História Palimpsesto - Dramione - Capítulo 22


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Categorias Harry Potter
Personagens Arthur Weasley, Astoria Greengrass, Bellatrix Lestrange, Blásio Zabini, Carlinhos Weasley, Daphne Greengrass, Draco Malfoy, Gina Weasley, Gregory Goyle, Gui Weasley, Hermione Granger, Lord Voldemort, Lucius Malfoy, Molly Weasley, Narcissa Black Malfoy, Pansy Parkinson, Personagens Originais, Ronald Weasley, Viktor Krum
Tags Azkaban, Draco, Drama, Dramione, Granger, Harry Potter, Hermione, Malfoy, Pósguerra, Prisioneira, Violencia
Visualizações 675
Palavras 3.702
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, corujas! Vim, desta vez um pouco mais cedo que o de costume, trazer um capítulo fresquinho para vocês! Quero agradecer pelos comentários, como sempre, incríveis!
Recomendo que escutem a música "Cant help falling in love with you", do Elvis, enquanto leem esse capítulo. Vão notar que existirão trechos das músicas durante o capítulo, e foi essa a forma que eu escolhi para construir ele.
Espero que gostem!
Tenham uma ótima leitura! <3

Capítulo 22 - Homens sábios.


Lugar desconhecido, Europa

02 de outubro de 2004.

 

Ao redor da pequena cabana em que Draco e Hermione dormiam, o clima havia se tornado ameno, e agradavelmente morno. A chuva parecia, por fim, ter sido levada, e agora pequenos raios de sol substituiam o céu nublado. Uma brisa leve trazia minúsculos pedaços de folhas secas, que giravam delicadamente pelo ar, até se encontrarem contra as paredes sem pintura.

Estava quieto, e os poucos barulhos audíveis eram emitidos pelos pássaros locais, que cantavam animados, possivelmente por poderem, por fim, saírem dos ninhos.

Era uma perfeita paisagem do que seria um lugar pacato, se então, não aparecesse a imagem de uma mulher caminhando, astuta como uma cobra prestes a dar o bote, em direção a casa. Possuía um sorriso sorrateiro entre os dentes podres, e uma boa parte das folhas que haviam voado pairavam desgrenhadas sobre seus cabelos escuros e embaraçados.

Bellatrix Lestrange nada mais via do que um terreno baldio, onde no centro era visível apenas uma placa de madeira molhada, onde estava escrito “Proibido pisar na grama”, mas a comensal da morte era mais inteligente do que aquilo. Conhecia aquele lugar. Como não conheceria? Se havia sido este o lugar em que reuniu-se a seu mestre, poucos dias antes do lord das trevas ter sido dizimado pela magia de Harry Potter?

Podia se lembrar como se ainda estivesse acontecendo. Os comensais reunidos em círculo, Lord Voldemort no centro da roda, sendo contemplado como um rei. Estavam planejando seu próximo ataque, mais precisamente, a noite em que tiraria a vida do menino Harry Potter. Lúcio Malfoy opinava em cada detalhe, enquanto ela e sua irmã, Narcisa, insistiam em fazer aquela pequena criança em seus braços para de chorar.

Draco Malfoy não havia parado de chorar desde que sua mãe pisou naquela casa, e sua presença estava a mercê de Voldemort. Nada o podia acalmar, e naquele momento Bellatrix Lestrange havia decidido lançar o feitiço “imperius” contra o herdeiro.

Não mais chorara, e sim caira num sono profundo. Quando acordou, estava em seu confortável berço na mansão Malfoy, e os problemas na reunião já haviam sido resolvidos.

Como esqueceria aquele lugar em que havia servido ao seu tão adorado mestre?

Um homem aparatou logo a sua frente, e ao tentar adentrar os terrenos da casa, sentiu a parte da frente de seu corpo adentrando o campo magnético como se mergulhasse em um líquido muito gelado, que não demorou a se tornar dolorido e lhe causar a sensação de ter sua pele corroída.

—Não tem como entrar, idiota. —Rosnou Bellatrix, puxando a mão de Antônio Dolohov para trás, e deixando a mostra seus dedos puramente ensanguentados. —Ele está aí, não está? Aquele traidor.

Dolohov apenas concordou com a cabeça, e ao tocar no braço de Bellatrix, ambos desaparataram daquele terreno.

E os passarinhos voltaram a cantar.

Do lado de dentro de casa, as cobertas em movimento indicavam que Draco e Hermione permaneciam em sono profundo. O respirar era leve e manso, e a falta de espaço já não era mais um problema a se preocupar, tendo em vista que o frio da noite passada havia se tornado em um confortável calor.

O primeiro a acordar foi Draco. Realizou uma tentativa de se espreguiçar, mas os braços tocaram em uma pele morna. Uma mescla de confusão lhe atingiu.

Não se lembrava de ter transado com mulher nenhuma noite passada. Por um instante não se lembrava sequer do que havia feito algumas horas antes, e tudo que lhe alcançava a memória eram os clarões e luzes forte da noite do dia das bruxas.

Os olhos claros se abriram com velocidade, mirando diretamente contra uma parede precária.

Uma pequena onda de desespero lhe inundou, e suas mãos tatearam a pele macia atrás de si. Ementou em sua memória, ainda sonolento, seus últimos atos, e chegou até mesmo a pensar que a mulher ali adormecida poderia ser Pansy Parkinson, afinal havia sido esta com que se lembrava de ter ido para o quarto na noite do dia trinta e um, apesar de ter certeza de que não havia acontecido nada a mais, ou se houve, não conseguia se lembrar.

Um vulto lhe trouxe a mente todo o ocorrido naquela noite.

A festa dos comensais.

O momento em que vira Hermione sendo torturada.

Os gritos, os pedidos de socorro.

O instante em que puxou a mão da castanha para si, e acabara aparatando naquele estranho amontoado de tábuas podres.

E só então se deu conta de que não estava sonhando.

Aquilo não era apenas um pesadelo.

Imediatamente puxou sua mão, e virou para trás, na esperança que não tivesse acordado Hermione. Por uma sorte que lhe seguia, a dona dos cabelos castanhos e desgrenhados pela cama se mantia em sono profundo, no entanto, os orbes se movendo por baixo das pálpebras indicavam que estava sonhando com algo.

Draco engoliu o ar, e juntando e amontoando o que havia lhe sobrado de coragem em meio aquele inferno, se levantou com a maior calma possível. Se permitiu olhar novamente para Hermione, e apreciar algo que era novidade para ele.

Nunca havia dormido com uma mulher sem ao menos ter apreciado uma boa noite de sexo. Não pode evitar o sorriso irônico que lhe surgiu nos lábios, acusando-o de um crime que jamais havia cometido anteriormente.

Naquela manhã, Draco usou de sua magia para fazer tudo que precisava ser feito naquela cabana. Não foi muito trabalhoso para que o banheiro minúsculo aumentasse instantaneamente, e apesar de ainda ser feito de tábuas, e funcionar por engenharia trouxa, havia se tornado ao menos habitável.

Na cozinha, fez com que os pratos que já existiam por ali dançassem pelo ar, limpando-os instantaneamente.

Jamais havia imaginado precisar daquele tipo de feitiços.

Olhou para o céu claro pelo espaço entreaberto na janela, e pela posição do sol, imaginou que ainda não haviam chegado ao meio dia. Ajeitou seus tecidos roubados, e em poucos minutos possuía um novo terno. Não seria, nem eu seus piores devaneios, o tipo de roupa que usaria. Não era bordado, e a calça era feita de uma espécie de risca de giz que havia prometido a si mesmo, quando avistou Cornélio Fudge pela primeira vez, que jamais se vestiria como aquele velho.

No entanto, era o que tinha.

Ao sair pela porta, que rangeu de uma forma mais escandalosa do que havia imaginado, sentiu a brisa tocando sua pele, e bagunçando seus cabelos que já não ajeitados com o gel que Aysha preparava.

Aysha.

Havia chamado a elfo tantas vezes nos últimos dias que havia até mesmo perdido as contas. Jamais havia dado grande apreço aos trabalhos da criatura doméstica, mas ali, sem o que comer, sem roupas decentes e sem ter quem limpasse sua sujeira, sentiu falta de Aysha pela primeira vez em sua vida, a ponto de que teria certeza de que no momento em que avistasse aqueles olhinhos violetas outra vez, faria questão de lhe dar uma abraço.

Isso, é claro, se ainda estivesse viva.

Com o sono revigorado e o sol batendo em suas costas, parecia incrivelmente mais fácil seguir a trilha que tinha como destino aquela pequena cidade. Havia pensado em aparatar, mas sentia medo de acabar estrunchando em algum beco qualquer, e sem ajuda de ninguém, acabaria por definhar só.

Passou por aquela mesma casa cheia de crianças, e com uma curiosidade que não se lembrava de ter, acabou por espiar pela janela. Estavam todas lá, e a pequena que havia lhe dado o abraço, desta vez, cuidava de um menino ainda menor. As roupas eram as mesmas do dia anterior, e os pães que havia dado permaneciam na mesa, porém desta vez cortados ao meio.

Estavam estocando comida.

Por um mísero instante sentiu seu estômago se revirar em protesto, e sem ter certeza se aquilo era fome ou desconforto, ignorou a cena das crianças e voltou a trilhar seu caminho em rumo a cidade.

A mercearia era a mesma, mas o homem baixinho e gorducho que esperava a porta do estabelecimento não parecia nada contente com a presença de Draco no ambiente. Alisava seu bigode cheio, e enrolava-o na ponta dos dedos. Em sua expressão, a perfeita representação da desconfiança.

Draco olhou para os lados, e ao perceber que não havia mais ninguém, se aproximou de fininho do senhor, e o mais baixinho que pode murmurou.

Imperio.

Em poucos minutos, saia pela porta da frente. As mãos cheias de sacolas que mal sabia como carregar. Nela haviam todos os tipos de comida que precisaria, ao menos por alguns dias. Havia pães, doces, e havia tomado até mesmo a posição de afanar alguns quilos de carne de porco.

—Volte quando quiser, querido! —Exclamou o senhor a porta, erguendo seu gorro e deixando a mostra sua cabeça semi-careca.

—Pode ter certeza, Monsieur! —Respondeu Draco, um sorriso sorrateiro pedindo para fugir de seus lábios.

Hermione o mataria por aquilo

Mas valeria a pena.

Antes de fazer sua trilha de volta à cabana, decidiu parar novamente em frente aquela mesma casa.

As crianças permaneciam esperando por alguém que ainda não havia chegado, e mesmo com Draco tendo certeza de que estariam mortas de fome, os pães permaneciam intactos sobre a mesa bamba.

E bateu na porta.

Os olhinhos castanhos da menina se encontraram aos de Draco enquanto destrancava a madeira, com o que parecia ser uma armadilha improvisada. E ela sorriu.

E Draco sorriu em troca.

Mademoiselle. —Abaixou-se no que foi uma caricata reverência, sem tirar os olhos do sorriso que a menina esboçava. —Veja só o que eu trouxe pra vocês. —Anunciou, abaixando-se na altura da garota e entregando os produtos que haviam dentro da sacola. Ao tocar o faisão, os olhos da criança brilharam de tal forma com que Draco teve certeza que jamais havia visto um pedaço de carne nova antes.

—Obrigada, monsieur! —Exclamou, e deixando todos os alimentos amontoados sobre a mesa, o que havia deixado seus irmãos com certeza extremamente histéricos, voltou até o homem à sua porta e o abraçou, novamente. —Não imagino como possa agradecer, monsieur!

E Draco pensou. Havia muitas formas de ser recompensado por aquele roubo, mas nenhum parecia muito justo de se pedir para uma criança tão inocente.

—Me diga seu nome, então.

—Genevive...E o seu?

—Draco. —Conclui, temeroso se deveria contar seu nome para alguém daquele povoado.

—Que nome esquisito! —Respondeu Genevive imediatamente, e aquilo não pareceu deixá-la nem um pouco sem jeito ou assustada.

Ao perceber que nada mais faria ali, Draco recolheu o que sobrara de suas sacolas e voltou a trilhar seu caminho até a cabana. Caminhou poucos metros, até que a voz de Genevive lhe chamou atenção.

Monsieur Draco! Já sei como posso te agradecer. —Arfou entre fortes estancadas de ar, devido aos poucos metros que havia corrido. Draco franziu o cenho, olhando para aquela pequena criança de cabelos castanhos como se esta fosse capaz de trazer grandes riscos. Genevive puxou de trás de suas costas uma pequena caixa quadrada e marrom, e corando, ao entregar para o loiro, correu novamente em direção à seu povoado.

E Draco observou aquela esquisita enquanto voltava para o que passou a chamar de casa.

 

—Isto é um rádio! —Anunciou Hermione enquanto mordiscava um pedaço de bacon, seus cabelos ainda úmidos devido ao banho que havia tomado logo após Draco sair, aninhada em um canto do quarto. Sacudiu-o fervorosamente, e após algumas batidas contra a parede, concluiu: —Está quebrado.

Draco havia contado toda a história de sua visita ao povoado, e até mesmo suportado a bronca que levou ao explicar como conseguiu trazer tantas comidas boas para Hermione.

“Isso foi realmente muito errado, Draco.” Afirmara enquanto puxava um pão de queijo para si, e o mordiscava com um sorriso no rosto.

A uma certa altura do anoitecer, haviam comido tudo que seus estômagos não mais tão fraco poderia aguentar, e Draco insistia em sacudir aquele rádio como se sua vida dependesse daquilo.

—Esse tal de dádio, para que funciona? —Perguntou entre um bocejo e mais uma sacudida do objeto, chocando este contra a janela de vidro.

—O nome é RÁDIO, Draco, com érre. —Corrigiu imediatamente. —E serve para comunicar as pessoas sobre o que está acontecendo. Bem, algumas emissoras. Outras servem para tocar música, e outras falam sobre a previsão do tempo. Depende muito, na realidade.

O loiro ergueu uma sobrancelha, como se aquilo fosse muito mais interessante do que havia imaginado até o momento.

Fez tudo que estava ao seu alcance para fazer com que aquele maldito instrumento trouxa funcionasse, e nada parecia fazer efeito. A uma certa altura do anoitecer, quando estavam tão sonolentos que Hermione chegava a cochilar recostada sobre a parede da cozinha, um forte ruído foi emitido do rádio.

E Draco tampou os ouvidos, jogando imediatamente o objeto estranho no chão, como se fosse o morder a qualquer movimento brusco próximo.

Hermione, por sua vez, ainda sonolenta caminhou até o rádio, e ao erguê-lo e mexer em alguns botões, o chiar foi diminuindo gradativamente, substituído por a voz de um homem que a castanha teve certeza que seria o locutor, pronunciada em um perfeito francês.

“E o clima aqui em Lavardin permanece estável nesta agradável noite de sábado. A sensação térmica é de dezoito graus e a previsão para amanhã é de sol, com uma possível queda d’água ao entardecer. É com você, Thierry.”

Hermione e Draco se entreolharam, e com um olhar vencedor a castanha confirmou o que acabaram de pensar, simultaneamente.

Ao menos sabiam, agora, em que cidade estavam.

—Você sabe como veio aparatar aqui, Draco? —Perguntou Hermione. Seu tom parecia muito mais preocupado do que o que usara na conversa anterior, sobre o rádio. Os olhos envidraçados de Draco pareciam responder por si, mais fixos do que nunca no que seria um perfeito semblante de desapontamento.

—Sinto muito, fedelha, mas realmente não faço ideia. —Anunciou, e apoiando-se em seus próprios joelhos, levantou e caminhou até a pequena varanda que a casa possuía, onde passou a fitar o entardecer como quem busca uma resposta subliminar.

E Hermione ficou a sós com o rádio.

Mexeu em cada botão, aumentando e diminuindo o volume.

O homem que anunciava a previsão do tempo foi substituído por uma voz enjoada de uma mulher, que parecia anunciar produtos anti-velhice em alguma emissora destinada a idosos. A próxima emissora trouxe uma música demasiada animada, que Hermione teve certeza de que havia sido lançada em seus anos em Azkaban.

Jamais se ouviria uma música daquele gênero uns dez anos atrás.

E a próxima música era tão baixa que o botão do volume novamente foi acionado, e assim que a ouviu, Hermione permaneceu estática.

Havia ouvido aquela música a muito tempo, e demorou para que conseguisse localizar em qual parte de sua vida ela se encontrava. E então a imagem lhe surgiu.

Estava com seus pais, no que um dia havia sido sua casa. Era natal, e os três conversavam e riam, sentados ao redor de uma deliciosa e agradável lareira. A vitrola, no canto da sala, tocava um de seus discos preferidos.

“E foi assim com essa música que eu conquistei sua mãe! E até hoje ela está caidinha por mim!” Afirmou, sendo correspondido com um leve tapinha nas costas, dirigido pela senhora Granger.

“Besta!” Exclamava a mãe de Hermione, entre uma crise de risos. O senhor Granger, que parecia demasiado animado com a situação, puxou um antigo violão para si, e em um gesto caricato de ajeitar seu topete, começara a cantar.

Wise men say

Only fools rush in

But I can't help

Falling in love with you

Hermione ria descontroladamente, e seu pai, que continuava a cantar a canção, passara a lhe soltar breve piscadinhas, correspondidas com pulinhos de felicidade da castanha de cabelos desgrenhados.

O senhor Granger, por fim, havia desistido de acompanhar a voz do cantor na vitrola, e ao se levantar, puxou os pequenos bracinhos de Hermione para si, e a doce menina pisou com seus pés sobre os sapatos recém polidos do pai.

Shall I stay?

Would it be a sin

If I can't help

Falling in love with you?

Dançaram alegremente, seus passos sendo guiados pelo homem. A senhora Granger, no canto da sala, aplaudia o momento como se presenciasse uma obra teatral. Não era uma dança concreta, muito menos treinada. Era apenas a família Granger, em seu momento de pura diversão, no natal do ano de 1991.

E num piscar de olhos, não estava mais lá.

Estava só em uma velha cabana, lugar este que mal sabia como havia ido parar.

Não tinha seus pais para lhe salvarem o dia, muito menos aquelas noites de natal, onde conversas eram jogadas ao ar, e o dia de amanhã parecia tão certeiro quanto o ar que podia respirar.

Sentiu seus olhos marejarem, e a música, que pareceu sair de sintonia por alguns segundos, voltou tão alta quanto poderia se imaginar.

Draco, que observava o céu em busca de sua própria constelação, ouviu aquela música que jamais havia escutado em sua vida. Teve certeza de que era fruto de composição trouxa, e isso era óbvio devido ao som de instrumentos usados que jamais presenciara o toque.

Espiou de canto para dentro da casa, e mesmo com sua vista cansada de tanto procurar uma constelação que parecia não mais existir, pode enxergar uma gota escorrendo dos olhos de Hermione. E no próximo segundo já adentrava novamente a pequena casa, e no posterior já se encontrava ajoelhado perante os olhos de Hermione, de maneira tal que sequer havia percebido se mover.

Like a river flows

Surely to the sea

Darling, so it goes

Some things are meant to be

—O que foi, fedelha? —Perguntou enquanto franzia as sobrancelhas, e num gesto ainda mais descontraído, passou com seus dedos gelados sobre a maçã do rosto de Hermione. A pele da castanha, que já estava avermelhada, corou dois tons a mais.

—Essa música...Meu pai cantava para mim, sabe? Costumávamos dançar na sala de estar... —Contou ao loiro, de forma tão sussurrada que mal conseguia ouvir a própria voz.

Draco pensou no que falar. Havia pensado em várias frases que seriam suficientes, se ditas naquele momento. Mas nenhuma parecia realmente útil.

É culpa sua ela estar dessa forma.

Pode ver esta casa? É culpa sua estarem aqui.

O sofrimento de Hermione é culpa sua.

Mas as vozes em sua mente não lhe causavam náuseas, e muito além disso, traziam-lhe vontade de provar que estavam equivocadas.

Levantou-se aos pés da cama, e logo após ajeitar seus cabelos desgrenhados devido a falta de oportunidade de arrumá-los, estendeu sua mão para Hermione.

Draco não reparou naquele momento, mas sua mão tremia de tal forma que jamais havia acontecido.

Take my hand

Take my whole life too

For I can't help

Falling in love with you

A castanha olhou para as mãos do homem, e logo após levantou seus orbes escuros até o rosto de Draco, que forçou seu melhor sorriso naquele momento.

Ela pensou, por um momento, se seria o certo a se fazer.

Estava a sós, em uma casa no meio do nada com um homem que havia odiado por mais da metade de sua vida, e sabia que se ele quisesse fazer algo a ela, seria este o momento perfeito. E então sentiu seu corpo se encolhendo.

—Confie em mim, mademoiselle. —Draco falou baixinho de forma que sua voz não atrapalhasse a música ao fundo.

E então algo no fundo daqueles olhos castanhos permitiu que ela confiasse.

Hermione secou os olhos úmidos, e ao tocar a mão de Draco, seu corpo foi puxado para perto. Com muita delicadeza, Draco ajeitou-a sob seu peito, e tocando-a da forma menos intrusa o possível, deixou que permanecesse ali.

Like a river flows

Surely to the sea

Darling, so it goes

Some things are meant to be

E estavam naquele pequeno quarto, balançando-se sem a menor preocupação com o ritmo que a música continha. Draco não fazia ideia de qual forma aquela música era dançada, mas deixou com que seus pés se movessem na mesma velocidade que as palavras eram ditas. Seus sapatos, não mais polidos, foram preenchidos com o peso de Hermione, que permitiu-se ser guiada, tal como acontecia com o senhor Granger.

Recostou seus olhos sobre o ombro da camisa branca de Draco, e as lágrimas voltaram a rolar por seu rosto. Fechou os olhos, e esticando suas mãos para o peito do loiro, deixou com que o mundo ao seu redor sumisse, ao menos naquele instante.

Take my hand

Take my whole life too

For I can't help

Falling in love with you

Draco, que guiava-se por um instinto que jamais havia reconhecido, sentiu seu ombro se tornando úmido, e sem mais se incomodar com mais uma camisa suja, recostou seu queixo sobre os cabelos de Hermione, sentindo pela primeira vez o aroma de seus cabelos, o que era algo doce e cítrico, e permitiu que seus olhos se fechassem, para que naquele momento, estivessem dançando sob sua própria constelação.

Draco não sabia dançar.

E naquele momento soube que poderia até mesmo aprender, se isso fizesse Hermione Granger feliz, e esta seria sua redenção.

For I can't help

Falling in love with you

Do lado de fora da casa, entre a escuridão que a noite trazia, um grupo de bruxos apreciava a cena que a janela trazia, no entanto, a alguns metros de distância, afinal era o que podiam fazer com aquela maldita barreira os impedindo de se aproximar.

Draco, que havia ficado tão extasiado em seus devaneios, havia se esquecido de refazer um único feitiço. 

Cave inimicum.

Bellatrix Lestrange pronunciou seu melhor som de asco, e os bruxos ao seu redor riram.

Dolohov, que se encontrava alguns metros atrás dos outros comensais, camuflados na escuridão, deu um passo à frente, e lambendo os lábios de forma sádica, seguiu caminhando em direção à barreira mágica.

No entanto, a voz de Bellatrix havia se tornado dura enquanto espalmava o abdômen do comensal, em uma clara tentativa de impedi-lo de seguir em frente.

—Deixe-os, Dolohov. —Os bruxos ao seu redor fizeram silêncio em demonstração de respeito pela importante comensal. E então o sorriso largo e sujo de Bellatrix Lestrange se abriu novamente. —Por enquanto, vamos permitir que os pombinhos se virem nesta imundice trouxa.

 


Notas Finais


Preciso dizer a vocês que sinto que nesse capítulo, me encontrei como escritora. Havia perdido algo em meio a esses capítulos, e nesse, em especial, sinto que as coisas tem voltado ao seu costume!
Espero que vocês tenham gostado, tanto quanto eu amei escrever! Abraços <3


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