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História Você me ensinou a amar - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Capítulo 8


Fanfic / Fanfiction Você me ensinou a amar - Capítulo 8 - Capítulo 8

Só queria entender, toda vez que vejo a Beatriz meu coração dispara, minha boca seca, fico nervosa quando estou do lado dela, não estou conseguindo lidar com meus sentimentos. Fiquei igual uma idiota olhando o carro dela enquanto saia do estacionamento. Só queria entender o que está acontecendo, ou talvez sou eu que não quero reconhecer o que estou sentindo. 

Percebi que minha mãe me olhava atentamente pelo para-brisa. Respirei fundo e entrei no carro. 

-- Por que não me disse que a Beatriz é a sua nova professora? - Perguntou assim que entrei.  

-- Preciso te contar tudo que acontece na minha vida? - Falei batendo a porta do carro com força. Ela me olhou com o cenho franzido. Não queria ter batido a porta, muito menos ter sido ignorante, essa situação com a Beatriz está me deixando estressada, sem querer acabo descontando nos outros. 

-- Não entendi por que você ficou tão brava. 

-- Você me tratou igual criança na frente da Beatriz, você me envergonhou, você sabe muito bem que eu odeio quando você faz isso. - Tirei as mãos do volante e a encarei séria. Não queria discutir, mas realmente ela me envergonhou. 

-- E desde quando você se importa com a Beatriz? 

Tentei responder, mas as palavras não saiam da minha boca. Ela tem razão, desde quando eu me importo com a Beatriz? 

-- Não gosto que me envergonhe na frente dos outros - por fim consegui responder depois de dar um longo suspiro. 

-- Achei que você não se importasse com a opinião alheia, ainda mais com a da Beatriz. 

-- Para de ficar me questionando. - Respondi ríspida dando a partida no carro. 

-- Foi você que começou a me tratar mal por causa de uma simples pergunta. 

-- Me desculpa por ter te tratado mal quando você me perguntou sobre a Beatriz, eu realmente errei e te peço desculpas, mas eu já te pedi mil vezes pra você parar de ficar me envergonhado, mas você não me ouve, quando eu brigo com você, você acha ruim. 

-- Então eu te envergonho?  

-- Não mãe, você não me envergonha, o que você fala as vezes é que me envergonha. 

-- É a mesma coisa. - Sorriu ironicamente e balançou a cabeça. -- Eu me preocupando com você eu te envergonho?  

-- Não, é a forma que você fala, eu não sou mais criança. Enfim, é melhor nos encerrarmos esse assunto por aqui. - Respondi afivelando o cinto, ela fez a mesma coisa, mas de maneira ríspida. Balancei a cabeça negativamente e dirigi rumo ao supermercado. 

Logo chegamos. O supermercado é o mesmo que vim com Beatriz mais cedo, foi inevitável não lembrar do dia de hoje. 

-- Essa mulher não sai da minha cabeça que droga! - Acabei falando mais auto do que deveria, não falei muito auto, mas provavelmente minha mãe escutou. Por um momento achei que estava sozinha, já que minha mãe não disse uma palavra do trajeto até aqui. 

-- Que mulher Renata? - Me perguntou com a testa franzida. 

-- Oi? - Engoli seco.  

Será que ela desconfiou que eu estava me referindo a Beatriz? Espero, que não. 

-- Não se Faça de desentendida Renata, ouvi bem o que você disse. 

-- Só pensei alto. 

-- E que mulher é essa que não sai da sua cabeça? - Perguntou me olhando fixamente, eu fazia o possível para não fazer contato visual, com certeza eu ficaria ainda mais nervosa. 

-- Ninguém mãe. - Falei abrindo a porta do carro e saindo. -- Vou pegar um carrinho. -  Ela apenas assentiu com a cabeça. 

Caminhei lentamente até a área onde os carinhos ficam, precisava respirar um pouco, minha mãe não me dá um desconto.  

Minha mãe sabe que sou lésbica, minha família inteira sabe, me assumi com 14 anos. Meus pais me apoiam, então por eu estar gostando de uma “mulher” não é mais um problema. Minha mãe no início não aceitou muito bem, mas hoje ela lida melhor, não 100 %, mas ela entende que eu sou assim, ela só fica brava quando escondo algo dela, quando estou namorando ou gostando de alguém, na cabeça dela ela tem que ser a primeira a saber. 

Peguei um carrinho e fui em direção a minha mãe que me esperava na porta do supermercado. 

Fizemos a compra e logo depois voltamos para casa.  

Já era por volta de seis horas da tarde. Por mim eu ficaria deitada a noite inteira, mas Isabela teve a brilhante ideia de ir até a minha casa sem me avisar. Acordei com ela pulando em cima de mim. 

-- Caralho! Que susto garota! - Com o susto, acabei a empurrando. Ela caiu sentada no chão. 

-- Você me machucou - Fez uma voz de choro. Logo me levantei para ajudá-la.  

-- Desculpa, foi no automático. Você se machucou? -  A puxei pelos braços e a coloquei sentada na cama. 

-- Machuquei a bunda. - Respondeu massageando a área dolorida. 

-- Você tem um rabão, achei que ia amortecer. - Me segurei para não rir. 

-- Você acha? - Esboçou um pequeno sorriso safado.  

-- Acho o que? - Me deitei ao seu lado e tentei voltar a dormir. 

-- É sério que você vai voltar a dormir? -  Falou me balançando. 

-- Vem, deita aqui comigo. - Respondi ainda com os olhos fechados. Ela se deitou, mas logo depois voltou a me balançar. -- Para de me balançar Isabela. - Resmunguei. 

-- Eu te chamo você não responde, o jeito é te balançar ué. 

-- O que foi? - Me virei para ela, mas dessa vez com os olhos abertos, se eu não dar atenção pra ela, é capaz dela me sufocar com o travesseiro. 

-- Vamos em algum barzinho? - Pediu igual uma criancinha pedindo doce fazendo bico. 

-- Ah não Isabela, hoje não. - Me virei, mas ela me puxou de volta. 

-- Você vai ficar deitada a noite toda? 

-- Sim, qual o problema. 

-- Por favor. Vamos? -  Fez bico e apoiou o queixo com as mãos. 

-- Tá, você não vai me deixar em paz.  Para de fazer essa cara fofa, você sabe que é meu ponto fraco. - Joguei um travesseiro no seu rosto bagunçado seus cabelos. 

-- Você sabe que eu te amo. -  Falou pulando em cima de mim, e me dando vários beijos no rosto, um dos beijos acabou virando um selinho, nossos olhares se encontraram de imediato, e assim ficaram por alguns segundos. Ela se aproximou para mais um beijo, me desvencilhei e a joguei na cama com cuidado. 

-- Vou tomar banho, já volto. - Me levantei da cama rapidamente e fui em direção ao banheiro sem olhar para trás. 

Por que Isabela me beijou? Foi apenas um selinho, não significou nada, bom, eu acho. 

Terminei o banho e voltei para o quarto enxugando os cabelos com a toalha. Isabela estava deitada, parecia pensativa. 

-- Desculpa pelo beijo, acho que estou carente sei lá. -  Falou se sentando na cama e abaixou seu olhar. Ela estava ruborizada. 

-- Tudo bem, não foi nada de mais, relaxa. - Me direcionei até o guarda roupas. Percebi disfarçadamente que ela me olhava pelo espelho, ela abaixou rapidamente o olhar quando me viu olhando para ela. Balancei a cabeça negativamente rindo 

Escolhi minhas peças de roupas que iria usar. Uma blusa social branca, como o tempo está um pouco frio botei um casaco de couro da cor preta por cima, optei também por uma calça preta e botas. Estava pronta. 

-- Vamos? - Perguntei alto pois Isabela estava no banheiro retocando a maquiagem e ajeitando o cabelo. 

-- Já estou terminando. - Gritou de volta. 

Terminamos de nós arrumar. Avisei minha mãe que provavelmente chegaria tarde, ela não se importou apenas me pediu juízo como de costume.   

Pedimos o Uber e descemos. iríamos no meu carro, estava pretendendo não beber, mas Isabela achou melhor chamarmos o Uber por que provavelmente eu iria acabar bebendo. Não discordei. 

Entramos no veículo o logo chegamos. 

 O bar por fora e por dentro é muito bonito, é cheio de luzes e tem um aquário lindo lá dentro. 

Provavelmente está quase lotado pois é um dos bares mais frequentados da cidade. Como não chegamos tarde, conseguimos uma mesa perto da pista de dança. O bar é mesclado com boate, acho que por isso é tão bem frequentado. 

Nos sentamos enquanto esperamos Lucas e uma amiga dele, como sempre Isabela estava de olho nela. Pedi uma bebida para nós duas. 

Logo eles chegaram, Lucas como eu não estava muito animado, mas depois foi se soltando. 

Tudo estava caminhando tão bem, estava me divertindo, rindo, mas assim que me dei conta que Beatriz estava em uma mesa próxima, acompanhada de algumas mulheres, provavelmente suas amigas, meu coração quase saiu pela boca. 

-- Não acredito que essa mulher está aqui. - Isabela disse levando a mão a boca ao me ver olhando para Beatriz quase sem piscar. 

-- Por que? Ela não pode vir? -  Lucas rebateu. 

-- Mas ela tem que vir justo onde estamos? 

-- Ela não tem bola de cristal pra saber que nós estamos aqui né. 

-- Ela tem bola de cristal sim, ela é uma bruxa. Ela vai estragar a nossa noite. - Respondeu olhando para Beatriz com ódio. 

-- Não sei por que você tem tanta raiva dela, ela só é um pouco brava, mas fora isso é ok.  

-- Essa mulher é uma vaca. 

-- Nem a Renata está se importando com a presença dela. Não falou uma palavra. - Se direcionou seu olhar para mim. -- Renata? - Estalou os dedos para que eu saísse do meu devaneio. 

-- Oi? o que você disse? - Direcionei meu olhar para ele que me olhava preocupado. 

-- Tudo bem? 

-- Tudo ótimo. - Esbocei um sorriso fraco. Olhei para Beatriz novamente, gelei quando nossos olhares se encontraram. Pensei que ela não tinha me visto. Desviei o olhar rapidamente e voltei a dar atenção ao Lucas. 

-- Tudo bem mesmo? - Sussurrou no meu ouvido para que ninguém que estava na mesa escutasse.   

-- Sim por que não estaria? - Virei minha bebida em apenas um gole. 

-- Sei lá, você está agindo um pouco estranho. Está incomodada com a presença da Beatriz? Toda hora você fica olhando pra ela, e ela pra você. 

-- Não pô, tô de boa. Pede uma bebida aí pra gente, vou no banheiro rapidão. 

Me levantei e fui em direção ao banheiro. Notei que Beatriz me olhava discretamente, achei melhor não olhar para ela e nem cumprimentar, apenas passei direto. 

Ainda bem que o banheiro estava vazio. Lavei meu rosto e a nuca, estava precisando dessa água gelada, sempre me acalma, me faz me sentir melhor. 

Apoiei minhas mãos na grande pia de mármore preta enquanto olhava meu reflexo no espelho.  

-- O que está acontecendo comigo? - Respirei fundo. 

-- Falando sozinha Renata? - Beatriz falou se aproximando de mim. 

-- Porra! Que susto. - Botei a mão no coração. - Desculpa o palavreado, foi no automático. 

-- Tudo bem. Desculpa por te assustar, não foi minha intenção. - Me olhou preocupada, ou arrependida. 

-- Tá tudo bem. - Esbocei um pequeno sorriso para tranquiliza-la. - Não sabia que você frequentava esse tipo de lugar. 

-- Eu não sou tão velha assim tá.- riu. 

-- Não por isso, é que esse é um bar LGBT. 

-- Ah sim. Minha amiga está fazendo aniversário, ela quis comemorar aqui. Mas eu não vejo problema em frequentar ambientes LGBTS. 

-- Que bom. - Abaixei um pouco o olhar. -  Desculpa por estar me intrometendo. 

-- Tudo bem, nós estamos conversando, não tem problema nenhum. O que te trouxe aqui? Está comemorando alguma data especial com seus amigos? Ou só está curtindo a noite? 

-- Na verdade eu fui praticamente arrastada pra cá. 

-- Te confesso que eu também. Preferia uma Reuniãozinha em casa, com alguns amigos, mas até que eu estou gostando. 

-- Então minha professora virou baladeira.  

-- Pelo visto sim. - Escondeu o rosto com as mãos. 

-- Quem te viu quem te vê. - Gargalhei encostado meu quadril na pia. 

-- Você que não sabe, vou pra balada todos os finais de semana. 

-- Sério? - Franzi o cenho. Não tinha a mínima ideia disso. 

-- Não. Olha bem pra minha cara, acha mesmo que eu frequento balada? Ainda mais todos finais de semana. - Riu fazendo meu olhar ir diretamente para o seu sorriso. Acabei deixando um sorriso bobo escapar. 

-- Está sorrindo por que? - Continuou rindo, mas com um semblante mais descontraído.  

-- Nada. Só estava pensando que quando você não está me xingando até que eu gosto de conversar com você. - Tentei desconversar, mas só acabei me complicando ainda mais. 

-- Também estou gostando de conversar com você ultimamente, mas só quando você não está chata. 

-- A chata aqui é você, esse posto é seu. 

-- Você que é.- Me deu um leve empurrão no ombro de brincadeira. 

-- Não vem com essa, você é muito mais chata e implicante. 

-- Tá bom eu me rendo. - Fez sinal de rendição com as mãos. -- Mereço esse título de mais chata. 

-- Vou trazer uma medalha pra você depois, de mulher mais chata do mundo.  

-- Meu Deus, já estou nesse patamar? - brincou. 

-- Tá quase lá. - Ri e ela negou com a cabeça também rindo. 

-- Beatriz? - Uma mulher de aproximadamente 30 anos de idade entrou no banheiro e se aproximou de nós duas. Provavelmente é uma de suas amigas. - Você sumiu, tive que vir te procurar. 

-- Estava conversando com a Renata. já estava indo. 

-- Sabia que quando você frequentasse um bar cheio de mulheres maravilhosas você não iria resistir e iria vir para o lado colorido da vida. - Assim que a moça falou, Beatriz a fuzilou com os olhos. Fiquei um pouco sem graça, mas não me importei. 

-- Lívia. - Beatriz a reprendeu. 

-- O que foi? Não falei nada demais. - Deu de ombros. -- Que mal educada que eu sou. Prazer Lívia. - Estendeu a mão para um cumprimento. 

-- Prazer, me chamo Renata. - Aceitei ao cumprimento.- Você que está fazendo aniversário? 

-- Sim. - Respondeu sorridente. 

-- Parabéns. - Sorri amigável. 

-- Obrigada. Não quer se juntar a gente? - Me perguntou enquanto saímos do banheiro. 

-- Estou com alguns amigos, mas obrigada pelo convite. - Falei perto do seu ouvido pois a música estava muito alta. 

-- Da uma chance, pra rabugentinha aqui. - Apontou para Beatriz com a cabeça sem que ela percebesse. -- Notei o clima entre vocês. - Piscou pra mim e saiu indo para sua mesa.  

-- Depois nos esbarramos por aí.- Beatriz falou no meu ouvido, fazendo meus pelos se arrepiarem no mesmo instante. 

Lancei um pequeno sorriso para ela e voltei para mesa. Todos me olhavam curiosos. 

-- Foi isso mesmo que eu vi? Você estava conversando com a Beatriz?- Lucas perguntou incrédulo. 

-- Sim, estava.  

Não dei muita ideia para as perguntas que viriam a seguir, só conseguia pensar no que tinha acabado de acontecer. Eu ouvi direito? A amiga da Beatriz me pediu para dar uma chance pra ela? Foi isso mesmo? Cada vez fico mais confusa com tudo que está acontecendo. 


Notas Finais


Desculpe pela demora. Me digam se estão gostando. Até o próximo. ♥♥


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