História Girlfriend - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Kun, Winwin
Tags Fem!winkun, Limitlesslove, Lls9, Winkun
Visualizações 108
Palavras 4.680
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Ecchi, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Musical (Songfic), Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá olá
Aqui estou eu, em cima, quase passando do prazo de postar a fanfic com o tema dessa semana do Limitless Love. Eu tive que fazer das tripas coração pra conseguir terminar essa fanfic a tempo, porque minha rotina realmente anda muito complicada, mas UFA! Enfim acabei.

O capítulo não foi betado, depois eu passo com mais calma e corrijo os erros, mas peço desculpas desde já a quem for ler isso antes da minha revisão >.<

Espero que gostem! Abraços!

PS: É uma songfic baseada na música 'Girlfriend' da Avril Lavigne.

Capítulo 1 - I could be your girlfriend


Fanfic / Fanfiction Girlfriend - Capítulo 1 - I could be your girlfriend

Os olhos escuros e brilhantes de Dong Sichuang percorriam discretos e analíticos por toda a biblioteca. Escondida detrás de uma estante, fingindo procurar um livro, a morena de lábios cheios encontrava enfim o alvo de sua procura.

Qian Kuan. Uma nerd baixinha que passava a maior parte das tardes enfiada na biblioteca do que dando atenção ao namorado lindo e maravilhoso, que por acaso também era objeto de desejo de Sichuang.

- Tsc. O que está fazendo que não está com seu namorado? – Reclamou em voz baixa.

Desde que soubera do namoro de Wong Yukhei com aquela garota que Sichuang remoera amargamente sua falta de coragem de chegar no crush. Particularmente, a morena se achava muito mais atraente do que Kuan, que era pequena e um tanto cheinha da cintura para baixo.

Sua motivação então se tornara descobrir os defeitos de Kuan para usar a seu favor. Afinal, Sichuang não se dava por vencida facilmente e ainda achava que era a melhor opção para Yukhei, precisava apenas de provas consistentes daquilo para apresentar ao Wong.

Já passava das quatro da tarde e desde as duas que Kuan estava no exato mesmo lugar, lendo e fazendo anotações. Ela se movia apenas vez ou outra para se espreguiçar, esticando os braços branquinhos no ar e agitando devagar a cabeça de um lado para o outro. Kuan era uma sênior e provavelmente estava dedicada em tirar uma boa nota no gaokao. Nerd demais – Sichuang pensava.

Havia se cansado de ficar espiando, quando decidira se mover e se aproximar da outra. Sichuang enfim pegara um livro da prateleira de biologia e caminhara ladina em direção à cadeira vazia diante de Kuan.

- Posso me sentar aqui? – Dissera em voz baixa e vira os olhos pequenos e escuros de Kuan se moverem do livro em direção ao seu rosto. Uma coisa Sichuang era obrigada a concordar: Qian Kuan era linda.

- É claro! – Dissera com um sorriso e em seguida puxara o material escolar que acidentalmente havia deixado se espalhar até o outro lado da mesa. – Fique à vontade.

Sichuang sorriu discretamente e se sentou. Seus joelhos esbarraram nos de Kuan debaixo da mesa enquanto se acomodava. Ela culpava a própria genética, que lhe presenteara com um par de lindas e longas pernas, mas talvez um pouco longas demais para dividir o pequeno espaço debaixo da mesa da biblioteca com outra garota.

Kuan lhe sorrira com doçura e então puxara a própria cadeira para trás para lhe dar um pouco mais de espaço. Era simpática e aquilo irritava Sichuang profundamente, porque daquela forma ficava mais difícil encontrar razões plausíveis para detestá-la.

- Você parece estudar muito, sempre a vejo aqui, não se cansa? – Perguntara enquanto folheava o livro de biologia, fingindo buscar por um assunto em específico.

- Eu canso, mas tirar uma boa nota é realmente importante para mim. Devo me esforçar. – Kuan respondera. – Não sei se já a vi por aqui antes. Como se chama?

- Dong Sichuang. Nós não somos da mesma classe.

- Isso eu sei. – Kuan continuou sorrindo. – Sichuang, voltarei a estudar, sim?

- Certo, não vou atrapalhar. – Sichuang voltou a fingir que procurava por algo no livro, desviando o olhar vez ou outra para Kuan.

De perto, percebera que ela tinha a letra feia e um pouco irregular, mas suas mãos eram pequenas e delicadas. As unhas eram curtas, roídas, provavelmente por causa das horas de tensão tentando absorver tanto conteúdo. Não era exatamente uma garota bem cuidada, não usava maquiagem e o cansaço era evidente nos círculos escuros ao redor de seus olhos.

Sichuang não era burra, ela sabia o quanto o gaokao era crucial na vida de muitos estudantes. Não era o seu caso, porque Sichuang tinha mais interesse em se aprofundar no esporte e o processo seletivo para faculdades daquele tipo era diferente. Seu sonho era ser escolhida para um programa de ginástica estrangeiro. Exigia outro tipo de preparo.

Naqueles minutos em que quisera encontrar motivos para detestar Kuan, Sichuang criara empatia. Aquela parecia ser uma garota dedicada e determinada, não estava perdendo tempo com tolices, mas sim focada em seu futuro. Aquilo era admirável, apesar de que também era um tanto preocupante que ficasse tanto tempo enfiada nos livros.

Dong Sichuang de certa forma se identificara com aquilo. Suas unhas também eram curtas por causa dos treinos pesados de ginástica. Apesar de ser um esporte um tanto glamouroso e ter mais habilidade para transformar o rosto com maquiagem, ela sabia que não era uma garota fofa comum. Treinar não era fofo, era duro. Assim como estudar.

Ficara mais de uma hora naquela mesa, observando Kuan de soslaio, esbarrando os joelhos nos dela sempre que ela esquecia e afastava as pernas para frente debaixo da mesa. As duas sorriam em silêncio sempre que aquilo acontecia. Definitivamente aquela escola precisava de mesas mais largas.

Quando dera a hora de Sichuang ir para casa, ela fechara o livro e se levantara. Sendo surpreendida logo em seguida por Qian.

- Já vai embora? – Kuan logo conferira as horas em seu relógio de pulso e fizera uma expressão de espanto. Já passava das 17h30.

- Sim, logo irá anoitecer, devo chegar em casa cedo.

- Onde você mora? – Perguntara diretamente. – Podemos ir juntas.

Dong Sichuang congelara por um instante. Não estava esperando que ela quisesse sua companhia. Sichuang timidamente revelara o bairro que morava e a menor logo sorrira largo em animação. Elas não eram vizinhas, mas o bairro de Sichuang ficava no caminho de sua casa. Poderiam pegar o mesmo metrô juntas.

Kuan pedira para que a esperasse e rapidamente retornou todo seu material escolar espalhado à sua mochila. A baixinha se espreguiçara mais uma vez e enfim jogara a bolsa nas costas. As duas caminharam em silêncio em direção à saída da escola e Sichuang logo começara a questionar se ter aceitado sua companhia não havia sido uma má ideia.

Elas haviam literalmente acabado de se conhecer, era difícil saber até mesmo qual assunto puxar, mas aparentemente aquilo não era um problema para a menor. As duas viraram juntas num corredor quando Sichuang avistara algo que fizeram seu ar faltar por um instante. Tentara se virar para que Kuan não visse o que havia ali, mas a pequena estava o tempo todo ao seu lado. Tarde demais.

Ali, naquele mesmo corredor, Wong Yukhei estava aos beijos com uma garota da classe de Sichuang. Aquilo a magoara, afinal, ela tinha certos sentimentos por aquele garoto, mas provavelmente o que sentira não chegava aos pés do que Kuan, a namorada daquele garoto, devia ter sentido.

- Ahm... quer ir por outro corredor? – Disse em voz baixa, mas Kuan não respondera. Havia estancado naquele exato lugar, atônita.

- N-não. Me espere só um pouco, sim? Não vai demorar. – Respondera no mesmo tom. Sichuang fitara atentamente seu rosto, procurando algum traço de choro, mas não encontrara nenhum. Aquela pequena era dura na queda e Sichuang imediatamente sentira sua afeição por ela aumentar.

Kuan pousou a mochila pesada no chão e caminhou devagar até o ‘casal’, que sequer havia notado a presença das duas ali. Sichuang tentou ao máximo ouvir o que a garota dissera quando se aproximara, mas a menor fora ultra discreta e, pela cara de arrependido de Yukhei, provavelmente havia colocado um fim em tudo.

- Kuan, me escute! – Ele a segurou com força pelo braço, impedindo-a de se afastar. – Isso é sua culpa! Passa tempo demais com a cara nos livros, nunca lê minhas mensagens, nunca tem tempo para mim! Achou mesmo que eu iria aguentar eternamente?

- Sabia como era minha rotina quando me pediu em namoro, não pode me culpar. Me desculpe, Yukhei, se entrar numa boa faculdade e tirar minha família da pobreza é mais importante do que ser uma boa namorada para você. Você está livre agora.

Kuan tentou se desvencilhar, mas o aperto do garoto em seu braço se tornou mais agressivo, puxando-a violentamente contra si.

- Você é tão estúpida! Acha que uma burra como você vai conseguir passar no gaokao? Você vai ser engolida viva pelos gênios dessa escola! Vai se arrepender quando perceber que apenas perdeu seu tempo numa tentativa inútil de ser alguém melhor do que é!

Sichuang não pretendia se mover. Kuan havia dito para que a esperasse ali e era o que iria fazer pacientemente, mas no rosto da menor a expressão de indiferença dera lugar a uma muito explícita de dor. Aquele garoto a estava machucando e dizendo coisas horríveis. Não podia ficar apenas assistindo.

- Solte-a agora, seu babaca! – Sichuang afundara as mãos de dedos longos nos cabelos escuros de Yukhei, os mesmos em que sonhara fazer carinho alguns poucos dias atrás, e os puxara com toda a força, fazendo sua cabeça pender para trás.

Yukhei fora pego de surpresa e a obedecera, soltando Kuan e deixando uma marca visível de seus dedos no braço branquinho da baixinha. Sichuang achou aquilo ultrajante. Uma garota tão bonita e amável não merecia ser marcada daquela forma. Nenhuma garota merecia.

- Quem é você???

- Ninguém que te interesse. – Respondera entre dentes e em seguida o soltara. – Nunca mais toque nessa garota ou eu vou quebrar seus dentes!

Kuan a encarou estarrecida, mas não tivera muito tempo para processar o que acontecera, Sichuang pegara sua mão e começara a correr de volta ao lugar em que haviam deixado o material jogado. Yukhei começou a ofendê-las em voz alta, sendo contido pela garota que a pouco havia deixado de beijar. As duas rapidamente fugiram em direção à estação de metrô.

Sichuang estava furiosa, não apenas pelo que havia presenciado, mas também por ter gostado daquele garoto e ter desejado o lugar de sua namorada. Queria dar uns cascudos em si mesma.

Quando já estavam no metrô, a mais alta sacudia a perna e mordiscava os lábios cheios impaciente. Kuan ficara calada desde que haviam saído da escola, não derramara uma única lágrima, mas ao perceber que se aproximavam da estação em que Sichuang desceria, se viu obrigada a falar.

- Obrigada. – Dissera baixo, mas Sichuang estava perto o suficiente para ouvi-la. Kuan levara uma de suas mãos ao encontro da dela, tocando os dedos da outra com seus dígitos.

Sichuang a encarara, sentindo o misto de emoções dentro de si se anuviar diante do sorriso singelo que a menor lhe digira. Aquele sorriso era a garantia de que havia feito algo certo.

- Está doendo? – Apontara para a marca, agora arroxeada, dos dedos de Wong Yukhei em seu braço.

- Não muito. – Seu sorriso se abrira mais um pouco. – Eu devia estar chorando por causa do fim do meu namoro, não é? Me sinto estranha.

- Se eu tivesse terminado o namoro com um cara idiota, também ficaria feliz. – Brincara.

- Acho que meus sentimentos por ele nunca foram tão fortes. Ele estava certo num ponto, ele nunca foi minha prioridade, talvez por não ter um lugar definido no meu coração, mas fiquei assustada. Não imaginei que ele fosse me agredir. Me desculpe por ter sido tão intrometida e te arrastado para essa confusão, eu não tenho muito amigos, tenho que me esforçar para fazer amizades. Obrigada por ter me defendido.

Sichuang sorrira largo para Kuan pela primeira vez. Havia começado aquele dia detestando aquela garota e querendo roubar seu namorado, mas no fim do dia, havia descoberto que nem tudo era o que parecia. No fim das contas, Yukhei fora o desmascarado e Sichuang agora tinha uma amiga. Uma bem pequena e intrometida, mas que gostaria de poder conhecer melhor dali para frente.

- Obrigada por ter sido intrometida, Kuan, de verdade. Salvou duas vidas de um idiota. – Sichuang sentiu o trem reduzir a velocidade e sabia que deveria descer rapidamente nos instantes seguintes. – Estude bem, mas não se esgote. Vejo você amanhã?

- É claro! Se cuide também! Cuide bem dos seus joelhos, eles são bonitos.

As duas soltaram risadinhas quase que simultaneamente, então Sichuang tivera que correr para fora do metrô.

 

~♡~

 

Desde aquele dia, Sichuang e Kuan se tornaram amigas. Não eram exatamente a combinação perfeita, Kuan realmente estudava além do limite humano e Sichuang também dedicava muitas horas em seu treinamento preparatório, era difícil para ambas terem um dia comum entre amigas. Contudo, elas conversavam diariamente, ao fim do dia, perdiam muitas horas falando de suas dificuldades, anseios e pequenas conquistas.

Fora através de mensagens que Sichuang descobrira que a família de Kuan passava por dificuldades financeiras e seu maior objetivo era ter uma boa carreira e poder lhes dar uma boa vida. Assim como Kuan descobrira que, por mais que Sichuang amasse ser uma garota alta, ela se sentia em desvantagem às outras garotas na ginástica. Seu maior medo era de se lesionar e nunca conseguir ser uma atleta completa, já que ela já estava em desvantagem no esporte por ser mais alta.

Quando tinha alguma brecha, Sichuang se enfiava na biblioteca atrás de Kuan, que sempre a recebia com um sorriso largo e um brilho espetacular nos olhos. Ficava genuinamente feliz sempre que via a mais alta, era como se um sol se abrisse em meio às nuvens turvas daquelas tardes monótonas de estudo.

Sichuang era tão divertida e carinhosa, seu jeito envergonhado contrastava com sua personalidade forte, mas Kuan a adorava. Havia feito uma boa amiga, daquilo tinha completa certeza.

Quando a semana do gaokao enfim chegara, Kuan entrara no nível máximo de estresse. Mal conseguia dormir ou comer, sentia que ainda havia muito conteúdo precisando ser revisado, ainda havia muito que não sabia e aquilo a deixava a beira de um ataque de nervos.

Uma tarde, durante uma de suas visitas, Sichuang a encontrara debruçada sobre uma apostila, chorando baixinho. Aquela garota que não chorara nem quando tivera seu coração partido, estava chorando por medo. Por estresse.

Sichuang não soubera o que fazer a princípio, ficando um longo instante parada, sem ação, mas então gentilmente decidira tocar os cabelos longos da menor.

- Acho que é hora de fazermos uma pausa, sim? – Falara baixo ao pé do ouvido.

- Estou assustada. E se eu não for boa o suficiente? Eu...

- Pare. Não se cobre demais, vamos, levante um momento, venha comigo.

Kuan quis protestar, ainda havia muito conteúdo para ser revisto, mas também sabia que aquelas lágrimas eram um sinal de seu corpo. Portanto, apenas deixara que Sichuang a levasse pela mão para onde quisesse.

A ginasta a guiara até o pátio da escola e procurara por um banco à sombra em que pudessem se sentar. Depois de se acomodarem, a mais alta vasculhou em sua mochila atrás de algo e logo retirou uma vasilha com dois Zong Zis.

- Coma, trouxe um extra para você. Precisa de energia se quiser que seu cérebro funcione.

Kuan encarou o Zong Zi com olhos marejados. Ela havia esquecido completamente de fazer sua refeição, se sentia fraca e burra. Estava tão esgotada e sem forças que apenas a ideia de receber um mínimo de carinho com aquele a deixava emocionada.

- Obrigada! Sichuang, você é uma amiga tão boa!

- Você está mesmo chorando olhando para um Zong Zi? A ideia de te trazer comida era de te deixar feliz, caramba!

Kuan soltou uma risadinha em meio às lágrimas e aceitou o Zong Zi, transbordando de gratidão. Aquele era um gesto tão trivial, dividir o lanche com uma amiga, mas de alguma forma parecia significar muito mais.

Apenas notou o quanto estava faminta após ter provado o primeiro pedaço. As duas comeram os Zong Zis em silêncio, mas quando Kuan acabara o seu, Sichuang segurou suavemente em seu pulso.

- Descanse um pouco, você tem se sobrecarregado muito e isso não é bom para o seu corpo, para sua mente. O gaokao é em alguns poucos dias, mas você está perdendo seu foco. Precisa de um tempo, de respirar fundo, só assim vai conseguir ir até o final sem quebrar.

- Como você soube? – Perguntou baixo. – Como soube que eu estava entrando em colapso?

Sichuang abriu um sorriso doce. Talvez não tivesse tanto tempo de amizade com Kuan para afirmar que a conhecia como a palma de sua própria mão, entretanto, a mais alta sentia que podia lê-la perfeitamente através das entrelinhas de seus gestos. Era como se sua mente pudesse traduzir cada olhar de soslaio, cada suspiro, cada lágrima que escorria por seu rosto. Sentia que compreendia Kuan muito bem, melhor até do que compreendia a si mesma.

- Talvez você não me veja sempre, mas eu estou sempre observando você. Eu posso ver nas suas pequenas coisas, sei que está se partindo. É por isso que estou aqui, para remendá-la, assim você pode continuar seguindo em frente.

Kuan sorriu e então deitou a cabeça sobre o colo de Sichuang, observando com carinho as feições bonitas da amiga. Dong Sichuang tinha belos olhos brilhantes, lábios cheios e um sorriso acanhado. Seus cabelos escuros caiam sobre o busto, que não tinha tanto volume, mas fazia uma curva bonita em sua silhueta esguia. Era uma garota linda e apenas olhá-la era suficiente para aquecer o coração da menor.

- O que eu iria fazer sem você? Eu estaria tão só.

Sichuang não gostava muito de admitir, mas sentia o mesmo. A proximidade com Kuan a trouxera de volta para o chão. Ela agora sentia que pensava muito melhor e lidava melhor com as próprias emoções também. Sentia que havia crescido e que algo em seu coração parecia crescer de forma mais forte e intensa ao lado da amiga.

- Não se preocupe, agora que você me tem, nunca mais irá ficar sozinha. – Sichuang afastou uma mecha de cabelo que caíra sobre o rosto arredondado da amiga e tocou carinhosamente uma de suas bochechas. – Feche os olhos, descanse, eu irei cuidar de você.

Kuan obedeceu e se aconchegou melhor sobre as coxas da amiga, fechando os olhos e respirando fundo tranquilamente após muitos dias sem fôlego, por causa do estresse. Com as mãos de Sichuang acariciando seus cabelos, a menor rapidamente caíra no sono, envolvida no calor e proteção do toque da outra.

Sichuang havia faltado o treino daquele dia para ficar com Kuan, mas não estava arrependida. Pelo contrário, estava completamente imersa naquele momento de contemplação, sentindo o próprio coração bater um pouco mais depressa quando seus olhos se focavam nos lábios pequenos e desenhados de Qian Kuan.

Até o momento, Sichuang apenas havia se apaixonado por garotos. Nunca, nem mesmo em seus mais remotos sonhos, imaginara que pensaria romanticamente numa garota. Contudo, naquele exato momento, com os cabelos castanhos de Kuan caindo longos por suas pernas e seu rosto angelical adormecido ao alcance de seus suspiros, sentia que estava se apaixonando.

Não sabia ao certo o que fazer com aquele sentimento, não sabia se seria retribuído ou se sequer poderia revelá-lo algum dia para alguém, mas até aquele momento, ela se contentaria apenas em ver Kuan se saindo bem no gaokao e alcançando seus sonhos. Aquilo era o mais importante naquele momento.

Quando o gaokao enfim chegara, Kuan sentira que estava à beira de um ataque de nervos. Estava aterrorizada. Praticamente toda a China havia parado para aquele exame, sabia que seus pais tinham muitas expectativas e esperavam por um bom desempenho da filha.

Quando o fiscal pousara a extensa avaliação sobre sua mesa, ela fechara seus olhos e respirara fundo. Tentara levar sua mente para seu lugar mais pacífico. Dong Sichuang. Diferente do que esperava, foram a imagem da amiga que lhe viera primeiro à mente.

Se apertasse um pouquinho os olhos, podia ouvir sua voz suave e rouquinha falando coisas como ‘gaokao pode ser a porta mais bonita para chegar onde quer, mas não é a única porta, não se cobre demais’ ou ‘a vida não acaba com o gaokao, não acredite no que essas pessoas dizem sobre futuro, o futuro, na verdade, é mais do que isso’.

Sichuang podia ser um ano mais nova e um tanto calada ás vezes, mas Kuan apreciava sua sabedoria. Era reconfortante e, apesar de não apagar completamente seu nervosismo, fazia com que tivesse um pouco mais de ânimo para fazer aquela prova e dar o seu melhor.

Além disso, haviam feito uma promessa de que ao final do gaokao, independente do resultado, as duas teriam uma festa de pijama para descansar, jogar conversa fora e se divertir na companhia uma da outra. O único jeito de fazer com que o tempo passasse mais depressa para chegar naquele momento era encarando a prova. Aquilo fora exatamente o que Qian Kuan fizera.

 

~♡~

 

- Qual filme iremos ver? – Sichuang questionara enquanto se enfiava debaixo do mesmo edredom em que Kuan já estava bem acomodada com uma grande bacia de pipoca.

- Ah-ga-ssi. – Kuan dissera as sílabas com cuidado. – É um filme coreano que me recomendaram num site de perguntas, parece ser bom.

- Sobre o que é?

- Acho que é sobre uma empregada.

As duas não faziam a menor ideia de que sim, o filme era sobre uma empregada, mas nenhuma das duas sabiam que era uma empregada que se apaixonava por sua senhora. Quando a primeira cena quente aparecera na tela, ambas arquejaram em choque e esconderam os rostos atrás das mãos.

- Minha nossa! – Sichuang exclamara, sentindo o próprio rosto queimar de vergonha. Não sabia se era engraçado ou trágico que Kuan tivesse trazido justamente um filme como aquele para sua primeira noite juntas.

Para Sichuang, aquele era um terreno perigoso, afinal, àquela altura o que sentia pela amiga era muito claro em seu coração.

- Oh, me desculpe! – Kuan também tinha o rosto arredondado tingido de rosa, completamente envergonhada. – Eu não sabia que o filme tinha essas coisas! Quer que eu tire?

Sichuang a encarara em silêncio por um instante, hesitando.

- E-eu não sei, você quer continuar vendo?

Kuan mordeu o lábio inferior enquanto ponderava. Estava envergonhada, mas também tinha curiosidade sobre o filme. Por mais que estivesse envergonhada de não ter checado quanto aqueles aspectos do filme, percebera que o rosto corado de Sichuang era adorável.

- E-eu quero ver, se não se importar.

- Não... eu não me importo.

Então elas apagaram a luz e abaixaram um pouquinho mais o som da TV para que a mãe de Sichuang não acordasse e as pegasse assistindo um filme tão inapropriado. Ambas mal piscaram até o fim do filme, assistindo de olhos arregalados a todas as cenas de sexo lésbico.

Sichuang quase se entupira de tanta pipoca que havia enfiado na boca, numa tentativa um tanto inútil de conter seu nervosismo e embaraço. A bacia estava quase vazia quando ela, acidentalmente, agarrara os dedos de Kuan ao invés dos últimos milhos estourados.

Talvez tivesse ficado mais tempo do que o necessário segurando aqueles dedinhos cheios de sal nos seus. Kuan não fizera menção de afastá-los também. No fim das contas, aquele filme era mais do que duas mulheres fazendo sexo, mas sim duas mulheres que, apesar das dificuldades e tramas dos homens da história, encontraram amor uma na outra, um porto seguro que as deu coragem para buscar soluções para seus problemas.

O filme continuou rolando, mas Kuan se viu mais interessada em observar Sichuang na penumbra. Os lábios cheios entreabertos, os olhos repletos de uma antecipação, se movendo vez ou outra da tela para as mãos entrelaçadas.

Qian então começara a pensar que talvez seu carinho por Sichuang fosse algo um pouco além da amizade. Não havia parado para considerar aquela possibilidade, mas agora, parecia que as peças se encaixavam.

Devagar, Kuan moveu sua mão para entrelaçar os dedos nos de Sichuang. Ela a encarara surpresa, mas a menor apenas sorrira, não queria lidar com palavras naquele instante, queria apenas sentir o calor das mãos de Sichuang nas suas.

Terminaram o filme daquele jeito, de mãos dadas, sentindo os corações se acelerando à medida que os créditos subiam e a necessidade de diálogo se tornava mais presente. Sichuang fora quem quebrara o contato entre as mãos, trazendo a própria de volta para perto do próprio corpo.

Sentia que o que quer que tentasse falar, seria gaguejado, arranhado, tamanho era seu nervosismo. Nunca havia gostado de uma garota antes e isso parecia que desencadearia coisas muito mais complexas do que se sentia capaz de lidar aos 17 anos. Contudo, talvez aquela fosse a única oportunidade que tivesse para falar de seus sentimentos à Kuan.

- Eu... tenho algo para lhe falar, Kuan... – A menor podia ver as írises de Sichuang tremulando na penumbra, estava nervosa e ela tendia a desviar o olhar quando aquilo acontecia. Apesar disso, cada gesto de Dong Sichuang era encantador aos olhos de Kuan.

- Sim? – Perguntara num sussurro.

Sichuang sabia o que deveria dizer, mas as palavras pareciam escapar. Tinha medo do que poderia acontecer.

- Kuan, eu... – A mais alta suspirou longamente e então fechou os olhos, quem sabe assim conseguisse um pouco mais de coragem. – Eu me aproximei de você, porque eu gostava do seu namorado. – Aquilo não fora o que Kuan esperava ouvir, mas ela continuou encarando Sichuang atentamente. – Eu queria descobrir se você tinha defeitos e tentar me sobressair sobre eles. O problema é... quando eu vi você, eu a compreendi. Você não é uma garota perfeita, mas suas qualidades são muito mais evidentes. Naquele dia, descobri que na verdade era seu namorado que não era bom o suficiente e eu me senti grata por tê-la conhecido.

Kuan se movera sobre o colchonete que dividiam, se aproximando mais da maior. Deixando seu rosto na altura do dela. Sichuang então abriu os olhos, se surpreendendo com a proximidade dos olhos pequenos de Qian dos seus.

- E então? – Questionara. – Mais alguma coisa mudou em relação a mim?

Sichuang assentiu em silêncio, em seguida engolira seco.

- Eu me aproximei ainda mais e pude ver toda a beleza que você guarda só para si. É realmente linda, tão linda, que me fez questionar meus sentimentos. Eu acho... acho que o que sinto por você seja maior do que amizade. – A mais alta desviara os olhos, mas Kuan tocara seu rosto num gesto carinhoso, pedindo silenciosamente que ela não fugisse de seu olhar.

- Eu entendo. – Dissera num sussurro quase inaudível, mas que Sichuang compreendera claramente ao ler as palavras em seus lábios. – Acho que sinto o mesmo.

- Você? – A expressão de surpresa que se formara em seu rosto fora adorável o suficiente para fazer com que Kuan também sorrisse. – Sério?

- Nunca pensei em nenhum garoto como eu penso em você, isso é alarmante?

- Nem um pouco.

- Ainda bem.

Kuan então tomara a iniciativa de se esticar um pouquinho mais, invadindo o espaço pessoal de Sichuang e beijando seus lábios cheios e macios pela primeira vez. Eles eram ainda mais saborosos do que imaginara.

Por um momento, a mais alta sentiu que poderia derreter, tamanha era a confusão de informações em sua cabeça. Entretanto, sentira o próprio corpo relaxar sob os toques suaves da mais velha em seu rosto. Era Kuan ali e não havia nenhuma outra pessoa no mundo que pudesse fazer com que se sentisse tão em casa. Sichuang então pudera arriscar pequenos atrevimentos, mordiscando os lábios pequenos da outra de leve, chupando-os, experimentando-os completamente.

Quando enfiam perderam o fôlego, ficaram um longo momento respirando uma contra a outra, buscando por ar e por um pouco mais de toques, enroscando o par de pernas longas no de pernas roliças.

- Sichuang? – Kuan perguntara baixo enquanto brincava com os cabelos longos e escuros da outra. – Sei que não sou Wong, mas eu estava aqui pensando... ao invés de namorar com ele, porque não namoramos uma com a outra? Acho que somos uma dupla muito melhor. Isto é, claro, se não se importar com meus defeitos.

- Eu não me importo, na verdade, acho que você precisa de mim se quiser lidar com eles. – Disse brincando e sorrira largo. Kuan adorava aquele sorriso, gostaria de vê-lo sempre se pudesse. – Sim, eu quero ser sua namorada.

Kuan também lhe sorrira em resposta e voltara a beijá-la, sentindo seus joelhos tocando nos dela vez ou outra, mas daquela vez não havia sido acidental.


Notas Finais


Queria deixar uma singela dedicatória para a @DenChan1809, que foi para quem eu prometi que iria escrever uma Winkun. Não sei se você curte fanfic fem!au, mas assim que eu plotei com esse tema, eu sabia que devia escrever com Winkun para você. Espero que você tenha gostado, foi de coração ♡

Algumas pequenas observações:
*gaokao é tipo o enem chinês, só que numa versão extreme, é o jogos mortais do enem. Sei que muitos de vocês estão passando por uma situação semelhante à da Kuan, mas não deixem que isso drene demais vocês. Dêem seu melhor e não desistam, mas, se não der certo, não se esqueçam que ele não é o único caminho para uma vida feliz e bem sucedida. A vida é mais do que apenas algumas páginas de uma prova. Vocês também são muito mais.

Espero que tenham gostado!
Abraços!


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