História Orgulho e Paixão - MVAD - Capítulo 17


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Notas do Autor


boa leitura :)

Capítulo 17 - Ellen e o jornal


 Sala do Jornal do Vale:

 

Jota havia passado todo o caminho em silêncio, ouvindo Ellen contar animada para Tato os projetos que tinha em mente para sua futura coluna no jornal. Assim que entraram na sala, dentro de um pequeno edifício, reservada para a edição do jornal, ela foi recebida pelo animado Juca, que deu um abraço acalorado na jovem antes de levá-la para conversar com o editor chefe, enquanto os três rapazes olhavam as acomodações do lugar.

— Vou aproveitar que estamos no centro e comprar um presente para a Keyla — Tato diz, colocando seu chapéu — Quer alguma coisa?

— Compre algo para Samantha, sabe do que ela gosta — Jota pede, sem tirar os olhos da sala com meia parede de vidro onde Ellen estava. Assim que Tato sai, ele se senta junto à Anderson — Será que ela consegue o emprego? Vejo apenas homens trabalhando por aqui

— Não se preocupe não lorde, com aquela lá dentro da sala minha irmã tem emprego garantido — Anderson aponta para Juca — Esse dai arrasta um bonde por ela desde que a conheceu, a anos atrás! Se tivesse coragem de se declarar, já poderiam até estar casados!

 Jota escuta tudo o que Anderson fala, ainda olhando a animação da menina, mas desviando o olhar para como Juca a observava as vezes.

— Não parece despertar o interesse de sua irmã — Jota diz, dando de ombros

— O senhor também não — Anderson responde — Mas parece que ela desperta nos dois! 

 Quando Jota pensou em responder, Ellen veio correndo até os dois, que se levantaram para recebê-la, se jogando nos braços do irmão, com um enorme sorriso no rosto.

— Eu consegui Anderson, CONSEGUI O EMPREGO — ela grita ao sentir o irmão a levantar e rodar. Assim que desce, abraça Jota sem pensar, ainda com efeito da notícia — Me desculpa João Augusto, amassei seu terno todo! — ela  solta e passa as mãos pelos braços do rapaz

— Não precisa se desculpar, eu que devo te parabenizar pelo feito, deve estar muito feliz mesmo — ele sorri para ela 

— E tudo graças a você — Ellen diz olhando pra Juca, que a abraça 

— Graças ao seu talento! E nós vamos comemorar, passe no cortiço hoje à noite e comeremos naquele bar que você adora — ele sugere

— Não posso, preciso voltar para casa com a Lica. Mas vamos comemorar outro dia, sem falta — ela o abraça mais uma vez 

 Os três saem do jornal e Anderson se oferece para procurar por Tato, enquanto Jota e Ellen esperam em frente ao carro.

— Você era radiante tão feliz — Jota diz  ela o olha sorrindo

— Eu precisava disso. Dessa independência, a liberdade. Ter um emprego! Sei que para você pode parecer bobo mas...

— Não parece, nem um pouco — Jota a interrompe — Você sempre me toma por um homem rico e esnobe, mas entendo tudo o que acabou de dizer. Quando decidi deixar as abas do meu pai e seguir meu caminho com minha irmã, senti exatamente isso! 

— Você nunca tinha me falado do seu pai, achei que eram só você e sua irmã — Ellen diz o olhando curiosa

— E somos só nós dois. Meu pai não merece nem ser citado nessa conversa, por isso vou mudar de assunto — Jota retira o palitó e joga dentro do carro — Quero deixar claro que quando te beijei não sabia que tinha um outro compromisso, que teriam concorrentes...

— Céus, esse é seu jeito de demonstrar que está com ciúmes? — Ellen pergunta e da uma gargalhada — Se está falando do Juca eu não tenho nada com ele ou com homem nenhum, por mais que ele seja um homem incrível. Até o senhor me beijar aquele dia eu nunca havia sequer beijado outro homem 

— Eu... não imaginava isso, você é tão cheia de atitude e altiva que achei que... eu jamais teria lhe beijado daquela forma se soubesse — Jota diz surpreso e preocupado

— Imagino, porque é um lorde e jamais me desrespeitaria — Ellen responde irônica — Só que não desrespeitou. Eu queria lhe beijar naquele carro, tanto quanto quis ser beijada naquele quarto, tanto quanto adoraria ser beijada agora — ela diz, encarando os lábios dele e depois se afasta — De certo um lorde não beija em público...

— De modo algum — Jota diz a vendo andar em direção a um beco entre o jornal e outro prédio, a seguindo em prontidão. 

 Assim que chegam ao local, Jota é empurrado contra uma das paredes, sentindo as duas mãos da moça em sua nuca o puxarem até juntarem seus lábios em um beijo, que ele retribui cheio de vontade, descendo suas mãos das costas a final da cintura dela, unindo seus corpos até não sobrar mais espaço. Eles se separam ao ouvir a voz de Tato, arrumando suas roupas antes de sair daquele beco e voltar ao carro.

— O que faziam ali? — Anderson pergunta sério e os dois se entreolham 

— Eu... perdi um brinco e o lorde me ajudou a procurar. Obrigada — Ellen o agradece e depois entra no carro junto o irmão

— Da próxima pensem em uma desculpa melhor — Tato fala baixo para Jota, que o encara confuso — Ela está sem brincos meu amigo — ele ri antes de entrarem no carro

 Eles seguem o caminho de volta ao palácio, onde Lica e Samantha já haviam terminado a aula. As duas irmãs se despedem e sobem na carroça, guiado por Ellen a caminho de casa. 

— Como foi no jornal? — Lica pergunta e Ellen sorri

— Eu consegui o emprego! — ela para a carroça ao falar, sendo abraçada pela irmã 

— Parabéns Ellen, eu nem acredito! Você merece muito minha irmã — Lica sorri feliz olhando pra ela — E para o Juca que conseguiu, parabéns também não é? Será que agora ele consegue uma chance? 

— Eu preciso confessar uma coisa... — Ellen diz olhando para céu — Eu e o Jota nos beijamos novamente... e dessa vez a iniciativa foi minha — ela olha para a irmã

— Jamais imaginaria te ver apaixonada por um tipo como ele — Lica diz dando risada

— Não diria apaixonada, isso não está nos meus planos, você sabe. Mas ele mexe comigo de uma forma que me perturba — Ellen confessa — Não tem como explicar, eu olhei para ele e senti necessidade de beija-lo. Como se eu realmente precisasse daquele beijo! 

— Eu entendo — Lica deixa escapar e depois nega com a cabeça — Quero dizer que imagino...

— Lica... o que está acontecendo? — Ellen olha a irmã, que desvia o olhar e então segura a mão dela — Somos amigas desde que nossos pais me adotaram como filha, dormimos no mesmo quarto e crescemos juntas. Sei quando algo está errado com você mesmo se não me olhar! 

— Eu não sei o que está acontecendo Ellen, esse é o problema — Lica volta a olhar para ela, com os olhos marejados

— É por causa dos sonhos? Minha irmã, eu menti quando disse que são nossos desejos ocultos, podem não significar nada, não precisa se perturbar por isso — Ellen tente tranquiliza-la — As vezes pode se só pela presença de uma pessoa tão diferente como a lady e...

— O problema Ellen não é o que acontece quando durmo e sim o que acontece quando estou acordada. Eu não consigo olhar para ela sem que meus olhos sejam instintivamente guiados até os lábios rosados, sentindo uma necessidade de toca-los que me perturba. O sorriso dela... quando ela sorri meu coração parece querer pular no peito. Eu não tenho dormido direito sabia? Porque tenho medo de adormecer e de sonhar com ela, porque são somos tão bons que não quero acordar — Lica confessa de uma vez, deixando a irmã sem resposta

— Lica, eu.... 

— Não fale nada. Vamos para casa, por favor? — ela pede, sendo atendida por sua irmã.

 As duas chegam em casa e contam as novidades para a família. Todos comemoram, com exceção de Josefina, que prefere não discutir sobre o emprego da mais nova, na esperança de que assim a filha desistisse de ir embora, por não ter mais conflitos em casa. Quando a noite chegou e todos já estavam deitados, Ellen se sentou na cama e viu Lica encarar o teto. Ela respirou fundo, levantou e andou até a cama da irmã, se deitando e a aconchegando em seus braços.

— Não sei ao certo o que te falar... mas sei que sempre dormiu bem enquanto estávamos abraçadas. Você merece ser feliz Lica e eu ou estar ao seu lado apoiando qualquer seja onde sua felicidade se encontra. Então relaxe e durma, se permita sonhar porque eu estou ao seu lado e não pretendo sair — Ellen sorri a beijando na testa — Vou sair só de madrugada, para não correr o risco de me confundir com uma certa lady...

— Ellen! — Lica diz dando risada e as duas ficam abraçadas até caírem no sono.

 

(... uma semana depois...)

 

Havia passado uma semana desde aquele dia e as coisas andavam de maneiras diferentes para cada irmã. Katherine estava sentindo-se entediada pela falta de novidades na cidade. Keyla, em melhor estado de saúde, recebeu a visita de Tato para um café, e costumava acompanhar Lica em todas as aulas no palácio, sempre conseguindo um tempo para namorar escondido com o príncipe do café. As coisas estavam agitadas para Ellen, que tinha uma rotina atarefada no jornal com as vésperas da estreia de sua coluna, mas Jota a havia buscado no trabalho dois dias, levando ela e suas irmãs de volta a fazenda e lhe roubando um beijo na despedida. Bendita estava mais para baixo que as outras irmãs. Depois de uma semana, pouco conseguiu ver Guto, e por consequência havia voltado a frequentar sua amada árvore. Ela havia ido duas vezes a fazenda Sampaio, ler com o coronel, mas trocou poucas palavras com o filho doutor. Lica passava por momentos turbulentos em sua mente, que eram aliviados em apenas duas situações: quando andava de moto com MB, sentindo o vento dos campos contra seu rosto e quando dava aulas para Samantha, dia sim e dia não, contando clássicos da literatura para a menina. 

 Era uma linda manhã de domingo e as cinco irmãs estavam no quarto das mais velhas, desarrumando os penteado que haviam feito para acompanhar os pais a missa. 

— Pra que apertar tanto esse laço Keyla, vai te fazer mal — Ellen diz ao tentar desfazer o nó nos cabelos da irmã

— Me deixe um pouco por favor? Estranhei que o Tato não foi a miss, havíamos combinado de nos encontrarmos lá — lamenta a menina

— Nem ele, nem o lorde e nem a Sam — Lica diz se deitando ao lado de Katherine — Devem ter tido algum contratempo 

— Ou aquela praga de governanta foi o próprio contratempo — Katherine brinca, fazendo as irmãs darem risada

— Estão ouvindo uma voz masculina estranha? — Bene pergunta e as irmãs fazem silêncio instantaneamente. 

 As meninas correm até a porta entre aberta, colocando os ouvidos na direção da onde vinha o som.

— Senhor e senhora Teixeira Romano, boa tarde — elas ouviram o homem dizer — Vim aqui hoje pedir a permissão dos senhores para oficializar meu namoro com a sua filha. Sei que pode parecer repentino ou que pudessem não estar esperando, mas eu gosto muito da filha de vocês e sei que o sentimento é recíproco. Por isso, acho importante vir até aqui pedir a permissão de vocês.

 As meninas se entreolham surpresas

— Quem será? Reconhecem a voz? — Katherine pergunta curiosa

— Só temos três opções — Lica olha para Bene, Ellen e Keyla, que se encaram surpresas.

 


Notas Finais


deixando esse super gancho pra matar todo mundo de curiosidade: quem será que está na sala? é um pedido de namoro? um pedido de casamento? e jotellen parece que se acertou. o que acharam dessa conversa da lica e da ellen?


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