História Saint Seiya - Darkness Uprising - Capítulo 9


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Palavras 5.108
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Seinen, Shounen, Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Capítulo 9 - O Herói e o Caçador


Fanfic / Fanfiction Saint Seiya - Darkness Uprising - Capítulo 9 - O Herói e o Caçador

A noite caia sobre o Santuário. Nos vilarejos ao redor, as luzes começavam a se acender. Sob o olhar da estátua de Atena, os cavaleiros já se recolhiam ás suas cabanas, mas três crianças de mais ou menos seis ou sete anos, continuavam a treinar na arena. O gosto de sangue em suas bocas, os corpos feridos e sujos de suor, sentiam dos músculos doerem a cada movimento, mas não podiam parar. Continuavam a batalhar um contra o outro para aumentar suas habilidades de luta e de cosmo, sua resistência sendo testada até o limite. Das ruinas próximas, um homem observava tudo com olhos negros e gelados como ferro, profundos como o mais aterrorizante dos mares. Mesmo sem uma palavra de seu mestre, o cavaleiro de prata Andras de Cefeu, cada um dos três garotos sabia que estava sendo duramente julgado por cada uma de suas ações, cada um de seus movimentos.

De súbito, muito além do pôr do sol, um dos meninos não resistiu. Em frente aos outros dois companheiros de treino, seus joelhos falharam. Ele caiu, o rosto virado contra o chão de terra batida. O simples ato de respirar fazia seus pulmões arderem, sua visão estava embaçada e ele não conseguia se mover. Com um aperto em seu coração, ele ouviu o andar de seu mestre, o metal da armadura batendo contra si mesmo e as correntes se arrastando no chão. Ele se aproximou do garoto caído, e o mesmo pode sentir seu olhar. “Mas eu consigo lutar, eu consigo! Por favor...” “Por favor, não…”

Os outros tremeram ao ver o movimento da mão de Andras enquanto a ponta pontuda da corrente de Cefeu apontava para o pescoço do menino ao chão. Os barulhos das correntes só intensificavam o desespero do menino....

- Isso... – Sua voz pela garganta, seca... – É o que acontece com os fracos.

A corrente avançou... Mas bruscamente se deteu.

- Pare com isso Andras. – O cavaleiro de Cefeu olhou para o próprio braço, vendo uma mão segurando seu punho. Baron de Altar usava seu cosmo para forçar a corrente a parar.

- Baron... Quantas vezes eu te disse pra não se meter nos meus treinos...

- Eu sei que você também é professor dessa turma, Andras... Mas quer realmente que eu não interfira quando está prestes a matar uma criança?

- Do jeito que esse daí está, se não morrer agora, morrerá depois sem ser de servidão nenhuma para Atena. O exército dos cavaleiros não precisa de inúteis. - Andras falou. Baron somente permaneceu em silêncio por alguns instantes...

- Andras... – O cosmo do cavaleiro de Altar se elevou, e ele forçou para baixo o braço do outro. – Afaste as correntes.

Andras sentiu a imensidão do cosmo de Baron... Mas ali permaneceu...

- Afaste. -... Ali permaneceu até finalmente perceber que não haveria como vencer uma luta contra ele. Contrariado, o cavaleiro recolheu as correntes e puxou o braço longe dos dedos de Baron, estralando a língua e se virando, caminhando para longe enquanto gesticulava que o resto dos alunos estava liberado.

- Eu quero muito ver o dia em que toda essa honra vai te custar a vida, Baron.

- Ficarei feliz de te ver na plateia, Andras. Aldrich, poderia ajudar Raphael a se levantar e leva-lo pra Roselie, por favor?

- Sim, mestre Baron!

O menino ao chão ouviu passos correrem em sua direção e seu braço sendo passado por cima do ombro do desconhecido que o ajudava. Ele abriu seus olhos lentamente, tentando forçar a visão por dentre a grande dor de cabeça. Sua têmpora latejava quando sua visão se focou nos olhos do estranho, enquanto um choque pareceu o despertar levemente. Uma das íris do garoto era vermelha como sangue, e a outra era de um azul tão intenso que parecia o mar... Esse choque quase disfarçou a sensação estranha... Quem era aquele garoto?

- Quem... Quem é você?

- Ah, eu sou novo por aqui. – Ele falou mais alto do que deveria, com um tom de voz animado, quase despreocupado – Meu nome é Aldrich, e o seu?

- Ra... – Um desconcerto imenso tomou-o, ele não sabia que pelo tom quase inocente ou... Pela súbita demonstração de bondade. - Raphael.

                                  (Dias Atuais – Ilha de Creta – 23:00 da Noite)

Dois dias haviam se passado desde a batalha de Jamiel. No dia passado – graças a técnica de teleporte massivo de Hariyen. – haviam chegado a costa da Grécia e dali, partido de navio para a ilha de Creta, lar da segunda maior Oliveira de Atena. O dia havia se passado até que calmamente na grande desabitada ilha. Todos os ritos de cuidado com a árvore sagrada haviam se concluído – Uma cena impressionante, aonde Hariyen regara as raízes da Oliveira com o sangue de Atena, suas propriedades divinas sendo despertadas pelo cosmo dourado do cavaleiro, a energia da deusa se espalhando por toda a ilha e além assim que a primeira gota de seu sangue tocada a terra. –. Enquanto o interrogatório do celeste Seth de Estrela Metálica se prosseguia dentro do navio, o restante dos cavaleiros seguia as ordens de vigilância constante e o periódico reconhecimento do território da ilha. Nas palavras do próprio cavaleiro de Áries: “Eles nos encontraram em Jamiel, e podem nos encontrar aqui. Não cessem a vigília nem por um minuto!”
 
E agora, embrenhados na mata de Creta, dois jovens cavaleiros de prata estavam cumprindo essa ordem.... Embora um estivesse com mais dificuldade do que o outro.
 

- Cara, eu to começando a ficar com sono. – Aldrich dizia enquanto bocejava.

- Pois trate de ficar acordado, temos que terminar o nosso turno.

- Será que o senhor Hariyen vai saber se a gente sair um pouquinho mais cedo?

- Cavaleiros de prata devem obedecer cavaleiros de ouro, e nós recebemos ordens! Deixe de ser preguiçoso.

- Não é preguiça, é sono. São duas coisas diferen-AH! – Aldrich não conseguiu terminar por que tropeçou e quase caiu. – O que foi isso?

Os dois pararam para olhar. Perto ao pé de Aldrich, estava os restos de uma parede, agora apenas alguns tijolos, cimentados um ao outro e com restos de tinta, cobertos de musgo. O cavaleiro de Orion olhou confuso para aquele pedaço de construção, mas logo seus olhos foram guiados para outro mais à frente. E outro, e mais outro enquanto a mata se abria, dando lugar a uma campina. Ambos perceberam o ar se encher de uma forte maresia. Perto da escarpa da ilha, um grande penhasco que dava para o mar, estava uma vila... Ou o que restava dela.

Não havia ninguém na vila... Aparentemente. Mas havia espaço, sombras o suficiente para que qualquer um com um pouco de habilidade se escondesse. Raphael enrijeceu seu corpo, colocando seu escudo a frente do corpo e seus pés em posição de luta, se preparando para tudo... E foi pego de surpresa quando Aldrich simplesmente passou ao seu lado, com toda a calma da Grécia, indo em direção a vila.

- Aldrich, o que você pensa que está fazendo?

- Hm? – Ele parou e se virou. – Eu vou investigar.

- Assim, sem cuidado nenhum? Quer ser morto?

- Ah, cara, eu sei que você não vai deixar isso acontecer. – Disse ele com um sorriso. - Além do mais, ficamos vigiando essa ilha o dia inteiro e nada. O que pode acontecer? Agora vamos, deixa de ser fresco.

E foi. Raphael ficou parado, estupefato, depois suspirou irritadamente e foi atrás.

A destruída vila era constituída de quatro casas quase inteiras, cercadas de ruínas, antigas residências das quais só restava uma ou duas paredes em pé, tomadas por heras e vinhas. O rejunte destruído e os tijolos a mostra, destroços de madeira e cimento e pedaços de construções ao chão, espalhados por vários metros. Dava para ver, se se prestasse atenção, manchas de fogo rajando os restos.

Havia uma praça... Ou o que deveria ser uma praça. Raphael viu uma grande cratera negra, rajadas de cinzas enegrecidas e esmaecidas pelo tempo. Não havia nada, nenhuma grama crescia e não havia nada que provasse que já havia existido algo ali além da marca escura... A destruição começara dali...

- Parece ter havido um bombardeio... – Raphael disse, olhando aos arredores. – Há quanto tempo essas ruínas estão aqui?

- Eu vou olhar em uma das casas. – Aldrich, rapidamente vendo que não tinha nada realmente interessante para se ver nas pequenas ruas, entrou em uma das casas que estavam “intactas”. Não querendo deixar o colega à mercê da própria sorte, Raphael foi junto.

O interior da casa estava tão desgastado quanto seu exterior. O ar fluía livremente tanto quanto pelas janelas que já não estavam lá quanto pelo teto semidestruído. A luz da lua permitia que os cavaleiros vissem os moveis da casa. Moveis simples, cheios de poeira de muitos e muitos anos, a maresia, as plantas, fungos e o próprio tempo fizeram o trabalho de desgasta-los. As paredes internas estavam cobertas de bolor. Pequenos objetos foram derrubados pelo chão, e a porta entreaberta sugeria que quem quer que estivesse morando ali saíra ás pressas.

Raphael foi para a cozinha, observando a mesa ainda posta, com pratos, xicaras, pires e o que pareciam restos de comida e bebida. “Eles realmente saíram às pressas, e pela refeição, as bombas devem ter caído durante a noite, enquanto jantavam”. Na parede, ele notou um calendário manchado e quase ilegível, mesmo quando ele se esforçava.

- RAFA, VEM CÁ!

- Fala baixo, seu idiota! – Raphael quase caíra com o susto do grito repentino de Aldrich. Com passos pesados, o cavaleiro de Perseu foi para perto do cavaleiro de Órion, que saída de um dos quartos. Em uma das mãos, ele carregava um pequeno livro... Ou era um caderno?

- O que é isso?

- Achei caído perto de uma das camas. A capa tá horrível e a maioria das páginas estão grudadas umas nas outras, mas acho que dá pra ler.

Aldrich descuidadamente abriu o caderno, quase arrancando as primeiras páginas. Parecia ser um diário, escrito em uma letra infantil de alguém que começara a escrever a pouco.

- Olhe a data, é de antes da guerra. - A data da primeira entrada era de 30 de dezembro de 2036.

- Nossa, como é velho! – Aldrich falou, impressionado, mesmo com o livro só tendo 20 anos. Talvez estivesse surpreso com o fato de ter durado tanto em lugar como aquele. Raphael se forçou a lembrar da época de sua antiga vila, antes de ir ao Santuário, de ouvir os adultos a comentar, de ouvir as notícias no rádio sobre a Terceira Guerra. Mesmo com pouca idade, lembrava de pessoas chegando em navios aos montes nas praias, todos eles com aparências deploráveis. Lembrar daquele tempo fez a cabeça de Raphael doer...

Enquanto o colega estava perdido em pensamentos, Aldrich se focava mais no caderno. A criança escrevia coisas banais, pensamentos infantis sobre o dia a dia, a escola ou os pais... A última entrava datava de 12 de Julho de 2027. Ela escrevia sobre um dia na escola quando do nada o lápis saíra da ponta de um “L” e se arrastara até a metade da folha, como se a pequenina ainda segurasse o lápis quando fora puxada... Aquilo lembrava Aldrich de um garoto de olhos bicolores que fora arrastado para longe de sua família sem fazer nada... Ah droga, como ele odiava aquele garoto...

De repente, passos soaram pela sua principal...

- Por que o mestre Éter nos mandou para dar conta de um bando de vermes como eles? – falou uma voz esganiçada e rouca.

- Cale-se, Balaqe. Está falando desde que saímos do Palácio, estou cansado de ouvir suas baboseiras.

Aldrich já ia esticando a cabeça para fora da janela, mas Raphael – despertando bruscamente de seus devaneios – o puxou pela armadura para baixo, ajoelhando junto a ele, se encostando junto a parede para evitar serem vistos.

- Celestes? Mas aonde é que eles estavam, nós rondamos essa ilha o dia todo! – Aldrich falou, mas se calou rapidamente ao ver Raphael levar o dedo aos lábios, fazendo sinal de silêncio.

- Mas é a verdade, senhor! Daqui a alguns dias, todos eles serão nossos! Hehehe, não vão ter a mínima chance. Quero tanto ver a cara de surpresa daqueles humanos quando as ervas daninhas preciosas deles se corromperem todinham...

“Do que ele está falando?” Raphael pensou. Eles perceberam um riso quase inaudível antes do outro celeste tornar a falar.

- Paciência. Nossos alvos agora são apenas os cavaleiros de pratas e resgatar o imprestável do Seth.

- Mas e aquele cavaleiro de ouro?

-.... O mestre Éter quer cuidar dele por si mesmo.

Raphael tentou pensar em uma maneira de sair de perto daqueles celestes, voltar ao acampamento, avisar Haryen... Mas não teve tempo, suas mãos tiveram que segurar o colega que novamente tentava avançar.

- Aldrich, o que você pensa que está fazendo?

- Eu vou enfrentar aqueles caras!

- Não! O senhor Hariyen nos mandou evitar conflitos, nós devemos voltar ao acampamento agora mesmo!

- O que nós devemos fazer, Raphael, é não dar chance pra eles respirarem! Ataca-los de surpresa! – Enquanto Raphael se esforçava para mantes a voz baixa, Aldrich parecia não se importar muito...

- Pense no que está dizendo, seu idiota!

- Eu só to pensando em uma coisa, e é em derrota-los! Não podemos simplesmente ficar parados vendo uma chance dessa ir embora

Raphael se encheu de indignação, sua cabeça correndo ao redor de possibilidades em que uma quebra de regras como aquela poderia resultar. Ele se levantou abruptamente, se afastando de Aldrich.

- Pois faça o que quiser! Eu não sofrer por causa da sua inconsequen-

Um ruído de destruição encheu o ar quando um braço vestido em uma armadura azul escura atravessou a parede que supostamente deveria esconder o cavaleiro, a cabeça de Raphael sendo segura por uma mão que cobria todo o seu rosto, sua reação imediata foi se agarrar ao pulso do braço que o erguia do chão e o puxava de volta, quebrando o que restava da parede com uma força absurda.

- Eu estava pensando em atacar quando todos estivessem dormindo, mas parece que o banho de sangue vai começar mais cedo!

- RAPHAEL! – Aldrich gritou, correndo em direção ao amigo que estava pendurado pela mão do celeste com a voz grave de antes, quando se viu bloqueado pelo tal de Balaqe, um homem corcunda que o olhou nos olhos, os seus próprios se resumindo a um brilho avermelhado leve na penumbra de seu elmo. – ARGH! Saia do meu caminho, eu não tenho tempo pra você.

- Calma, calma, cavaleirinho! Por que tanta pressa? – Aldrich tentou atacar, mas seu punho foi segurado. Tentou usar a outra mão, mas essa também foi segurada, e agora estava em um embate de força física. “Droga, ele não empurra de volta, mas tem a resistência de uma rocha!”

Enquanto isso, Raphael sentia seu crânio ser comprimido, enquanto ele tentava se focar nos olhos daquele homem por dentre seus dedos e em uma maneira de escapar de sua mão. Suas pernas estavam livres...

- LAMPEJO DO HERÓI! – Desferiu um chute envolto em cosmo alaranjado no peito do homem... Não foi muito efetivo. Raphael deu outro, dessa vez usando o próprio peitoral da astro pra se apoiar e projetar outro golpe no queixo do outro. Ele bambeou, o bastante pra se irritar e arremessar Raphael longe. De alguma maneira, durante o trajeto, ele conseguiu ter controle sobre seu corpo e cair em pé, olhando diretamente para o inimigo. Percebeu que nesse momento o elmo da armadura já não estava em sua cabeça, mas sim ao chão. O homem levou a mão ao maxilar, seus olhos se direcionando ao menino.

- Presas para nós, senhor! O que faremos?

- ... Eu cuido desse. Leve o outro garoto para longe... E faça o que quiser.

- Certo!

Aldrich sentiu Balaque finalmente empurrar de volta...

- É, se eu não vou conseguir desviar de você... – O cavaleiro sorriu, seu espirito de luta a flor da pele. – Vou passar por cima de você com todo o prazer!

Balaque sorriu pelas sombras do elmo, e os dois levaram a luta para longe dali. Enquanto se afastavam, Raphael permaneceu com o olhar fixo no outro celeste. Um homem alto, musculoso, de cabelos curtos castanhos e olhos vermelhos. Havia um machucado em seu queixo, no exato local aonde o Lampejo do Herói do cavaleiro havia acertado.

“Meu Lampejo do Herói quase não teve efeito... Já que estou aqui, tenho que tomar cuidado...”

Ele teve tempo de formular o pensamento, o celeste avançou. Rápido, colidiu com tanta força que, se não fosse o escudo de Raphael, ele teria sido atropelado. Apoiando o braço direito no esquerdo, ele sentia todo o peso do celeste contra ele, empurrando seus pés contra a terra. Ele tentou desviar a pressão, redirecionando a força e jogando o adversário para o lado. Ele se reposicionou, os punhos erguidos em frente ao rosto, quando o celeste atacou de novo. Seu punho passou perto demais, acertando uma árvore. Quando Raphael pulou para trás, tentando ganhar terreno...

- Que cheiro de podridão é esse...? – Raphael viu o lugar que o punho do celeste. O tronco da árvore entrara em processo rápido de decomposição, se encolhendo e retorcendo, escurecendo até não ser capaz de sustentar a própria copa que logo começara a apodrecer também... Até cair. – Que poder é esse?!

- Meu nome é Thario de Ate, a daemon da ruína, e esse, cavaleiro... – Ele gesticulou para os restos. – É o seu destino.

“...Que Atena me ajude…”

                                                          * * *

- Hehehe! Vamos, pequeno cavaleiro, pegue-me, pegue-me!

Falar era fácil. Aldrich se encontrava limitado a se defender, encurralado, seus olhos se movendo tão rápido que as órbitas começavam a doer. Tudo isso por causa do inimigo. Balaque permanecia irritantemente movendo-se ao seu redor, sua risada aguda ecoando pela floresta densa para qual arrastaram a luta, a figura do celeste serpenteando por dentre as árvores. Mesmo quando Aldrich conseguia o ver, golpeá-lo, atravessa-lo com seu punho eletrico.... A imagem tremulava e sumia em instantes, como um fantasma desaparecendo na estática de uma tela.

- Uma ilusão?

- MIRAGEM DEMONÍACA!

Aldrich, antes mesmo que conseguisse se dar totalmente conta, foi alvo do que pareciam dezenas de Balaques. As ilusões o atravessavam, ele sentindo vários golpes por todo o corpo, foi jogado contra as árvores. Conseguiu se impedir de atingir o solo, mas ainda tinha dificuldade de se manter em pé. Não doía, ele se sentia pesado... De súbito, seu corpo foi tomado pelo sentimento de revolta e orgulho ferido quando viu a sombra de Balaque sobre si, seus olhos se curvando e rindo.

- Ainda está vivo, cavalerinho? É quase impressionante!

- Ora, seu covarde miserável! Acha mesmo que esses golpes vão me derrotar. – Aquele sentimento lhe deu forças, o impulsionou a avançar e golpear, mas não o acertou. Quando se endireitou e o percebeu, ele estava sentado em um galho na copa de uma árvore.

- Você me diverte, mas prefiro que me chame pelo meu nome, cavalerinho.

- Pare de tagarelar, não estou aqui pra ouvir baboseiras sem sentido, estou aqui para lutar!

- Olhe, como é mal educado! Parece que eu, Balaque de Dolos, o daemon do engano, terei que te ensinar algumas boas maneiras!

Aldrich o olhou por alguns instantes e, para a surpresa de Balaque, abriu um sorriso e começou a rir. Quando o celeste examinou seus olhos, eles brilhavam com orgulho e com um ar de brincadeira insolente e desafiadora.

- E eu, Aldrich de Órion, vou ter que te colocar no seu lugar, Balaque!

A frase foi recebida com um ataque imediato que ele mal teve tempo de desviar, e ainda o acertou na manopla, quebrando-a. Mas ele não se deixou intimidar, o sorriso permaneceu enquanto as miragens retornavam. Na mente do jovem cavaleiro, milhares de pensamentos ferviam junto com seus sentimentos. Seu instinto o dizia para atacar, mas como?

“Vamos lá, cara, presta atenção!” Ele mantinha a postura insolente, mas se censurava por dentro. Nem sabia qual era qual, e não se permitiria entrar naquele joguinho de novo, mas...

Quando o ataque veio, Aldrich conseguiu desviar e, por um milissegundo, viu uma brecha. Em seu campo de visão, via claramente a perna de Balaque. Foi imediatamente, sua canela se envolveu em raios luminosos e atingiu o alvo. Ouviu-se um estralo e logo depois um grito de dor. Balaque se afastou segurando a perna.

- Ora, seu moleque! – Sua voz estava enraivada e possuía um ar bem menos atrevido. Ele percebeu que agora, o celeste mal conseguia se mover direito.

- Parece que você não é tão poderoso assim sem uma das pernas, não é? Vamos, continue!

Balaque soltou um grunhido de dor, irritado, e as imagens retornaram. Os flashes eram da mesma velocidade, mas agora... Aldrich ouvia algo a mais. Passos, sons de passos, que se dessincronizavam com as imagens... É, eram só imagens. Imagens na escuridão da floresta.

- Você é meu, Balaque! Tome isso!

Seu punho direito se envolveu em raios que iluminaram o local. Em um instante, seu cosmo o impulsionou....

- RELAMPAGO VELOZ! – O impulsionou para a frente do caminho de Balaque. Seu punho lhe acertou o diafragma e o celeste foi lançado para as distâncias, seu corpo envolto em eletricidade, fritando-o com mais de 1.500 watts. Balaque caiu no chão com um estrondo.

- HA! – Aldrich soltou um riso alto. – Quem é o fraco agora, hein? Agora só tenho que voltar pra-

Ele sentiu pontadas, todas de uma vez, por todo o corpo. Pontos de sangue se espalhavam por debaixo da armadura... Nos pontos lugares onde Balaque o acertara.

- O que? Eu pensei que aqueles golpes eram fracos, por que estão doendo tanto, e por que só agora? Ah, não interessa, eu vou... – Ele até tentou dar um passo, mas seus joelhos cederam e ele se viu no chão, limitado a se recostar no solo. – É, não vou mais não...

                                                                      * * *

- AAH! – Raphael gritou quando seus olhos foram invadidos com a visão de uma mão armadurada a milímetros de sua pele, ele pulou para se esquivar, instintivamente, movido por adrenalina. Mas até quanto tempo poderia desviar? No instante em que seus pés tocaram o solo e antes que pudesse sequer responder a própria pergunta, seu torço foi chutado. A força do golpe o atirou longe, mesmo com a proteção do peitoral, mal estava conseguindo respirar quando se levantou.

- Fique no chão logo de uma vez. – Thario se aproximou, suas mãos abrindo e fechando lentamente, repetidamente, como se ansiassem tocar o cavaleiro. “Bom, pelo menos agora eu sei que ele só pode usar aquele poder nas mãos”. Raphael varreu o lugar com os olhos. Estavam na praça da vila, a destruição ao seu redor agora ainda maior. O toque ácido, destruidor de Thario havia destroçado a maioria das árvores, as paredes que ainda se preservaram em pé caíram em montes negros e apodrecidos. Raphael não conseguia chegar perto dele sem arriscar ser tocado, nenhum de seus golpes funcionava, Thario era rápido demais!

Raphael precisava encerrar aquela luta e era agora mesmo!

Estavam no meio na vila, perto das casas... “Ah, por Atena, é isso!”

Thario armou um golpe, mas viu o cavaleiro se levantar de supetão e correr para as ruinas das casas da vila. Subitamente, o jovem parecia mais decidido, seu cosmo o impelindo, e logo o havia perdido de vista. O celeste soltou um leve riso...

- Então, vamos brincar de esconde-esconde, cavaleiro... – Ele se pôs a simplesmente caminhar por dentre as casas, sua Astro tintilando enquanto seus passos soavam, compassados. O cosmo do cavaleiro havia subitamente sumido. – Você vai mesmo fugir, não é? Como um rato em frente a morte...

Nada... Silêncio. Apenas o vento. Thario permitiu-se passar os olhos escarlates pelas ruínas.

- Daqui a pouco tempo, nada disso existirá mais... Será apagado da existência assim como sua deusa, seu Santuário... Ouvir dizer que vocês acham que protegem a Terra, que piada...

“Meu senhor fará uma terra que não precisará ser protegida, e ele renascerá... Pelas suas mãos...”

- DESTRUIÇÃO MATERIAL! – Thario concentrou seu poder, um orbe negro em sua palma, lançando um raio negro na parede de uma das casas... Poeira subiu, enevoando o lugar, e ao baixar... Um círculo, de mais ou menos três metros de diâmetro, fumegante... De destruição. Não havia nada intacto em um raio de quase cem metros, apenas a forma do círculo... Não havia como nada, nada, sair daquilo intacto...

- Thario, uma das regras quando se quer perseguir alguém é.... – “Mas o que...” – Fique calado.

Thario, olhou para o local de onde a voz vinha... O teto da casa do outro lado da rua.

- VINGANÇA DA GÓRGONA! – Não teve tempo de reagir ao ver o flash da imagem do cavaleiro passar ao lado e atingir o solo com seu punho... O solo se deformou em... Cobras. Serpentes de rocha que cravaram suas presas em todo o corpo de Thario, que gritou alto de dor ao ser forçado ao chão. Ele tentou mover os braços... Mas não tinha mais o controle, as presas das serpentes haviam separado os ossos dos músculos e tendões.

- Seu miserável... Por que eu ainda estou vivo?                                                              

-  Por que eu errei na minha mira... – Raphael falou. – E por que eu tenho algumas perguntas... – Thario o fuzilou com os olhos enfurecidos. – Quero que isso acabe rápido, e prometo que não morrerá se falar, então me responda... Como assim o seu senhor renascerá pelas nossas mãos?  

O celeste permaneceu instantes em silêncio, depois... Pôs-se a rir. Uma risada alta, rouca, uma mescla de ira e.... Divertimento?

- Mesmo se souber, o que vai fazer? Tudo vai acontecer tão rápido que não vão ter tempo de reagir, será debaixo de seus narizes! – Thario sentiu o gosto de sangue na garganta e logo... – Se poupe de me salvar, eu não preciso da misericórdia de um cavaleiro... -... Logo ele sufocara. Em pouco, não era nada além de um corpo...

O coração do cavaleiro pareceu parar no instante em que a vida abandonara o celeste. Foram precisos longos segundos até que voltasse a bater normalmente, até que seus pensamentos se organizassem

- É isso... – Raphael sussurrou... Um instante depois, um grande flash de luz branca iluminou o ar da ilha, uma onda de cosmo se espalhando e logo depois enfraquecera. “Aldrich”

Raphael, sentindo o desespero já encher-lhe o corpo, correu o mais rápido que podia em direção ao cosmo do amigo. Parou em uma clareira para encontrar os restos do corpo do celeste Balaque... E Aldrich recostado em uma árvore, inconsciente.

- Aldrich! – Ele correu, se ajoelhando ao lado do outro, colocando uma das mãos em sua nuca. – Ah vamos lá, eu sei que reclamo de você as vezes, mas não... Vamos...

Aldrich permanecia em silêncio.

- Vamos lá, não me deixe sozinho... Aldrich.... ALDRICH!

- Ah, o que?! -  Aldrich acordou e tentou se erguer de supetão, agarrando o abdômen pela dor, mas conseguindo se manter sentado por pouco. – Ah, por Atena, acho que cochilei...

Aldrich se virou para o amigo para ver seus olhos ambares passarem de uma expressão de preocupação que os deixara marejados de lágrimas para um desconcerto e leve raiva em menos de um segundo.

- “Cochilou”? Ora seu... – Raphael deu um soco no ombro de Aldrich,

- Aí!

 – No me asustes, idiota! Argh, você está bem, pelo menos?

- Hehehe, si, non ti preoccupare. – Disse Aldrich, aceitando a mão ajudadora de Raphael, que levantara.

- Ótimo. Por que nós temos que voltar pro navio agora mesmo!

                                                                    * * *

                            (Tempos antes, no Navio dos Cavaleiros de Atena)

Um navio antigo, mas preservado, enfeitado ricamente com arabescos da antiga Grécia, um grande guerreiro aposentado feito para batalhas marítimas, agora a serviço da deusa das guerras... Era nisso que Seth havia acordado, mesmo sem ter consciência disso. Para ele, o local aonde despertara era apenas... Um quarto. Um recinto feito de madeira decadente, escuro, toda a maresia parecia ser convidada a entrar através de suas paredes, a única coisa para ser vista era a cadeira em que estava acorrentado e uma porta a sua frete. O celeste sentia a cabeça pesar e girar tanto quanto o balanço do navio.

- Ora, você acordou... – A porta foi aberta e uma voz calma soou. Os olhos vermelhos de Seth foram ofuscados por um brilho dourado, seguido pela visão de longos cabelos azuis celestes. – Achei que teria que te fazer despertar a força.

- Você... O que estou fazendo aqui?

- Ouça, eu realmente não queria estar aqui também. Há métodos mais civilizados de recolher informação mas, no momento, essa é a única.

O olho direito do cavaleiro de Aries se iluminou quando ele se aproximou lentamente do celeste, iluminando sua queimadura.

- Vá para o inferno, cavaleiro miserável! Acha mesmo que vou te dizer alguma coisa com essa sua técnica de intimidação fajuta?!

- Aquela sua técnica... A lâmina de sua astro, a “caelestibus”, ela conseguiu manipular aquelas armaduras em Jamiel por que consegue imitar e controlar a radiação emitida pelo Pó-de-Estrela do qual as armaduras é feito, não é?

- Ah... – Seth subitamente sentiu a boca seca, o coração pareceu travar... – Como você sabe?

- Quanto mais você mostra suas emoções, mais vulnerável fica... Celeste – Hariyen aproximou seu rosto ao do celeste, o encarando no fundo dos olhos e lentamente tocando seu rosto gélido. – Prometo que não te matarei... Se não resistir.

A mente de Seth girou, gritando em tons de branco e preto enquanto era revirada. Não soube quanto tempo havia se passado, não sabia o que sentia, ou se sequer sentia algo. Só via á íris alaranjada do cavaleiro se mover, como se estivesse procurando algo.

Então, subitamente, o cavaleiro se afastou, e Seth pôde sentir sensações novamente. Confusão, principalmente, era confusão que tomava sua mente antes de desmaiar.

- Esperto... – A voz de Hariyen era uma mescla de indignação e pacificidade. – Eles são espertos. Deixam as tropas separadas, contam apenas fragmentos do plano por que têm confiança na lealdade cega... O seu outro mestre, Éter, ele nunca nem o viu, só sabe que ele governa suas tropas de outro ponto...

“Tem algo faltando... Haverá algo nos próximos dias, algo importante, em Atenas, mas... Como?

- Mas e se ele...

- ARROMBA LOGO ESSA PORTA RAPHAEL!

As frases se seguiram da porta sendo aberta violentamente e um cavaleiro de prata entrando, quase caindo, seguido de outro tentando segura-lo.

- Oríon, Perseu, o que estão fazendo aqui?

- Senhor Hariyen, desculpe, desculpe mesmo, mas...

“Tem algo muito importante que tenho que falar para o senhor!”


Notas Finais


"No me asustes, idiota" traduzido do espanhol, é "Não me assuste, idiota!"
"Si, non ti preoccupare" traduzido do italiano, é "Sim, não se preocupe"
Ps: A escola está me tomando muito tempo, mas me esforçarei para tentar trazer capítulos em menos tempo!


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