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História Sweetie Little Jean - Capítulo 9


Escrita por:


Notas do Autor


Oi! Faz um tempo, bros. Eu terminei esse capitulo em três dias. Quarentena é quarentena, né?

E estamos na reta final, poxa. Foi tão gostoso escrever essa história, só de pensar que no próximo capítulo já acaba tudo... Pois é, amigos, tudo que é bom tem um fim. Mesmo assim, peço que deixem um comentario nesse capítulo. É muito, muito importante, e leva no máximo 05s, viu? Qualquer crítica é bem-vinda, e vocês podem sempre me chamar no twitter (@soosaturn) se perceberem alguma coisa, viu?

Boa leitura E MAIS UMA COISA! Tomem cuidado com esse cap. Pode conter algumas cenas pesadas e eu não quero que sirva de gatilho pra ninguém :(

Capítulo 9 - I'm sorry love for all the damage done


 Sweetie Little Jean 

Capítulo 9



I pushed and I pulled 'til I pushed you aside

Now all that is left are the tears that you cried

I'm sorry love for all of the damage done





Estava chovendo. Apesar do clima estar frio, as nuvens nubladas e as árvores peladas como sempre estiveram naquele inverno longo e rigoroso, Baekhyun agradecia por não estar gelado o suficiente para a  neve se formar. Estavam prestes a entrar na primavera, e as temperaturas aos poucos estavam aumentando. Sua mão estava molhada, e enquanto segurava o guarda-chuva, Chanyeol estava de joelhos, em frente à lápide da avó. Ele não disse nada, nem mesmo no caminho até lá. Baekhyun não tentou forçá-lo. Talvez devesse dizer alguma coisa para deixar o ambiente menos desconfortável, certo? Merda. Não sabia como agir naquela situação.

O funeral de Eun Woo fora totalmente diferente. Não teve lápide, porque não aguentou ficar lá até o momento em que ele fora enterrado. Lembrou-se de quando tentou dizer algumas palavras para quem estava presente — o ex não era muito adorado dentre a família, então não muita gente — e acabou soltando várias lamúrias misturadas com engasgos nas próprias lágrimas. Tinha certeza de que ninguém entendeu nada do que estava lendo naquele papel, escrito em uma letra desengonçada de quem passou a noite em claro. Nem mesmo o ex, caso houvesse alguma forma de ele o ouvir. Mesmo assim, ainda lembrava de cada sílaba, e tinha o bilhete guardado. Iria repetir assim que tivesse a chance, e dessa vez, ele entenderia, mesmo que não estivesse vivo para escutar.

— Tudo bem? — indagou, ajoelhando-se ao lado dele. Chanyeol suspirou.

— É. Tudo bem. ‘Tá tudo se arrumando aos poucos, sabe? — disse, ainda que com lágrimas nos cantos dos olhos. — Eu perdi tanto em tão pouco tempo, Baekhyun.

— Eu sei. 

— Estou tentando ser positivo, agora. — Se levantou, limpando a terra molhada dos joelhos. — Eu ganhei muito também!

Baekhyun riu do quanto aquilo parecia ser forçado. 

— Ah, é? E o que você ganhou? — Chanyeol se aproximou e posicionou sua mão em cima da de Baekhyun, segurando o guarda-chuva junto a ele.

— Não dificulta. Eu disse que estava tentando. — Ele riu. 

Mesmo assim, o Park respondeu mentalmente, enquanto caminhavam até a saída daquele cemitério. Afinal, bem que já sabia a resposta: Família. 

                                [...]

No mês que havia se passado desde o dia do hospital, Chanyeol desafiou a si mesmo. Como sempre, não hesitou antes de enfrentar seus medos de frente. Sozinho, enquanto Baekhyun trabalhava, ele foi à igreja com Minseok. Para alguns, era um ato cotidiano, sem importância, talvez até soasse desgostoso para aqueles que tinham asco de atividades religiosas. Mas ir até aquele lugar, após tanto ouvir que não era bem-vindo, era um passo a ser tomado, e sentia que o precisava fazer.

— Tem certeza? — O amigo perguntou, com uma mão reconfortante em seu ombro e um semblante incerto sobre aquilo. 

Chanyeol sorriu, de leve, apenas para acalmá-lo. 

— Tenho, Seok. Não precisa se preocupar, tudo bem? — Engoliu em seco, voltando a olhar sério para a portaria. — Acho que nunca estive neste lugar por vontade própria antes...

O Kim agarrou-lhe pelo braço e grudou em si. Era óbvio que o amigo não gostava de estar naquele âmbito, e seu desconforto não passava despercebido pelo Park. Os dois caminharam daquela forma até a entrada, onde o padre já começava a se posicionar no palco. Era uma construção grande, com muitos bancos e uma cruz de madeira na parede. 

— Boa noite! — exclamou o homem de cabelo grisalho, um microfone em uma das mãos e uma Bíblia na outra. Um coro de vozes lhe respondeu. 

Sentada em um dos bancos, longe do palco e da vista de todos, estava Young-mi. A mulher tinha os cabelos presos em um coque, os fios estavam anormalmente brancos, e ela não parecia se importar com a fala do padre. Estava de cabeça baixa, escondida.

— Sua mãe não fica lá na frente? — Minseok sussurrou, assim que ambos se sentaram na fileira contrária a de sua progenitora. 

— Normalmente, sim. Ela deve estar com vergonha — constatou.

— Vergonha? De quê?

— De mim. 

A conversa então terminou. Minseok não disse mais nada, e Chanyeol também não fez questão de deixar o silêncio menos desconfortável. Estava ocupado demais encarando as ações que sua mãe fazia, de longe, onde ela não conseguia vê-lo. Após alguns minutos, voltou a prestar atenção no padre.

Minseok estava estático, e se perguntava mil e uma vezes sobre o que Chanyeol estava pensando quando se ajoelhou e uniu as duas mãos com os olhos fechados. Ele estava rezando? Mas por quê? Para quem? 

— Pro meu pai. E para minha avó. — Como se lendo seus pensamentos, ele falou, em voz alta.

Minseok ajoelhou também, apesar de não acreditar em Deus. Sentiu que o amigo precisava de si para fazer aquilo e, então, abdicou momentaneamente de suas próprias crenças. 

— Eu também. Pra você, pra minha mãe, pro Baekhyun, pro Sehun… — continuou, fazendo sua própria prece. Chanyeol respirou fundo, segurando a vontade de abraçá-lo. 

Sentiu uma presença se aproximar e se ajoelhar ao seu lado. Pelos fios brancos desajustados e a camiseta preta alargada, sabia que era sua mãe somente de observá-la de canto de olho. Ela não falou nada, e Chanyeol também não abriu a boca para pronunciar outra coisa senão a oração ao terminar a prece. Foi somente quando observou o chão se molhar com as lágrimas da mulher que decidiu tomar uma atitude. Se iria se arrepender ou não, não havia como saber e honestamente? Ele já não poderia se importar menos. Pior não poderia ficar.

Esticou um dos braços para envolvê-la contra si, e acanhou seu choro com o próprio dorso. 

Era alguém muito empático. Talvez isso viesse a ser sua ruína.

— Chanyeol? Já acabou… — Minseok parou de falar ao notar Young-mi nos braços do filho. Engoliu em seco. — Vou esperar na saída. 

Chanyeol ofegou. Um milhão de sentimentos entalados em sua garganta. Ainda tinha o que dizer, o que gritar, mas não o fez. Apertou-a com mais força, e o gesto fora o suficiente para que sua mãe entendesse o que queria expressar. Apesar de ainda não estar pronto para perdoá-la, não queria que Young-mi sofresse tanto o quanto sofreu quando ela o abandonou. Sabia muito bem a sensação de ser profundamente decepcionado por alguém que amava e não desejava tal coisa para quem quer que fosse. Talvez fosse bonzinho demais ao pensar daquela forma, mas não queria mudar esse traço de personalidade, afinal, se Baekhyun não tivesse sido empático e bonzinho demais consigo, há meses atrás, não teria onde morar.

— Ele pediu pelo divórcio, Deus, o que vou fazer? — murmurou, ainda contra sua blusa. O garoto engoliu em seco. — Dá pra acreditar, Chanyeol? Que seu pai me abandonou, mesmo que… mesmo que o Senhor tenha nos destinado?

Engoliu as palavras afiadas em sua garganta. Não era o momento para despejar aquilo. 

— Não posso viver sem ele. Ele tem minha tatuagem, Yeol… — Cobriu o rosto com a palma das mãos. — Oh, Deus, não deveríamos acabar assim.

Mordeu o lábio inferior, e puxou os braços com tamanha força que ela fora obrigada a largá-lo. 

— E você acha que eu não entendo? — suspirou. Ela novamente soluçou.

— É diferente. Você acabou de conhecê-lo.

— Já faz meses. Nós moramos juntos. — O tom de voz mudou, e Chanyeol levantou o olhar. Seu semblante passava um desafio silencioso. Não estava feliz por ver a mulher daquela forma deplorável, mas uma pequena parte de si acreditava que ela merecia a dor que estava recebendo. — Ele tem a minha tatuagem. Dói só em pensar em não vê-lo mais. 

Não pensou no que estava dizendo. Não queria desistir antes de as palavras tomarem som, antes de ela poder escutá-lo.

— Quer saber o que aconteceu depois que Baekhyun abriu a porta dele pra mim?

Esperou ela o interromper, como sempre fazia, mas Young-mi continuava de cabeça baixa, o rosto coberto pelas mãos, e os dois ainda estavam de joelhos. O coração do Park batia rápido e doloroso contra o peito, as palavras sendo movidas pela emoção do que há muito tempo queria dizer, e agora tinha a chance. Cada sílaba parecia pesar uma tonelada. Estava lá. Era só falar, e terminar aquele capítulo de sua história, quem sabe. Era a vez dele de falar, e ela reconheceu isso pela primeira vez.

— Não precisa se preocupar. Não vou te contar sobre a perda de peso, as noites em claro, e o choro que vinha em momentos aleatórios do meu dia. — A voz estava embargada, e ela finalmente levantou o olhar para encará-lo, surpresa.

Talvez nem mesmo Baekhyun soubesse sobre a perda de peso que havia tido. Noites e noites em que a angústia dominou o estômago. Não conseguia comer, porque acreditava que sua mãe o odiava.

— Chanyeol… — Young-mi tentou levar uma mão a seu rosto, porém, antes que pudesse alcançá-lo com a falange de seus dedos, o homem a afastou e interrompeu sua fala.

— Não! Eu quero falar. 

Várias pessoas estavam saindo da igreja, e encaravam de soslaio a cena que se passava naquele canto empoeirado. Mesmo assim, uma bolha se fechava ao redor daqueles dois. Chanyeol estava tão cansado de engolir as próprias palavras, que nada mais parecia importar.

— Sabe, nesses meses que passei na casa do Baekhyun, tive muito tempo para pensar. — Fungou o nariz, e ajeitou os óculos recém-comprados no rosto. — Eu acabei… descobrindo muita coisa. Sobre mim mesmo. 

Ela suspirou, e mais lágrimas desceram em seu rosto.

— Eu não sou ingênuo, mãe. E nem fraco. Consegui lidar com a saudade da minha irmã, o fato de que não pude nem mesmo ver minha avó antes de ela morrer, e todo o resto que veio junto. — Mordeu o lábio inferior, e as mãos apertaram o tecido da calça jeans. Apesar de toda a emoção presente no que dizia, não se permitiu chorar.

— Yeol… — Soluçou.


— Vocês destruíram minha vida. Tudo que eu conhecia. Fui obrigado a reconstruir tudo o que achava saber do zero. Não tente tirar isso de mim de novo, não vou ceder. Foi… foi muito, muito difícil, e agora, tenho pessoas a quem confio o suficiente para não ter medo de viver minha vida. Não se preocupe comigo. Não reze por mim. Vou ficar bem sem você e qualquer prece que você possa pôr meu nome.

Ela ficou estática por um momento, até desabar em um choro descontrolado. Então, a mulher envolveu os braços em seu pescoço, e se aproximou até o nariz tocar-lhe a pele, em um abraço que o lembrou do dia de sua formatura, quando as estrelas brilhavam intensamente no céu escuro. E pensar que, um dia, Chanyeol já sentiu como se não fosse conseguir jamais ter uma vida de valor sem os pais consigo...

— Desculpa, desculpa, desculpa — repetiu, em um sussurro choroso. Os braços do Park ainda estavam largados ao lado do corpo, e ele não retribuiu o contato imediatamente. Demorou até decidir o que fazer.

Chanyeol devolveu o abraço, mas estava incerto. Não confiava na pessoa a quem estava abraçando, e o sentimento era tão ruim quanto o esperado. Conhecia a mãe o suficiente para saber que a única razão para esta desejar seu perdão era o medo de terminar sozinha.

No final daquele dia, não conseguiu dormir. Estava deitado na cama de Baekhyun, com ele ao seu lado. Encarava o teto e sentia um bolo se formar em sua garganta, um sentimento ruim que não conseguia descrever, uma ansiedade crescente que não lhe deixava em paz. Parecia que precisava fazer alguma coisa logo. Que precisava tomar essa atitude, mas não entendia o que seu corpo gritava.

— Não consegue dormir? — Ele sussurrou. Chanyeol negou e virou o rosto na direção do dele.

— Não consegui falar tudo o que queria para ela — suspirou. Baekhyun sabia o que ele queria dizer com aquela simples frase. Detalhes como este faziam o Park se apaixonar mais um pouquinho.

O Byun se aproximou, passou um dos braços por baixo de sua cabeça, e deu um beijo em sua bochecha.


— Hoje você descansa, tá? — Falou, a voz sonolenta no ouvido do Park. — E amanhã é só tentar de novo.

Chanyeol sentiu um sorrisinho se formar no canto de seus lábios, junto com um alívio momentâneo que se permitiu ter. Se questionou se era estranho que se importasse tanto com contatos singelos, tal como um beijo na testa, ou na bochecha.

Bem, talvez não fosse o toque que valesse tanto. Talvez fosse apenas Baekhyun.


[...]


O último mês havia sido de pura mudança. E não do tipo ruim que Chanyeol estava acostumado, essa foi — ao contrário das últimas —  bem-vinda e profundamente ansiada por ambos Byun e Park. Kyungsoo havia dado uma ótima notícia, a de que havia conseguido um trampo em outra cidade, e iria deixar a empresa para se dedicar inteiramente a fotografar e a editar logos. Bem, apesar de terem ficado relutantes no começo, era óbvio o quanto o Do estava feliz, e aquilo, por consequência, fez com que os amigos sentissem o mesmo.

Era estranho para Baekhyun trabalhar sem Kyungsoo por perto. Após as quatro semanas e meia, havia voltado a rotina que era trabalhar em uma administração bem mais restritiva e com olhos constantemente contando seus erros. Nada agradável, mas havia se acostumado, como era de se esperar. Além daquilo, também tinha a simpática companhia de Junmyeon de volta ao trabalho. Dessa vez, como seu superior, e não ao contrário. Frequentemente avistava Yeo-Jeong na empresa, com o filho dos dois no colo, vestido normalmente em macacões azuis ou enrolado em cobertores da mesma cor — afinal, estavam no início da primavera, e o ar frio, apesar de menos denso, continuava lá.

Chanyeol era a razão de o estresse ainda não ter dominado o Byun. Passava os finais de semana assistindo as ‘reprises’ dos jogos de futebol que perdeu durante as noites que passou fora de casa, enquanto fazia horas extras para conseguir pagar as contas. O salário do Park ajudava, mas não era nem de longe o suficiente. E mesmo assim, conseguiram economizar o suficiente para adquirir um par de óculos novos para Chanyeol, e por mais que este tenha considerado vender a câmera que Baekhyun lhe deu para ajudá-lo, o homem não fez questão de nem mesmo pensar sobre aquilo. A resposta era sempre não. Não iriam vendê-la, nem mesmo era cogitado.

— Mas por quê? É cara, dá para dar uma boa de uma ajudada! — bravejou, irritado. — Nós dois estamos trabalhando demais, caramba, Baekhyun, isso não é tão importante…

— É claro que é! — grunhiu, ambas as mãos enroladas nos próprios fios escuros. 

— Deus, caramba, você está sendo tão… — Parou quando ele se levantou do sofá abruptamente, e lhe puxou pela mão até o quarto no fim do corredor, onde o estúdio estava trancado, como sempre.

— Vou te mostrar, então. — Puxou o molho de chaves do bolso da calça, e não pensou duas vezes antes de destrancar a porta. Chanyeol engoliu em seco.

— Baekhyun, não precisa… — Tentou pará-lo. Não queria que o Byun decidisse nada por pura fúria consigo. — É sério. Não faça isso.

Ele girou a maçaneta.

— Entra, Chanyeol. — Hesitou. — Mas que porra! Para com isso e só… só entra aí. Por favor. Antes que eu desista, tá?

Engoliu em seco, e fez o que lhe foi pedido.

Os olhos rapidamente analisaram o quarto: branco, como o resto do apartamento, e uma escrivaninha com três gavetas achava-se no centro. Era pequeno, e nada do que esperava. Apesar das estantes lotadas de livros — escapavam por entre os lados e pareciam nada organizados —, o notebook dele, que já havia visto em outras ocasiões, e as fotografias com a mãe largadas pelo chão, não fora nada disso que lhe captou a atenção, mas sim o jeito estranhamente desleixado que aquele quarto tinha para alguém como o Byun.

Ele suspirou pela centésima vez naquele dia, e se aproximou da escrivaninha. Lá, abriu uma das gavetas e puxou várias “tralhas” de dentro. Dois porta retratos, documentos e… dinheiro?

— É o que sobrou das economias que usei para comprar sua câmera. — Ergueu as notas, e as entregou para o Park. — Ainda é muito, porque venho salvando para… me tornar um CEO. É meu sonho. 

Chanyeol pegou aquele dinheiro em sua mão. De fato, era uma boa quantia, significativa. Se perguntou o porquê de ele não o manter em um banco, mas simplesmente não conseguiu diante àquelas palavras. Caramba. Baekhyun havia gastado tanto dinheiro…

— Mas por quê? — suspirou, as notas pesando em sua palma.

— Tinha muito mais. Junto esse dinheiro desde que cheguei a Seul, mas acabei gastando com os fundos da ONG, com outras pessoas que me imploravam ajuda. — Ele tinha o olhar perdido no piso do cômodo. — E com você. 

A boca do Park ficou seca. O nervosismo aumentou, e um gosto amargo prendeu-se sob sua língua. Se sentia tão, tão culpado. Sabia que a câmera havia sido cara, mas que Baekhyun havia usufruído de uma quantia tão importante para ele próprio, somente por sua presença? Jamais sonhou com isso. Imaginou que ele ganhava bem o suficiente para parcelar o pagamento. Caramba. Agora, mais do que nunca, experimentava a sensação de ser um estorvo, um peso morto na vida do Byun. Estava atrapalhando.

— Antes que diga alguma coisa, eu sei o quanto você odeia falar sobre isso. — Se aproximou, até tocar os ombros do Park, atraindo a atenção deste, que ainda encarava as cédulas. — Eu queria ser chefe. Não importava de quê. Só queria administrar algo grande e ter isso. Juntei esse dinheiro por muito tempo e evitei usá-lo, Yeol, mas…

Mordeu o lábio inferior, e hesitou antes de continuar.

— Meu sonho vai demorar a se tornar realidade, e quem sabe nem venha a acontecer. — Sorriu, mas a tristeza em suas palavras era óbvia. — Então, que eu possa te ajudar a realizar o seu. Gosto de te ver correndo atrás do que você quer. O dinheiro que gastei nessa merda de presente é só um preço a se pagar para que, bem, lembra daquela vez que eu fui feito de modelo em um parque de diversões?

Chanyeol estava estático. Parado, somente tentando entender e digerir tudo aquilo.

 Quero que aquilo se repita. Um milhão de vezes. Vale a pena. — Sorriu. — Então não ouse vender essa merda e foque em realizar esse sonho seu. A minha vez vai chegar, também.

Baekhyun deslizou as mãos até segurar as de Chanyeol, e apertou os dedos dele até passar alguma segurança. Os ombros do Park relaxaram, e uma parte daquela dúvida se esvaiu por um segundo. Seria apenas a insegurança dando voz em sua cabeça, mais uma vez? Bem, não iria pensar sobre. O Byun havia feito uma escolha ao atrasar seu próprio sonho para ajudar Chanyeol a realizar o dele. Respeitava isso, e o coração bateu mais forte quando ele lhe abraçou, e sentou-se na cadeira de frente à escrivaninha para mostrar-lhe o que mais havia dentro das gavetas. Encontrou fotos de Eun Woo, imagens antigas do Byun na adolescência, e alguns documentos, recortes de matérias que falavam sobre ele no jornal. O brilho em seu olhar era óbvio enquanto admirava o outro falar com tanta animação sobre o contexto de cada um daqueles objetos que guardava com tanto afinco.

Não ousou tocar no assunto de vender o presente novamente. Dali em diante, a câmera se tornaria seu bem mais precioso.


[...]


Há meses atrás, Chanyeol havia se inscrito em um concurso de fotografia. O resultado havia acabado de sair, e como o esperado, ele não passou. Ficou na lista de espera. Se tivesse conseguido, o prêmio em dinheiro poderia ter ajudado a pagar as contas de casa, e quem sabe conseguisse assistir a algum jogo ao vivo com Baekhyun. Porém, não foi aquilo que lhe deixou cabisbaixo, mas sim o fato de que havia acabado de perder uma oportunidade incrível: a de trabalhar temporariamente em outro país. Seria uma experiência de se invejar, com certeza.

Suspirou, cabisbaixo. O único que sabia sobre o concurso era Kyungsoo. Não havia mencionado nada para Baekhyun, e parte de si sabia que era como um segredo. Estava propositalmente escondendo aquilo dele, e nem mesmo sabia o porquê de ter escolhido não compartilhar tal coisa com o Byun. Bem, não era importante agora, mas ainda precisava ligar para Kyungsoo para avisá-lo. E foi isso que fez. Ao contrário do que esperava, ele lhe instigou a continuar mandando portfólios para outras empresas; talvez, em algum momento, fosse chamado. Tentar era importante, ele escreveu.

— O que foi? — Baekhyun perguntou ao se sentar no sofá, ao seu lado. Ele ainda tinha as roupas sociais no corpo, uma vez que havia acabado de chegar do expediente. 

— Ah, bem — Apertou o telefone entre os dedos. Não era segredo que havia se inscrito em um concurso, mas por alguma razão, evitou contar sobre isso para o Byun. — Eu meio que me inscrevi em uma… uma competição de fotografia, e não ganhei nada. Fiquei na lista de espera. Não achei que fosse passar, mas ainda é chato.

Baekhyun estava tirando os sapatos. Ele grunhiu, sem prestar tanta atenção no que era dito pelo outro, enquanto puxava a meia. Estava cansado demais para questioná-lo sobre aquilo. A mente viajava para outro lugar conforme as palavras de Chanyeol entravam por um ouvido e saíam pelo outro.

— Eu acho que esqueci de comprar o coentro ‘pra janta, né? — Não esperou o Park responder, e já estava arrastando este último até o térreo para o acompanhar até o mercadinho.

— Você ouviu o que eu disse? — indagou o Park, conforme esperavam o elevador.

Chanyeol estava estressado. Um dos motivos para ter considerado vender a câmera era aquele: Baekhyun não falava consigo direito. Ele chegava do trabalho mais ou menos no mesmo horário que si, tirava os sapatos, cozinhava o jantar totalmente em silêncio — ou reclamando de dores nas costas — e ia pra cama. Estavam dividindo o quarto desde a semana passada, pois o Byun achou que seria uma boa forma de economizar energia. Basicamente, coexistiam naquele apartamento por poucas horas, e ainda evitavam falar um com o outro. Aquilo estava lhe dando nos nervos, porque não queria só beijá-lo vez ou outra e assistir jogos de futebol marcados aos finais de semana. Apesar de tudo, Baekhyun também era seu melhor amigo, e queria mais do que apenas mãos abusadas viajando na sua cintura para cima, uma língua contra a sua e fios sendo puxados depois da meia-noite. Para ele, parecia ser o suficiente, mas Chanyeol não gostava nada de se sentir solitário daquela forma.

Estavam apenas os dois e uma senhorinha que morava no apartamento da frente no elevador. Não tentava esconder sua frustração ao ser ignorado. Também voltava cansado, porra. Servia bebidas para gente grossa o dia todo, e várias foram as vezes que quase apanhou no bar, mas evitava trazer o mal humor pra casa. 

— Eu ouvi! Concurso, né? — respondeu, mas estava com a cabeça apoiada no ferro do elevador e os olhos fechados. Chanyeol revirou os olhos e se controlou para não dar um peteleco na testa dele, somente por respeito a presença da velhinha.

Quando ela saiu, porém, deu um tapa bem dado no braço daquele desgraçado. O som foi tão alto que se perguntou se a senhora havia escutado, uma vez que as portas tinham acabado de se fechar.

— Porra, Chanyeol, que foi? Eu tô prestando atenção! — grunhiu, tentando amenizar a vermelhidão.

Tsc. — Estalou a língua no céu da boca.

O Park saiu andando na frente, assim que o elevador parou. Já sabia de cor o caminho para o mercadinho ao lado do apartamento, de tantas vezes que foi lá comprar coentro com o Byun. Este reclamou durante todo o curto percurso que eram obrigados a fazer na rua, dizendo que não, não havia feito nada demais! Quem deu gelo em Chanyeol? Definitivamente não tinha sido ele. Cada uma, viu…

Quando de fato puseram o pé dentro do estabelecimento, Baekhyun se arrependeu um pouquinho de ter refutado. Para o bem da verdade, também sentia que estavam se afastando. As horas não batiam, e só tinham o final de semana para passarem juntos. O pouco tempo que de fato passavam juntos, era antes de dormir e comer. Era provável que andasse sendo um morto-vivo na cozinha, totalmente dominado pelo sono. 

Merda. Agora tinha que pedir desculpas antes que aquilo se estendesse demais. Afinal, acabou descobrindo que, se tinha uma coisa que Chanyeol sabia fazer, era guardar rancor. 

Ele estava com um saco de coentro moído na mão quando o abraçou por trás. O corredor estava vazio devido ao horário, para a sorte dos dois. Chanyeol ainda era muito estressado com a possibilidade de sofrerem ao demonstrarem afeto em público. 

— Não te escolheram, né? — Ele bufou, e lhe empurrou com o cotovelo. — Ah, moleque, desculpa…

E até tentou manter a pose e dar um gelo no Byun da mesma forma que ele havia feito consigo, mas depois da decepção que tivera mais cedo, bem que andava precisando de um carinho, né? Pra recuperar as energias, pô, e bem que estava com tanto sono… merda. Baekhyun sabia como desarmá-lo, caramba, lhe pegou em um momento em que não tinha como nadar contra a maré.

 Resmungou. O outro voltou a o abraçar por trás, dessa vez, com o queixo em seu ombro. Chanyeol ajeitou o óculos no rosto, e relaxou os músculos antes tensos.

— Eu realmente queria ganhar. Imagina só, Baekhyun! Trabalhar na Itália, morar lá por meses… — Fechou os olhos, perdido na própria imaginação.

Baekhyun sorriu e franziu a testa.

— E iria me deixar aqui? — O Park se virou na direção dele, um sorriso arteiro nos lábios. Baekhyun prendeu as mãos em sua cintura, e colou os corpos.

— Ah, sem hesitar, Baek — riu, e o outro lhe encarou com aquela clássica cara de taxo.

Em meio segundo, o Byun soltou uma das mãos de seu dorso e embrenhou os dedos calejados em seus cabelos, puxando sua cabeça para perto até que a mínima distância entre os dois fosse quebrada. No processo, colou a boca à sua e sorriu de um jeito que Chanyeol se lembraria por anos e anos. O sorriso de Baekhyun enquanto o beijava era o mais bonito.

Foi a primeira vez que o beijou em público. Em um mercadinho 24h, na prateleira que vendia coentro. Não poderia ser mais esperado.

O que não foi esperado, no entanto, foi o que ele disse em seguida.

— Eu te amo — declarou, as testas ainda coladas e os lábios tão próximos que conseguia sentir a respiração ofegante dele. 

Chanyeol arregalou os olhos.

— Você realmente… disse isso? — Engoliu em seco.

— Ahm… — Pigarreou. — O coentro? 

Era uma piadinha, ele sabia, mas Chanyeol não riu.

— Eu também. — Ofegou, selando os lábios nos dele minimamente. Baekhyun deixou a feição apreensiva de lado, e segurou seus cabelos com ainda mais firmeza.

— De verdade? — Inseguro, ele indagou.

— Acho que sim. De verdade.

Chanyeol sorriu, aliviado. Então, se desgrudaram, cientes de que qualquer um poderia ter presenciado aquela cena, mas não se importavam. Por que importaria? Ah, caramba, aquele mês estava sendo tão, tão bom! Tinha tudo para ser perfeito. Mas não foi.

— Baekhyun? — Chanyeol chamou, atrás dele, no caixa. Estavam de mãos dadas.

— Hm? 

— Você não tem mais… você sabe, aquele medo de que eu vá te deixar. Aquilo que você disse para o meu pai. 

Ele suspirou, mas não estava tenso. Toda sua linguagem corporal fluía em felicidade, e o cansaço havia se esvaído totalmente. Mal se lembraria dele, se não fosse pelas dores no corpo.

— Vale a pena correr o risco. 


[...]


Yoora havia mandado mensagem para Chanyeol, mais cedo naquele dia. Já não ouvia da irmã fazia um bom tempo, e não ia mentir, sentia falta dela. Aparentemente, o pai havia a presenteado de surpresa com um celular novo, e agora o Park tinha a chance de fazer vídeo-chamadas. Conversavam por horas, como nunca antes. O irmão contou tudo para ela; sobre o beijo, as fotos, o concurso que falhou, como enfrentou o pai… Tudo, até as coisas que ela talvez já soubesse. Não poupou detalhes, e também escutou sobre a rotina diária da irmã. Ela só receberia a tatuagem em novembro, e sempre reforçava que Chanyeol definitivamente precisava estar lá, e Baekhyun também. Sorriu quando se deu conta de que ela realmente fazia questão de sua presença. 

Não fora a única boa notícia. O mês estava sendo tão bom que tomou finalmente coragem para guardar uma parte do salário que ganhava do pai de Minseok, escondido de Baekhyun, é claro. Com o dinheiro extra, pretendia ir até o centro e comprar duas alianças bem baratinhas, porque a grana era curta, apenas pelo simbolismo mesmo. Chegou a tentar escrever um poema, mas não era lá tão bom com isso, e acabou se contentando com as alianças e uma florzinha que a vizinha lhe dera quando contou sobre o pedido de namoro. Caramba. Mal conseguia acreditar em como estava sendo corajoso, nos últimos dias. Há três semanas, havia ido até a igreja, e conversado com sua mãe. Não falou tudo para ela e estava longe de perdoá-la, mas caramba! O Chanyeol do ano passado jamais teria gritado com a mãe, jamais. Também havia ido até à lápide da avó, dito “eu te amo” para Baekhyun… o tempo realmente era algo curioso.

O que ele não sabia, porém, era que o olhar curioso de Junmyeon, que lhe avistou comprando as alianças lá no centro, lhe deduraria para o Byun.

— Tem certeza que era o Chanyeol? — Baekhyun perguntou, momentaneamente esquecendo a pilha de trabalho que tinha para fazer. 

— Era, Byun. Tô te falando.

Ele bebericava uma xícara de café, e tinha o antebraço apoiado em sua mesa. Seu comportamento relaxado era totalmente ao contrário ao do amigo, que subitamente ficou agitado. 

— Mas que merda. 

Junmyeon franziu a testa em pura confusão, sem entender o estresse de Baekhyun. Ele não estaria pensando em negar, certo?

 — Que foi? — O Byun bufou.

— Eu gastei muito naquela merda de aliança, e não tem devolução! E agora aquele filha da puta quer pedir antes de mim? Mas que porre, viu…

— Tá reclamando de barriga cheia, Baekhyun. Volta a trabalhar, que eu acho que ao menos hoje você vai querer voltar para casa cedo.

Junmyeon não estava errado. Baekhyun de fato voltou a trabalhar, agitado para chegar em casa logo e quem sabe ser pedido em namoro, beijar aquele moleque até os lábios ficarem dormentes e deitar pra assistir algum filme de muito mal gosto que ele gostava, daqueles bem entediantes, tipo Star Wars. Assistiria a saga inteira se isso significasse mais tempo com a cabeça deitada no peito do Park, com ele explicando o porquê de cada personagem ser muito importante para a história, e como cada um tinha que ter um passado para que suas escolhas no futuro fizessem sentido. Ele adorava explicar os filmes que assistiam, mesmo que o Byun estivesse assistindo a mesma coisa que ele. Nunca reclamou, e não conseguia se imaginar o fazendo.

Quando o expediente terminou, guardou tudo e desligou o notebook com um sorriso no rosto. Cheio de expectativas e com o coração brilhando dentro do peito, como a paixão sempre nos deixa. Apesar das dores no corpo pela posição desconfortável em que passou o dia, nem mesmo pensou em reclamar, naquele dia. O caminho para casa pareceu se esticar e esticar, e nunca chegava em casa. Tudo parecia lhe atrasar. Mesmo assim, quando estacionou na garagem do prédio, cortou o boa noitedo porteiro pela metade, subiu pelas escadas — o elevador estava lotado —  correndo e até tentou abrir a porta do apartamento errado. 

Todavia, estava lá, destrancando a porta do duzentos e trinta e sete. Ok, talvez quase tenha deixado as chaves caírem, mas em meio a toda vergonha que passou no caminho até em casa, aquilo era só um detalhe.

Baekhyun respirou fundo, ajeitou o cabelo, passou as mãos nas roupas, tentando as desamassar. Nem mesmo sabia se o pedido iria ser naquela noite, mas caramba, estava tão animado. Sentiu um sentimento estranho no peito. Como se sua vida estivesse prestes a entrar em uma montanha russa novamente, prestes a mudar. Talvez de fato, fosse merecedor de alguma felicidade. De fato, existia um Chanyeol para si, e ele não estava morto, não. Estava lá dentro daquele apartamento, prestes a colocar um anel vagabundo em seu dedo. Caramba, caramba, caramba!

Não conseguia evitar o sorriso no rosto. Tentava escondê-lo, mas a felicidade estava fora do controle. Daquele jeito, iria ficar claro que sabia. Apesar de ter as chaves e poder simplesmente girar a maçaneta, Baekhyun deu suas clássicas duas batidinhas na porta, e esperou até que o futuro namorado viesse abri-la. Ele não veio, apesar de ter repetido a ação várias e várias vezes.

Decidiu abrir a porta por si só.

— Chanyeol? — chamou. Ninguém respondeu.

Conforme entrava e se dava conta de que estava tudo quieto demais, a animação ia indo embora. Logo, foi substituída por um sentimento de preocupação. Chanyeol sempre estava na sala quando chegava.

— Baekhyun? — Ouviu a voz do Park vindo de seu quarto, tão logo ele saiu de lá. Com uma mochila nas costas. O Byun franziu a testa, confuso.

— Onde você tá indo? Tá tarde, Yeol… — O outro suspirou, e sentou-se no sofá. Tinha um olhar perdido no rosto. Baekhyun ficou ainda mais assustado.

— A gente precisa conversar. — Engoliu em seco. — Eu… eu passei.

— Do que você tá falando? Passou aonde? — A esse ponto, já estava falando alto demais. Chanyeol falava baixo e devagar, um tom culpado presente, e isso com nada ajudava em seu nervosismo.

— Na porcaria do concurso, Baekhyun. De ante-ontem. O ganhador não revindicou o prêmio e… e eu fui chamado. Pra trabalhar na Itália, que nem eu te falei. — Suspirou, como se fosse algo ruim. O ar do Byun fugiu do peito. — Eu… eu preciso ir até lá assinar o contrato e… e o Kyungsoo disse que ia me ajudar com o dinheiro da passagem. 

Era muito para sua cabeça assimilar.

— Eu não entendo, eu…Você vai embora? Vai me deixar aqui? 

— Você sabe que eu não posso deixar essa passar, Hyun… Sabe quando outra grande empresa vai abrir oportunidades pra fotógrafos sem experiência? Nunca! — Se exaltou. 

Baekhyun riu em escárnio, e se sentou no sofá, ao lado dele. Então, envolveu os próprios cabelos nas mãos, e escondeu o rosto entre as coxas. Caramba, aquilo estava mesmo acontecendo? Após tanto tempo, com tantos obstáculos entre eles, Chanyeol iria simplesmente deixá-lo? Como se não fosse nada? Deveria ter previsto algo do tipo. Claro.

— Eu preciso descobrir mais sobre mim mesmo, Baekhyun. Nunca tive essa oportunidade sozinho e… Eu vou pra outro país. Preciso pegar o primeiro voo, ou vou perder o horário de funcionamento da empresa por causa do fuso horário. Eu te amo, Hyun, mas isso é… é por mim.

Chanyeol não queria brigar antes de ir para o aeroporto. Sabia que os dois não seriam capazes de manter um relacionamento a distância, o trabalho ocuparia ambos e ainda teriam que lidar com o fuso horário. Mesmo assim, amava tanto o Byun. Antes mesmo de se apaixonar por ele, já o amava. E não era porque eram almas gêmeas, ou pela tatuagem de pinheiro no pulso, não. Amava-o pelos detalhes. Porque ele percebera, após os primeiros dias que ficou no apartamento dele, que o perfume forte que usava causava crises alergicas no Park, e no mesmo dia trocou-o por um de tom mais leve. Porque Baekhyun fazia questão lhe buscar no trabalho, quando podia, e aprendeu a o amar mais um pouquinho quando descobriu que ele havia abrido mão de seu próprio sonho para que Chanyeol tivesse a chance de seguir o dele.

— É totalmente por você. Suma logo da minha frente. — Estava bravo, furioso. Não pensou direito no que estava dizendo, e definitivamente se arrependeria daquilo.

— Eu não quero acabar assim. Vamos resolver isso, por favor. — Tentou se  aproximar dele, tocá-lo como havia feito naquela manhã, mas Baekhyun segurou seu pulso.

Chanyeol não tentou se aproximar dele novamente. Pelo contrário, deixou-se chorar, porque não conseguia dizer adeus de outra forma. Amava Baekhyun, mas amava a fotografia ainda mais. Jamais deixaria seu sonho de lado, jamais. Não iria cometer o mesmo erro duas vezes, e atrasar a si próprio pelo amor que sentia por terceiros. Suspirou, o coração doído dentro do peito, e abaixou-se o suficiente para beijar a testa do Byun. Então, esperou o táxi que o levaria ao aeroporto chegar. Droga. Baekhyun sentia como se estivesse sendo reduzido a mil pedacinhos, traído da pior forma possível. Pensaria sobre isso mais tarde. Agora, uma mistura confusa da raiva e da angústia dominava seus pensamentos, impedindo-lhe de pensar coerentemente. 

Assim que Chanyeol bateu a porta, murmurou algo como um “obrigado” para Baekhyun, que permaneceu o tempo inteiro na mesma posição sem derrubar uma lágrima. 

Naquela madrugada do início de primavera, o inverno terminava de vez, e dava espaço para as flores voltarem a crescer nos galhos das árvores. Chanyeol deixou para trás um par de alianças vagabundas e um coração partido que passaria mil noites repassando cada segundo daquele dia cotidiano em que chegou mais cedo do trabalho em sua cabeça. 

Finalmente, as flores estavam prontas para crescer de novo. De fato, o tempo funcionava de uma maneira estranha.




Notas Finais


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Obrigada pela atenção, bjs


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