História Vinho e Saquê - Capítulo 11


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Notas do Autor


Olá! Boa noite, leitor(a)!

A fic está com mais de 50 favoritos e 1000 visualizações. Caramba... Não esperava isso. Esses números me deixam feliz demais, por que é bem mais do que achei que fosse dar. Rsrsrs

Agradeço muito, do fundo de meu ser, a quem está dando uma chance à minha história e continua a acompanhando. Mesmo que fosse uma só pessoa querendo ler o que escrevo já estaria extremamente honrado em continuar atualizando.

É nesse pensamento que trago mais um capítulo. Desculpem-me não postar mais com tanta rapidez, mas é que fim de ano é realmente corrido, e o tempo para escrever é curto. Espero que entendam.

No mais, como sempre, tomara que este capítulo te agrade e seja uma leitura prazerosa.

Até mais! Uma boa leitura!

Capítulo 11 - Uma Escolha.


 

Capítulo 11: Uma Escolha.

 

- Os dois. Em meu escritório. Agora. – Tsunade disse pausadamente.

Seu tom de voz era firme. O olhar sério indicava que ela não estava nem um pouco satisfeita com o que presenciou.

Sakura respirava forte. O desespero estava estampado no rosto da rosada.

Naruto engoliu em seco. Sabia que aquele dilema agora era muito maior do que antes.

- T-Tsunade-sama, eu... – A Haruno começou a falar, mas não pôde continuar.

- Calada. – A Senju tratou de impedir que sua discípula pudesse dizer qualquer coisa. Continuava com a mesma expressão impassível.

- B-Baa-chan, não... – Ele também tentou dar uma explicação. Mais uma vez ela não deixou.

- Meu escritório. Agora. Não me façam repetir novamente. – A Sannin virou-se e começou a caminhar. – Nem pensem em fugir. – Ela completou.

Por alguns segundos os dois ficaram sozinhos naquele estoque.

Sakura começou a hiperventilar. Tremia em profundo nervosismo. Naruto não estava muito melhor. Também entendia o que significava ter sido descoberto. Ainda mais por alguém como a Godaime. Definitivamente, estavam em apuros.

- S-Sakura-chan... Não podemos ficar aqui. Vamos... – Ele a chamou.

Segurou a mão dela para tentar acalmá-la. A rosada já tinha lágrimas nos olhos. Não sabia como ia conseguir enfrentar sua mestra. Nem podia. Não tinham como se defender. O que diriam? Qual desculpa poderiam dar?

- O que vai ser da gente...? – Ela disse com a voz totalmente trêmula.

Naruto respirou fundo. Tentava não ficar desesperado.

- Não sei... Mas agora não podemos fugir disso. – Ele disse resignado. Tinham que encarar o que viria.

A rosada o olhou com medo e tristeza. Entretanto, ele tinha razão. Ela limpou as lágrimas que estavam presas em seus olhos e quase caíam. Não podiam demorar mais, senão seria bem pior para os dois.

- T-Tudo bem... – Ela assentiu com uma expressão chorosa.

Ele acariciou o rosto corado dela. Ela permitiu-se dar um sorriso com a atitude dele. Mesmo em maus lençóis, ainda era o loiro carinhoso de sempre. E também dava provas de que enfrentaria o que viesse ao lado dela.

Os dois começaram a caminhar até a saída do estoque do hospital. Quando saíram do recinto, Sakura trancou a porta com sua chave. Permitiram-se uma última troca de olhares antes de se dirigirem até o escritório de Tsunade.

Naruto andava com uma expressão concentrada em seu rosto. Cada passo que dava era mais aterrorizador que o outro. Entretanto, ele não ia fugir. Não era do feitio dele. Enfrentaria as consequências, seja quais forem.

 

Mesmo assim, não podia deixar de sentir um calafrio percorrer sua espinha...

 

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Naruto e Sakura chegaram à parte Administrativa do hospital. Foram rapidamente em direção à porta do escritório de Tsunade. Não havia ninguém ali. Parece que todos estavam no refeitório, almoçando. Era melhor assim. Pelo menos não teria gente escutando do lado de fora. Uma platéia era o que eles menos precisavam naquelas circunstâncias.

Bateram na porta. Ouviram a Godaime responder sem um pingo de delicadeza.

- Entrem. – A voz era ainda mais grave.

Os dois adentraram aquele local, fechando a porta em seguida. O nervosismo era palpável. Encontraram a Senju de frente para a porta, em pé, mas escorada em sua mesa. Duas cadeiras estavam lado a lado à frente dela. A diretora do hospital mantinha os braços cruzados. Sua expressão era mortal.

- Sentem-se. – Tsunade ordenou ao casal. Havia um requinte de raiva em seu falar.

Nenhum deles ousou não obedecer àquela ordem. Sentaram-se e abaixaram a cabeça. Esperavam a Sannin começar o que iria fazer.

Tsunade suspirou irritada.

- Dêem-me um bom motivo para não arrancar o couro de vocês. – Ela começou mantendo seu tom firme, mas controlado.

Naruto olhou nos olhos da Godaime. Estava envergonhado, mas precisava falar algo.

- Baa-chan... Eu sei que o que você viu te irritou, mas pelo menos deixe a gente dar uma explicação. – Ele respondeu.

- É bom mesmo que vocês tenham uma bela explicação para o que eu vi, porque até agora eu estou me perguntando como vocês podem ser tão inconsequentes. – Ela ralhou.

Por dentro, Tsunade odiava ter que brigar com os dois. Afinal, considerava-se como uma mãe para eles. Principalmente se fosse em relação a algo como aquilo. Entretanto, não podia deixar passar aquela situação. Tinha que fazê-los enxergarem o que realmente as implicações do que faziam poderiam causar.

- Mestra, eu sei que o que a gente fez não é certo... – Sakura começou. – Só que...

- Não me venha com essa, Sakura! – Agora a Sannin gritou.

Ouvir sua mestra aumentar o tom daquela forma agressiva fez a rosada se encolher instantaneamente.

- Se eu ainda pudesse ignorar o fato de que são vocês dois fazendo esse tipo de coisa, ainda assim precisariam ter muita cara de pau para comigo. Aqui? No hospital? Que tipo de profissional é você? – A loira continuava a gritar com ela.

Sakura agora estava uma pilha de nervos. Outra vez lágrimas se formavam nos olhos da Haruno. Tsunade respirou para tentar se acalmar. Abaixou novamente a altura de sua voz.

- Se não fosse o carinho que tenho por você, Sakura, estaria demitida no mesmo instante. – A forma como a diretora falou aquilo era cruel. Uma fala rápida e seca. Nem o fato da Sannin dizer que o carinho dela era especial amenizava o impacto daquelas palavras.

Aquilo foi demais para a rosada. Começou a soluçar baixinho enquanto as lágrimas desciam pelo rosto.

- Baa-chan, não grite assim com ela, por favor. Dói ouvir você dizer coisas assim. – Naruto tentou defender a discípula da loira.

Tsunade não podia acreditar naquilo. Será que ele ainda não entendia o que aquela situação podia trazer? Teria que ser mais clara ainda.

- Prefere que eu grite com você? Pois bem, então. – Ela se dirigiu a ele. – Você não tem noção do campo minado que está entrando, baka! – Agora gritava. – Já parou pra pensar quem é a sua namorada?! Pelo jeito, mesmo virando Jounin, continua sendo um tapado!

A Senju só faltava soltar fogo pelas mãos. Era até capaz de acontecer se ele ainda não se tocasse em relação ao que ela falava. Conhecendo bem a loira, ela poderia jogar um Jutsu de fogo em cima dele só para ver se finalmente viria à tona. Aproximou-se do loiro, encarando-o.

Naruto se calou. Tsunade mencionar Hinata tornou aquilo ainda mais doloroso. Uma expressão sofrida se instalou nele.

A Sannin precisava respirar forte para se acalmar. Realmente estava muito irritada.

- Imagine se o clã Hyuuga descobre que você anda dando uns amassos na sua ex-colega de time? Imagine se eles descobrem que a herdeira principal do clã está sendo traída pelo herói da vila? Imaginou? Conseguiu visualizar o tamanho do probleminha? – A última frase saiu de forma sarcástica. Talvez assim ele finalmente caísse na real.

Ele continuava mudo. Como poderia dizer algo depois de tudo que Tsunade o fez entender?

- E você não tem vergonha em trair Hinata, moleque? Acha que ela merece algo assim? – Ela fez questão de jogar aquilo na cara dele. Se tinha que fazer o papel de mãe, faria totalmente. Inclusive na parte de repreendê-lo.

Sakura continuava a chorar baixo. Ver a mestra defender a Hyuuga a fez sentir-se mais culpada ainda.

- Eu sei que ela não merece. Eu sei que tudo isso é errado. – Naruto disse fracamente.

- Então por que você a engana dizendo que a ama e assumindo um relacionamento? Não sabe como pode machucá-la, seu imbecil? – A loira o repreendia.

- Eu amo Hinata, baa-chan! Não a estou enganando quanto aos meus sentim... - A Sannin não ia deixar ele terminar aquela frase.

Tsunade aplicou um sonoro tapa no rosto dele.

Ele abriu os olhos surpreso. A marca da mão da Godaime era visível em sua face.

Naruto sentiu o rosto queimar e doer. Pelo tapa. Por vergonha. Por todo um conjunto de motivos que agora o seguravam naquela sala. Seus olhos marejaram.

- Não seja ridículo. – Ela disse naquele mesmo tom seco que usou com Sakura. – Se você a amasse de verdade, não estaria fazendo essas coisas.

O Uzumaki olhou para ela com lágrimas descendo pela face. Apesar de chorar assumiu uma expressão firme.

- Ache o que quiser. Você me conhece, baa-chan. Eu nunca estaria com Hinata, se meu sentimento não fosse real. – O loiro disse com a mesma firmeza.

Apesar de ele já ter dito isso em sua casa, o coração de Sakura mais uma vez recebeu o golpe daquelas palavras. Ele não tinha escondido isso dela em nenhum momento, mas mesmo assim doía ouvi-lo dizer.

Pela primeira vez Tsunade perdeu a postura de raiva que tinha. Ver Naruto dizer aquilo com convicção a desarmou. Se aquilo fosse verdade, apesar de ainda duvidar dele, então o loiro estava entre a cruz e a espada. Teve que se controlar para não diminuir o tom com os dois.

A Sannin colocou as mãos nas têmporas e começou a massageá-las, com os olhos fechados. Tudo aquilo fazia a cabeça da loira latejar também.

Ela precisou de um tempo para se recompor.

- Sinceramente, eu espero com todas as minhas forças, que vocês só tenham ficado nos beijos. Que não tenham passado dos limites mais do que isso. – Ela disse ao abrir os olhos, fitando-os.

Os dois arregalaram os olhos totalmente. Não conseguiram disfarçar nem um pouco. Olharam para Tsunade com receio, ao mesmo tempo.

Ver aquela reação quase fez a Senju perder o equilíbrio.

- Não me digam que vocês já transaram... Por favor, me digam que eu estou errada em pensar isso... – Ela disse de forma desesperada. Olhou para a rosada. Tinha medo da resposta.

Os lábios de Sakura tremiam. A culpa estava escancarada na face dela.

Tsunade abriu a boca e os olhos em surpresa, ao mesmo tempo. Começou a respirar ainda mais forte. A situação era mais grave do que ela imaginou.

- Por tudo que é mais sagrado, Sakura, me diga agora que vocês usaram proteção. Diga que não fizeram isso sem se prevenirem. – A Sannin se aproximou dela e repousou suas mãos no ombro da rosada. Olhava-a suplicante.

Mais lágrimas desciam pelo rosto da Haruno. Ela somente pôde negar fracamente, num movimento tímido de sua cabeça.

Agora era a loira que estava trêmula.

- Se você tiver engravidado a Sakura, eu juro que te mato, moleque. – Ela dirigiu seu olhar novamente ao loiro.

Naruto engoliu em seco. A Senju não estava para brincadeira.

- Há quanto tempo vocês estão fazendo isso? – Ela perguntou.

- Ontem foi a primeira vez, baa-chan... – Ele respondeu.

- Vou dizer uma coisa a você, Naruto. Aos dois, na verdade. – Ela disse mirando o casal. – Esse envolvimento de vocês só vai trazer sofrimento se continuarem nessa. Espero que saibam disso.

Eles sabiam. Por isso era melhor que não se encontrassem. Por isso tinham decidido ficar longe. Só que o destino insistiu em colocar os dois juntos.

Apesar de já ter uma ideia, a loira precisava entender de uma vez como os dois se sentiam um em relação ao outro.

- Se o que vocês têm for apenas uma questão de aventura, é melhor que acabem com isso aqui mesmo. Agora mesmo. Ainda dá tempo de desistirem. – Ela jogou verde.

Naruto a olhou. Manteve por alguns segundos seus olhos concentrados na Senju. Depois mudou para Sakura. A rosada retribuiu o olhar. Ambos sabiam que não podiam mentir. Não mais. Deram as mãos, sentindo o toque carinhoso e acolhedor um do outro.

- Nós nos amamos, mestra. Acredite quando dizemos isso. – A Haruno disse sem um pingo de incerteza. Seu olhar apaixonado para o loiro transmitia a força de suas palavras.

Tsunade acreditou no mesmo momento. Não tinha dúvidas quanto ao sentimento de Naruto. Isso ela já sabia há muito tempo atrás, por ser tão óbvio. Mas precisava ouvir isso de sua pupila. Precisava enxergar na face dela a reciprocidade. E o que viu foi um amor intenso naquela confissão desesperada.

Então tudo ia ser mais complicado.

Não pôde deixar de se derreter um pouco por dentro, ao presenciar o forte sentimento entre seus preferidos. Lamentou em seu âmago que tal laço se formou nas circunstâncias mais erradas possíveis. Como seria maravilhoso se os dois tivessem se correspondido antes... No fundo, ela tinha um pressentimento que aquilo era presente há muito tempo na vida deles, mas a Haruno não se permitia enxergar por sua teimosia em insistir que amava o Uchiha.

“Ah, Sakura... Por que você não se permitiu olhar para Naruto quando podia...” – Ela lamentou profundamente.

Suspirou mais uma vez. Se deixasse o carinho falar mais alto ia acabar perdendo a postura repreensiva, e abraçaria seus pupilos naquele instante. Tinha que continuar em seu tom sério.

- Vocês têm dois caminhos a escolher a partir de agora. Ou vocês assumem esse envolvimento, terminam os relacionamentos com seus pares e aí sim podem continuar a fazer o que querem. Ou então...

Eles esperaram a Godaime continuar.

- Ou então, eu pessoalmente vou garantir que não cheguem perto um do outro. Seja como for necessário. Entenderam bem? – Ela ameaçou.

No fundo, era doloroso para a loira dizer aquilo. Principalmente depois de entender como os dois se sentiam agora. Também por amar tanto o casal.

Os dois continuaram calados, de mãos dadas. O impacto das últimas palavras da Sannin reverberava em suas mentes. Entretanto, sabiam que ela tinha razão. E não poderiam ir contra a lógica correta de sua fala. Naruto sentiu o tremor na mão de Sakura.

- Limpem as lágrimas e se recomponham. Vocês vão para casa descansar e refletir. – Ela ordenou.

- M-Mas mestra... Eu não posso abandonar meu posto no consultório... – Sakura disse quase sem forças.

- Não me tente, doutora Haruno. É uma ordem, não uma sugestão. Lembre-se que eu sou a diretora deste hospital. Você está dispensada por hoje, sem remuneração. – Ela tratou de dar uma ordem enérgica à sua pupila.

Sakura estremeceu.

- S-Sim, Tsunade-sama... – Ela assentiu.

- Você, espere na entrada do hospital. Sakura e eu ainda precisamos resolver outra coisa antes de irem. – Ela disse à Naruto. – Acompanhe-me. – Dirigiu-se à rosada.

- O-Onde iremos, mestra? – Ela perguntou receosa.

- Ao estoque novamente. Você precisa de anticoncepcionais. – Ela logo respondeu.

O casal corou de vergonha ainda maior ao ouvir aquilo.

- S-Sim... – Sakura concordou novamente. O rosto em chamas.

Um pouco trêmula, levantou da cadeira e seguiu a loira. Antes de sair, Tsunade olhou novamente para Naruto, mas nada disse.

“Eu estou ficando velha demais para isso...” – Pensou. Conheceu os dois quando ainda eram pirralhos em formação. Aprendeu a amá-los como se fossem seus.

E pensar que agora eram jovens adultos se envolvendo daquela forma... Era demais para a mente da Sannin assimilar de uma só vez. Decidiu que já teve dose suficiente de drama por aquele dia.

“Preciso urgentemente de saquê...” – Ela logo imaginou.

Saíram pela porta deixando Naruto sozinho no escritório.

A loira e a rosada andavam em direção ao estoque. Sakura estava contraída. Tsunade respirava de forma entrecortada.

 

Apesar de ser o correto a se fazer, o ultimato que deu aos dois também a machucava...

 

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Naruto esperava do lado de fora da entrada do hospital, olhando para o horizonte. Agora que estava sozinho permitiu se recompor mais e tentar colocar a cabeça em seu devido lugar. Tudo que tentou evitar mais cedo foi por água abaixo. Agora não era mais um segredo total o que ele e Sakura viveram.

E a escolha que Tsunade deu aos dois martelava seus pensamentos. Era estranho, tudo aquilo. O seu eu de antes de encontrar Sakura naquele estoque concordaria totalmente com a Senju. Entretanto, os beijos e sensações que trocaram no hospital apenas escancararam o que não podiam ignorar. Tinha que fazer aquela escolha o mais rápido possível.

O coração dele batia descompassado. Agora ele já não tinha certeza de quase nada. Amava as duas, isso era verdade. Mas qual sentimento era maior? Qual escolha deveria fazer? Era difícil demais. Não era algo cuja resposta ele encontraria tão rapidamente.

Enquanto ainda pensava nisso tudo, ouviu passos atrás dele. Tsunade e Sakura se aproximavam. A expressão abatida era nítida na face da rosada.

- Baa-chan... – Ele disse sem saber direito o que falar.

A Senju não queria ouvir mais nada por enquanto.

- Vão para casa. Separados. – Ela disse à última palavra com veemência. – Reflitam bem e decidam o que querem para suas vidas. Quanto mais rápido chegarem à uma resposta, melhor. – Ela decretou.

- Tsunade-sama... Não é tão simples... – A rosada tentou finalmente dizer algo outra vez.

- Eu sei que não é, minha linda... – Ela olhou com um pouco mais de carinho para sua pupila. Não ia conseguir ficar tanto tempo tratando-a mal. – Mas vocês precisam. Não podem adiar isso. – Ela completou.

Os dois jovens suspiraram. Olharam um para o outro e entenderam a urgência de suas decisões.

- E eu não serei cúmplice de vocês nessa história... – A Sannin disse com sobriedade.

 

- Não será cúmplice em o quê, Tsunade-sama?

Aquela voz doce e meiga pegou os três de surpresa. Se a situação já estava embaraçosa, agora era dez vezes pior.

Hinata se aproximava do trio, sorrindo ternamente. A Hyuuga estava feliz ao ver os três conversando juntos. Mais ainda quando olhou para o loiro.

Ver a ninja dos olhos perolados em sua frente, sorrindo para ela, fez Sakura retesar o corpo em nervosismo. Começou a ofegar levemente. A cartela de anticoncepcionais em seu bolso parecia queimar.

Naruto ficou extremamente sem graça. Ruborizou ao ver sua namorada ali.

Era uma péssima hora para se encontrarem.

- Não serei cúmplice em deixar esses dois mal agradecidos beberem tanto saquê ontem e não guardarem nem um pouco para mim. – Tsunade disfarçou imediatamente. Ela olhava para a rosada e para o loiro com firmeza. Era como um aviso: “Recomponham-se! Não dêem bandeira!”. O sinal dela para eles era enfático.

Se ela não queria ser cúmplice, não durou nem cinco segundos.

Hinata riu calorosamente.

- Realmente parece que você exagerou na bebida, amor. – Ela disse em direção ao loiro. – Seus olhos estão vermelhos. Deve ter sido uma festa bacana ontem. Pena que não pude te acompanhar... – Comentou com certo pesar a última frase.

Deu um abraço carinhoso em Naruto.

- Senti sua falta. – A Hyuuga se aninhou no peito do loiro.

A Senju ainda o olhava. Já Sakura não conseguia encarar aquilo.

Ele retribuiu o abraço de sua namorada.

- Eu também, meu anjo. – Apesar de ser verdade o que disse, agora seguia o fluxo para não acabar jogando aquele disfarce por terra.

Hinata o beijou com delicadeza. Aquilo pegou Naruto de surpresa. Sua namorada não costumava começar os carinhos. Era tímida nesse aspecto. Talvez o fato de não ter estado ontem com ele a fez sentir tanta saudade que provocou a necessidade de ser mais direta nisso. Ele correspondeu carinhosamente.

Se Sakura antes não conseguia olhar, agora era fisicamente doloroso estar ali.

A ninja dos olhos perolados terminou o beijo sorrindo para ele.

- Fiquei sabendo que você vinha fazer uma visita ao hospital. Então vim ver você. – Ela disse ainda o abraçando.

A Hyuuga olhou para Sakura.

- Sakura-san, você também está com os olhos bem vermelhos. – Ela riu de forma calorosa para a amiga.

Sakura desviava a todo custo o olhar dela.

- S-Sim... – A rosada apenas balbuciou.

- Meu anjo, eu estava indo pra casa descansar. Minha ressaca ainda está me dando dor de cabeça. – O Uzumaki tratou de mudar de assunto.

- Posso te acompanhar, amor? – Ela pediu sorrindo. – A gente passa em uma farmácia e compra um remédio para você.

- C-Claro... – Ele concordou.

Tsunade olhou cada reação dos jovens. Sentia o coração pesado. Agora estava ainda mais envolvida que antes nessa confusão.

- Vá descansar, Naruto. Beba muita água e coma alguma coisa. Vai te ajudar a melhorar. – A Sannin disse. – Até outra hora.

- Até, baa-chan... – Ele respondeu.

- Tchau, Sakura-san. Foi bom te ver de novo. – Hinata  sorriu para a Haruno. – A senhora também, Tsunade-sama.

- Tchau, Hinata. Tenha um ótimo dia. – Tsunade respondeu educadamente. Cutucou Sakura.

A rosada foi tirada do seu estupor.

- Ah, t-tchau Hinata... – Sua resposta foi curta.

O casal de namorados começou a caminhar em direção à rua. Estavam de mãos dadas. Naruto permitiu-se dar uma última olhada de esguelha para as médicas atrás dele.

Sakura olhava para o chão.

- Não desvie o olhar. Encare as consequências de seus atos. – A mestra falou baixo, somente para sua discípula ouvir. – Consegue enxergar bem, Sakura? – Ela indagou. A voz pausada e firme.

A Haruno olhou para os dois. Focou nas mãos entrelaçadas deles. Não sabia como ainda tinha lágrimas para deixar seus olhos molhados. Já tinha chorado tudo que podia naquela manhã.

- É esse o sentimento que você vai atropelar dependendo de sua escolha. Então pense bem. E tome sua decisão rapidamente. Vocês não têm muito tempo. – A loira a alertou.

A diretora do hospital virou as costas e caminhou para a entrada do prédio.

- Vá para casa. Não esqueça do remédio em seu bolso. Tudo já é complicado demais para deixar algo ainda mais grave acontecer. – Ela falou uma última vez e distanciou-se de sua discípula.

Sakura agora estava sozinha. E o coração dela batia quase sem forças.

Olhou para o céu. Nuvens carregadas formavam-se no horizonte.

 

Parece que uma tempestade estava próxima...

 

 

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Notas Finais


Ai ai... Que dilema...

Quando o tempo ruge, e a escolha é necessária, o que fazer?
Como reagir?

Seguir os seus desejos sem ligar para as consequências? Quem sabe...
Diz aí o que você acha... rsrsrsrs

Comente suas impressões sobre o capítulo, se quiser. Fico feliz vendo sua opinião. Não importa qual seja. =)

Um grande abraço e até a próxima hora! Fui!


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