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História (Reescrita) A Senhora das Sombras - Capítulo 3


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Notas do Autor


Boa noite. ^^

Capítulo 3 - A Mulher no Quadro


Fanfic / Fanfiction (Reescrita) A Senhora das Sombras - Capítulo 3 - A Mulher no Quadro

 

 

AINDA ESTAVA ESCURO QUANDO GISELLE ACORDOU, deveria ter deixado o celular no mudo, se o tivesse feito, poderia ter aproveitado mais aquela madrugada preguiçosa de terça-feira. Como não podia prever que o aparelho lotaria de mensagens o deixou em modo vibratório como sempre, afinal, seus pais poderiam ligar. Ela ignorou o celular quando as primeiras mensagens chegaram, mas, debaixo do travesseiro ele insistia. Sonolenta, ela o pôs no criado mudo, só para tirá-lo dois minutos depois já que a curiosidade se sobrepôs ao sono.

         Quis voltar para casa no primeiro voo quando abriu as mensagens, porém, prendeu a respiração e a soltou lentamente contando de um a dez. Continuou com raiva, mas não daria o braço a torcer, não iria se rebaixar. Não para ele, muito menos para ela. As mensagens enviadas eram de seus colegas de classe, a maioria havia mandado demostrando real apoio, de todo modo, entre estes haviam aqueles que mandaram por puro deboche e ela sabia diferenciar perfeitamente quem era quem.

         Hoje ela seria o assunto mais comentado entre seus colegas, certamente. Só que dessa vez não era por conta de nenhum post em seu blog, ou um convite romântico que rejeitara, e muito menos por um de seus trabalhos como modelo. Era por um motivo menos honroso. Todas as mensagens levavam ao link do Instagram de Hillary Collins, cuja a última postagem havia sido uma foto referente à sua festa de aniversário, ocorre que na foto havia um detalhe bem pertinente: Andrew Cooper, namorado de Giselle, estava nela bem à vontade abraçando a aniversariante.

         Giselle não derramou uma única lágrima. A raiva que sentia não permitiu. Além de que não estava de fato apaixonada, há seis meses ela havia desmaiado na sala de aula e Andrew a levou flores no hospital. Comovida com o gesto, permitiu que ele se aproximasse, envolvida pela situação, quando ele a pediu em namoro ela aceitou. Seu pai permitiu já que Andrew era filho de um de seus melhores amigos, mas não sem antes colocar uma longa lista de limites que Giselle não fez questão nenhuma de contestar. 

         A ausência de paixão verdadeira não a impediu de ficar magoada. Começou a escrever uma mensagem para ele, mas parou. Decidiu que retribuiria de forma mais teatral. A foto não mostrava mais que um abraço, contudo, Giselle já havia deixado claro que sua amizade com Hillary a muito havia se acabado e que entre as duas não havia mais nada além antipatia. Para ela bastava essa afronta, não precisava de uma traição consumada, embora não descartasse que houvesse acontecido.

         Ás 06h00 da manhã ela se levantou da cama e foi para o banheiro. De roupão, abriu a mala e tirou de lá um de seus melhores vestidos. Um zibeline de alças grossas, era vermelho vivo e apesar de não ter decote valorizava perfeitamente sua silhueta, era na altura do joelho e literalmente fora feito para ela, havia ganhado como brinde em um de seus ensaios para uma marca pertencente a uma ex-moradora de Ottaro.

         Então se sentou na penteadeira e arrumou os cabelos moldando-os em cachos. Tinha um cuidado absurdo com eles, sempre estavam bem hidratados, escovados e cheirando a shampoo de maçã. Era loira, ainda que alguns contestassem a cor de seus cabelos por serem de um dourado cintilante, principalmente quando o sol batia neles, algo que ninguém havia visto antes naquela cidade. Se quisesse, Giselle poderia ser famosa em seu país e até fora dele e não apenas nos arredores de sua cidade, era dona de uma beleza natural, ainda que não como uma mulher estonteante que esbanja sensualidade ao passar, sua beleza era mais sutil.

Tinha traços delicados. Seu rosto em formato de coração quase não precisava de retoques e era bem destacado por um lindo e cintilante par de olhos verde-esmeralda, o nariz era pequeno e magro, os lábios finos e as bochechas rosadas. Sua estatura estava na média, sua pele era clara e sensível, macia como seda. Seu peso era muito bem distribuído, boas medidas na cintura, busto e quadril, nada em excesso, mas também nada em carência. Se não se tornou uma modelo nacionalmente conhecida foi porque realmente não quis.

         Mina acordou enquanto ela se maquiava com esmero. Nada disse até ver umas trinta mensagens de Andrew perguntando porque Giselle não atendia o telefone e nem respondia suas mensagens. Só então percebeu que Giselle não estava apenas ansiosa para fazer turismo e perguntou:

— Você tá bem?

— Ótima. Ansiosa para conhecer Brasov. — Disse ela terminando seu delineado.

Queria dar o troco, porém, não iria ligar, nem brigando e nem chorando. Tinha algo melhor em mente.

— Andrew tá perguntando por que você não responde ele.

Falou Mina bocejando. Detestava acordar cedo, embora tivesse que o fazer para ir à escola.

— Eu vou responder, só que do meu jeito. — Comentou Giselle fazendo um roteiro mental de seu plano.

— O que rolou? — Mina perguntou perdida. Sabia que algo estava errado, contudo, não sabia o quê.  Giselle lhe mostrou a foto.

— Você tá legal?

Perguntou devolvendo o celular da outra, ainda tentando acordar direito.

— Eu sei fingir quando não estou?

Questionou Giselle com um leve sorriso.

— Não, você é uma péssima atriz. — Disse Mina. Não se preocupou mais com a amiga, Giselle tinha a transparência de um cristal. Não conseguia disfarçar muito bem suas emoções, principalmente quando estava triste. E se não estava chorando ou calada em um canto, estava tudo sobre controle na percepção da Srta. Hans. — Diz, o que vai aprontar?

         Perguntou em tom de cumplicidade. Giselle deixou a paleta de sombras metálicas de lado e explicou sua vingança virtual.

         As ruas da comuna de Bran foram cortadas por um Jaguar preto recém-saído da concessionária, o carro deslizava imponente e em alta velocidade. Era verão, mas o céu estava escuro e o clima frio. O limpador de para-brisas lutava incessantemente contra as pesadas gotas de chuva que caiam aos montes. Seu condutor estacionou e sem cerimônias entrou no castelo, coberto por uma pesada capa de chuva. Era um homem alto e bem-vestido. Usava uma camisa preta, social, de linho italiano, calças Oxford, de tonalidade similar à da camisa e uma gravata, tradicional, cinza. Seus olhos estavam ocultos pelas lentes dos óculos escuros que usava. Não aparentava ter mais do que vinte e três anos.

         Ele correu os olhos pelo castelo procurando uma pessoa em particular, sabia que estaria ali, o havia seguido através da repentina chuva, restava aguardar. O problema é que ele jamais gostou de precisar esperar.

         O celular de Giselle tocava insistentemente quando ela entrou em um dos pontos turísticos mais famosos da Romênia: o Castelo de Bran. Ela estava adorando aquele desespero, sentia-se vingada de Andrew com isso. Havia tirado várias fotos pela cidade, sorrindo radiante, como se nada a tivesse abalado. Postou quase todas em suas redes sociais, e, no Instagram desejou feliz aniversário à Hillary.

Em outra publicação escreveu uma mensagem sobre novos horizontes, na legenda de uma foto que havia tirado semanas atrás com o então namorado. Era uma indireta, nas entrelinhas, estava terminando com Andrew pelo Instagram, só esperava que ele fosse esperto o bastante para entender a sutileza daquele ato.

— É só isso? Cadê as estacas?

Dylan perguntou enquanto ele, Mina e Giselle percorriam devagar o castelo que se tornara um museu.

— Quer que eu providencie?

Mina ofereceu quando passaram por uma armadura medieval. A peça segurava uma lança verdadeira, a haste tinha cerca de três metros e era toda feita de aço, a ponta afiada estava tão bem polida e a armadura fora tão          bem posicionada que reluzia majestosamente como se pudesse sair andando dali a qualquer momento. Dylan se aproximou da armadura imaginando o quanto aquilo deveria ser pesado. Ele era um rapaz franzino, nem alto e nem baixo, tinha cabelos ruivos e olhos azuis. Usava óculos e seu rosto era perfeito para se mostrar o antes em algum comercial sobre acne, isso claro, além das sardas que tinha.

— Essa fortaleza era da rainha Maria, Vlad não morou aqui. — Giselle explicou enquanto apontava sua filmadora nova para todos os lados. Dedicara algumas semanas para ampliar o que já sabia sobre a famosa Romênia.

         Ela não queria perder as imagens, por isso tentou ignorar certos olhares sobre si. Achou estranho, afinal, seu vestido estava coberto pelo sobretudo branco que usava. Ainda assim alguns a olhavam, não os turistas, mas os próprios visitantes romenos. Inclusive, na entrada não lhe deixaram pagar os trinta e cinco leus de jeito nenhum, alegando que era uma honra ter alguém tão parecida com a princesa. Nem Mina entendeu de qual princesa falavam. E ficou mais estranho ainda quando começaram a pedir para tirar fotos com ela, tornaram a dizer que Giselle era muito parecida com uma princesa da antiga Valáquia. Empolgada com essa atenção, ela aceitou tirar as tais fotos. Ao todo, pousou com quinze pessoas diferentes até então.

— Eu esperava algo mais assustador do que aquele teatro tosco.

Retrucou Dylan se referindo a performance amadora que haviam acabado de ver na entrada. Um homem velho e calvo vestindo uma fantasia malfeita estava deitado em um caixão e em intervalos de cinco minutos se levantava dizendo “eu sou Drácula” em um inglês ruim.

Na verdade, o castelo foi eleito como ponto turístico por ser o mais perto que o país conseguiu achar da descrição que Bram Stoker fez da morada do Conde Drácula. A construção é cravada em uma rocha, recoberta por muito verde dos montes da comuna de Bran e para visitá-la atualmente é necessário pagar trinta e cinco leus na entrada. O local se tornou um dos principais cartões postais do país. Apesar de confusa com seu momento de celebridade, Giselle achava que a viagem estava valendo a pena.

— Gih, olha isso. — Mina chamou. — Nunca havia visto esse, deve ser do novo acervo.

Completou ela. Estava certa. O quadro havia sido doado recentemente ao museu, em anonimato, apenas com uma carta contendo os dizeres “Eis a imagem daquela que foi a princesa mais amada pelo povo. Deem à Lilly o destaque que lhe é de direito”. Todos ficaram eufóricos quando descobriram que a mulher do quadro era a princesa Lilly Drăculești, os mais tradicionais conheciam-na apenas pelo nome, não tinham uma única imagem dela até então.

Sobre o quadro, os examinadores confirmaram que ele fora pintado na época em que ela viveu, e com base nas poucas descrições que tinham da princesa, concluíram que sim, havia bastante chance de ser verídico.

— Puxa, deve ser como se olhar no espelho, né?

Comentou Dylan olhando para a inegável semelhança entre Giselle e a princesa Lilly. Estava explicado o interesse dos romenos nela.

— Quem é ela? — Giselle perguntou quando enfim resolveu parar de gravar e prestar atenção no quadro.

— Uma tal de Lilly. — Falou Dylan lendo a plaquinha abaixo do quadro.

— Diz aqui que ela foi esposa do Vlad. — Completou Mina lendo o restante das letrinhas miúdas. Havia estado ali ano passado e esse quadro não estava sendo exibido.

Giselle entendeu o motivo de a estarem olhando diferente, não é por nada que estivesse usando, era realmente por ela ser a cópia quase fiel daquela mulher. Tinham o rosto no mesmo formato, o mesmo sorriso e principalmente, os mesmos olhos verde-esmeralda. Ela ficou o mais próximo que conseguiu do quadro, fascinada pela imagem que parecia de si mesma em vestes medievais. Sendo a cor dos cabelos a única coisa que as distanciava, já que os da mulher eram pretos e na altura dos ombros.

O doador teve seu pedido atendido, aquele quadro se tornou a principal atração do museu e foi posto bem no centro do castelo, ao lado de um requintado jarro de rosas naturais, posto em um pilar de cerâmica.

O homem que havia chegado a pouco passou por eles, que conversavam entusiasmados sobre a pintura e o motivo da súbita “fama” de Giselle.

— Turistas barulhentos. — Resmungou o homem enquanto passava sem nem se indignar a olhar para nenhum deles. Não era o maior fã de americanos, quanto mais de estadunidenses, só o sotaque já o irritava.

Ele havia avistado a pessoa que estava esperando, estava mais à frente, no mesmo corredor olhando fixamente para uma espécie de mapa da antiga Valáquia.

— Até que enfim te achei, Nicholas. Eu já estava ficando entediado.

O homem murmurou discretamente para o outro.  Havia uma raiva contida em sua voz e ele não fazia a mínima questão de mascarar isso.

— Meu senhor, que honra... em que posso servi-lo?

Ofereceu-se o outro assustado. Era visivelmente mais velho, ainda assim tratava o motorista do Jaguar por “senhor” e parecia bastante inquieto com sua presença, que, de fato, era intimidante.

— Que prestativo. — Zombou. — Suponho que esteja preparado, ou por ventura crer que eu não sei o que fizeste em minha ausência? Sabe que deixar acertos pendentes não é do meu feitio.

A maneira polida como falava soava estranha para alguém que aparentava ser jovem e estava tendo uma conversa informal, mas ele não pareceu se importar.

— São rumores, meu senhor. Apenas rumores de quem quer me ver pelas costas.

Garantiu o mais velho em tom de súplica.

— Que vergonha, Sir Nicholas. Um homem feito e com a sua estirpe! Se vender tão barato é uma desonra.

Continuou o outro em tom de desaprovação. Falavam baixo para evitar olhares por parte dos visitantes.  O “sir” que saiu de sua boca foi carregado de sarcasmo, ele sabia que o homem com quem estava conversando já fora um cavaleiro inglês há muito tempo atrás, o pronome de tratamento certamente deixaria o ex-cavaleiro envergonhado.

— Eu posso provar, meu senhor. Posso compensá-lo! — Ofereceu Nicholas já cedendo a aflição.

— Me compensar? Já está confessando? — O “senhor” desdenhou zombeteiro.

Ele pôs uma mão no bolso da capa e de lá tirou um isqueiro de prata, era retangular, tinha a tampa presa ao corpo por uma dobradiça soldada e uma espécie de proteção em torno do pavio. Ao acender discretamente, a chama, de um intenso azul, fez Sir Nicholas estremecer e recuar.

— Por favor, senhor. Me deixe explicar, eu só aproveitei para... — Implorou novamente como se aquele simples fogo do isqueiro fosse a concretização de seus pesadelos.

— Para vir aqui? Saíste de Sarajevo para vir até aqui só para visitar um museu? — Ironizou o homem teatralmente como se nunca tivesse ouvido tamanha sandice.

— Sabe como gosto de relembrar os anos de ouro. O novo acervo é riquíssimo. Já viste o quadro dela? — Tentou desviar o assunto.

— Naturalmente, eu sei que o acervo é valioso. Tenho uma relação intimista com o doador. — O “Senhor” respondeu de pronto. Sua paciência havia se esgotado. — Me entregue, sei que está contigo, Sir Nicholas.

Exigiu o homem uma vez mais ainda mantendo o isqueiro acesso. O ex-cavaleiro tirou uma pequena pedra preta do bolso, era circular e não tinha mais de oito centímetros. Um olhar mais atento revelaria algumas inscrições nela, rúnicas. Relutante, entregou para o outro, olhando como se aquilo fosse explodir ao tocar as mãos do novo dono.

— Ia entregar assim que o visse.

Completou rouco. O homem fez pouco caso e enfiou a pedra circular em seu bolso, guardou o isqueiro e tirou um cartão de visitas preto e impermeável. Nele lia-se em caligrafia elegante e em boa fonte o nome “Vlad Anghel”, em letras menores estava contido um endereço residencial.

— Me procure neste endereço, às 23h de hoje. — Ordenou. — Se não vier, sabe o preço.

Concluiu a ameaça e se afastou. Não acreditou em uma palavra do que Sr. Nicholas dissera, mas ainda precisava aturá-lo, ele ainda era útil. Mesmo que sua vontade fosse ascender uma pira com aquele peculiar isqueiro e jogar Sir Nicholas dentro, provavelmente o faria, mas não no momento.

No outro corredor Giselle ainda tentava assimilar aquilo. Ela parecia imersa em uma espécie de transe, não conseguia parar de olhar para o quadro.

A pintura mostrava uma mulher poucos anos mais velha do que ela, trajando um belo vestido branco de mangas longas e decote bem discreto, seus cabelos negros haviam sido trançados com um fio dourado, ela usava uma imponente coroa e segurava um pequeno cetro de ouro em formato de flor, era meiga e delicada, ainda assim, tinha a altives de uma rainha. De repente, Giselle sentiu-se zonza.

— Gih? — Mina chamou quando a amiga se apoiou na parede. Teve dificuldade de respirar, livrou-se do sobretudo como se isso fosse de alguma valia.

Não demorou mais do que dois segundos até ela desmaiar ali mesmo. O transe persistiu, ela parecia estar sonhando, viu todas as pessoas a sua volta sumirem e o corredor ficar totalmente branco. Tentou falar, mas nenhum som saia de sua boca. Se viu presa em um corredor mal iluminado, a visão foi se tornando mais nítida e ela pôde ver a mulher do quadro, naquele mesmo vestido branco, só que agora com a saia manchada de sangue. A mulher cobria o rosto com as mãos, estava sentada no chão e a poucos passos dela estavam dezenas de corpos decapitados, cujas cabeças havia sido jogadas no canto aposto.

A última coisa que Giselle conseguiu ver foi o sangue deles escorrer lentamente pelo assoalho impregnando o piso.

— Giselle! — Dylan gritou tentando reanimá-la.

Tanto ele, quanto Mina ficaram desesperados com aquele desmaio súbito. Não foram os únicos, as pessoas e até os seguranças do museu se aproximaram para prestar socorro. O tumulto se formou bem na hora que o homem que agora detinha a posse da pequena pedra preta passou. Teria ignorado e simplesmente ido embora se antes não tivesse visto quem havia desmaiado.

— O que houve com ela? — Perguntou em um inglês quase perfeito enquanto abria passagem para ver a moça mais de perto.

— Não sabemos, ela desmaiou do nada! — Mina falou desesperada enquanto ligava para a emergência.

— Me deem licença, sou médico. — Exigiu o homem totalmente fascinado pela aparência de Giselle, que coincidentemente, havia desmaiado a poucos passos do quadro da princesa.

         O tal médico verificou o pulso dela, Giselle mexeu a ponta dos dedos da mão direita, aos poucos foi conseguindo sair do transe. Bem devagar abriu os olhos. Por estar de óculos, ninguém viu o quanto os olhos do médico brilharam quando viu a moça acordar, parecia totalmente perplexo.

— Olhe para mim, senhorita. — Ele pediu retirando os óculos e se recompondo. Seus olhos, que minutos atrás traziam as írises totalmente negras, em questão de segundos se tornaram caramelos, a escuridão se fora de seu olhar, como acontece com as sombras expostas à luz. Ele pôs o dedo indicador na frente do rosto dela e o mexeu para lá e para cá, ela acompanhou os movimentos com o olhar. — Os sinais vitais estão bons.

         Disse sem conseguir esconder o sorriso satisfeito que se formara em seu rosto. A plateia que havia se formado aplaudiu em alívio e começou a se dispersar.

— Eu já estou bem, obrigada.

Respondeu Giselle tentando se levantar ao mesmo tempo em que tentava processar o que tinha acontecido consigo. Mina ligou novamente cancelando a ambulância.

— Não há o que agradecer.

Ele disse a ajudando a ficar de pé. Por alguns segundos os olhares dos dois voltaram a se encontrar e por alguma razão aquilo lhe pareceu familiar. Giselle foi embora, mas aquele par de olhos caramelos não lhe saia da cabeça, mal sabia ela que os veria novamente ou mesmo que consequências lhe trariam aquele encontro, que muito em breve iria se repetir.

...


Notas Finais


Primeiro encontro ;)


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