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História Oxygen - Capítulo 5


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Notas do Autor


Meu pai amado, eu não aguento mais essa quarentena...

Capítulo 5 - Chapter 4 - I'm not cute! I'm sexy...


Fanfic / Fanfiction Oxygen - Capítulo 5 - Chapter 4 - I'm not cute! I'm sexy...

JB POV

É meio constrangedor estar perto dessas pessoas depois de tudo que ouvi ontem à noite. Mas durante todo o tempo eles agem com indiferença. Na verdade, falam muito pouco um com o outro durante nosso caminho de volta até o aeroporto. Então decido fazer o mesmo. Preciso lutar contra meu próprio cérebro para parar de simplesmente montar imagens vívidas e relacioná-las diretamente com os sons que vieram do quarto de Jackson. É muito estranho e até mesmo um pouco nojento. Me sinto como a porra de um tarado, invadindo deliberadamente a privacidade de outras pessoas.

- Não deveria ser vista perto da gente... – Wang fala assim que fazemos nossa parada. A loira, dona da enorme mansão onde passamos as últimas 24 horas e provavelmente a mandante de toda a chacina que ele fez no deserto, nos espera com um enorme sorriso no rosto. Ela é extremamente bonita e parece que acabou de sair de uma página de revista de moda o tempo todo.

- Não se preocupe. Pela primeira vez em muito tempo, não estou sendo observada. Graças a você. – ela o abraça no fim da frase e pela primeira vez naquela manhã, um sorriso enche seu rosto. Um dos seguranças parados atrás de Rebeka prontamente estica uma pequena pasta, a deixando sobre responsabilidade de Jinyoung, que assente em agradecimento. Posso muito bem imaginar que tipo de coisa guarda em seu conteúdo. – Façam uma boa viajem.

- Nos ligue sempre que precisar. – Jinyoung sussurra antes de abraçá-la e começar a subir os primeiros degraus que o levarão para dentro do jatinho particular reservado em nosso nome.

- Foi um prazer conhecer você. Obrigado pela estadia. – apenas aperto sua mão, temendo que um abraço seja contato de mais para duas pessoas que mal acabaram de se conhecer. Mas ela ignora meu cumprimento formal e me puxa, me esmagando contra seu corpo.

- Foi um prazer conhecer você também. Boa sorte, espero que consiga aprender alguma coisa e... cuide dos meus meninos. – ela pisca em minha direção quando finalmente me solta de seu abraço de urso. Novamente Jackson deixa que eu tome a dianteira e logo estou confortavelmente instalado em minha poltrona o observando conversar tranquilamente com a moça durante mais um tempo. Passado mais alguns minutos, ele finalmente se despede e se junta ao resto de nós.

Dessa vez, ninguém me contou para onde estamos indo. Não sei se mudaremos de país apenas para que ele continue se escondendo ou se estamos seguindo em direção a seu próximo trabalho. Ainda não sei bem como funciona a rotina de uma pessoa como ele, que faz esse tipo de serviço. Pensar nisso me faz lembrar imediatamente de tudo que pude presenciar na última noite. Mesmo a distância, escondido em baixo de um milhão de estrelas, com o corpo colado a areia áspera e quente do deserto de Nevada, consegui vê-lo agindo. Se movendo lentamente como uma cobra prestes a dar um bote mortal, agindo com rapidez e determinação no meio de seus inimigos. Em cerca de vinte minutos o vi matar mais pessoas do que todos os caras de filme de ação com os quais estou adaptado. E depois disso ele apenas sentou-se ao meu lado no carro, a cabeça encostada tranquilamente contra o vidro da janela, observando a vista lá fora, como se nada tivesse acontecido.

Engulo em seco toda vez que me lembro também de Jinyoung. Deitado bem ao meu lado, a arma perfeitamente alinhada entre as rochas que nos davam algum tipo de cobertura. O rosto fechado em uma armadura impenetrável, os olhos ágeis e atentos, correndo em todas as direções, ciente de cada pequeno movimento acontecendo lá em baixo. O jeito como seu corpo vibrava devido ao impacto todas as vezes que precisou puxar o gatilho. Sua mania de riscar um número na areia sempre que acertava mais um. E a maneira como compartilhou alegremente a quantidade final de pessoas atingidas com Jackson assim que se reencontraram.

Ainda não sei o que pensar sobre tudo isso. Não defini exatamente quais são meus sentimentos em relação a essa situação. Apesar de tudo que venho descobrindo nos últimos dias sobre meu pai, fui criado em um lar seguro, longe desse tipo de coisa. Quer dizer, mais ou menos. Minha mãe era a mulher mais esforçada de todo o mundo, sempre garantindo que nada perturbasse minha infância ou meu jeito ingênuo de ver as pessoas. Ela preenchia todos os buracos emocionas causados pela constante ausência de meu pai com todo o amor que poderia me oferecer. Mas ainda assim, as vezes no meio de uma noite difícil, quando achavam que eu já havia pego no sono, eu podia ouvi-los discutir. E era sempre feroz. E no outro dia ela sempre precisava usar mangas cumpridas e gola alta. Nunca reparei que isso era um padrão até que fosse tarde demais para fazer algo a respeito.

Mas nunca precisei encarar a violência explicita antes de meu primeiro sequestro. Aqueles caras continuavam a repetir que queriam muito algo que só meu pai poderia oferecer enquanto socavam meu rosto de novo e de novo, sem parar um só segundo. Mesmo quando acabou, eu podia ouvir suas vozes ecoando em meus ouvidos. Mesmo após semanas. Mesmo após meses... Quando eu fechava meus olhos eu podia ver meu sangue em seus punhos e o sorrisos em seus rostos quando eu choramingava e jurava não saber de nada. E quando tudo isso era demais para ficar preso apenas em minha cabeça e para externalizar eu gritava no meio de uma madrugada fria, acordando todos da casa, eu precisava então lidar com o olhar enojado de meu pai. Enraivecido e decepcionado com o filho fraco que tinha criado. Em meio as lembranças não posso evitar a pergunta que se forma em meu inconsciente, quantas vezes você precisou fazer isso com garotos como eu Wang?

Em algum momento do voo, acabo adormecendo. É fácil fechar os olhos e apenas flutuar para uma terra sem sonhos, sem nada, quando não se tem muito o que fazer. A próxima coisa de que me lembro, é de sentir o leve chacoalhar em meus ombros e a voz já familiar de Jinyoung, me avisando que já chegamos no destino programado. Enquanto me espreguiço tento identificar pela janela o lugar onde estamos. Mas todas as pistas de pouso se parecem, então é difícil reconhecer algum detalhe peculiar. Só então reparo que Jackson está saindo da cabine do piloto e não de uma das poltronas ao meu lado. Assim que abandonamos a aeronave ele boceja e joga uma chave em minha direção. A pego ainda no ar, o encarando sem entender nada.

- Você dirige, o endereço está no GPS. Tente alguma graça e eu vou fazer um buraco em você. – ao seu lado, o de cabelos pretos revira os olhos, parecendo não concordar nenhum pouco com sua súbita decisão de me fazer de chofer. Mas nenhuma palavra contra é realmente dita em voz alta, então caminhamos em direção ao automóvel que nos espera mais a frente.

- Hmm... só uma pergunta. – apresso o passo ficando ao lado de Jackson que parece extremamente cansado. Ao redor de seus olhos, bolsas escuras se formam apenas para reafirmar meus pensamentos. – Você estava pilotando aquela coisa? – ele faz que sim com a cabeça.

- Deixei o piloto de Rebeka em nossa primeira parada para abastecer. Ela vai ficar uma fera mas vai superar. – ele da de ombros, finalmente abrindo a porta do passageiro. Assim que assumo meu lugar ao seu lado, volto a olhar em sua direção.

- Eu vou aprender esse tipo de coisa também? – ele se limita a gargalhar depois de ouvir minha pergunta se vira na direção contraria, fechando seus olhos para indicar que a conversa realmente acabou. Então o que me resta é dar partida e seguir as instruções do GPS sobre qual caminho devo tomar.

                                                                                               [...]

Preciso de um tempo para administrar a visão daquela casa enorme bem a minha frente. Todos os outros já desceram do carro quando finalmente me recupero e os acompanho. Cresci rodeado de pessoas ricas, todos os meus colegas de escola e até os da faculdade costumavam dar festas incríveis nas “casas de verão” de suas famílias. Eu também tinha sido o anfitrião em várias ocasiões nas mais diversas casas de campo de papai. Mas nada nunca sequer havia chegado perto de ser tão bonito.

A estrutura da construção era grandiosa, muito maior do que qualquer pessoa realmente precisava para viver com conforto. Devia ter uns dez banheiros ali dentro e um número ainda maior de quartos. Aposto que se nos perdêssemos ao procurar a cozinha no meio da noite, para beber um pouco de água, precisaríamos de um mapa para nos guiar de volta a cama. Era tudo muito transparente, cheio de vidro e madeira cara em todas as partes. Assim como a casa onde havíamos nos encontrado pela primeira vez, essa também ficava no alto de uma colina. Da parte de trás da propriedade podia se ver tudo lá em baixo, inclusive a estrada íngreme que havia nos levado até ali. E o mar. Uma imensidão tão azul como jamais havia visto na vida. Se ficássemos apenas em silencio por um momento, seria capaz de ouvir com facilidade o bater das ondas contra as rochas.

- Quando eu morrer, eu quero que joguem minhas cinzas no mar de Nápoli... – Jackson sussurra, parando ao meu lado para apreciar a vista.

- Nápoli? Estamos na Itália? – ele se limita a confirmar com a cabeça. Passamos mais algum tempo ali, sem realmente encontrar necessidade em pronunciar qualquer palavra, encantados com tudo que víamos do alto.

- Vem, quero te mostrar um coisa. – ele chacoalha levemente meus ombros antes de partir em direção a casa e sei que não tenho escolha a não ser segui-lo. Alguns momentos mais tarde, estamos em um algum tipo de porão acessado pela cozinha. Ali em baixo é meio abafado e pouco iluminado, mas logo entendo do que se trata. Mas a frente, um estande de tiros completo está montado. Tem alvos, armas, munição e toda as coisas necessárias para se proteger. Wang então para alguns passos a minha frente. Testa o balanço de uma das armas dispostas ali na bancada e depois, sem nenhuma cerimônia, a coloca em minha mão. – Está carregada, tenta a sorte. – ele aponta na direção de um dos alvos e se afasta, as mãos enfiadas nos bolsos da calça, observando atentamente meus movimentos. Sorrio sem graça.

- Eu nunca fiz isso antes, provavelmente vai ser uma merda.

- Tudo bem, eu prometo não rir. – ele balanço a cabeça de forma positiva, como em um incentivo. Então apenas dou mais alguns passos a frente, respiro fundo e posiciono a arma da maneira que imagino ser correta. Meu braço imediatamente fica um pouco mais fraco devido ao “chute” proporcionado pelo equipamento em minhas mãos. Preciso resistir ao impulso de simplesmente jogar aquela coisa no chão e massagear meus músculos assim que o disparo é efetuado. – Ok, primeiro de tudo, ninguém segura uma arma apenas com uma mão. Exceto nos filmes é claro. – ele então se posiciona bem atrás de mim, seus braços passando por meu corpo até alcançar minhas mãos, as arrumando da forma correta. – E ai, você puxa o gatilho. – faço como mandou. Ainda erro o alvo, mas ao menos dessa vez, o impacto em meu corpo é bem menor. – Viu? – ele sorri. – Isso é legal...

- O que?

- Essa coisa de chegar atrás de alguém, assim bem pertinho, para ensinar a forma certa de fazer alguma coisa. Parece a cena de um dorama. É sexy! – engulo em seco e pigarreio, deixando a arma de volta sobre a bancada e me afastando. Vejo seu sorriso então aumentar ainda mais e sei que devo estar completamente corado no momento. – Respira, eu estou só brincando!

- Eu... posso te perguntar um coisa? – ele gesticula dando a entender que posso continuar com minha fala. – Você e Jinyoung são... são... tipo... namorados?

- Do que porra você está falando? – sei que não está realmente chateado apesar do jeito como fala porque o sorriso ainda está fixo em seus lábios.

- Sei lá. Ontem a noite vocês...

- O que tem ontem a noite?

- Bom, seu quarto era bem do lado do meu. Eu não pude simplesmente não ouvir então... – finalmente o sorriso se desfaz e agora é sua vez de ficar completamente vermelho.

- Oh... Ah... isso... é constrangedor. – ele respira fundo e desvia seu olhar de meu rosto. – É a primeira vez que me sinto assim em muito tempo, não é legal. – ele caminha pelo espaço, mantendo seus olhos fixos no chão, pensando no que falar a seguir. – Ok. Vejamos... como posso explicar isso?

- Cara, eu tenho 26 anos. Você não precisa me explicar o que estava acontecendo lá dentro.

- Meu Deus do céu. Não! Não era isso que eu ia explicar. – ele gargalha, mas não parece achar a situação engraçada de fato. Acho que apenas está tomado de nervosismo e confesso que é estranho vê-lo nessa situação. Ele então para com sua caminhada e se encosta em um dos estandes. – Jinyoung e eu somos... uma coisa complicada. Mas definitivamente não somos namorados. Ele só estava, sei lá, me ajudando a resolver uns problemas ontem a noite.

- Ah... ok. – balanço a cabeça afirmativamente, digerindo suas palavras.

- Você pode me ajudar um dia desses se quiser também, eu ficaria agradecido. – sinto que estou sufocando por um momento. Ou pelo menos existe algo entalado em minha garganta, por que não consigo achar minha voz, nenhuma palavra passa por ali. – To só brincado. De novo...

- Ah tá. Haha, engraçado. –  ele volta a gargalhar.

- Escute. Eu e ele somos tipo... uma família. Da primeira vez que eu o vi, achei que jamais poderíamos ser amigos. Eu era o cara estrangeiro que tinha chegado de repente, invadindo o espaço e ele era muito bom de briga. Na verdade, eu acho que se conseguíssemos encontrar as pessoas com que andávamos a nove anos, provavelmente todas elas achariam difícil de acreditar que ainda estamos juntos depois de tanto tempo. Na maior parte do tempo a convivência ainda é bem difícil. Esta vida... muda você. E as vezes muita coisa acontece aqui. – ele então aponta para a própria cabeça. – Então nós... acabamos dizendo coisas que machucam. Nós dois. Mas no fim das contas eu acho que não teria durado tanto se não fosse por ele. E eu gosto de pensar que ele precisa tanto de mim quanto eu dele. – um sorriso triste perpassa seus lábios e tudo que tenho para oferecer em troca é minha compreensão, então assinto.

- Eu acho que entendo você. Quer dizer, eu nunca tive nada assim mas consigo entender.

- Nunca teve? – ele indaga

- Não. Sou filho único e a maior parte de meus amigos só está lá para beber e se divertir.

- Mas seu pai... parece preocupado com você. – bufo irritado.

- Não se engane, ele só está tentando se livrar de um fardo. – ele então apenas me observa por um tempo e depois caminha em minha direção, deixando sua mão sobre meu ombro.

- Eu, mais do que ninguém, entendo sobre abandono familiar. Mas quer saber? Você vai ficar bem. Existem coisas nesse mundo que nos fazem criar laços ainda maiores que o sangue com outras pessoas. Um dia, você vai ver que seu pai é só um babaca egoísta e a aprovação dele não vai fazer diferença nenhuma na sua vida.

- Sei... obrigado cara. – ele bagunça meus cabelos em um tipo de carinho estranho e se afasta.

- Eu sou bem poético mas agora eu quero que você pratique esse tiro pelo menos... – ele checa o relógio. – Por uma hora. Se eu voltar aqui e você não tiver pelo menos acertado o alvo, você não vai comer.

- O que? – o encaro, incrédulo. Como que para provar seu ponto, Jinyoung aparece nesse instante, descendo lentamente as escadas que levam até ali.

- O jantar estar pronto. – ele aponto por sobre seu ombro, em direção a cozinha. Jackson então pisca em minha direção e aperta levemente minha bochecha antes de caminhar até o amigo.

- Vejo você em uma hora. Fofo!

- Ei! – eles viram ao me escutar. – Eu não sou fofo... eu sou sexy. – os dois respiram fundo reprimindo uma risada e se entreolham por um momento, sequer parecem as mesmas pessoas de hoje mais cedo, se tratando com indiferença e frieza.

- Nós vamos fingir que não ouvimos isso? – Jinyoung questiona.

- É, vamos sim. – Wang então dá de ombros e os dois finalmente partem escada a cima. 



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