História Rainha Clara - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Princesa
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Palavras 2.617
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Capítulo 1 - Estava escrito o seguinte.


Fanfic / Fanfiction Rainha Clara - Capítulo 2 - Capítulo 1 - Estava escrito o seguinte.

- Querida! Querida! - Ao longe ouvia-se a voz de minha criada tentando despertar-me dos mais belos sonhos que tivera nos últimos dias. Meus olhos ardiam com a luz que vinha da janela e expandia-se por todo o cômodo indicando que era hora de levantar.

As cortinas rosa bebê estavam completamente abertas e apenas a seda branca impedia o sol de queimar meu rosto. Abri os olhos lentamente à procura de um rosto conhecido e lá estava ele, ou melhor, ela.

Mamãe batia o pé com os braços cruzados perto da entrada do quarto, sua expressão não era nada agradável. Mamãe tinha os olhos claros como o mel e seus cabelos eram brilhantes e reluzia a luz do sol, mesmo sendo de um tom castanho claro.

Ela jamais usava maquiagem, com cílios volumosos e a boca delineada e rosada, era bela sem ajuda de nenhum produto. A quem diga que a bela Judity Johanson era a mulher mais linda do reino e papai sempre concordou com isso. Seja de jeans ou vestido, ela sempre ficava esplendida.

Com muito esforço estiquei o braço para alcançar meu celular, que estava ao lado de minha cama junto ao abajur que era de minha avó. Já eram dez horas e eu sentia que deveria sair da cama se não mamãe iria criar a 3ª Guerra Mundial.

As tonalidades de rosa e branco de meu quarto faziam eu me sentir aquecida e calma, e não ajudava em nada na hora de levantar, muito menos meus travesseiros de seda, mas por um milésimo de segundo, lembrei-me de que dia era e num impulso joguei meu corpo para o chão ficando de pé.

Camila veio em minha direção ajudar-me a ir tomar banho. Minha criada sempre foi uma grande amiga para mim. Mamãe sempre ocupada, nunca tinha tempo para conversar comigo e minha melhor amiga morava em outro estado, longe do castelo.

Camila Massaro acabou sendo meu porto seguro, minha confidente. Contava tudo para a mesma e tratava-a como uma irmã já que ela tinha a idade próxima da minha, tinha 14 e ela 18. E tudo era recíproco, confiávamos uma na outra acima de tudo!

Mamãe lançou-me um olhar furioso e saiu em passos largos pelo corredor, entendi que teria de me arrumar rápido, embora isso fosse um desafio para mim. Ao longe ouvia-se o barulho de seu salto ecoando pelas escadas.

Caminhei ainda sonolenta até o banheiro com a ajuda de Camila que já havia ligado o chuveiro, e tomei um banho rápido e revigorante. Deixei que a mesma me ajudasse com o cabelo e a maquiagem e quando sai do banheiro, Camila tinha preparado o melhor vestido que eu havia visto.

Ele era rosa claro e ia até os joelhos, havia uma fita preta que delineava a cintura, e uma faixa igual em cima do busto. Era tomara que caia, mas continha um tecido transparente lotado de pedrinhas de diamante que formavam as mangas e a gola, o que dava um ar elegante e simples, era perfeito!

Nunca me senti bonita, nunca fui exatamente magra como as outras meninas, e a pouca estatura fazia-me sentir ainda pior. Sempre gostei de me arrumar, e sabia que todo esforço era em vão, mas com aquele vestido pela primeira vez, eu me senti bonita, uma verdadeira princesa.

O sol que agora iluminava boa parte do quarto indicava o quão quente aquela manhã estava. Camila prendeu minhas mechas castanho-claro num coque e colocou a coroa com cuidado em meio ao cabelo. Separei meus cílios com um pouquinho de rímel e observei meus olhos castanhos através do espelho iluminar-se com a luz do sol.

- Você está linda meu bem! - Disse Camila. Seu elogio era sincero e seus olhos brilhavam de orgulho por ter feito aquele vestido.

- Obrigado Cá, estou ansiosa para ir visitar Laura, estou com muitas saudades dela! - Disse com um sorriso nos lábios enquanto levantava-me da penteadeira e ia em direção à sapateira em meu closet.

Fazia um ano que não via minha melhor amiga Laura. Desde que mudei de escola e a mesma continuou onde estudávamos juntas, ela e a família não frequentavam o castelo por se acharem simples demais para tanto luxo e isso acabou nos afastando.

Laura diferente de mim tinha a pele escura, mas seus olhos assim como os meus eram castanho claro, seu cabelo era cacheado e curto criando um grande volume castanho escuro em volta de seu rosto. A conheci na escola, no início daquele ano.

Sempre fui excluída por acharem que era metida e também por ter nascido em um castelo, mas nunca liguei para títulos. Tentava ser a mais simples das meninas e chamar menos atenção possível, o que era completamente impossível, pois toda a noite no jornal passava imagens do castelo, mostrando pedaços de minha vida, junto com as notícias do país.

Laura ao contrário de todos, no primeiro dia de aula, assim que me viu veio falar comigo. Desde então não nos separamos mais, dizia que ela era minha gêmea, já que nossa personalidade era tão parecida, éramos teimosas, pouco sociáveis, apaixonadas e sinceras, até demais.

Sempre fomos coladas uma com a outra e essa distância era um grande empecilho, mas nunca deixamos de se falar. Iria passar o dia na casa dela para matar a saudade, estava quase gritando de felicidade.

Calcei minha sapatilha de lacinho rosa e desci correndo as escadas para a sala de jantar com uma pequena bolsa preta entre as mãos. Mamãe e papai já estavam sentados à mesa aguardando, papai lendo seu jornal e mamãe deliciando-se de um bolo de laranja e um copo de suco.

A manhã ensolarada iluminava a grande sala por entre as cortinas lilás e lhe dava um clima agradável de verão. Dei-lhes um beijo seguido de uma reverência e sentei ao lado de mamãe.

Papai passava uma de suas mãos por entre suas mechas escuras e franzia a sobrancelha aparentemente lendo um novo ataque dos anti-monarquistas. Kim Háfnio era o homem mais respeitado de Cloment, mas até ele preocupava-se com a aceitação de seu povo, mesmo tendo certeza que 90% deles o amavam.

Vinicius veio correndo pelos corredores acompanhado de sua criada, que gritava ao longe para ele ter cuidado. Meu irmão sempre foi ''elétrico'' e tinha energia de sobra, embora só tivesse cinco anos era muito esperto. Ele tinha o nariz pontudo e o cabelo parecido com o de papai e tinha os olhos da mamãe, assim como eu.

Vini sentou-se ao lado de papai e apanhou uma maçã da cesta, ele sempre gostou de frutas e gostava de manter-se saudável sempre, ao contrário de mim.

Assim que terminei o café levantei-me e segui em passos sutis e alegres até o jardim, onde Fred, meu motorista, estava me aguardando.

Frederick Rutherfórdio era loiro e tinha mais ou menos a minha altura, assim como Camila ele tinha 18 anos e por isso nos dávamos tão bem, seus olhos verdes eram como os do meu pai e seu sorriso passava segurança a qualquer um.

- Olá senhorita! - disse fazendo uma reverência.

- Oh Fred, me chame de Clara, não precisamos de formalidades. - pisquei e escondi meu rosto por entre meus dedos enquanto ria.

-Como quiser Clara! Para onde vamos? - ele disse abrindo a porta cuidadosamente e estendendo a mão em minha direção.

-Vamos à casa de Laura... - respondi sorrindo.

-Okay, ah e antes que eu me esqueça, está linda Clara! - ele corou e sorriu enquanto me ajustava no banco do carona.

-Obrigada Fred! - respondi enquanto colocava o cinto e o mesmo dava a volta no carro.

Eram duas horas de viagem até a casa de Laura, não confiava em outra pessoa para me guiar até lá que não fosse Fred, ele era o melhor motorista que eu conhecia e papai o admirava como um filho.

O caminho até a casa de Laura era cansativo, então levei meu bloquinho de poesias e meu celular para distração. Eu amava escrever poesias, mas nunca deixei que a vissem, pois não queria admitir que talvez eu tivesse algum talento! Tudo que eu escrevia desde meus oito anos de idade, eu mantinha a sete chaves em meu cofre particular e a única que tinha acesso a este cofre era Camila.

Assim que chegamos à casa de Laura, Fred abriu a porta para mim e me levou até a bela sacada da casa dos Mianques. A senhora Fátima estava na janela preparando uma deliciosa torta de limão e quando me avistou abriu um enorme sorriso.

A senhora Fátima era uma mulher espontânea e muito alegre com seus 40 anos, estava sempre com um sorriso estonteante nos lábios. Assim como Laura, seu cabelo era cacheado e escuro, porém a mesma sempre o prendia em um coque para expor seus olhos escuros como duas jabuticabas. Fátima tinha uma pinta perto de sua boca que dizia ser seu charme destacando-se em sua pele morena.

A casa dos Mianques era agradável, simples e bela, mesmo sendo do tamanho de meu quarto... Sempre que eu ia lá, me sentia calma e tranquila. A senhora Mianques cultivava muitas flores e havia um imenso jardim de tulipas ao lado da pequena casa, eu amava ficar lá por horas conversando com Laura e admirando-as.

Laura abriu a porta e correu em minha direção abraçando-me com toda a saudade que podia transmitir. Ela tinha os braços fortes e por isso quase me deixou sem ar, mas retribui o abraço com o máximo de força que consegui reunir.

-Que saudade! - Eu disse sorrindo assim que ela soltou-me de seus braços.

-Nem me fale Clara, tenho tanto para lhe contar! É tão estranho não lhe ver todos os dias... - Sua expressão era de tristeza, mas com um belo sorriso ela me deu um novo abraço e suspirou alegre. - Estou feliz por estar aqui!

Virei-me para Fred e indiquei que já poderia ir, ele então assentiu e tomou o rumo do carro. Voltei-me para Laura e sorri pegando sua mão como nos velhos tempos, e de mãos dadas adentemos o lar dos Mianques.

Eu só entrara algumas vezes na casa dos Mianques, conhecia a senhora Fátima por vê-la quase todos os dias na escola. Sabia que Laura tinha um irmão mais velho, mas nunca havia tido algum contato com o mesmo, sabia também que ela não tinha pai e por isso nunca toquei no assunto perto dela com medo de magoa-la.

Assim que entrei na sala, avistei três meninos sentados no sofá com os olhos grudados a tela da televisão. Um deles tinha a pele escura e os olhos iguais o de Laura, seu cabelo era ralo e escuro, imaginei que fosse Carlos, o irmão dela.

O segundo tinha os olhos escuros também, mas seu rosto era totalmente diferente do de Laura, sua pele era um pouco mais clara que a dela e seu cabelo era volumoso estilo Black Power, deveria ser amigo ou primo de Carlos!

O terceiro estava largado no canto do sofá, sua pele não era exatamente escura e também não era clara, era como se ele tivesse acabado de se bronzear na praia e seus olhos eram de um incrível tom de verde, seu cabelo era loiro escuro um pouco bagunçado. Ele era bonito como um surfista bronzeado.

Assim que avistei o terceiro menino não conseguia para de admira-lo. Ele estava mexendo no celular, mas disfarçadamente trocou alguns olhares comigo enquanto seus amigos jogavam. Nunca sentira atração por ninguém na vida e nunca havia beijado, era um pouco insegura com esse assunto, mas quando vi aquele menino não pude evitar observa-lo com admiração.

Quando Laura percebeu nossos olhares, no mesmo instante puxou-me para o seu quarto às pressas. Assim que passamos exasperadas pela pequena porta de madeira me deparei com o quarto de Laura.

Era do tamanho de meu banheiro, mas era belo como minha sala de música. As paredes tinham diferentes tons de verde que representavam a calmaria da natureza e tornavam o lugar zen. Continha uma cama pequena no canto do quarto, uma estante de livros com decorações de coruja, símbolo de sabedoria, no centro, e um guarda roupa branco um pouco desbotado no final do quarto ao lado da janela que tinha vista direta as tulipas.

Nós mal entramos e ela começou a falar: - Huuuuuuuuuuum, princesas se apaixonam por plebeus? - perguntou rindo.

- Hei, eu não estou apaixonada! - disse um pouco exaltada com um nervosismo evidente na voz.

- Notei - ela ria cada vez mais à medida que meu rosto esquentava de vergonha.

- Bom, talvez ele até seja bonito, mas de qualquer forma, quem se interessaria por uma princesa? Olhe para ele - Respondi encarando-a séria.

- Qualquer um Clara, você não vê como é linda? - ela puxou-me para frente do espelho. - Ele seria louco se não se apaixonasse por você!

- Ele é um menino normal, tem uma vida normal, deve ficar com várias meninas, por que se interessaria por alguém que não consegue ir até a padaria sem que alguém tire fotos? - digo encarando meu reflexo e pensando em como minha privacidade era escassa, eu nem poderia beijar alguém sem que a foto dele aparecesse em todos os jornais!

Ela suspira ainda com as mãos em meus ombros e sorri por fim - Você já pensou na possibilidade de apenas tentar? Sem se preocupar com todo o resto, ao menos uma vez?

- Você tem razão... Eu penso demais nas consequências. Tenho que pensar mais em mim! - Sorrio e encaro a mesma através de seu reflexo - Qual o nome dele então? - pisquei para ela ainda em frente ao espelho sorrindo.

Ela sorriu vitoriosa e respondeu - Bruno, ele é melhor amigo de meu irmão, depois consigo o numero dele para você! - Enquanto ria, a mesma começou a soltar meu cabelo para penteá-lo. Deixei que ela me arrumasse e fingisse que eu era sua boneca.

Brincamos a tarde inteira de salão de beleza e falamos sobre Bruno e os amigos do irmão dela, até Fred entrou na conversa, suspeitava que ela tivesse uma quedinha por ele, mas a mesma não quis admitir. Comentamos também sobre algumas pessoas de nossa antiga escola e vivemos alguns momentos de nostalgia.

Quando a senhora Mianques chamo-nos para comer a torta que ela havia feito, os meninos já tinham ido embora, exceto Carlos que estava sentado a mesa atacando o primeiro pedaço. Foi um alívio não ter que cruzar com Bruno de novo, por mais que ele fosse lindo, eu certamente ficaria com vergonha se ele estivesse na mesa.

Depois da torta e mais um pouco de conversa, Fred veio me buscar. Estava quase chorando por ter de deixar Laura novamente, mas por fim abracei-a bem forte e ela me entregou um papel.

Seus olhos estavam cheios de lágrimas, então apenas botei-o em minha bolsa e lhe dei mais um beijo antes de ser praticamente arrastada por Fred para dentro do carro. Acenei por dentre a película, mesmo sabendo que ela não me veria, até desaparecer em meio à escuridão da noite.

Assim que chegamos ao castelo, mamãe já me esperava sentada no sofá do salão, ela parecia concentrada no programa que estava assistindo, mas assim que entrei ela levantou para abraçar-me.

- Como foi querida? - indagou assim que me soltou de seus braços.

- Ótimo! A senhora Mianques mandou lembranças... - respondi com um sorriso e após uma reverência dei-lhe um beijo e fui em direção ao meu quarto. Além de estar cansada, estava extremamente curiosa para saber o que estava escrito no papel que Laura me dera.

Camila deve ter ouvido meus passos, pois quando entrei ela estava pronta para atender qualquer pedido meu, porém eu apenas joguei-me na imensa cama de casal com cobertas de plumas rosa. Camila deve ter entendido que eu só precisava descansar então fez uma reverência e deixou o quarto.

Assim que ouvi a porta fechar, sentei-me rapidamente no canto da cama e peguei o bilhete de Laura dentro da carteira. Quando desdobrei o papel estava escrito o seguinte:

BRUNO FERRAZ

XXXXXXXX



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