História Estrela despistada - Capítulo 17


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Palavras 12.618
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Fluffy, Lemon, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa noite pessoal! Tudo bem?
Devo a vocês um pedido de desculpas, primeiro porque fiquei sem internet e depois porque me envolvi em um projeto a longo prazo que acabou tirando um tempo de mim e por ultimo outras coisas pessoais que aconteceram, mas enfim estou aqui.
Resolvi fazer esse capítulo mostrando o que está acontecendo lá pras bandas da humilde residência do Estenraaaaiiize. Babado forte ( me sentindo Leo Dias kkkk das fics). Tem bombas nessa história. Muito babado por aí Sherlokes, peguem o caderninho e anotem informações importantes ao longo do capítulo.
AVISO:
Cenas fortes, por isso se você não está preparado psicologicamente pra aguentar cuidado, pare de ler enquanto é tempo, no incio do capítulo dá pra entender o que vai acontecer e se você não ler as cenas fortes posso dar um resumão no proximo capítulo.
Agora, sem mais delongas, vão ler. GO GO GO!

Capítulo 17 - As vítimas


Fanfic / Fanfiction Estrela despistada - Capítulo 17 - As vítimas

Capítulo dezessete: As vítimas

 

“ As vítimas do sacrifício e do espírito de sacrifício tem dele uma ideia muito diferente da dos espectadores; mas nunca lhes foi dada a palavra.”

- Friedrich Nietzsche

 

Aron mandou reunir as mulheres virgens com idade entre 16 e 21 anos, iria escolher 21 meninas para um propósito maior. Tinha começado uma guerra e precisava fazer uma colheita para oferecer aos deuses. Reuniu as moças no salão principal de sua residência, iria escolher pessoalmente as vítimas do sacrifício que não sabiam o destino que teriam, mas tinham medo de estarem na presença dele e a sensação latente de que algo de ruim estava pra acontecer. Algumas pessoas do reino acreditavam que a movimentação fosse porque ele iria escolher uma concubina ou quem sabe iria escolher uma esposa, mas todas as hipóteses criadas entre sussurros passavam bem longe da verdade. Nem mesmo as pessoas que trabalhavam mais próximos ao Soberano, com exceção de um número muito restrito de pessoas, sabiam ao certo o porquê de suas ações.

Em guerras anteriores, Aron tinha reunido 18 mulheres na mesma faixa etária para oferecer em sacrifício aos deuses em troca da vitória e naquele momento seu propósito não era diferente, apenas os súditos não sabiam que já estavam envolvidos em um confronto de grandes proporções.

As meninas foram obrigadas a ficarem nuas diante uma das outras, de alguns soldados e de Aron que as periciava sem demonstrar o que estava por trás daquilo. Elas estavam de cabeça baixa lado a lado uma das outras. Estenrize estava em uma parte superior do salão e desceu os três degraus para se aproximar, analisando uma por uma. Se aproximou de uma que tremia e tremeu ainda mais como se sentisse um terrível calafrio quando ele se aproximou. Estava de cabeça baixa, ele tocou seu queixo e a fez levantar a cabeça. Encarou os olhos azuis cheios de medo e não esboçou nenhuma reação.

- Levantem a cabeça. – Ordenou frio se afastando um pouco para ficar de frente para aquela fila e ver cada um dos semblantes assustados.

Elas agiram pelo medo o encarando acanhadas, querendo se esconder em alguma coisa, mas sem ousarem desobedecer as ordens dele. Aron voltou a periciá-las tocando a pele, analisando os seios expostos e tocando em áreas mais íntimas e constrangedoras. Tocou os cabelos para sentir a maciez, verificando os dentes e cada detalhe daqueles corpos jovens como se estivesse comprando escravos. Não sentiu nenhum tipo de desejo quando as tocava, não ousaria fazer nada, nem mesmo algum comentário ousado. Não ousaria despertar a ira dos deuses e quando queria tinha um controle de seus instintos muito elevado.

Dentre essas garotas escolheu as 21 mais belas e em boas condições de saúde. Dispensou as outras sem mencionar o propósito de tudo aquilo. Para as meninas que ficaram ordenou aos criados que as vestissem com roupas belas, do mais caro e nobre tecido e as hospedassem em quartos bem equipados. Os criados deveriam providenciar tudo o que elas precisassem e as servissem com prioridade. Obviamente o medo e a atmosfera cadavérica impediram qualquer uma das virgens a pedir alguma coisa. Ficaram acuadas em seus quartos imaginando o que se passava pela mente de Estenrize e quanto tempo levaria até estarem diante de cenas de terror.

Aron deu as ordens e se retirou para seus aposentos. Despiu os trajes superiores com uma calma bem calculada e a mente categoricamente embrulhada em seus planos. Preocupado em não deixar nada falhar em nenhum momento do plano. Entrou no banheiro e abriu as torneiras de água quente da banheira, sem pedir ajuda e sem se incomodar por fazer isso sozinho. Exageradamente calado serviu-se de uma taça de vinho enquanto esperava a banheira encher. Sentou-se na borda de mármore e bebeu  um pouco do líquido em goles demorados.

Pôs alguns sais na banheira e quando ela já estava cheia despiu-se do resto das roupas. Encheu mais uma vez a taça de vinho e entrou na banheira sem agitar muito a água. Era certo que naquele banho demorado pensava nas coisas que tinha feito e não se arrependia de nada do que tinha feito de sua vida, pois tudo estava justificado em seu interior. Decerto também pensava no que aconteceria quando Adrian chegasse e se perguntava se realmente o menino tinha condições de aguentar e corresponder suas expectativas. Questionava também aquela doença incurável e sem nome, seria uma verdade ou seria uma farsa? Seja qual fosse a verdade, uma coisa era certeza para Aron: manipulavam tudo o que chegava perto do menino, isso pode ser bom e pode ser ruim também dependendo do propósito. Não chega a ser uma ameaça ou um desafio, afinal Adrian só precisa de algumas palavras bonitas e um carinho de vez em quando para sentir que tudo estava bem e esse detalhe pode ser um grande aliado se manipulado de forma correta.

Os dedos e parte das mãos já estavam bastante enrugados e sua garrafa de vinho já tinha acabado. As janelas do banheiro estavam fechadas, não permitiam ver a posição do sol pra pelo menos ter uma ideia das horas, mesmo assim julgava que já estava ficando tarde. Saiu do banho e se vestiu com uma roupa casual e leve. Sem muita pressa saiu do quarto caminhando até a ala hospitalar onde Ryu estava.

O menino estava entediado naquela cama vendo o vagaroso gotejar daquele líquido amarelo que corria pelo acesso até encontrar seu sangue em uma veia das mãos, estava quase no fim. Aron fechou a porta de vagar e o menino olhou em sua direção sem demonstrar tanta empolgação, suspirou e levou o olhar à janela onde as persianas semicerradas mostravam ainda o brilho amarelo do cair da tarde. Esse ato não passou despercebido por Aron.

- Doutor Talbot falou com você? – Perguntou Aron puxando uma cadeira para se sentar.

Ryu o olhou decepcionado e magoado. Suspirou, juntou as mãozinhas delicadas as remexendo de um jeito nervoso. Não mostrava mais a figura de antes, parecia amedrontado como uma criança.

- Eu não quero mais ficar aqui... Eu quero ir pra casa.

- Isso não é uma opção. – Aron falou calmo sem se comover com o nervosismo dele. – Você não tem mais opção de volta.

- Eu não quero fazer exames e não quero cura nenhuma. – Olhou seriamente pra Aron sem desviar o olhar dos olhos frios e penetrantes de Estenrize. Aquela firmeza que de certa forma agradava Aron estava lá ainda por mais que o menino estivesse vulnerável e amedrontado com os próximos passos.

Aron se levantou calmamente e deu a volta no leito parando ao lado da bolsa de soro que já havia terminado e no acesso já surgia uma fina linha de sangue. Aron tirou a agulha do acesso e a outra metade do cateter ele prendeu com uma fita para que não ficasse balançando.

- Levante-se que vamos dar uma volta. – Disse autoritário mesmo que não tivesse aumentado o volume da voz.

- Onde vamos? – Perguntou a criança um pouco curiosa.

- Sem perguntas, só se levante e venha comigo. – Ordenou Aron.

Ryu Segi era uma criança de dez anos de idade pequeno e doente igualmente Adrian, mas o que o diferenciava do príncipe é que era um pouco mais habituado as coisas, ao mundo a sua volta e levemente menos ingênuo. Aron não o ajudou a descer da cama e sequer havia colocado a disposição uma escadinha pra descer daquele leito. Um pouco tonto por causa de uma leve e enjoada dor de cabeça ele quase caiu ao sair da cama, mas se segurou tentando disfarçar o indisfarçável com medo de levar uma bronca. Aron mexeu em alguns armários pra encontrar algum chinelo ou coisa equivalente pra por nos pés dele. A última coisa que queria era vê-lo doente quando estava ás vésperas de começar seu experimento mais ousado e insano. Encontrou um par de pantufas simples e azuis ainda dentro do plástico hospitalar. Deu pro menino calçar. Ficaram grandes assim como o pijama azul também estava, na verdade aquela ala era somente para tratar Aron quando preciso e todas as peças de roupa hospitalar era pra um adulto e não para crianças tão pequenas, mas Ryu nem se importava com esses pequenos detalhes. Sua vida era recheada de coisas doadas dos irmãos mais velhos e todas as roupas e sapatos ficavam grandes nele. Fez um nó desengonçado na calça pra não ficar caindo e ainda assim prendeu com a cordinha da calça, a camisa parecia uma camisola enorme e as pantufinhas saiam fazendo barulho nos pezinhos infantis.

Aron o levou para fora dali, andando mais a frente sem se importar com a criança que o seguia, Ryu precisava de considerável esforço para acompanhar o ditador e aparentemente seu novo tutor. Alguns enfermeiros olhavam assustadas para o ilustre e único paciente no momento fora do quarto seguindo Estenrize. Entraram em um elevador que para o menino parecia mais uma caixa metálica que deixou o pequeno muito intrigado. Nunca tinha andado naquilo na vida e parecia muito curioso ao ver os dedos de Aron cheio de anéis, entre eles um com grande rubi onde tinha encravado seu símbolo pessoal: um brasão com um dragão no centro e um ramo de louro emoldurando, na pata esquerda segurava uma esfera azul e na direita um cetro emoldurado. Com o indicador, onde estava o anel de rubi, Aron mexeu nos botões do elevador, logo um pequeno painel acima da porta mostrou o número 12 e a caixa parecia se mexer obrigando o jovenzinho desacostumado a se segurar nas barras sentindo um pouco de tontura.

- Fica de pé. – Aron reclamou seco ao ver o menino se segurando na barra como se estivesse caindo.

Ryu apenas balançou a cabeça concordando e tentando se arrumar, mas quando o elevador parou foi como se estivesse caindo novamente e por reflexo ele se segurou na cintura de Aron que surpreendido segurou naqueles bracinhos finos pra afastá-lo, mas acabou se demorando um pouco mais que o normal para afastá-lo. A princípio lhe veio uma sensação estranha com a pequena quentura dos bracinhos magros, um pouco de nostalgia de algo que nem mesmo Aron sabia o que era, muito menos como agir. Mas isso não passou de milésimos de segundos que nem valia a pena se render e se lembrar na posteridade, por isso o afastou. Não com o intuito de ralhar com ele, mas com o medo inconsciente de sentir aquela coisa estranha. Foi quase como um aviso de que o menino não deveria se aproximar demais a menos que Aron permitisse. 

Ryu olhou pra ele procurando algo nos olhos azuis que Aron sustentava em meio a uma neblina fria. Entendeu que se aproximar do Aron era impossível se ele não permitisse, se ele não desse a carta branca. Em parte isso deixava Ryu entristecido porque acima de tudo ainda era uma criança delicada que precisava de apoio e isso Aron jamais prometeu lhe dar. Mas por outro lado, Aron não era totalmente indiferente ao menino, só não tinha vontade de se aproximar e nem se importava com isso. Desde o começo a criança e ele tinham tido alguma ligação estranha que não os aproximava para algo além de uma conversa distante... Mas talvez a essência de tudo estivesse no olhar perscrutador, alguma coisa que desafiava Aron e ele gostava apesar de não fazer esforço para demonstrar. Ryu tinha em sua essência algo de Estenrize mesmo que fosse em seu formato mínimo.

Quando saíram do elevador Ryu percebeu de imediato a mudança de ambiente. Estavam em um corredor e próximo ali ele via um cômodo com um sofá preto ao lado de uma mesinha com um jarro de vidro enfeitado com um copo de leite. Pela expressão que fazia, o menino estava maravilhado com o novo ambiente, mesmo que não tivesse visto muito e que o corredor onde estavam fosse branco e sem atrativos, muito parecido com o quarto de hospital em que residia desde que chegou ali. Mas seja como for, seu lado infantil e explorador sentia-se maravilhado com a possibilidade de explorar. Andou como se tivesse total liberdade para isso, queria ver as coisas que ele jamais viu na vida. Sempre teve uma infância pobre demais em uma terra que castigava por si só e ali onde estava era tudo tão diferente, mas Aron não compartilhava da mesma empolgação que o menino e o puxou pela gola folgada demais do pijama hospitalar.

- Não vai a lugar nenhum sem minha permissão. – Avisou sem aumentar o timbre de voz ou demonstrar alguma emoção. Ryu o olhou indignado, depois fez uma carinha de súplica que divertiu Aron, o fazendo demonstrar um leve sorriso. – Vem comigo e não mexa em nada. Quero que veja uma coisa e me diga o que achou.

Ryu fez um biquinho nervoso e indignado o seguiu para dentro da ala residencial e pelo pouco que pôde ver do ambiente percebeu que a maioria das cores que decoravam os ambientes eram tons escuros e aparência minimalista, sem nenhum senso de docilidade mesmo assim não pôde deixar de se sentir curioso e feliz com as coisas que via. Ali na sala que ele viu do corredor o mundo se abria pra diversos ambientes diferentes que Aron não permitiu que ele explorasse o fazendo seguir por outros caminhos.

Encontraram a serva lavadeira no meio do caminho. Ela se espantou em ver Aron seguido por um menino tão pequeno e desajeitado com as roupas e a pantufa grandes. A primeira impressão que teve foi que ele iria abusar e maltratar a criança que simplesmente caminhava inocentemente para um desfecho trágico. Mas a segunda impressão foi a mais chocante, eles eram muito parecidos, claro que o menino era bem mais pálido, mas os cabelos escuros e os olhos azuis vibrantes lhe garantiam uma semelhança gritante com Aron, mesmo este estando de cabelos longos e olhos azuis com outra tonalidade. Acabou soltando uma exclamação de surpresa que chamou atenção deles.

- Oi! – Exclamou Ryu ingenuamente querendo conversar e conhecer outras pessoas.

- Não seja idiota. - Aron o olhou o reprovando e deu safanão nele pra ficar quieto. - Mande Charlotte providenciar roupa e sapato pra ele imediatamente e você prepare um lanche e leve no jardim do Adrian. – Ordenou Aron seco com a impertinência dela e do menino.

- Sim, Majestade. – A serva abaixou a cabeça temerosa do que poderia acontecer.  Juntou os produtos de limpeza que usava para tirar o pó para que pudesse se retirar. – Com licença.

A moça se retirou de cabeça baixa e Aron puxou o menino para que continuasse andando até chegarem em uma área espaçosa demais com grandes janelões que deixavam o sol entrar por grande parte do ambiente.

- Aqui ficam os quartos da ala residencial inferior. – Explicou e indicou um outro corredor de acesso onde parecia mais iluminado pelo sol e do lado de fora já dava pra notar os arbustos de um jardim. – Esse jardim pertence ao Adrian, por isso não quero que fique aqui sem ser convidado por ele ou por mim.

- Porque está me trazendo aqui? – Perguntou confuso.

- Adrian é um menino como você então pensei em te trazer pra ver sua reação. – Disse abrindo uma porta de acesso e o empurrando para que entrasse. - Você está aqui apenas em função do Adrian e como doutor Talbot já deve ter te explicado amanhã você começará uma nova fase de sua vida.

Ryu se retesou. Não queria começar uma nova fase se ela era assustadora e nem doutor Talbot tinha certeza se ia dar certo. Não queria ser a cobaia de um projeto insano por causa de um menino que nem mesmo conhecia. Não gostava nenhum pouco dos planos que tinham pra ele. Novamente ganhou a aparência frágil e assustada de antes. Ficou parado frente à porta do jardim que não lhe parecia mais interessante, suas mãozinhas seguravam com firmeza aquele uniforme hospitalar exageradamente grande, feitos para um adulto.

- Quando vou ver minha mãe? – Perguntou tenso.

- Não vai ver. – Aron o cortou seco. – Agora deixe de se comportar feito um idiota e me diga se gosta desse jardim?

Ryu se sentiu nervoso e muito sozinho. Mexeu as mãozinhas geladas, sem soltar o pijama, e olhou em volta franzindo o rosto por causa do sol. Deu alguns passos para longe do Aron e seus olhinhos arderam se umedecendo de saudade. Estava sentindo falta de casa e com medo do que sua vida de cobaia iria lhe trazer dali em diante. Sentiu um medo avassalador caindo pesadamente em seu estômago com a sensação de que não veria mais sua família.

Ryu correu o olhar desanimado pela extensão do jardim que parecia a perder de vista.  Parecia algo bem agradável e em um espaço natural, mas na verdade estavam no penúltimo andar de um imenso prédio. Espantosamente havia árvores e uma grande variedade de plantas e flores bem tratadas. Algumas delas eram exóticas, pareciam espinhos gigantes e azuis, um espécime raro.  Esqueceu da pontada de tristeza que tinha sentido a minutos atrás e andou mais a frente entre as lindas combinações de flores desabrochadas e impecavelmente cuidadas.  Em um canto, embaixo de duas árvores havia espreguiçadeiras confortáveis.

- Adrian é um menino delicado, fiz esse jardim imaginando qual seria a reação dele.  Acho que vai gostar. - Aron comentou logo atrás de Ryu que nem notou a aproximação dele, apenas sentiu-se arrepiar levemente com a voz acima de si.  - Ele não conhece muitas coisas e eu quis entregar um paraíso pra distraí-lo já que não posso deixar que ele saia daqui.

- Porque ele não pode sair daqui? – Ryu perguntou com receio.

Aron o encarou sem demonstrar nada na expressão. Se abaixou pra ficar na altura dele e disse como um aviso seco e perigoso.

- Adrian me pertence e eu decido sobre a vida dele. Ele não precisará de nada que não esteja nos limites desse edifício.

- Eu vou poder conhecê-lo? - Ryu perguntou o encarando sem entender o que havia por traz das palavras dele.

- Não esqueça qual sua função aqui.  - Aron o encarou sério. - Mas vou te apresentar a ele.

- Como tem certeza de que posso salvar a vida dele?  - Ryu se sentiu incomodado e até enciumado por Adrian ter uma sorte diferente da dele, uma em que não seria um simples experimento. - Faria mais sentido se eu fosse uma criança saudável.  Deveria escolher alguém com saúde.

- Você e o Adrian têm características biológicas muito parecidas. - Aron se limitou a explicar. - Você será meu experimento mais nobre.

Ryu voltou a olhar pro Jardim sentindo uma pitada de desespero ascender no coração.  Ainda era uma criança e um ser humano e Aron pretendia apenas transformá-lo num projeto...  Um experimento jamais visto e que não trazia certeza de nada. Foi escolhido para uma missão suicida. Seus olhos sentiram a tristeza que começava a despontar e a primeira lágrima escorreu silenciosa. Se surpreendeu quando sentiu os dedos longos de Aron tocarem sua pele secando a lágrima. Não tinha nenhum vestígio de hostilidade naquele ato, coisas que ninguém esperaria de alguém como ele e por segundos Ryu se lembrou do dia em que Aron foi buscá-lo em sua casa e o carregou no colo com um pouco de carinho que somente os dois saberiam que existiu alguma troca afetuosa ali. Poderia ser uma cena afetuosa, mas Aron levantou-se como se fosse de súbito e puxou o pequeno para explorar o jardim.

Dali onde estavam, o pequeno Ryu não pôde ver, mas o lugar era imenso, como se ocupasse metade daquele andar ou um pouco mais. As plantas eram de enormes variedades, desde raras até as mais comuns como magnólias, hortênsias, crisântemos e roseiras de várias cores, a mais predominante eram as de rosas brancas. No que parecia o centro daquele lugar havia um espaço feito de pedras claras que parecia mais uma acrópole Arad de tamanho adaptado. Ryu sabia reconhecer acrópoles Arad, pois uma vez viu num livro sobre a misteriosa religião Arad e havia fotos do templo deles. Um templo dividido em dois pavimentos, um externo e um interno protegidos por sete portões e sete jardins. Nunca viu nenhuma foto do interior, na verdade só alguém ligado a religião podia entrar, mas sabemos que lá dentro há um salão destinado somente as pessoas mais influentes da religião, coisa de “altos e supremos sacerdotes”. Tudo naquela religião era um mistério, assim como encontrar um Arad pela rua era raridade e dos que eram conhecidos pertenciam a realeza. Realeza de Amaranto, Maryon e Ulianov. Mas ali no jardim do Adrian, essa adaptação de acrópole era redonda, com chão de mosaico marmorizado formando uma série de signos incompreensíveis para Ryu. No centro havia um chafariz feito de pedra e havia um pássaro branco de aparência rara os observando. A plumagem branca e volumosa da calda lembrava uma cascata e as penas tinham coloração branca e azul como se fossem sombras... Como se fosse apenas uma pintura, mas era real. A água parecia não incomodar, caía sem pressa dos jarros sobrepostos. Toda aquela área era circundada por balaústres brancos, vez ou outra separados por uma pedra quadrada de mesma altura e grosso volume com uma série de desenhos esculpidos e banhados a ouro contrastando com o cinza da pedra. E para entrar lá era preciso passar por um portão imponente feito com duas colunas grossas e trabalhadas e um arco no alto.

Alguém tinha deixado uma mesa de jardim com duas cadeiras ali e um guarda sol para proteção. Apesar da peça nunca ter sido usada e mesmo assim não apresentar nenhuma poeira ou desgaste do tempo. Parecia que Aron tinha uma grande estima pelo tal do Adrian, ou queria apenas impressionar com uma obra que parecia mais que perfeita. Impressionado em encontrar um ambiente assim dentro de um prédio Ryu se afastava um pouco de Aron. Não se lembrava muito de quando chegou, mas lembrava que olhou para o prédio alto sem nenhum tipo de atrativo que lhe chamasse atenção, com exceção do tamanho. Sabia que havia outras dependências por trás dos portões e algo que parecia uma mata, mas eram recordações muito vagas, pois ele estava doente e no colo de Aron não pôde explorar muito com o olhar e também porque mais via os homens de Aron do que outras coisas e desde aquele dia não saiu do quarto da ala hospitalar.

- Tem outro jardim nos meus aposentos, mas é levemente menor do que o do Adrian. – Comentou Aron o vendo se afastar observando com surpresa o jardim. Seu olhar se desviou para um pouco mais a frente e ele sorriu sem que Ryu percebesse nada. Hadija estava se aproximando com o andar calmo e felino. Soltou um rosnado ao abrir a boca bocejando e Ryu a olhou amedrontado soltando um choro baixo enquanto se encolhia. Aron se aproximou dele e tocou-lhe o ombro sem demonstrar querer ajudá-lo. – Essa é Hadija, ela é um pouco temperamental.

- Porque tem um tigre selvagem aqui? – Ryu choramingou se encolhendo mais e mais contra Aron que apenas se divertia com a reação do menino.

- Você fica bonitinho com medo. – Riu Aron sem se mover. Empurrou o menino para perto do tigre atento. Ryu abriu os olhos assustado e viu a fera passando a língua pelo focinho. A única coisa que o menino conseguiu pensar era que estava sendo jogado pra ser devorado, suas pernas tremiam e mal conseguia respirar direito. – Hadija já foi alimentada e depois ela gosta de carne de primeira. - Ryu olhou pra ele com cara de confusão e indignação, mesmo sem ter percebido o significado da frase dele. – Porque não faz um carinho nela? – Perguntou calmamente pra alarmar o menino. Se abaixou um pouco puxou um dos bracinhos dele e levando em direção a fera.

- Não!... – Se debateu. – Nã... Não pode fazer isso.... Eu vou morrer... Me solta. – A cada palavra e quanto mais Aron fazia força pra aproximar o bracinho da boca da tigresa, mais o menino se debatia e tentava se soltar, mas estava fraco e cansando com essa tentativa de se soltar que não fazia efeito algum. – Me solta...- Deu um chute mal dado nas pernas de Aron que se irritou.

- Moleque idiota. – Aron o xingou e decidido encostou a mão fria na tigresa que rugiu irritada com a inconveniência. – Devia deixar ela mastigar você...

- Não faria isso... – Ryu disse acuado contra o corpo do Tirano. Seu corpinho tremia muito e ele começava a chorar acreditando que ia ser morto por uma fera.

Mais uma vez Aron foi visto por alguém fazendo algo que não esperavam que ele fizesse. Se abaixou e abraçou o jovenzinho desesperado por trás. Deixou um beijo rápido no pescoço dele e o ergueu do chão sussurrando no ouvido:

- Não deixaria que algo acontecesse a você, você é muito valioso.

Mas o menino ainda estava trêmulo e chorando. Mordia os lábios para não chorar alto e apenas alguns resmungos poderiam ser ouvidos. Aron o virou para si e sem muito cuidado secou as grossas e desesperadas lágrimas que escorriam.

- Hadija não vai te atacar enquanto eu estiver aqui. – Aron continuou sussurrando pacientemente.

- Com licença Majestade. – Disse a moça empurrando um carrinho de cozinha. Se assustou com a cena do menino chorando, mas ficou ainda mais impressionada com a forma com que Aron tentava consolar o menino e secava as lágrimas... Achou firmemente que eles tinham alguma ligação forte, quem sabe fossem somente pai e filho?  Mas pelo pouco que pôde notar ninguém sabia da existência de uma criança ali. Charlotte achou que ela tinha ficado louca quando lhe disse que o tirano tinha pedido pra providenciarem roupas para um pequeno menino e foi preciso gastar muita saliva para convencer a senhora a apenas seguir as ordens. Ficou intrigada com isso, mas fora Charlotte não tinha ninguém ali a qual ela sentia-se confiante em perguntar alguma coisa. Talvez ao senhor Boyer, mas não o via desde que ele e o Senhor viajaram...

- O que faz aí parada feito uma mula? – Aron disse irritado trazendo a mulher de volta a seus pensamentos.

- Perdão... – Abaixou a cabeça se inclinando nervosa. Suas pernas pareciam de repente quererem desmoronar com medo de ser castigada.

- Parece que ainda não entendeu como fazer suas tarefas, serva. – Aron falou frio e de repente a áurea daquele lugar parecia se tornar negra e profunda. Ryu parou de chorar e olhou assustado para Aron e depois para a serva como se esperasse alguma reação excedida. – Sirva logo a mesa e se retire.

- Sim... P... Perdão. – Gaguejou ela empurrando o caminho até a mesa do jardim.

Hadija a fez parar quando emitiu um rugido entediado, assustando a moça e a pequena criança no colo. Aron apenas encarou a tigresa como se não tivesse entendido algo.

- Ela vai atacar... – Disse o pequeno Ryu assustado.

- Ela não vai atacar ninguém. – Aron disse sério e deixou um beijo rápido na bochecha do menino. A serva percebeu esse pequeno movimento e se preocupou com a segurança dele nas mãos de alguém como Aron. – Continue e ponha a mesa. – Aron ordenou ríspido quando notou que estava sendo observado.

- Porque tem uma tigresa aqui? – Ryu juntou as mãos nervoso e encarou Aron.

- Porque é meu bichinho de estimação. – Aron respondeu ríspido e se dirigiu a mesa onde a moça colocava o lanche. Se sentou em uma das cadeiras com Ryu no colo.

Ryu ficou um pouco indignado com isso, mas não deu atenção porque viu quando a serva colocou uma vasilha com docinhos coloridos na mesa. Ficou curioso e com vontade de provar algo que lhe parecia muito gostoso e que nunca tinha comido ou feito ideia de que existia.

- O que é isso? – Perguntou avançando pra vasilha com uma das mãos.

- São macarones... Senhor. – Disse a serva constrangida por não saber se devia falar ou não com a criança e também porque Aron não tirou os olhos dela depois que se sentou.

Ryu não esperou ela terminar de falar e pegou um macarone verde e deu uma mordida curiosa. Achou o gosto bom embora não fosse tão bom quanto seus olhos acreditaram.

- Vossa majestade precisa de mais alguma coisa? – Perguntou de cabeça baixa para Aron.

- Retire-se e peça pra Charlotte se apressar com as roupas do menino. – Disse ele seco.

A serva abaixou a cabeça pedindo licença e empurrando o carrinho novamente para a cozinha. Ryu não percebeu a tensão incomoda entre a jovem e Aron, comeu o macarone e já estava no segundo, dessa vez pegou um rosinha e bebeu um pouco de suco de goiaba a qual a serva serviu antes de se retirar. Na mesa havia várias opções pra fazer lanche como pedaços de melão, mamão em vasilhas de porções separadas, geleia de damasco e outra de ameixa, torradas, pães integrais e alguns laticínios.

- Gostou? – Perguntou Aron pegando um pão de forma integral. Parecia não se incomodar em comer com o menino no colo. Passou geleia de ameixa e mordeu um pedaço.

- Gostei, nunca tinha comido... – Disse Ryu finalizando o macarone e novamente olhando a mesa se decidindo o que comeria agora. Aron achou graça, mas não demonstrou.

- Você não vem de uma família bem abastecida. – Comentou Aron como se fosse uma coisa banal. Ryu se retraiu um pouco ao lembrar de como sua vida era nas terras ardentes do norte, até sentiu um pouco de culpa por ter aquele lanche para si quando muitas vezes a família comia apenas uma sopa ralinha que não tinha condições de sustentar e nem nutrir um ser vivo. Realmente havia uma discrepância muito grande entre os modos de vida. Mas Aron não percebeu ou nem tentou se importar com a retração do menino. – Deve me agradecer por ter te trazido.

- Queria que eles pudessem comer bem também. – Comentou Ryu desanimado.

- O que eles comem ou deixam de comer não é problema meu e você não deve se preocupar com isso. – Aron disse categórico e bebeu um pouco de suco.

- Mas é que... – Ryu tentou argumentar alguma coisa em favor de sua família, mas Aron não gostou, mexeu uma das pernas causando um solavanco no corpo do menino.

- Mas nada. Esquece esse assunto. Esquece sua família. Você me pertence agora e a mim você deve obediência, respeito e preocupações. – Aron disse com voz baixa, mas autoritária e Ryu viu, mesmo através daquele azul no olhar, algo negro e tempestuoso que o fez se calar e sentir medo. – Agora coma.

Ryu voltou a comer, sem ânimo. De vez em quando olhava de soslaio para ver o que Aron estava fazendo e mesmo que o maior não demonstrasse nada na face ele sabia que era observado e sabia o desconforto que sua ultima fala tinha causado. Na cabecinha do menino rondavam várias dúvidas sobre diversas coisas, mas perceber que aquela mancha escura ainda estava no olhar de Aron fazia o pequeno se encolher e preferir o silêncio. Mas essa situação estava sendo difícil e incômodo. Parecia que o silêncio causava um peso absurdo em seus ombros, a atmosfera ficava muito pesada como se do nada algo fosse atacá-lo. Ryu não gostou dessa sensação, poderia ser somente imaginação de sua mente de criança, mas era uma sensação tão real e ruim.

- Porque me trouxe nesse jardim? – Perguntou depois de um tempo em silêncio. Não conseguiu segurar essa pergunta por mais que se esforçasse em ficar em silêncio.

- Queria que visse e saber se gostou. Sinta-se honrado por eu considerar você como uma referência. – Aron disse seco. Ryu não entendeu do que ele estava falando e o encarou interrogativo. – Você é uma criança Ryu e mesmo que sua função aqui seja outra acho que seria interessante se convivesse um pouco com o Adrian quando ele chegar. Ele é um menino igual a você, não na idade, mas na cabecinha. – Dizendo isso apontou para a cabecinha do menino que foi um pouco pra trás pra tentar desviar, mas não conseguiu. – Ele não tem amigos e quando eu o trouxer pra cá gostaria que ele pudesse te conhecer, assim não seria tão difícil pra ele.

- Por que, ele não tem amigos? – Ryu perguntou inocentemente fazendo um pequeno biquinho aflito por pensar em um menino solitário.

- Ele é um menino doente. – Respondeu Aron com uma expressão fechada.

- E eu estou aqui pra ser a cura dele... – Concluiu o menino inseguro com a verdade. Desviou o olhar de Aron e encolheu um pouco os ombros. Aron achou interessante e riu de lado dando um novo e rápido beijo na bochecha que ficou evidente quando o menino se encolheu.

- Você aprende rápido. – Aron alargou um pouco mais o sorriso. – Mas não se preocupe enquanto estiver aqui não lhe faltará nada.

- E quando vou conhecer esse tal de Adrian? – Perguntou voltando a posição de antes, mas dessa vez, em seu olhar azul havia um pouco de medo.

- Em breve! – Aron respondeu sério ao mesmo tempo em que alguma coisa em seu olhar brilhava de forma estranha. – Agora termine de comer.

Nesse instante uma porta a poucos metros dali se abriu e Charlotte apareceu indo até eles. Achou estranho que o menino estivesse no colo de seu senhor e mais ainda que se tratasse do garotinho doente que chegou há alguns dias. Quando a serva disse que Aron tinha pedido uma roupa infantil para um menino miúdo ela apenas pensou que se tratava de Adrian e até desconfiou que o tirano não tenha feito nenhum alarde. Em seus pensamentos mais obscuros achou que se tratava de um sequestro concretizado, mas agora vendo um garoto de cabelos negros sentado no colo de Estenrize não entendeu o que estava acontecendo, até teve medo do jovenzinho passar por uma situação traumatizante, mas tudo parecia normal e olhando bem, eles estavam fisicamente muito parecidos a ponto de levantar alguma desconfiança...

Nem pôde pensar muita coisa mais, pois foi surpreendida com Hadija que soltou um rugido incomodado e se levantou, assustando a todos. Ryu se abraçou ao colo de Aron que por sua vez não demonstrou grande surpresa, mas sim apreensão sobre o comportamento da tigresa. Charlotte soltou um pequeno grito de susto quando viu o movimento da fera, o que seria preocupante com Hadija tão perto dela. Estenrize apenas assobiou lentamente num tom baixo e a tigresa se afastou procurando uma sombra no jardim, embaixo de uma carroça cheia de flores.

- Isso são modos de entrar? – Aron disse irritado e sem perceber apertou o menino em seus braços que gemeu um pouco.

- Perdão Majestade! – Charlotte se abaixou em respeito, ainda nervosa levou uma mão ao coração como se assim pudesse acalmá-lo.

- Diga logo o que quer. – Ordenou seco.

- Trouxe a roupa que pediu. – Explicou a senhora. Aron olhou pra ela procurando uma explicação por não estar com a muda ali.  – Deixei na cama do Adrian. Perdão, mas imaginei que o príncipe estivesse com Vossa Majestade.

- Deixe a roupa nos meus aposentos. – Ordenou voltando sua atenção a taça de suco que quase não tinha tomado.

- Como desejar. – A senhora se inclinou em respeito e saiu segurando o avental numa atitude nervosa.

Assim que a mulher se retirou, Aron olhou para o menino e o fez ficar de pé.

- Vai tomar um banho e descansar um pouco, quero você descansado. – Aconselhou ao menino.

- Mas eu não quero descansar, tô entediado. Não tem nada pra fazer naquele quarto. – Reclamou fazendo biquinho.

- Vai tomar banho nos meus aposentos e só por hoje vou deixar você ficar lá até a hora do jantar. – Aron o puxou pra saírem dali.

Seguiram o mesmo caminho que Charlotte e de repente estavam em um quarto grande e branco, com apenas pequenas coisas em tom preto que mal quebrava a claridade do aposento. Era o quarto reservado para o tal de Adrian.

- Esse é o quarto do Adrian? – Perguntou curioso encarando Aron de baixo.

- Sim. – Disse monótono.

- Mas se ele é doente também porque não fica comigo na ala hospitalar? – Inquiriu apertando a mão dele. – Queria um quarto assim também.

Aron olhou pra baixo apertando também a mão dele contra a sua. Sua expressão estava neutra.

- Você já tem um quarto. – Respondeu sério. – Agora fica quietinho.

Ryu fechou a cara e fez um biquinho irritado. Queria falar alguma coisa, retrucar e tentar sair da ala hospitalar, mas acabou se calando quando olhou novamente para Aron, viu a expressão fechada e teve medo de falar algo mais. Só que em seu íntimo sentia-se magoado por não ter a mesma atenção que aquele tal de Adrian tinha sem nem ao menos estar ali.

Aron não deu tempo do menino admirar o quarto de seu protegido, o levou para o corredor e novamente estavam dentro de um elevador. Os aposentos de Aron era na cobertura do lugar, enquanto Adrian teria a ala do penúltimo andar exclusivo para si.

O andar de cima era a residência exclusiva de Aron, poucos convidados e poucos empregados tinham acesso ao lugar.  Era um andar inteiro de residência restrita, bem mais restrita do que o andar de baixo, na residência de Adrian.  Estranho pensar assim, mas Aron dividia os andares de seu edifício em grandiosas alas residenciais nos últimos andares, até reservava um para receber visitas pessoais de outros ministros e líderes.  Os andares inferiores eram reservados a funções específicas como escritórios, bibliotecas privadas.  No subsolo três ficava a prisão particular de sua moradia. 

Ryu tentou explorar um pouco do ambiente, mas Aron não colaborou em nada com suas expectativas, o levou direto para o quarto, bem maior que o do tal Adrian e também tinha uma varanda extensa com um jardim parecido com o que estavam a pouco tempo.

- Você pode tomar banho na banheira. - Aron explicou empurrando ele pro enorme banheiro de mármore branco. Ryu ficou impressionado, pois nunca tinha entrado num lugar tão grande e luxuoso, até seus olhinhos brilhavam enquanto sua boca soltava um falho oh impressionado. - Sabe ligar uma banheira?  Olhou pro menino duvidando muito de que ele conseguiria.

O pequeno olhou pra ele já entregando que não sabia. Na verdade nunca entrou em uma banheira, o máximo que conseguiu até o momento foi tomar banho de canequinha e uma única vez entrar dentro de um barriu com água enquanto brincava com os irmãos,  quando sua mãe descobriu lhe deu uma chinelada que na verdade foi como uma surra por ser sempre um menino frágil enquanto seus irmãos levaram uma surra de vara.

- Olha, aqui tem alguns sais pra colocar na água com diversos aromas.  Deixa a banheira encher um pouco pra colocar.  - Aron mostrou uns vidrinhos que tirou de um armário e deixou no mármore da borda da banheira. Depois se inclinou pra abrir as torneiras. - Aqui você regula a água entre quente e frio.  A da esquerda é quente e da direita frio. Já que não está acostumado com banheiras não deixe encher muito, no máximo até aqui.  - Mostrou um pouco abaixo da metade.  - Assim vamos evitar acidentes. Pode pegar um roupão quando acabar.  - Apontou para o armário com roupões e toalhas. - Não fique muito tempo no banho. Depois se quiser pode descansar um pouco enquanto eu não volto. Cuidado com esse acesso, se algo acontecer com ele vamos precisar pegar a veia de novo e você é muito ruim de veia. - Lembrou do acesso e instintivamente Ryu tocou nele.

Ryu concordou com a cabeça e esperou que ele saísse para que pudesse tirar a roupa, mas Aron ficou parado o encarando como se ansiasse alguma coisa. Ficou corado com a forma que estava sendo observado. Claro que Aron sabia o que se passava na cabecinha infantil dele, mas queria testar e estava se deliciando com o desconforto e vergonha do garoto.

- Não vai tirar a roupa?  - Perguntou pra provocar enquanto um sorriso passeava por seus lábios.

- Mas o... O...  Se... Senhor não vai... Sair? - Perguntou apavorado erguendo aqueles olhos grandes e azuis para a face de Aron.

- Está com vergonha de mim?  - Aron perguntou felino se abaixou e tocou a camisa do pijama dele abrindo o primeiro botão. Ryu se encolheu levando os braços para proteger o corpo e impedir que ele tirasse a parte de cima do pijama. Aron parou o que fazia e encarou o menininho assustado e corado, cheio de vergonha.  Sorriu se divertindo com aquilo. Levou uma mão a bochecha vermelha deixando um leve e rápido carinho e ao se levantar deixou um beijo nele seguido de um cafuné que bagunçou os cabelos negros e fez a criança querer se esquivar.  - Toma banho logo e me espere no quarto até eu voltar.  Nada de ficar zanzando por aí.  - Aproveitou e fechou a torneira e saiu do banheiro deixando a porta aberta.

Assim que pôde respirar aliviado Ryu correu até a porta do banheiro e espiou o quarto, felizmente Aron não estava mais lá. Aliviado trancou a porta do banheiro e se aproximou da banheira. Ficou maravilhado e se debruçou um pouco pra mexer na água como criança. Olhou os frascos que estavam na borda e despejou um pouquinho, inseguro sobre a quantidade certa a colocar, acabou colocando pouquinho porque era uma visita educada. Procurou um sabonete e quando encontrou entrou na água. Sentiu-se flutuar um pouco e isso o deixou mais inseguro, mas foi uma sensação passageira  depois relaxou aproveitando a “piscina” era isso que parecia pra ele. Brincou com a sensação da água quente batendo em sua pele e a leveza que sentiu. Tudo novo pra um menino humilde. Encostou as costas na borda, fechou os olhos e foi como se o mundo desaparecesse. Nenhum som pra incomodar. Ninguém chamando pra terminar o banho ou se preocupando com o gasto de água. Pensou na sua vidinha na terra ardente, tudo tão diferente... Queria que sua família também tivesse oportunidade de experimentar aquilo e sair de uma vida sofrida...

Só que nem tudo poderia ser um mar de rosas porque segundo doutor Talbot amanhã eles começariam uma série de testes nele a procura de alguma coisa que eles chamavam de cura. Por um lado queria deixar de ser doente, mas saber que estava sendo usado como uma cobaia pra salvar uma outra vida era assustador. Ryu sabia que podia morrer nessa procura, mas em nenhum momento perguntaram a ele se queria ou não passar por isso. Não era seu costume, mas estava se sentindo irritado com esse tal Adrian, talvez com um pouco de ciúmes pela posição que aquele estranho tinha ali. Estava se sentindo sozinho, queria um colinho da mamãe. Era uma criança doente e o mundo não ligava pra isso, até pensou que ficar perto de Aron era seguro mesmo que não conhecesse tanto, mas naquele dia as coisas estavam diferente. Estava mais próximo de alguém e longe do pragmatismo hospitalar...

Ryu não soube quanto tempo ficou ali, pareceu muito porque ao passar o pé na perna o sentiu enrugadinho dos dedos dos pés. Olhou pra uma das mãos e viu que ali também estava enrugado e pálido. A porta do banheiro abriu e ele se encolheu assustado.

- O senhor está bem? – Perguntou Charlotte ao notar o menino ainda na banheira. – Precisa de ajuda pra terminar o banho?

- N... Não. – Respondeu o menino envergonhado.

- Sua majestade me pediu para que o ajudasse no que precisasse. – A senhora se aproximou de vagar.

- Ele vai vir? – Perguntou arregalando o olho.

- Me pediu para avisar que virá te buscar para jantarem juntos no salão principal. – Explicou. – No momento ele está em reunião com alguns ministros.

- Aconteceu alguma coisa? – Perguntou preocupado.

- Não se preocupe com nada. – A serva esboçou um sorriso tranquilizador. Abriu uma toalha enorme e o chamou. – Vamos sair da banheira agora, meu querido? – Ryu olhou pra ela envergonhado. – Vem, não precisa ter vergonha.

Ryu ainda pensou um pouco, mas se levantou rapidamente e se enrolou na toalha feito ratinho assustado. Foi tão rápido que ele quase caiu se não fosse os braços dela o segurar pra não cair. Com facilidade tirou ele da banheira. O garoto era tão leve pra idade que mesmo sendo uma senhora com cabelos brancos já bastante visíveis não teve dificuldade em ficar com ele no colo.

Levou o menino pro quarto, o deixando em cima de um enorme puf branco ao pé da cama. Ia secá-lo com a  toalha a qual o menino estava enrolado, mas ele não soltou.

- Não precisa ter medo, minha criança. – Ela sorriu ao ver o jeito acanhado dele. – Só vou te ajudar a secar e vestir sua roupa. Vai querer dormir um pouco ou não?

Ryu estava com um pouco de sono, tinha tomado soro e alguns remédios antes de sair da ala hospitalar, mas resolveu ficar quieto. Charlotte tentou puxar mais uma vez a toalha e a muito custo ele cedeu envergonhado. Ela levava jeito com crianças e o menino sentiu um pouco de tranquilidade perto dela e foi perdendo um pouco da vergonha. Se secou e como se ela soubesse que ele iria dormir lhe deu algo que parecia a parte de cima de um pijama de seda branca, devia ser uma peça do Aron já que ficou parecendo um vestido nele. Já arrumadinho ela secou os cabelos negros dele e lhe deu uma meia pra calçar e esquentar os pés.

- Vou voltar pro hospital? – Perguntou preocupado quando se sentou no puf e engatinhou até a cama.

- Por hoje não, mas doutor Talbot me mandou te dar uns remédios e recomendou para você descansar. – A velha se afastou levando a toalha pro banheiro. Depois voltou e numa bandeja de prata que estava em cima de uma cômoda e levou até o menino. Lá tinha uns comprimidos já destacados e um copo com água.

Ryu tomou e ela o fez se deitar na cama. Se retirou em seguida pra limpar o banheiro. O menino ficou esperando, observando o vulto dela no banheiro, mas em dez minutos somente esperando foi batendo um cansaço e foi fechando os olhos até não se lembrar mais de nada e dormir. Nem viu quando Charlotte colocou uma manta pra o cobrir.

Horas depois sentiu um peso ao lado e um toque suave em suas coxas magras. De longe sentia um cheiro bom de sabonete como se tivesse acabado de sair do banho. Ryu resmungou um pouco acordando. Se mexeu, mas sentiu um toque nas dobrinhas do pescoço seguido de um beijo.

- Vamos acordar? – Ouviu o sussurro bem próximo a pele, dava até pra sentir o hálito. Ryu se encolheu e abriu os olhos encontrando Aron o encarando de um jeito estranho.

- O que está fazendo? – Ryu se assustou e se afastou rapidamente protegendo o corpo com os bracinhos.

- Você fica muito gostoso invocadinho assim. – Comentou Aron rindo da reação dele.  Pôs uma mão no joelho dele acariciando de forma lenta e sensual enquanto se aproximava mais do menino. Ryu tentou se afastar mais, mas quase caiu no chão se Aron não o tivesse segurado e o prendido contra seu corpo. O garoto respirava apressado e fechou os olhos esperando uma queda que não veio, se segurou fortemente em Aron com medo de cair e sentiu uma mão em seu queixo o fazendo olhar para cima. Abriu os intensos olhos azuis e viu Aron sério se aproximando cada vez mais de seu rosto. Sentiu o rosto queimar. Começou a ficar desesperado achando que ia ser beijado, o coração pulsava fortemente no peito e a respiração ficava intensa, mas o beijo não veio como pensava. Aron deixou apenas um beijo estalado na bochecha dele e o soltou. – Vá se trocar pra gente jantar.

Ainda atordoado com o que tinha acontecido e de rosto vermelho de vergonha Ryu o encarou de soslaio e pelo pouco que viu Aron continuava na mesma posição de quando o soltou, até arriscava dizer que seus olhos brilhavam de um jeito esquisito como se fosse devorá-lo. Se levantou rapidamente e correu pro banheiro sem pensar em que roupa ia colocar.

- Esqueceu a roupa Ryu. – Aron falou alto se levantando da cama.

Ryu apenas pôs a cabeça pra fora e o encarou desconfiado. Aron bufou e pegou uma muda de roupa que estava no puf e o entregou mantendo aquele olhar esquisito de predador que fez o menino se arrepiar e pegar rapidamente a muda de roupa e se trancar no banheiro.

- Está com medo de mim? – Aron perguntou pra provocar e do outro lado da porta, o menino escorado na madeira inflava as bochechinhas nervoso e vermelho. – Se eu quisesse já teria tirado meu pijama que você esta vestindo. – E riu sonoramente. Despreocupado.

Cerca de dez minutos depois Ryu saiu do banheiro vestido com roupas de alta costura azul e babadinhos brancos na gola, algo que nunca imaginou vestir. Nunca imaginou o quão confortável e quentinha era a roupa e as botas pretas felicitavam tanto seus pés. Sentiu-se maravilhado como um príncipe, quase não saiu do espelho e quase achou estranho demais vestir roupas tão chiques, como se fosse um sonho da qual ele iria despertar assim que chegasse numa parte boa e na cabecinha e estômago dele seria bem na hora da comida. Aron não estava mais lá, somente Charlotte o esperava. Estranhou, mesmo assim achou melhor a presença dela do que dele.

- Sua majestade me pediu para levá-lo ao salão principal. – Ela esclareceu vendo o rostinho de dúvida dele. – Já está pronto?

- Ah... Sim. – Respondeu meio inseguro e deu a mão para a senhora que achou estranho, mas o levou pela mão.

Charlotte também não deixou ele conhecer os ambientes pelo qual passavam. Mas onde quer que fosse esse salão principal parecia bem longe. Pegaram um elevador e depois chegaram em uma sala com uma circulação de funcionários uniformizados considerável se comparado aos outros ambientes. Entraram em um outro ambiente, bem maior e cheirando a comida gostosa. Era o tal salão principal com uma enorme mesa de banquete já com comidas. Aron sentava-se a cabeceira dela e ao seu lado esquerdo havia um lugar vago do outro lado estava Richard o observando com calma, os outros já estavam ocupados por jovens garotas vestidas de branco e de cabeça baixa como se esperassem apenas ele para iniciarem o banquete.

Ryu achou muito estranho todas aquelas jovens e somente Aron de homem ali. Enquanto caminhava ao seu lugar as observava desconfiado. Todas vestidas com vestido branco de tecido leve e esvoaçante. Mas algo estava estranho... Como se houvesse uma áurea estranha, densa e tensa ali. Elas não pareciam animadas e nem espontâneas, somente Aron parecia não ligar pra nada, ficava apenas o observando se aproximar, com aquele mesmo brilho no olhar de antes. Ryu juntou as mãozinhas pálidas frente ao corpo, completamente acanhado. Se aproximou de vagar e de cabeça baixa querendo evitar sentir aquela queimação no rosto, mas quanto mais tentava e mentalizava pra isso não acontecer não conseguia porque chegou ao seu lugar coradinho e se sentou esperando alguma palavra vinda de Aron.

- Agora que Ryu chegou podemos jantar. – Disse Aron pegando o guardanapo. Uma serva veio lhe servir, assim como os outros funcionários começaram a servir os presentes na mesa.

Ryu era uma figura que chamou atenção das pessoas, ainda mais vestido como um nobre e tendo a preferência ao lado de Aron naquela mesa. Tinha uma semelhança física com Aron e isso levantou muitas dúvidas sobre a possibilidade de, de repente ele assumir um filho perdido. Quase ninguém sabia da existência do menino naquelas dependências. Queriam saber sobre o menino, nem mesmo Charlotte que o recebeu quando chegou sabia quem ele era e muito menos o que queriam fazer com ele, apenas sabia que ele chegou doente e ficou na ala hospitalar, mas até então Aron nunca o visitou. As jovens o olhavam timidamente com medo de serem repreendidas. Algumas pessoas até se compadeciam da criança por achar que Estenrize estivesse louco e tivesse pego uma criança para servir de  concubina, apesar da expressão do menino não demonstrar nada que revelasse isso. E Ryu sentiu aquele clima de interrogação, se mexeu na cadeira se sentindo desconfortável e devolveu os olhares para os que estavam na mesa. Em sua cabecinha também tinha dúvidas sobre as jovens vestidas de branco e sobre aquele homem fardado a sua frente. Aron não demonstrou nenhum interesse em apresentá-lo e o menino bufou fazendo um biquinho e apoiando a cabeça em uma das mãos. Richard riu da cena no mínimo infantilmente fofa.

- Algum problema Ryu? – Aron perguntou sério e automaticamente o clima pareceu mais rígido. – Não sabe que é falta de educação deixar os cotovelos na mesa?

- Desculpa. – Pediu o menino constrangido e se arrumou rapidamente.

Começou a comer sentindo uma série de olhos em cima dele, mesmo que discretamente. Às vezes encarava umas jovens na mesa o encarando com curiosidade velada, mas quando os olhos se cruzavam elas disfarçavam. O mesmo acontecia com os olhares de alguns empregados que apenas esperavam eles terminarem a refeição.

- Vocês foram bem tratadas? – Aron se referiu as mulheres pela primeira vez. Algumas delas o olharam com temor. Esperavam alguma reação exagerada e ameaçadora dele, mas Aron estava calmo as encarando. Algumas sussurraram a resposta com um simples “sim majestade”. E ele continuou as encarando sem demonstrar nada apesar do clima estranho e pesado na mesa.

- Por quê essas mulheres estão vestidas de branco? Você vai casar com elas? – Ryu quebrou o silêncio, mas a sua pequena tentativa de dispersar a tensão só fez as coisas piorarem porque elas, que já não estava comendo muito, pararam de comer esperando a resposta. Também não sabiam de nada e achavam muito estranho aquele comportamento de Estenrize.

- Eu não vou casar. – Respondeu seco. Aron não gostou do comentário e deixou muito claro na expressão.

- Elas são da sua família? – Comentou receoso, mas curioso.

- Não. – Aron o cortou com a voz afiada. O menino baixou a cabeça e sussurrou um quase inaudível pedido de desculpas que quase ninguém ouviu. – Coma e fique quieto se não quiser voltar pro quarto sem sobremesa.

Ryu não disse mais nada, mas notou na expressão fechada dele de que esse assunto de família não era bem vindo. A partir daí Ryu começou a comer de vagar, sem muito ânimo. De vez em quando ouvia Aron e Richard comentando alguma coisa em tom baixo que não conseguiu entender do pouco que ouviu.

A verdade que a mente infantil de Ryu em seus dez anos de vida não poderia entender era que a história familiar de Aron era uma das mais conturbadas possível. Nunca foi um assunto agradável, apesar de sérias especulações a respeito. E nessa história pode estar a chave para desvendar o comportamento desse soberano afastado da mãe aos seis anos e depois, ainda criança, jogado no meio de uma guerra sangrenta sem qualquer tipo de treinamento até se tornar um rei adolescente de infância morta.

A história dos Estenrize é preenchida com luxúria, traições, prisões, guerra, ameaças, loucura e morte que o próprio Aron Estenrize aprendeu a semear como se fosse algo simples, mas que no fundo são apenas reflexos do que aprendeu. O pai de Aron casou-se com a condessa de Wellville, desse casamento ele nasceu. Mas o matrimônio foi desfeito por ordens do rei que se encantou com a duquesa de Torres e manteve um relacionamento com ela do conhecimento de todos sob o mesmo teto que a rainha.

Em pouco tempo a duquesa de Torres anunciou uma gravidez e esse foi o estopim para que Estenrize planejasse contra o filho e a atual esposa, mas as coisas não saíram como queria e alguém foi bem mais rápido pois a duquesa foi encontrada morta ao pé de uma escada. Acharam que a causa da morte foi a queda, mas a autópsia mostrou que ela tinha sido envenenada antes, provavelmente sentiu os efeitos do veneno e alguém aproveitou para empurrá-la. Não encontraram suspeitos, mas o rei já tinha decretado para si mesmo que a culpa foi da esposa. Queria tê-la enviado a morte, mas segundo seu primo Layeva aquilo abriria um precedente que colocaria a monarquia ao alcance da pena de morte. Como os laços de matrimônio não podiam ser desfeitos, o rei mandou a esposa para o cárcere privado e secreto numa região bastante afastada de qualquer vilarejo. Ninguém podia suspeitar que a então rainha tinha se tornado prisioneira do próprio marido. Nessa época Aron tinha seis anos quando foi separado da mãe sem qualquer tipo de despedida ou aviso, seu pai simplesmente agia como se a mulher não existisse e toda vez que a criança questionava era castigado. O rei não podia mais atentar contra o único herdeiro, mas fez o possível para alienar a criança de si, para que o próprio filho não o reconhecesse como pai. Alguns disse que o rei forçava o filho a ter relações consigo e que fora isso o submetia a castigos intensos e cruéis até a eclosão de uma guerra que seria sua desculpa perfeita para se livrar do menino. Nessa época o rei já estava perdendo a sanidade devido ao luto intenso que vivia. Achava o filho e a esposa legítima culpados de seu infortúnio. Jogou o próprio filho de nove anos em uma guerra sangrenta contra um reino vizinho, sem treinamento algum. Tudo que Aron sabe sobre guerras e sobre o ser humano ele aprendeu na guerra da mais crua maneira possível. Se não fosse Richard, que na época ainda era novo, mas mais velho que ele e já era um sargento, teria perdido a vida no fronte.

No fronte a relação de Aron e Richard se estreitou ao ponto sexual, afinal era uma guerra e Estenrize uma criança precisando de alguém que o protegesse enquanto o soldado tinha ânsias de que alguém estivesse se importando com ele, também tinha ânsia de aliviar as tensões do corpo. São coisas de guerra desprovidas de romantismo e com uma séria necessidade de afastar os demônios de seu interior. Não havia tempo para dramatismos comuns numa vida longe dali mesmo assim Richard ainda conseguia ter sentimento suficiente para fazer seu pequeno protegido sobreviver no front. E Aron também estava tão perdido no caos que se aferrou ao seu protetor.

Dois anos no caos fizeram um dos maiores estragos na vida da criança Estenrize. Estava alienado da mãe e já não sentia muito por isso, no começo foi difícil, mas depois de tanto que o pai fez para lhe castigar por algo que não tinha culpa foi como se a criança tivesse sofrido uma lavagem cerebral e já não se importava em saber da mãe. A condessa e rainha já estava sofrendo de depressão e problemas pulmonares e exigia ver o filho, mas toda sua tentativa foi negada e o rei mandou que a isolassem completamente do mundo exterior. A velha casa teve todas as janelas bloqueadas e nem a luz conseguia passar pelas frestas. A casa em que ela vivia começou a ficar empoeirada para piorar sua saúde, apenas três funcionários de confiança sabiam do paradeiro da rainha.

Aron era uma criança já problemática quando criança e depois da guerra perdeu o resto do senso que tinha e voltou pior. O pai tentou consertá-lo das piores maneiras possíveis dando-lhes castigos físicos e tratamento de prisioneiro, mas o rei já estava debilitado e morreu pouco tempo depois quando Aron tinha quinze anos. Mais uma vez os planos do jovem foram interrompidos de maneira brusca. Uma parte do conselho de ministros queria que o jovem assumisse e outra parte queria proclamar um regente temporário. Alguns membros da família, como os Salvatore sustentavam a tese de que o menino era muito novo para assumir e deveriam proclamar outro membro da família para ser o regente, pouco depois foi descoberto que Salvatore queria dar um golpe em Amaranto e usurpar o poder. Clifford Layeva liderou um movimento dentro da cúpula de ministros para apoiar Aron Estenrize e levá-lo a assumir a coroa e entre debates e urgência de um rei ou regente no governo de Amaranto Aron foi coroado rei legítimo. O começo de seu reinado foi difícil, pois os ministros agiam como se quisessem asfixiá-lo tamanha era a carga de trabalho que ele assumiu e as exigências do reino.

A rainha soube da morte do marido e da coroação do herdeiro legítimo, seu filho. Por um lado sentiu-se aliviada, pois ninguém tomaria o lugar que era de seu filho de direito, mas sua sanidade mental já estava corrompida pelos anos de confinamento. Enviou uma carta ao filho desesperada, sabia que era a ultima chance de sair dali, pediu ajuda. Dois meses depois Aron apareceu no casebre que mais parecia uma casa abandonada. Assim que entrou sentiu o cheiro de poeira e mofo, tossiu algumas vezes e conversou com a mãe, uma senhora debilitada e com rugas que a deixavam bem mais velha do que era. A esquelética mulher pediu por sua liberdade e o filho negou. Não havia mais nada dentro de Aron que o ligasse a mulher e ele saiu dali cavalgando rapidamente até a cidade como se fugisse. Seis meses depois ordenou que durante a madrugada transferisse a mulher para uma prisão secreta no castelo. Ela achou que ganharia liberdade, mas apenas trocou a casa por uma sela de quatro metros quadrados onde morreu depois de um ano em meio a um delírio. Não houve velório apenas um enterro rápido no mausoléu da família. Aron apareceu rapidamente só para ter certeza que a mulher seria mesmo enterrada.

Dois anos depois de ter se tornado rei se rebelou contra os ministros que o manipulavam nos afazeres. Trocou o ministério. Proclamou Richard seu homem de confiança e lhe deu uma alta patente no exército e um cargo de nobreza, o proclamou Duque de Torres e Conde de Wellville. Reformulou as leis. Mandou reformar o castelo em que vivia e o transformou em um edifício moderno e o menino de infância destruída agora destrói outras vidas.

O silêncio de Aron foi interrompido com as empregadas trocando os pratos. A tal da serva lavadeira veio tirar o prato de Richard e não evitou uma troca de olhar com ele. Aron olhou a cena desconfiado, mas conseguiu se conter. Mais tarde colocaria a serva nojenta no seu lugar e daria uma dura em Richard.

Aron mal tocou no novo prato servido. Evitou qualquer assunto com Richard pelo restante do jantar. Olhou parar Ryu e resolveu comentar alguma coisa pra dispersar os pensamentos.

- Depois do jantar, Charlotte vai te acompanhar até meu quarto. Vai dormir lá hoje. – Comentou para o menino ignorando o restante da mesa. As pessoas pensavam que Aron tinha interesse em abusar da pobre criança de aparência frágil e realmente temiam por ele. Aron se voltou para mesa e completou. – E quanto a vocês senhoritas, estejam preparadas para um passeio hoje a noite.

- Onde vai? – Perguntou o menino inofensivo. – Posso ir junto?

- Não! Não pode. – Aron disse categórico. – É coisa de adulto e você é muito criança para ficar acordado até tarde.

Ao falar isso as meninas tiveram um mal pressentimento ainda mais porque Aron as olhava com um brilho assassino no olhar. O clima pesou ainda mais entre elas e os únicos que pareciam normais na mesa era Ryu, que não entendia nada, e Aron. Richard deu apenas algumas garfadas, mas parecia tenso e assim o jantar prosseguiu com todos os pratos e a sobremesa.

Quando Ryu terminou sua porção de manjar, comentou inocentemente e espontâneo:

- Estava muito gostoso. Obrigado!

Aron olhou um pouco surpreso pra ele. Nunca tinha ouvido alguém falar isso e dessa maneira completamente inocente e despreocupada. Richard riu contido achando fofinho. Mas Aron não permitiu que o menino continuasse com sua satisfação sobre a comida e nem que o murmurinho entre os presentes continuasse.

- Charlotte leve ele pro quarto. – Pediu e Ryu deixou o pequeno sorrisinho morrer. Fez um biquinho de leve e logo foi puxado pela empregada. – Esse menino tem uma bundinha gostosinha... – Comentou Aron só para si enquanto observando com cobiça o bumbumzinho dele. Depois, como se nada tivesse acontecido, se virou para Richard e fez um sinal para que ele o seguisse. – E vocês, me esperem na sala de visitas, se precisarem fazer algo antes de sair façam logo e voltem para a sala.

Richard e Aron saíram e se trancaram em um escritório, dez minutos mais tarde veio mais cinco guardas para a reunião que perdurou por aproximadamente uma hora e depois foram para a sala, com expressões sérias e inelegíveis. Os sete homens da sala faziam o ambiente ficar pesado e o ar rarefeito para as jovens moças. Elas pressentiam que algo ruim iam acontecer e cada minuto que passava, ou cada olhar direcionado a si mesmas vindo de algum dos homens parecia fatal para as esperanças, principalmente quanto o olhar vinha de Estenrize, calmo demais.

Eles saíram levando frutas, um corvo enjaulado e as meninas que se dividiram em cinco carros e saíram pela noite. A paisagem de repente parecia vinda de algo sinistro. Não demorou muito para que a cidade fosse apenas algo distante e a paisagem ao redor fosse cada vez mais densa e mais escura apesar de ainda estarem numa estrada que sacolejava bastante e se ouvia o ressoar de cascalhos. Iam para longe da residência do governo e nunca saberiam para onde estavam indo, mas o clima estava tenso o suficiente para que os corações batessem receosos, pesados como se fossem badaladas que anunciavam uma tragédia.

Os guardas, continuavam sem anunciar uma pista sequer do que iria acontecer. Suas expressões eram completamente rígidas de acordo com suas posições e completamente leais aos planos de Aron. Estenrize também não denunciava os planos pelas expressões. Não tentou iniciar nenhum diálogo, nem mesmo pelo desconforto que devia estar sentindo com o sacolejar. Uma menina de densos olhos azuis e cabelos cor de mel trançados do lado direito observou o tirano a fim de descobrir algum indício do que estava por vir, mas apenas chegou a conclusão de que ele não sentia nada... Nunca poderia sentir nada, nem um pingo de remorso ou qualquer coisa.

A vegetação ficou mais densa, como se a rua de cascalho tivesse acabado. Sem dizer nada os guardas puseram um saco para tampar os rostos delas. Foi como se o desespero tivesse dominado todo o ambiente e por mais que algumas tivessem tido coragem de relutar e perguntar o que iriam fazer, os homens não comentaram ou deram indícios de nada apenas cobriram-lhes a cabeça e as acorrentaram umas as outras. Foi o tempo do carro parar em uma clareira onde a luz da lua de sangue incidia com força. Cada guarda abriu a porta de seu veículo retirando as meninas acorrentadas e em fileira. Três grupos de cinco e um de seis meninas. Aron foi o ultimo a se juntar o grupo, andando de forma imponente parou diante deles.

- Sintam-se lisongiadas por serem escolhidas para servirem aos deuses. – Anunciou em uma voz alta o suficiente para que todos ouçam e para que não forçasse a garganta. Sua voz ainda tinha a dureza de sua posição e fama a qual poucos se rebelavam. – Esta noite vocês serão encaminhadas para os deuses.

Ninguém entendia exatamente o que Aron queria dizer com aquilo, mas sabiam que ele era um Arad e ligavam o episódio que estava por vir a um sacrifício macabro. Mas até para um Arad puro sangue aquele cena não era esperada. Dificilmente um deles faria um sacrifício sangrento. Essa era uma prática pouco usada nos rituais há muitos anos e até mesmo Aron não fazia isso, mas a situação era bem particular por isso ele preferiu recorrer a esse ritual. Por essa razão ele permaneceu controlado em suas emoções e permitiu que até o momento as jovens fossem bem tratadas e servidas em sua casa. Também não as tocou, pois seria como ofensa aos deuses.

Com sua voz grave e exalando poder ele ordenou aos homens que acendessem uma fogueira grande e cavassem uma enorme vala. Com tudo pronto Aron retirou a parte de cima das roupas, ficando com o peito nu enquanto encarava a lua com uma olhar penetrante como se recebesse toda a força do poder dela.

Quanto mais tempo se passava e ninguém tocava nas meninas, mais a percepção de terror delas aumentava. O pânico estava tomando conta e a respiração ficava cada vez pior, ainda mais com aquele saco cobrindo a cabeça. A sensação era de que sem mais nem menos um predador cruel fosse atacá-las com um golpe fatal. Dava-se para ver os corpos tremendo e os resmungos de respiração dificultada pelo pânico. Uma das meninas ameaçou vomitar, mas foi impedida por um guarda que a fez levantar a cabeça e engolir o vômito.

Aron saiu de sua posição de observador da lua e se dirigiu a gaiola com o corvo, em sua mão tinha uma adaga de prata. Pegou o animal pelas asas enquanto entoava uma canção antiga e desconhecida, em um idioma muito particular que somente os Arad podiam conhecer. Tinha uma toada oblonga e obtusa, bem afinado embora o tom não fosse muito alto. Era como se ele tivesse se esquecido de sua pequena plateia e ao fim de sua prece, numa nota mais longa, cravou a lâmina no pescoço do animal e arrastou até os limites do pequeno corpo que se contorcia. O sangue pingou na fogueira que crepitou ao receber as primeiras gotas do sacrifício. Jogou o corpo para se queimar e por alguns segundos observou as chamas, mesmo sem poder mais ver o corvo.

Se dirigiu a uma das meninas a soltando das outras e a conduziu para uma pedra mais ou menos lisa e ampla. Tirou o saco da cabeça da jovem e com uma calma sobrenatural encarou os olhos vermelhos e desesperados. Fez a menina se ajoelhar em frente a pedra. Ela relutou sem muito êxito, murmurou apavorada para que ele não fizesse nada com ela, mas Estenrize mantinha uma calma jamais imaginada, como se estivesse em outro mundo e ao mesmo tempo consciente do que estava fazendo. Não se abalou por um momento sequer.  Deu um beijo singelo na testa dela, mesmo que ela se movesse com o intuito de se afastar ele não se importou, tampouco permitiu que ela conseguisse o que queria. Trocou sua adaga por uma espada de prata que brilhava de forma imponente e afiada diante da luz da lua.

- Não... Nãão... – Murmurava a jovem sem forças ao perceber o motivo de tudo aquilo, mas Aron nem a ouvia. – Eu im... Im... Ploro... Por fav...

Aron a segurou pelo pescoço exercendo um pouco de força e a fez se debruçar sobre a pedra.

- Não se mexa! – Disse com uma voz afiada, porém calma.

A moça fechou os olhos tremendo. Sentiu como se o coração estivesse na boca. Abriu os olhos novamente a tempo de ver Aron empunhando a espada para o alto e o resto foi só um brilho de faca. A cabeça foi decepada e correu para a beirada da pedra. Os olhos estavam abertos e mesmo assim parecia que ela via as coisas que estavam acontecendo, uma lágrima caiu quando seus olhos pousaram em Aron pela ultima vez. O corpo da jovem ficou epilético e parou instantes depois. Estenrize aproveitou e recolheu um pouco de sangue que escorria do local do pescoço em uma cumbuca de barro.

Foi uma cena estarrecedora para os guardas que viram. A imagem dos olhos que mesmo com a cabeça separada do corpo pareciam enxergar seus últimos momentos nunca sairia de suas mentes. As garotas encapuzadas se agitaram e algumas soltavam até um grito de dor desesperado ao pressentir a morte rondando. Tentaram se debater, mas foram dominadas pelos guardas, alguns deles estavam trêmulos pelo episódio, mas permaneciam fiéis ao soberano. Richard, sem grandes emoções retirou o corpo dali e o levou para a vala.

Com a pedra pronta para mais um abatimento Aron puxou mais uma menina para o mesmo ritual. Repetiu isso com todas as meninas, algumas tentaram fugir ao ver a quantidade de sangue que pingava pela pedra e também a cumbuca de barro quase cheia de sangue, mas mesmo que tentassem não iam conseguir escapar. Estenrize as dominava com facilidade e depois do sacrifício Richard recolhia os corpos e levava para a vala. Quando tudo terminou Aron levou o sangue para o fogo, as chamas pareciam consumir de forma voraz o líquido espeço e rubro como se ansiassem por aquilo.

Enquanto as chamas estava alvoroçadas ele entoou novamente a canção antiga, com calma. Pegou uma cesta farta de frutas de variadas espécies e deixou junto aos corpos. Permaneceu por quinze minutos fazendo a prece ritualística e se virou para a fogueira. Pegou um galho e acendeu a ponta na fogueira e voltou para a vala queimando os corpos e a oferenda. Essa foi a parte mais demorada do ritual, até que todos os corpos queimassem exalando um cheiro horrível de carne humana e sangue. Cheiro que embrulhava o estômago dos guardas, a única pessoa que parecia não se incomodar era o próprio Estenrize.

Richard fechou aos olhos ao ver os corpos queimando. O cheiro horrível que saía da vala causava um alvoroço no estômago e seu corpo sentia um peso enorme como se fosse envolvido por algum demônio que quisesse possuí-lo ou coisa parecida. Estava sendo arrastado por uma força densa, misteriosa e negra. Se sentia mal, mas permaneceu de pé e com compostura rígida demais até que Aron decidiu apagar o fogo com terra, enterrando os corpos e a oferenda numa vala comum. Em poucas horas iria amanhecer e felizmente seu sacrifício estava terminado antes da alvorada.

- O que foi visto aqui deve permanecer em silêncio para sempre. – Avisou com a voz fria.

Juntaram as coisas e voltaram para a residência oficial do governo. Felizmente de madrugada não trabalhava muita gente em sua residência, mas uma serva viu os homens com manchas de sangue pela roupa, o pior era Aron que tinha as calças toda manchada, a moça levou as mãos a boca horrorizada com a cena. Sabia que não podia gritar então teve que engolir todo o pavor.

Cada homem foi para seus aposentos. Aron entrou no quarto e se deparou com o menino dormindo enrolado nos cobertores de tal jeito que parecia uma bolinha. Deixou ele lá e foi tomar um banho demorado quando saiu levou a roupa para uma serva queimar e voltou pro quarto. Tinha até pensado em dar fim na roupa depois, mas não queria que Ryu acordasse e a encontrasse. Não queria assustá-lo. Deitou-se ao lado da bolinha imaginando como o menino conseguiu se enrolar assim, não dava nem pra ver a ponta do edredom para puxar. Tentou desfazer esse embrulho sem acordar Ryu, mas não deu. Ele acordou resmungando.

- Você chegou agora? – Perguntou com a voz rouca e ainda muito sonolento pra enxergar de verdade o homem ao seu lado.

- Como foi que você conseguiu se empacotar assim? – Aron perguntou ainda tentando desfazer aquele pacotinho.

- Tava quentinho. – Ryu disse fechando os olhos e dormindo novamente.

Depois de tentar um pouco mais desfazer aquele embrulho ele conseguiu e se deitou puxando o menino para si. Ryu nem resistiu. Aron o acomodou em seu peito e permaneceu por alguns minutos pensando nos próximos passos enquanto acariciava os cabelos negros e macios.


Notas Finais


Então, ficaram abismados com a história de Aron Estenraaaaaiiiize ( adoro esse nome). Dá pra se tirar muita coisa sobre a personalidade e o caráter dele. Quero teorias kkkk
Perceberam que a mãe do menino era condessa e a amante do pai dele duquesa e depois que Aron se tornou Rei aos 15 anos entitulou o Richard Boyer como Conde e Duque das respectivas regiões das mulheres do passado?
Só pra ficar claro, o pai do Aron era primo do pai do Clifford e falando em Clifford foi ele quem lutou, junto de outras pessoas ligadas a monarquia, pra que o Aron fosse coroado.
Gente fiquei pensando e cheguei a conclusão de que esse capítulo forma muito casal pra gente pirar. Claro que eu já tenho os casais oficiais prontos na minha mente. Vamos a eles em ordem aleatória
1 - Aron e Adrian
2- Aron e Richard
3 - Clifford e Adrian
4 - Clifford e Lysandre Ashburhan
4 Clifford e Jacob ( por incrível que pareça já pensei neles) Esse aqui é só coisa minha kkkk
5 - Jacob e Esmeralda ( mesmo que pouca gente ou ninguém goste)
6 - Aron e Ryu
7- Adrian e Ryu
8- Adrian e novo personagem ( ainda vai entrar na história mais alguém, se eu não mudar o que tenho em mente)
9 Adrian e Jacob
10- Lysandre e Richard ( vai que rolakkk )
11- Elizabeth e Ezel
12- Henri e Esmeralda ( recordam que já mencionei que o médico do quartel teve um desentendimento com o Jacob? Pode ser)
13- Adrian, Aron e Ryu
14- Richard e a serva
E acho que são somente esses kkk se eu lembrar ou pensar em mais um eu falo pra vocês
Ahhh tem Adrian e Clarissa ( irmã do Jacob e vocês vão entender depois) kkk
Viram que Richard e Aron tiveram relacionamento durante a guerra? Por isso que teve um capítulo aí atrás onde o Aron deu um beijo - selinho- nele kkk e por isso o Estenrize não gosta da maldita serva que terá um nome assim que aparecer mais.
Se alguém ficou com dúvida sobre quanto tempo ele ficou na guerra, o Aron, foi cerca de dois anos.
Sobre os parentescos da fic, o Salvatore tinham dito naquela visita que recebeu que eles estavam em família e sim, estão. Mary é irmã de Clifford. O pai do Aron é primo do pai do Clifford e automaticamente um parente distante do Adrian( alguém sabe o nome desse parentesco? Se souberem me digam, por favor)
Será que Ryu é filho do Aron? Tem gente que está enchergando semelhanças físicas, será que o Aron nunca engravidou alguém por aí? Não sei me digam o que acham. kkkk

PS: capítulo vem em duas semanas.
Talvez eu tenha errado em colocar parte da história do Aron aqui e pensei muito se deveria colocar ou não, mas como não vi espaço no futuro pra encaixar o que acho que deveriam saber eu coloquei aqui. Claro que nessa história ainda existe muito lodo pra sair do esgoto, então pode ser que ao longo da fic o Aron se recorde de coisas ou coisas poderam ser acrescentadas em cima do formato apresentado.
Pessoal do Órion, estou apenas finalizando algumas cenas, postarei até no máximo segunda já que o final de semana vai ser conturbado aqui.


Vocês podem acompanhar também o Colégio Interno Órion, só para garotos. Basta acessar o link: https://www.spiritfanfiction.com/historia/colegio-interno-orion-so-para-garotos-2942364

Você vai se apaixonar por esse colégio cheio de segredos escondidos nos encontros do tempo e são só de quem guardar.

Gostaram da fic deixem seus comentários, feedback, favoritem e indiquem a fic aos seus amigos e no dia a dia vamos melhorando essa história de amor.

Obrigada pela atenção, beijos e até mais!


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