História Swanqueen - Swan Mills, desafios - Capítulo 2


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Regina Mills (Rainha Malvada)
Tags Emma Swan, Morrilla, Regina Mills, Romance, Swan Queen, Swanqueen, Wicked Beauty, Wickedbeauty, Yuri
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Palavras 4.435
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - 1


Capítulo 1

Mary Margareth havia acabado de contar para a filha que flagara Regina na companhia de outra mulher em Londres. Em silêncio, as duas espiavam o pátio externo através das portas envidraçadas. Em seguida, Emma perguntou em tom frio:

- Como "ela" está?

- Bonita como sempre. - Mary Margareth revelou com um suspiro. - O que você pretende fazer?

- O que pretendo fazer? - repetiu Emma, virando-se novamente para encarar a mãe. - Já lhe avisei que está falando com a pessoa errada a respeito desse assunto.

- Ah, Emma... - os sinais de dor e frustração se aprofundaram na expressão de Mary Margareth enquanto assistia a filha voltar para a mesa. - Como você e Regina acabaram nessa situação?

- É o que acontece com milhares de casais por aí. - Emma ironizou.

- Isso é tolice! - Mary Margareth rebateu. - Vocês se amam! Regina ficou louca por você desde o primeiro momento em que a viu. Essa é a principal razão pela qual "ela" desistiu dela. Assim que percebeu o que estava acontecendo entre vocês duas, deixou o caminho livre.

Sim, Emma concordou em pensamento. A amiga, atualmente ex, realmente se afastara e deixara o caminho livre.

- Vocês pareciam tão felizes! Regina a devorava com os olhos e parecia não se importar com quem estivesse olhando. - prosseguia Mary Margareth .

Emma esboçou um sorriso amargo diante daquela observação. Amargo porque, de certa forma, a mãe estava certa. Regina realmente a devorava com os olhos. E não somente com os olhos, mas também com os lábios, com a língua, com... No entanto, tudo aquilo acontecera até pouco tempo atrás. Antes do fatídico episódio com a revista US Weekly.

"Será que tudo não passara de um engano durante esses anos todos? Será que confundimos a ficção com a realidade, e deixamos as personagens invadirem nossas vidas?" - Emma pensou.

Isto poderia ser possível. Elas encarnaram tão bem as personagens, o fizeram de maneira tão convincente que poderiam muito bem acreditar que estavam apaixonados. E o ingrediente especial que tornara aquilo possível tinha um nome: Sexo.

Naquela época, ambas ficaram tão fascinadas com a descoberta de uma química entre elas que os respectivos relacionamentos que ambas tinham com outra pessoa não sobreviveram. Tempos depois começaram a sair juntas. O despertar dos instintos primitivos as cegaram a ponto de nem se importarem em saber o que realmente sentiam uma pela outra. E agora a cegueira em que Emma se encontrava desabara de uma só vez ao perceber um sentimento de desespero que começava a crescer dentro dela. Estivera cega o suficiente para acreditar que se tratava de amor?

"Amor..." - Ela sentia vontade de rir só de pensar naquela palavra.

"Simplesmente Regina aproveitara o que lhe era oferecido. Qualquer pessoa no seu lugar faria a mesma coisa." - Concluiu Emma.

Bem, Emma poderia a ter recusado se quisesse. Porém, levada por um instinto inesperado e avassalador, ela se entregara aos apelos contidos nos olhos expressivos da então colega de elenco e permitira que o relacionamento entre elas avançasse os limites das filmagens e entrasse em um território perigoso. Até que a recente atitude de Regina a forçara a enxergar o grande engano que cometera. O eco dos pensamentos atingia em cheio o seu coração angustiado e vazio.

Enquanto Emma divagava nos pensamentos, Mary Margareth pressentiu a amargura da filha e gentilmente estendeu um braço sobre a mesa para alcançar uma das mãos dela e confortá-la com um afago.

- Eu sei que tem passado por maus momentos, minha filha. Deus sabe que todos nós sofremos com a sua perda. Acredite em mim...

Emma espiou para as mãos que se tocavam sobre a mesa e desejou que sua mãe apenas parasse de falar.

- Seu pai ainda se culpa pelo que aconteceu.

- A culpa não é dele e nem de ninguém. - afirmou Emma. - Você disse isso para ele?

- Claro que eu disse. Centenas de vezes. E quanto a você? Fez o mesmo com Regina?

Subitamente, Emma teve vontade de sair correndo, de novo.

- O que é isso? Um interrogatório?

- Não fique brava, minha filha. Só estou preocupada com vocês. - implorou Mary Margareth , enquanto Emma livrava a mão para poder se levantar da mesa.

Mary Margareth se levantou também e, usando um tom piedoso na voz, continuou:

- Já faz três meses que você perdeu o bebê e antes disso, você e Regina eram inseparáveis. O que aconteceu para você querer afastar todos de sua vida? Principalmente a mulher que ama?

"Três meses, duas semanas e vinte horas precisamente." - Pensou Emma.

Diante do silêncio da filha, Mary Margareth decidiu continuar:

- Eu entendo que você precise de tempo para se recuperar da perda, mas, depois de tudo o que lhe contei, não acha que é hora de superar a tragédia e salvar o seu relacionamento?

Como resposta, Emma deu meia-volta e saiu apressada da sala. Odiava tudo, todos e desprezava a si mesma. Não queria pensar sobre o bebê que perdera nem em Regina. Sentia o corpo dolorido e o coração despedaçado. Enquanto cruzava o hall, captou, de relance, a própria imagem refletida no espelho grande que ornamentava uma das paredes e ficou espantada com o que viu. A pele naturalmente clara agora estava pálida como uma vela. Os olhos estavam circulados por anéis escuros e os lábios contraídos a ponto de exibir apenas uma linha fina.

"Não, não irei chorar outra vez!" - Exclamou furiosamente para si mesma.

- Não deve menosprezar sua namorada dessa maneira, Emma. - a mãe persistiu, falando em voz alta. - "Ela" a quer de volta, e você precisa impedir isso!

Estancando em frente a escada que dava acesso aos quartos e girando o corpo para a direção da mãe, Emma disse:

- Não vou desmaiar se pronunciar o nome dela.

- As vezes, acho difícil acreditar que você é minha filha! Será que não herdou um pouco do meu sangue? - Mary Margareth enfureceu o olhar. - Lily. Lilith Page é o nome dela e sei que não vai desmaiar por isso. O que importa é que a sua amiga namorava o Regina muito antes de você entrar em cena. E, pelo que eu pude perceber, ela está querendo reconquistá-la enquanto você fica aqui, como se não se importasse que elas estão tornando público o envolvimento entre elas. - Mary Margareth disse, num tom bastante severo.

Depois que se casara, Lily fora morar em Nova York. Porém, já fazia algum tempo que ela estava separada de sua esposa. Mas ainda assim continuava em Nova York. Ela e Fiona haviam brigado. Todos sabiam, isso não era um segredo. Mas o mistério era em torno do motivo. Ninguém sabia. Ninguém? Talvez Regina fosse uma das poucos a conhecer. Naquele momento, um pensamento tomou a mente de Emma, fazendo-a sentir uma leve pontada de dor na cabeça.

"Seria Regina o pivô da briga entre Lily e Fiona?" - Emma pensou.

- Porra! O que quer que eu faça? - Emma esbravejou, aproximando-se novamente da mãe. Os olhos verdes demonstraram a primeira manifestação de emoção desde que a discussão se iniciou. - Será que devo entrar no primeiro avião para Londres e testemunhar com meus próprios olhos o que acabou de me contar? E depois? Diga-me, "mama". Como acha que devo agir? Devo levar um punhal para cravar no peito delas e lavar a honra, como se fosse num filme?

- Ah, agora vai usar de uma fantasia só para me atingir? - Mary Margareth devolveu. - E, já que me perguntou, eu respondo que "sim". Provocar uma "cena" será mais saudável do que se comportar como se não estivesse dando a mínima para o que está acontecendo.

- Quer saber? Eu quero que as duas se fodam lá na terra da Rainha. Que fiquem por lá. - Emma virou em direção a escada e subiu os degraus correndo, trancando-se em seu quarto.

Mary Margareth ficou olhando a filha subir a escada. Soltou um suspiro longo e balançou a cabeça, demonstrando um certo descontentamento com a postura da filha. Em seguida, fora embora para sua casa, ciente de que tinha feito a coisa certa em alertá-la. Emma precisava acordar.

(...)

“Talvez eu não dê a mínima”. - Pensou Emma, no momento em que estava sozinha em seu quarto.

Não sabia dizer se importava-se com o que Regina pudesse estar fazendo ou não. E esse era o maior problema. Não saber como se sentia a respeito de qualquer coisa.

Emma suspirou ao lembrar-se do que a mãe lhe dissera mais cedo:

“- Suponho que fará um esforço para sair de casa e comparecer ao casamento de Zelena e Belle, marcado para esta noite.

- Claro que estarei lá. Por que eu deixaria de abraçar minhas amigas no dia mais importante de suas vidas?

- Não sei. - Mary Margareth ironizou. - Do jeito que as coisas estão caminhando, não vai demorar muito tempo para que se torne uma eremita.

- Almocei com Graham duas vezes. E eremitas não fazem isso.

- Humm... - Mary Margareth murmurou sem se impresionar.”

Emma tornou a se concentrar no momento e analisou a própria situação. Parecia que estava só no mundo e vivenciando um vazio sem fim. Olhou ao redor do quarto que costumava compartilhar com a namorada e que, agora, parecia ainda maior sem a presença dela. A única coisa diferente era o vestido preto de noite, que ela deixara sobre a cama e que pretendia usar no casamento das suas amigas.

Talvez a mãe tivesse razão em algumas coisas que lhe dissera...

O ruído de um carro subindo a rampa de acesso à casa interrompeu-lhe os devaneios. Ela aproximou-se da janela e reconheceu o automóvel.

Era Regina!

Sentiu o coração dar um salto e uma sensação de medo invadi-la.

Ainda faltavam muitos dias para que ela retornasse de Londres. O que teria acontecido para que Regina estivesse em casa mais cedo do que planejava? Será que ela vira Mary Margareth no restaurante? E até mesmo a viu seguindo-a?

Ela observou o carro percorrer as curvas do pátio ajardinado e depois estacionar na entrada principal da mansão.

Antes que Dean, o guarda-costas, que também exercia a função de motorista, saísse do carro, Regina desceu do veículo.

Os raios do sol, que se punha, iluminaram a silhueta da mulher de estatura mediana e elegante. E, no momento em que ela ergueu o rosto para contemplar a casa, a beleza das feições femininas se tornou mais evidente.

Definitivamente, Regina era a mulher mais bonita e charmosa que Emma conhecera em toda a sua vida. Uma verdadeira obra-prima da natureza. Tudo nela era encantador: o modo como se vestia, falava ou sorria, principalmente os olhos castanhos expressivos e a boca extremamente sensual marcada com uma sexy cicatriz. Ela odiou-se por não conseguir afastar os olhos da figura encantadora da namorada.

Ela era uma mulher assustadoramente inteligente, perspicaz e sedutora. O tipo de pessoa que veio do nada e conseguiu o sucesso derrubando barreiras e construindo uma fama considerável.

“Ali está ela.” - Pensou Emma, ao vê-la falar com Dean. - “A mulher que defende sua fama com toda a determinação. Dificilmente alguém poderá notar que, por trás da fachada de boa moça que ela ostenta, existe um indivíduo que coloca a carreira e o sucesso acima de tudo.”

E porque Emma achava isso tudo?

Ela havia ouvido dos próprios lábios dela, em uma das muitas noites em que permaneciam abraçadas, após fazerem amor, e confidenciavam segredos, esperanças e medos, na penumbra do quarto. Tudo parecia tão certo e tão bem compartilhado. De corpo a corpo e de alma para alma. E foi naquela mesma noite que Emma percebeu o grande engano de acreditar que ela a amava.

Quando divulgaram as fotos manipuladas para acusá-la de traição, Emma se manteve isolada em sua casa. Deprimida, cancelou reuniões e viagens, rescindiu alguns contratos e ... esqueceu-se de suas obrigações contraceptivas. Quase um mês depois, Emma descobrira que estava grávida. A alegria estava de volta. Havia vida dentro dela, literalmente! Imaginou que um filho naquele momento seria o elo perfeito para a consolidação daquele relacionamento. Quanto engano! O que aconteceu, na verdade, foi o início do afastamento entre elas.

Quando Emma contou para Regina que estava grávida, ela dissera-lhe que o momento não era oportuno para terem um filho, embora as últimas tentativas tivessem sido há alguns meses antes. Tinham novos projetos pela frente, inúmeras viagens a fazer e que agora, devido a situação em que ela se encontrava, a via desistindo do filme, onde além de atuar, seria também a produtora executiva.

Aquelas palavras a magoaram profundamente. Principalmente a maneira como ela se referiu à gravidez, chamando-a de “situação”. E o momento que ela imaginava ser de felicidade, mudara para decepção. Para, dias depois, transformar-se em dor com a perda do bebê.

Para Emma, ficara claro que a notícia a deixara insatisfeita. Ela jamais a perdoaria por criar um abismo tão grande e de maneira tão rude. A partir de então, Regina quase não se comunicava com ela. O romance passou a representar apenas uma fachada.

Mas o que Emma não conseguia entender, era por que ela ainda continuava ali. Não havia nada que a prendesse. Nem mesmo o fruto daquele “suposto” amor existia agora. Portanto, ela não precisava dela, aliás, nunca precisou. Porque então, manter a farsa?

O som de uma risada a tirou dos pensamentos. Emma baixou o olhar para a entrada da casa e notou que Regina despedia-se com um aceno do guarda-costas e ria de algo que ela lhe dissera. Em seguida o viu brincar com Daniel, antes de entrar.

Há quanto tempo ela não a via sorrir daquele jeito... Será que a ex-amiga seria a responsável por trazer-lhe a alegria de volta? Será que estariam dormindo juntos?

E se isso estivesse acontecendo... Emma se importaria?

Ela se afastou da janela e caminhou em círculos pelo quarto. Os braços estavam cruzados frente ao peito para acalmar a tensão. Não. Ela não estava preparada para responder àquela questão nem para encarar Regina.

Oh, Deus! Por que ela teria de estar de volta justamente naquele dia?

(...)

No instante em que Regina Mills entrou pela porta principal da mansão, os traços suaves e alegres da risada que compartilhara com Dean simplesmente desapareceram e foram substiuídos por uma expressão severa e fria.

Parou, por um momento, para analisar a perfeita decoração da casa e a escada em caracol que conduzia ao andar superior.

O silêncio era frio como o gelo.

"Meu lar..." - Pensou com ironia.

Tinha alguns funcionários para manter a mansão impecável e atraente. No entanto, se não fosse pelo barulho de Dean manobrando o carro na garagem, Regina poderia jurar que estava sozinha no mundo.

Antes de subir e encarar a namorada, suspirou profundo para aliviar a tensão e fechou os olhos com um pensamento:

"Namorada..."

Deveria haver outra palavra para referir-se à imagem fantasmagórica que substituíra a pessoa amável que enchia de alegria aquela casa e sua vida.

Regina sabia que ela estava no quarto. Ela a vira na janela, no momento em que descera do carro. Até mesmo daquela distância podia perceber a indiferença nos olhos verdes que os observavam.

- Boa Tarde. - cumprimentou a governanta.

"Até que enfim uma voz humana!" - Regina exclamou em pensamento enquanto abria os olhos para a mulher de cabelo grisalho à sua frente.

- Boa tarde, Granny. - ela respondeu, achando graça no próprio sotaque inglês que usara para se entender com a governanta.

Contudo, aquilo não era novidade. Ali era um pequeno pedaço da Inglaterra no meio de Los Angeles. Ela e Emma haviam decorado a mansão nos padrões ingleses. Até a fiel governanta era Londrina.

Regina e Emma haviam comprado aquela mansão em conjunto. Teria sido um erro?

- Anotei vários recados telefônicos para a senhora. - a voz da governanta interrompeu-lhe os pensamentos. - Eu os coloquei sobre a sua mesa no escritório. E um deles é de... uma moça. E parece ser urgente...

Ignorando a hesitação da mulher, Regina apenas consentiu com um gesto de cabeça e se encaminhou para a escadaria. Urgente ou não, ela precisava primeiro ver Emma.

Conhecendo os costumes da casa, a senhora Granny se retirou do hall, da mesma maneira silenciosa como entrara, assim que viu o patrão subir a escada.

Ela estacou por um breve instante antes de girar a maçaneta da porta e entrar sem nenhhum aviso. Regina considerava ridículo ter que anunciar sua presença no quarto que ainda lhe pertencia, embora elas não o compartilhasse há algumas semanas.

Assim que fechou a porta, observou Emma acomodada à penteadeira e calmamente lixando as unhas. Vestia um robe de seda na cor lilás e o cabelo estava preso no alto da cabeça. O rosto parecia mais pálido do que o normal.

Notando a presença dela, Emma virou a cabeça para encará-la, e Regina deparou-se com o verde congelado nos olhos da namorada.

- Oi. - murmurou Regina, tentando manter um tom agradável na voz, embora satisfação fosse a última coisa que poderia dizer que estava sentindo.

- Olá. - devolveu ela sem a mínima emoção. - Não esperava que estivesse de volta hoje.

Regina cerrou os dentes para conter a irritação. Em seguida, cruzou o quarto na direção de um frigobar. Mesmo ela não estando muito na casa, a governanta mantinha sempre a pequena geladeira abastecida. Um hábito desde quando as duas costumavam ficar a maior parte do tempo dentro do quarto. Ela persistia no costume, embora soubesse que a situação entre o casal estivesse estremecida.

Regina pegou uma cerveja, em seguida olhou para Emma e ofereceu:

- Quer uma?

Ela apenas sacudiu a cabeça, negando.

Regina respirou fundo. Parecia que estava falando com um morto. Tomou um grande gole da cerveja e seguiu para próximo da janela com a garrafa em uma das mãos. Com o olhar fixo na paisagem através do vidro, tomou outro gole para acalmar os nervos. Era a hora do crepúsculo e ela adorava contemplar aquela mistura de cores no horizonte.

Enquanto apreciava a vista, Regina esperava por uma reação de Emma. Não daria mais do que dois minutos para que ela arrumasse uma desculpa qualquer e abandonasse o quarto. Só que, dessa vez, ela tinha a intenção de impedi-la. Ainda que fosse preciso usar de força para fazê-la sair daquele mundo sombrio e encarar a realidade.

Emma aguardava, impaciente, pelo momento oportuno de ergue-se e sair dali. Porém precisava esperar que Regina terminasse de beber a cerveja. Era como um ritual. Uma maneira de tentar ocultar dos empregados a verdade sobre atual situação do relacionamento delas. Como se isso fosse possível!

Nas poucas vezes que Regina vinha para casa, ela ia direto para o quarto e permanecia o tempo suficiente para saborear sua bebida preferida. Após alguns minutos, Emma arranjava uma desculpa e abandonava o quarto.

Mas, naquele dia, havia algo de diferente. Naquele dia, Regina trazia nos lábios o rastro do beijo de outra mulher. Ficava difícil cumprir o ritual passivamente. Porém só havia duas alternativas: ou falava com ela sobre o assunto ou se calava e abandonava o quarto. Emma não sabia o que seria pior.

Regina foi a primeira a quebrar o silêncio:

- Precisamos conversar.

Ela levantou-se precipitadamente.

- Sinto muito. Preciso tomar um banho.

- Mais tarde fará isso. - afirmou ela com o cenho franzido. - O que tenho a dizer é muito importante.

- Meu banho também é importante. Estou atrasada para um compromisso. Deveria ter-me avisado da sua chegada.

- Já sei que irá comparecer ao casamento de Belle e Zelena.

Emma suspirou. E Regina prosseguiu:

- Foi por isso que retornei mais cedo do que deveria. Há algo que quero lhe falar antes de... - Regina hesitou, parecendo tentar encontrar as palavras certas sobre o que queria dizer.

- Está bem. Estou ouvindo. - ela respondeu impaciente, cruzando os braços na frente do peito.

Regina ainda estava junto da janela, as feições encobertas pela sombra da noite que se aproximava. Contudo, ela podia notar a tensão no maxilar contraído da namorada. Percebia a frustração. Talvez o reflexo de alguma culpa na consciência.

Por fim, ainda hesitante, Regina se moveu na direção do frigobar e repousou a garrafa sobre ele. Depois começou a caminhar na direção dela, até estacar a poucos centímetros do corpo feminino.

Emma agora podia observar com clareza os traços bonitos do rosto da namorada. A colônia que ela usava a entorpeceu, e Emma precisou fechar os olhos para controlar a emoção.

- Não me toque! - ela avisou em tom de sussurro.

- Então não me provoque. - respondeu Regina com a voz enrouquecida. - Olhe para mim! Não podemos continuar vivendo dessa maneira!

Ela abriu os olhos de repente, e as palavras saíram de sua boca sem que planejasse. Sem que pudesse evitá-las.

- Está pensando em separação? - o som alto e distorcido da própria voz a assustou.

"Será que Regina pretendia assumir o relacionamento com Lily? E isso realmente me importa?" - Os pensamentos confusos atordoaram-lhe a mente. “Diga logo o que você já sabe e acabe logo com isso!” - Emma ouvia sua voz interior pedir.

Entretanto, a única coisa que Emma fez foi partir os lábios trêmulos pelo medo. Regina inclinou a cabeça e suavemente roçou os lábios dela. O gesto foi rápido, mas o suficiente para confundi-la.

Num primeiro momento, Emma pensou em afastá-la. Depois, em manter-se imóvel. E, por fim, desejou sentir o calor daqueles lábios em outras partes do corpo que acreditava não mais responderem a qualquer estímulo. Talvez fosse uma reação provocada pela surpresa, ela tentou justificar para si mesma. Não esperava aquela atitude da namorada. Afinal, elas não se beijavam há três meses. Após a perda do bebê, Regina nunca mais a tocara, a não ser na frente de estranhos, quando o dever social de manter as aparências se fazia necessário. E era por essa mesma razão que Emma evitava acompanhá-la e decidira se isolar na mansão.

Regina tornou a roçar-lhe os lábios, e ela estremeceu ao perceber que começava a corresponder ao beijo. Porém Regina ergueu a cabeça e estudou-lhe o rosto por alguns segundos.

- Vá tomar seu banho. Nós não devemos chegar atrasadas. - disse Regina.

Após aquelas palavras, Regina se afastou para terminar o restante da cerveja.

Emma se sentiu como um brinquedo descartado. Será que a intenção dela era humilhá-la?

- Nós? Está dizendo que pretende me acompanhar? - Emma perguntou intrigada.

- Por que não? Por acaso não fui convidada? – ela notou as mãos trêmulas dela e sorriu interiormente.

- Mas não quero que vá comigo!

- Tenho certeza de que nossas amigas ficarão muito felizes com minha presença.

- Acredito que sim. Mas, e se você ainda estivesse viajando?

- Eu irei com você e está decidido. Aproveite para relaxar e se acostumar com a ideia enquanto toma seu banho.

O tom calmo e determinado na voz de Regina a fez desisitir do combate. Ela ouviu o suspiro conformado de Emma, antes dela bater a porta do banheiro com força. Sorriu satisfeita. Fazia muito tempo que a namorada não tinha atitudes tão emotivas. Talvez a tática do beijo não tivesse sido tão ruim...

(...)

Emma saiu do banheiro e entrou no quarto, passando com indiferença pelo vestido preto que ainda permanecia sobre a cama, e seguiu na direção da gaveta onde guardava as lingeries.

A cor preta não era a sua favorita, porém selecionara aquele vestido especialmente para impressionar e tentar mostrar às pessoas que estava bem. Mas esse efeito não surtiu em Regina, pelo menos foi o que ela percebeu ao notar que Regina sequer olhara em direção à cama.

"Será que Regina e Lily estariam assim tão envolvidas?" - Só de pensar, ela sentiu um frio na barriga. - "Talvez elas ainda se amam..."

Ela acabara de passar quase uma hora no banho imaginando a razão pela qual não dissera a Regina o que já sabia. Talvez porque não estivesse pronta para encarar a verdade.

E quanto ao beijo carinhoso que ela lhe dera pouco antes?

"Ah, não! Não entre nesse terreno perigoso!" - Pedia-lhe a voz interior.

Emma começava a sentir emoções novamente... Algumas muralhas que construíra ao seu redor ainda estavam firmes, mas outras começavam a desabar.

Terminou de se arrumar e mirou-se no espelho. E o que viu era exatamente o que esperava: estava linda! A maquiagem encobria a palidez do rosto, e o vestido em estilo clássico acentuaria perfeitamente as curvas do corpo pequeno e delicado.

Ela deu um suspiro e determinou a si mesma que teria coragem suficiente para enfrentar a situação da maneira que fosse preciso. Emma saiu do quarto. Ela podia ouvir a voz da namorada no escritório enquanto descia a escada.

A porta estava aberta e, quando ela espiou pelo vão, ficou espantada com a elegância de Regina, que prosseguia falando ao celular. Quando a morena a viu, interrompeu a conversa que mantinha, e ambas trocaram um olhar desconfiado, como dois adversários tentando ler o pensamento do outro.

Emma foi a primeira a desviar o olhar, e Regina retornou a atenção para a ligação.

Enquanto descia os degraus com cuidado, ela notou que a senhora Granny já a aguardava na porta da frente. Mantinha um casaco cuidadosamente dobrado em um braço e um largo sorriso nos lábios.

- Está muito frio lá fora? - Emma quis saber, assim que se aproximou da governanta.

- É o preço que temos que pagar pelo dia agradável de outono que tivemos hoje. - sorrindo, a governanta respondeu.

E quando estava a ponto de ajudar Emma a vestir o agasalho, Regina a interrompeu:

- Deixe que eu faça isso.

A obediente empregada concordou com um discreto gesto de cabeça e entregou o casaco para a patroa. Em seguida, dirigiu-se à porta para abrí-la para elas.

- Linda, como sempre! - Regina sussurrou, admirando-a, e passou a ajudá-la com o casaco.

Emma nada respondeu. Apenas fixou os olhos nos dela, enquanto ela ajeitava o cabelo dela por cima da gola do casaco.

- Obrigada. - ela murmurou.

- O prazer foi meu. - respondeu Regina e, com um dedo, ergueu-lhe o queixo.

Os olhares se cruzaram. Ela percebeu um brilho no olhar dela, revelando que Regina pretendia beijá-la outra vez, e ela sabia que não resistiria. Pensou em pedir que ela não fizesse isso, mas desisitu ao ver que Granny as estava observando, e Regina ficaria muito zangada se ela a rejeitasse na frente de outros.



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