rindo, mas parou na hora que viu que Hermione estava seria. – Em nome de Merlin, Hermione. Os Potter morreram há 14 anos. Isso é loucura.

– Nem tanto. Pense comigo Gina, você não teria notado um garoto exatamente igual ao Harry andando pelos corredores do Castelo? – Gina começou a pensar no que a Hermione disse. Sim, ela com certeza teria notado. – Pois bem. Não acho que são James e Lily Potter. Acho que são James Potter e Lily Evans. Acho que, de algum modo, eles vieram parar aqui. No futuro!

Gina ficou calada. Realmente, fazia algum sentido isso que Hermione estava dizendo. Realmente ela se lembraria deles. Porém, uma coisa deixava tudo isso muito surreal. Gina só conhecia uma maneira de viajar no tempo e é usando um vira-tempo e era isso que não fazia sentido.

– Só tem um pequeno detalhe, Hermione. Até onde eu sei, só tem como viajar no tempo usando um vira-tempo, mas mesmo assim, que eu saiba, o vira-tempo só é capaz de voltar no tempo, ainda assim só algumas horas. O que você está sugerindo, significaria que eles tivessem viajado para o futuro e não horas, mas anos. 

– Eu sei. Isso parece estranho para mim também. Mas fora isso, faz muito sentido. – Hermione falou. Para ela, tudo isso, apesar do vira-tempo, isso fazia sentido.

Gina ficou em silêncio. Não podia negar que a teoria de Hermione tinha algum sentido e, se isso fosse realmente verdade, como Harry ficaria quando descobrisse que seus pais, que ele nunca conheceu, estavam em Hogwarts?



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