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História Paper Souls - Calum Hood - Capítulo 21


Escrita por: theycallmeju

Capítulo 21 - Capitulo 20


O dia passou tão depressa. Sempre me disseram que as coisas que passavam depressa significavam que eram boas, que tinham sido boas. De facto foi isso. Estar com Clarke foi bom para mim e para a minha mente.

Abstrai-me de tudo à minha volta, inclusive de Calum que encravara o meu telemóvel com chamadas e mensagens desesperantes.

"Eu sei onde fica a tua casa. Posso ir ai. Apenas não quero estar mal contigo. Outra vez." - Dizia uma das mensagens. "Por favor." - Imaginava-o a suplicar, mas não me imaginava a ceder por nada deste mundo.

Deito-me na cama, olhando para o teto. Para o nada. Para o vazio. Começo a partir dai a criar imaginações, e a relembrar coisas.

Relembro o momento em que Calum veio ter comigo pela primeira vez, relembro-me também quando ele criticou o livro que eu lia dizendo que não gostava do escritor. Ou quando me levou ao seu sitio. Ao lugar onde fica por horas a pensar. Será que ele está lá agora? Será que ele está a pensar agora no que fez, ou devia ter feito? Nos erros e nos acertos?

Foram poucos momentos mas foram tão bons. Sei que é completamente egoísta da minha parte pensar que Tracy está a ocupar um lugar que não devia ser ocupado por ela, pois eu olho para Calum e vejo bondade, mas olho para ela e vejo crueldade. Ele não deveria sofrer.

Agora, deitada na cama, sinto a mão dele passar pelo meu cabelo, afagando-o como nas noites passadas. Ouço-o sussurrar ao meu ouvido que tudo vai ficar bem. Sinto-o traçar cada linhas ensanguentada dos meus pulsos com o indicador, formando um coração. Sinto o seu cheiro tão puro e fresco invadir-me o nariz. O calor dos seus braços é tão bom.

Fecho os olhos e ouço-o dizer que: "Fumar mata, Faith." Vejo o seu ar de zangado na minha imaginação, protegendo-me do próprio mal de qual ele faz parte.

Vejo-o a invadir a casa-de-banho feminina, sentar-se ao meu lado e controlar o meu ataque. Puxar-me para si e com carinho ajudar-me. Lembro-me dele, ontem à noite, trazer-me para casa dele e deitar-me na sua cama. Logo em seguida ele repetiu o processo usual. Beijou-me a testa e disse-me: "Boa noite" bem baixo ao meu ouvido. Como posso eu estar chateada com um anjo que me salvou?

[...]

- Larga-me! - Grito estridentemente.

As mãos que me agarravam, eram as mãos que me tinham ajudado num ato de falsidade em atos anteriores. As mãos que me cercavam, magoavam-me. Estas mãos não me largavam.

As minhas costas embatem na parede fria. Não respiro. Tenho o diabo aqui em casa. Como posso lidar com isso? A minha mãe está a chorar, encostada ao canto da sala, como sempre. Depois de tudo ela continua aqui.

O cheiro a álcool invade todo o espaço. Novamente.

- Sabes, Faith, a tua mãe quer acabar comigo e quem vai acabar com ela sou eu, meu anjo. Começando por ti. - Sussurrou contra a minha face, arrepiando-me de medo. Medo e nervos. Nojo. - Bela, quererás tu que a tua pequena morra? Tenho uma arma bem aqui. - Do bolso de trás das calças tira uma faca e encosta-a, com força, ao meu pescoço.

A faca estava fria, ela fazia-me tremer. Os gritos da minha mãe mal eram ouvidos por mim, embora fossem altos. Apenas a minha mente falava agora. Ela era tudo o que eu ouvia. Tudo o que ela dizia era que este terror não tem fim. Isto vai ser até ao fim dos meus dias.

[...]

Acordo com agonia. Falta de ar e lágrimas nos olhos. O relógio marcava as duas da manhã. Aconchego-me nos lençóis e espeto a cara na travesseira desejando morrer sufocada, desejando entrar em coma.

Desperto deste sonho terrível, envolvida pelo medo, novamente. Eu não devia estar assim. Tenho dezassete anos e uma vida pela frente. Deverá esta vida ser vivida com medo? Não, claro que não. Mas lá porque a minha mãe o fez, não quer dizer que eu tenha de fazer. Lá porque a minha mãe escolheu viver no medo, na solidão, no desprezo, não quer dizer que o tenha de fazer.

Ouço a porta da entrada abrir e um suspiro enorme, de felicidade, vindo da minha mãe surgir. Uma gargalhada maior faz-se ouvir. Tento entender se ela está sozinha ou acompanhada, mas logo entendo que está sozinha a aproveitar-se do momento passado. A lembrar-se dele talvez. Isto só me fez abraçar-me mais ao lençóis, chorar mais agarrada a eles.

"Calma, está tudo bem aqui. Nunca mais ninguém te vai fazer medo. Eu estou aqui." As palavras fictícias de Calum invadem a minha cabeça. Por momentos quis esquecer tudo o que me fazia lembrar da nossa discussão e apenas o quis ter aqui. Ele iria-me fazer parar de soluçar, iria fazer este nó na garganta parar.

Pego no telemóvel. A primeira coisa que faço é ver as mensagens antigas. Aquelas onde ele suplicava para que eu falasse com ele. Alguém a suplicar pela minha presença. Não é pelos bons motivos, mas será verdade? Eu, Faith Miller que não mereço nada; que não sou nada; apenas uma adolescente ignorada pelo mundo, desprezada. Nunca ninguém gosta de mim, como pode estar ele a suplicar por mim, para eu voltar?

[...]

Mais um dia nasceu. Ainda sentia as lágrimas na minha cara, secas. Levanto-me e dirijo-me à casa de banho. Novamente tomo banho embora o tenha feito na noite anterior, mas o meu corpo pediu por isso. Com todos os pesadelos que tive, o meu corpo pedia para eu tirar de cima de mim aquelas mãos que me tocavam. Elas pareciam presentes lá.

Cerca de dez minutos depois, começo a vestir a roupa. Ousei escolher uma roupa mais leve e ao mesmo tempo quente. Jeans pretos, camisola preta, um cachecol cinzento e um casaco de ganga. O meu cabelo ia ligeiramente molhado. Não me apetecia estar a arranja-lo e acho que uma das minhas - se é que assim se podem chamar - imagens de marca, é o cabelo meio despenteado com a sensação de volume. Ondulado. Fica sempre bem. É raro que não me dê um ar mais "bonito" naquilo que se pode chamar de feio. 

Em frente ao espelho suspiro um pouco. Olhar para mim agora era como para olhar para uma guerra, para mortes. Desesperante. Estou uma lástima.

Com a mochila pronta e já às costas, com o habitual lá dentro, eu vou até à cozinha. Por lá pairava a minha mãe, de pijama, sorridente.

- Bom dia Faith! - A pequena senhora de metro e meio diz com muita felicidade.

- Bom dia. - Respondo, dando a entender o mau humor.

- Lá estás tu. - Reclama. Era fantástico se não o fizesse. - Sempre de mau humor. Se fosse as tuas amigas... Estás sempre feliz com elas... - Ela diz e o discurso começa.

- Acabou! - Grito. - Pelo menos elas não me deixaram a um domingo. Elas estiveram lá quando eu não tive ninguém. Quando eu não te tive! Será que tu não entendes que estás a um bocadinho de me perder de vez? Já estive mais longe de sair de casa. Agora, passa bem. - Rematei arrogantemente e sinceramente, pegando numa maçã e saindo disparada de casa. Oh, soube tão bem. Dizer isto. 



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