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História Styles Effect - Capítulo 2


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Notas do Autor


→ Styles Effect ainda existe, embora esteja majoritariamente na memória do meu notebook e não publicada aqui, onde deveria 😗✌
→ ALERTA DE GATILHO! ⚠️⚠️ Neste capítulo faço algumas menções aos problemas psicológicos do Harry, tal como ansiedade e dependência química. Se você estiver passando por um momento difícil, por favor, não faça como o Harry! Ligue 188, CVV!

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Capítulo 2 - 02; Efeito obsessivo para enervantes conversas no elevador


Fanfic / Fanfiction Styles Effect - Capítulo 2 - 02; Efeito obsessivo para enervantes conversas no elevador

② Serenade,
Franz Schubert

 

— Zurique, Suíça

Nos primeiros raios solares da manhã seguinte, ele empenhou-se em pesquisar sobre a morena no Google na esperança de encontrar alguma pista sequer sobre Haru. Aparentemente “morena temperamental na Suíça” era uma péssima frase de busca na internet, contatou; as diversas páginas pornográficas que apareceram em seu ecrã sugeriam isso.

Frustrado, nada lhe restava fazer senão esperar...

Quando o pôr do sol chegou e sua cabeleira bagunçada já se fazia presente no pequeno estabelecimento comercial, ele pôde ouvir toda a agitação de seu coração que mais se assemelhava a um cantor de rock do que a um importante órgão do nosso corpo. Também foi capaz de escutá-lo partindo-se dentro de si quando a mulher não aparecera. Literalmente. O rapaz pôde escutar todos os caquinhos estatelando-se entre suas costelas, mergulhando no mais profundo vazio de si.

Por um momento sentiu-se miserável; abandonado. Eu sou tão desprezível assim? A conclusão precipitada de não ser bom o suficiente para a mulher preenchia sua psique, afinal, não havia nada que pudesse fazer para evitar que ela desistisse de sair da sua vida como todos os outros vindos antes dela. Mas logo a voz doce da mulher invadiu sua psique advertindo-o: “você não pode se martirizar por algo que está além dos seus limites”. E então, pela primeira vez em alguns anos, sorriu brilhantemente para a sua própria solidão, consolado pelo simples fato de que suas queridas memórias eram reais. Por isso, se ele morresse naquele mesmo instante, morreria feliz, pois havia... vivido.

Havia vivido todas aquelas lembranças com ela.

Animado, ele correu em direção ao teatro onde havia conhecido a mulher até os seus pulmões colapsarem. Se houvessem provas de que ela era real e não apenas mais um delírio de sua mente fértil, elas seriam encontradas no Schauspielhaus Zürich.

Naquele lúgubre dia, descobriu que Haru significava "primavera" em japonês (). Talvez a mulher gostasse da estação ou, provavelmente, do país, do idioma ou de ambos. Ou apenas aprazia-lhe a maneira como a palavra soava. Também descobrira que ela era uma pianista norte-americana fenomenal e também que se chamava Leona.

Leona Theron, uma verdadeira incógnita.

 

🎹 💐 📚

 

— 4 anos depois
Camberra, Austrália.

Quando vier a Primavera, se eu já estiver morto, as flores florirão da mesma maneira e as árvores não serão menos verdes que na primavera passada. A realidade não precisa de mim — ele recitara as palavras imortalizadas por Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. — Sinto uma alegria enorme ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse
.

Por isso, se morrer agora, morro contente porque tudo é real e tudo está certo — continuou melancólico.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é
”.

— Desculpe-me Mr. Styles, mas a pergunta era: qual foi sua principal inspiração para escrever um livro tão excepcional?

Os flashes dos jornalistas — e pseudo-jornalistas — disparavam incessantemente em sua direção, afinal, todos queriam ver o jovem bonitão confiante e bastante talentoso escritor de “Os olhos mortos de Grace”. Rumores sobre a adaptação cinematográfica do best-seller espalhavam-se pelas mídias sociais como água; alguns sites maliciosos até mesmo afirmavam que Leonardo DiCaprio havia implorado de joelhos ao autor para ser o protagonista de seu romance nas telonas.

Isso é um spoiler de seu novo projeto? — questionou outro engravatado, aguçando a mente de todos os entrevistadores presentes no enorme salão do hotel que sediava a coletiva de imprensa no continente oceânico. Contraditoriamente, ao invés de silenciarem-se para ouvir a resposta do escritor, fizeram ainda mais alvoroço. — Você está trabalhando em um novo projeto? Uma continuação, talvez?

Isso é Fernando Pessoa.

— Então ele foi a sua inspiração, Mr. Styles?

— Se ele fosse mais bonito, quem sabe — comentou despretensioso, levando alguns jornalistas a rir. Outros sequer piscaram os olhos, digitando fervorosamente a manchete sensacionalista que estampariam diversas revistas de fofocas do país durante uma semana inteira em seus computadores portáteis: escritor famoso de sucesso supostamente bissexual.  — Minha inspiração foi... a primavera.

— A estação? — questionou uma voz feminina em meio à multidão.

— Creio que podemos classificá-la assim também.

— Uma estação feliz foi sua inspiração para um drama tão triste?

Triste? Realista, eu diria. O amor é um mal terrivelmente necessário — argumentou mantendo sua postura confiante, sua marca assinada.

Styles encarava os presentes na coletiva de imprensa com excessivo tédio. As especulações e os questionamentos eram sempre os mesmos. Sentia-se sufocado. Atearia fogo no salão caso ouvisse sobre o quão bonito, jovem e ainda assim bem sucedido era novamente. Quando — finalmente! — a coletiva de “Os olhos mortos de Grace” terminou, foi impossível não agradecer aos céus por isso.

Inferno! Eu vou me demitir! Não estou brincando, Harry — a voz do amigo ecoou pelo salão agora vazio.

Austen Buttler, creditado apenas como Ten, sempre exercera o difícil papel de melhor amigo de Styles e, quando a fama o alcançara, tornara-se também o seu agente literário. Buttler era uma das únicas pessoas em quem o autor confiava. Ten defendia que merecia um prêmio gigantesco por aturá-lo durante toda a vida; um que pudesse ser avistado desde o sul americano até o extremo leste asiático.

— Você sempre diz isso e olha a onde está agora!

— Dessa vez é para valer! Não aguento mais atitudes infantis como esta. Eu não sou sua babá!

— Eu não preciso de uma babá — contestou o rapaz incrédulo. Era maior de idade, dono de si e também ganhava o próprio dinheiro honestamente, portanto, não precisava de uma babá, principalmente de Ten desempenhando essa função. Ele era péssimo. O pior de todos.

Porém, pensando melhor, Buttler sempre fora “o responsável” desde que se entendiam como seres humanos. Austen e Styles eram vizinhos desde o ensino fundamental, e, enquanto para Harry o amigo era aquele garoto com as melhores bolas de futebol da vizinhança, ele era o irmão mais novo e insuportável — e mesmo assim amado — de Ten.

Talvez ele realmente fosse sua babá, mas jamais admitiria isto. Jamais. Nem em um milhão de anos.

— Você é um troglodita imaturo que precisa de um responsável e eu sou, sem sombra de dúvidas, o seu responsável. Portanto, a sua babá.

— Não, você não é a minha babá. Não, eu não sou imaturo. E, só para constar, você seria uma péssima babá. Carrancuda e irritante? — afinou a voz o máximo que conseguiu, levando o moreno aos risos — Ainda pior!

— Você é carrancudo e irritante a maioria do tempo e eu não digo nada.

— Você recebe um salário muito, muito bom para isso.

— Não é sobre dinheiro, bro... É sobre você ter... quase morrido... literalmente morrido... diversas vezes.

— Poderia ser mais específico?

— Eu me demito!

Harry sabia muito bem sobre o que o amigo estava falando, embora lhe custasse muito admitir. Então Ten queria vê-lo chorando? Desejava sua infelicidade? Ficara mais simpático depois de ingerir alguns tranquilizantes e não havia mal algum em um pouco de simpatia.

— Eu preciso tomar um banho.

— Você precisa levar uma boa surra.

Nah... Arruinaria meu belo rosto — brincou, recebendo um tapa nas costas dado satisfatoriamente pelo amigo, dirigindo-se ao elevador.

Assim como Dom Quixote dispunha da ajuda de Sancho Pança, Harry Styles possuía um fiel escudeiro também; o novo coquetel do século XXI: Alprazolam, Diazepam, Lexotan, Lorax, Benzodiazepinas, Rivotril, Olcadil e outra variedade de medicamentos que comprava livremente, afinal, não existem muralhas quando se tem dinheiro o bastante para derrubá-las.

Harry não saberia responder quando seu vício na mistura infernal de analgésicos, antidepressivos e ansiolíticos da nova era havia começado. Gostava daquela sensação tranquilizadora de estar flutuando no meio do oceano e eles estavam ali para proporcioná-la, então por que não usá-los? Apenas lembrava-se dos berros de Ten pelas manhãs quando o encontrava jogando em algum canto qualquer de sua casa.

Contudo, recordava-se perfeitamente dela; sua doce primavera.

Aquela pequena criatura de madeixas bagunçadas pelo vento e com ótimos conselhos sobre a vida, mesmo não aparentando ter vivido o suficiente para desvendar os mistérios dela.

Aquela mesma pequena criatura que conversava animadamente com outrem pelo celular, ali, em sua frente, no luxuoso elevador.

Por um momento, mínimo sequer, Styles sentiu o próprio fôlego esvair-se por seu nariz e não retornar. Sentiu ambos os pulmões congelarem e depois queimarem como o inferno. Era ela, tinha certeza absoluta. Deveria então abraçá-la? Cumprimentar? “Oi! Eu sou aquele cara que queria morrer a alguns anos atrás na Suíça. Você se lembra?” ou então “ei, eu sou seu fã e até tenho uma tatuagem com a sua caligrafia! Na verdade, você mesma quem a escreveu”?

Havia treinado e imaginado por diversas madrugadas a fio como seria encontrar novamente a sua pianista, mas em nenhuma de suas suposições havia congelado daquele jeito. Céus! Austen ria de vergonha do amigo que agora encarava os próprios pés com notável devoção, enquanto suas bochechas ganhavam uma coloração rósea. Contava os segundos para que Harry começasse a soluçar ou a gaguejar.

Hm... Olá? — ela questionou, bloqueando o ecrã do celular e colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha, aquecendo o coração do rapaz ao notar a própria caligrafia no pulso da mulher. — Vocês não vão entrar?

— Ele tem alguns parafusos a menos e outros mal apertados. Por favor, ignore-o — respondeu Ten, recebendo uma carranca do amigo como resposta, adentrando o elevador.

Sabia seu nome e, após uma árdua pesquisa, também seu endereço. Havia decorado os mínimos detalhes do hotel onde Leona residia, afinal, havia passado noites inteiras parado na frente dele. Poderia tê-la encontrado novamente em algum momento nesses quatro anos, mas a sua primavera não era do tipo de estação que se encontra, mas sim que se conquista. Logo, contentou-se em observá-la florescer de longe. Apenas.

Vez ou outra prestigiava alguma de suas apresentações e deixava buquês exagerados em seu camarim anonimamente. Sempre que pensava em vê-la depois do recital era interrompido por uma crise de ansiedade que o obrigava a recuar.

Sua condição degradava-se nesses dias e sequer conseguia segurar um lápis para desabafar nas folhas imaculadas de seu caderno. Suas mãos tremiam freneticamente e seu coração batia desritmado. Não havia um segundo sequer onde não ousasse pensar que teria sido melhor para todos se tivesse findado sua existência naquele dia.

Ninguém estava rezando por sua alma. Se existe um deus ou algo em algum lugar, apenas deixe-me desistir, ele implorava em dias assim. E então ela aparecia em sua mente e a única reação que seu corpo conseguia expressar era sorrir.

Desde o princípio ela queria ser apenas uma boa memória, então não estragaria as lembranças de sua flor com sua maldita inconveniência.

— Ei, você é Harry Styles! — ela exclamou, dispersando os devaneios do rapaz e atraindo a atenção do curioso Buttler.

— Perguntas através de e-mail; não dou autógrafos e fotos apenas sem flash — disse de maneira automática, maldizendo-se mentalmente.

Dentre todos os cenários possíveis, ele optara por agir da pior maneira possível: com indiferença. Fingiria que havia sido um sonho para o bem de todos, já que Styles tinha consciência de que poderia ser bem obsessivo quando instigado e, quando se tratava de Leona Theron, ele encontrava-se ligado em apenas um modo: obsessão nociva.

Sim, Harry só fazia merda, Austen concluiu tal como eu e você, caro leitor.

— Seu livro é uma bosta.


Notas Finais


minhas conclusões:

1 — ten gosta mais do harry do que o styles gosta dele;
2 — o uso de pronomes possessivos quando ele se refere a leona;
3 — ele perseguiu ela;
4 — se ele gosta tanto dela, por que agiu como um babaca?

e vamos de barraco....


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