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História Tell Me You Want - Capítulo 11


Escrita por: pandinne

Capítulo 11 - Encantado


Era segunda-feira, sete e meia da manhã e eu já estava de pé. Bada estava calma, mesmo assim tive de dar seu remedinho e a comidinha. Em seguida, entrei no chuveiro e dez minutos depois saí para me vestir, ajeitar meus fios alongados e passar meu delicioso perfume.

Uma hora depois, cheguei ao escritório e esbarrei-me com Siwon no elevador, para nos dar parabéns por ele também gostar do mesmo time que ganhou a corrida. Estávamos emocionados, falando sobre nosso fim de semana e, como sempre, terminamos em gargalhadas. Subimos até a cafeteria e ali trocamos abraços com os outros colegas pela vitória de ontem. Depois nos sentamos para tomar o café da manhã, e dez minutos depois, o biscoitinho que eu segurava caiu da minha mão quando vi EunHyuk entrar com minha chefe e outros dois diretores. Ele estava incrivelmente maravilhoso em seu terno escuro e sua camisa social clara. Sua expressão séria indicava que estava falando de trabalho, mas acabou fixando seu olhar ao meu quando chegaram ao balcão para pedir seus cafés. Desviei minha visão e continuei a conversa com minha roda de amigos, aproveitando ter a companhia deles. Ainda que, olhando de canto de olho, eu conseguia vê-los sentado numa mesa afastada da nossa.

EunHyuk se acomodava na cadeira que ficava diante de mim. Olhava-me e eu retribuía o olhar da mesma forma. Nossos olhares encontraram-se durante uma fração de segundos e, como era de se esperar, meu corpo acabou reagindo com arrepios involuntários.

— Que saco! Os chefes já chegaram! – Comentou Siwon com desgosto. – Aliás, me disseram que outro dia você e o novo chefão ficaram presos no elevador.

— Pois é... Nós e algumas outras pessoas. – Respondi sem muita vontade. – Vem cá, você que era secretário do pai dele... O velhote morreu de quê? – Perguntei interessado em saber mais sobre nosso chefão.

— Na verdade, ele era um homem estranho e muito calado. – Os olhos de Siwon buscaram com curiosidade a mesa do fundo. – Dizem que morreu de ataque cardíaco. – Parando o que dizia por segundos, ele os observou mais um pouco – Pelo visto, nossa chefe gosta do novo chefão. – E sussurrou ao ver nossa chefe rir. – É só ver como ela ri e mexe no cabelo. – Sem conseguir evitar, olhei para a mesa deles e, de novo, meus olhos cruzaram com os olhos gélidos de EunHyuk.

— O pai dele tinha outros filhos?

— Sim... Mas só o Iceman está vivo.

— Iceman!? – Pendi levemente a cabeça para o lado com as sobrancelhas unidas, sem entender nada.

— EunHyuk é o Iceman. O homem de gelo.  – Siwon sussurrou, aproximando-se mais de mim para que apenas eu escutasse. – Não reparou na cara emburrada que ele tem? – Ao escutar isso inflei as bochechas tentando conter um riso, sem sucesso, que só não saiu alto porque eu tapei a boca. – Pelo que a chefe me disse, ele é duro na queda. Pior que o pai. – Acrescentou, dando um pequeno empurrão em meu braço para que eu parasse de rir.

Escutar aquilo não era surpresa, não me admirava que ele fosse assim. Dizem que a cara é o espelho da alma, e a cara de EunHyuk é um desespero contínuo. Mas o apelido havia me agradado. Ainda assim, eu queria saber muito mais.

— Por que você disse que ele é o único que está vivo?

— Porque parece que tinha uma irmã, mas ela morreu há uns anos.

— O que houve com ela?

— Não sei, Hae... O senhor todo poderoso nunca falava disso. Só sei que morreu porque um dia ele me disse que tinha que ir à cidade natal para o enterro da filha. – Saber disso fez com que a chama da pena dolorosa acendesse em meu peito. Duas mortes em tão curto espaço de tempo deveria ter sido muito doloroso. Digo isso porque perdi meu pai também há dois anos, e foi muito difícil me recompor. – O pai dele estava separado da mulher. – Continuou Siwon, retirando-me de meus pensamentos. – Iceman e ele não tinham uma boa relação, por isso o novo chefão nunca vinha à Seul.

Esses novos dados me deixaram inquieto, e eu ficava cada vez mais curioso querendo saber mais.

— E por que não tinham uma boa relação?

— Não sei, gatinho. – Respondeu Siwon, me tirando um sorriso tímido pelo adjetivo que havia usado. – O senhor Lee era muito reservado em relação à vida particular dele. – Disse, enquanto ajeitava uma mecha de cabelo atrás da minha orelha, fazendo-me encolher timidamente. – Aliás, quando você vai sair comigo para irmos àquela boate? – Ele perguntou despreocupadamente, e eu sorri instantaneamente ao escutar.

— Acho que nunca. – Respondi, encarando-o e apoiando os cotovelos sobre a mesa com minha cabeça entre as mãos. – Não gosto de misturar trabalho e prazer. – Minha resposta era carregada de uma ironia que ele não entendeu, mas me divertiu.

— Quando você fala em prazer... – Ele murmurou chegando mais perto para continuar sua frase. –... a que tipo se refere?

— Deixa eu te explicar, seu metido. – Sussurrei sem me mover um milímetro sequer. – Você é muito legal e o docinho que todas as garotas e até mesmo os homens do escritório gostariam de comer, e eu sou um cara muito ciumento e não gosto de compartilhar. Então, vá procurar outra presa, porque comigo você não tem a menor chance.

— Hummm... Quer dizer que você gosta de coisas novas e também sai com homens?

Corei instantaneamente com seu comentário. Eu sequer prestei atenção em minhas palavras, já que Siwon não escondia de todos que pegava as duas frutas.

— Siwon!

— Adoro pessoas difíceis!

— Yaa! Você entendeu errado!

— Você não sai com homens ou não sai comigo?

— Yaa!

Seu comentário me fez soltar uma gargalhada, e em seguida Siwon fez o mesmo. De repente, vi EunHyuk se levantar e sair da cafeteria, jogando no ar seu olhar mortífero que quase me arrancou a respiração. Mas finalmente consegui voltar a respirar ao perceber o alívio pra mim, que era não tê-lo por perto.

Dez minutos depois, meus colegas e eu voltamos aos nossos lugares. E quando cheguei à minha mesa, vi que a porta da sala do chefão estava aberta.

Droga... Eu não queria vê-lo.

Sentei-me em minha cadeira e, de repente, meu celular apitou obrigando-me a ler: “Paquerando em horário de trabalho?”

Mas que porra é essa?

Aquilo me incomodou bastante, mas acabei sorrindo. No fundo, o humor de EunHyuk me divertia. Eu não pretendia responder, mas, como sempre faço quando estou nervoso, comecei a coçar o pescoço e meu celular apitou novamente. Rapidamente apertei o botão para ler a mensagem e li: “Pare de se coçar, senão as alergias vão aumentar.”

          — Céus... Ele está me observando? – Cochichei comigo mesmo.

Olhei na direção da sala de EunHyuk e o vi sentado na mesa que foi de seu pai. Ele parecia se sentir poderoso naquela posição. Estava me provocando, mas eu definitivamente não iria cair em seu joguinho.

Fiz uma cara de poucos amigos e, surpreendentemente, ele curvou os lábios enquanto segurava uma risada. Apertei os olhos, completamente irritado, enviando para ele uma expressão de quem o mataria com apenas um piscar. Por sorte aquele clima se dispersou quando senti a presença de alguém ao meu lado, recompondo-me no mesmo instante.

— DongHae-ssi, se alguém me ligar, passe a ligação para a sala do senhor Eunhyuk. – Minha chefe disse, após aparecer e atrapalhar nosso campo de visão.

Concordei com a cabeça, sem abrir a boca. Minha chefe caminhava até a sala dele, rebolando os quadris ao entrar no cômodo e fechar a porta atrás de si. Dei de ombros, começando a trabalhar e, no meio da manhã, a porta da sala se abriu, me fazendo bisbilhotar minha chefe saindo dali com uma pasta em mãos.

— DongHae-ssi. – Ela disse. – Vou me ausentar do escritório por uma hora. Se o senhor Eunhyuk precisar de qualquer coisa, resolva para ele. – E virou-se para Siwon com um sorriso, fazendo menção a dizer algo apenas com o olhar. – Venha comigo.

Meu amigo sorriu e eu acabei copiando o sorriso, levando minha destra ao nariz para ao menos disfarçar o que eu sabia que eles iriam fazer.

Ai...Ai!

Vão foder por uma hora... Que sortudos.

Se eles soubessem que eu estou sabendo de tudo...

Meu telefone tocou assim que os dois sumiram da sala, irritando-me novamente por saber que era EunHyuk. Porém, acabei atendendo.

— DongHae-ssi, pode vir aqui na minha sala, por favor?

Minha vontade era de dizer não, mas isso não seria profissionalismo e eu, antes de tudo, era um profissional em tudo o que faço.

— Agora mesmo, EunHyuk-ssi. – Respondi irônico e desliguei o telefone logo em seguida. Levantei-me e fui direto a sala dele. – O que o senhor deseja? – Perguntei ao vê-lo com a cabeça repousada no encosto alto da cadeira de couro preta.

— Feche a porta, por favor. – Ele pediu olhando dentro dos meus olhos, depois apertou a mandíbula como se estivesse com raiva de algo. Aquele maxilar delicioso ficou mais evidente, o que me deu vontade de lamber ele todinho.

Suspirei, sentindo minha pele começar a arder. Meu maldito pescoço com certeza iria me denunciar e isso já começava a me incomodar. De qualquer forma, eu obedeceria, então fui direto fechar a porta como solicitado.

— Parabéns... Seu predileto ganhou a corrida!

— Obrigado, senhor. – Agradeci seco, pensando comigo mesmo como ele sabia sobre essa informação e tentando entender como podia mudar de expressão tão facilmente.

O silêncio entre nós dois ficou insuportável, rompido apenas por sua curiosidade inexplicável e aquela expressão via retornando.

— A noite foi boa? – Ele questionou. Não respondi. – Quem era a garota que você beijou e com quem passou dezessete minutos dentro do banheiro masculino? – Inquiriu com autoridade. Boquiaberto, continuei olhando para ele sem conseguir acreditar naquilo, ao mesmo tempo em que eu tentava entender como sabia tanto. – Fiz uma pergunta. – Insistiu. – Quem era?

Enfurecido com o que acabei de ouvir, minha vontade era de pegar a caneta que estava comigo e enfiar no crânio dele, mas novamente controlei meus impulsos assassinos, me segurando com toda a força que ainda existia em mim.

— Isso não lhe diz respeito, EunHyuk-ssi. – Consegui responder seco, enquanto por dentro eu estava fervilhando e tramando mil cenas para massacrá-lo.

Era inacreditável... 

Ele estava me espionando?!

Sinto-me invadido.

— O que há entre você e o namoradinho da sua chefe? – Ele prosseguiu, inabalável. Pisquei os olhos diversas vezes, olhando-o incrédulo.

Socorro... Olha a que ponto chegamos!

Quem ele pensa que é para me fazer essas perguntas?!

— Veja bem, EunHyuk-ssi, não quero ser desagradável, mas nada do que o senhor me pergunta é da sua conta. Então, se o senhor não deseja mais nada, voltarei à minha mesa.

Antes que ele tivesse tempo de dizer qualquer outra coisa, saí da sala e bati a porta, num poço de irritação. Comecei a xingar até o pernilongo que de repente apareceu voando na minha frente.

Bufando, segui até minha mesa. Mas quando fui me sentar, o telefone interno tornou a tocar. Quase caí ao me desequilibrar com o susto, e olhei para o aparelho inventando novos tipos de palavrões. Mesmo reclamando, tive de atender.

— Lee DongHae-ssi, venha à minha sala... Já! – A voz de EunHyuk soava enfurecida, mas eu também estava dessa forma. Desliguei e, contrariado, entrei de novo disposto a mandá-lo à merda.

— Sim? – Torci os lábios em um sorriso forçado, embora eu não conseguisse esconder o olhar assassino que mandava a ele.

— Traga-me um cafezinho. – Ordenou com um sorriso debochado nos lábios carnudos e convidativos.

Desgraçado...

Filho de uma concubina...

Aproveitando-se do meu profissionalismo...

Argh... que ódio.

Saí da sala e fui direto à cafeteria, não demorando a voltar e deixar o café em cima de sua mesa.

— Não tomo café com açúcar... Traga adoçante.

— Ah... Claro, se-nhor!

Desviei o olhar raivoso e, muito puto da vida, repeti o percurso xingando todas as gerações da família de EunHyuk.

Logo eu estava de volta com o maldito adoçante para que pudesse entregá-lo.

— Coloque cinco gotinhas no café, e mexa.

Como assim?

          Ele quer que eu misture seu maldito café?!

Aquela ordem me deixou indignado. Ele não parava de me olhar, e a sua expressão de superioridade me tirava do sério. Eu tinha vontade de jogar o café na cara dele e mandá-lo plantar batata, mas no fim das contas, acabei fazendo o que ele havia pedido, sem contestar. Após terminar o solicitado, deixei o café em sua frente e me virei para sair de sua sala.

— Não saia, DongHae-ssi. – Após seu pedido, escutei a cadeira ser arrastada para que ele se levantasse.

Voltei meu olhar até o dele. Suas sobrancelhas estavam franzidas, as minhas também. Ele estava furioso, eu também. Pude observá-lo rodear a mesa e sentar-se nela com os braços cruzados e as pernas abertas. Sua atitude me intimidava e nossa distância diminuía. Isso me deixava nervoso.

— Hae-ah...

— Para o senhor, sou Lee DongHae, ou DongHae-ssi, se o senhor não se importa.

Ele me olhou com sua costumeira cara de mau humor e eu acabei sentindo que o ar estava tão pesado, que qualquer um que ousasse entrar na sala poderia cortá-lo com uma faca.

— Lee DongHae, aproxime-se.

— Não.

— Aproxime-se!

— O que o senhor quer? – Perguntei engolindo minha saliva.

— Aproxime-se, por favor. – Ele murmurou entredentes, sem alterar sua expressão dura.

Respirei fundo para que ele visse meu estado de desânimo, dando alguns passos adiante. Seu olhar duro exigia que eu me aproximasse mais um pouco, mas eu não me deixava amedrontar.

— EunHyuk-ssi, não vou chegar mais perto. Pode me demitir se isso o fizer sentir o Rei do Universo. Mas não vou me aproximar mais do senhor. E, de quebra, ainda vou denunciá-lo por assédio se tentar fazer alguma coisa.

Ele se afastou da mesa, dando dois passos em minha direção e ganhando dois passos meus em recuo. Frustrado, soltou o ar bufando e pegou meu braço, puxando-me até abrir as portas do armário de arquivos antes que eu tivesse alguma reação para desvencilhar-me de suas ações. Ali dentro, empurrou-me um pouco mais e, uma vez protegidos pela privacidade que o lugar nos dava, pegou minha cabeça com as mãos e me atraiu para si, atacando meus lábios furiosamente com um beijo voraz. Eu não conseguia reagir, não havia tempo para eu sequer resmungar nada.

Desta vez, ele não ficava roçando de leve sua língua em meus lábios, não me pedia permissão, apenas me puxava para si e me beijava com toda a vontade que tinha em sua boca. Empurrava-me contra os arquivos, não se importando se com toda a urgência acabaria derrubando algo. Ele só me desejava, de um jeito que ninguém nunca demonstrou desejar. E isso fazia com que meu corpo não pudesse mais recuar, minha boca não ousasse mais se afastar; a não ser até que ele abandonasse meus lábios.

Ele se afastou, mas não completamente, podendo sussurrar com os lábios roçando aos meus sensualmente: — Quase não dormi pensando em você e no que você fazia com aquela garota ontem à noite.

— Mas... Eu... Não fiz nada... – Respondi com um fio de voz, surpreso com o que ele havia dito. Ele apertou seu quadril contra o meu, me fazendo sentir sua ereção.

— Ela te agarrava. Não parava de olhar seu corpo. Você ainda se deixou beijar e entrou com ela no banheiro masculino. Como pode dizer que não fez nada?

— Faço o que eu bem entender com minha vida e meu corpo, EunHyuk-ssi. – Respondi, enlouquecido pelo que ele estava me fazendo sentir com suas palavras e a proximidade. – Não sou um desses bonequinhos os quais, suponho, que o senhor esteja acostumado a dar ordens. – Dei um empurrão nele, afastando-o de mim. – Não toque em mim de novo ou...

— Ou?! – Sua pergunta banhada com uma sexy defesa contra minha ameaça, me arrepiou.

— Ou... Ou sou capaz de qualquer coisa. – Respondi firme.

— Hae-ah... Você me deseja tanto quanto eu te desejo. – Sussurrando, ele se aproximou de mim novamente. Seu rosto estava tenso e seus olhos não paravam de me encarar. – Não negue isso.

Não consegui responder. Sua proximidade me despertava mil sensações. Meus olhos faiscavam sem eu saber se era de indignação, desejo, ou sei lá mais o quê. A questão era que faiscavam enquanto aquela escultura sexual estava me encarando com um olhar completamente intimidador, que conseguia me dominar completamente.

— Não estou afim de...

— De sado? Isso eu sei, pequeno. – Sua resposta me pegou tão de surpresa, que eu nem sabia o que responder. Aquele olhar me paralisou de um jeito assustador. Eu não conseguia ter reação. – Está ficando nervoso? – Ele perguntou, voltando a me desconcertar.

Como ele podia se lembrar daquilo que lhe expliquei no elevador?

Toquei meu pescoço, infestado de alergias pelo nervosismo. Eu estava a ponto de dizer algumas das minhas grosserias, quando percebi que ele fazia uma careta, fingindo-se de preocupado.

— Não se coce, Hae-ah.

Sem dar tempo de eu me mexer, ele se inclinou e soprou meu pescoço. Fechei os olhos, apreciando aquele rápido ato tão nostálgico de nosso primeiro encontro no elevador. Minha indignação diminuía de intensidade. Era o que ele queria, e conseguiu.

— Desculpa por ter lhe deixado nervoso, hm? – Hyuk sussurrou de repente em meu ouvido, me encarou e selou nossos lábios com paixão. – Desculpa, pequeno.

Céus... 

Seu poder era imenso... 

Tão imenso, que ele já me tinha na palma de sua mão.

Como eu sou fraco quando se trata desse homem...

Nunca consigo entender o que ele realmente é...

Uma hora é totalmente um desgraçado e, de repente, consegue me amolecer com um simples pedido de desculpas.

Sem que eu percebesse, ele começou a me seduzir, lambendo e beijando a pele sensível de meu pescoço, para depois percorrer lentamente o caminho até meus lábios sedentos pelos dele. Com lentidão, ele enfiou sua língua em minha boca e me beijou, pela primeira vez, com sofreguidão.

          Eu sabia o que ele estava fazendo. Isso era sacanagem! EunHyuk estava me saboreando, domando, me tomando para si como sempre conseguia fazer desde nos conhecemos. E meus pensamentos de raiva e ira se apagavam, de forma que tudo o que eu queria era beijá-lo, permitindo que ele fizesse isso.

O que estava acontecendo comigo?!

Meu desejo era me conter, mas não dava, eu não conseguia. Nunca fui brinquedinho de ninguém, ainda mais de um homem. Mas ele conseguia me controlar de uma forma absurda. Eu o desejava com a mesma intensidade com que preciso do ar que respiro, e isso me assustava profundamente. O desejo por esse homem me queimava o baixo ventre, a pele, tudo. Apenas com um toque, eu me sentia completamente duro. E a única coisa que eu queria ali era que ele me tirasse a roupa e me possuísse.

Cravei meus olhos nele, e lá estava sua cara séria e arrogante me enfeitiçando. Droga, EunHyuk me deixa louco. Ele é tão sexy e avassalador, que eu não conseguia recusar qualquer coisa que ele exigia de mim. Nunca havia me sentido assim antes, e acho que eu não poderia fazer nada para evitar isso.

Enquanto eu martelava insanidades em minha mente, ele desabotoava minha calça, enfiando sua mão com rapidez dentro de minha boxer para pegar diretamente em meu pênis.

— Você está duro pra mim, pequeno... Hm. – Safado, ele sussurrou de um jeito sensual que quase me fez gozar.

— Hm... Cala boca.  – Gemi inconsciente, entregue aos seus toques.

O que ele iria fazer? Tirar minha roupa no meio da sala de arquivos? Não sei. Só sei que enfiou a outra mão por trás de meu corpo, adentrando-a sem restrição. Ia ainda mais fundo em minha peça, fazendo-me sentir um de seus dedos escorregando o máximo que podia, até o meio da minha bunda. Segundos depois, mais um. Aproveitou de um impulso e subiu a mão da frente até minha cabeça, segurando-me pelo cabelo e puxando meus fios com uma dominância que me fazia ofegar.

Safado que era, ele moveu minha cabeça com um movimento brusco e tornou a me beijar com impaciência enquanto me fazia abrir as pernas com sua coxa entre as minhas. Seus dedos entravam e saíam da minha bunda algumas vezes, descendo a mão dos meus fios para tocar uma punheta pra mim, não demorando a aumentar a intensidade em que a mão que segurava meu pênis se mexia. Masturbava-me e penetrava os dedos sem vergonha alguma, tendo-me completamente amolecido em seus braços. Eu não podia gemer ali, dentro da sala de arquivos, e por sorte sua boca estava sobre a minha novamente, engolindo meus gemidos abafados pelo beijo que me consumia completamente.

Eu podia ficar naquele momento insano durante horas, mas sequer conseguia ver os minutos passarem tão rápido. Só conseguia me deixar levar por todo e qualquer toque dele que queimava e rasgava minha pele de tanto prazer. Meus ofegos eram abafados por sorrisinhos ordinários que escapavam do canto dos lábios dele ao perceber que minha ereção pulsava entre seus dedos. E eu já sabia que meu ápice estava próximo.

— Quer gozar, hm? – Ele sussurrou entre nossos lábios.

— Ai... Quero... Muito… Quero gozar bem gostoso. – Minhas palavras eram tão pervertidas, que meu lábio inferior era mordiscado entre elas conforme meus gemidos, que pareciam estar agarrados em minha garganta, mas de tão engasgados, escapavam.

— Hm… Então vai gozar bem gostoso dentro da minha boca.

Meu corpo voltava a reagir às suas palavras. O prazer que ele estava me dando, fazia-me querer mais. E o brilho sensual de seu olhar me deixava louco, desejando que ele arrancasse minha roupa e me jogasse no chão, para me foder até não querer mais.

Ali mesmo, ele se agachou diante de mim e abaixou minha calça até os joelhos, envolvendo meu pau naquela boca deliciosa de uma só vez. Mordi meu lábio, pois se eu não fizesse isso, com certeza, iria gritar e o escritório inteiro viria até nós para saber o que estava acontecendo.

— Vamos, pequeno... Entregue-se. – Murmurando com meu pau roçando em seus lábios avermelhados, EunHyuk tirou todo o fio de sanidade que havia em mim.

— Ahn... Isso... – Balbuciei quase inaudível, tencionando as costas com um dobrar das pernas enquanto me deixava dominar por ele com todo o prazer que continha em meu corpo.

Eu não conseguia mais me segurar; queria meu pau ainda mais fundo dentro daquela boca. Ele chupava, sugava e engolia meu pênis de um jeito profissional, que eu ficava bobo de como era tão diferente a cada vez que o fazia.

— Puta que... Ahn! – Levei minha destra à minha boca e mordi a mim mesmo para abafar o gemido enlouquecido, explodindo num orgasmo maravilhoso. Senti meu corpo inteiro se contrair e minhas pernas perderem a força, vendo-o engolir toda a minha porra.

Pouco a pouco EunHyuk parava de me chupar, lambendo o canto dos lábios até levantar minha roupa, embora eu resmungasse, querendo protestar. Ele se deu conta disso e voltou a segurar minha cabeça entre as mãos possessivas que queimavam em minha pele.

— Você me deve um orgasmo, pequeno. – Ele ironizou entre uma lambida vulgar em meus lábios, que ainda buscavam por controle do ar.

Não consegui responder. Só o que consegui fazer foi abrir a boca e entrelaçar sua língua à minha, deliciando-me com seu sabor excitante e perigoso misturado ao meu. Todo o prazer me dado fez com que eu esquecesse outra vez da minha irritação anterior e de que tudo o que estava ao nosso redor era perigoso. Eu não queria mais pensar que ele me usava como um brinquedinho, muito menos pensar que era meu chefe. Simplesmente não queria pensar em nada naquele momento, apenas em nós dois.

Dois minutos depois, com a respiração mais compassada, ele parou de me pressionar contra as gavetas dos arquivos e eu, finalmente, recuperei o controle de meu corpo.

Droga...

Mas o que eu fui fazer de novo?!

Como posso ser tão idiota cada vez que esbarro com ele?!

— Voltou a pensar sobre minha proposta? – EunHyuk indagou indiferente. Ele pareceu notar o que eu estava pensando e me lançou um de seus olhares gélidos.

— Já te dei a resposta ontem e falei que eu não aceitava. – Tentei olhar para ele, com o mesmo semblante indiferente. Mas era difícil enfrentar o Iceman, sentindo que eu estava perdendo toda a compostura. Ele apertou os lábios e eu acabei soltando um suspiro.

— Por que você é tão cabeça-dura? – EunHyuk acrescentou. – Minha proposta lhe daria algum retorno financeiro.

— Só financeiro?

Ele sorriu de escárnio diante da minha pergunta.

— Tudo depende do que você quiser. Você decide, Hae-ah... Por enquanto preciso de um secretário. O sexo vai surgir se tiver que surgir.

— E se eu me recusar a deixá-lo surgir outra vez? – Rebati, tentando acreditar na minha própria mentira. Ele olhou para mim e desceu as mãos até minha calça, abotoando-a.

— Vou aceitar sua decisão. – E acrescentou com tranquilidade: – Se você não quiser, outra pessoa vai querer.

Ai, que filho da puta!

Como é idiota, metido e marrento!

Dito aquilo, ele saiu da sala de arquivos deixando-me sozinho, antes que eu tivesse a oportunidade de retrucar.

Durante alguns segundos, fechei os olhos e fiquei me culpando pelo acontecido. E apenas uma pergunta invadia minha mente:

Por que sou tão fácil quando estou com ele?

 

Ajeitei minha blusa e o cabelo, indo atrás de EunHyuk logo após. Ele estava sentado diante de sua mesa e, com as sobrancelhas contraídas, olhou para a tela do computador.

Desconcertado e culpando a mim mesmo, andei com calma até a porta, disposto a sair sem esperar que ele dissesse mais nada.

— Eu disse que você tinha até terça-feira para responder e mantenho esse prazo. – Ele comentou, como se nada tivesse acontecido. – Agora pode voltar à sua mesa. Se eu precisar de você de novo, ligarei.

Fiquei vermelho como um tomate, apertando meus dedos na maçaneta e sentindo uma raiva imensa tomar conta de mim. Respirei fundo e dei um impulso para sair da sala, apoiando-me na porta após fechá-la. Minha respiração tornava a ficar ofegante, lembrando-me o que eu havia acabado de deixá-lo fazer. Meus olhos percorriam todo meu arredor, preocupado que tivesse alguém por perto. Mas, por sorte, todos fora da minha sala estavam trabalhando. Aparentemente ninguém percebeu o que havia acontecido.

Peguei minha mochila e fui ao banheiro. Eu precisava me lavar, pois dava para sentir minha boxer melada, e isso me incomodava.

 

Voltei à minha mesa vinte minutos depois, vendo que Siwon e minha chefe também já haviam voltado. EunHyuk e eu não nos falamos nem nos olhamos outra vez. 

As duas portas da sala se abriram e minha chefe e ele saíram juntos. Ele não olhou para mim, apenas minha chefe lançou um olhar em minha direção para dizer algo.

— Vamos almoçar, DongHae-ssi. – Hechullie me informou. Meneei a cabeça positivamente e respirei, aliviado.

Comecei a arrumar tudo em cima da minha mesa, vendo Siwon pegar suas coisas para poder ir almoçar quando, do nada, escutei meu celular tocar. Levei minha destra preguiçosamente até o aparelho e atendi, escutando minha irmã do outro lado da linha:

— Hae... Você tem que vir para casa. – Ao escutar aquilo, fechei os olhos e me sentei de pernas bambas. Ela não precisava continuar falando. Eu sabia o que havia acontecido. – Agora!

Contive minhas lágrimas ao desligar o telefone. Eu não podia chorar no escritório, afinal de contas, eu era um homem forte e não gostava de fazer cena.

Procurei Siwon e o encontrei conversando com uma das garotas do escritório, provavelmente uma das que ele pegava. Fui até ele e o avisei que surgiu um problema urgente e que eu não voltaria. Ele concordou sem prestar muita atenção e eu andei até minha mesa outra vez. Sentei, bebi água da garrafinha e, por fim, peguei minhas coisas.

Minhas mãos estavam tremendo e minhas bochechas ardiam em uma vontade imensa de chorar. Fiz um esforço para desligar o computador, controlando minha tristeza e caminhando até chegar ao elevador. Depois corri até o estacionamento para, só então, me permitir chorar.

Quando cheguei em casa, minha irmã estava com os olhos encharcados de lágrimas. Bada respirava com muita dificuldade e eu imediatamente liguei para o veterinário. Ele, que me conhecia há anos, disse para correr com a Bada até a clínica. Era quatro e meia da tarde, e após a injeção que o veterinário lhe deu para menos dor, minha princesinha foi-se embora. Minha companheira, minha filhotinha, iria me deixar para sempre com o coração despedaçado e com a sensação de uma perda irreparável.

Inclinei-me sobre a mesa onde o corpinho sem vida de Bada descansava e a beijei. Litros de lágrimas embaçaram totalmente minha visão, enquanto eu acariciava, pela última vez, a cabecinha peluda de minha inesquecível filhotinha.

— Adeus, minha princesinha.



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