História In Your Brown Eyes - Capítulo 3


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Categorias Teen Wolf
Personagens Jordan Parrish, Sheriff Noah Stilinski, Stiles Stilinski
Tags Starrish
Visualizações 141
Palavras 5.738
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


tem errinhos, vão me desculpando ai. e pela demora tbm

Capítulo 3 - Unlikely


 

 

 

Quem diria que uma pequena frase incompleta, composta por duas palavras que poderia ser qualquer coisa, poderia lhe deixar tão inquieto por tanto tempo. Aquela questão lhe sondou por uma noite inteira, um dia e um dia todo. Do trabalho até a sua casa o e se – que não conseguia para de se perguntar, como um autoflagelo – ressoava em sua como um eco persistente. Aquilo lhe perseguiu dias a fio a ponto de fazer sua cabeça querer doer.

Um dos motivos para não deixar de lado era ele mesmo, ao se perguntar o que viria depois daquele arrastado “Não...” poderia ser qualquer coisa, ainda assim lhe encheu de expectativa e receio.

Ele não teria tido tantos problemas – e dor de cabeça – se não fosse a entrada escandalosa daquela dupla; que acabou arrui... atrapalhando sua tarde com o Stilinski, que lhe tanto custou bolar e executar. Era complicado inventar desculpas, era péssimo nisso.

De qualquer forma já não adiantava mais insistir em perguntar e se lamentar pelo o que não aconteceu. O momento havia passado e a frase já não teria mais utilidade, assim ele pensava. Ele gostaria mesmo de não pensar muito sobre aquilo. Mas como de costume era algo que  não podia evitar, impossível de se controlar. Mesmo passando-se alguns dias vez ou outra ela pipocava em sua cabeça, lembrando-o do que poderia ter escutado. Era muito irritante.

Ficar pensando na frase incompleta era só parte do seu problema. Ainda estava incomodado com o ocorrido, o puxão que dera no rapaz; tanto que chegou a pensar que Stiles não iria querer vê-lo tão cedo depois daquela cena constrangedora. Uma dia várias e sua lista apenas crescia.

 Parecia que toda a sua competência, seriedade, e coordenação motora iam pelo ralo quando estava nervoso perto do Stilinski.

Mas apesar dos seus receios a coisa, que ele achava improvável naquele momento, aconteceu; em uma manhã que nem mesmo ele levava a sério. Jordan deu um pulo da cadeira; os papéis que faltavam serem entregues, os últimos para o seu deleite, voaram de encontro ao chão. O homem estava tão concentrado em terminar, para enfim se ver livre de tarefas como aquela, que se esqueceu de tudo a sua volta. Por as mãos em um volante o deixava assim.

Seu celular vibrou na madeira, como um ronco de motor. Fora pego de surpresa e seu estardalhaço atraiu atenção indesejada de seus(as) colegas, Clark ria baixinho do outro lado da sala. Mas ele esqueceu tudo isso quando aquela voz soou do outro lado da linha; de um número que, até dado momento, era desconhecido. Stiles havia, de algum modo, lhe ligado. Era real. Como o rapaz havia conseguido seu número, ele não sabia. Em sua cabeça – várias vezes – pensara em dar seu número, mas aquilo seria muito estranha. Pedir seria melhor, a coragem que andava reunindo para pedir, no momento certo, perdera seu valor.

Eles haviam conversado bastante – Stiles era bom em puxar assunto, bastante aleatórios, e gostava de falar e como – pelos dias que não fora visitá-lo, minutos a fio. Sua vida levou uma guinada e ele precisava de reorganizar. Conciliar suas escapulidas com seus horários. As vezes dava um jeito de responder ou atender sua chamada, quando percebia que, não havia ninguém por perto, ou dando desculpa para ir ao banheiro. Francamente, suspeitava que seus colegas pensasse que ele tivesse a bexiga frouxa.

Mesmo já praticamente acostumado, Parrish, não deixava de se surpreender com a verborragia do Stilinski. E de como ele conseguia mudar de assunto em tão pouco tempo, como se Parrish fosse lento demais para respondê-lo. Aquilo o desnorteava, mas ele se mantinha na conversa, vez ou outra se perdia na conversa e pedia que ele repetisse.

Aquilo o animou, quase o fez esquecer, Stiles ter conseguido seu número e passado a mandar mensagens e telefonar. Para ser sincero aquilo do somou a sua felicidade. Deu um gás a sua animação. Seu parceiro FINALMENTE havia chegado. Valérie Clark, uma simpática mulher nas horas vagas, transferida de Devenford Prep.

 Haviam tido tempo suficiente para interagirem e se conhecerem, durante a ronda, suas horas vagas. A vida de agente de campo não possuía comparação. Só em pensar naqueles papéis em suas mãos outra vez ao invés de um volante lhe dava calafrios.

 

 

 

 

Já estava tarde, o sol começava a se mover preguiçosamente em direção ao horizonte. Aquele dia foi uma desventura em série, quase não o percebeu passando, naquela maravilha de quatro rodas. O turno Havaí acabado e coube a Jordan levá-la para casa, já que aquele era o seu dia. O caminho foi mais longo do que ele esperava e um pouco silencioso, em parte por sua culpa. Nas que ele se encontrava em modo pensativo, olhos focados nas ruas e a mente longe. Vez ou outra, quando paravam, encarava seu celular em busca de um toque específico.

Quando o fez, pelo que achou ser a vigésima vez, de soslaio viu que sua parceira lhe encarava com aquele sorrisinho estranho no rosto. A não, pensou, lá vem ela. Ele já entendia aquele sorriso como “Eu sei/saquei tudo”. Quase uma semana de convívio era o suficiente para um bom entendimento.

— O que foi dessa vez, Clark? — Perguntou com ironia. — Minha cara está suja de granulado?

Aquilo infelizmente já tinha acontecido. bem, ele estava com pressa. E sua parceira havia adquirido um gosto peculiar em pegar no seu pé. Primo foi sua barbicha de granulado, depois seu penteado e logo em seguida seu gosto musical – que ela intitulou de duvidoso –, depois disso foi a forma como pronunciava “cansado”. Francamente... Não havia nada demais em estender um pouquinho o s.

Agora estava “ansioso” para saber o que sua parceira pensava em usar contra si.

Clark riu baixinho, como se Jordan tivesse falado algo engraçado. Ou talvez só lembrando dos seus comentários, em como poderia melhorá-los. Torná-los mais engraçados, para ela.

A policial balançou a cabeça, balançando o coque frouxo que sempre usava. Levando a mão ao queixo, coçando-o. O rosto tomado por uma falsa expressão pensativa. A luz do sol que atravessou o pára-brisa banhou parte da sua mão, refletindo o metal amarelado do seu anel. O feixe quase o cegou, Parrish espremeu os olhos, teve que piscar para se livrar da sensação de quem um raio laser havia cutucado seus olhos.

Decidiu que era melhor prestar atenção em seu percurso, antes que fosse cego pelo anel polido. Uma mil ou, pior, um acidente era tudo o que ele não queria naquele momento. Ainda mais que mal começara sua vida fora daquela mesa apertada e de todos aqueles documentos. Não obrigado, ele queria continuar do jeito que estava.

Clark, sua parceira, olhou-o com uma atenção suspeito. Como se buscasse algo para apontar, como o formato das duas orelhas. Por favor, pediu ele, não comente. Quase levou as mãos instintivamente às orelhas.

— Nada de mais. Só que… Você ficou pensativo de repente. Pela quarta vez, não que esteja contando. — Ela deu de ombros, como quem não quer nada. Muito embora seus olhos sugerissem o contrário. De que ela, sim, estava contado. — E tenho certeza de que não foi por eu ter, de forma prestativa, aconselhá-lo a mudar de barbeiro. E fica encarando o celular de quinze e quinze segundos, então...

Valérie o encarou pelo canto dos olhos, em seguida virou o rosto para encará-lo. Era plenamente consciente de que as vezes era curiosa demais, e um tanto enxerida. E que eles ainda estavam em processo de entrosamento e que só talvez ela estivesse abusando um pouco. Para entrar em uma assunto assim. Ela dedilhou a extensão do cinto, do seu ombro até a o encaixe; reconheceu a rua, via sua casa se aproximar rapidamente, à alguns metros de distância, a medida que avançavam.

— ah... Não é nada demais. — Jordan balbuciou, querendo desconversar.  Era certo de que aquela frase incompleto o deixava fora de ar, as vezes. Não ouvir o restante foi como ler um livro pela metade, sem ter a outra para continuar. E tudo por culpa daqueles dois...

Ele piscou algumas vezes. Como se o feixe de luz tivesse acertado seu rosto outra vez, o deixando desorientado.

— Só q...

— Oh, Acho que entendi...

Clark o interrompeu e deu de ombros mais uma vez. Pelo canto dos olhos o observou.  Esperava que Jordan fizesse alguma pergunta que deixasse em aberto. Sabe? Como assim?

Estava jogando verde para colher maduro. Apesar de ter falado sobre seu casamento, seu parceiro não havia falado nada, nem dos relacionamentos passados. E ficava daquele jeito.

Havia um tom sugestivo, na voz, que deixou Parrish preocupado.

— Mas eu não disse nada. —  ele balbuciou meio que na defensiva. Duvidava de que ela houvesse entendido alguma coisa mesmo só com um “só” e “E”. Ele não era tão fácil de se ler assim.

— A, sabe... Essa carinha que você faz de vez em quando. Já vi em alguns homens. — disse ela a Jordan, casualmente. — principalmente em meu irmão. Geralmente o motivo é o mesmo.

A policial falou com certa convicção. Com tanta certeza que fez o parceiro vacilar. Muito embora estivesse nervoso Parrish conseguiu esboçar um sorriso.

— A, é sabichona. E qual é esse motivo?

Ele estacionou o automóvel próximo a calçada. Já havia gravado o endereço de sua parceira, por isso já não precisava perguntar se aquela e tá a casa certa, como fizera antes.

 Jordan havia entendido a jogada da mulher. E a encarou com uma das sobrancelhas louras erguidas.

Clark sorriu com humor.

— Você sabe, Jordan.

Ela insistiu. Possuía a mania de dar de ombros, como se quase nada a preocupasse, e foi exatamente o que fez. Se livrou do cinto e segurança para que logo em seguida abrisse a porta e descesse do veículo.

Parrish ouviu a porta fechar-se com um estrondo abafado, enquanto destravava o cinto.

— Não vai mesmo me dizer no que pensou?

Perguntou. Enquanto se debruçava em direção a porta, espiando pela janela do passageiro.

Clark negou com um balançar de cabeça, esticando um sorriso. O coque frouxo se desfez com os movimentos e seus cabelos caíram sobre os ombros feito ondas. A mulher praguejou, aquilo vez ou outra acontecia.

 Parrish conteve uma risada, satisfeito por ver o sorriso convencido se desfazer. Sua parceira tinha dificuldade com o penteado. Embora parecesse se irritar sempre que ele desfazia.

— Até amanhã, Jordan. — A policial o fulminou com os olhos. Dando o assunto por encerrado. Mas pareceu lembrar-se. — E  aproveite bem o seu dia com a Cornélia XD...

Disse a mulher. Dando um tapinha no capô da viatura. Abrindo um sorriso de contentamento com a careta do parceiro.

Jordan grunhiu infeliz – aquilo pareceu satisfazer a Ramirez um pouco mais–, a última coisa que precisava era ser lembrado daquela “Guarda compartilhada”. Um dia com ele no outro com ela, fala sério.

— O carro não tem nome.  — afirmou — E se tivesse, o que é improvável, não seria cornélia com um sigla que parece o nome do canal.

Já havia tido aquela conversa tantas vezes… Mas Clark insistia em nomear o carro, não conseguindo escolher um. Um mais ridículo que o outro; Charlotte, Telquine, Escolopendra, Judite e agora Cornélia. Ah, ele não merecia isso.

A mulher abriu seus braços como se dissesse: não é você quem decide isso, é!?

Jordan, emburrado, a viu se afastar. E, ao chegar a porta, der recebida por Ben. Ele saiu dali após um breve aceno. Ainda não havia tido tempo para conhecê-lo devida amém. Além do mais, em seu tempo vago, na maioria das vezes, estava ocupado.

 

 

 

 

 

Parrish dirigia pela cidade, com a mente ainda enevoada pela ignorância. A ideia inicial era ir para a sua casa e descansar um pouco – o dia fora corrido, adolescentes vadiando, pichações, pequenos furtos e gatos atacando a lixeira do mercadinho da senhora Harrison – mas a ideia foi deixada de lado e optou por fazer outra coisa.

Havia uma brecha, mesmo que estivesse um pouco tarde e houvesse pouco tempo antes que o xerife chegasse. Era o que ele achava. Uma visita seria uma boa. E Stiles havia dito que poderia visitá-lo quando quisesse, na última ligação. Então assim ele faria, afinal não via o rapaz a quase uma semana. Apenas algumas mensagens e ligações e uma tentativa falha de vídeo chamada.

 Parrish decidiu que uma surpresa não seria de todo mal. E quem sabe? Poderia conseguir que Stiles terminasse aquela frase, cheia de possibilidades, que lhe assombrava.

Ele esperava firmemente que a correria do dia não tenha lhe rendido um belo de um cecê. Desejava estar no mínimo apresentável para quando se reencontrasse com o rapaz.

Por via das dúvidas acabou fazendo  algo que muitos considerariam errado dependendo do ponto de vista  e pegou um pequeno desvio

Jordan estacionou em uma curva irregular na estrada de terra da preserve. Ele se adiantou descendo do automóvel, ladeando o veículo. Pegou sua mochila na parte de trás, como estava indo para casa podia se dar ao luxo de deixá-la ali, por hora. Ele se despiu rapidamente, ali mesmo, peça por peça. Substituindo sua farda por roupas casuais. Vestiu-se com pressa. Já que última coisa que precisava era de ser pego apenas de cueca no meio do mato. Manteve seus sapatos sociais, os olhos atentos moviam-se de um canto a outro da estrada enquanto se trocava. Ele abusou do seu desodorante, guardou sua mochila e farda no chão do banco do passageiro. Olhando seu reflexo no pequeno retrovisor viu que não estava tão amassado quanto pensava. Satisfeito, ou quase, saiu dali.

 

 

•••

 

O céu estava tingindo com um laranja monótono, bordeado de um azul ciano. O fim da tarde se apresentava preguiçosamente saindo Parrish estacionou a viatura no acostamento frente a casa do seu chefe, o xerife. Ele se adiantou já caminhando até a porta. Seu dedo erguido, já familiarizado, foi de encontro com a campainha. Quase que no mesmo momento que apertou o botão a por fora aberta.

Stiles estava bem a sua frente, apoiado em uma só muleta. Usava um moletom verde-água, nú da cintura para cima. Os hematomas haviam quase sumido, se resumindo a marcas rosadas nas costelas e no rosto. Fora isso não mudara muito, mas já era um alívio vê-lo melhor.

O rapaz o olhou de cima para baixo e engasgou.

— Hã... Mei... Jordan, oi.

Stiles balbuciou desviando os olhos.

Ele já não ficava surpreso com as visitas repentinas do policial, uma vez que incentivou. As visitas haviam certa frequência, ao menos à alguns dias atrás. Stiles não reclamava, gostava da companhia do homem. Era muito melhor do que ficar ali sozinho boa parte do dia.

Felizmente seus dias de garoto engessado estavam chegando ao fim. Dava para contar nos dedos, fazendo uma pequena multiplicação, claro. Mas ainda assim uma boa notícia.

Stiles deu mais uma boa olhada no mais velho, da cabeça aos pés. Ainda era extremamente estranho ver Jordan Parrish sem a farda da força policial de Beacon Hills.  Assim ficava difícil chamá-lo de policial. Usando àquela regata – não tão apertada como as outras, começava a achar que seu comentário sobre roupas justas o incomodou, o que definitivamente não era sua intenção – e sua bermuda marrom. Quando de inclinava um pouco para frente só conseguia sentir uma coisa Armani.

 Porém, o mais estranho não era o homem estar  à paisana. E sim estar usando sapatos sociais. Com meias longas e escuras, esticadas até o joelho. Stiles forçou-se a reprimir uma risada. E não comentar.

— Ocupado? — O homem Indagou. Daquela vez estava de mãos abanando, apenas pelo convite. E ficava nervoso com aqueles olhos brilhantes pairando sobre ele.

Stiles balançou a cabeça brevemente, negando. Havia decidido manter os olhos no rosto redondo do loiro, ao invés de duas meias extra longas. Assim não corria o risco de começar a rir e não parar mais.

— Não. — Ele disse. Os olhos esverdeados lhe acompanhavam a cada palavra. O que era um pouco constrangedor. Dava  impressão de que estava despido, como naquela vez. — estou livre, como sempre.

Stiles forçou um sorriso. E foi exatamente o que pareceu.

O rapaz olhou em volta, a varanda, os degraus que levava a trilha e a grama. E fitou o homem, iluminado, acabando por falar antes que ele terminasse de abrir a boca e dissesse algo.

— A, Parrish, que bom que está aqui. Salvou meu dia.

Ele sorriu. E Jordan demorou alguns segundos para se recuperar do choque.

— Salvei?

— Sim, sim. — Insistiu o adolescente. — Eu até te convidaria para entrar, sabe!? Mas eu meio que irei dar uma volta.

Disse, decidido, encarando o outro de forma incisiva. A  pergunta era clara: você vêm?

— Uma volta? — Parrish piscou. Tinha quase certeza de que provavelmente estaria prestes a se meter em uma encrenca.

— Cara... Quer parar de repetir o que eu falo? — Stiles grunhiu. Embora não estivesse chateado de verdade, não com aquela carinha de tonto. — Você vem ou não?

Perguntou já fechando a porta atrás de si e mancando uns três passos para frente. Aqueles degraus eram um problema, mais escorregadios que o da escada. Seu pai contava com aquilo. Ele lhe subestimava.

— Hã... Claro. — o mais velho assentiu em meio a dúvida. — Mas. Pensei que você estivesse de castigo…

Murmurou o loiro. Um pouco animado por o rapaz convidá-lo, quando poderia apenas se desculpar e seguir. Parrish desejou não sorrir tanto.

Já Stiles esboçou um largo sorriso convencido sem se preocupar.

—  Não posso sair de casa. Isso é um fato. — ele falou de forma despreocupada. — mas isso é uma questão de perspectiva. Veja bem, eu considero toda a propriedade como a casa. Uma extensão dela. Ou seja...

— Você achou um jeito de burlar o castigo. — Jordan completou a frase. Se sobrancelhas erguidas. Uma mistura de incredulidade, repreensão e animação pairou sobre seu rosto.

Stiles esboçou um sorriso sem graça. Porém, não menos corajoso. Na verdade só faltava gritar que sim, ele sairia de casa.

— Bem, eu não diria isso. — Stiles coçou o queixo como se pensasse no assunto. — Mas, de qualquer forma, isso fica entre nós.

O Stilinski lançou um olhar duvidoso ao homem, acompanhando de um sorriso brincalhão.

— Não contarei a ninguém. — Jordan assentiu. — sobre a sua grande fuga.

Como que selasse um acordo, fechou um zíper imaginário em sua boca.

Aquilo pareceu satisfazer o Stilinski. Que o chamou com um aceno, para que de aproximasse.

Parrish, prestativo, o ajudou a descer aqueles degraus; apoiando um dos braços em seus ombros. Aparentemente era só aquilo que se opunha a liberdade do rapaz. Jordan o observou mancar, usando a muleta.  E o acompanhou, atento se ele precisaria de ajuda. Ele ainda mancava um pouco, se apoiando na muleta, não tanto quanto da primeira vez que o viu. Fora isso ele estava indo muito bem sozinho.

O loiro estava esperançoso de que Stiles o levasse até a garagem – onde provavelmente estaria o jipe já consertado –, assim esperava, para que pudessem sair. Ou até a viatura, quem sabe?

Mas Stiles o levou pela lateral da casa, seguindo até o quintal.

O gramado se estendia por boa parte. Folhas causas se espalhavam sobre a terra e a grama. Havia uma árvore frondosa e solitária, pendendo do galho mais grossos haviam um par de cordas. Imaginou que algum dia houvera um balanço ali, e um pequeno Stiles se divertia aos berros, até abusando de algumas quedas.

Stiles se aproximou de um banco velho de madeira. Estava próximo a um canteiro, com algumas poucas plantas recheadas de botões. Em cada canto havia um um fino pilar de madeira fincada na terra, conectados por pedaço de madeiras erguidos e amarrados entre eles. Haviam vasos suspensos por cordas: recheados de brotos. Parrish o observou se sentar num banco ao lado. Repousando as muletas do lado do assento, soltando um longo suspiro, esticando as pernas.

Jordan acompanhou sus movimentos, os dedos se remexiam, incluínfo os que estavam emoldurados pelo gesso. O homem acabou por encarar os próprios pés, aquele sapato começava a lhe incomodar, mas o que viu o fez arquejar.

— Mas. Que. Merda.

Ele praguejou pausadamente. Encarando o tecido negro que se desenrolava por suas canelas, até os joelhos. Sua meia. Suas grandes meias sociais. Como diabos fora esquecer de tira-las? A última coisa na qual precisava era estender sua lista de micos. Sua determinação em parar de fazer algumas coisas a pressa não estava surtindo o efeito esperado. Estava saindo pela culatra.

Stiles se remexeu no assento lamentando por ele não ter um encosto, e fitou o homem.

Quando viu o que detinha a atenção do mais velho, encarando as proprias pernas. Acabou deixando uma risadinha escapar. Queria ao menos ter pego seu celular antes de sair.

— Então você não está usando essas meias-calças, hã, propositalmente?

Stiles supôs. E cobriu a boca contento outra risada.

Parrish rapidamente ergueu os olhos. Seu rosto estava contraído em uma careta.

— O que? Não!

Parrish olhou para as próprias pernas. Como se pensasse na ideia. Até gostava de como o tecido era leve e fino, mas só usava por debaixo das calças. E as vezes esquecia que estava usando-as, geralmente em casa. Mas para sair, assim? Não, não mesmo.

— Está bacana. Marca suas panturrilhas. — Stiles falou, usando um tom brincalhão. E os lábios tremendo após a fala , como se a qualquer momento fosse rir e gargalhar. — Gostei.

O castanho falou com convicção. E o loiro engoliu em seco, olhando-o com desconfiança.

— A, desconfiança... Está falando sério? — Seus olhos estavam semicerrados. Fixos naquele sorriso esticado.

— Não né. — Stiles zombou e desatou a rir, mesmo que estivesse num estado em que não poderia pegar no pé de ninguém. — Desculpa mas... — Ele apontou para as pernas do mais velho. — Não posso com isso.

Ele jogou a cabeça para trás, esquecendo-se de que ali não tinha um encosto, e quase caiu.

— Não está tão ruim assim. — Parrish balbuciou. Relutando em de agachar ali mesmo e tira-las

— Não, claro que não. — Concordou o rapaz. Mas ainda era engraçado. — Sério. Tenho um amigo que usa meias assim. Só que são estampadas e bem chamativas. Parecem faróis.

Stiles falou pensativo, sorridente, provavelmente se lembrando do rapaz.

— Humn... — o homem coçou o pulso, inquieto. — E você sempre ri dele?

— Mas é claro, oras. — Afirmou o Stilinski, o sorriso persistia em sua boca. — ainda mais quando ele mesmo faz piadas. Acabei me lembrando. Vendo isso — ele apontou para as pernas.

— humn...

Parrish deu de ombros. Desejando que o assunto morresse ali, estava se sentindo um tonto por ter esquecido de algo tão simples como tirar as meias. Basicamente foi isso o que aconteceu. Ele ousou um passo e relutou um pouco, devido ao silêncio momentâneo que se instalou.

O vento soprava a copa das árvores, se embrenhando pelos galhos como garras, fazendo com que folhas caíssem. Jordan resolveu se aproximar e se sentou ao lado do rapaz. O banco era grande suficiente para caber os dois,  sem que tivessem de se espremer. Pelo canto dos olhos observava o Stilinski, que distraidamente olhava em volta, principalmente para o jardim. O castanho mexia a perna e o braço bom – e os dedos das mãos e dos pés engessados – de forma inquieta. Parecia que a qualquer momento Stiles iria pular dali, sair andando pelo quintal, de um canto a outro, vistoriando o jardim, se hastes que sustentavam  as ripas encruzados como um teto se estavam bem presas. Parrish percebeu que em um dos pilares havia uma planta que de enroscava.

— É... — Stiles pigarreou, assustando-o. — Espero que não esteja chateado.

O rapaz coçou o queixo, como se estivesse sem jeito. Parrish tornou a fixar os olhos em si. Ele não estava, mesmo chateado, apenas contrariado; como quem não percebe a piada primeiro, e só acha a graça depois que passou. Até pensou em dizer, mas ficará mudo, observar era uma de duas qualidades, e as vezes se perdia nisso.

— Queria respirar um pouco de ar fresco, entende!?. — disse o castanho, olhando a terra escuta. — Não é nenhuma fuga emocionante, confesso.

 Stiles gesticulou em direção aos seus membros. Mostrando o motivo óbvio de não sair dali, que não era um simples castigo.

— Não tem problemas. — Disse o homem, tentando tranquilizá-lo por estarem alí - ao invés estarem em outro lugar, quem sabe!? - mas sua voz saíra automático, quase como se não estivesse ali. O que era uma pequena verdade. Agradecia mentalmente por não ter dito nada, segundos antes. Pensando que ele ainda estava falando sobre as meias, mas estava falando do local. Parrish não ligava. Só e estar em um lugar diferente, da sala ou da cozinha, com Stiles já era o suficiente.

O Stilinski esboçou um sorriso sem graça. Tamborilava os dedos na borda do velho banco.

— Eu estou tentando não abusar da paciência do velho. — Ele confessou. E lançou um sorriso para Parrish, que deixava claro que aquela tentativa não era nada. — Isso é o máximo que eu posso fazer, por hora. Um pouco de ar fresco.

Os olhos de Stiles lhe encaravam. Pareciam poças de mel fervente, aquecendo seu rosto. Parrish acabou por assentir. Ainda estava nervoso com aquele ocorrido – a conversa sobre arma, ele puxando Stiles para o seu colo, tornando o tudo ainda mais constrangedor, os amigos de Stiles chegando no momento que ele supôs que o rapaz diria algo importante – estar alí o fazia reviver o momento, deixando tão desconfortável quanto na hora. Percebeu após ficar alguns minutos a sós com ele, a medida que as meias eram um assunto distante.

Parrish olhou inquieto ao redor. Acima de tudo aquele silêncio era incômodo.

— É um belo cant... Jardim?

Ele balbuciou. Não era do tipo que prestava atenção em plantas, mas ali o fizera mais do que a semana inteira. Agora seu nervosismo idiota fazia-o olhar para qualquer coisa que não fosse aqueles olhos.

— A, isso. — Stilinski sorri. — Valeu. É um projeto de verão, passado, para ver se dava alguma cor s esse lugar, além da árvore, e uns arbustos idiotas. E bom para distrair um pouco. Mesmo eu não tendo a boa para o plantio. Mas isso é um pequeno detalhe. E... Nossa, estou fazendo de novo.

O castanho se censurou, colando os lábios um no outro de repente. Era fácil de perder em meio uma frase e outra e acabar por estender o monólogo, as vezes nem se dava conta de que falava tanto

— a, não. Continue a falar.

Parrish conseguiu rir baixinho. Se soslaio, mais uma vez olhou para o jardim. Os brotos esverdeados estavam inchados, como se a qualquer momento fossem explodir em cores variadas. Ele gostava disso.

— engraçadinho.

Stiles o cutucou com o cotovelo. Parrish o fitou de repente, o celular vibrou em seu bolso e ele se lembrou de algo que o deixara curioso. Além do mais, encarando o rapaz, que fazia o mesmo, não sabia o que dizer. Seu conhecimento sobre o mundo vegetal era pífio.

Stiles esboçou um sorriso secreto. Daqueles que deixaria qualquer policial desconfiado caso visse um moleque de bobeira em um beco.

— S-e-g-r-e-d-o. — o rapaz soletrou.

— Suspeito. — Jordan murmurou.

— culpado.

Stiles deu de ombros e Parrish ergueu as sobrancelhas.

— Como?

— Nada. E... — o castanho murmurou. Pensando, se lembrando, ainda se envergonhava. — Me desculpa por, você sabe, aquele dia.

Parrish forçou-se a entender, a ponto de espremer os olhos, mas não demorou muito. A menos era o que pensava.

— Ah, aquilo. Está tudo bem. — disse o homem, coçando a nuca.

— Não quis chamar você de esquisito.

O Stilinski esclareceu. E Jordan agradeceu por isso, embora estivesse um tanto confuso com a palavra.

— Você não me chamou de esquisito. — Falou. E sentiu um bolo de formar em sua garganta. Um bolo espinhento que parecia crescer a cada palavra. A medida que deu rosto esquentava. — Só falou que... Que ficar sentando no meu colo era esquisito.

— Foi é?! — Disse Stiles, pensativo. —  o lance da arma então...

Ele chutou.

— Ah!

O loiro prendeu o ar, instintivamente sua mão pousou na cintura, temendo aquela mão nervosa, felizmente a arma estava no carro. Até havia esquecido dessa parte. Parecia até que seu cérebro havia gravado somente o momento em que o puxara pelo pulso e num piscar de olhos o traseiro do rapaz estava em suas coxas.

— Quantos anos você tem?

Stiles se virou, para encará-lo melhor, mudando de assunto como sempre fazia.

O Stilinski simplesmente não conseguia se decidir, embora achasse estranho vez ou outra pegar-se reparando no policial, e preso aquela questão. Era um homem jovem e bonito, quem negaria? E aquele seu jeitinho... Stiles de conteve, imaginando quando foi repara-lo daquela forma. E no mesmo instante se corrigiu. Ora, desde que o vira atrás de uma mesa, concentrado em um amontoado de papéis. Mas não com essa frequência. Quando o homem lhe puxou e ele acabou naquela cena desconcertante, sentado em seu colo... Aquilo foi bem embaraçoso.

A pergunta obviamente pegou o homem de surpresa. Por um instante sua mente se tornou um branco.

— Hã... Vinte e quatro?

Ele engole em seco. Se perguntando qual seria o motivo daquele assunto, assim, de repente.

Stiles o encarou com uma careta. Se sentia bastante idiota por ter pensado em menos. Ainda mais depois dele ter contado sua história. Era só fazer a contas, a idade mínima para se alistar, o tempo que passou servindo, a dispensa. Ele quis se estapear, mas por fim assentiu.

— Vinte e quatro… — Repetiu pensativo. Lançava um olhar avaliativo a Parrish, que ficara inquieto. — Não é tão velho, então pare de agir como um. “Não é um brinquedo

Stiles repetiu a frase do outro. Tentando imitar sua voz, o que não deu muito certo.

Parrish sorri em descrença. Balançando a cabeça e se entregando ao riso.

— Não é questão de ser velho, Stiles. — Disse ele. — E sim de ser responsável.

— Ui, senhor responsável. — Stiles ergueu o braço, como se estivesse se rendendo. Aquilo pareceu animar o homem, que arreganhou os dentes. — Então da próxima vez que tal deixar a arma travada, hum?

O sorriso sumiu do rosto de Parrish, assim como a cor. Ele se sobressaltou, tateando o corpo, mais uma vez se esquecendo de que ela não estava alí.

— Como... Isso não é possível. — Ele murmurou um pouco atônito.

Stiles deu de ombros. Um tanto despreocupado.

— É... Não adianta tentar verificar agora, já passou.

Parrish franziu o cenho. Não queria chamar o rapaz de mentiroso. Ou ele está a apenas lhe zoando?

— Stiles...

— É, pois é. E eu não agradeci direito. Mas obrigado. Por não me deixar morrer de fome. E pela companhia.

Stiles riu com humor. Tomando a mão do homem, que repousava no banco na sua, a apertando. Parrish nem pareceu notar o contato, ele sorriu nervosamente. Um dos olhos tremia, como se estivesse tendo um tic nervoso.

— você tem que parar de mudar de assunto com tanta frequência. Isso me deixa perdido.

Falou, os olhos vidrados, como se ainda decidisse sobre qual conversa manter. A mão do rapaz ainda está a sobre a sua, percebeu que a Havia apertado, seu peito passou a dar solavancos. O tempo a sua volta parecia se tornado fluido. Os lábios de Stiles se moviam, e uma risada gostosa ecoou, como de ele se divertisse com seu pedido. A mão desprendeu-se como se estivesse em câmera lenta, deixando apenas um resquício de calor.

Ele decidiu arriscar.

— naquele dia. — Engoliu em seco. A ponta dos seus dedos ainda formigavam quando ele cruzou os braços rente ao peito. — Quando seus amigos chegaram, você estava prestes a dizer algo.

Seus olhos de moviam vez ou outra, tentando a desviar sua atenção do rapaz para um ponto qualquer do quintal. Queria poder controlar aquele frio na barriga. Era ridículo.

As sobrancelhas de Stiles de ergueram e franziram-se, enrugando a região acima do nariz. Ele piscou algumas vezes e espremeu os olhos como se fosse expelir a lembrança.

— Eu, hã... Nã. — Stiles hesitou. Tentando focar na situação, nos acontecimentos e no que se passava em sua cabeça. Era um pouco difícil depois de alguns dias. — A... Sim. Não precisa se desculpar.

Foi a vez de Parrish franzir o cenho.

— Não estou me desculpando. Só...

— Não. Você estava se desculpando por me puxar. Eu ia dizer não precisa se desculpar.  Mas meus amigos chegaram.

Explicou o rapaz. E por alguns segundos não pôde decifrar a expressão do outro.

— Oh...

Exclamou o homem. Remexendo os dedos na lateral do seu torso, sobre o tecido da camisa. Dessa vez temia não ter conseguido disfarçar sua decepção.

Stiles o observava com atenção, devido ao silêncio alheio. Ficou tentado a mudar de assunto outra vez. Já que aparentemente o loiro esperava mais.

— Que viatura é aquela? — Ele Indagou. Fitava a grama, os próprios pés e os sapatos do loiro, as meias que marcavam suas panturrilhas grossas. Não queria fitar sua expressão decepcionada.

— É minha. — Parrish falou distraidamente. Acompanhava o olhar de soslaio do Stilinski, acabando por remexer as pernas. — Quero dizer, do condado... Ah, você entendeu.

Stiles o encarou subitamente. Como de a expressão não o perturbasse mais.

— Não me diz que... Você está em campo..

Em meio a tudo. Parrish conseguiu esboçar um sorriso.

— sim senhor. A três dias. Não tive tempo de avisar.

— Meu parabéns.

Stiles lançou o braço bom pra cima dos ombros do homem, abraçando-o de lado e lhe dando tapinhas. O ato pegou o policial de surpresa, mas que relaxou logo em seguida. Tão rápido quanto a mão soltará a sua, o peso do braço sumiu de seus ombros.

— Quem é o seu parceira? — Perguntou Stiles, cuirioso. Um pouco aliviado pelo clima ter se tornado mais ameno. — ou parceiro.

Nao tinha percebido, até sentir o cotovelo de Jordan em duas costelas, mas havia de aproximado um pouco mais do outro. Tornando o vão entre eles quase inexistente.

— Valérie Clark. Transferida de Devenford Prep.

Disse-lhe Jordan. E Stiles meneou positivamente.

— Não a conheço ainda. — Murmurou o castanho. Geralmente já teria conhecido, se ainda estivesse levando as refeições de seu pai.

— Qualquer dia eu apresento vocês. — Propôs o homem, incerto.

— É. Pode ser.

Murmurou o rapaz.

Jordan fitou o céu, se estapeando mentalmente. As nuvens começavam a se tornar escuras, em parte delas as últimas luzes lançava cores vivas sobre elas, verde, laranja e rosa . Ele resolveu ficar alguns minutos a mais. O sol se punha ao longe e aquilo não o incomodou. Mais alguns minutos, ele pensou, antes dele resolver entrar.

 

— Você pode jantar aqui...

Stiles balbuciou. Pelo canto dos olhos o observava. Sabia que daquela vez seu pai não chegaria tão cedo como fazia, mas não sabia se ele aceitaria. Jordan o fitou, não sem saber se aquilo era mesmo uma pergunta ou um convite, sem saber o que resolver.

 


Notas Finais


tchau, até a próxima


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