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História Under The Ice - Tododeku - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Yooow
Eu estava com essa ideia na cabeça a um tempo, e eu queria escrever algo meio triste então, é isso....

Capítulo 1 - Friends


Fanfic / Fanfiction Under The Ice - Tododeku - Capítulo 1 - Friends

Lágrimas grossas rolavam pelas bochechas rosadas de Izuku, o menino soluçava e limpava o nariz na manga do casaco.

- Isso é pra você aprender! – gritou o pequeno menino de cabelos loiros.

- Kacchan... – Izuku soluçou, coçando os olhos. – Por favor!

- Eu já disse que você não vai brincar com a gente Deku! – ele apontou para seu grupo de amigos que riam de Izuku caído no chão por conta do empurrão desferido por Bakugou.

E eles seguiram caminho até o final da rua, deixando o menino de cabelos verdes jogado ao chão, com as roupas sujas de neve. Izuku fechou os olhos e abraçou as pernas, escondendo o rosto entre os joelhos, esperando que Kacchan voltasse e dissesse que era apenas uma brincadeira, como ele fazia quando ficava sozinho.

- Você está bem? – uma voz suave cortou o ar e com certeza não poderia ser Bakugou. O menino olhou para cima e encontrou um par de olhos heterocromáticos o encarando.

Um pequeno garoto estava agachado a sua frente, os dedos das mãos escondidos entre os joelhos. Mas o que deixou o menino de cabelos verdes instigado era a grande mancha vermelha que ocupava boa parte do rosto do outro.

- Quem é você? – Izuku sussurrou com os olhos ainda pouco embaçados. Ele queria perguntar sobre a mancha, mas pensou que sua mãe o repreenderia por ser intrometido.

- Meu nome é Shouto. – ele pendeu a cabeça para o lado. – E o seu?

- I-Izuku.

Shouto piscou algumas vezes e então concordou.

- O que você está fazendo chorando no chão?

- Kacchan... – Izuku suspirou, limpando as lágrimas na manga do casaco. – Meu amigo me empurrou.

- Seu amigo? – Shouto franziu o cenho em confusão. – Minha mãe sempre diz que amigos cuidam da gente.

- Bom, sim mas... – o garoto fungou.

- Ele não parece um bom amigo. –ponderou Shouto. – Eu não tenho nenhum amigo, então se você quiser eu posso ser seu novo amigo!

Ele se levantou e estendeu a mão enluvada para Izuku, que apenas a segurou com um sorriso.

Shouto usava uma roupa de inverno comum, uma touca cinza repousava em sua cabeça e fazia com que alguns fios vermelhos e brancos saltassem pelas laterais, um grosso casaco azul e uma calça moletom preta. Mas ao olhar para os seus pés, Izuku percebeu que ele usava somente uma bota no direito.

- Onde está seu outro sapato? – perguntou apontando para baixo.

- Oh... – Shouto olhou para os pés e mexeu os dedinhos esbranquiçados. – Eu não sei na verdade, quando eu olhei já não estava mais aí.

- Você não está com frio? – Izuku se referiu a neve em que Shouto pisava despreocupadamente, mas ele apenas negou com a cabeça.

- Você quer brincar? – perguntou apontando para a praça vazia do outro lado da rua, onde havia um grande lago congelado. – Podemos brincar de escorregar no gelo! É minha brincadeira favorita!

- Minha mãe disse que o gelo é perigoso. – respondeu Izuku mirando o gelo ao longe, de fato um tanto quanto intimidador.

- Por que? – o cenho de Shouto se franziu novamente.

- Eu não sei...

- Vamos, é divertido! – Shouto sorriu de lado e Izuku concordou, sorrindo também.

Os dois garotos passaram por entre as árvores cobertas de neve e atravessaram a praça, chegando na margem do lago, onde Izuku parou e encarou Shouto.

- Está tudo bem. – Shouto sorriu e apertou a mão de Izuku, o encorajando.

E de fato, certa coragem invadiu o peito de Izuku, e com isso ele acompanhou Shouto até o centro do extenso lago.

Os pés do esverdeado não se mantinham no lugar e escorregavam sempre que ele dava um passo a frente, já Shouto aparentava ter mais facilidade em se locomover pelo gelo. Ele guiava Izuku pelas duas mãos, equilibrando ambos para se manterem em pé.

- Não olha para baixo, olha pra mim. – indicou Shouto rindo do outro.

- Como você consegue fazer isso? – Izuku o encarou e forçou suas pernas a ficarem paradas.

- Deixa que eu puxo a gente. – Izuku concordou e respirou fundo.

Shouto moveu-se para trás lentamente, trazendo Izuku consigo e com cuidado os dois garotos deslizavam pelo gelo.

- Viu, eu disse que era divertido! – Shouto falou quando viu Izuku rir.

Num momento de distração Izuku tropeçou nos próprios pés e caiu para frente, levando Shouto consigo.

Os dois garotos gargalhavam no chão frio criado pela fina camada de gelo, se divertindo pelo tombo bobo. Aos poucos a risada foi morrendo, e os dois apenas se sentaram no gelo um a frente do outro, de pernas cruzadas.

- Quantos anos você tem? – perguntou o esverdeado. – Eu tenho sete!

- Eu também! – Shouto sorriu levemente.

Izuku riu e encarou o outro, que mantinha o olhar nas nuvens. De forma receosa o esverdeado perguntou:

- Posso te fazer uma pergunta? – Shouto assentiu. – O que aconteceu com seu rosto?

- Ah... – Shouto suspirou, como se já esperasse por essa pergunta em algum momento. – Foi um acidente com água quente.

- Doeu? – perguntou o outro, Shouto apenas desviou o olhar e concordou.

- Quer tocar? – ofereceu Shouto, ainda notando o olhar curioso de Izuku sobre a cicatriz.

Izuku assentiu e Shouto inclinou o tronco até que outro o alcançasse. Os dedos frios de Izuku contornaram a cicatriz de uma forma delicada, como se se Shouto fosse sentir alguma dor a qualquer momento.

- Legal... – Izuku sussurrou e o bicolor sorriu. – Minha mãe diz que cicatrizes nos deixam mais fortes.

- A minha não gosta de cicatrizes. – Shouto suspirou e olhou por cima do ombro de Izuku. – Ela está atrasada hoje.

- Como assim?

- Ela sempre vem ver o lago a essa hora da tarde...

- Por que? – Izuku seguiu o olhar de Shouto através da praça.

- Acho que é por minha causa. – Shouto deu de ombro e encarou o chão congelado.

O esverdeado não entendeu o que o garoto quis dizer, mas achou melhor não fazer mais perguntas, Kacchan sempre dizia que Izuku perguntava demais.

Mas veja bem, aquele não era Kacchan.

- Qual o nome da sua mãe? – o esverdeado perguntou.

- Rei. – Shouto deu de ombros. – E a sua?

- Inko! – Izuku sorriu abertamente. – Você deveria ir lá em casa, eu tenho uma coleção de bonecos do All Might!

Izuku tagarelou sobre seus brinquedos, enquanto Shouto apenas o ouvia atentamente e ria pela empolgação do outro.

Então o olhar de Shouto se perdeu no horizonte.

- Shouto...? – chamou Izuku balançando a mão em frente aos olhos de Shouto, notando a dispersão do bicolor.

- Lá está ela... – sussurrou sorrindo brevemente.

Izuku franziu o cenho e se virou. Do outro lado da praça uma mulher de cabelos brancos e sobretudo preto caminhava calmamente por entre as árvores cobertas de neve.

- Quem é aquela? – perguntou o esverdeado.

- É a minha mãe. – objetou Shouto.

A mulher olhava para o chão e só ergueu a cabeça quando alcançou um dos bancos a margem do lago. Ela se apoiou no banco e ergueu a cabeça, e então seus olhos se arregalaram quando encontraram o menino de cabelos verdes sentado sozinho no meio do lago congelado.

- Garoto! – Rei gritou acenando o mais alto que podia. – Saia do gelo!

- O que ela está dizendo? – perguntou Izuku após ouvir sua voz distante.

- Me desculpe Izuku. – murmurou Shouto encarando a mulher. – Eu não deveria ter te trazido aqui.

- Como assim? – o esverdeado franziu o cenho e encarou o outro que ainda mantinha o olhar na mulher. – Eu me diverti!

Rei ainda gritava para Izuku, que mal conseguia entender uma ou duas palavras. E então ela avançou sobre o gelo, tentando chegar até o garoto.

- Eu só queria brincar... Eu me sinto tão sozinho as vezes. – Shouto suspirou com a voz embargada. – Me desculpe.

- Shouto qual o problema? – Izuku segurou sua mão. – Somos amigos agora!

Shouto baixou a cabeça e apertou a mão do esverdeado que sorriu em resposta.

- Garoto! – gritou Rei um pouco mais próxima. – Não se mexa!

- Por que? – o esverdeado perguntou se levantando.

Então Izuku ouviu um barulho engraçado, um estalo, como quando ele mastigava macarrão cru escondido de sua mãe. A mulher gritou e tentou desesperadamente alcançar o garoto no gelo escorregadio.

Ele olhou para Shouto e então, sentiu como se o chão abaixo de si tivesse desaparecido.

Sua visão ficou preta e seu pequeno corpo parecia ser perfurado por milhares de agulhas ao mesmo tempo. Ele tentou gritar, mas a água gelada invadiu sua boca e ele se engasgou. Seus braços e pernas se debatiam, numa tentativa frustrada de buscar a superfície. Aos poucos Izuku foi perdendo os sentidos, não respirava, mas ainda assim arriscou abrir os olhos.

Um pequeno feixe de luz passava pelo gelo quebrado acima de si e iluminava parte do interior do lago. Izuku flutuava em meio a água como um astronauta no espaço, perdido no vasto universo e enxergando nada além do que a luminosidade do sol pela fenda.

Mas então, sentiu um aperto em sua mão. Ele olhou para o lado e pode perceber que Shouto ainda segurava sua mão, mas ele parecia relaxado sobre a água, como se não sentisse o frio cortando sua pele ou o ar sendo roubado de seus pulmões.

Ele flutuou até a frente de Izuku e os dois se encararam por alguns segundos, até Shouto sorrir e quebrar a distância entre eles com um abraço no qual Izuku não pode retribuir por mais que quisesse.

- Diga a ela, que eu estou bem. – Shouto sussurrou no ouvido de Izuku, como se não precisasse de oxigênio para tal feito. – Obrigado Izuku, eu vou sempre ser seu amigo.

As pálpebras de Izuku se fecharam e Shouto empurrou seu corpo semiconsciente para cima, até que uma mão agarrasse seu braço e o puxasse para a superfície.

Rei deitou o corpo de Izuku sobre o gelo e o virou de lado, massageando suas costas até que ele cuspisse toda a água que havia engolido.

- Fica comigo garoto! – ela sacudiu o corpo mole de Izuku que respirava com dificuldade. – Respira devagar! Eu vou te tirar daqui.

Ela tirou o sobretudo e enrolou ao redor do corpo trêmulo do garoto, o pegando no colo e caminhando cuidadosamente para fora do gelo.

Algumas pessoas estavam paradas pela praça, assistindo toda a cena e torcendo pela mulher e pelo menino.

- Izuku! – a mãe do esverdeado gritava, correndo pela praça.

- Ele está bem! – respondeu Rei chegando a margem do lago.

- Ah meu filho! – Inko chorava em desespero, pegando o filho no colo e o apertando contra o peito. – Obrigada, muito obrigada!

- Você precisa aquece-lo ou ele pode ter uma hipotermia. – Rei falou pausadamente por conta do desespero de Inko.

- Eu vou leva-lo para casa. – respondeu Inko. – Você está toda molhada, venha se secar na minha casa, é do outro lado da rua.

- Eu estou bem não se preocupe. – respondeu Rei cruzando os braços pelo frio.

- Por favor, é o mínimo que posso fazer para agradecer. – Rei suspirou mas concordou, seguindo Inko através da praça, até o outro lado da rua.

As roupas molhadas de Izuku foram removidas e seu corpo foi enrolado em roupas quentes e cobertores. Ele estava acordado porém ainda um pouco desnorteado.

Inko ofereceu o chuveiro, toalhas e roupas secas para Rei, que aceitou apenas uma pequena toalha.

- Eu vou fazer um chá quente. – disse Inko rumando para a cozinha, deixando Izuku na companhia de Rei que secava as roupas de forma superficial com a toalha.

Izuku tomou todo o chá, sentindo seu corpo se reaquecer e então recuperar seu fôlego.

- Meu filho, eu disse que o gelo era perigoso! – Inko o repreendeu. – por que me desobedeceu? Por que não estava com o Bakugou?

- Sh-Shouto... – Izuku resmungou baixinho enquanto sua mãe acariciava seus cabelos.

- O que? – Rei largou a xícara de chá oferecida por Inko em cima da mesa e se aproximou do garoto. – O que você disse?

- Onde e-está o Shouto? – Izuku gemeu em resposta.

- Como você sabe esse nome? – Rei segurou os ombros de Izuku gentilmente, o encarando no fundo dos seus olhos perdidos.

- Ele pediu para te d-dizer... – Izuku tossiu e fungou. – Que e-ele está bem.

Rei arregalou os olhos e cortou a própria respiração, cobrindo a boca com as mãos e se afastando de Izuku.

- Shouto? – Inko o encarou confuso. – De quem você está falando meu amor?

- Shouto... – Rei respondeu com a voz fraca. – Shouto é meu filho.

- Seu filho...? – Inko franziu o cenho e então soltou o maxilar.

- Você o viu? – Rei perguntou para Izuku que apenas concordou.

- Nós so-somos amigos. – respondeu Izuku com a voz trêmula.

- Claro que são... – Rei sorriu com os olhos marejados e abraçou Izuku. – Eu sempre disse que ele conseguiria um amigo...

Rei soltou Izuku enquanto pequenas lágrimas escapavam do canto de seus olhos.

- Espera. – Inko balançou a cabeça. – Agora eu me lembro. Seu nome é Rei, não é? Rei Todoroki?

Rei assentiu e fungou enquanto Inko cobria a boca em surpresa.

- Izuku querido, nós vamos fazer mais chá. – Inko falou jogando mais um cobertor sobre os ombros do garoto. – Termine todo o seu chá, e eu lhe trarei biscoitos mais tarde, tudo bem?

Izuku concordou e Inko acenou para que Rei a seguisse para a cozinha, para que conversassem longe de Izuku.

- Você é a mãe daquele garotinho... Aquele que caiu no lago há seis meses atrás. – Inko afirmou para si mesma. – Eu lembro dessa reportagem no noticiário.

- Ele gostava de escorregar no gelo. Era sua brincadeira favorita. – Rei sorriu tristemente, soluçando entre as palavras. – Eu sempre o levava no lago... Mas um dia o gelo estava fino demais, eu me descuidei e... – sua voz falhou e ela mordeu o lábio. – Nunca encontraram o corpo dele, apenas sua bota esquerda. E eu a guardo comigo até hoje.

- Eu sinto muito. – Inko falou segurando a mão de Rei de forma empática.

- Eu sempre soube que ele ainda estava lá... Eu o sentia, por isso ainda visito o lago todos os dias. E seu filho... – Rei balançou a cabeça, sorrindo. – Ele me disse tudo o que eu precisava ouvir. Obrigada.

Inko nada disse, apenas ouviu o desabafo de uma mãe em luto que precisava desesperadamente de algum tipo de consolo.

Em outro cômodo da casa, Izuku escapava por entre os cobertores, caminhando até a janela da sala. Ele olhou além da praça, até onde as árvores se estendiam a caminho do lago. Seus olhos encontraram Shouto novamente, ele estava parado no centro do lago ao lado do gelo quebrado, acenando para Izuku. O esverdeado sorriu e acenou de volta.

Com isso, o corpo de Shouto desapareceu sobre o gelo, se esvaindo na brisa gélida do inverno como se nunca tivesse sequer estado ali.

De alguma forma Izuku sabia que aquilo fora uma despedida, mas seu coração não se entristeceu com isso, pois lá no fundo ele ainda se alegrava por ter feito um amigo do qual sabia que estaria consigo a vida toda.


Notas Finais


Espero que tenham gostado
XoXo 💋


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