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História Suayeon Soulmates - Capítulo 54


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Capítulo 54 - Na Colina Pt. I


[ Shuhua ]

 

Lá estão elas, sentadas em um banco de pedra um pouco afastadas das pessoas, conversando entre si. Na verdade, estão apenas Miyeon, Soyeon e Soojin, nós não estamos vendo a Minnie.

Yuqi e eu ficamos um tempo vagando pela casa e pelo lado externo, à procura delas. Primeiramente encontramos uma cena bem tensa e triste. Vimos o final do desfecho de uma conversa entre a Handong com a Gahyeon, e pelo que pude entender, a mais velha entre elas pediu para que a outra não tentasse ter mais intimidade com ela pelo que fez no passado. Ter visto a Gahyeon desabar e chorar daquela maneira realmente mexeu comigo, pois eu a entendo de certa forma.

Siyeon e Minji notaram nossa presença e vieram conversar conosco, contentes por nos ver após um ano, e ficamos por alguns minutos matando a saudade, até que Yuqi perguntou se elas tinham visto nossas amigas. Quem nos deu a localização delas foi a Yoohyeon, que disse ter visto elas sentadas em um banco de pedra próximo ao lago.

E elas ainda estão ali, aproveitando a sombra de uma árvore enorme e a fresca brisa vinda da direção do lago.

— Vamos até lá? — Pergunto para Yuqi, que está perdida em pensamentos.

— Eu acho que sim. — Ela responde um pouco avoada, mas sorrindo para mim e mantendo nossos braços unidos.

Com passos sincronizados, nós seguimos em frente, nos aproximando de maneira lenta, e isso só está me deixando ainda mais nervosa com a possível reação delas. Vão ficar com raiva como a Handong ficou com a Gahyeon? Ou vão nos abraçar carinhosamente como Siyeon, Jiu e Yoohyeon fizeram? Apesar de tudo, eu espero que seja a segunda opção. Não vou saber lidar com uma rejeição delas, até mesmo de Soojin e Miyeon, aos quais eu sei que são as mais magoadas por eu ter entrado em contato bem pouco com elas.

Quando estamos no meio do caminho, Miyeon, que estava sentada em um ângulo mais favorecido em nossa direção, nos encara aturdida. Quando percebemos que ela nos notou, Yuqi e eu paramos de caminhar, ficando em expectativa. Eu quase não respirei enquanto via o rosto de confusão da Miyeon inicialmente, como se sua mente estivesse levando certo tempo para acreditar que realmente está nos vendo. Então passou para incredulidade, balançando a cabeça de um lado ao outro e no instante em que Soyeon perguntava o que estava acontecendo com ela, vejo-a se levantar às pressas e correr em nossa direção.

Ela quebra a distância entre nós rapidamente e nos envolve em um abraço tão apertado que eu sinto o meu peito sentir o alívio de que ela, ao menos a princípio, não está pensando em nos reprimir.

— Vai com calma Mimi, assim vai nos sufocar. — Brinco, vendo-a se afastar de nós e tocar nossos rostos, ainda em busca de uma aceitação de seu cérebro de que somos reais, de fato.

— Vocês... — Ela tenta dizer, mas se atrapalha nas palavras, se perdendo completamente e isso arranca uma risada leve de mim e da Yuqi também.

— Vai com calma Miyeon, assim você não passa vergonha. — Soyeon provoca, se aproximando com Soojin.

— Mas... é que elas estão aqui mesmo! — Miyeon exclama parecendo uma criança de oito anos que acabara de ver o papai noel.

— Eu sei. — Soyeon diz, sorrindo verdadeiramente para nós. — E esse acabou de se tornar o melhor dia de minha vida no último ano. Será que eu ganho um abraço também?

Ela abre os braços e espera por nós. Yuqi é a primeira a ir até ela e a envolver em um abraço saudoso. Elas giram no lugar e tem até Yuqi erguendo a mais baixa nos braços. Isso me arranca uma risada deliciosa. Está sendo melhor do que eu imaginei.

Então foco minha atenção em Soojin. Ela está afastada, mas nos observa com um sorriso tímido nos lábios, que cresce um pouco ao perceber que estou a encarando. Apesar de todos os problemas que nós tivemos antes de eu ir para casa e ter meu tempo espairecendo sobre tudo em minha vida, não posso negar que eu senti bastante falta dela também.

Precisei focar em Soyeon quando ela veio até mim me abraçar fortemente, e eu retribuo o gesto com carinho.

— Quando vocês chegaram? — Miyeon pergunta e eu estranho como ela agora está com um semblante mais fechado do que quando veio nos encontrar.

Será que a felicidade inicial de ter nos visto passou e agora a raiva por termos ficado tanto tempo longe e com pouca comunicação está mais forte?

Eu espero que ela ainda nos queira por perto. Apesar de nossa relação não ter sido das melhores nos últimos anos, eu a estimo e gosto bastante dela, e seria difícil ter de conviver sem tê-la mais comigo.

Soojin enfim se aproxima e timidamente me abraça. Eu a envolvo em meus braços e me sinto bem com isso. Pensei diversas vezes no último ano se ela e eu iríamos ter alguma boa aproximação depois dos problemas que enfrentamos. Esse abraço me diz que eu posso ter esperanças de voltar a estar bem com ela.

E eu desejo bastante isso.

— Nós chegamos hoje pela manhã. — Ouço Yuqi responder a pergunta de Soyeon, e isso faz Soojin se desvencilhar de meus braços e se afastar um pouco, sem jeito. — Só tivemos tempo de ficar um tempo em um hotel, almoçar, nos arrumar e vir até o casamento. Não queríamos perder essa cerimônia.

Ela falara exatamente palavra por palavra da mentira que nós bolamos juntas, pois falar para elas que já estamos na Coreia a uma semana iria gerar perguntas com as quais não queremos responder.

Tudo pelo bem da Bora unnie.

— Hotel? — Soyeon indaga frustrada. — Por que não ligaram para nós? iríamos pedir para que fossem imediatamente para o novo apartamento onde estamos morando. Receberíamos vocês com grande felicidade.

— Não sabíamos que a recepção seria calorosa unnie, depois do tempo que ficamos afastadas. — Respondo com sinceridade nesse ponto.

— Besteira. — Miyeon é quem diz. — Ficamos esse tempo inteiro esperando por vocês. Era mais do que óbvio que estávamos desejando que esse momento enfim acontecesse.

— Não estão chateadas conosco? — Pergunto.

— Eu estou é feliz por ter vocês aqui, e não gostaria de pedir mais nada. — Soojin diz.

Eu a encaro e ela volta a sorrir para mim. Estou com um sentimento muito bom de que ela e eu poderemos nos acertar e evitar um conflito estranho entre nós. Apesar de tudo que houve, dela me magoando e de eu desistindo de tudo sem nem sequer lutar para dar certo... os erros ficam no passado e nós temos que perdoar. Soojin merece e eu não vou ser uma ridícula e ficar menosprezando chances de nos reconciliarmos.

E eu também devo me desculpar muito seriamente com a Miyeon. Apesar de gostar bastante dela, eu acabava a machucando com minhas palavras, pois eu nunca pensei muito no que falava. E mesmo assim ela continuou do meu lado. Eu a deixava triste, sei que muitas das vezes quando ela chorava sozinha, era por minha causa, e eu não entendia muito bom o significado disso tudo naquela época. Esse último ano serviu para me fazer amadurecer bastante e enfim enxergar, retirar a viseira de cavalo que eu usava e via apenas à minha frente, que o mundo é vasto, e há outras coisas que é importante dá valor.

E uma dessas coisas, com certeza, é dar mais valor a Miyeon, pois ela cuidou de mim mesmo quando eu não merecia.

Eu me viro para Yuqi e iria falar algo com ela, mas eu simplesmente esqueço quando a vejo de olhos fixos em algum ponto às minhas costas. Logo dou meia volta e entendo o seu choque.

Minnie.

A unnie está ali, parada, a alguns metros de nós, nos encarando perplexa. Assim como as demais meninas, ela não estava esperando ver a Yuqi e eu aqui. Sem contar que ela e a Yuqi ficaram o ano inteiro sem conversar devido aos problemas internos entre elas, então eu sempre soube que de tudo que aconteceu, no fim, elas duas seria o mais complicado a se resolver. O que para mim é um golpe em cheio. Eu amava a amizade e interação que elas tinham. Na verdade, eu via que sempre houve mais do que poderia ser enxergado ali, e como eu faço parte da foreign line e estou sempre com elas, eu era a privilegiada em presenciar isso de perto. E ver elas duas se distanciando da maneira que foi mexeu até mesmo comigo.

Sinto alguém tocar meu ombro e percebo que se trata de Miyeon, que me olha com um sorriso fraco.

— Vamos deixar elas sozinhas para conversar, é necessário que isso aconteça. — Ela diz e eu concordo, acenando com a cabeça. — Eu...

Vejo que Miyeon queria dizer algo a mais, mas não parecia ter a coragem de continuar, então me viro para ela e esboço meu melhor sorriso, como um ponto a mais para encoraja-la.

— Vamos lá Mimi, pode dizer o que quiser para mim, sabe disso. — Falo, incentivando-a.

— Então, eu... — Ela respira fundo antes de continuar, um pouco nervosa. — Posso...

Mesmo assim ela não conseguia terminar, mas eu reparei que ela estava desviando seu olhar do seu braço ao meu. Me recordo que logo quando ela viu a Yuqi e eu nos aproximando, nós estávamos de braços entrelaçados.

Será que ela estava pedindo isso para mim?

— Você quer entrelaçar seu braço ao meu? — Pergunto sem problemas.

Dentre ela e eu, sempre fui a que mais tinha coragem de colocar o que sentia e queria para fora em forma de palavras. Também tem o fato de que eu quase nunca dava oportunidade para ela ficar mais próxima de mim.

Que estúpida você era, Shuhua, muito estúpida e limitada.

Tenho de começar a consertar meus defeitos do passado.

— Sim, é isso. — Miyeon responde, mantendo ainda a cabeça baixa.

Eu solto uma risada leve e seguro seu queixo, erguendo seu rosto e notando que ela me observa com expectativa.

— Que tal da próxima vez você não perguntar e ir logo agindo? — Brinco com ela, vendo-a arregalar os olhos com o impacto de minhas palavras.

— Você está falando sério?

— Claro que sim. — Digo e estico meu braço esquerdo para ela, que, ainda um pouco relutante, mas muito feliz, entrelaça com o seu.

Não posso deixar de notar o vermelho tomando forma em seu rosto e isso me deixa ainda mais feliz de estar ali ao lado delas, de estar novamente com minha nova família e de poder me sentir de volta onde eu sei que sou muito feliz, apesar dos contratempos, que sempre há, não importa quando.

— Espero que dê tudo certo. — Ouço Soyeon encorajar Yuqi, e essa sorri fraco para nossa líder, balançando a cabeça e aceitando as palavras da mais baixa.

— Vamos indo pessoal. — Soojin se pronuncia, ficando do meu outro lado e entrelaçando seu braço ao meu que está livre, pegando tanto a mim, quanto a Miyeon de surpresa.

— Eu posso também? — Ela pergunta, mesmo depois de já ter feito isso.

— Ah, sim, pode. — Respondo ainda me recompondo.

— Isso não é justo! — Miyeon reclama.

— O que não é justo? — Soojin e eu perguntamos ao mesmo tempo.

— Era para esse ser o meu momento único com a Shuhua e você está querendo roubar isso de mim. — Miyeon fala chateada.

— Bem, eu também quero ficar perto da Shuhua, faz um ano que não pude fazer isso, não pode reclamar de mim por isso. — Soojin tenta se defender.

— É claro que eu posso, porque eu... — Miyeon já ia contra argumentando, mas eu decidi ser mais rápida para evitar uma discussão entre elas por minha causa.

— Por favor meninas, não vamos brigar agora, eu posso ser das duas agora e depois cada uma pode passar um tempo a sós comigo, está bom assim?

As duas me encaram em silêncio e aceitam o que digo, me fazendo suspirar de alívio.

— Pode, só se você me prometer que vai tirar um tempo para mim hoje, gostaria de conversar a sós com você. — Miyeon diz, olhando para a frente, em algum ponto que não tem relevância agora.

Dou uma olhada para Soojin e ela dá de ombros, aceitando isso.

Se ela não tem problema com isso, ou seja, não vai continuar com o atrito entre elas, então está tudo perfeito.

— Tudo bem, sem problemas. — Digo e vejo Miyeon sorrir.

— Ok meninas, vocês podem disputar pela nossa maknae quando tiverem uma oportunidade melhor, mas agora vamos indo. — Soyon aparece, provocando Miyeon e Soojin e piscando para mim complacente.

Infelizmente, nada disso foi necessário.

Balançando a cabeça de um lado ao outro, Minnie apenas se afasta de nós, ou melhor... da Yuqi. Aturdida com a ação da unnie, viro-me para minha amiga e noto que ela está segurando ao máximo para não chorar com o que acabara de ver.

Estava pensando em ir até ela e conforta-la, só que ela não me deu tempo. Sem dizer nada, Yuqi também dá meia volta e caminha para alguma direção qualquer, sem dar chances para mim ou qualquer uma das garotas poder conforta-la.

Eu respiro pesarosa. Um de meus piores temores caiu sobre a Yuqi e não sobre mim, e isso também é o suficiente para me afetar.

O que há com essas duas? Por que continuam fugindo feito covardes e não se encaram de uma vez? As coisas só se resolvem quando confronta os problemas. Será que elas não sabem disso?

Droga, terei de pensar em uma forma de ajuda-las. Não quero vê-las afastadas por mais tempo.

Não quero mesmo.

 

[ Siyeon ]

 

Eu não tenho palavras para descrever o quão bela a cerimônia foi. E nem mesmo dá para expor em explicação tantas lágrimas derramadas nas últimas horas. Moon se manteve forte por muito, apesar de estar se segurando firmemente o quanto podia. Já a Sol... bem, ela chorou a cerimônia inteira e não teve alguém que pudesse ajuda-la nesse quesito. Mas sendo sincera, eu acho que foi melhor dessa maneira. Um pouco mais autêntico, na minha opinião.

Tudo veio a cair realmente – em que outras pessoas começarem a fazer parte do grupo em que não seguraram as lágrimas – foi quando Sol, com a ajuda da Minnie e de mim, cantamos uma música inédita, composta pela própria Sun, tão bela quanto o relacionamento delas. Eu mesma senti minhas bochechas ficarem molhadas no trecho final da canção e me forcei bastante para não perder a voz.

Todo o nervosismo que eu sentia sobre voltar a soltar minha voz, a cantar para um público após tanto tempo evaporou no momento em que pisei naquele palco e respirei fundo. Percebi que não havia motivos para estar nervosa, ou temerosa de que iria fazer feio. Cantar é minha paixão, faz parte de quem é a verdadeira Lee Siyeon, então no instante em que pronunciei a primeira letra, sílaba, verso de minhas linhas na música, eu me encontrei mais um pouco.

Desde que perdi Bora, minha alma tem se partido em vários pedaços aos quais eu cheguei a pensar que nunca mais se uniriam, mas aos poucos isso vai se mostrando possível. Minhas amigas têm me ajudado bastante e foram as primeiras a começarem me juntar. O trabalho também favoreceu; o sonho com meu amor há alguns dias foi o mais forte impacto que me fez erguer com tudo... e agora a música me traz uma energia revigorada que eu já sentia falta.

Com essa apresentação, em um momento tão especial quanto o casamento da Moon com a Sol, me deixou ansiosa para retornar meu trabalho musical e produzir músicas, compor, escrever, mostrar aos meus fãs que me esperam esse tempo todo pelo meu retorno, que estou melhor do que antes e agora posso voltar a fazer uma das coisas que mais gosto de fazer.

Cantar.

E após todo o chororô e os devidos parabéns dados às noivas, agora casadas, a festa e a bagunça enfim começou. E eu fiquei abismada com o número de bêbados em um único cômodo num intervalo de tempo muito curto. Essas loucas entraram com tudo no álcool sem pensar no amanhã. Eu mesma não quero ter de cuidar de alguém no final de tudo, principalmente ouvir reclamações de dor de cabeça devido a ressaca amanhã. Infelizmente até a Gahyeon está bebendo todas que pode para tentar esquecer do fato com a Handong que a deixou extremamente emotiva e cabisbaixa. Eu fiquei com ela o máximo de tempo que pude para que não se sentisse sozinha, e agora está afogando as mágoas na bebida.

Precisei escapar de uma Minji bebassa querendo me beijar, enquanto uma Yoohyeon esforçava ao máximo para evitar que isso acontecesse. A última cena que vi delas foi da Jiu mudando seu alvo para Yoo, e essa, um pouco encabulada, tentava argumentar com a mais velha, dizendo que ela poderia se arrepender depois quando tivesse consciência do que fez.

Eu gostaria de poder dizer a Yoohyeon deixar de ser besta e beijar lofo de uma vez. Da maneira como a Jiu está, eu duvido muito que ela vá lembrar de noventa por cento do que fará hoje. O que me deixa ainda mais preocupada com ela. Alguém precisa ficar de olho nessa maluca e evitar que ela vá fazer algo que passe dos limites, seja lá ele qual for.

Vou apenas pegar um tempo sozinha, respirar um ar puro e depois retorno para cuidar dessa unnie irresponsável.

Atravesso a porta de entrada da casa principal e sinto a brisa gelada da noite tocar minha pele. Com um arrepio que fez meu corpo inteiro estremecer, reparo que o tempo está propício para chuva forte.

Espirro, assustando a mim mesma com o ato, e sorrio comigo mesma. Caminho a passos lentos em direção ao lago, sentindo novamente aquela sensação de que esse lugar por completo me é muito familiar.

Como isso poderia ser possível, se eu nunca estive aqui? Ou será que já?

Tenho a sensação de estar com a Bora olhando esse lago e as estrelas no céu, e depois tivemos a ideia de ir até uma cabaninha que fica no alto de uma pequena serra aqui mesmo no terreno, quase do outro lado do lago. Local esse que eu me apaixonei e gostaria de ter para mim.

Só que... esses pensamentos e sentimentos não fazem muito sentido. É uma loucura que não consigo explicar. Uma mistura de sensações de que algo real, mas que pertence a uma outra vida.

Estou começando a aceitar que seja realmente isso.

Levo meu olhar exatamente para o alto do morro e não consigo ver a cabaninha daqui, pois está escuro para o lado de lá. Enquanto olho nessa direção, sinto algo em meu peito. Um desejo repentino e poderoso de que eu deveria ir até lá. Mas por que eu preciso tão rapidamente, me deixando necessitada de ir até aquela cabaninha? O que pode haver lá ao qual eu necessite ver? Ou ter?

Respirando fundo, viro-me na direção da casa principal e foco na música alta que rola lá dentro. Não estou com nenhuma vontade de retornar para a confusão que se instalara lá dentro, então pego meu celular, ligo a lanterna e sigo pela trilha ao lado da casa, rumo à serra... rumo à cabana.

 

[ SuA ]

 

Droga, eu não sei o que fazer. Preciso contatar Naeun e Lu sobre o que acabei de ver na câmera da Yuqi, mas elas não atendem minhas chamadas. O que elas estão fazendo? Curtindo demais a festa?

Olho pela tela do computador e noto que as duas estão se divertindo enquanto observam uma Minji completamente bêbada dando um show de carisma na festa. É, elas realmente estão entretidas e não vão perceber que estou desesperadamente precisando falar com elas.

Será que devo ir até lá?

Então, assusto-me ao ver alguém parado em pé próximo à porta de entrada. Mas tipo, não foi um “sustinho” qualquer, eu gritei e quase coloquei o coração pela boca, pois não esperava que alguém fosse aparecer tão repentinamente dessa maneira. Eu estava sozinha aqui e era para ninguém além da Gahyeon, Yuqi, Shuhua, Naeun e Lu saberem que estou aqui.

Só que quando me recupero do quase infarto e reparo melhor em quem está ali, eu respiro fundo e digo irritada:

— Dá para você parar de querer me matar de susto toda vez que vem me ver?

E a risada dele me deixa ainda mais transtornada e frustrada com ele.

— Desculpe, mas é divertido assustar os humanos. — Ele fala, vindo em minha direção e sentando em uma das poltronas.

Aproveito e sento no sofá, defronte ao notebook, com as mãos no peito esperando meu coração voltar da maratona que ele decidiu ir.

— Você me deixou até fraca com esse susto. — Ainda reclamo, soltando o ar pelo nariz ao ouvi-lo rir mais um pouco de mim. — Ah, continue zombando de mim, é divertido tirar onda com a cara da Bora aqui.

Ele leva um tempo para se recuperar e estranho como ficara sério de um segundo para o outro. Tipo, ele está sempre brincando, mas quando seu humor se esvai dessa maneira, há algo de errado que está acontecendo.

— O que houve? — Pergunto e ele continua calado. Então me levanto e sento no braço da poltrona onde ele está, tocando seu ombro e reparando que ele realmente está bem tenso. — Não me esconda o que te incomoda Rayner, eu te pedi isso, não pedi?

Conheci o Rayner duas semanas depois que forjei minha própria morte com o sacrifício da Bora do futuro. Eu ainda estava muito mal com tudo que aconteceu e por estar afastada de minha Siyeon e de minhas amigas, quando ele surgira tão de repente em meu quarto.

Claro, no começo eu gritei e taquei-lhe travesseiros e tudo que eu poderia jogar, acreditando ser um assassino, ladrão ou tarado que invadira meu quarto. Claro que nada disso adiantou e que ele nem sequer se incomodou com isso, apenas esperou me acalmar para falar que estava ali para me ajudar.

Eu tinha de entender em que ele poderia me ajudar, e quando me falou que sabia sobre o plano que eu estava participando com a Naeun e a Lu, e em como ele as conhece muito bem por tudo que me contou, me chamara a atenção. O problema é que ele não me contou muito sobre si mesmo. Apenas revelou não ser um ser humano comum, mas que também é exatamente um anjo, ou um demônio. Infelizmente sua identidade tinha de ser mantida em segredo, era essencial que isso acontecesse, e ainda assim perguntou se eu poderia aceitar sua ajuda mesmo sabendo isso.

Não sei dizer o porquê, mas eu senti que poderia confiar nele, e assim eu fiz, e não me arrependo. Tem estado comigo em meus momentos mais ruins e sido a energia e força que eu preciso. É estranho como ele sabe exatamente o que se passa comigo sem que eu diga uma palavra, coisa que até mesmo Naeun e Lu não conseguem distinguir com precisão, mesmo sendo seres superiores. Rayner, é o nome humano que ele usa, já demonstrou com pequenos gestos ser algo que vai além do que se pode imaginar.

Depois de meses com sua convivência, ao qual digamos ser rara, pois ele aparece de vez em quando, eu acabei me acostumando a tê-lo em minha vida. E Rayner está infiltrado em diversos polos, até onde sei. Além de ter vindo até mim, se aproximou da Handong e da Dami, e sei que está pensando em tentar estar próximo das meninas na DCC.

Seja lá no que ele está planejando agora, eu sei que ele nunca me dirá. Só conta o que aconteceu e no momento certo. Só basta a mim esperar.

— Independente do problema que teremos de enfrentar, nesse momento, você precisa passar por uma provação muito grande, minha querida. — Rayner diz, olhando para mim e sorrindo ladino.

Detesto quando ele sorri assim, sei que algo de estranho vai acontecer e que isso vai ser nada legal para mim, o que consequentemente será divertido para ele.

— Do que você está falando? — Pergunto temerosa.

— Apenas vá até a janela e olhe pela trilha que traz até essa cabana.

Encarando- desconfiada, me levanto e vou até a janela, me preparando para seja lá o que eu vá ver ali. E nada que fiz durante esses segundos adiantou, pois eu senti meu chão sumir – não literalmente, apenas uma expressão – e logo me escondo, mesmo sabendo que não há uma luz sequer aqui dentro acesa, a não ser a tela do notebook ligada e que seria difícil alguém lá fora me ver aqui na janela.

Mas ainda assim me escondi por precaução, pois a pessoa mais importante ao qual não deve me ver ainda está vindo para cá.

O meu amor, a pessoa mais importante para mim...

Lee Siyeon está vindo em direção a essa cabana...

E agora, o que eu faço?


Notas Finais


Info:

Capítulos 1, 2 e 3 estão revisados e modificados.


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