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História Passing Time - HSL - Capítulo 12


Escrita por:


Notas do Autor


bom dia
boa tarde
boa noite
boa madrugada

Trago-lhes um "filler" - sei que pode ser meio chatinho de ler e peço perdão por isso; tive um bloqueio enorme e comecei a escrever esse capítulo ontem
Mas mesmo assim espero que gostem, usei esse extra (por assim dizer) para aprofundar um pouco na convivencia de alguns personagens

Boa leitura! ^^

Capítulo 12 - 8 - A Vaga


Fanfic / Fanfiction Passing Time - HSL - Capítulo 12 - 8 - A Vaga

EPISÓDIO 8

                                                             A Vaga

    Castiel estava furioso. Era manhã de domingo e ele já estava estressado. Não bastasse a rivalidade boba de Thomas e Lysandre afetando os ensaios, agora seus pais queriam lhe forçar a trabalhar. O que ele fez para ter toda essa dor de cabeça?

    O menino segurava de maneira mole seu celular na orelha, de onde vinham ruídos altos. A voz de Valérie parecia distante no cômodo, mesmo que estivesse falando na orelha do filho. 

    - Sei que nós te demos liberdade - a mãe recomeçava o discurso pela terceira vez no dia - mas essa liberdade está custando caro! Você acabou de virar um adulto, então nos faça um favor e arrume um trabalho!

    - Calma, Val… - Castiel podia ouvir a voz do pai de fundo.

    Dragon estava sentado no chão, olhando de maneira confusa para o dono, que tinha uma expressão vazia no rosto. O cão parecia ter pena do garoto mas ao mesmo tempo concordar com os pais - afinal, sua ração era cara!

    - Filho - ele ouviu a voz de Jean-Louis, agora de maneira clara - fiz umas pesquisas e descobri que há uma loja de música aí perto necessitando de ajudante. Como você gosta desse ramo, acho que é uma boa oportunidade para você.

    Castiel suspirou.

    - Vocês estão falando da Serenade, certo? Eu vou lá hoje - assegurou o garoto.

    - Bom! - Valérie exclamou, mudando instantaneamente seu tom de voz - Mudando de assunto; vamos para Veneza amanhã, sabia?

    - Nesse caso, addio.

    - Cas…! 

    O adolescente desligou, cortando os pais. Ele jogou o aparelho no colchão e observou enquanto ele quicava para fora do mesmo.

    - Incrível - ele rosnou, pegando o celular do chão.

    Dava para ver que o dia ia ser complicado.

                                =/=

    Lola estava ansiosa como nunca - a ficha não tinha caído para valer antes, mas a partir de seu décimo oitavo aniversário ela teria que sobreviver sozinha. Isso era perturbador.

    A garota mexia em seu guarda-roupa de maneira frenética, revirando conjuntos de roupas e kits de maquiagem, tentando achar algo que servisse para a entrevista de emprego.

    - Não se preocupe - Zöe a tranquilizou, observando a amiga de cima da cama - eles não vão ter muitos critérios.

    A de cabelos pretos a mostrou seu telefone. Na tela, a fachada em letras neon soletrava “Serenade” de maneira elegante e ainda assim, moderna.

    - É uma loja de música, Lolita - ela complementou - você vai se encaixar!

    Lola se virou com uma expressão preocupada no rosto.

    - É uma loja de instrumentos, Zöe - a falsa ruiva corrigiu - e a única coisa que eu toco é minha guitarra de plástico.

    - Na minha opinião, jogar Guitar Hero no Expert é um baita talento.

    - Diz isso para o gerente - Lola revirou os olhos e finalmente escolheu um vestido preto rodado para vestir.

    A menina foi se trocar no banheiro, deixando Zöe para trás pesquisando sobre a loja.

                        =/=

    Do outro lado da cidade, Alana andava em círculos no seu quarto. O cômodo era grande, o que a dava espaço o suficiente para gastar energia.

    A ruiva segurava com força seu celular perto da orelha com uma mão e um livro na outra.

    - Liberté, Égualitié, Fraternité… - ela repetia, como um mantra - Revolução Francesa; constituições de 46 e 58. Liberté, Égualitié, Fraternité… 

    - Alana, isso é o lema nacional - Diana interrompeu através do telefone - está escrito em todas as moedas, selos e logos do país! 

    - Logos do governo, para sermos exatas - Lis acrescentou - mas é verdade, eu acho que já podemos passar dessa parte…

    - Eu não sou boa em história francesa! - Alana balançou os braços - Não quero ir mal na prova…

    - Como assim, “você não é boa em história francesa”?! - Diana exclamou - Alana, você mora na França há três anos e conhece as leis melhor que a minha mãe! E ela é policial há mais de uma década!

    - Você está exagerando - a ruiva riu.

    - Eu concordo com a Di - a voz de Lis soou pelo aparelho - você está indo bem na matéria, mas…

    Um silêncio desconfortável tomou a chamada.

    - Mas…? - Alana indagou.

    - O que a Lis quer dizer é que… - Diana fez uma pausa - Você está muito bem na matéria, mas não é confiante quanto a isso porque é estrangeira.

    O silêncio voltou.

    - O quê? - Alana riu, nervosa - N-não! É claro que eu estou confiante!

    Antes da resposta das amigas, a menina sentiu uma vibração contra sua pele, interrompendo a conversa. Ela tirou o telefone da orelha e olhou atentamente para a foto piscando na tela.

    - Esperem um pouco, vou adicionar a Lola.

    A ruiva deslizou o dedo pela superfície transparente e colocou o aparelho perto da orelha novamente.

    - Ei, Lola - ela cumprimentou - estamos revisando para a prova de história.

    - E eu estou indo para a entrevista de emprego - Lola respondeu com a voz levemente trêmula.

    - Ah, é mesmo! - Diana exclamou, aparentemente se lembrando da entrevista só naquele momento - Boa sorte!

    - Boa sorte, Lola - Lis desejou.

    - Não fique nervosa, vai dar tudo certo - Alana sorriu.

    - Eu disse isso para ela um milhão de vezes! - a voz de Zöe soou baixa pela chamada, como se ela estivesse longe do telefone.

    - Obrigada, meninas - Lola agradeceu, abrindo espaço para mais uma pausa silenciosa.

    Apesar de orgulhosas de Lola por se virar sozinha desde cedo, as meninas não podiam negar que estavam preocupadas com o futuro da amiga - e se ela não conseguisse o emprego? E se o salário não fosse o suficiente para ela se sustentar? Como ela faria faculdade?

    - É isso então - o alvo dos pensamentos quebrou o silêncio - vamos indo. Só queria avisar vocês.

    As três garotas se despediram da dupla e Lola saiu da chamada.

    - Continuando! - Alana exclamou - Liberté, Égualitié, Fraternité

    Lis e Diana grunhiram em uníssono.

                                 =/=

    Castiel entrou na loja mediana. Os diversos instrumentos eram tudo que sua visão podia processar - guitarras, baixos, teclados e violinos compunham a maior parte da frente do espaço. Ele já havia ido até lá para trocar palhetas, cordas e baquetas, mas nunca havia reparado em quantas coisas se assentavam nas prateleiras.

    O atendente da loja era um homem na faixa dos vinte anos, com cabelos negros amarrados em um rabo de cavalo frouxo e tatuagens cobrindo os braços. Apesar do tamanho, ele tinha uma expressão relaxada no rosto enquanto arrumava chaveiros e papéis em cima do balcão.

    Ao notar a presença do mais novo, o homem abriu um sorriso largo e dirigiu seu olhar para o cliente.

    - Bem vindo à Serenade! - ele deu as boas-vindas em um tom caloroso - No que posso ajudar?

    - Hey - Castiel deu um sorriso sem jeito - eu vim por causa da oferta de emprego - o garoto apontou em direção ao cartaz na porta.

    - Ah, sim! - o atendente tirou uma folha de papel de debaixo do balcão - Pode me chamar de Tony! Vamos começar preenchendo a…

    Um barulho de borracha derrapando contra asfalto do lado de fora interrompeu a conversa. Castiel e Tony olharam para a porta, curiosos.

    Então Lola e Zöe entraram lado a lado; a menor usava um vestido preto rodado que acentuava suas leves curvas ao mesmo tempo que era simples e inocente. Seus olhos levavam de maneira natural as linhas do delineador, destacando seus olhos escuros. O cabelo vermelho chamativo causava um belo efeito de contraste com a roupa de tom mais frio.

    Já a maior estava vestida do mesmo jeito de sempre - leggings pretas e camiseta branca de esporte. Seu cabelo longo estava trançado de lado, de jeito que os poucos fios soltos davam a impressão de estarem escorrendo pela superfície branca.

- Zöe? - Castiel levantou uma sobrancelha - Você vai fazer a entrevista também?

- Castiel! - Zöe sorriu ao ver o colega - A Lola vai fazer, eu só vim acompanhá-la.

Lola acenou de maneira desajeitada. Ela não ia admitir nem morta, mas estava nervosa como nunca - ainda mais agora que descobriu sua concorrência.  

    - Cool - o de cabelos vermelhos se virou de novo para o atendente, que observava a situação com uma expressão entretida.

    - Acho que teremos uma competição saudável aqui - ele brincou, tirando mais uma ficha para ser preenchida.

    A alguns metros de distância dos homens, Zöe sorriu para Lola.

    - Me ligue quando terminar, ok? - a morena pegou o capacete de Lola de sua mão - Vou fazer uns exercícios na academia enquanto você faz a entrevista.

    Lola assentiu com a cabeça, olhando para Castiel atentamente.

    O sorriso de Zöe se desmanchou. A menina pegou o queixo da outra com delicadeza, dirigindo sua atenção para si.

    - Não se preocupe, ratinha - ela bagunçou os cabelos vermelhos da amiga - vai dar tudo certo.

    - Eu sei, bobona! - a menor tirou a mão da mais nova de sua cabeça com uma risada suave.

    Um silêncio confortável se instalou enquanto as duas se olhavam. Zöe estava de braços cruzados, esperando algo.

    - Obrigada, Zozo - Lola sussurrou.

    A maior abriu um sorriso radiante.

    - Por nada! - ela exclamou, saindo da loja.

    Lola se dirigiu lentamente até o balcão e pegou sua ficha.

    Os dois adolescentes começaram a preencher seus dados.

 

    “Nome”

    -Lola Bogdanova

    Castiel Leroy Smith-

 

    “Idade”

    -17

    18-

 

    “Nível de educação”

    -Cursando o ensino médio

    Cursando o ensino médio-

 

    “Você toca algum instrumento?”

    -Não

    Guitarra elétrica-

 

    “Já teve alguma experiência no mercado de trabalho?”

    -Garçonete (Jozi Cafe) e ajudante de pesquisas escolares (Bunoffaire High)

    Não-

    

    “Qual a sua motivação para procurar este trabalho?”

    -Me sustentar sozinha a partir da maioridade

    Liberdade financeira dos meus pais-

 

    “O que você faz no seu tempo livre?”

    -Jogo videogames

    Toco guitarra, passeio com meu cachorro-

    

    “Quais são seus pontos negativos?”

    -Tenho dificuldades sob pressão

    Eu tenho um temperamento muito forte-

 

    “Quais são seus pontos positivos?”

    -Eu me adapto bem a mudanças

    Eu tenho pulso firme-

 

    “Qual é seu nível de inglês?”

    -Intermediário

    Fluente-

 

    Depois de alguns minutos escrevendo, os dois concorrentes entregaram as fichas.

    - Muito bem - Tony deu uma passada rápida com os olhos pelos papéis - vou entregar para o gerente. Vocês esperam aqui, tudo bem?

    - Ok - Lola concordou.

    Castiel acenou com a cabeça.

    Depois de alguns segundos desconfortáveis, o menino puxou assunto.

    - Então, para quê você quer a vaga? - ele se debruçou no balcão.

    Lola deu um pulinho no lugar ao perceber que ele estava falando com ela.

    - É que… - ela coçou a nuca - Em dezembro eu vou fazer dezoito anos e não vou ganhar mais renda fixa para meu apartamento.

    - Você mora sozinha? - Castiel arregalou os olhos - Olhando para você e suas amigas, eu diria que são todas criadas debaixo da asa! - ele riu.

    - Eu sou emancipada judicialmente - Lola fez cara feia - ganho dinheiro do governo. Eu preciso arrumar dinheiro até dezembro ou vou passar fome e morar na rua.

    A expressão de Castiel mudou imediatamente de zoeira para arrependida.

    - Ah - ele mexeu de maneira nervosa nas mãos - eu sou emancipado também...

    - Deixa eu adivinhar; seus pais te forçaram a arrumar um emprego? - a menina levantou uma sobrancelha.

    Antes do outro poder responder, Tony voltou dos fundos da loja com um homem mais velho ao seu lado. Ele era menor que o atendente, mas tinha um rosto mais severo, mesmo que adornado por sardas que o deixavam infantil.

    Seus olhos azuis viajavam de Lola para Castiel de maneira desconfiada, como se analisasse profundamente os dois.

    - Bom dia, jovens - o homem sorriu - meu nome é Christian Roy, sou o gerente da Serenade e futuro chefe de um de vocês! 

    - Bom dia - Lola cumprimentou.

    - Bom dia, senhor - Castiel estendeu a mão.

    Os dois tiveram um aperto de mão firme, fazendo Lola franzir o nariz.

    - Eu achei a ficha de vocês bem distintas uma da outra - Christian continuou seu discurso - e também achei interessante vocês serem tão novos. Sabe, eu tenho um filho da mesma idade. Espero que ele tenha a iniciativa de trabalhar cedo como vocês.

    O gerente olhou para seu funcionário e colocou uma mão no ombro do maior.

    - Meu sobrinho Anthony aqui vai lhes dar um trabalhinho e aí veremos qual dos dois merece a vaga. Sem pressão, é claro.

Lola escarneceu. Realmente, o futuro dela sentar nos próprios ombros não lhe causava pressão alguma.

Christian voltou para os fundos da loja e deixou os dois adolescentes com Tony.

- Então! - o maior juntou as mãos - O quão forte vocês se consideram?

Ele olhou de lado para várias caixas de discos num canto da loja, atraindo a atenção dos mais jovens para as mesmas.

- Bem, que comecem os jogos - Lola suspirou.

                          =/=

    Lola colocou o último disco dentro de sua devida capa. Ela olhou para o lado - Castiel estava ofegante depois de carregar tantas caixas. Olhando para ele, você pensaria que a força é uma característica bem presente, mas… não.

    - Bom trabalho! - Tony sorriu - Trabalho em equipe é essencial. Gostei da maneira como Cas trouxe as caixas enquanto você arrumava os discos, Lola. Agora, eu vou até Christian e vamos discutir sobre a vaga. Vocês podem ficar conversando, enquanto isso.

    O homem mais velho saiu da área de discos enquanto Castiel e Lola retomavam o fôlego.

    - Quem você acha que eles vão escolher? - Lola perguntou, se sentando no chão ao lado do garoto.

    Ele deu de ombros. 

    - Eu não sei.

    - Você está mentindo - a de cabelos vermelhos balançou a cabeça - é óbvio que eles vão te contratar.

    Castiel franziu o cenho, questionando a menina silenciosamente.

    - Eu não entendo nada de instrumentos e não me dou bem com gente - ela continuou - eu deixei todas as caixas para você porque não tenho força para carregar essas coisas. O quanto você acha que eu poderia ajudar nessa loja?

    - Credo - o menino franziu o nariz - pare de sentir pena de você mesma, é deprimente.

    Lola arregalou os olhos. Ver que Castiel tinha pena dela foi a gota d’água. Talvez fosse só um dia ruim, talvez fosse a pressão… ou talvez fosse ela o problema.

- Uau… não faço ideia de como a Zöe consegue ser amiga de alguém como você.

Ela se levantou com os olhos marejados e foi para fora da loja, deixando o roqueiro para trás. 

                                                       =/=

O chão de pedra estava gelado contra suas coxas, mas Lola não ligava. Não era do feitio dela ficar choramingando por aí; Castiel estava certo - era deprimente fazer isso. Mas mesmo assim, era como se todas as esperanças dela (que já não eram muito altas) tivessem ido por água abaixo assim que ela entrou e viu o garoto na loja.

Ele era a cara da marca enquanto ela era só uma garotinha que precisava de um trabalho para sobreviver. Ele era confiante e tinha presença, enquanto ela se embolava em suas próprias palavras quando falava com estranhos.

- Ei - ela ouviu uma voz grossa atrás dela.

Era Castiel, de braços cruzados e sobrancelhas franzidas.

- Volte lá para dentro, eu vou ficar calado dessa vez - ele disse.

- Eu não quero sentir pena de mim mesma - Lola soltou, suspirando - eu não estou gostando de me sentir mal por não achar que não conseguirei a vaga!

Castiel se sentiu culpado. Pelo pouco tempo que ele tinha convivido com o grupo de novatas, ele conseguiu perceber que Lola realmente não era assim sempre. Junto com Zöe, ela era uma das mais confiantes do grupo e não tinha papas na língua. 

Então por que ela estava assim por causa de um emprego?

- Não é justo você ser contratado só por ter marra, tocar guitarra e ser homem - Lola continuou - mas ao mesmo tempo eu sei que não tenho o necessário para conseguir a vaga. Mesmo assim, eu tenho certeza que preciso mais do dinheiro que você, porque eu não tenho pais que me amam o suficiente para me sustentar caso eu não consiga esse trabalho!

Ela colocou a cabeça nas mãos, agora deixando as lágrimas caírem livremente, deixando rastros de maquiagem pelas suas bochechas.

O colega de classe da menina não sabia o que fazer. A verdade é que ele estava com medo de alguém passar na rua e achar que ele tinha batido nela ou algo assim. 

Castiel tirou um maço de cigarros do bolso e colocou um deles na boca. Ele ofereceu um dos palitos macios para Lola.

- Vai fazer você ficar melhor por enquanto - ele explicou com a mão estendida.

Lola limpou o rosto de modo desajeitado, borrando suas bochechas, e pegou o cigarro.

O falso ruivo acendeu ambos e os dois ficaram em silêncio, tragando e expirando a fumaça transparente.

Depois de alguns segundos, a menina suspirou e tossiu.

- Eu não costumo fumar sempre...

- Você está estressada, eu não vou te julgar - Castiel disse por entre nuvens de fumaça.

- Zöe ia nos matar se visse a gente agora - ela riu secamente.

- Ela me xingou na primeira vez que me viu fumando - Castiel a acompanhou nas risadas - disse que a mãe tinha morrido de câncer de pulmão, me deu um baita susto.

Lola gargalhou.

- Ela disse isso?!

- Pode apostar que sim.

A garota se levantou e jogou o cigarro no chão, pisando nele logo depois. Ela limpou o rosto com mais delicadeza agora, apagando as manchas pretas de sua pele clara.

- Vamos voltar lá para dentro - ela ofereceu a mão para Castiel, que a pegou para se levantar - e não se acostume, eu não surto assim todo dia.

- Todos nós temos dias ruins - o menino disse - mas digo o mesmo. Eu não sou paciente assim todo dia, então não se acostume.

- Eu nunca me acostumo, eu me adapto.

Castiel riu.

- E mais uma coisa… - ele coçou a nuca - Eu te darei a vaga caso me escolherem. Você tem razão, precisa mais do que eu.

- Obrigada, Castiel - Lola deu um sorriso fraco.

- Não pense muito sobre isso - o de cabelos vermelhos deu de ombros - eu nem quero trabalhar mesmo.

Os dois entraram na loja, dando de cara com tio e sobrinho.

- Aí estão vocês! - Tony sorriu de orelha a orelha - Temos ótimas notícias!

- Vocês dois estão contratados - Christian acabou com qualquer chance do suspense se instalar - Anthony me disse que vocês se complementam. E também, como vocês são estudantes e vão trabalhar horário mínimo, podemos pagar os dois salários sem problemas.

- Como assim, “se complementam”? - Castiel levantou uma sobrancelha.

- Você levou as caixas bem rápido e Lola organizou os discos mais rápido ainda - o sobrinho do gerente explicou - aquele tipo de organização eficiente é do que precisamos no dia-a-dia, por isso abrimos as vagas para ajudantes.

- ISSO É ÓTIMO! - Lola exclamou - Q-quer dizer… - ela limpou a garganta e se recompôs - isso é ótimo.

- Então vocês trabalham de segunda a sexta depois da aula - Christian explicou - das 17h às 21h, então vinte horas semanais. O salário será de 733 euros por mês, já que são aprendizes. Farão diversos trabalhos, de antender clientes a buscarem e arrumarem materiais. Alguma dúvida?

- Não! - Castiel respondeu - Tudo bem.

- Tudo perfeito - Lola concordou.

- Bem, vejo vocês amanhã então! - Anthony sorriu.

- Até - os mais novos se despediram.

Lola e Castiel saíram da loja. A menina dava pulinhos de alegria e balançava a perna sem parar enquanto falava ao telefone com Zöe.

- Você parece um cachorro, falta só abanar o rabo - Castiel zombou.

- Você nem imagina o quão aliviada eu estou!

- Mas eu te daria a vaga de qualquer jeito…

- Não é essa a questão - ela se virou para Castiel com um sorriso no rosto - você viu como Tony disse que eu sou rápida?

Castiel levantou uma sobrancelha.

- O que é? Você ficou afim dele ou algo assim?

- Que?! - Lola gargalhou - Não! Eu estou feliz por ter sido elogiada! - ela olhou para suas mãos como se tivesse poderes - Lis vive me dizendo que tenho mãos rápidas… Acho que ela está certa, afinal.

- Bem, eu fiz todo o trabalho duro… - o garoto cruzou os braços e fez beicinho.

A de cabelos vermelhos deu uma cotovelada leve nele.

Os dois ouviram o barulho da moto de Zöe de longe, o que significava que ela já estava perto. 

De fato, nem dois segundos depois do barulho, um mar de cabelos pretos virou a esquina. A morena estacionou rapidamente a motoquinha do outro lado da rua e foi quase correndo até os amigos.

- Lola, me diga que você conseguiu a vaga! - ela chacoalhou a menor pelos ombros com força.

Lola balbuciava, com dificuldade para falar por causa de todo o movimento.

- Nós dois conseguimos - Castiel respondeu no lugar da agora colega de trabalho.

Zöe arregalou os olhos.

- Sério? - ela puxou os dois para um abraço - Parabéns!

Castiel corou com a cabeça apoiada nos ombros da garota e limpou a garganta, nervoso.

- É só um trabalho, não fique tão assanhada…

- Desculpe - Zöe soltou os dois ruivos - é que estou tão aliviada! - ela deu vários beijinhos no rosto de Lola.

- Eeeeca! - a menor zombou, empurrando de leve a maior.

As meninas começaram a gargalhar enquanto Castiel observava aquilo com um sorriso fraco na boca.

- Vou indo - ele anunciou - se divirtam continuando… sejá lá o que vocês estão fazendo.

- Tchau, Castiel - Lola acenou.

- Até amanhã! - Zöe imitou o gesto.

Depois de algum tempo em silêncio, as meninas foram para a scooter, prontas para irem embora.

- Agora temos que revisar para as provas de terça - Zöe suspirou - o dia vai ser puxado para você hoje.

- Sabe, Zöe - Lola sorriu, deitando a cabeça sobre o ombro da amiga - pode até ser, mas eu estou feliz de qualquer jeito.

A maior arrancou, levando a dupla para seu destino.


Notas Finais


Fico surpresa por nenhum dos alunos perceber que o Castiel e a Lola são a versão genderbent um do outro
Enfim, espero que tenham gostado do meu mini-capítulo

Obrigada por ler! ^^


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