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História Talvez Amanhã Seja Tarde - Capítulo 42


Escrita por: Julianafg

Notas do Autor


Olha quem voltou rápido dessa vez...
me sentindo em divida com vocês rsrs
Bom espero que apreciem, volto quando der, sem promessas entre nós amoras.
Amo vcs.

Capítulo 42 - Presa


Fanfic / Fanfiction Talvez Amanhã Seja Tarde - Capítulo 42 - Presa

PDV JESSICA

 

Depois que Sara saiu, eu comecei a pensar se o que eu estava realmente sentindo era medo da velocidade e intensidade que as coisas estão se desenvolvendo com ela, ou um medo imenso de perder isso de uma hora pra outra, medo da ameaça chamada ex-amor (Marina), a mulher estava cada vez mais presente e cada dia mais parecia que o incômodo que Ramirez sentia em apenas ouvir o nome dela, estava passando e com isso minha insegurança ia crescendo, perguntas como: e se o amor que Sara sentia por ela ainda existe? só está adormecido pelas mágoas do passado? assim como ela disse que aconteceu comigo, mas o amor por Marina pode ser maior? e se ela perceber que uma mulher no meio de um divórcio conturbado, desempregada e com dois filhos seja uma carga muito grande pra ela carregar? e se ela perceber que foi um erro me levar pra sua casa junto com duas crianças que não são dela? são muitos e se, e quase nenhuma certeza. Não gosto de gente egoísta, no entanto me sentia como se estivesse me tornando uma dessas pessoas, isso me assustava ainda mais, parecia um ciclo vicioso do qual eu não conseguia sair. Eu sou uma mulher que sempre me orgulhei da minha independência, sempre tive confiança em mim mesma, mas os últimos acontecimentos vem abalando todas as minhas certezas e convicções.

Desde que Sara saiu eu estou aqui sentada no mesmo lugar, olhando pelo vidro do jardim de inverno que o bistrô possui, pensando em tudo e nada ao mesmo tempo, minha vida parece ter dado um 360 que eu jamais poderia ter imaginado. Sou tirada dos meus devaneios, por alguém chamando meu nome.

- Jessica - olhei para a mulher parada na minha frente.

- Oi Stefania - Fiquei meio perdida por ter sido tirada dos meus pensamentos, mas sorri pra ela.

- Onde você estava? - franzi o cenho - te chamei três vezes - explicou.

- Desculpe, só pensando em algumas coisas - fiz sinal para ela se sentar.

- Quer compartilhar? - perguntou enquanto se sentava - você parece triste.

- Não é nada, apenas problemas que estão esquentando um pouco minha cabeça, mas não é nada interessante.

- Tudo que vem de você é interessante, "bella" - aquilo me deixou corada - mas entendo que não esteja pronta para compartilhar - ela cruzou as pernas e apoiou o rosto nas mãos - mas posso te distrair, que tal?

- Você é adorável por propor, mas tenho algumas coisas para fazer ainda.

- Claro, eu chego do nada e já quero sua atenção, estava passando e te vi, parei pra dizer oi e já estou aqui me metendo - se endireitou e bateu a mão de leve na mesa - sou muito espaçosa, coisa dos italianos - eu acabei rindo da maneira que ela falava -  “perdóname bella”.

- Não se desculpe - sorri mais uma vez pra ela - eu na verdade preciso terminar de comprar alguns móveis para a casa nova, meus filhos não podem dormir no chão mais uma noite é só por isso.

- Está de casa nova Capshaw, isso é ótimo - ela parecia empolgada - mas podia ter levado pelo menos as camas - ela deu uma gargalhada alta.

- Eu, eu.. - não sabia como explicar sem ter que falar de toda a minha vida.

- Tenho uma proposta para você - me interrompeu - eu amo fazer compras, vim até aqui para isso - mostrou como se fosse óbvio - foi o destino te encontrar, o que acha de fazermos compras juntas?

- Eu acho.. - me interrompeu mais uma vez.

- Eu te ajudo a escolher seus móveis, saiba que tenho muito bom gosto - moveu os cabelos, se vangloriando - e depois pode me ajudar com algumas comprinhas também, diz que sim? - Fiquei olhando pra ela meio perdida na sua empolgação - vamos Jesse vai ser divertido, vamos nos distrair com compras, melhor terapia que existe.

- Ok - eu disse rindo do pulinho que ela deu na cadeira. 

No final ela estava certa, Stefania realmente tem um excelente gosto para designer  e decoração, me deu ótimas dicas de compras e ainda me fez dar muitas risadas com seu jeito expansivo e brincalhão, ela realmente estava sendo uma maravilhosa e bem vinda distração dos dias complicados que venho tendo, eu precisava de alguém que me tirasse do meu mundo de problemas mesmo que por algumas horas, alguém que não sabe de nada das minhas bagunças, alguém que não me olhe com pena, alguém que só queira falar besteiras e dar boas risadas, então esse encontro ocasional foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido hoje.

As minhas compras acabaram levando muito mais tempo que do esperávamos, afinal faltavam muitas coisas de extrema urgência para serem compradas, com Sara nós literalmente conseguimos comprar alguns móveis maiores, primeiro porque ela parecia não ter vontade de opinar em nada e depois porque eu devo admitir sou um pouco indecisa, já com Stefania tudo fluía bem, ela amava palpitar, ajudava nas minhas dúvidas com dicas e não somente com ”tanto faz”, “qualquer um”, ou “os dois são bonitos”. Então ter alguém que realmente estava empolgada com aquilo e me ajudando, me deixou bastante animada com as compras e acabou sendo divertido e empolgante como sempre foi pra mim comprar, assim acabamos passando em algumas lojas de decoração, além de ver apenas os móveis. Paramos em um banco perto da praça de alimentação para descansar, meus pés já estavam me matando.

- Eu estou morta - falei enquanto massageava minhas panturrilhas.

- Eu ainda estou animada - ela sorriu e se sentou do meu lado - posso te ajudar com isso - apontou para as minhas pernas.

- Não é preciso - me mexi um pouco e me endireitei - nem seria apropriado em um local público, amanhã estaríamos manchetes de todos os sites de fofoca.

- Nunca me importei com uma boa fofoca, mas entendo que não seja apropriado - deu de ombros - quer ir pra casa descansar?

- Quantas horas? - perguntei pois fazia tempo que estamos ali e eu estou perdida.

- Quase sete - disse depois de olhar o celular.

- Tudo isso? - arregalei os olhos - nossa eu perdi completamente a noção do tempo, minha babá deve estar louca me esperando - peguei o meu celular para ver se havia alguma ligação ou mensagem e ele estava descarregado - droga!

- Que foi? - perguntou.

- Estou sem bateria, ia pedir um uber para casa - suspirei - estou sem carro, minha babá pode ter ligado e eu não vi, isso pode me trazer muita confusão - pensei em algo acontecendo com as crianças e Christopher usando contra mim, na disputa pela guarda.

- Hey calma bella - passou a mão pelas minhas costas, tentando me acalmar - use meu celular e ligue para sua babá pra saber se está tudo bem e eu posso te levar em casa, estou com meu carro aqui, ele está no estacionamento.

- Você nem conseguiu fazer suas compras, me desculpe por te alugar o dia todo - me levantei pegando algumas sacolas - não precisa se incomodar eu posso pegar um táxi na entrada e tenho certeza que estaram todos bem quando eu chegar em casa, Camila cuida deles a muito tempo, tenho total confiança, só ando um pouco neurótica, coisas de mãe, ou talvez TPM - dei uma risadinha sem muito humor.

- Pare com isso - ela se levantou tomando algumas sacolas da minha mão - eu me diverti muito decorando sua casa nova e principalmente passando um tempo com você - piscou me deixando corada - vou te levar pra casa sim, porque nesse horário você nunca vai achar um táxi e não me custa nada, pra pagar fica me devendo um dia de compras.

Realmente esse horário eu não acharia um táxi, sem celular eu levaria uma vida pra chegar em casa, além das crianças, têm Camila que já deveria ter ido embora e Sara que sempre se preocupa demais, vai achar que eu morri, por não ter voltado até agora, talvez já esteja ligando para os hospitais e necrotérios, o pensamento me fez rir.

- O que foi? - me olhou sem entender.

- Nada  não - balancei a cabeça - está bem, vou aceitar a carona.

Stefania nem esperou pra ver se eu ia falar mais alguma coisa, enlaçou seu braço no meu e saiu me arrastando na direção da saída do shopping, me tirando mais algumas gargalhadas.

 

PVD SARA

 

Eu já estava pronta para atacar, estava em pé na frente de Carla que acabou agarrando minha roupa e eu podia sentir a pequena tremendo balançando meu casaco, a mulher me olhava com os olhos raivosos e depois tentava olhar a menina atrás de mim, chegava a se curvar.

- O que vocês estavam cochichando e porque ela está se escondendo? - falou irritada e nervosa.

- Ela está com medo de você por isso está se escondendo - passei o braço puxando o corpo de Carla para mais próximo a mim.

- Mas ela não tem motivo para ficar com medo de mim, vai começar as falsas acusações novamente senhorita Ramirez? - ela alterava a voz chamando a atenção dos dois na cozinha.

- Falsas? - ri sem humor - os hematomas e machucados que vi, não tem nada de falsos, senhora Benson e acredite, passei anos como atriz em um seriado médico, conheço bem falsas lesões - devolvi as ironias.

- Ela caiu das escadas essa semana  - Clark vinha completamente irado da cozinha seguido por Marina - eu sabia que essa palhaçada de visita era uma péssima idéia - ele passou na frente da mulher ficando cara a cara comigo - acho melhor vocês irem embora agora - levantou o queixo para me intimidar.

- Dessa vez não - endireitei meu corpo - se acha que irei acreditar que o que eu vi é um tombo de escada e vou deixar ela aqui mais tempo com dois psicopatas, está muito enganado.

- Não irei tolerar mais acusações infundadas, quero vocês duas fora da minha casa agora ou vou chamar a polícia.

- Sara o que está acontecendo? - Marina que até então estava calada, completamente perdida naquela discussão se manifestou.

- Pois eu faço questão que chame a polícia - deu um passo à frente e apontei o dedo para o homem - quero que eles vejam o que fizeram com essa criança - continuei discutindo com o homem, ignorando Marina.

- Sara, me fala o que está acontecendo aqui - entrou na frente, ficando entre eu e o Benson - vocês precisam se acalmar.

- Eu não vou me acalmar Marina, enquanto Carla estiver aqui não dá pra ficar calma, eles são dois psicopatas, a menina está muito machucada - agora me dirigi a ela.

- Meu marido já disse que ela caiu da escada - a mulher resolveu falar - você só pode estar querendo se promover às nossas custas, inventando mentiras a nosso respeito, para passar de boa moça na mídia, isso é muito baixo, somos pessoas de respeito.

- Isso só pode ser piada - ri com desdém - pessoas de respeito não batem dessa maneira em uma criança de 5 ANOS - quase gritei.

- Se acalme Sara - Marina colocou a mão no meu peito me parando.

- Quero vocês duas fora da minha casa, AGORA - o homem gritou de volta.

Eu estava fora de mim, completamente absorta na minha raiva e naquela discussão que mal me dei conta quando Carla caiu no chão, senti minha blusa ser puxada com um pouco mais de força e então, escutei o som que seu corpo fez quando bateu no piso de madeira, não entendi bem o que havia acontecido até ver o rosto de Marina se transformar em desespero, ainda sim não esperava a cena que vi quando me virei, olhei seu pequeno corpo se contorcendo em convulsão. Eu estava em choque e não conseguia me mover, era como se meus pés tivessem sido pregados no chão e meu corpo estivesse petrificado, eu ficava apenas olhando o corpo se contorcer, foi então, que como em câmera lenta, vi Marina se agachar na frente dela e ela virar de lado.

- Sara - ela gritou comigo mas só consegui responder na terceira vez - se concentra, preciso de você agora - ela segurava a cabecinha de Carla em suas mãos e eu consegui balançar a cabeça concordando - chama uma ambulância.

Busquei meu telefone na bolsa, mas tremia tanto que não conseguia encontrar, então simplesmente joguei tudo no chão, mas ele também não estava ali, provavelmente esqueci no carro.

- Caralho façam alguma coisa - olhei para os Benson nervosa - chamem a emergência, eu não estou com o meu telefone - eles também pareciam petrificados.

Josephine pegou o celular no bolso traseiro e começou a discar com as mãos trêmulas, mas o homem a impediu segurando sua mão, olhei aquilo nervosa e até ela o olhou sem entender.

- Anda logo - falei - está esperando o que? - Fiquei olhando para os dois e como em um estalo eu entendi, o porquê da relutância - se ela morrer vai ser ainda pior, então liga logo.

Me abaixei perto de Carla sem saber muito como ajudar, mas escutei a senhora Benson falando com os paramédicos, passando informações e o endereço, estou em pânico enquanto vejo a pequena ainda se debater sem saber como ajudar. Parecia que havia se passado muito tempo mas tudo aconteceu em segundos, aos poucos a menina parando de se contorcer e pensei ser um bom sinal, Marina verificou sua pulsação e olhou pra mim ainda mais nervosa

- Sara - Marina chamou minha atenção - precisamos de um médico agora, ela não vai resistir.

- Eles disseram que chegariam em meia hora, a ambulância está a caminho - a mulher disse rápido.

- Ela não vai aguentar tanto tempo, precisamos levá-la agora - Castro não estava exagerando, eu podia ver o pavor nos seus olhos.

- Ok - respirei fundo - vamos no meu carro, eu dirijo e você cuida dela, parece que sabe o que fazer.

- Melhor esperar a ambulância - foi o homem que falou agora.

- Você não escutou que ela não vai aguentar esperar? - falei me levantando já com a menina desacordada nos braços.

- Ela não é médica, vamos esperar - ele se pôs em minha frente - e eu sou o responsável pela criança eu decido o que fazer. 

- Sai da minha frente ou não respondo por mim - cerrei os dentes e puxei mais o corpo desfalecido de Carla para mim. O empurrei com o ombro e sai andando na direção da porta.

- Isso não vai ficar assim - escutei ele esbravejar.

Marina passou a frente abrindo a porta da casa, também percebi que éramos seguidas pelos Benson reclamando e praguejando sobre deixar a menina ali e esperar pela emergência, não dei ouvidos, estava concentrada em correr até o hospital mais próximo, então apenas pedi para Marina abrir meu carro e entrar quando chegamos a ele, coloquei Carla acomodada em seu colo, mas quando tentei entrar no banco do motorista fui impedida por Clark que segurou minha porta, me impedindo de entrar.

- Vocês não podem levá-la - ele disse irritado.

- Sai da minha frente - cerrei os punhos irada.

- Você não tem direito nenhum sobre a menina, ela é minha responsabilidade e eu estou dizendo que vamos esperar a emergência.

A arrogância dele até nesse momento me deixa ainda mais indignada se é que isso seja possível, olhei para sua mulher, ela estava parada na porta de entrada, parecia bastante nervosa, mas não acho que seja preocupação com Carla, mas sim com ela mesma, quando voltei a olhar para Clark ele esbravejou.

- Vamos, tire ela daí - ele ainda segurava a porta.

- Pela última vez, saia da minha frente.

Quando percebi que ele não sairia, não aguentei mais aquela situação, meus nervos estavam à flor da pele, meu nervosismo até a tampa e a urgência de toda a situação me deixou cega, nem mesmo percebi quando meu punho se chocou contra o seu nariz, senti seu osso nasal se movendo contra meus dedos e logo depois ele no chão gritando com sangue escorrendo pelo seu rosto e sua mulher histérica vindo a nosso encontro, como se acordasse de um torpor, olhei pra minha mão e pra cena dele no chão, depois para o carro, então voltei a mim, entrei no carro e dei partida saindo dali.

- Você bateu nele - a morena afirmou incrédula.

- Eu fiz por impulso - a adrenalina corria solta pelo meu sangue, sentia meu corpo ter leves tremores - como ela está? - Olhei rápido pelo retrovisor.

- O pulso está fraco - ela tinha os dedos no pescoço de Carla para verificar.

Eu corri o que pude, não conhecia bem o bairro, mas por sorte era bem sinalizado e segui as placas que indicavam a direção do hospital, com certeza estava infligindo várias leis de trânsito, durante o percurso, eu só queria chegar o mais rápido possível, o medo tomava conta de mim e o fato de não ter total certeza da distância me deixava ainda mais apreensiva e insegura se daria tempo e isso me apavorava tanto que minhas mãos suavam no volante. De repente percebi um movimento no banco de trás e olhei pelo retrovisor, Marina estava  sobre o corpo de Carla fazendo massagem cardíaca.

- Ai meu Deus, o que está acontecendo? - perguntei enquanto dava breves olhadas atrás.

- Rápido Sara, ela não está mais respirando e está sem pulso - a morena seguiu fazendo a massagem e eu tentei acelerar o que podia.

Quando avistei o hospital cheguei a prender a respiração, me concentrando na entrada, parei o carro às pressas na emergência, dois enfermeiros apareceram, sai do carro abrindo a porta traseira, escutei Marina explicando a situação e eles colocando o pequeno corpo desfalecido em uma maca, um deles subiu sobre a menina continuando a massagem cardíaca que a morena tinha começado, eu estava em um torpor, que me prendia, não me deixava pensar ou me mover com algum controle do meu corpo, ainda sim acompanhei a maca enquanto entrava no hospital, parecia até umas das muitas cenas tristes e dramáticas que gravei enquanto participava de Grey´s Anatomy logo uma médica nos parou fazendo algumas perguntas, e eu não conseguia responder, graças a Deus Marina estava sendo muito mais útil do que eu nesse momento.

O tempo estava passando e nenhuma notícia ainda, eu estava sentada em uma cadeira dura com as mãos no rosto tentando pensar em qualquer coisa que não fosse aquela menininha morrendo, eu não saberia viver com isso, eu não conseguiria seguir em frente pensando que poderia ter feito mais por ela, que desde o início devia tê-la tirado daquele lugar, mas o que mais eu poderia fazer também, ainda sim a culpa me corrói. Marina pareceu entender meu momento e permaneceu calada sentada ao meu lado, vi ela sair algumas vezes para usar o telefone, voltou com café em uma dessas vezes.

- Sara - me entregou a bebida e sentou novamente - eu tive que avisar o conselho tutelar, sobre a situação, e provavelmente eles devem estar vindo pra cá, eu segurei isso o máximo que pude, mas as coisas poderiam se complicar se eu não fizesse isso, achei que deveria te informar.

- Tá tudo bem, eu entendo, eles não fizeram muito por ela antes, espero que depois disso algo aconteça - falei desanimada.

- Vou fazer o que estiver ao meu alcance para que as coisas mudem - ela segurou minha mão me passando confiança e eu sorri triste pra ela.

- Vocês são as responsáveis por Carla Roseira? - uma médica que parecia bastante cansada e abatida nos abordou.

- Sim - me levantei apressada - como ela está? 

- Vocês são da família? - ela suspirou limpando a testa - desculpe é que não posso dar informações se não forem.

- Sou a responsável legal dela - Marina disse, enquanto ainda segurava minha mão - precisa ver algum documento? porque eu estou angustiada por informações.

- Não, está tudo bem - a médica disse cansada demais para se preocupar com burocracias - bom vocês trouxeram ela na hora certa, mais tempo e talvez ela não resistisse, e os primeiros socorros ajudaram muito também  - apertei a mão de Marina como em agradecimento - ela estava com duas costelas trincadas que deviam estar causando muita dor para respirar, percebi que os ferimentos são antigos e não pela massagem cardíaca - fez questão de enfatizar - teve um leve traumatismo craniano o que levou a convulsão que me relataram que ela teve antes de desmaiar, o baço foi rompido ela precisou de uma cirurgia de emergência para parar uma hemorragia que se agravou, ela está estável, mas ainda existe um considerável inchaço intracraniano que nos preocupa, ela precisa passar a noite em observação na UTI, ela está sedada e medicada, vou deixar que uma de vocês entre para vê-la mas apenas por 5 minutos, pois o horário de visita já acabou faz algumas horas.

Parecia que um peso havia sido tirado das minhas costas, eu consegui voltar a respirar normalmente só agora, sabia que havia complicações ainda, mas ela estava viva, isso que importava no momento.

- Tem mais uma coisa, eu alertei a polícia sobre o caso - voltei a prestar atenção na médica - eu reconheço lesões de agressão doméstica quando vejo - eu olhei para Marina e ela pra mim.

- Nós.. - eu ia falar mas ela interrompeu.

- Olha eu sei que não são parentes da menina e que não fizeram aquilo só pelo jeito que você estava amedrontada - ela olhou pra mim - eu percebo quando a preocupação genuína também, então pra todos os efeitos eu achei que eram parentes.

- Obrigada! - eu disse meio que sem voz e ela apenas balançou a cabeça.

- Qual de vocês vai vê-la agora?

- Eu - falei logo.

- Achei que fosse - ela sorriu cansada - vamos, vou te levar até a UTI.

 

PDV JESSICA

 

A volta pra casa foi relativamente rápida, o shopping não era muito longe e o trânsito ajudou, pois as pessoas nessa hora iam na direção contrária da nossa, Stefania e eu conversamos bastante sobre tudo e nada, ela me contou um pouco da sua infância na Itália e ainda me disse que vai me levar até lá para me apresentar alguns lugares que os turistas acabam não conhecendo e que são perfeitos e representa melhor seu país, segundo ela. Já na rua de casa, pude ver através do vidro do carro o caminhão de uma das lojas de móveis que passei hoje, provavelmente fazendo a entrega, fico feliz que hoje todo mundo vai ter uma cama quentinha e acolhedora para dormir e isso me deixou bastante aliviada.

- Obrigada por hoje - disse assim que o carro parou - você foi uma ótima e bem vinda surpresa.

- Não precisa agradecer, eu praticamente obriguei você a aceitar minha companhia hoje - deu uma empurradinha de ombro em mim.

- E eu fico feliz que tenha feito isso - empurrei de volta - sem sua ajuda eu não faria nem metade - sorri.

- Foi um prazer ‘’bella’’ - colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha me fazendo corar.

- Eu queria te convidar para entrar, mas deve estar uma bagunça lá dentro, e eu não tenho nem mesmo um café para oferecer - sorri me desculpando - além disso tenho que liberar a babá e tudo mais.

- Bella, bella.. - chamou minha atenção e segurou minha mão - eu não me importaria de entrar independente de como estão as coisas lá, mas acho melhor esperar seu tempo de organização - deu uma risadinha - fico esperando um convite para o jantar qualquer dia desses.

- Tudo bem! - falei sucinta.

- Bom, agora já tem dois compromissos comigo - se ajeitou melhor de lado na banco - motivos não vão faltar para nos encontrarmos novamente.

- Está bem, você está certa - sorri.

Quando me virei para beijar seu rosto antes de sair do carro, ela se virou junto e nossas bocas acabaram se tocando levemente na lateral, eu com certeza virei um pimentão vermelho, mas ela sorriu com o ocorrido,  senti que ela se aproximou um pouco mais, aquilo me deixou nervosa, então mais que rapidamente me afastei e sai do carro, agradecendo e sem olhar para trás. A situação toda me deixou nervosa, seus lábios eram tão macios que tive vontade de tocar neles, o que me fez levar a mão à minha própria boca enquanto caminhava na direção da porta de entrada,  mas porque eu estava pensando nisso? Saco Stefania não preciso de mais confusão na minha vida agora. Dei uma olhada rápida para trás e a morena ainda estava parada me olhando com um sorriso sacana nos lábios, me apressei em até a porta, para não criar mais um problema com Sara. Nossa a Sara! No que estava pensando quando me deixei levar por essa sensação estranha com a italiana, ela foi apenas uma boa amiga e companhia em meio a dias tão nebulosos que estou tento, eu devo estar muito ferrada psicologicamente mesmo pra me confundir com um simples “meio” selinho, sim meio, porque nossos lábios mal se tocaram, mas como seria se houvessem se tocado totalmente? Ai meu Deus preciso parar de pensar nisso, só posso estar ficando doida mesmo.

Mais recomposta entrei, suspirando um pouco mais alto do que eu esperava, olhando em volta as coisas ainda estavam no caos que eu havia deixado antes de sair, mas com alguns móveis agora para preencher mais o espaço, o que me fez meu cansaço se acentuar, pensando que tudo aquilo precisava ser guardado, organizado e ainda chegaria mais coisas. Logo vejo Camila se aproximando e ninando Poppy nos braços, ela dá um sorriso cortês ao me avistar.

- Olá senhora Capshaw - andei até elas.

- Oi Camila, me perdoe pelo atraso - fui logo me desculpando e beijando o rosto da minha bebe de leve para não acordá-la - acabei perdendo a hora enquanto comprava os móveis - retirei os sapatos dando uma folga aos meus pés - espero que o restaurante tenha entregado o almoço para vocês, e me desculpe a falta de talheres e tudo mais.

- Não se preocupe senhora, deu tudo certo - disse sorrindo - só não pude ajudar com a arrumação pois as coisas começaram a chegar no fim da tarde e entre ajudar Luke com os exercícios de casa e cuidar de Poppy.

- Camila não se preocupe, isso não era sua função de qualquer forma - deixei ela colocar Poppy no carrinho e resolvi me acomodar no sofá novo que estava ali - você já tem bastante trabalho com os dois - dei uma risada cansada - por falar nisso onde está Luke e a Sara?

- Luke está no quarto estava animado com as coisas que chegaram - sorri com a informação, pelo menos ele me daria uma trégua - a senhora Ramirez ainda não chegou, achei que estivessem juntas.

- Ela teve outro compromisso - me incomodou ela não ter voltado ainda, ainda mais estando com Marina - fiquei sem bateria, ele deve ter mandado uma mensagem - peguei o telefone no bolso e levantei atrás do carregador - mas Camila você já pode ir agora, me desculpe mais uma vez por demorar tanto, mas te pagarei um extra por isso.

- Não se preocupe, eu realmente não me importo - sorriu - eles já jantaram, acho que Poppy pode acordar querendo mais um pouco de leite, não durou muito na última mamadeira - brincou.

Logo me despedi de Camila a levando até a porta, coloquei Poppy no quarto e peguei a babá eletrônica e resolvi passar para ver como Luke estava e ele parecia bastante empolgado com as coisas que comprei para o quarto, confesso que a maioria tinha sido idéia de Stefania, ela parecia entender o que um menino da idade dele gosta, me disse que tem um sobrinho com a mesma idade de Luke e por isso sabia como agradá-lo, e ela estava certa, ele estava empolgadíssimo com alguns itens dos vingadores, até guardando suas roupas na nova cômoda ele estava. O deixei no quarto e resolvi tomar um banho, estava exausta, precisava descansar um pouco, meus pés e minha perna estavam me matando e agora até as minhas costas estavam pedindo clemência. Por sorte Ramirez tinha escolhido uma casa que tem uma banheira bem gostosa no quarto e achei que merecia um banho relaxante nela, e como merecia, meu corpo agradeceu assim que a água quente tocou minha pele por completo, respirei aliviada por aquele tempo de descanso que passei na água. Olhei para a babá eletrônica e Poppy seguia dormindo, então sai contrariada da banheira, coloquei um roupão e deitei um pouco na cama com minha neném sem coragem de me vestir ainda o cansaço estava me consumindo. Ela estava em um sono tão tranquilo que em pouco tempo acabei me deixando levar ao mundo dos sonhos também.

Acordei com meu corpo sentindo os efeitos do frio da madrugada, despertei ainda um pouco perdida, olhei para Poppy e ela estava bem esparramada na cama enquanto eu e encolhia em um canto, olhei pra mim mesma e ainda estava apenas com o roupão que havia colocado após o banho, levou algum tempo até que eu me desse conta que Sara não estava ali, achei estranho, mas ela podia ter ido para o quarto de hóspedes quando me viu já dormindo com Poppy. Me levantei para colocar um pijama, aproveitei e coloquei mais uma manta sobre a bebê, porque realmente havia esfriado e resolvi procurar Ramirez.

Ao chegar no quarto percebi que ela não estava ali, o colchão inflável estava vazio e aquilo me deixou preocupada, dei mais um olhada em todos os cômodos da casa, para ter certeza que ela não estava ou esteve ali, e não havia nenhum sinal dela, lembrei do meu celular que deixei carregando e rapidamente o liguei para ver se tinha alguma chamada ou mensagem dela explicando porque não voltou. Percebi que já eram 2 horas da manhã, o que era ainda mais estranho, rolando o aplicativo de mensagens vi que havia algumas do meu agente, Stefania também enviou algumas, fiquei tentada em abrir e saber sobre o que era, mas me concentrei em buscar notícias de Ramirez. Não encontrei nada, aquilo parecia muito estranho, rolando mais um pouco a tela, nervosa com medo de ter deixado passar algo, vi que havia quatro mensagens de voz do Fernando e nós pouco nos falamos, mas ele é o melhor amigo de Sara, então pode ser que tenha alguma notícia dela, abri a conversa e coloquei os áudios para escutar.

“Jessica, desculpe te avisar assim, mas Sara está presa”

Arregalei meus olhos e levei a mão à boca, atônita com aquela informação.

“Ela está na delegacia de Santa Mônica” 

Olhei para o celular, tentando entender a quanto tempo aquilo tinha acontecido e já fazia muitas horas, eu andava de um lado para o outro tentando entender como aquela informação poderia ser real e me repreendendo por ter dormido e não ter olhado o celular.

“eu estou indo pra lá com um amigo advogado, não se preocupe que resolvo isso”

Eu precisava ir até lá, saber o que aconteceu e ajudar de alguma maneira, isso estava muito estranho, Sara jamais cometeria um crime, ela nem quis levar escondido a touca cirúrgica da Callie quando saiu da série, ela pediu a produção. Estava pensando no que fazer com as crianças para ir até lá quando iniciei o último áudio.

“Se precisar de alguma coisa é só me ligar, mais uma vez não se preocupe, vai ficar tudo bem”

Na mesma hora tentei ligar para ele, minhas mãos tremiam um pouco pelo nervosismo, enquanto escutava o som do celular chamando.

 


Notas Finais


Tá gente eu sei que sou má nos finais, mas sei que no fundo vcs gostam rsrs
até a próxima..


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