História Você ainda é meu (Um conto SasuNaru) - Capítulo 3


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Categorias Naruto
Personagens Naruto Uzumaki, Sasuke Uchiha
Tags Adultério, Família, Naruto, Sasunaru
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Palavras 6.370
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Um elo entre nós


Fanfic / Fanfiction Você ainda é meu (Um conto SasuNaru) - Capítulo 3 - Um elo entre nós

O braço ainda formigava no lugar onde Sasuke tinha segurado, há meses não sentia o toque firme dele e aquele simples gesto o tinha desestabilizado, sentia raiva e por isso não falou muito dentro do carro, como ele podia ser tão idiota? Que direito ele tinha de cobrar algo de Naruto?

Estacionou na frente da casa dos pais e respirou o ar gelado ao deixar o carro, tirou o filho da cadeirinha e o deixou no chão, ele sabia muito bem o caminho e foi na frente carregando os desenhos que tinha feito para os avós.

Quando Naruto entrou Hikari já estava sendo esmagados pelos braços de Minato que era o avô mais babão que existia.

- Meu Deus pai, deixa o menino respirar. – Naruto sorriu – Oi.

- Oi filho. – disse Minato soltando Hikari e beijando o rosto de Naruto – Senti sua falta na semana passada.

- O livro está me matando. – disse se explicando – Onde tá a mamãe?

- Onde você acha? Ela não deixa ninguém cozinhar para os filhos dela. – disse Minato e Naruto riu, pegou Hikari nos braços e foi na direção da cozinha.

Ao chegar viu a mãe cortando algumas coisas enquanto Deidara a olhava, não sabia que o irmão mais velho estaria presente.

- Meu amorzinho! – Kushina limpou as mãos no pano de prato e correu pra encontrar o filho, praticamente nem olhou para Naruto ao arrancar Hikari de seus braços e o apertar muitíssimas vezes – Como você tá lindo! Você cresceu tanto.

- Mãe, você viu o garoto há umas duas semanas. – disse Naruto e finalmente a ruiva o olhou

- Não me interrompa! – ela esbravejou, mas logo sorriu e o beijou – Oi, meu bebê.

- Eu estou falando que essa mulher é bipolar, hm. – disse Deidara andando até o imenso armário e pegando mais uma taça de vidro, serviu vinho branco para Naruto que sorriu – Oi, maninho, tá bonito hoje.

- Eu sempre sou bonito. – brincou Naruto abraçando o irmão.

- Oi, titio. – Hikari agora estava sentado no balcão e balançava as perninhas.

- Você de novo, pirralho? – perguntou Deidara e Hikari riu.

- Cadê o tio Tachi? – perguntou Hikari.

- Fazendo o que ele faz de melhor, trabalhando. – Deidara pareceu irritado – Quem perde é ele, hm.

- Naruto, você parece abalado. – disse Kushina cortando uma cenoura

- Tá cansado, Naru? A noite de ontem foi cansativa? – Deidara o olhou malicioso e Naruto corou profundamente.

- Tudo bem? Quem quer assistir desenhos comigo? – Minato entendeu tudo e Naruto o agradeceu.

- Euuuuu! – manifestou-se Hikari arrancando um suspiro meigo de todos. Minato pegou o moreninho nos braços e deixou a cozinha, assim que os três estavam sozinhos Kushina apontou a faca na direção do filho mais novo.

- É bom não estar escondendo de mim, Naruto. – ela o ameaçou e Naruto lançou a Deidara um olhar raivoso, o cabeludo bebeu mais um gole de vinho e riu do mais novo.

- Eu estou saindo com alguém. – contou Naruto – Não é nada sério mesmo, somos amigos por enquanto.

- Conta pra ela como ele é quente! – instigou Deidara.

- Eu vou te socar. – ameaçou Naruto e Deidara subiu as mãos em sinal de paz.

- Quem é ele? De onde veio? – Kushina parecia preocupada.

- Mãe, eu tenho trinta anos sabia? – ele perguntou e a ruiva arqueou as sobrancelhas vermelhas na direção dele – Ok, o nome dele é Gaara e ele é médico, Sakura nos apresentou.

- E o Sasuke? – ela foi bem direta.

- O Sasuke é meu ex-marido. – disse Naruto desviando o olhar.

- Não quero saber o que ele é socialmente, quero saber o que está acontecendo no seu coração. – disse a mãe soltando a faca – Está pronto pra outro relacionamento, filho?

O clima pesou e Naruto sentiu-se mal, até Deidara perdeu o sorriso encarando o irmão e ao perceber seu desconcerto colocou a mão no ombro de Naruto como quem queria das forças.

- Se quer saber se eu ainda o amo? Sim mãe, eu o amo, mas o amor não é o suficiente e ele mesmo me mostrou isso. – foi sincero – A única razão de não me envolver realmente com Gaara é porque simplesmente não consigo imaginar essa situação, pode fazer quase um ano, mas ainda é muito recente e talvez eu esteja estagnado, mas ainda não vejo nada além de Hikari ao olhar pro futuro.

- Eu sei que o que o Sasuke fez foi terrível, eu mesmo o odiei por certo tempo, talvez ainda odeie quando vejo esse olhar no seu rosto, mas não acho que seja certo de envolver com esse rapaz. – a tom de Kushina era sério.

- Mãe. – repreendeu Deidara, mas a ruiva continuou.

- Não estou dizendo que deve voltar pro Sasuke, só você conhece seu coração e eu respeito isso, mas precisa concordar comigo que não é justo principalmente com esse Gaara, que esteja com ele apenas pra tentar sentir alguma coisa além do que sente agora. – as palavras de Kushina eram profundas, era como se soubesse a sensação, como se tivesse passado por isso, mas era inconcebível pois Minato nunca faria isso.

- Eu concordo, mãe, é por isso que somos amigos. – disse Naruto respirando fundo – Gaara entende isso.

- Então estou feliz. – Kushina não conseguia esconder sua predileção por Sasuke, mas Naruto estava grato por ela tentar.

- Eu também, hm. – completou Deidara – Eu gosto do doutorzinho, ele tem um bunda bonita.

- Deidara! – Naruto corou.

- Acho que a bunda dele não interessa muito pro Naruto. – observou Kushina.

- Por Deus, eu nasci numa família de depravados. – queixou-se Naruto, mas sem deixar de rir.

...

- O Kurama. – Naruto colocou a raposa de pelúcia nos braços dos filho e cobriu os dois, os olhinhos azuis de Hikari estavam fundos, logo ele dormiria – Pronto pra dormir, filho.

- Sim. – respondeu bocejando – Eu escolhi o que 'quelo' ser quando for grandão.

- É mesmo? – Naruto se sentou ao seu lado – E o que vai ser?

- 'Quelo' cuidar de 'emplesa' igualzinho ao vovô. – contou orgulhoso de si.

- Eu tenho certeza de que ele adoraria ouvir isso. – Naruto sorriu só de imaginar a cara do pai – Mas escuta o papai, você ainda é muito pequenininho, pode mudar ideia quantas vezes quiser, entendeu?

- Sim, papai. – respondeu virando de lado – Boa noite, eu te amo.

- Eu também te amo, filho. – Naruto o beijou e apagou o abajur.

Saiu do quarto deixando a porta entreaberta para a luz do corredor entrar. Entrou no chuveiro assim que pôde, tinha o habito de tomar banho quando queria pensar, como se a água quente o ajudasse.

Ao esfregar o braço direito lembrou-se da conversa de mais cedo e do toque de Sasuke, era tão errado o corpo responder a ele mesmo depois de tanto tempo e dor entre eles, mordeu o lábio ao lembrar das palavras do Uchiha: "- É sim, porque não importa o quanto tente lutar com isso, você ainda é meu."

Ainda tinha pedido desculpa de um jeito tão torpe e simplista que Naruto chegava a sentir-se ofendido, tanta dor e ele simplesmente dizia "- Naruto eu sinto muito por aquilo, eu não estava pensando direito e..."? Que filho da puta! Achou mesmo que seria tão fácil? O loiro estava com tanta raiva que chorou.

∞∞∞

Era um maldito domingo, um dia deprimente para Sasuke Uchiha. Ele literalmente não fez nada, não atendeu o irmão, não saiu ou trabalhou, não se levantou ou comeu, e pela primeira vez em 10 meses, não bebeu.

Levantou a mão esquerda olhando para a aliança dourada, colocou-a ontem depois de seu encontro com Naruto e não conseguia expressar o quanto sentiu-se poderoso com aquele anel. Riu sozinho lembrando-se de quando jurou não se casar, mas lembrou também do extado dia em que ele soube que o amor era real, foi quando um certo loiro lhe contou sobre o verdadeiro amor.

--

Naruto ligou e disse que estava disposto a lançar pela Editora Uchiha, Sasuke gostou de ter conseguido mais um autor de potencial, mas gostou ainda mais de saber que veria Naruto outra vez. Recebeu seu manuscrito no mesmo dia da ligação e levou apenas dois dias para ler com atenção as 347 páginas além de fazer anotações.

Pediu para seu antigo secretário marcar uma reunião com o Uzumaki e ele veio. Aos 22 anos Naruto vestia-se como um adolescente elegante, mas ainda um adolescente com jeans e suéter.

- Senhor Uzumaki, preciso dizer que meu irmão estava certo em quer você no nosso cast de autores, você tem uma delicadeza ímpar com as palavras, delicadeza que autores mais velhos e experientes não tem, parabéns. – Sasuke juntou as mãos na frente do rosto – Existem coisas para serem acertadas, personagens para serem aprofundados, mas é por isso que um agente literário existe, certo? O que precisa de mudança urgente é o final, não acho que seja adequado.

- Então não leu o meu livro, Senhor Uchiha. – ele disparou e Sasuke ficou surpreso com o tom petulante – Cada dialogo e monologo nesse manuscrito caminha para esse final.

- Naruto, eu não sou muito mais velho que você, mas além de crescer numa família de editores, o meu trabalho é vender as histórias que chegam à minha mesa. – Sasuke tentou não ser ríspido, mas falhou – Sabe por que as pessoas compram livros? Pra fugir da crueldade da vida real e não deixar seus personagens juntos no final, é cruel.

- Não concordo com você. – ele parecia inabalável e isso começou a irritar Sasuke – As pessoas compram livros para se distraírem e sim, fugir da realidade, mas elas os releem quando se identificam minimamente com a história e o que eu narrei ai, senhor Uchiha, foi o amor verdadeiro, o real, o que todos tem, já tiveram ou vão ter.

- Então acredita que as pessoas desistiram dos amores épicos e eternos? – perguntou Sasuke, sarcástico – Acho que já tem idade pra aprender que as pessoas são tolas e manipuláveis.

- Todo amor é épico, senhor Uchiha. – ele foi simplista e Sasuke se surpreendeu de novo.

- Não está falando do amor literário, está? – indagou e Naruto negou, foi impossível não rir – Sinto muito ser a pessoa que lhe contará isso, mas o amor não existe, Naruto. O amor é uma invenção dos escritores, antiga, mas uma invenção descabida pra manipular as pessoas.

- Está errado, Sasuke. – ele cruzou as pernas e apoiou o rosto em uma das mãos – Na verdade todos estão. Conhece o mito da queda de Tróia?

- O que Mitologia tem a ver com nossa discussão? – quis saber e Naruto continuou o olhando como se esperasse a resposta para sua pergunta, Sasuke suspirou recostando-se à cadeira de couro – É claro que conheço, o amor de dois homens pela mulher mais bonita do mundo resultou na queda de uma nação. O que tem?

- Todos enaltecem o amor entre Helena e Páris, mas se esquecem do amor entre Menelau e Helena. – ele pontuou – Pode pensar no motivo disso?

- Fácil, Helena nunca amou Menelau ou não teria fugido com Páris pra Tróia. – respondeu Sasuke sem entender onde ele queria chegar.

- É ai que minha teoria entra, Helena e Menelau tiveram uma filha, Hermione, todos a sua volta diziam que eram um casal apaixonado. Helena o amou, mas o amor não durou e ela encontrou Páris. – ele passou a língua pelos lábios – O amor conhecido não é real como você diz, não significa que o amor em si não seja, porque o amor é falho e muitas vezes possui uma validade, é esse amor que as pessoas comuns encontram, o amor forte, ardente e que acaba.

Sasuke realmente parou pra pensar nisso, nunca refletiu sobre o amor, quanto mais sobre sua verdadeira forma. Aquele loirinho era uma peça rara para sua idade.

- Então o amor é real, mas cruel? – Sasuke indagou.

- Eu não diria cruel, diria que apesar de tudo é bonito. – respondeu ele – É como saltar de paraquedas, a chance dele não abrir existe, mas mesmo assim a queda seria linda.

- Isso é bobagem. – decidiu e Naruto riu.

- Nossa, quem foi a mulher que fez esse estrago em você? – soou divertido.

- Por que acha que alguém me 'estragou'? – devolveu o questionamento.

- Estou errado? – arqueou as sobrancelhas – Por que não me conta?

- Porque não te conheço. – disparou e Naruto fechou a cara. "Adorável", Sasuke pensou, cedeu e respirou fundo – Não foi uma mulher, foi um homem.

- Um Homem? – ele parecia surpreso com a revelação.

- A existência de bissexuais também é novidade pra você? – soou grosso, mas Naruto riu balançando a cabeça embora estive minimamente corado.

- Não, só não pensei nisso quando o conheci, desculpe, pode continuar. – disse em tom baixo.

- O nome dele é Orochimaru e quando eu tinha dezessete anos ele tinha vinte e cinco, ocupava o cargo que eu ocupo hoje e foi assim que eu o conheci. – o tom do moreno era grave e contínuo – Como um estúpido adolescente descobrindo sua sexualidade, eu passei por todos os estágios idiotas do amor falso: Deslumbre, encanto, leve decepção, aceitação e finalmente "amor". Mas Orochimaru me mostrou a verdade, o que existe entre as pessoas é uma sintonia rara e uma atração física, e quando isso acaba, elas se separam. Foi o que aconteceu quando ele simplesmente se mudou pra Vancouver.

- Só porque o Orochimaru não te amou não significa que o amor não exista. – disse Naruto e Sasuke riu.

- Seja lá a pessoa por quem você é apaixonado, fez um bom trabalho ao te tornar um romântico irremediável. – desdenhou Sasuke.

- Ah, não, eu nunca me apaixonei. – disse como se não fosse nada.

- Como é? – Sasuke parecia pasmo – Então o que foi todo esse papo sobre amor se nunca esteve com ninguém?

- Eu disse que nunca me apaixonei, não que nunca estive com um homem. – ele revelou e agora foi Sasuke quem corou, mas manteve-se atento – O meu contato com amor foi como a maioria das pessoas, assistindo meus pais, meus amigos... – Naruto apontou o manuscrito – Livros! Tudo muito normal, mas real.

Sasuke o olhou em silêncio por alguns segundos e respirou cedendo.

- Eu realmente espero não me arrepender disso, mas vou arriscar por você. – decidiu e Naruto continuou em silêncio para terminar de ouvir – Vamos manter o final, trabalhar com ele, mas vamos uma aposta.

- Uma aposta? – Naruto pareceu interessado.

- Se quando lançarmos o livro ele for um sucesso de venda e crítica, eu assumo que o amor é real e que você estava certo, mas se a tiragem for boa e critica profissional e amadora não, eu escolho o final do seu próximo livro. – sugeriu e ganhou o maior e mais bonito sorriso do mundo.

- Prepare-se pra perder, senhor Uchiha. – disse Naruto.

--

E ele perdeu, mas em sua perda ganhou a melhor que poderia ganhar, a chance de amar e ser amado. O livro foi um sucesso sem fim, dois meses depois de seu lançamento Sasuke declarou-se para Naruto e era reciproco.

Não podia perder isso, não podia simplesmente deixar que isso escapasse, não podia e não iria. Naruto era seu e ele iria recuperar sua confiança.

...

Na segunda feira quando acordou sentiu o coração parar sob o peito ao identificar o número que tinha lhe enviado uma mensagem. Era Naruto.

NARUTO

Não se esqueça de que hoje é a peça de teatro na escola do Hikari, ele vai ser o rei Arthur e está muito ansioso, ele espera você lá, não o decepcione.

Sasuke podia ter todos os seus defeitos, mas era um bom pai e não gostava de quando Naruto fazia parecer o contrário, porém o entendia, Sasuke o tinha decepcionado tanto que o loiro passou a se preocupar com filho, era amor paternal e isso Sasuke entendia.

VOCÊ

Eu nunca esqueceria. Estarei lá as 19h.

Pegou as chaves e o copo térmico com café forte e sem açúcar, deixou o apartamento em direção ao trabalho, seria a primeira vez em meses que chegaria na hora.

∞∞∞

É claro que a peça escolar de Hikari se transformaria em um evento tanto pra família Uchiha quanto para a Namikaze, os avós do menino fizeram questão de assistir assim como os tios, Sakura e Ino.

Naruto estava mais ansioso que o filho, pois o deixou na coxia e reuniu-se com a família e as amigas, queriam entrar todos juntos, mas os Uchiha estavam atrasados.

- Eu juro que se o Sasuke se atrasar... – Naruto começou.

- Ele não vai, Naruto. – assegurou Itachi que já tinha chego – Ele só foi buscar nosso pais.

- Olha eles. – Kushina sorriu.

Naruto engoliu seco ao ver os Uchiha, adorava Mikoto como uma mãe e não era diferente com Fugaku, estava feliz em vê-los mesmo que estivesse ao lado de Sasuke. Imediatamente seus olhares se encontraram, mas Naruto tratou de quebrar o contato.

Era desconfortável assistir as famílias interagindo, após oito anos de elo eram amigas e confraternizavam, se cumprimentaram com abraços e sorrisos, envolveram-se em conversas paralelas e Naruto aproveitou para se afastar minimamente.

- Ele vai se sair bem. – Sasuke disse parando ao seu lado, Naruto o olhou sem entender aquela proximidade que ele estava tentando forçar nos últimos dias – Nosso filho é muito inteligente.

- Eu sei, mas ainda me preocupo, deve entender. – o olhou e Sasuke deu um meio sorriso, Naruto olhou rapidamente para trás – É tão estranho vê-los juntos.

- Pra você também? – Sasuke pareceu aliviado – É como se, mesmo que por um segundo, nada tivesse mudado.

Naruto queria concordar, mas percebeu que seria como abrir uma brecha, e isso era a última coisa que ele queria.

- Mas mudou. – voltou ao tom frio, Sasuke suspirou.

- Naruto, por favor, sabe que precisamos conversar sobre nós. – ele parecia quase desesperado, mas falava baixo – Adiamos isso por dez meses, não dá mais.

- Não. – soou firme – Não tenho nada pra conversar com você.

- Por favor... – ele começou.

- Naruto? – Sasuke se aproximou o interrompendo e o loiro a agradeceu – É melhor entrarmos, já vai começar.

- Boa noite, Sakura. – disse Sasuke.

- Vai pro inferno, Uchiha. – disse Sakura puxando Naruto pela mão. Todos entraram e se sentaram juntos, Sasuke e Naruto eram separado por todos os outros, ficando nas extremidade de uma fileira toda tomada pela família do rei Arthur.

Naruto já tinha lido o conto do rei Arthur, era uma obra complexa e difícil de adaptar par crianças de quatro anos, mas seja lá quem tenha feito, fez bem e de forma graciosa. Quando Hikari apareceu Naruto não segurou o suspiro de deleite, ele estava tão fofo naquela miniatura da roupa de um rei que encheu o coração do pai com amor.

Quando Naruto olhou para o lado buscando o olhar da mãe encontrou Sasuke olhando para si, ele também parecia encantado com o filho no palco, então – quase que inconscientemente – Naruto sorriu, não para Sasuke o marido infiel, mas para Sasuke o pai de seu filho. Mas quando notou que eram a mesma pessoa desviou o olhar e o evitou pelo resto da peça.

Eram falas curtas e simples, era um historia cômica e bem dirigida, Naruto era um poço de orgulho quando acabou e correu para encontrar o filho depois de já estar trocado, só os pais podiam entrar, mas Naruto não se importou com isso no momento.

Sasuke pegou Hikari no colo o enchendo de beijos, o menininho riu e Naruto não resistiu ao abraçá-lo também, apertou suas bochechas quando seu olhar encontrou o de Sasuke mais uma vez, por um segundo pareceu como antigamente, como quando eram uma família feliz.

- Eu fui bem? – ele perguntou.

- Bem? Você foi o melhor rei do mundo! – disse Naruto o beijando de novo.

- Você estava perfeito, filho. – Sasuke sorriu para ele – De longe o melhor na peça.

- Sasuke, não o incentive a competir com os amiguinhos. – disse Naruto e Sasuke arqueou as sobrancelhas como sempre.

- Só quero que ele saiba que é o melhor. – disse Sasuke fazendo cócegas no filho – Agora vamos, suas avós vão devorá-lo vivo.

- Elas vão machucar minhas bochechas. – ele levou as mãozinhas até o rosto fazendo os pais rirem.

...

- Você foi muito bem. – disse Naruto puxando a coberta pra cobrir o filho.

- Papai, minha barriguinha ta dodói. – ele fez biquinho.

- Tá doendo? – Naruto puxou as cobertas e começou a massagear a barriga de Hikari, sabia que desde de que era um bebê o filho tinha episódios de cólicas - Melhor?

- Sim. – disse ele arrumando a camisa do pijama – Papai, eu gostei de estar com você e com o papa no mesmo dia de novo.

Naruto sentiu o coração arder enquanto voltava a cobrir o filho, suspirou.

- Eu sei que sente falta de como as coisas eram antes, filho, mas infelizmente não é mais assim. – explicou o loiro – O que não quer dizer que é ruim, não é?

- É. – ele ainda parecia um tanto triste – Boa noite, papai, eu te amo.

- Eu também te amo Hikari. – Naruto o beijou.

Naruto dormiu cedo naquele dia e acordou ainda mais cedo ouvindo o choro de Hikari, demorou alguns segundos até despertar de vez e notar que o filho estava chorando e alto, levantou-se descalço e tropeçando pelo corredor, abriu a porta do filho e o viu todo encolhido gemendo e chorando de dor.

- Hikari! – Naruto afastou as cobertas – Filho, o que foi?

- Tá doendo, papai! – disse gritando de dor.

- Onde? Precisa me falar onde? – perguntou Naruto, ao tocá-lo Naruto notou que estava muito quente e se desesperou – Calma, filho, vamos pro hospital.

Foi o tempo de colocar um tênis e entrar no carro com o garotinho gemendo e chorando de dor, mal parou o carro e já arrancou o filho da cadeirinha, entrou correndo chamando por ajuda no melhor hospital de Nova Iorque onde tinha o melhor plano de saúde. Foi atendido rapidamente, mas arrancaram Hikari de seus braços, estava desesperado como nunca ficava e mal conseguiu pensar em alguém além de Sasuke.

∞∞∞

Sasuke acordou com o celular tocando e quase desmaiou ao ver quem era, esfregou o rosto se sentando na cama.

- Naruto? – atendeu com a voz ainda rouca pelo sono.

- Sasuke... – ele parecia choroso.

- Naruto, o que foi? – perguntou acordando imediatamente – Você está chorando?

- É o Hikari, Sasuke. – ele contou e sim, estava chorando – Ele acordou chorando de dor e ardendo de febre, eu trouxe ele pro Saint Denis e arrancaram ele de mim, eu não sei de mais nada...

- Se acalma, eu estou indo. – Sasuke saltou da cama – Chego em cinco minutos.

Desligou o celular e agradeceu por ter tomado banho antes de dormir, vestiu-se rapidamente pegando apenas as coisas essenciais, enquanto dirigia não conseguia pensar em mais nada além de Hikari, seu coração estava apertado ao ponto da dor. Ele sabia que em alguns dias algumas multas chegariam em sua casa, mas não se importava só precisava chegar logo.

Avançou pelos corredores correndo desesperado até a ala pediátrica e viu Naruto sentado na sala de espera.

- Onde ele está? – Sasuke perguntou e Naruto se levantou.

- Eu não sei. – Naruto estava lutando contra as lágrimas, Sasuke se aproximou dele, queria tocá-lo e confortá-lo, mas não sabia se era o melhor. Um médico adentrou a sala, os animais infantis bordados em seu jaleco indicavam que era um pediatra.

- São os pais do Hikari? – perguntou e Naruto passou por Sasuke para se colocar diante dele, quase que como um instinto protetor o moreno se colocou atrás do menor.

- O que aconteceu com o meu filho, doutor? – perguntou Sasuke.

- Hikari está com um quadro crítico de apendicite. – disse ele e Naruto arfou preocupado, Sasuke sentiu o peito doer – Ele já reclamou de dores?

- Só ontem à noite, mas ele sempre tem cólicas e disse ter passado. – Naruto parecia culpar-se por isso.

- Provavelmente aconteceram outras vezes e ele não disse. – o médico parecia compadecido – Ele foi sedado, mas a qualquer momento o apêndice pode estourar e isso é mais que perigoso, é letal. Precisamos fazer a cirurgia imediatamente.

- É mesmo necessário? – Sasuke perguntou e o médico assentiu – Eu assino.

Sasuke assinou dois papeis depois de lê-los rapidamente e logo o doutor saiu levando o coração de Sasuke com ele. Naruto levou uma mão até a boca e rompeu em um choro dolorido, Sasuke não resistiu e o abraçou com força o fazendo desabar ainda mais.

- Eu estou com tanto medo, Sasuke. – sussurrou contra o peito de Sasuke. O moreno apertou ainda mais os braços em volta dele.

- Shhhi, ele vai ficar bem. – Sasuke sussurrou tentando esconder sua própria preocupação – Ele sempre fica, ele é forte.

Naruto pareceu ceder e aceitou o abraço de Sasuke, apertava as mãos em volta do casaco preto do maior como se temesse ter de soltar, o fato era que só eles se entendiam naquele momento.

- Naruto?

Sasuke praguejou antes mesmo que ver quem atrapalhava aquele momento, sentiu Naruto se mover para se soltar e o moreno largou o abraço virando-se para a entrada da sala de espera. O homem era alto, mas não tanto quanto Sasuke, tinha músculos aparentes mesmo sob as roupas sérias e o jaleco amassado, parecia cansado pelo tamanho das olheiras, mas desperto pois seus olhos verdes estavam vidrados em Naruto, tinha cabelos vermelhos desregrados e quando Naruto caminhou diretamente para o seu abraço Sasuke soube quem era. Gaara.

- Hey, meu bem, o que está acontecendo? – ele abraçou o pequeno corpo tremulo de Naruto e Sasuke sentiu uma imensa vontade de gritar para que ele soltasse.

- O Hikari está com apendicite, ele foi pra cirurgia... – Naruto disse baixinho. O ruivo alto afagava os cabelos de Naruto como quem queria acalmá-lo e Sasuke quis soca-lo.

- Naru, fica calmo. – ele afastou Naruto para secar as lágrimas de seu rosto – A cirurgia pra remover o apêndice é simples e o Natan é um ótimo cirurgião pediátrico, está tudo bem, eu juro que vai ficar bem.

Naruto assentiu e finalmente o olhar dos dois maiores se encontraram, Gaara soltou Naruto e se aproximou de Sasuke que o olhava de cima a baixo.

- Sou Gaara no Sabaku. – ele estendeu a mão e Sasuke nem se moveu.

- Sei muito bem quem você é. – disse Sasuke passando por ele e batendo em seu ombro, andou até Naruto – Vou ligar para as nossas mães, quer alguma coisa? Um café?

- Não, obrigado. – ele estafa atordoado e Sasuke entendia.

∞∞∞

Quando a mãe chegou Naruto se sentiu melhor, a abraçou com força e se permitiu chorar mais uma vez, não demorou pra Mikoto e Fugaku chegarem também preocupados e apreensivos, mas algo ainda incomodava Naruto.

Não era o fato de Sasuke e Gaara terem se conhecido daquele jeito e o moreno ter sido extremamente grosseiro, era o fato do único abraço capaz de trazer a verdadeira paz a Naruto ter sido o de Sasuke.

- Eu tentei saber notícias, mas não me deixaram entrar na sala de cirurgia. – disse Sakura se aproximando de Naruto.

- Mas já fazem três horas. – disse Naruto esfregando o rosto.

- Vai ficar tudo bem, meu bebê. – disse Kushina afagando o rosto do filho – A Sakura já disse que esse tipo de cirurgia é feito sempre.

- Mas ele é tão pequenininho, mãe. – lamentou Naruto.

- E é forte. – disse Sasuke e todos olharam para ele concordando – Aquele menino é um Uchiha e um Uzumaki, vai precisar de mais pra derrubá-lo.

- O Sasuke tá certo. – disse Ino com os braços cruzados – Hikari chutava forte durante a gestação, ele vai ficar bem.

Mas as horas eram massacrantes, Naruto não quis comer ou beber nada, só queria notícias do filho e isso pareceu impossível no momento. Podia sentir o olhar sanguinário de Sasuke quando Gaara vinha ver como Naruto estava e não poupava carinhos ou palavras doces para com o loiro que estava levemente desconfortável.

Por volta das quatro da tarde finalmente alguém veio falar com os familiares apreensivos.

- Está tudo bem com o Hikari. – disse Natan parecendo cansado – Ele está sendo removido pro quarto.

- E podemos vê-lo? – perguntou Naruto, afoito.

- Podem, ele tem direito a dois acompanhantes pela noite e é melhor que os outros o vejam amanhã de manhã quando ele estiver acordado. – disse o médico.

- Obrigado, doutor, muito obrigado. – disse Sasuke mais relaxado, era raro ver Sasuke agradecendo alguém com tamanha facilidade, mas o momento pedia isso.

- É claro que eu vou ficar. – disse Naruto.

- Eu trago umas roupas, você ainda tá de pijama. – disse Kushina afagando o filho – Posso ficar também.

- Eu também posso. – Mikoto se ofereceu.

- Eu vou ficar. – decidiu Sasuke mal-humorado por ninguém ter pensando nele – Ele também é meu filho.

- Calma ai, grandão. – disse Ino se encostando nele.

- Pode usar o banheiro dos médicos, Naruto, tem um chuveiro e tudo mais. – ofereceu Gaara.

- Tudo o que eu quero agora é ver meu filho. – disse o loiro.

Assim que todos se despediram Gaara levou Naruto e Sasuke para o quarto luxuoso onde Hikari ficou. Naruto se adiantou para perto da cama e seu coração se partiu ao ver seu pequeno desacordado e com um rostinho abatido.

- Ah, filho... – ele afagou o rostinho pálido.

Sasuke parou do outro lado da cama e fez o mesmo carinho na bochecha do filho, ele estava emocionado e isso era uma coisa muito rara para Sasuke Uchiha.

- Tem certeza de que ele está bem? – Naruto olhou para Gaara – Ele parece pálido.

- Ele é pálido. – disse Sasuke e o loiro considerou, era genético, os Uchiha pareciam vampiros.

- Está sim. – Gaara afagou as costas do loiro – Procure descansar também, meu bem, eu preciso ir, mas volto mais tarde.

- Estaremos ansiosos. – disse Sasuke Naruto lhe lançou um olhar furioso.

- Obrigada por tudo, Gaara. – agradeceu Naruto e o ruivo beijou seu rosto antes de sair, Naruto olhou para Sasuke – Precisava tratar ele assim? Ele só estava ajudando?

- Ajudando? O cara nem se importou se o nosso filho estava sendo operado, só queria dar em cima de você. – soou enciumado, mas Naruto estava cansado demais pra discutir.

...

Naruto se sentiu melhor depois de um banho e uma troca de roupas, voltou pra perto de Hikari e lá ficou, Sasuke saiu pra buscar comida mesmo Naruto não estando com fome, eles mal se falaram depois do abraço e talvez Sasuke nem ligasse.

- Trouxe um hambúrguer com bacon extra pra você, um suco de laranja também. – Sasuke colocou o saco sobre o colo de Naruto – Ainda é seu preferido?

- Não estou com fome. – disse Naruto.

- Não ajudá-lo se desmaiar de fome, já anoiteceu e você não comeu nada. – disse Sasuke se sentando na outra poltrona.

- Obrigado. – disse Naruto sem forças pra argumentar que aguentava mais. Comeu em silêncio e envergonhado com o olhar de Sasuke sobre si, o moreno alternava entre Hikari e Naruto, não desviava o olhar por nada – Você comeu?

Sasuke torceu a boca e Naruto soube a resposta, revirou os olhos porque aquilo era muito característico de Sasuke, pensar em Naruto e não nele.

- O que você estava falando sobre desmaiar de fome? – perguntou o Uzumaki.

- Comi uma barra de cereal quando fui comprar isso pra você. – ele se defendeu – Não quis comer, aquele doutorzinho me deixou enjoado.

- Vai tratar o Gaara assim sempre que ver ele? – Naruto jogou os papeis no lixo.

- Não pretendo vê-lo de novo. – disse Sasuke emburrado – Eu quero ele longe.

- Você não tem que querer nada, Sasuke. – o loiro se levantou.

- Mas eu quero, quero conversar e me entender com você, quero minha casa de volta, meu marido de volta. – Sasuke mordeu o lábio tentando controlar o tom – Eu quero me redimir.

- Fácil pra você querer isso agora, não acha? – Naruto cruzou os braços – Sabe, Sasuke, quando levaram o Hikari de mim hoje eu senti tanto medo que só consegui pensar em você, te liguei na hora porque eu queria você aqui, sabia que só você me entenderia e foi isso o que aconteceu. Quando você me abraçou eu senti paz, eu senti como se você pudesse me deixar melhor e por um segundo pensei em te dar uma chance de explicar, mas eu não posso, eu não consigo.

- Por favor, Naruto, você só precisa deixar eu falar com você. – ele pediu.

- E do que vai adiantar? Nada vai mudar, não pra mim. – Naruto olhou o filho – Hikari é o único elo que temos e que eu quero ter com você, desse jeito você não pode me magoar.

- Não entende, não é? – Sasuke abaixou a cabeça – Sou seu tanto quanto você é meu, Naruto. Eu sinto isso e sei que você também sente.

- Não é o suficiente. – o menor negou – Nos amamos, Sasuke, eu não nego isso, mas não sou seu Páris, sou seu Menelau, alguém que você não amou o suficiente.

- Meu Deus, cala essa boca. – Sasuke se aproximou – Você é Menelau, Páris, Lancelot e Romeu, você é tudo pra mim e não há outro além de você. Você é meu amor épico e eu sei que sou o seu. Me deixa tentar me redimir.

- Se você me ama como diz, fica bem longe de mim. – pediu Naruto e o moreno suspirou.

Sasuke estava pronto para falar algo quando um gemidinho vindo da cama os alertou, Naruto olhou para Hikari e o viu acordar piscando algumas vezes, Sasuke se aproximou da cama parecendo esquecer do que estavam falando anterior mente. Os olhinhos azuis de Hikari encontraram Naruto primeiro e depois Sasuke, parecia confuso e até assustado.

- Oi, campeão. – Sasuke sussurrou afagando o rosto de Hikari.

- O... o que aconteceu, papa? – sua voz estava ainda mais infantil se é que é possível.

- Você ficou doente, filho, tinha uma coisa ruim dentro de você, mas os médicos bonzinhos já tiraram. – Naruto espantou a vontade de chorar, não queria assustá-lo – Vai ficar tudo bem.

- E-Eu 'quelo' ir 'pla' casa. – ele levou a mãozinha livre até o rosto para esfregar os olhinhos.

- Eu sei, meu príncipe, mas precisa ficar um pouco mais aqui. – disse o loiro com voz doce – Eles tiveram que fazer um cortezinho em você e eles precisam cuidar pra você ficar bom logo.

Hikari ainda parecia assustado e Naruto não sabia o que fazer pra ajudar.

- Hey, carinha, quer saber de uma coisa legal? – Sasuke perguntou sorrindo – Você vai ficar com uma cicatriz bem maneira, como aquelas do Wolverine.

Finalmente Hikari sorriu e Naruto teve que sorrir junto, pareceu tão natural para Sasuke que o Uzumaki até mesmo o invejou.

∞∞∞

Dois dias depois Hikari recebeu alta e foi paparicado por todos, estava mais manhoso que o normal, mas Sasuke não se importava, gostava de paparicar o filho ainda mais depois daquela maldita apendicite. O menininho não quis ir no colo dos avós ou dos tios, até mesmo a madrinha ele rejeitou, só queria os braços de Sasuke que estava adorando o olhar enciumado de Naruto.

Todos foram embora porque Hikari precisava descansar, já era noite e ele estava sonolento pelos remédios. Naruto afastou as inúmeras cobertas e ajeitou os travesseiros, Sasuke colocou Hikari na cama com extremo cuidado e deixou que o loiro o cobrisse.

- Tenta dormir um pouco, filho. – disse Sasuke, Naruto se inclinou beijando a testa do pequeno.

- Você foi muito bem nesses dias, quase um super-herói. – disse o loiro e Sasuke assentiu concordando, o filho sorriu.

- Posso falta na escola amanhã, papai? – fez beicinho e os dois mais velhos sorriram.

- Não só amanhã como o resto da semana e da próxima também. – isso bastou para Hikari abrir o maior sorriso do mundo, Sasuke podia jurar que era idêntico ao de Naruto. O loiro pegou a pequena raposa de pelúcia e colocou nos braços do filho – Agora dorme um pouquinho, meu amor.

- Boa noite, papai, eu te amo. – disse afundando mais na cama, geralmente se viraria na cama, mas ainda sentia um pouco de dor, olhou para Sasuke – Boa noite, papa, eu também te amo.

- Boa noite, amigão. – Sasuke beijou sua testa – O papai te ama.

- Você vem me ver amanhã? – perguntou.

- É claro que sim. – Sasuke prometeu.

Naruto e Sasuke saíram do quarto e apagaram a luz, Sasuke ainda se sentia estranho tendo que deixar a própria casa, mas seguiu Naruto até o andar de baixo.

- Posso vir amanhã? – perguntou Naruto parou para olhá-lo, ele parecia cansado e estressado, afagou a nuca com a mão direita.

- É claro, Sasuke, ele vai adorar. – deu um meio sorriso.

Sasuke sorriu de volta e passou pelo loiro em direção a porta, mas sentiu como se não pudesse simplesmente sair, virou-se para o menor.

- Naruto. – disse.

- Que foi? – perguntou ele. Sasuke avançou pousando uma mão na nuca de Naruto e a outra em sua cintura, sem mais nada juntou seus lábios.

Era claro que ele não esperava por aquilo e por isso nos primeiros segundos não correspondeu, Sasuke morreu de medo de ser rejeitado e empurrado, mas sentiu o coração arder quando ele entreabriu os lábios o aceitando. O beijo era lento e íntimo, era como se Sasuke o beijasse pela primeira vez e inebriou-se em seu gosto, ele ainda tinha o mesmo sabor nos lábios.

Sasuke sentia como se não o beijasse há séculos, trouxe-o pra ainda mais perto enrolando a língua na dele, seus lábios de massageavam mutuamente como antigamente, era o melhor beijo do mundo, Sasuke não queria que acabasse, mas o ar faltou e ele precisou findar o osculo, o fez com três selinhos lentos e colou suas testas. Sentia-o tremer.

- Sente isso? É amor, Naruto. – sussurrou abrindo os olhos e o olhando, adorável com as bochechas coradas e os lábios levemente avermelhados – Me chame de egoísta de quiser, mas te amo demais pra te deixar ir.

Deixou-o naquela sala e saiu pela porta, entrou em seu Audi e deu partida, foi impossível não sorrir bobo ao lembrar de que ele tinha correspondido, mesmo que inconscientemente ele queria aquele beijo. Ele ainda queria.



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