História Violados - Capítulo 21


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Categorias Star Wars
Personagens Personagens Originais
Tags Darth Maul, Imperador Palpatine, Maul, Sith
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Palavras 5.409
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Voltei ♥
Bem, espero que gostem desse capítulo♥
Foi feito com muito carinho e pesar.
Sou muito grata ao amor que depositaram nessa estória. Muito obrigado♥

Capa feita pela linda e maravilhosa @Empresspadme . 😍

Capítulo 21 - Mestre


Fanfic / Fanfiction Violados - Capítulo 21 - Mestre

Mestre


Não me lembro mais qual foi nosso começo. Sei que não começamos pelo começo. Já era amor antes de ser.

Clarice Lispector



A imensidão do espaço lá fora era contemplado por ela. Silencioso, infinito, assustador, magnífico e pulsante em vida. Mas também, de morte.

Da janela envidraçada do cockpit, se via os mundos em riscos causados pelo hiperespaço, não terem fim, e por um instante, ela se perguntou quem vivia neles. Pessoas chorando, sorrindo, amando, duvidando e recomeçando. Recomeçar. Ela não podia recomeçar, já que nunca havia iniciado algo. Não! Estava iniciando sua vida. Aquilo era assustador, e se tornava pior, ao olhar a figura absorta de Maul ao lado: De pé, em silêncio e sem tirar os olhos da holotela e do radar do painel, que fazia a face do Zabrak tomar um tom azulado. Ele era lindo. Sentia seu peito explodir ao mirar seus olhos no dele. Sentia se fragmentar e depois se reconstruir quando Maul a tocava. Mas também sentia medo. Muito. Era como se soubesse de alguma forma que poderia perde-lo. Seu peito apertava e queria agarra-lo e implorar para que não a deixasse. Tinha medo de abrir os olhos e de repente, não estar mais lá. Ficou aflitiva com o pensamento recorrente que voltou, ao sentir, que não havia acabado ainda… Assim como Maul também sabia. A Força gritava em suas células e as fazia vibrar. Ele andou lhe ensinando a percebe-la, a estar conectada com aquele poder que existia em tudo… Melhorou um pouco... mas tinha medo. Muito. Medo de errar, medo de ser castigada, medo de tudo ruir e voltar para Sheev e ter seu corpo tocado daquela forma tão suja… Não queria! Nunca mais. Se viu tocando no ventre, onde um pequeno fragmento de vida brotava, enraizando cada vez mais. Não admitia em voz alta e nem na sua mente, mas não queria que aquele bebê fosse dele… de Sheev. Não! Não queria que seu filho fosse fruto de uma violência contra seu corpo, contra sua alma. Queria que fosse dele… de Maul. Queria que sua criança nascesse, olhasse nos olhos dela e dissesse: "Foi gerada no amor meu menino… Seu nome será…" Ela sorriu sem perceber. Não havia pensado em nomes. Se pegou pensando se Maul teria algum nome que gostasse. Tola… Ele não pensava nisso. Sabia que não. "Não nasci para gerar vida… "a frase do Sith retumbou em sua mente, e de forma gélida se encolheu, ao notar que mais uma vez vivia sonhando com um mundo que não existia. Não para ela. Não para a vida que levou.

— Menina. — Kamina estancou. A voz rascante de Maul saiu baixa e por um instante achou que o viu chorar e buscar ar para se recompor. Mas não teve certeza.

— Que? — Ela estava tão perturbada com os pensamentos, e tão desesperada querendo se conectar a ele, que invadiu a mente de Maul sem notar. Aquilo ainda o assustava, em como alguém podia ser tão poderosa e, ao mesmo tempo ser tão incapaz de usar aquela fonte que jorrava, transbordando.

— Menina. — Precisou de controle para não gaguejar, afetado pelo medo e pelos pensamentos dela. — Está grávida de uma menina. — Kamina o olhou. Abriu e fechou os lábios róseos e a viu se contrair.

— Como… como sabe? — Sem ser capaz de controlar aquela enxurrada de emoções, se viu chorando, deixando uma lágrima solitária escorregar. Queria abraça-lo, mas permaneceu sentada. — Não saiu nada nos exames e…

— Eu a vi. — Maul a viu chorar. Não conseguiu decifrar aquilo, o que ela sentia. Também existia dentro dele, sensações novas que não sabia nomear. Quis abraça-la. Queria muito abraça-la... mas também não o fez.

— Eu… não entendo! — Kamina chorou mais agora, e a lágrima solitária ganhou companheiras bem mais insistentes. — O que aconteceu lá? Eu… Como a viu? Eu não entendo isso! Estou tão… — Ela sufocou pelo choro, e rechaçando com a mão, em um gesto de confusão, finalmente sentiu ser abraçada. Dedos quentes lhe tocaram em uma promessa muda de que ia ficar tudo bem. Aquilo fez a mulher se fragmentar e chorar mais, se apertando contra ele em um cansaço que também era sentido pelo Sith. Não físico, mas sim, mental.

— A Força me mostrou ela Kamina. Eu a vi. É confuso te explicar, pois tenho dúvidas. Preciso ler sobre. Mas eu a vi! Há algo nela… algo que nunca vi antes... mas sei de alguém que já! Sidious a quer viva… — Ele sentia ser agarrado pela cintura com necessidade e se sentiu aliviado por toma-la naquele gesto afetuoso. Acariciou os cabelos que tanto gostava, enquanto a cabeça dela jazia apoiada em sua barriga. — Precisa ser forte. Precisa se tornar o que nasceu para ser!

— Eu não consigo…

— Consegue. Precisa conseguir! — Ele a afastou e olhou em seus olhos azuis, segurando em cada lado de sua bela face. Céus! Era perfeita. — Ainda não acabou. — Cada sílaba foi dita com afirmação dura, quase severa, e para surpresa dele, aquilo fez a íris de Kamina reluzir em determinação. Medo também. Um medo visceral. — Quando pousarmos em Ryloth, vamos trocar de nave. Essa não é segura.

— Por que Ryloth? — Ela olhou a holotela, onde o árido planeta Twi'lek pairava como destino.

— Estive nele. Quando sumi… Me encontrei com alguns locais em busca de especiarias e sei onde posso conseguir uma nave. — Maul acariciou seus cabelos e se afastou ao notar que aos poucos, ela voltava a si, se agarrando ao que viria pela frente.

— E depois? — Ele não respondeu de imediato. Kamina o viu vagar os olhos pelos mundos lá fora e depois o radar, como se esperasse algo surgir ali… Havia insegurança em Maul e isso a deixou preocupada.

— Dathomir. — A palavra saiu pesada, amarga. — Preciso ver minha mãe. — Ela não entendeu bem o medo do Zabrak, mas junto do temor, também havia amor. — Mãe Talzin é poderosa. Sábia… mas… 

— Perigosa? — Ele a olhou. Ela sustentou os sóis intensos que clamavam em um pedido mudo de confiança. A garota confiava.

— Muito perigosa. — Maul falou mais baixo, com respeito e admiração.

— Ela vai me ferir? Isso que teme? — Kamina ia tirar seu cinto e se erguer quando o viu fugir de seu olhar, mas não foi preciso. Ele decidiu concluir, olhando em seus olhos como se devorasse sua alma.

— Não me preocupo com você. E sim, com a menina.

— Como assim? Não vou entregar…

— Não! Eu não vou deixar nada acontecer! — No olhar de Maul uma chama diferente fervilhava. Uma proteção cega e primitiva, a mesma que reluzia nos azuis dos dela. — Mas preciso de minha mãe. Há algo com ela e minha mãe terá a resposta. Posso te deixar em algum lugar seguro e então ir…

— Não! Você não vai me deixar! — Ele se calou. — Nunca! Eu… eu vou até Dathomir. Vamos juntos! Não vai me abandonar! Não pode! — Ela voltou a chorar. — Prometa-me que não vai me deixar? — Maul estava assustado com a intensidade daquilo. Doía tanto, e pela Força! Queria mais.

— Se acalme!

— Prometa-me! — Ela chorou mais. — Diga-me que não vai nos deixar. — A frase no plural fez um silêncio gritante surgir. Kamina notou o que havia dito e o peso da frase. Sentada na cadeira do piloto, se encolheu. Ela mirou a holotela e engoliu o choro. Não esperava uma resposta para seu pedido de uma mulher em pânico com medo de perder a única pessoa que amou. A única coisa que teve de bom dentro de um mundo repleto de caos. Não podia exigir isso de Maul quando nem ela sabia lidar com o fato de ser mãe. Não só ser mãe! E sim gerar uma vida no meio da violência e da instabilidade. A verdade era que sabia que o Sith havia ido longe. Não era justo exigir mais… Mesmo que desejasse uma vida junto dele. Mesmo que quisesse que sua filha fosse dele. Mesmo que o amasse de tal forma que doía…

— Eu prometo. — Ela sentiu o peso das palavras ditas. Sentiu o quanto que o sentimento que possuía era correspondido. O quanto ele também desejava aquilo, mesmo que não soubesse fazer tudo funcionar. A garota quis dizer, que também não tinha ideia de como fazer dar certo, e que não se importava, desde que estivessem juntos.

Kamina chorou e sorriu, sem desviar um minuto se quer da figura confusa que ele era. Maul não soube o que fazer. Treinado para matar. Não amar. De pé, diante dela, vagou seus olhos ao redor e se sentou, afivelando o cinto em sua cintura.

— Eu amo você. — Ele a olhou, incapaz de quebrar o silêncio que seguiu e nem de dar uma resposta. Não ter dito "Eu também" seria seu maior arrependimento. Choraria por isso, e definharia por aquilo. Viveria uma vida de miséria para tentar suprir aquele erro, aquela dor que foi perde-la. Não somente aquele erro. Kamina o amou e ele também. Nunca a esqueceria, mesmo que com o tempo e a dor, a memória dela tenha ficado manchada… confusa. Ele nunca esqueceu as rosas azuis e nem do piano. Darth Maul nunca esqueceria do que sentiu junto da garota e do que desejou ter junto dela. Amou. Ele era o medo e amou.

Diante da janela do cockpit, Ryloth surgiu. Árido, grandioso e enfeitado por suas luas. Não havia mais estrelas em risco, e admirada, ela olhou. Sorrindo, ela olhou. Amando, ela olhou. Com esperança, ela olhou. Com propósito, ela olhou. Olhou e se encontrou, determinando para si mesma, que tudo seria diferente, que Ryloth seria seu nascimento. Estava nascendo naquele dia. Nasceu olhando para o planeta Twi'lek e suas luas.

— É tão lindo! — Foi tão rápido. Tão cruel. Tão injusto. Ele estava tão perdido em tudo que não notou. Precisou olhar para ela, que sorria para a beleza que era a gigante morada do povo guerreiro que vivia ali. Ele não sorriu de volta. Estava perdido demais no que sentia.

O sorriso mais lindo que viu. Daria tudo para ter visto aquele sorriso antes de morrer. Daria tudo para ter a chance de uma vida ao lado da garota. Daria tudo. Mas a vida não é assim… feita de trocas. Para Darth Maul, a vida era cruel e só tomava tudo que amava. Ele mesmo se encarregou de ser agente do caos. Levou dor a todos. A mesma dor que nunca deixou sua alma. A dor que sufocou quem era, junto das torturas de Sidious.

A explosão nos propulsores da nave não foi causada por tiros, e sim uma bomba. Uma forma eficaz para Sheev controla-lo além do rastreador muito bem oculto. Não deu tempo de existir pânico. Os dois mergulharam na escuridão e no frio, enquanto a nave era recebida por uma Ryloth indelicada, que os queimou na superfície. Uma estrela-cadente para a parte escura do planeta. Sem despedidas. Sem esperança. Sem vida. Apenas sobrevivência.

Aquele sorriso foi o último vislumbre que Darth Maul teve de Kamina Palpatine, a Imperatriz perdida.

* * *

Seus olhos hipersensíveis lacrimejavam pela fumaça. O painel ainda dava curtos e queimava o plástico, liberando um odor nauseabundo que deveria estar empesteando cada canto do que sobrará da T4a Shuttle. Não podia sentir aquele cheiro devido ao seu tubo de respiração, que filtrava o ar com eficiência. Uma bela aquisição que o ajudava em seus trabalhos muito bem executados. Todos eles.

Aquele humano pagava bem... mas nunca eram serviços fáceis. Porém, valia pelo que recebia. Todo serviço quando bem pago, seria bem executado… Até que esperou mais… Nem uma boa luta teve, com o Zabrak moribundo.

Um sorriso sádico desenhou na face desdenhosa do caçador de recompensa. Olhou para trás, para baixo, onde sua mão segurava a capa do infeliz, desacordado e algemado, com algemas de choque, arrastando para fora o corpo. Ainda vivo. O único som que era ouvido além do plástico se desintegrando, era o farfalhar do tecido arrastado por Cad Bane. Um usuário da Força, muito bem detido. Conhecia a bruxaria que aquele Zabrak possuía e não ia abaixar a guarda. Mesmo que o contratante estivesse lá fora, com cinco Guardas pessoais e a garantia de que também usava o mesmo poder dos Jedis. O dinheiro era bem-vindo, mas sua vida valia mais.

Próximo a nave que estava em chamas, e em breve iria explodir, seis figuras de negro aguardavam de baixo do Sol escaldante do árido planeta Twi'lek.

Com a face bem escondida sobre o manto, os olhos ávidos devoravam a figura de Cad Bane, que sem dificuldade aparente, arrastava o aprendiz traidor. A raiva cresceu e transbordou, aumentando o poder do velho Lorde Sith, envolvendo a todos ali, mesmo que as pessoas ao seu redor não pudesse sentir aquilo. Não da forma que um sensitivo perceberia. Não como Darth Maul seria capaz de sentir. Sidious analisou mais, sentiu mais e sem muito esforço notou que algo faltava. Quando o caçador de recompensa parou diante dele, e jogou o Zabrak desacordado aos seus pés, a notícia que Bane lhe deu não foi recebida com surpresa.

— Disse que eram dois… Só havia ele dentro da nave. — A raiva agora estava enredada na Força de tal forma, que os olhos azuis de Sheev reluziram em amarelo tamanho era seu ódio e poder com o Lado Obscuro. A voz do velho Senador nada demonstrava. Calma e sedutora.

— Ela fugiu? — Kamina era perturbada e covarde. Não teria ido longe sem uma proteção. A segurança dela estava algemada e ferida demais para cuidar de alguém. Sidious olhou para o Zabrak. Ainda não iria mata-lo. Não! Um bom jogador sabia a hora certa para descartar o peão. E não era ainda o momento… Não! Existia um grande plano e Darth Maul precisava desempenhar mais um papel. Sua traição seria punida, sua vida poupada para morrer no momento certo. Como havia planejado.

— A cadeira do piloto foi ejetada. A dele também teria sido, mas emperrou pelo fogo na atmosfera. Não deve ter caído longe. Alguns quilômetros ao noroeste daqueles cânions… — Bane apontou para uma área do enorme vale onde estavam, com tranquilidade e certeza. Sidious nada disse por um longo período, analisando. O Sith não conseguia senti-la e isso aumentou sua ira.

— Capitão, vá com o caçador de recompensa fazer uma busca. Voltarei para minha nave pessoal e aguardo o retorno de vocês. — Sidious olhou para baixo, para Maul, e seu ódio controlado e onipresente aumentou mais ainda. Quando o Zabrak acordasse estaria lá, apenas para vê-lo ruir em caos e dor.

— Sim, meu Mestre. — Com submissão o capitão respondeu.

— Cad Bane. — Ele chamou. O Duros já se dirigia a nave de busca quando ouviu seu nome, e com lentidão, se virou.

— Diga-me contratante.

— Quero a garota viva. — Bane podia ser destemido, mas não era tolo. Aquele homem, seja lá quem fosse, era perigoso. Com respeito fez uma pequena reverência, deixando claro que sabia bem a punição para um erro cometido.

***

Ela abriu e fechou a mão, com lentidão e ardência. Sentiu a pele queimar, e na ponta de seus dedos algo fino e rascante foi pressionado, que logo escorregou pela sua tentativa de segura-lo. Fez o movimento novamente, acordando aos poucos e tentando organizar seus pensamentos. Areia. Isso era o que apertava e escorria pelos seus dedos sujos e ardentes.

Estava deitada em algo duro, e suas pernas estavam para o alto, como se estivesse repousando elas após um longo dia de cansaço. Respirou fundo. Algo apertava sua cintura e a mantinha ali, no lugar e bem presa. Tentou abrir os olhos mais doeu tanto, que resolveu ficar com eles fechados por mais algum tempo. Onde estava? Sua cabeça doía tanto e sua pele queimava.

Moveu os dedos e depois os dois braços. Ardia um pouco ao movimenta-los, e com calma, tocou em sua barriga. Estava presa por um cinto. Apalpou mais a parte de baixo e sentiu o tecido acolchoado da cadeira de piloto. Então ela estancou, e em um único impulso abriu os olhos e se sentou, desafivelado o cinto e tentando ficar de pé. Não conseguiu, e tonta, caiu de joelhos, se amparando com as mãos espalmadas, arranhando sua pele com as pedrinhas do solo arenoso que fervia sob o Sol escaldante do árido Ryloth.

— Maul… — Sussurrou fraca, o peito começando a retumbar em desespero e medo, as pernas tremendo enquanto a mulher buscava ficar de pé com algum tipo de dignidade, e olhos ávidos semicerrados buscando algo ao redor. — Maul! — Agora ela gritou a plenos pulmões, trotando de um lado ao outro, em pânico ao constatar que não havia nada. — Maul! — Kamina caiu de joelhos, e dessa vez não foi pela tontura ou dor pela queda. — Maul! — Ela continuou a gritar. Medo e solidão. Um vazio assustador dominou a alma da mulher, que com pânico e medo, preocupação e dor, levou as mãos a face, e com soluços altos, chorou e gritou.

Gritou de ódio, medo, raiva, dor, solidão, preocupação, amor. Gritou pela vida e pela morte. Gritou pelo Sheev, pela sua mãe que não conheceu, pelo seu pai que não tinha ideia de como se chamava. Gritou pela Força que a cercava, que era tão intensa dentro dela, que em baixo de si, o chão rachava e ruía. Gritou pela sua filha, que já no ventre, antes de se tornar uma pessoa, já lutava. Gritou para Ryloth, que tão indelicado, os recebeu com chamas e desolação. Gritou para Maul, que estava em algum lugar, vivo ou morto, sozinho ou encontrado. Gritou por saber que sua vida era uma ruína, e que o destino separou os dois. Kamina e Maul. Gritou e gritou. Gritou tanto, com tanta força, com tanto poder, que tudo ao redor simplesmente ruiu. Poeira e cascalho rodava em volta dela em um redemoinho de caos. De seus punhos cerrados, uma energia âmbar tremeluzia, como fogo crepitante, que mataria uma pessoa pela onda de choque. Gritou por ser fraca e tão forte ao mesmo tempo. E por fim, gritou para si mesma. Pelo que era e deveria se tornar. "Seja quem nasceu para ser!" a voz dele, rascante e poderosa soou como uma lembrança amarga. "Se feche para a Força…" exigia. "Fique viva…" sim! Ela iria ficar.

— Maul… — Disse uma última vez naquele dia. Não podia desistir.

Com a garganta queimando e olhos repletos de lágrimas, olhou ao redor. Dessa vez com mais calma que antes. Uma determinação latente surgia da dor e da vontade de tentar achar o Zabrak. Mas não havia nada no local. Nem fumaça que denunciasse onde a nave havia caído.

Cânions intermináveis cercavam o lugar que havia sido ejetada. Não podia estar muito longe da nave. Talvez se andasse, se escalasse uma daquelas pedras, teria uma visão maior do vale, e assim, acharia ele… Então olhou mais… passeando seus orbes azuis, e notando que iria precisar de água. Se virou na direção da cadeira ejetada e então viu: Havia suporte a vida. Alimento e água. Foi rápida e focada. Sabia que precisava ser calculista naquele momento, e usar todo aprendizado que ganhou lendo livros e acessos aos artigos sem fim da biblioteca privada da mansão em Wayland.

Pegou tudo com pressa, e então viu, junto do ‘kit’ de primeiros socorros, um Blasters pequeno, prateado, bem guardado. Demorou segundos para ela, o tomar para si, guardando em sua cintura dolorida e se erguendo.

Iria procurar por Maul. Até que não houvesse esperança. Não dava para prosseguir sem ele. Não conseguia. Não podia. O amava. Kamina chorou e se abraçou. Como o amava. Mas algo despertou a garota de sua lamentação ao imaginar o destino que o homem teria ganho. Um zumbido surgiu. Que foi aumentando gradativamente e chegava de todos os lugares, amplificado pela muralha sem fim de pedras avermelhadas que os cercava. Os lumes azuis olharam o céu, onde um Sol fervilhava, assim como os olhos dele… Esperou… Esperou… e do meio do vale, uma nave negra surgiu, riscando o caminho que deveria seguir, pintando a paisagem de marrom, quando os propulsores levantaram areia do chão.

Ela nunca subiu o cânion. Nunca chegou perto do local da queda da nave, mas não deixou tudo acabar assim. Não podia. Não agora. Não depois do que passou. Não voltaria para Wayland. Nem para Sheev. Só havia uma trilha a seguir, e era para o horizonte. Em frente. A nave estava no caminho, e a missão deles, de quem estava lá dentro, era pega-la. Kamina ofegou e cerrou os punhos. Não ia deixar. Não mais.

A Imperatriz perdida fechou os olhos. Enredou-se na Força como ele a ensinou. Maul. Sentiu ódio. Muito. "Seja quem nasceu para ser!" sim, ela seria. Deixou fluir. Respirou. O barulho aumentou. Buscou a nave e quem estava dentro dela. Sentiu às duas vidas que se aproximavam. A queriam viva. "Covarde e medrosa. Esta sozinha. Será fácil!" disse o homem. Fácil. Tudo sempre foi fácil para seus algozes. Sempre foi frágil e delicada. Medrosa. Acuada. Violada. Estuprada. Não mais.

Se lembrou de Sheev e de como a tocava. Em como tinha nojo de si, quando ele terminava. Em como o abominava quando era agredida. Em como chorou pelos seus dois filhos dados para ele. Mortos. Não mais. Nunca mais. Pensou nos seus dois meninos. Os amou. Os amaria para o resto da vida. Nunca esqueceria do que aquele animal fez. Com sua mente e corpo. Ódio. Puro e brutal ódio. Deixou fluir, crescer e dominar quem era para depois subjugar os arredores. Viu a nave, se tornou aquele metal, e como se sua mão pudesse tocar na lataria negra, a puxou para baixo com todo ódio guardado dentro de si. Explodiu na Força. Destruiu tudo. Queimou tudo. Pedras voaram e junto da fumaça, tingia o céu de amarelo. O estrondo chegou como uma doce melodia nos ouvidos dela. Os propulsores colapsando fizera Kamina rir e rir mais, com rancor estampado em sua face. O silêncio demorou a vir, mas quando veio, era sepulcral.

Ela abriu os olhos, e a destruição ao redor de si, foi agradável de se contemplar, e descobriu que havia beleza no caos. Lembrou de Maul, e de como queria que ele estivesse ali. Quando a escuridão lhe acolheu como velha amiga, jurou ter vistos um par de olhos alaranjados, e uma voz perolada, tão aveludada que a fez sorrir.

* * *

Doce escuridão quente e sedutora. Leviana amante dos que não tem mais capacidade para ver a luz, que tudo revela. Aquela que faz se perder por nada mostrar. Aquela que o fez se perder… aquela que o fez ruir… aquela que o fez perde-la… Dentro de algum lugar tão escuro que não dava mais para ver a saída… Nada além do vazio e pútrido caos.

Deixar a luz longe evitava ver sua mente perturbada e insana. Deixar a luz longe era não precisar lidar com ela. Deixar a luz escondida era evitar os pensamentos com ela… sufocava, desmembrava, queimava, cortava, afogava e ruía… Há sim! A doce leviana amante dos que nada mais haviam a perder… Se perder e se perder… Ele viu uma vaga luz… longe… longe… longe… Ouviu seu nome ser chamado. Ouviu explosões e mais explosões, calor e mais calor. Sentiu muitas coisas naquele momento… Até depois não sentir mais nada… o absoluto e acolhedor "Nada"… nada e nada. Escuridão.

Estava úmido e fétido. Frio e às vezes, quente. Quanto tempo? Não sabia… fome. Tinha fome e ela doía. Mas não doía mais que o choque. Quando o Mestre vinha tinha os choques e eles doíam e lhe faziam ir para a Escuridão. Era sujo e havia raiva… muita. Estava fraco e cansado. Se perdia e se encontrava. Sua mente não estava coerente no meio de todo o caos... mas a rosa azul nunca iria embora. Estava desenhada em sua alma com seu próprio sangue.

Ele veio… sempre vinha lhe ver. Nunca dizia nada. Podia implorar, jurar lealdade, mas o Mestre nunca nada dizia. Calado e poderoso. Punia por sua fraqueza e depois partia. A maior parte das vezes, o aprendiz já estava desacordado, em algumas, ainda existia lucidez na mente dele, e via o raquítico e poderoso Darth Sidious ir embora com passadas firmes para um humano tão velho. Darth Maul queria mata-lo, e em outras ocasiões, ajoelhar e pedir perdão por ter sido fraco. No final dos pensamentos confusos de um homem violado, ele nada fazia, e mergulhava na Escuridão oferecida.

Após dias… semanas… meses? Maul não sabia… O Mestre resolveu falar. Os pulsos doíam pelas algemas de choque, que deixavam ele, preso ao teto. Estava há tanto tempo ali que não sentia mais seus músculos. Estava ferido. Mas não o suficiente para lhe matar. Essa não era a intenção.

— Lamentável ver um Lorde Sith pendurado nessas condições por fraqueza. — A figura encapuzada de Darth Sidious estava parada de pé, diante dele. Poderosa e imponente. Maul nada disse. Estava entre a lucidez e completa confusão mental. Não havia nada a ser dito. — Dediquei meu tempo para lhe transformar na criatura perfeita. O caçador de Jedi imbatível. Invencível Darth Maul! E me deparo com uma traição. — O Zabrak não estava em condições de sentir a Força, mas o ódio de Sidious era tremendo, e queimava. — Deve se perguntar por que fui clemente e ainda está vivo… — O Lorde Sith deu uma pausa, como se esperasse receber uma resposta. Ela não veio. Nada veio de Maul. — Kamina Palpatine… Não imagina quem ela é, de onde veio e como é única e poderosa. Compreensível você, tão jovem se perder na fonte de poder que havia nela… — Sidious analisou atentamente seu aprendiz, que podia estar perturbado pelos dias de tortura, mas ao ouvir a menção ao nome da garota, teve uma súbita reação. A respiração do Zabrak acelerou em ódio. — Eu mesmo, meu caro e tolo amigo, cheguei e me deslumbrar pelo poder que ali existia… Chegou uma menina em meus braços. Capaz de feitos inimagináveis que com toda mestria, lapidei para se tornar submissa. Agente do meu grande plano. Assim como você. — Um sorriso se desenhou na face medonha. Não dava para ter certeza se era um sorriso ou um rosnado. — Mas sou infinitamente melhor que você. Agora, esta sendo punido não só por ter retirado de mim, aquela fonte de poder, como também por ter matado Kamina. — Darth Maul o olhou com um pesar tão grande, que Sheev deixou transparecer um reluzir no olhar. Não dava para definir que sentimento existia ali. — Lide agora com seu erro, e a morte da minha esposa. Deixou ser tomado pela Luz da compaixão. Agora irá lidar com a Escuridão da perda e remorso.

Darth Sidious se retirou. Ódio banhava o velho Senador, e enquanto se afastava do local onde seu aprendiz estava detido, pode ouvir os gritos, a dor, o medo, a decepção. Ele sorriu satisfeito. Agora, precisava caçar a sua esposa e filha. Aquela criança lhe daria poder. Muito mais que já ousou ter.

* * *

Lavanda e groselha. Essa foi a primeira coisa que seu corpo percebeu. Doce, suave, leve e… pacificador. Estava refrescante, limpa, e… dolorida. Como se estivesse dormido muito. Aquela dor gostosa, de quando se passa muito tempo na cama, e sente preguiça de levantar.

Ela abriu os olhos, e uma dor na têmpora fez Kamina fecha-los, levando às duas mãos a cabeça. Quando abriu uma segunda vez, um par de lumes verdes e brilhantes lhe fitavam com grande curiosidade. Foi impossível não se assustar e sentar, buscando distância de quem lhe observava.

— Oi! — A jovem mulher franziu a testa, visivelmente confusa. Uma menina, de pele verde, lhe observava. Uma criança Twi'lek. — Pai! — Ela berrou sorrindo. — Pai! — Gritou uma segunda vez.

— Hera! Eu já lhe disse para sair… — O homem parou. Kamina se encolheu. Um macho Twi'lek estava parado na porta, com a mão na maçaneta e parecia tão surpreso quanto Kamina. Sua pele era marrom-claro, era alto, cerca de 1, 90 e tinha olhos firmes e alaranjados. Um dos lekkus se contraiu ao mirar na figura da humana sentada. — Own… Olá.

— Papai ela acordou! — Sorriu a menina saltitante. O pai vagou o olhar ao redor.

— Sim princesa. Vá atrás da Isval. Ok? Diga para ela trazer comida e roupas para nossa hóspede. — Hera sorriu uma última vez e saiu pela porta aos gritos.

O homem não falou por alguns segundos, vendo a face da garota empalidecer repentinamente. Achou que ela deveria estar lembrando dos eventos, e teve certeza quando a viu derramar algumas lágrimas silenciosas.

— Me chamo Cham. — Ela o olhou com atenção. Nos olhos alaranjados dele havia honestidade e firmeza. Era jovem. Deveria ser cinco anos mais velho que a mulher. — Cham Syndulla. Aquela linda menina é minha filha. Hera Syndulla. — Continuou, se aproximando lentamente ao notar o corpo da garota relaxar. — Eu vi você fazer aquilo… — Por um instante, os lumes alaranjados faiscaram em medo, junto do Lekku que se contraiu. — Como os Jedis. — Kamina limpou a face chorosa. Precisava ser forte. — Te trouxe para um local seguro. — Ela o olhou fundo, e viu que aquele Twi'lek sabia muito mais do que dizia.

— Havia uma nave, senhor Syndulla… — Kamina gaguejou, evitando chorar.

— Cham… apenas Cham. — Um sorriso gentil de quem tentava passar confiança surgiu na face dele. Ela teria sorrido de volta, se sua alma não estivesse tão quebrada.

— Me chamo Kamina. — Avisou.

— Eu sei. Vimos pela sua identificação. — Aquilo fez a mulher se fragmentar em medo. Ele notou. — Está segura. Não precisa se preocupar com isso agora. — Não era mentira. Aquele homem estava sendo sincero e parecia saber muito de tudo. — A nave onde estava, explodiu. Passamos lá após encontrar você. — Kamina chorou mais.

— Eu… tinha alguém? Eu…

— Não havia corpo nenhum no local. Nem dentro da nave, nem fora dela. — Ela estancou no lugar, processando a informação. Não havia corpo. Poderia estar vivo. Maul estava vivo. Uma ansiedade e medo lhe tomou a alma, mas a voz pacífica de Cham, trouxe a mulher para realidade. — Somos pessoas decentes. A senhora parece ser honesta… — Ele não concluiu. Uma mulher Twi'lek estupidamente bela entrou pela porta. Sua pele azul era estonteante e sua presença era forte e dominante. — Isval… — O homem saudou.

— Olha quem acordou! A humana destruidora de naves e…

— Isval… — Repreendeu docemente Cham. Ela deu de ombros. — Lamento. Ela é espontânea…

— Deixe-me com ela… Vá ver Hera. — Ele sorriu. Seus olhos alaranjados sustentaram o da silenciosa humana por longos segundos.

— Estou dando a hospitalidade de minha casa. Quando estiver pronta, estaremos aqui para escutar sua história senhora. — Sem nada a dizer, se retirou.

Às duas mulheres ficaram em um pesado silêncio. Duas vidas muito mais parecidas do que Kamina poderia imaginar. Duas mulheres fortes, que juntas, aprenderiam a cicatrizar suas feridas. Uma amizade construída pela vontade de se conectar e amar.

Isval a viu chorar, e de sua voz grave e decidida, quebrou o silêncio.

— Não se preocupe. Cham é o melhor homem que já conheci. Não é a primeira pessoa a ser salva por ele… Vocês ficaram bem aqui. — Ela sorriu. Era óbvio que sabiam que estava grávida. Com certeza foi medicada. — Já tem um nome? — Um nome. Não tinha pensado nisso. Doía tanto… Estava tão vazia... mas então notou que aquela vida lhe preenchia. Lhe dava propósito e força. Chorou silenciosa. Lembrou de Maul. O amava tanto. "Está grávida de uma menina." Ele disse.

Yennefer. — Única, singular. Não existia nome mais apropriado. 

Ambas olharam para o ventre da humana. Ali, uma longa história se iniciava. Kamina, a Imperatriz perdida, nunca seria achada.

* * *


Glossário:




- Cad Bane - Um caçador de recompensa muito mostrado em Clone wars. Um dos melhores da época das Guerras Clônicas. 


- Duros - Quem nasce no planeta Duro. 


- Mãe Talzin - Para quem não sabe, ela foi a Líder das Irmãs da Noite e mãe biológica de Darth Maul, Savage Opress e Feral. 


- Cham Syndulla - Personagem canônico apresentado em Clone Wars. Um líder do povo Twi'lek, e pai de Hera Syndulla. Simplesmente me conquistou após o livro Lordes dos Sith. Ele é maravilhoso♥ 

- Isval - Uma Twi'lek que foi resgatada por Cham. Vendia seu corpo por comida, em uma época de grande corrupção no governo de Ryloth. Uma mulher sensacional. Não é mãe da Hera Syndulla. 



Notas Finais


Bem... isso doeu♥
O próximo será o Epílogo♥
Muito obrigada! E me digam o que acharam disso tudo♥
Obrigada e obrigada♥


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