História Back 2 U (AM 01:27) - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Doyoung, Haechan, Jaehyun, Johnny, Mark, Personagens Originais, Taeyong, Ten
Tags Johnny, Johnten, Nct, Nct 127, Nct Dream, Nct U, Ten
Visualizações 174
Palavras 4.123
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Famí­lia, Lemon, Policial, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


mais um cap demorado ;u; desculpa
boa leitura~~

Capítulo 12 - Capítulo 12 - Chewing Gum


 

{POV. TEN}

Ouvi a história de Youngho. Depois do fim, fiquei parado, encarando o chão. Fora um longo conto, então me sentei sobre a cama para confortar um pouco. Ele também estava calado, por dentro me sentia acabado.

– Agora você entende...? – Johnny interrompeu o silêncio e eu levemente movi a cabeça, afirmando. Suas mãos passearam pelas minhas costas e depois pelos meus cabelos.– Me desculpa por... Fazer o que fiz, nós não teríamos passado por isso tudo.

– Não pede desculpas. Eu sei que você errou, mas pagou mais do que devia pelo que fez... Foi injusto, você sofreu e ainda sofre muito, não é? – Seus olhos encararam o chão por um tempo, Youngho ficou calado e depois voltou sua atenção a mim, sorriu pouco. – Não pode forçar sorriso, dói.

– Eu quem te disse isso.

– Vou te devolver, vale pra você também. – Segurei suas mãos. Johnny ainda estava um pouco abatido, provavelmente por ter me contado tudo. Tentei pensar em uma maneira de o animar, fui até minhas gavetas, tirei do fundo de uma delas, aquelas malditas orelhas de gatinho que ele havia me comprado anos atrás, as prendi em meu cabelo e fui até sua frente, com as bochechas queimando. O que me satisfez foi ver seu sorriso de novo, apesar da vergonha que sentia por estar usando aquilo.

– É o gatinho mais amável que eu já vi. – Tampei meu rosto por estar sem jeito e Youngho riu, tentando tirar minhas mãos da cara. - Aigoo, se quer parecer fofo pelo menos me deixe te ver.

– Nunca vou entender porque você comprou isso. – Falei ainda um pouco ruborizado. – Johnny... Onde estão Jisung e Chenle agora...?

– Sob os cuidados de Taeyong e Jaehyun.

– Vamos visitá-los! Você não está com saudades? 

– Não que não esteja... Apenas me faltava tempo pra isso. Quer ir lá agora? – Afirmei enquanto o puxava pra sair de cima da cama. Queria distrair ele um pouco, da maneira como fez comigo. Retribuir seus favores de forma justa. Aliás, pela primeira vez eu parecia mais animado que si, mas à medida que continuava me esforçando, parecia trazer resultado. Chegando no carro nós dois colocamos as mãos na porta do motorista, ao mesmo tempo. O encarei.

– Eu dirijo dessa vez. Vá para o outro lado. – Comecei a empurrá-lo.

– Ahh, não precisa disso tudo!

– Claro que precisa, vá rápido. – Depois de insistir, consegui deixá-lo no banco do passageiro. Me senti um pouco confuso pra falar a verdade, já que desde que Youngho havia voltado, desacostumei a dirigir com frequência, mas não ouveram muitos problemas durante o caminho.

– TenTen... Pode parar naquela loja? – Ele apontou para uma loja que vendia doces, há alguns metros, disse que sim e aquilo o animou um pouco. Alguns minutos depois de parar, Youngho voltou ao carro com muitas sacolas de doce.

– Que é isso...?

– Eu tirei Jisung e Chenle com tanta pressa do campo que não pude cumprir minha promessa. Ah, esses garotos amam chiclete... Nunca entendi isso.

– São crianças, não...? – Ele assentiu com a cabeça. 

– Ainda que tenham quase quinze anos nas costas, me surpreende como gostam de ser mimados. – Youngho sorriu enquanto olhava para as sacolas. Parecia um pai ansioso para reencontrar seus filhos, mas não fazia muito tempo desde a última vez em que se viram.

Chegando no condomínio de Taeyong, tivemos um certo trabalho na portaria, tendo em conta que eu não era conhecido ali e o porteiro estivesse achando que estava sequestrando Youngho e apenas nos deixou entrar depois de ligar diretamente para a casa que queríamos ir. Mas é claro que eu guardei certo rancor daquele homem.

Parei perto da calçada, saí do carro e ajudei Johnny também, mas um garoto loiro, provavelmente um dos meninos que viemos visitar, saiu em disparada de dentro de casa e pulou em Youngho, obrigando-o a segurar seu corpo em um abraço. Os dois sorriam bastante, era um reencontro feliz. Fiquei parado com os braços cruzados observando-os. Johnny lhe deu a sacola de doces, o que pareceu animar o garoto ainda mais. 

– Ah, eu senti sua falta de verdade! – Disse o mais novo, enquanto chorava um pouquinho de emoção. Youngho se abaixou para limpar suas lágrimas e sorriu ainda mais.

– Agora o hyung está aqui, Jisung. Não fique assim! – O mais velho cochichou algo do loirinho que o fez olhar para mim, e abrir um sorriso enorme. Saltitou até a minha frente.

– Você é próximo do hyung? – Perguntou. 

– Sim... Eu sou. – Sorri. – Você é o Jisung, sim? – O garotinho moveu sua cabeça afirmando e foi até Youngho de novo, segurou sua mão e os dois entraram juntos na casa de Taeyong. Apesar do carinho intenso trocado, não era motivo pra que eu sentiasse algum ciúme, pelo contrário achei incrivelmente fofa a maneira como sua relação se assemelhava a "pai e filho". Fechei a porta, e procuramos por Jaehyun e Taeyong pela casa, até outro garotinho descer as escadas rapidamente e vir ao nosso encontro. Provavelmente era o tal do Chenle, o segundo loiro que me Youngho contado sobre. Ele era bem tímido, aliás, os dois eram.

– Onde está o casal mais briguento do mundo, Chenle? – Johnny perguntou.

– Estão no quarto... Eu tava vendo TV, não os vi direito.

– Ah, então não vou atrapalhá-los... – Falou o mais velho. – Mas aproveitem bastante os doces, crianças.

– Faremos isso. Obrigado por cumprir sua promessa, hyung. – Jisung sorriu. – Faremos bom proveito. – Youngho fez uma continência e os mais novos o acompanharam.

– Já que Jaehyun e Taeyong estão ocupados, acho que vou indo... – Johnny se abaixou para abraçar os dois de novo. – Posso voltar depois, eu prometo.

– Vou confiar em você, desde que também nos jurou algo e cumpriu. – Chenle sorriu. Jisung permaneceu calado e concordou. – Obrigado por tudo!

– Se divirtam, pequenos. – Logo eu e Youngho saímos dali. O mais velho solicitou ao chinês que avisasse ao outro casal da nossa visita rápida. Enquanto estávamos prestes a entrar no carro, Jisung saiu pela porta e veio até nós, cabeça baixa e tímido. 

– Eu posso ir com vocês? – Perguntou. Eu sorri, afinal, nosso destino era a minha casa, e obviamente não iria recusar aquele pedido. O loiro então entrou, se sentou, permaneceu calado e quieto durante todo o nosso trajeto, enquanto eu e Youngho trocávamos algumas ideias no banco da frente.

Na porta da residência, vi Doyoung. Deixei Johnny estacionando enquanto ia até meu amigo, que abriu um sorriso enorme quando me viu e nos abraçamos por um bom tempo.

– Ten! É bom te ver... Eu fiquei sabendo do que aconteceu e eu sinto muito... – Disse, ainda me envolvendo e depois soltou um breve suspiro.

– Obrigado, hyung, você veio na hora certa. – Falei sorrindo, mesmo que soubesse que ele não veria. – Quando você voltou?

– Acabei de chegar em Seul e vim pra cá.

– Mas se você não tinha Internet e acabou de chegar... Ficou sabendo como?

– A-Ah... Sobre isso... E-Eu... 

– Doyoung...?

– Tá, eu realmente estava em um lugar onde tinha sinal, mas não quer dizer que podia falar o tempo todo. – Ele assumiu enquanto cruzava os braços e olhava pro lado, com a expressão brava.

– Ya! Então você não me chamou em momento algum por nada, huh?

– Você que não testou me mandar alguma coisa, eu poderia simplesmente responder se fosse importante. Mas de verdade, eu só fui saber hoje...

– Da próxima, não faça isso. – Doyoung concordou e Youngho veio até nós com Jisung. O garotinho chamou bastante a atenção do meu amigo, que pareceu encantado pela fofura do loirinho. Os dois, por alguns minutos, ficaram animados, já que tinham muita coisa em comum, enquanto eu e Johnny apenas ficávamos sorrindo por aquilo. – Hyung, vamos entrar um pouco e conversar mais.

– Eu realmente queria ficar, na verdade. Mas agora eu preciso ir pra casa. Podemos marcar alguma coisa mais tarde, só vim ver você, Ten. – Afirmei depois de combinarmos algum dia e lugar para poder falar melhor, sem ter a pressa de volta que Doyoung estava. Peguei as chaves e abri a porta de casa, deixando que Jisung entrasse rapidamente e ficasse parado no meio da sala, Youngho foi até ele. O loirinho apesar da sua idade, realmente agia como uma criança, se divertia com qualquer coisa que Johnny fizesse ou oferecesse e não me restavam dúvidas de que pareciam pai e filho. Me sentei no sofá para observá-los, aquela relação inocente e doce. Ambos brincavam no tapete fino da sala. Novamente o mais velho falava alguma coisa no ouvido de Jisung, me deixando curioso, ainda mais que, desta vez, demorou um pouquinho mais pra que terminasse sua fala. O pequeno veio até mim, mais uma vez.

– Ten... Você é o meu pai? – Deixei meu celular cair das mãos com aquela pergunta aleatória, olhei confuso para Youngho sem saber o que responder, ainda que a resposta parecesse óbvia.

– N-Não... Eu sou...?

– Não é, TenTen? – Johnny se aproximou e sentou ao meu lado, passando seu braço por meu pescoço e sorrindo. – Se eu sou pai do Jisung, você também deve ser. – Deixei as bochechas avermelharem um pouco, e enquanto sorria passei a mão por minha testa. Eu estava envergonhado e não sabia que reação ter.

– Aigoo... Eu sou um homem tão jovem. – Indaguei olhando para o mais velho.

– Não vai deixar um garotinho assim órfão de um pai, né? – Youngho sorriu e agarrou meu braço.

– ... Tudo bem, então. - Os dois comemoraram felizes pela minha decisão. 

– Então eu finalmente vou pra escola?! E... Vou poder ter um computador também? – Jisung pulou no meio de mim e de Johnny, com as mãos juntas, implorava para que seus desejos fossem realizados. O mais velho, claro, concordou em dar-lhe tudo o que quisesse.
Deixei os dois ali conversando e fazendo qualquer coisa enquanto ia para um canto isolado e ligava para o meu pai.

"Papai, onde está?"

"Na casa da sua avó. Está tudo bem?"

"Ah... Sim. Está. Você vai ficar quanto tempo aí? Fiquei preocupado já que fazem uns dias que não volta pra casa."

"Filho, provavelmente irei praticamente morar aqui, já que sua avó está pior que nós dois. Consegue se virar com Youngho, não é?"

"Claro. Vamos ficar bem. Me ligue se precisar de alguma coisa e apareça de vez em quando."

"Está certo. Vou desligar. Obrigado por ter vindo falar comigo, Chittaphon."

"Imagina, papai."

Encerrei a chamada e retornei até a sala, vazia. Estranhei, alguns minutos atrás os dois estavam ali, como poderiam sumir assim tão de repente? Ouvi suas vozes vindas do segundo andar e seguia onde meus instintos me mandavam procurá-los, e lá estavam, no meu pequeno quarto.

– Você vai ficar aqui agora, Jisung. – Youngho disse. – É todinho seu. 

– Sempre quis ter um quarto só meu! – O garotinho exclamou se jogando no colchão mole em cima da cama e enrolando-se no meio dos cobertores. Me encostei na patente da porta e fiquei rindo, olhando a felicidade dele por ter algo simples. Mas tinha certeza, que a vida onde morava era difícil a ponto de não ter um quarto próprio. Pensava se Chenle também estava feliz daquela forma, mas claro que Taeyong lhe daria tudo o que quisesse, já que era outro que colhia grana em árvores. Jisung continuava passeando pelo quarto, e quando o vi se aproximar da cômoda, meu coração gelou. Tive certeza de que Youngho também já que ele se apressou para afastar o garoto dali, disse que o levaria para conhecer o resto da casa e com gestos faciais me mandou esconder a arma que estava escondida ali. Peguei aquela revólver pesada nas mãos e não fazia ideia de onde por aquilo, corri até o quarto dos meus pais e procurei por qualquer lugar ali dentro que pudesse guardar bem aquilo, ainda que fosse difícil, lembrei-me do cofre que papai costumava manter em um fundo falso do guarda-roupa e deixei lá. Aliviado, saí do cômodo e fui a procura dos dois. Eles estavam no quintal, Youngho lhe mostrava algumas florzinhas que estavam no jardim e ao ver minha presença, perguntou em gestos faciais novamente, se havia guardado a arma. Fiz que sim com a cabeça e permaneci parado, esperando que o mais velho chamasse Jisung para dentro de novo. Enquanto lhe acariciava os cabelos loiros, perguntei que tipo de lanche, mais gostava, deixando o garoto confuso por bastante tempo. Durante todo esse intervalo, Youngho estava no telefone, e internamente admito ter me sentido um pouco chateado por não colaborar na nossa escolha de algo para comer. Jisung pareceu não notar muito, até pegou meu celular para procurar no Google alguma coisa que estivesse curioso em comer. Era uma criança inocente, debrucei na mesa e comecei a passar minhas mãos por seus cabelos claros. Gostava de sentir aqueles fios macios, perguntava a mim mesmo onde ele havia conseguido ter um cabelo melhor que o meu, já que viveu no meio de militares o tempo todo. 

– Ah... O que é isso? – Ele perguntou e chamou minha atenção. Levantei para olhar a tela do celular, o navegador estava aberto na página onde eu havia comprado aqueles moletons cor de rosa junto de Youngho. – Posso ter um também?

– Gosta disso? - Assentiu com a cabeça. – Então vou arrumar um pra você. – Sorri e recebi um abraço carinhoso de Jisung, ele me agradecia infinitamente. – Assim, poderá combinar comigo e Youngho.

– Você e Youngho sempre gostaram um do outro? – Sua voz surgiu de novo, enquanto eu confirmava a compra no celular. Na minha cabeça, vieram ótimas lembranças, de anos atrás, principalmente. Eu lembro até hoje. Remédios, Snikers e Coca-Cola. Pensava que aquele maldito rapaz estranho nunca me pagaria as dívidas, e para minha surpresa, ele as paga até hoje. Suspirei sem tirar o sorriso do rosto, terminei o que tinha para fazer no celular e depois de me virar para Jisung, sorri lhe apertando levemente uma das bochechas.

– Acho que a palavra certa... Nós fomos feitos um para o outro, desde sempre. – Respondi, um pouco perdido nas várias lembranças que rodavam minha cabeça naquela hora. O garoto parecia animado com minha resposta, ele dizia que aquilo era lindo, sonhava ter um relacionamento como aquele, segundo si. Ouvi suas palavras com atenção e lhe retrucava de forma divertida, provocando-o. Jisung parecia convencido quanto a ter alguém com o mesmo relacionamento que eu e Youngho. Ah, se ele soubesse por todas as coisas que nós passamos... O loiro estava curioso por muitas coisas, principalmente por quem eu era, já que os tantos anos que Johnny permaneceu perambulando por aí, com certeza deu tempo dos dois trocarem bastantes ideias juntos. Ele ficou surpreso quando descobriu que eu, na verdade, era tailandês, ainda que meu rosto denunciasse bastante, por não ter traços coreanos. 

– Se entretendo sem mim? – Youngho perguntou enquanto se sentava à nossa frente. – Do que tanto conversam, senhores?

– Sobre o que iremos comer, algo que você deveria participar, mas pelo jeito a pessoa do outro lado da linha não permitiu isso. – Retruquei. O mais velho mordeu o lábio inferior, um pouco intimidado com minha resposta, mas ao invés de responder, ele apenas se sentou sorrindo na cadeira da frente. Como eu odiava que Youngho me escondesse as coisas dessa forma, respirei fundo, Jisung se encolheu.

– Tem alguma coisa acontecendo? - Perguntou o loirinho, parecia ter medo.

– Não. - Johnny respondeu gentil. – Que tal eu te levar em algum fast-food, já que tem fome? – E então ele arrumou uma forma de deixar o garoto hiperativo e animado. Não me sentia muito paciente, já que Youngho havia arrumado alguma maneira de me estressar. – Vamos, Ten? 

– Vá você, eu me viro. – Respondi ríspido. Mas aparentemente não funcionou, já que de qualquer forma eles me convenceram a ir, ainda que de mal humor. 

Preferi não comer nada além de algumas batatas-fritas roubadas de Jisung. O loiro estava perplexo, nunca havia comido algo do tipo na vida, mas eu tinha certeza que depois de começar sua vida de um adolescente de verdade, fast-food e lojas de conveniência virariam seus melhores amigos em algumas horas, já que comigo fora da mesma forma, na época da escola. Youngho estava lhe fitando, admirando a inocência de um garoto provando algo pela primeira vez e de como aquela experiência estava sendo de alguma forma satisfatória. 
Jisung saiu um pouco para ir ao banheiro e encher seu refil de refrigerante de novo. Permaneci de braços cruzados encarando o lugar, e piorando meu estresse por conta das crianças de no máximo nove anos gritando no playground. Ah, como eu me agradecia por Jisung ter passado dessa idade. Ainda que não fosse exatamente meu filho, era óbvio que me sentiria culpado pela minha criança estar gritando por aí estourando tímpanos, e desejava que os pais delas pensassem da mesma forma, ainda mais em um lugar fechado.

– O que foi agora? – Youngho cortou meu devaneio e concentração. – Está bravo comigo. 

– Talvez eu não estivesse se você não escondesse as coisas de mim. – Me recusei a encarar seu rosto, mas ele insistia em trocar olhares comigo. – Aish, pare de simplesmente agir como se nada tivesse acontecido!

– Eu sempre te digo que nem sempre é a hora certa de descobrir uma coisa.

– E da mesma forma eu acabo descobrindo do pior jeito! Não pode apenas ser sincero e se abrir comigo? – Tentava manter a calma e não levantar a voz naquele ambiente, mas nada cooperava comigo, muito menos o olhar indiferente de Youngho. – Ou vai simplesmente continuar fazendo essa droga de joguinho mental?!

– Eu não quero te contar pro seu próprio bem.  Por favor, confia em mim. – De indiferente ele passou para alguém preocupado. – Sério. – Suspirei.

– Tenho medo que se envolva nesses seus esquemas de novo. Ah, Youngho, você fala como se fosse fácil achar uma arma aleatoriamente no meu quarto, suja do sangue de seja lá quem e ter que ficar calado quanto a isso. Como não vou me preocupar para saber que está bem e não irá se ferir? Ahhh, eu só me preocupo demais pois você sai mat... – Não pude completar minha frase pois os lábios dele se encontraram com o meus antes. Fiquei uns segundos sem reação, e com as bochechas avermelhadas, havia me pego de surpresa. Tentei reclamar mas depois seu dedo indicador me impediu também, Youngho olhou para o lado e Jisung estava se aproximando. Apesar do susto, o garoto não havia ouvido nada, me deixando mais calmo. Pensava se ele tivesse aqui na hora. Olhei para o lado abanando a mim mesmo com minha mão, estava nervoso. Não apenas pela surpresa, mas também pelo beijo repentino que havia ganho. 

– Quer ir embora? – Johnny perguntou sorrindo para Jisung.

– Ah, sim. Me sinto cheio. – Sorriu o mais novo. 

– Gostou? 

– Bastante. Muito obrigado por cuidarem de mim. – Jisung juntou suas mãos. Me senti feliz por aquilo, era fofo e doce da parte dele. Nós saímos dali, meu mau humor aos poucos sumia. Continuamos passeando por todo lugar do shopping, até rendeu um celular novo pra mim e o mais novo, que Johnny insistiu em pagar.

Chegando em casa pedi que Jisung fosse arrumar o quarto, já que queria a princípio introduzí-lo a tarefas de casa. Alguma hora eu o mandaria fazer isso, mesmo com Youngho insistindo em contratar alguma diarista, recusei todas as suas propostas. Mesmo que fosse um menino novo, Jisung precisava e deveria aprender aquelas coisas. Johnny reclamava que eu estava parecendo uma mãe. Mas era verdade, e também a minha intenção. 

Me sentia exausto, sem um motivo aparente. Só fui notar isso quando eu finalmente parei em pé na frente da escada e soltei um suspiro tão forte que até Youngho estava pensando na possibilidade de eu estar passando mal. Mas não, só me sentia cansado. Enquanto Jisung fazia as tarefas simples, subi para o quarto dos meus pais, onde Johnny, mesmo que eu estivesse contra, preparou um banho pra mim, na banheira. Tinha até espuma, e algumas velinhas ao redor. Antes dele sair do lavabo me deu um beijo meloso nos lábios e eu finalmente pude entrar dentro da água quentinha. Era relaxante, respirei profundamente enquano estava ali, aproveitando o tempinho livre que tinha. 

Saí, me sequei e coloquei algumas roupas mais casuais, acabei achando o moletom cor de rosa no meio das minhas roupas e coloquei. Continuava confortável, de qualquer forma, e nunca deixaria de ser, já que por algum motivo aquilo era como ter Youngho comigo.
A noite caiu rápido naquele dia. Fiz lamen pro jantar, já que nenhum de nós três queria sair de casa novamente ou preparar alguma coisa mais perplexa. Então mandei Jisung para a cama, o aconcheguei entre vários cobertores, não queria que sentisse frio, e fiquei afagando seus cabelos claros até que pegasse no sono. Depois voltei para o outro quarto, me sentei na cama enquanto mexia no celular. Johnny saiu do banheiro e veio até mim, se sentando do meu lado. Senti sua mão passear por todas as minhas costas, ele estava cheiroso, queria dormir abraçado consigo aquela noite. Mais que isso, sentia falta dele, ainda que estivéssemos lado a lado todos os dias. 

– Johnny, por que disse ao Jisung que eu era pai dele? – Perguntei na tentativa de puxar um assunto. 

– Jisung sempre me considerou de tudo, pai, irmão... Já que eu cuidava dele dessa forma. Você sendo meu parceiro, achei que também tivesse direito de ser chamado dessa forma. 

– Mas nós namoramos?

– Ah... – Ele deu um tapa na própria testa. – Esqueci disso... Olha Ten, me desculpa, só não conte a ele e...

– Não, tá tudo bem. – Sorri. – Eu quero voltar com você. – Youngho me devolveu a expressão. Consegui sentir sua felicidade, era contagioso. – Mas agora tenho outra pergunta... De onde surgiu tanto afeto com o Jisung?

– Está com ciúmes de um garoto de quinze anos? - Perguntou rindo. Lhe soquei levemente.

– Não! Só que vejo uma sinceridade e relação profunda entre vocês. É bonito de se ver.

– Quero ser para Jisung o que meu pai nunca foi pra mim, entende? Ele é um garotinho de ouro... – Sorriu bobo. Lhe beijei a bochecha.

– Então vou te ajudar a cuidar dele e criar uma família, que vocês dois sempre quiseram. – Vi suas bochechas avermelharem. Uma raridade, sentia vontade de registrar aquele momento de alguma forma. Apertei seu rosto e tirei uns resmungos de si. Mas apenas continuei sorrindo, me divertindo com o momento. – Você é um fofo. – Falei enquanto me apoiava nas suas coxas para lhe dar mais alguns beijos carinhosos por toda sua face.

– Não me provoque. Posso passar de gatinho doméstico para um leão. – Ele disse, fazendo-me notar que estava sentado em seu colo. Youngho continuava me direcionando uma face maliciosa. Saí de cima de seu corpo rapidamente. – Ah, não fique constrangido. – E tampei meu rosto com uma almofada de rolinho. – Ten! Está com vergonha de mim?

– E-Estou com vergonha DE mim. – Falei sentindo as bochechas arderem.

– Por quê? 

– P-Por que eu... – E retirei a almofadinha da cara. – Eu sou só um gatinho indefeso e você um leão.

– Ahh, que fofo. Apesar disso não serei selvagem com você... Só se deixar. Você deixa? – Sabia exatamente do que ele estava falando.

– Se prometer não me machucar... – Coloquei as mãos sobre o rosto para me esconder novamente. 

– Claro que não vou te machucar. – Youngho sorriu enquanto vinha até o meio da cama para me beijar. Ainda que tivesse começado levemente, já podia sentir uma de suas mãos invadindo minha blusa por baixo, e estava gelada, não pude evitar de arrepiar um pouco.

Segurei firmemente seu pulso e pedi que continuasse...

 

...

 

– Bom dia! – Jisung disse quando surgi na cozinha.

– Bom dia. Você dormiu bem? – Perguntei lhe acariciando o rosto levemente e ele assentiu. Youngho estava fazendo o café e veio me dar um selinho de bom dia, mas ao ver eu só pude me manter envergonhado ao lembrar da noite anterior, enquanto o mais velho ria da minha reação. 

– Ah, eu tinha que perguntar duas coisinhas... – O loiro chamou a nossa atenção. – Quando irei para a escola?

– Que tal hoje? – Youngho sugeriu.

– Vamos! – Jisung bateu palmas animado.

– E qual a outra pergunta? - Interferi enquanto colocava um pouco de café em uma xícara e estava prestes a tomá-lo.

– Eu ouvi alguns barulhos ontem de noite e fiquei com um pouco de medo... Tem fantasmas em casa? – Cuspi o líquido quente da minha boca na pia. Havia queimado a língua. Youngho também parecia um pouco assustado e surpreso.

– A-Ah, imagina... Eu saí durante a noite para ir até a cozinha. Não há fantasmas. – Johnny disse tentando reverter a situação e acalmar Jisung.

Depois do café, nós saímos de casa para ir até a mesma escola que Taeyong havia nos notificado de ter matriculado Chenle.

"Seo Youngho?...

Sim, somos nós. O que lhe atrai em nossos serviços?

Claro que será possível, mas nós não cobramos um cachê muito barato... Deseja confirmar a prestação?

Certamente, sr. Seo. Obrigado por confiar em nós.

 

Sua família estará a salvo conosco."



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