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História Café da manhã à tarde - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Sobre 23 promessas, cafés gelados e sonos desregulados


Yachi mandou exatas 23 mensagens para Shimizu naquela tarde. Havia sido uma uma troca de textos bem curta, mais para uma checagem de que Hitoka estava bem e agradecimentos como respostas, mas nada que ela de fato chamaria de conversa, e isso lhe dava pena.

Uma espécie de pena de si mesma e frustração com a situação. Estava grata com as mensagens de Shimizu, mas odiava não ter conseguido ter mantido o diálogo por mais tempo e não tinha coragem de reler a conversa para se culpar com todos os erros que ela teria cometido. Yachi tentou convencer a si mesma, no fim, que ao menos ela havia demonstrado interesse na conversa com Kiyoko, isso era o suficiente para que ela mandasse mensagens mais vezes, certo?

A verdade era que Yachi não conseguia concentrar-se em nada direito; talvez fosse o tempo estupidamente massivo que ela passava sozinha admirando as paredes do quarto, notando pela quinquagésima oitava vez cada sujeira que ela fez quando era mais nova e um pouco mais irresponsável e que agora estavam eternizadas sobre a tinta de uma cor que ela não gostava mais. O maior problema, na verdade, era que sua mente, tão cansada do vazio, que divagava sempre para cenários improváveis e distantes, na maior parte do tempo do lado de fora da sua casa ou, ao menos, com companhia de alguém no seu isolamento, mas sempre ao lado de Shimizu.

Sempre que se dava conta de seus sonhos acordados, sentia um sobressalto em si: levantava-se na hora, chacoalhava a cabeça e gritava mentalmente consigo no que você tá pensando?!

Mas era tarde demais, por mais que tentasse convencer sua cabeça que tinha que largar as esperanças de sentir o braço de Shimizu sobre seus ombros e seus sorrisos grandes para si, orgulhosa de suas pequenas, sempre pequenas vitórias, a imaginação insistia em levá-la de novo para esses cenários dos quais ela estava certa que jamais viveria. Era um constante jogo de tortura mental consigo mesma de viagens subconscientes e gritos da consciência, e o coração de Yachi ficava bem ali no meio, perdido e dolorido nesse empurra e puxa das expectativas e pessimismo.

Yachi olhava para o céu sem nuvens do outro lado da janela quando se perguntou por um segundo se todos os algodões celestes haviam partido para seu peito e por isso suas perspectivas estavam tão embaçadas, sem muito brilho. Mas o Sol brilhava e o calor reinava do lado de fora, então Yachi não chorou, não querendo derramar-se ainda mais naquele dia.

Hitoka pegou o celular antes de descer para a cozinha e viu a notificação da última mensagem que Shimizu havia mandado e que ela tinha esquecido que estava ali. Ao recebê-la, Yachi estava envergonhada demais da conversa para abri-la, então apenas leu o que Shimizu disse no fim, que consistia em um curto “tudo vai dar certo”.

Yachi riu. Não estava dando, mas ela saiu de seu quarto mesmo assim, sem muita expectativa de que ainda teria café pronto às três da tarde ou se ele sequer estaria bom, mas ela havia acabado de acordar e só tinha uma forma de descobrir.


Notas Finais


é uma ficzinha mais antiga que era pra ser do projeto eras, mas aí ficou nada parecido com a música e eu não via mais muito ponto em postar, mas deu vontade de tentar capar essa fic e, no fim, pensei "por que não?"
(e vou botar no projeto mesmo assim, fight me)

— projeto eras: rare —
▸ ring「✓」
▸ link do jornal: http://fics.me/18600895
▸ link da música: https://youtu.be/nPHfAl5gcGo


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