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História Unconditionally - Capítulo 23


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Notas do Autor


Oi, amores. Demorei porque, se eu não me matar até o final desse semestre da faculdade, é por um puro milagre, acreditem.

Capítulo 23 - Cura


SEUS lábios são quentes e suaves como um toque de pluma contra os meus mornos, aconchegáveis o bastante para se tornarem viciosos. Meus dedos se encaixam em seu pescoço, na região de sua nuca, e as pontas se engolfam entre seus fios acobreados e lisos.

Sua respiração quente bateu abafada contra meu rosto, como uma brisa aquecida por um dia quente, e eu quase posso sentir as barreiras que criei desmoronarem gradualmente.

As três semanas que se passaram surgem como um filme em minha mente e tudo o que mais vejo é Louis. Louis sorrindo para Amy, Louis dançando desajeitadamente enquanto arruma o cabelo no espelho grande do banheiro; Louis brincando com Jake, Louis lendo, Louis sorrindo…

Louis, Louis, Louis…

Preparei a casa para perfazer de uma vez por todas minhas duvidas e agora com seus lábios contra os meus, sua presença marcante e seus sentimentos sempre presentes, dou-me conta de que finalmente eu quero tentar.

É isso. Eu vou tentar.

Acordo de meus pensamentos quando sinto algo contra meu rosto. Finas e tórridas gotículas deslizando por suas bochechas, um longo e lento caminho tortuoso até tocarem nossos lábios unidos, salgando-os enquanto se espalha. Lentamente, afasto-me de seu corpo e fito preocupadamente sua faceta.

Seus olhos estão firmemente fechados e seus cílios um pouco volumosos tocam suas bochechas de forma graciosa e delicada, como um leve toque de pluma sobre uma preciosa e rara peça de porcelana. Seu corpo treme fragilmente enquanto suspiros escapam melodiosamente dolorosos de seus lábios finos farteis.

Vinquei minha testa, perdido em meus caóticos e tortuosos sentimentos e, ao mesmo tempo, preocupado com o frágil Louis a minha frente.

- Hey. –  Elevo uma de minhas mãos até seu queixo e levantei seu rosto. – O que há?

Minha pergunta saiu baixa e fendida sobre minha voz rouca, e ao contrário do que eu imaginei, Tomlinson não abre seus olhos para me fitar. Os fios de seu cabelo acobreado um pouco longo tocam sua testa e meus dedos roçam sua pele em uma pura necessidade de senti-los em meu tato, e sem me segurar, retiro a mão que antes estava abaixo de seu queixo, destinando-a de forma acautelada até os fios bagunçados.

As pontas longas de meus dedos raspam por sua testa em um toque quase que imperceptível e, por fim, coloco suas madeixas para o lado afastando-as de seu rosto. Os sôfregos suspiros ainda se encaminham para fora de seus lábios, arranhando e atormentado o ar.

- Olhe para mim, Lou. – Suplico-lhe em um sussurro soprado. – O que há?

Devagar, seus olhos se abrem, e logo, suas íris estão contra as minhas. Dizem que os olhos das pessoas são como janelas para a alma. A alma de Louis era o mar. Um mar tortuoso azul profundo com ondas perigosas que nesse momento se afoga em suas próprias águas.

Apenas alguns segundos depois e suas íris já não estão fincadas em mim, sua visão se arrastou para algo atrás de meu corpo e eu me viro para ver o que há. Sobre o batente da porta, há uma câmera apontada exatamente em nossa direção. Eu suspiro, finalmente entendo e me virando para Louis novamente.

- E por causa das câmeras? – Pergunto já sabendo a resposta. Ele morde os lábios, confirmando fracamente e eu suspiro sorrindo na mesma intensidade que seu gesto. – Não tenha medo, Lou. Quando eu desliguei o quadro geral, a energia de toda a casa foi cortada e as câmeras desligadas como consequência. Só há nós dois. Não há câmeras para nos vigiar. É apenas você e eu.

Seus olhos me fitam novamente com voracidade, seus cílios úmidos reluzem as pequenas gotículas salgadas na tremeluzia luz de vela. Seus lábios abrem e se fecham logo após, vacilantes em suas possíveis palavras incertas.

- Eu apenas... – Pausou logo após começar, os filetes de suas lágrimas se intensificam e descem torrencialmente por suas bochechas um pouco rubras pelo seu choro, ele engole rusticamente. – Eu apenas queria que fosse real, eu quero que seja real e não é, Harry! É apenas mais um capítulo de uma mentira que dura há três anos e que me apunhala mais e mais. – Ele soluçou, entrecortando sua fala. – Só queria que fosse real.

Suas lágrimas escorrem por seu rosto e pingam sobre a rosa vermelha em seu colo, umedecendo as pétalas. Novamente, ele fecha os olhos enquanto tenta acalmar sua respiração e solavancos.

O silêncio recaiu sobre nós, e tudo que invade meus sentidos, é sua respiração sem ritmo enquanto seus olhos cravaram em meu rosto mais uma vez, subitamente. Então, ele parece finalmente se dar com de algo.

- Por que fez isso, Harry? – Ele interpela com sua voz rouca. – Por que fez isso sendo que está tudo desligado?

- Nessas três semanas, algo mudou para mim. – Comecei baixo enquanto meus dedos descem por suas bochechas, retirando os rastros de suas lágrimas quentes, ele fechou seus olhos instintivamente, sentindo meu toque. – Talvez tenha sido o fato de você ter ficado do meu lado no hospital, ou talvez tenha sido o modo como você segura e desfruta uma bela e calorosa xícara de chá, eu não sei. – Suspirei fitando seu rosto. – Eu quero tentar, Louis. Eu vou tentar.

Não desvio meus olhos de seu rosto em nenhum instante, e me deleito assistindo ele reabrir os olhos para voltar a me encarar. As ondas tortuosas de seu mar particular contém um brilho apenas visto por mim no dia do programa com James.

Eu vejo esperança.

- Não faça isso. – Ele sussurra após alguns minutos.

- Isso o que?

- Não brinque comigo, Harry. – Seu tom de voz continuava baixo. – Eu posso aceitar tudo de você: posso aceitar sua frieza, sua indiferença, aceitar Taylor porque... – Ele pausou engolindo a saliva rusticamente. – Porque por mais que você venha para casa com o cheiro do perfume dela, eu sempre vou te amar incondicionalmente. Mas não isso, Harry. – Ele abaixou seu olhar para rosa em seu colo, e logo, me olhou novamente. – Não me faça criar expectativas. A esperança pode te salvar, mas ela também pode te destruir.

- Não, Louis! – Digo firme enquanto deslizo minha mão para sua nuca e o puxo para mim, sua testa vem de encontro a minha e eu sinto sua respiração quente contra a minha pele mais uma vez. – Eu quero tentar, eu realmente quero tentar. Deixe-me mostrar a você o quanto quero isso, o quanto quero tirar essas feridas rancorosas de dentro de mim. Cure-me.

Seus lábios tremulam a cada palavra minha pronunciada, e ali, sobre seu olhar náufrago, sinto-me exposto e indefeso, finalmente com a guarda baixa.

- Não me machuque, Harry. – Sua voz é ruínas sussurradas contra meus sentidos. – Eu já estou rachado, não me quebre.

- Nunca.

Minha palavra firme é meu último passo para avançar sobre seus lábios. O doce sabor de camomila se foi, encobertas pelo salgado gosto de suas lágrimas, seu corpo se inclina para frente e eu passo meu braço direito por sua cintura, colando-nos um ao outro. Meus longos dedos enlaçam seus fios macios, mantendo sua cabeça no lugar.

Seu corpo finalmente acorda de seu torpor e suas mãos vão para minha camisa, puxando o tecido com bruteza e o prendendo firme em seus dedos curtos.

Era isso. Eu estou beijando Louis Tomlinson porque quero, porque sinto a mais pura necessidade de seu toque, e não pelas câmeras ou por meu pai.

O som estridente da melodia do meu celular nos faz suspirar e nos afastar. Os olhos de Louis estão calmos quando eu o fito mais uma vez, como um mar tranquilo sobra à luz do sol após uma demorada tempestade e mesmo com meu celular berrando em meu bolso, eu sorrio o puxando para um breve beijo.

- Atenda. – Louis murmurou contra meus lábios e eu suspiro me afastando.

- Pronto. – Digo após retirar meu celular do bolso sem nem olhar para a tela, apenas com o intuito de cessar o som dissonante.

- Harry! – A voz de Desmond do outro lado da linha é dura e eu suspirei, já sabendo o que viria a seguir.

- Olá, pai. Eu estou bem e o senhor? – Digo em puro cinismo.

- Poupe-me, Harry. – Ele me corta. – Quer me dizer o porquê de as câmeras estarem desligadas? A produção não para de me ligar, me importunando em minha própria casa!

- Agora você sabe como me sinto. – Rosnei para ele contra o celular.

- Cresça, Harry Edward! – Ele suspirou. – Quer, por favor, me explicar o que aconteceu?

- Deu algum problema no quadro geral e a energia de toda a casa foi cortada. – Menti descaradamente e Louis sorriu pequeno para mim, colocando sua mão coberta por seu suéter sobre sua boca.

- Mais essa agora. – Ela articulou baixo, irritadiço. – A produção está indo para a mansão para ver o que está acontecendo. – Ele informa. – Perdemos algo importante?

Olhei para meu marido a minha frente que, por sua vez, encarava a rosa em seu colo enquanto tateia vagarosamente as pétalas. A luz das velas iluminando fracamente o cômodo e o aroma das flores perfumando o ar me faz reprimir um sorriso.

- Não. Não perdemos nada.

- Bom. – Ele parece aliviado. – Não apronte nada até a produção chegar, devem estar ai daqui uma hora.

- Você não pensa que ficarei acordado não é? – Digo de supetão. – Eu trabalho amanhã, na sua empresa. por sinal, e Louis está cansado da longa semana que teve.

- Você não é obrigado a nada, Harry.

- Bem irônico de a sua parte dizer isso. – Pronuncio em chacota.

- Faça o que quiser, eu irei dormir agora. Tchau, Harry. – Ele diz e logo após encerrou a chamada.

Suspirei ao guardar meu celular novamente no bolso de minha calça, chamando a atenção de Louis que levantou o olhar para mim. Com cuidado, ele retira à rosa de seu colo e a coloca sobre a bandeja juntamente com as xícaras de chá.

- Problemas? – Perguntou calmo.

- Não. – Digo no mesmo tom, sorrindo minimamente – Está cansado? – Pergunto ao pegar a vela no suporte e levantando-me enquanto ele assiste meu ato e acena com a cabeça – Vamos para a cama?

- E as luzes?

- A produção vai resolver isso. – Sorri, fazendo um gesto desdenhoso com os ombros.

Louis mordeu o lábio inferior enquanto corava e se levantou, seguro-o pela mão e entrelaçando meus dedos nos seus. Caminhamos sem pressa pelo cômodo a fora e pelo corredor, rumado para o quarto principal.

- Onde está Jake? – Ele se indagou enquanto caminhamos lado a lado pelo corredor escuro, as sombras dançam de acordo com a chama e sua luz.

- Eu o prendi no quarto. – Informei simples.

- No escuro? 

- Tem algumas velas acesas para não deixar tudo no completo breu.

– Harry, velas e um filhote de cachorro mais um furacão? – Levantou a voz  alarmado. – Ele pode botar fogo em si mesmo!

– Eu as deixei no alto, calma. – Sorri curtamente para ele. – Tudo o que não queremos é um incêndio. 

- Ah, sim. – Ele suspirou aliviado, mas segundos após seu corpo se vira rapidamente para mim e eu franzo a testa o encarando – Você fechou a porta do banheiro?

- Sim... – Minha voz saiu incerta. – Não sei.

Damos mais alguns passos pelo corredor para enfim chagarmos ao quarto e Louis sem demora abre a porta do mesmo, olhando para o chão em seguida. Eu acompanho seu gesto.

Jake puxou os lençóis que cobrem a cama e os deixou jogado no chão, há pedaços de papel higiênico espalhados por todo o canto que as luzes das velas me permitem ver e a porta do banheiro está escancarada. Jake situa-se deitado em sua cama como se nada estivesse acontecido e apenas levanta suas orelhas com a nossa chegada.

O cachorro já não é mais uma pequena bola de pelos, seu corpo havia evoluído um pouco e ele era mais esperto, deixando todos da casa loucos principalmente Jessie e Lana, as moças que limpam a mansão.

A risada alta e proveitosa de Louis me acordou de meus pensamentos e traz a atenção de Jake para nós, eu o acompanho enquanto balanço a cabeça em negação.

Demoramos alguns bons minutos arrumando as coisas mais simples que as velas permitiam e após revezarmos com a vela para ir ao banheiro escovar os dentes e ao closet trocar de roupa, deitamos na grande cama já arrumada por nós dois.

Louis suspirou contente ao finalmente sentir o travesseiro contra seu rosto. Seu corpo está um pouco afastado do meu como todas as noites, porém eu o puxo para mim e círculo sua cintura com meu braço. Sua cabeça está abaixo do meu queixo, apoiada em meu peitoral, e eu sinto seu corpo relaxar após a surpresa inicial.

E com o perfume de seus cabelos me inebriando, adormeço.

 


Notas Finais




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