História Sunset - Capítulo 5


Escrita por:

Postado
Categorias Wanna One
Tags 2park, Park Jihoon, Park Woojin, Wanna One
Visualizações 33
Palavras 7.381
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


- Eu não revisei o capítulo anterior
- Tentei revisar esse porém são 3:30 da manhã tá sem condições, provavelmente tem erros então já to avisando que vou arrumar depois sz.
Antes de me matarem por demorar séculos pra postar eu tenho desculpas:
01- Eu estava com bloqueio de criatividade, quase exclui a historia por causa disso.
02- Depois que consegui voltar a escrever eu reescrevi esse capítulo 3 vezes, mudei um monte de coisa.
03- Além desse capítulo eu tenho mais 3 finais diferentes para essa fic, MAS eu escolhi essa porque tem mais interação e interação é o que vocês procuram, além de que nessa versão não morre ninguém rs.
04- Minhas aulas voltaram e eu to só o sono e se normal eu revisando/escrevendo o capítulo já sai um erros loucos imagina eu com sono.
05- Eu não tinha pago a internet, então ela tava uma coisinha ruim que não funcionava nem no meu celular, agora eu paguei rs.

Espero que gostem
eh isto
PASZ.

Capítulo 5 - Sunrise (parte 2) - Final.


“To me, you’re like the sunset

You’re just dazzling Scarlet

The only light that’s thrown upon me

(the light that’s embrace me).

Under the dim sunlight

We’re shining

Our own universe.

Hold my hands, come to me

And look me in the eyes,

Before the moonlight.

Look at me i’m only looking at you,

Before the Sunrise.”

 

Para mim, você é como o pôr do sol. Você é um deslumbrante escarlate. A única luz que é jogada sobre mim (a luz que me abraça). Sob a fraca luz do sol, estamos brilhando, em nosso próprio universo. Segure minhas mãos, venha para mim e me olhe nos olhos, antes do anoitecer. Olhe para mim, estou apenas olhando para você, antes do amanhecer.

...

Acho que poderia afirmar com toda certeza que aquela, além de ser a pior ideia, foi também uma, senão a pior, experiencia que eu já tive na vida.

Durante quase toda minha vida eu consegui passar longe de comer coisas apimentadas. Não sei ao certo qual era o meu problema. Eu simplesmente não aguentava o cheiro de comidas apimentadas, quanto mais come-las.

Eu tive um ataque enquanto tentava, com todas as minhas forças, comer aquele macarrão.

...

Eu acredito plenamente que o nome do que aconteceu comigo naquele dia seja “Karma”. Vocês conhecem? 

... 

Meu objetivo principal naquele dia era contar toda a verdade, mas eu também queria me divertir. Acabei por programar brincadeiras que achei que você iria perder, Woojin. Ah, como eu fui tolo pensando que você iria realmente perder no jogo que mais gosta. Era para você estar comendo miojo apimentado.

Não sei se minha reação era esperada, mas eu comecei a dar um ataque. Sim, um ataque. Basicamente eu me levantei e sai andando meio desorientado, passava a mão pelos cabelos, mastigava com a boca aberta para tentar amenizar a ardência. Não sei como explicar a horrível sensação. Só passando por isso para entender.

Nada do que fiz naquele momento ajudou e eu nem mesmo tinha terminado de comer. Você apenas ficou rindo e me observando. Eu confesso que parecia um pouco engraçado. Peguei minha garrafa de água e tomei toda a água, quase, de uma vez.

Me sentei no chão, ao seu lado, depois que consegui me acalmar. Eu ainda tinha que terminar de comer aquele macarrão. Provavelmente eu teria outro ataque. Talvez se eu tivesse mastigado menos e engolido mais rápido...

– Nem precisa terminar de comer isso aí. – Você tirou o pote da minha frente.

– Eu não terminei. A regra é clara. – Disse, me esticando em sua direção para pegar o pote que você ainda segurava.

– Não. – Você esticou o braço para trás, deixando o pote mais longe ainda. Avancei em sua direção, esticando meu braço para pegar.

Ficamos muito próximos. Meu rosto estava a centímetros do seu.

Meu coração disparou, quando percebi.

Desisti de tentar pegar o pote de miojo. Eu sei que você também percebeu.

Eu te encarei. Você me encarou.

Seus olhos são bonitos.

Seus lábios são bonitos.

– Qual o próximo jogo? – Você perguntou bem baixinho.

Encarei seus olhos e me afastei. Sentei de volta em meu lugar.

Minha respiração já estava meio descontrolada antes, por causa do macarrão apimentado e do ataque, depois daquela proximidade eu não sei nem como explicar meu estado.

Olhei para os lados procurando os jogos de cartas. Eu estava meio desnorteado. Tinha pouca noção do que estava acontecendo ao meu redor. Encontrei as caixinhas das cartas ao lado de minha mochila. Quando estiquei minhas mãos para pega-las, percebi que estava tremendo.

Mas que efeito é esse?

Minha mente só me dizia para tentar me acalmar.

Mesmo tremendo peguei as duas caixinhas de cartas. Eram jogos que a maioria das pessoas gostavam de jogar então, mesmo que você ainda não tivesse jogado comigo, pensei que poderia gostar e que ajudaria o tempo a passar.

– Aqui. – Coloquei as duas caixinhas na frente. – Escolha um. – Abri um dos salgadinhos que tínhamos comprado e comi, tentando ainda tirar o gosto ruim da boca.

Você parecia pensativo quanto ao que ia escolher.

– Esse. – Você pegou a caixinha do Uno e abriu, tirando as cartas de dentro.

Peguei a outra caixinha e coloquei do meu lado.

– Com quantas cartas vai querer jogar? – Você começou a embaralhar.

– Vamos jogar com doze cartas.

– Certo.

Depois de distribuir as cartas começamos a jogar. A primeira partida durou bons minutos, as que vieram depois foram bem rápidas. Mas o que eu tenho a dizer foi que eu ganhei a maioria delas, ou seja, sem miojo para mim.

Sua cara estava ótima quando percebeu que tinha perdido.

– Qual você vai escolher? – Disse, juntando as cartas e guardando de volta na caixa.

Já era quase dez horas quando terminamos de jogar.

Você observou atentamente cada potinho a sua frente e escolheu o primeiro da direta para a esquerda.

– Esse. Ele não vai ser ruim. – Você pegou o potinho e abriu, tirou o pacotinho prata de dentro e pegou a garrafa colocando a água no pote.

Depois de deixar o miojo de lado, você abriu o pacotinho.

– Que isso?

– Não sei...Parece tutti-frutti, sente só. – Eu senti o cheiro.

– Cereja e tutti-frutti tem cheiros diferentes.

– Isso aqui é tutti-frutti.

– É cereja.

Então entramos em uma discussão sobre qual era o cheiro e talvez o gosto daquele pó rosa.

Você pegou o pote e colocou o “tempero”. Esperamos praticamente em silêncio até o momento em que você poderia comer aquele macarrão. Depois de pronto você comeu.

– Então? – Você não parecia ter achado ruim, mas também não parecia ter achado bom.

– É pior do que parece. É de tutti-frutti, agora eu tenho certeza.

– Então você vai consegui terminar de comer, não é?

– Que? Eu te ajudei... Água! – Você pegou a outra garrafinha que estava em sua mochila, tomou metade da água que tinha ali. – Parece que eu estou comendo areia doce, tem tanto açúcar aqui dentro e ainda fica um gosto horrível na boca. Isso é feito de que?

– Não sei. Provavelmente de açúcar e corante em pó.

– Prova isso aqui, consegue ser pior do que seu macarrão com pimenta.

– Impossível. – Abri a boca esperando o macarrão.

Eu conseguia, plenamente, acreditar que nenhum dos outros sabores que vinham ali conseguiam ser pior que o de pimenta. É claro que esse pensamento foi antes de provar o miojo de tutti-frutti. Ninguém esperava que fosse tão ruim assim.

Enquanto eu mastigava aquele macarrão a única coisa que eu conseguia me lembrar era de quando era menor e brincava em alguns montinhos de areia que tinham do lado de fora da escola. Sempre acabava engolindo um pouco de areia, era uma regra que não tinha como ser quebrada, não importava se você abrisse a boca ou não, você sempre engoliria areia.

Como uma pessoa, em sã consciência, conseguia comer um macarrão como aquele? Posso afirmar que era macarrão com “suco de tutti-frutti”, muito açúcar e cheiro de cereja. Só mesmo para desafios aquilo servia.

– Não acredito que isso é ruim... – Comecei a falar, depois que engoli todo o macarrão que estava em minha boca. Só então descobri que ainda poderia ficar pior.

Segundos depois, tudo que consigo me lembrar foi um gosto muito forte e ruim. Não tem com explicar, era meio amargo, meio azedo. Aquele negócio era realmente horrível.

Cadê meu miojo apimentado?

 – Certo você não tem que comer essa coisa horrível.

...

Jogamos outro jogo de cartas que resultou com você perdendo, Woojin.

Infelizmente, ou felizmente, o miojo que pegou era normal. Com normal quero dizer que não era azedo, nem doce, nem apimentado. É woojin, você tem sorte.

– Finalmente chegamos no último jogo. – Você parecia bem animado, tenho certeza que não ficaria assim se soubesse do que se tratava.

– Está muito alegre não acha?

– Eu vou ganhar essa última, duvido que o próximo pote seja normal. Não posso perder.

Tirei de dentro de minha mochila um grande copo de plástico.

– Eu tenho aqui comigo um copo e algumas moedas. – Tirei as moedas do bolso e te mostrei.

Levantei pegando mais um pano para colocar no chão, a uns cinco metros de distância. Coloquei o copo em cima do pano.

– Eu quero todas as minhas moedas de volta, ok? – Falei te olhando e você riu.

– Eu ainda não entendi o que é para fazer.

– Você é lento. – Você fez uma careta e começou a rir. – O objetivo desse jogo é jogar as moedas dentro do copo. Ganha quem conseguir acertar mais moedas ali dentro e, como eu disse, quero elas de volta.

– Pensou em usar bolinhas para fazer isso?

– Não. – Como eu não tinha pensado nisso? – Você entendeu?

– Sim... 

– Não pode passar desse pano aqui. – Apontei para a ponta do que eu estava sentado em cima. – Assim vamos ter chances iguais, entendido?

– Você pergunta toda hora se eu entendi, como se eu fosse burro. – Revirou os olhos.

– Mas não foi você quem disse que não estava entendendo nada?

– Mas eu já entendi. – Foi engatinhando até o meu lado, pegou as moedas que estavam em minhas mãos e me encarou. – Eu vou ganhar esse jogo.

– Você já perdeu dois, o que te faz achar que vai ganhar esse?

– Simples. Olhe e aprenda. – Você jogou a primeira moeda e ela caiu dentro do copo. – Sempre me perguntei para que serve ter uma boa mira se eu não vou virar um policial, agora eu entendi.

Você não havia me contado que era bom de mira, eu nem mesmo havia pensado nessa possibilidade, porque sempre que jogávamos vídeo game você perdia. Pelo menos lá você não era bom. A certeza que seria um miojo ruim era grande.

Das 10 moedas que você havia pego para jogar, conseguiu acertar 8. Oito. Oito moedas acertadas. Oito. Eu teria que ser um ninja para conseguir te passar nessa.

Meu nome é Park Jihoon e eu sou ruim de mira, isso é tudo que precisam saber sobre mim.

Andei até o copo e peguei as moedas que estavam ali. Voltei até o meu lugar.

– Boa sorte. Você vai precisar. – Você começou a rir, parecia tranquilo e não tinha porque não estar, havia ganhado essa.

Joguei a primeira moeda e, como era de se esperar, eu errei. Nada novo, nenhuma surpresa ou coisa do tipo. Na minha segunda tentativa mirei, mas errei do mesmo jeito. Você começou a rir.

– Já pode até mesmo parar de jogar, nós dois sabemos que eu ganhei.

Apenas te encarei.

– Eu vou continuar.

Joguei a terceira moeda e acertei o copo. A quarta também acertei. Eu deveria estar sendo movido pela força do ódio desde o início.

Quando todas as moedas que estavam em minhas mãos foram jogadas você estava tão surpreso quanto eu, Woojin. Quem diria que eu iria acertar oito moedas naquele copo?

– Woojin, qual o nome do que acabou de acontecer mesmo? Acho que é “empate”. – Sorri virando em sua direção.

– Pensei que você fosse ruim de mira.

– E eu sou.

– E agora? Vamos jogar de novo?

– Não, em caso de empate vamos dividir isso aqui.

– O que? Só porque você sabe que não vai ganhar, não é?

– Woojin, você é mais esperto do que eu pensava. – Sorri, me aproximando do pote e abrindo.

Peguei o pacotinho do “tempero” e olhei, mais uma vez nada escrito. Coloquei a água dentro do pote e esperei. Você abriu o pacotinho olhando.

– Isso não é comestível, eu tenho certeza. – Você disse olhando a coloração.

– Como assim? – Me aproximei.

– Isso aqui é verde. – Colocou um pouco do pozinho na palma da mão. – Jihoon, espero que isso aqui seja de alface ou brócolis. Se for azedo você está morto.

Eu comecei a rir muito.

Não acredito que eu teria a sorte de conseguir pegar um dos miojos raros.

– Eu vou começar a pensar milhões de vezes antes de entrar em uma de suas ideias de novo.

Apenas tirei o pacotinho de sua mão e coloquei no pote. Misturei tudo o máximo que deu.

– Aqui, você começa. – Te entreguei o pote.

– Eu? Por que eu? – Você se afastou.

– Porque eu sou ruim de mira, então pensando bem eu ganhei. Nem deveria estar comendo isso aqui.

– Eu não vou comer isso aí primeiro. Você come.

Certo, eu não deveria ter aceitado essa condição, mas você iria comer. Eu poderia comer primeiro e simplesmente fingir que era normal, ou que não tinha gosto de nada. O único problema seria se realmente fosse o azedo, e esse azedo fosse uma coisa insuportável, como aquelas balinhas que vendiam na vendinha da esquina.

Coloquei o macarrão na boca e me arrependi na mesma hora.

Era o azedo.

Eu tenho certeza de que quase cuspi fora. Tinha um gosto de limão, porém conseguia ser mais azedo ainda, ou poderia ser apenas coisa da minha cabeça. Não acredito que a segunda opção seja possível.

Não tinha como não fazer uma careta e a única coisa que eu escutava era sua risada. Você estava rindo do que? Iria comer aquela coisa também.

– Sua vez. – Depois de conseguir engolir e quase ter a certeza que teria uma dor de barriga, a qualquer momento, entreguei o pote para você.

– Não mesmo, não vou passar por isso.

– Anda logo, Woojin. Você disse que iria comer também. – Estiquei minha mão com o pote em sua direção. – Não está curioso sobre o gosto? Acha que minha reação foi verdadeira?

– Eu tenho certeza que isso é tão azedo quanto você fez parecer. Você nunca foi um bom ator.

– Eu sou um bom ator sim e você sabe disso. – Por acaso, naquela escola caríssima que estudei durante o ensino médio existiam aulas de teatro, eu participei de todas.

– Me dá isso aqui. – Você pegou o pote de miojo. – No final das contas nem vai ser tão azedo assim.

Pobre Woojin.

No momento que você colocou o macarrão na boca eu já não conseguia parar de rir. Você fazia umas caretas estranhas e engraçadas. Seus olhos estavam fechados. Sim, aquilo era tão ruim quanto parecia.

– Eu vou acabar com você. – Você disse se levantando, ainda estava fazendo careta, o gosto não saia fácil da boca, eu percebi isso também.

Me levantei o mais rápido que pude e comecei a correr para longe de você. Não sei em que momento eu corri mais devagar ou você correu mais rápido, mas você me alcançou.

...

Existem algumas coisas que eu sempre me arrependo de contar para as pessoas, mesmo que essas pessoas sejam meus amigos. Por exemplo, contar para as pessoas que tenho medo de aranha as faz me mandar vídeos estranhos envolvendo isso, contar que tenho medo de palhaços faz as pessoas, sempre que veem um palhaço na rua, chamar ele para conversar comigo. No caso de Woojin, me arrependo de ter contado que sentia cócegas.

...

Pensei que ia simplesmente receber alguns tapas fracos vindos de você, mas a verdade era outra. Você me segurou e começou a fazer cócegas. Ah, se tem uma coisa que odeio essa coisa é sentir cócegas. Seus dedos iam em minhas costelas, barriga e no meu pescoço. Eu praticamente me joguei no chão para tentar te fazer parar, mas não deu certo, como era de se esperar, ou não. Acredito que me jogar no chão foi uma péssima ideia, em segundos você já estava em cima de mim. Eu não conseguia nem me mexer direito. As únicas coisas que conseguia fazer era rir e tentar tirar suas mãos de mim ou tentar te empurrar.

Ficamos um bom tempo assim, até que em um momento minhas mãos foram parar uma de cada lado da minha cabeça. Você estava muito próximo de mim. Você me encarava e eu também te encarava. Minha respiração estava totalmente descontrolada, não só por causa das risadas ou das cócegas, mas porque você estava perto. Não conseguia não encarar seus olhos ou seus lábios. Tentei mexer meu braço direito, porém sua mão continuava a segurar meu pulso contra a grama. Meu coração disparou e por alguns segundos eu realmente pensei que você fosse me beijar, eu tive a sensação de que você estava se aproximando aos poucos. Eu só poderia estar ficando louco. Você estava encarando meus lábios. Eu estava começando a entrar em pânico.

– A grama vai me dar alergia.

Eu disse o que?

– Ah, claro. – Você saiu de cima de mim, levantou e me estendeu a mão.

Eu fiquei ali parado. O que exatamente eu tinha acabado de fazer?

Estava tão em pânico que nem mesmo conseguia me mexer.

– Você está bem? – Você disse me encarando e a única coisa que eu fiz foi engolir em seco.

Você parecia estar meio sem jeito, Woojin. Parecia meio envergonhado pelo que tinha acabado de fazer. Eu não tenho certeza se o que tinha acontecido era realmente verdade ou tudo estava na minha cabeça. Você tinha se aproximado de mim? Se eu não tivesse falado nada, naquele momento, você teria me beijado? Ou você estava apenas me encarando e, por acaso, a proximidade foi tudo coisa da minha cabeça?

Eu só conseguia ficar ali te encarando.

– Se machucou?

No fundo da minha alma.

– Não. – Respondi baixo e tentei me levantar sozinho, sem sucesso.

Minhas pernas ainda estavam tremendo, minhas mãos estavam do mesmo jeito. Meu coração ainda errava as batidas, minha respiração ainda estava descontrolada e minha cabeça doía só de pensar no que eu havia feito.

A única coisa que conseguia pensar era “será que você estava se aproximando?”.

Sua mão segurou meu braço me ajudando a levantar. Engoli em seco com o contato, mas me levantei na mesma hora.

Voltamos para onde estávamos sentados. O pote do miojo de limão ainda estava ali. Eu peguei aquele pote e fechei com a tampa, não que fosse fazer muita diferença se virasse, tudo ia cair mesmo. Comecei a arrumar a bagunça.

Durante alguns minutos ficamos no completo silêncio. Eu arrumava as coisas calado, tentando não fazer contato visual com você, mas eu sabia que você me olhava. Você me ajudou a arrumar tudo. Tínhamos feito uma grande bagunça ali. Guardei os jogos e juntei todos os miojos em uma sacola grande. Depois que terminamos de arrumar, nos sentamos de novo.

Quase meia noite. A lua estava bem grande no céu, típica noite de lua cheia. Noite perfeita para virar um lobisomem e sumir, de tanta vergonha. A noite não estava tão fria quanto as outras durante a semana, porém não estava quente.

– E agora? O que vamos fazer? – Você disse, algum tempo depois.

– Não sei... – Não era que eu não sabia, eu até poderia ter umas ideias legais, mas meu estado não me deixava pensar muito em outras coisas que não fossem o que havia acontecido.

– Eu tenho uma ideia. – Você se levantou e andou até o carro.

Você abriu o porta-malas e mexeu durante um tempo, estava procurando alguma coisa. Segundos depois voltou com uma garrafa azul, meio estranha, nunca havia visto, ela parecia ser de vidro e tinha alguns desenhos em volta.

– Vamos brincar de uma coisa que vai nos ajudar a nos conhecer melhor.

– Hm?

– Sabe, eu sei muitas coisas sobre você, mas eu sei que você não sabe muitas coisas sobre mim... – Você se sentou no chão e colocou a garrafa entre nós dois. –  Vamos brincar de verdade ou desafio, você pode perguntar sobre qualquer coisa que quiser, sobre mim, minha família ou sei lá, hoje eu não vou esconder nada de você.

– E os desafios?

– Vamos girar essa garrafa, se o fundo dela parar em mim e a ponta em você, você escolhe se vai querer verdade ou desafio, se depois que você responder a gente girar e cair do mesmo jeito você é obrigado a ficar com a opção que não foi ainda.

– Que? – Eu realmente não tinha entendido.

– Não pode ser só verdade ou só desafio. Um de cada, certo?

– Certo...

– Eu sei que você tem muitas coisas para me perguntar.

– Está bem, mas se vamos fazer isso mesmo eu quero beber. – Disse, me levantando e indo em direção as sacolas que estavam com as bebidas. Elas já estavam quentes, mas não fazia diferença nenhuma para mim. – Vai querer a sua também?

– Sim. – Você respondeu me olhando.

Voltei para meu lugar, te entreguei a garrafa e então abri a minha. Apenas dei um gole, já tenho uma noção do quanto preciso beber para estar bêbado. Sou fraco para bebida desde sempre, por causa disso quase nunca bebo. Vejam bem, eu moro sozinho, como poderia voltar de ônibus para casa se eu estivesse trilouco? Só bebo quando estou em casa, sozinho e, ainda assim, é uma raridade.

Você girou a garrafa.

– Verdade ou desafio? – Te perguntei.

– Verdade. – Você disse e bebeu. Eu não tinha uma pergunta em mente. – Vamos, qualquer pergunta, eu sei que você quer saber milhões de coisas sobre mim.

– Por que você não conversa com sua família? – Perguntei rapidamente, você mesmo disse que não ia me esconder nada e que eu poderia perguntar qualquer coisa.

– Eu converso com eles, tenho que avisar que estou vivo e ainda tem os aniversários... – Ficou me encarando, mais uma vez você não estava me contando as coisas.

– Me responde direito.

– Eu te respondi direito.

– Você disse que não iria esconder nada de mim, mas aí eu te faço uma simples perguntinha e você tenta mudar o sentido dela.

– Você sabe que não é uma simples pergunta, seria uma simples pergunta se, por acaso, você perguntasse coisas como o por que de eu nunca dizer onde trabalho, coisas assim. Não pensei que você iria começar com esse tipo de pergunta. Eventualmente eu vou te respondendo coisas tão pessoais assim, agora não é bem o momento.

– Se eu soubesse que não era uma simples pergunta eu não teria perguntado. – Já estava vendo que aquele jogo não seria legal para nenhum dos lados.

Você girou a garrafa.

– Verdade ou desafio? – Você me perguntou.

– Verdade.

– Já pensou em pintar o seu cabelo?

– Meu cabelo já é pintado.

– Eu quis dizer de outras cores como azul ou verde...Talvez vermelho como os meus.

– Não, iguais aos seus não, credo.

– Está falando que ficou ruim?

– Essa já é uma segunda pergunta, você tem direito a apenas uma pergunta.

– Certo. – Você girou a garrafa e caiu em mim novamente. – Desafio, você não tem escolha.

– Pega leve por favor, agradecido.

– Eu te desafio a... – Você começou a fazer suspense ou então não tinha ideia de que tipo de desafio iria fazer. Eu te encarei e você estava olhando para o chão, parecia analisar a grama. – Me beijar.

– O que?

Eu escutei direito?

– Te desafio a me beijar.

– Como é que é? – Por acaso eu havia bebido tanto assim?

Certo, eu nunca mais tomo dessa bebida, pode ter certeza. Já fiquei muito bêbado ao ponto de conversar com a Tv, mas nunca ao ponto de ter alucinações, isso era realmente assustador.

– Eu disse que eu te desafio a me beijar.

– Você está louco? – Ou eu que estou louco por recusar essa oportunidade única.

Vamos aos fatos, eu não estava recusando por medo. Na verdade, eu estava sim recusando por medo, mas, também, não tinha certeza do que estava acontecendo. Você poderia estar apenas brincando comigo.

– Não.

– Eu não vou te beijar. Por que eu faria isso? – Fechei a cara, a brincadeira não era nem um pouco legal.

Menos 10 pontos para Woojin.

– Certo. – Você disse, parecia conformado com a situação o que me fez perceber que era realmente uma brincadeira.

Imagine se eu tivesse caído nessa. Eu iria me aproximar de você e... AH! Não quero nem imaginar na vergonha que eu iria ficar quando você dissesse que estava apenas brincando. Eu não saberia onde enfiar a minha cara e você, Woojin, com certeza ficaria mais sem graça ainda. 

– Então eu te desafio a dar algumas cambalhotas, sete ao todo, na grama, sem parar. – Você disse e abriu um sorriso lindo.

Não estou em condições.

– Tudo bem. Sete você disse? – Perguntei apenas para ter certeza.

Você confirmou. Eu me levantei e dei alguns passos chegando na grama. Olhei em sua direção e você ainda olhava para mim. Tudo certo, eu só tinha que dar sete cambalhotas na grama. Voltaria para casa todo cheio de terra, todo meu trabalho para tentar ficar limpo foi para nada.

Eu dei as sete cambalhotas. Eu juro que tentei ir em linha reta, mas acabei parando do outro lado. Fiquei meio tonto durante alguns minutos, foi engraçado, devo admitir.

...

Depois o jogo continuou normal. Você me respondeu todas as outras perguntas que fiz. Conversamos sobre seu colega de faculdade, Daniel. Conversamos sobre seu emprego, você até mesmo me contou coisas engraçadas que aconteceram com você ou com outras pessoas que trabalhavam lá. Me contou um pouco sobre sua família, mas não me contou o porque de não conversar mais com eles, eu nem me arriscaria em perguntar novamente. Teve perguntas estranhas como quem eu levaria para um ilha deserta e coisas do tipo.

Houve também muitos desafios cumpridos. Desafios de danças, de imitar animais, de fazer paradas de mão, tentar fazer “ponte” sem ferrar com as costas, falar 5 nomes de famosos que começassem com a mesma letra, cantar alguns pedaços de músicas, reproduzir algumas cenas de filmes famosos...

O jogo acabou com você sem blusa e eu com dor nas costas por não saber fazer uma “ponte” sem machucar a coluna. Quando olhamos no relógio já passavam das três horas da manhã. As garrafas de bebidas estavam vazias, eu havia acabado com a minha em tempo recorde, então naquele momento eu já não estava mais tão ruim quanto antes. Não havia mais salgadinhos.

O jogo foi bem mais legal do que achei que seria.

– Estou com sono. – Disse fechando meus olhos.

– Pode acordar. – Você me balançou e eu abri os olhos. – Nada de dormir, você vai ficar acordado para ver o sol nascer. Faltam poucas horas, você consegue.

– Mas não temos mais o que fazer. – Disse me deitando no chão.

Todas as minhas ideias haviam se esgotado. Eu estava com dor nas costas, com sono, com dor de cabeça, meio confuso não só por causa da bebida e assustado por pensar que já estava quase amanhecendo e a única coisa que eu ia, realmente, fazer, ainda não havia feito.

– Eu sei algumas histórias legais. – Você se virou em minha direção, desdobrou sua blusa e a vestiu. – Talvez você queira ouvi-las.

– Tenho certeza que não quero. – Poderia dormir em pé, ali mesmo, se você me contasse qualquer história.

– Ah, vamos. Vai me dizer que tem medo de historinhas de fantasmas.

No meio do nada, três e meia da manhã, com uma lanterna a menos funcionando, tudo bem mais escuro do que deveria estar e você pensou em contar histórias de terror?

...

Lembram do que eu disse? Que nada tirava meu sono? Nem filmes de terror e nem o escuro? Eu estava mentindo. Eu tenho medo de histórias de fantasmas sim. Filmes de terror me tiram o sono por completo, evito até mesmo pensar neles durante a tarde ou noite. Se for três horas da manhã eu nem mesmo levanto da cama. O escuro não tira meu sono, mas se eu ficar acordado por muito tempo em um lugar escuro minhas paranoias começam a ficar forte e aí sim o medo vem tirando o sono ou piorando a falta dele.

...

– Nunca tive medo disso, eu já te falei. – Disse me levantando, tentando mudar minha expressão.

Mais uma vez eu estava mentindo para você. Eu deveria ter feito uma listinha com tudo que afirmei ser verdade e não era e depois te pedir desculpas por “ocultar a verdade”, talvez essa não seja a frase mais adequada a situação, mas a palavra “mentira” era bem mais forte, minha consciência pesava ainda mais quando pensava nela.

Com certeza eu ficaria acordado até o outro dia ou não dormiria direito por algumas semanas.

– Certo, então eu vou começar a contar história que meu amigo me contou, ele gostava de me passar medo. – Você pegou as duas lanternas que estavam do seu lado, uma você apagou e a outra ficou segurando.

– Por que está desligando? – Eu já estava tremendo e você nem havia contado nada.

– Para deixar mais assustador. Você não se assusta fácil e ainda disse que não tem medo do escuro, então por que eu deixaria as lanternas ligadas?

– Talvez para enxergar?

– Os fantasmas?

– Claro que não. – Eu me sentei de frente para você. – Fantasmas não existem. Mas pensa comigo, estamos sozinhos no meio do nada, o que pode dar errado?

– Se alguma coisa tivesse que dar errado, já teria dado. – Você apontou para as lanternas. – Pega uma e apaga o resto.

Assim que eu me virei você falou alguma coisa que eu não consegui entender, acredito que não era para escutar, resolvi não perguntar. Apaguei as lanternas e segurei uma, essa única que estava ligada... Eu a segurava como se minha vida dependesse dela. Sentei em meu lugar novamente.

– Então eu vou começar com essa história que meu amigo me contou... – O vento começou a soprar frio e você apontou a lanterna para alguma coisa atrás de mim.

– O que? O que é? – Me virei rápido, eu já estava com muito medo.

Não tinha nada. Você riu.

– Você disse que não se assustava fácil. – Falou rindo.

– Não me assusto com histórias de fantasmas. Achei que tinha uma pessoa atrás.

– Então eu acho melhor você chegar mais perto... – Você sorriu.

A frase e o sorriso não me ajudaram nem um pouco.

Me aproximei um pouco, ainda segurando a lanterna.

– Conta logo essa história.

– Eu tinha um amigo no ensino médio, ele sempre se mudava de cidade, mas quando entrou no segundo ano sua mãe decidiu que deveriam ficar em apenas uma cidade até a formatura. Eu lembro que ele tinha histórias bem legais, já havia morado até mesmo no Japão. Ele me contou uma vez que a mãe dele estava procurando uma casa em uma cidade vizinha a que eles moravam, ele a acompanhou para ver a casa. – Você parecia se aproximar de mim. – A casa era grande, espaçosa, diferente das que eles já tinham morado. Esse meu amigo ficou louco pela casa, havia amado. Sua mãe alugou ela no mesmo dia e um mês depois eles já estavam morando lá. Nos primeiros dias estava tudo bem, a casa era ótima, não tinha um problema sequer. Poderia ser a casa dos sonhos...

A história seria pequena e eu tinha certeza disso, mas eu já estava com medo, ainda mais pelo fato de morar sozinho, mesmo que a casa fosse pequena. Eu passaria alguns dias na casa dos meus pais, quem sabe...

– O pai dele trabalhava de segunda a sexta, ele não voltava para casa. Sua mãe sempre chegava tarde pois ela trabalhava como escritora e ainda tinha um ateliê de arte, onde além de pintar seus quadros mais famosos, ainda dava aulas. Basicamente, nesse dia ele tinha chegado em casa mais cedo, as aulas tinham acabado mais cedo, e não como de costume as sete da noite. Sua mãe estaria em casa só depois das dez horas e seu pai só chegaria no sábado. Ele nunca teve problemas em ficar sozinho em casa, tinha seus jogos e mangás e ainda tinha que estudar, ele estaria bem ocupado.

Você começou a falar em tom mais baixo, parecia que a qualquer momento começaria a sussurrar e eu teria que me aproximar mais para conseguir entender a história e foi exatamente isso que aconteceu.

– Mais tarde, mas não muito tarde, começou uma chuva fraca, só que não demorou a ficar forte. Ele não tinha problemas com chuvas, nem medo de raios ou trovões. – Você apagou sua lanterna. –  Ficou com fome e decidiu ir até a cozinha para comer alguma coisa, sua mãe estava para chegar, ele ia a esperar para jantar. Quando saiu de seu quarto e foi andando até o corredor. PAA.

Você deu um grito e ligou a lanterna que estava um pouco abaixo de seu queixo, ela iluminou sua cara que ficou um pouco assustadora daquela forma. Eu me assustei, dei um pulo me afastando de você.

– As luzes apagaram e ele estava sozinho dentro de uma enorme casa sem energia elétrica. Ele pegou o celular, para clarear o caminho. Eu havia dito que a mãe dele pintava quadros, e sua casa sempre tinha pelo menos um quadro em cada parede. Um em especial de uma menina com vestido branco. Era especial porque a mãe dele havia sonhado com aquela menina, pelo menos, umas três vezes. Ela achava que era um sonho. Ele não dava muita bola para aquele quadro, mas ele disse que tinha um pouco de medo, sempre que passava em frente a ele durante a noite, sentia um arrepio.

Quem estava sentindo arrepios era eu, naquele momento. Eu já sabia até o que iria acontecer. Nem com sono eu estava mais, você nem precisava terminar a história, mas eu não ia dizer que estava com medo, mesmo que estivesse na cara.

– Ele passou pelo quadro, quando estava chegando na cozinha, do corredor ele conseguiu ver uma menina, apoiada na geladeira. Ela tinha um vestido branco, os cabelos bagunçados que pareciam sujos. Ela esticou a mão na direção dele e começou a andar. Ele não conseguia se mexer e ela estava cada vez mais próxima. Quando ela estava a ponto de tocar nele... – Eu tinha me aproximado de novo, porque tinha que falar tão baixo? – AH! – Você gritou novamente e eu coloquei a mão no peito depois do susto. – A porta foi aberta e a luz se ascendeu rapidamente. Sua mãe havia chegado. A menina não estava mais em sua frente.

Você, simplesmente, parou de contar a história.

– E aí? O que aconteceu? – Perguntei realmente curioso sobre o caso.

– Ele contou para a mãe, sobre a menina de vestido branco. Ele a descreveu, igual estava no quadro, no começo ela achou que era uma brincadeira e que ele estava vendo coisas ou inventando, mas depois ela mesma presenciou.

– Eles mudaram de casa ou ficaram lá?

– Eles mudaram de casa. Meu amigo nem mesmo voltou a dormir naquela casa depois daquele dia. Ele foi para um hotel e depois eles mudaram não só de casa, mas de cidade.

– Meu Deus. – Te encarei enquanto ainda apertava a lanterna entre as mãos. – Você ainda fala com ele? Eles conversam sobre isso?

– Quando conheci a mãe dele, perguntei sobre a história. Ela me contou a mesma coisa... que tinha chegado em casa e as luzes estavam todas apagadas e tudo mais. Mas, a história dela é um pouco diferente.

– A história de quando ela encontrou com a menina fora do sonho?

– Sim. O que aconteceu no caso dela foi que...

Passamos muito tempo conversando sobre aquela história de fantasma. Eu não conseguia acreditar que fantasmas existiam, mas isso não me impedia de ter medo deles, certo? Eu espero que sim. Tirando Ong Seongwoo, meu gerente, eu não conseguia imaginar como seria um fantasma. Talvez eles fossem assustadores ou talvez fossem amigáveis ou só queriam ajuda. Talvez aquela menina só quisesse ajuda.

...

As horas foram passando mais rápido do que eu esperava. A noite tinha sido bem mais legal do que eu havia planejado. Na verdade, se tudo tivesse ficado por minha conta, depois dos jogos de cartas, estaríamos apenas observando o nada em silêncio ou eu estaria dormindo. Teria sido um tédio se você não tivesse compartilhado suas ideias.

Aquele dia tinha sido bem estranho. Marcado por pequenas brigas e outras coisas que, é claro, não sairiam do meu pensamento por semanas. Você tinha se aproximado, Woojin? Eu jamais perguntaria isso, morrerei com essa dúvida.

Finalmente o momento tão esperado havia chegado. A noite estava virando dia. O sol estava nascendo.

– Olha só. Já está ficando claro. Você vai gostar do que vai ver, pode confiar em mim. – Você disse, saiu do seu lugar e se sentou ao meu lado, bem perto de mim.

– Espero que sim.

– Observe bem, quero saber qual você vai preferir, o pôr do sol ou o nascer do sol.

– Eu já tenho minha resposta. – Te encarei.

Na verdade, apenas ficar ali te encarando era mais interessante do que ficar olhando para o céu.

– Como pode ter sua resposta quando só viu um deles? Isso é errado.

E então nós observamos.

Conversamos bastante também. Não dá para acreditar que tínhamos tantos assuntos assim, mas, às vezes, voltávamos em um assunto que não havíamos acabado de conversar ou outros assuntos que lembravam outros acontecimentos.

Ah, como esse tipo de amizade poderia ser tão boa? E eu estava a meio caminho de estragar tudo.

Os assuntos eram intermináveis. Percebi que se estivesse ao seu lado eu nunca sentiria tédio. Você sempre tinha alguma coisa engraçada para fazer ou contar. Uma verdadeira caixinha de surpresas.

Você me olhava toda hora, enquanto sorria ou gargalhava, para ter a certeza de que eu encarava o céu. E, porque você me pediu, eu estava encarando o céu. Mas, se eu tivesse uma escolha preferiria ficar olhando seu sorriso.

Algum tempo passou e o sol já estava aparecendo por completo no céu. Dava para ver, perfeitamente, as montanhas a nossa frente, os pássaros cantavam, uma hora ou outra uma borboleta voava ali por perto.

Eu já tinha feito minha escolha.

– E então? – Antes você estava de olhos fechados, com a cabeça meio jogada para trás, recebendo um pouco do sol fraco da manhã.

Era uma linda visão e eu não estou falando das montanhas.

– Eu já fiz minha escolha.

– E depois de ver o nascer do sol pela primeira vez, o que você acha? – Você colocou a mão perto de sua boca, como se houvesse um microfone ali, logo depois sua mão parou em frente minha cara.

– Bom... – Eu abaixei um pouco sua mão, para que ficasse em uma altura que realmente parecesse que havia algo ali. – Depois de presenciar esse acontecimento inédito pela primeira vez, eu achei o nascer do sol uma coisa linda, realmente incrível. – Fiz uma cara de tédio.

Eu ainda segurava sua mão em frente ao meu rosto, sem perceber. Você puxou a mão de volta para a frente do seu.

– Interessante, muito interessante. E agora, depois de horas acordado, você teve apenas um curto espaço de tempo para pensar, porém, eu acho que é mais que o suficiente para decidir se você gosta mais do pôr do sol ou amanhecer. Quero que me diga a verdade. Qual dos dois você prefere e o porquê. – Sua mão voltou para frente da minha cara, próxima do me queixo.

– Que rufem os tambores. – Disse, batendo minhas mãos em minhas pernas para tentar fazer algum barulho. – Eu prefiro o pôr do sol.

– Inacreditável. – Você riu e balançou a cabeça em negação.

Sua mão, que antes você fingia ter um microfone, foi abaixada. Você se apoiou nela para ficar mais perto de mim.

– Pode começar a se explicar. Como pode não ter amado o amanhecer?

Você estava muito próximo. Apenas tentei ficar calmo.

– Eu não amei o amanhecer porque já amo o pôr do sol, e como não amar o pôr do sol quando ele me faz lembrar de você. – Olhei para frente, agora sim não existia mais volta. – Você me lembra o pôr do sol e vice-versa. Seu jeito combina com ele. Você é, simplesmente, o sol. O sol alguns momentos antes da noite chegar. Você está sempre alegre, contando piadas, rindo e fazendo outras pessoas se sentirem bem, mas também é misterioso, guarda muitos segredos e isso é na maioria do tempo... É como se em alguns momentos o sol que está em você decidisse se esconder e eu não estou falando daquele sol que fica escondido por causa das nuvens... Você é mais noite do que dia, devo admitir. Até suas roupas e seu cabelo combinam com isso. – Eu falava um pouco rápido demais, não sabia se você entenderia alguma coisa ali, nem eu mesmo estava me entendendo, não havia pensado em nada do que tinha saído, tudo que eu disse parecia sem nexo. Eu estava tentando criar a todo custo uma comparação entre você o pôr do sol, Woojin. Eu estava tão nervoso que não sabia se você me entenderia, as palavras, simplesmente, saíram. Eu não conseguia montar uma frase que fizesse sentido. Me virei em sua direção. – E, também, a primeira vez que te vi na cafeteria, foi em uma tarde, nessa tarde houve um pôr do sol deslumbrante.

Você me encarava, me olhava nos olhos. Eu não consegui saber o que você estava sentindo, simplesmente não tinha nenhuma expressão em seu rosto.

Eu já havia chegado até ali, precisava terminar o que havia começado.

– O que eu quis dizer com tudo isso que aconteceu hoje, desde o acampamento de última hora e essa escolha entre pôr do sol e amanhecer... – Respirei fundo. – É que eu gos...

Ninguém esperava por aquilo. Eu nunca esperei isso de você. Você nem mesmo me deixou terminar minha frase.

Fiquei piscando várias vezes, rapidamente, sem entender direito o que estava acontecendo, encarei a grama por alguns segundos sem saber o que fazer.

Segundos antes você me encarava, segundos depois seus lábios estavam colados aos meus. Seus olhos estavam fechados.

Eu travei.

Você não iniciou nenhum tipo de beijo ou coisa do tipo. Nem mesmo sei se posso chamar aquilo de beijo. Você não parecia ter pensado direito antes de agir. Seus lábios apenas estavam contra os meus. Por algum motivo, parecia que você queria se aproximar ainda mais de mim, mas não conseguia. A verdade era que aquele beijo não havia sido planejado, por nenhum dos lados.

Meu coração estava muito acelerado. Eu não conseguia, nem mesmo, fechar meus olhos.

Foram segundos. O beijo ou selinho ou, seja lá, o que era para ser, durou apenas alguns segundos, poucos segundos.

Você se afastou bem devagar. Abriu os olhos e me encarou. Eu ainda tenho certeza que minhas bochechas quase pegaram fogo, eu estava bem vermelho. Até mesmo minhas orelhas esquentaram.

– ...to de você. – Terminei a frase.

Foi a única coisa que eu conseguir dizer enquanto observava você se sentando de volta em seu lugar.

Você deu uma gargalhada muito boa de se ouvir.

Me olhou e quando viu que eu ainda te olhava, você virou o rosto rapidamente. Coçou a nuca enquanto encarava as montanhas a frente.

Eu não consegui deixar de sorrir.

Não importava o fato de que eu não havia conseguido fechar meus olhos durante o beijo ou que eu não conseguia formar uma frase completa que fizesse sentido em minha cabeça, ou que minha respiração estava tão descontrolada quanto meus batimentos cardíacos, ou... ou...

Eu estava feliz demais. Muito feliz. Tão feliz que não sabia nem como agir.

Eu estava tremendo.

Acho que até mesmo poderia ser comparado a aqueles Pinschers que tremem de felicidade.

– A-acho que podemos ir embora... – Você começou a falar e depois sorriu enquanto me olhava.

Eu afirmei, observando seu sorriso lindo e sem jeito. Não consegui deixar de sorrir.

Eu estava sorrindo igual a um idiota e você também.

Nos levantamos e começamos a juntar as coisas. Colocar os lixos nas sacolas e colocar no porta-malas. Depois, colocar tudo que havíamos tirado da mochila, de volta.

Algumas vezes eu olhava para você e você tinha uma cara de quem segurava o riso, como se não pudesse sorrir. Algumas vezes eu conseguia pegar você me olhando, na mesma hora você olhava para o lado. Woojin, você estava tímido. Tímido. TíMIDo. Com certeza era uma das coisas mais fofas que eu já havia visto.

Fomos para casa. Quero dizer, cada um foi para sua casa. Você me deixou na porta da minha, apenas nos despedimos, como sempre, com um toque de mãos que inventamos depois de um certo tempo de amizade. Nada de outros beijos ou coisas do tipo. Assim que você chegou em sua casa, me mandou uma mensagem avisando.

Eu não sei quanto a você, Woojin, mas, mais tarde naquele dia, mesmo depois de passar a noite toda acordado, eu estava deitado em minha cama, mas não conseguia dormir. Minhas perguntas tinham sido respondidas da maneira mais clara possível. Primeiro você havia se aproximado de mim, eu não tinha imaginado coisas. Segundo, quando pediu um beijo você não estava brincando.

Eu deitei com o intuito de dormir, mas essa foi a última coisa que eu fiz. Eu só consegui a me lembrar do seu sorriso, seu rosto e principalmente do seu beijo. E, talvez, minha mente ainda tenha inventado mais algumas coisas.


Notas Finais


Se você teve a coragem de ler até aqui parabéns kapsokodk
Esse é o último capítulo. Eu realmente peço desculpas pela demora, mas eu realmente não conseguia escrever e parecia que quando conseguia não era isso que eu queria que saísse. Eu realmente pensei em apagar a história, porém não achei justo com vocês que acompanham, se ainda acompanham né. Ah, eu nunca fui muito boa com histórias de amor e também nunca fui boa com finais de história, tanto que essa é a primeira fic de todas as que já escrevi que eu terminei. Eh isto, views em Astro, Stray Kids, SF9, Kard e Ikon.

Reclamações, elogios e críticas é só jogar na rodinha, rs.


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