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Nome: Баба-яга
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Adjetivos pra quê?

Postado

Alô, gente fina!



Há alguns dias escrevi um jornal — “O tal do Mesmo” — que pode ter gerado uma espécie de confusão entre os leitores. Por aqui nós apreciamos uma boa polêmica, e não há coisa melhor para causar a discórdia que falar do queridinho das fanfiqueiras: o adjetivo.
Citando um trecho do outro jornal:

Citação:

[...] autores precisam parar de caçar adjetivos esquisitos — pra não dizer inadequados — por medo de usar nomes próprios.


Quando digo “adjetivos esquisitos”, é a isto que me refiro:

Citação:

Karin e Hinata eram excelentes profissionais; enquanto a rubra era uma respeitada médica, a perolada atuava como engenheira.

Citação:

Bakugou, Midoryia e Uraraka deixaram de ser parceiros de luta há muito tempo. A castanha e o esverdeado não concordavam com algumas atitudes do loiro, o que resultou em uma tremenda briga.


— Mas o que faremos agora? — Perguntou o mais baixo.
— Não sei — Respondeu o mais alto.
— Não podemos ficar de braços cruzados! — Exclamou a rosada.
— O que você sugere? — O moreno perguntou de forma ríspida.
— Não fale com ela dessa forma! — Disse o loiro.


Os trechos não foram retirados de alguma história, mas você certamente reconhece esse estilo de narrativa. O uso excessivo de adjetivos e a busca por palavras diferenciadas unem seus poderes para invocar a super-fanfoque-repetitiva-e-esquisita!



Já discutimos no jornal anterior sobre o uso de pronomes e como evitar poluir sua narrativa com adjetivos em excesso; isso não significa, entretanto, que você não possa substituir o nome dos personagens por suas características. Como tudo nessa vida, a escrita precisa de equilíbrio — a ideia não é que você abandone completamente os adjetivos, mas que os use conscientemente.
Saiba que papel exercem as palavras que você usa! Uma escrita madura não desperdiça palavras; um livro bem escrito sabe o que quer informar ao leitor a cada momento, ainda que tenha milhares de páginas.
O que eu quero dizer é que as narrativas são feitas de escolhas: é preciso saber analisar o que cada escolha representa. Por exemplo, perceba como uma escolha interfere no significado de todo um parágrafo:

Citação:

— Preciso do pagamento, seu Madruga — declarou o senhor Barriga.

Citação:

— Preciso do pagamento, seu Madruga — declarou o arrendador.


As duas escolhas — senhor e arrendador — dizem muito ao leitor, pois cada uma destaca um aspecto distinto das características do personagem. O verbo 'declarar' não transmite emoção, entonação ou posição hierárquica, função que o adjetivo e o pronome, aqui, assumem.
Quando me refiro ao senhor Barriga, destaco o tratamento de “senhor”, mais refinado que o “seu” Madruga. Entretanto, o foco da requisição do personagem não está na relação locador-locatário; nesse primeiro momento, eu escolhi não esclarecer ao público que o pagamento se refere ao aluguel.
Já na segunda passagem, quando o senhor Barriga se torna “arrendador”, a relação entre os personagens é explícita: o senhor Barriga é proprietário do imóvel e o pagamento, provavelmente, se refere ao aluguel.

Nas sutilezas reside o encanto das histórias.



Se você, diferente de mim, é aquele escritor caprichoso, que adora fazer uma ficha de personagem cheia de referências, imagens e músicas-tema, chegou sua hora de brilhar! Saque o caderninho de anotações do bolso e verifique todas as características do seu personagem — não apenas características físicas, como cor do cabelo e dos olhos, mas suas aspirações, relações, posição social, habilidades. Tudo isso pode servir como adjetivo na hora de substituir os pronomes.
Uma maneira interessante de usar esse recurso é se perguntar: “que papel meu personagem está representando neste momento?”. Nas aulas de Sociologia, no Ensino Médio, aprendemos que tendemos a nos identificar de maneiras diferentes de acordo com o ambiente onde estamos; use essa ideia na sua história. Vamos a alguns exemplos práticos.

Este é o Roberval.



Ele é pai de Roberval Jr. e Alípia, esposo de Xaiane, filho de Filisberta, amigo de Asdrúbal, Procópio e Robiscleuza. Roberval trabalha como pizzaiollo. Seus hobbies são praticar sinuca, cantar óperas em si bemol, comer apenas M&M’s vermelhos e assistir a recitais de xilofone no YouTube.

Escreveu Cena 1

Alípia perdeu-se no shopping quando todos saíam do cinema. O pai moveu as patinhas o mais rápido que pôde ao avistá-la sendo escoltada por um policial.


Nessa cena, qual das características de Roberval é a que se destaca? Ser pai de Alípia. Eu poderia usar “o pizzaiollo” nesse contexto sem perda do significado, caso meu leitor soubesse que Roberval prepara deliciosas pizzas, mas não é isso o que eu desejo frisar.

Escreveu Cena 2

Uma gigantesca fila de clientes se avolumava em frente à porta da pizzaria de Roberval.
— Saindo três de palmito e duas portuguesas — o pizzaiollo gritou ao garçom, satisfeito, esfregando as patinhas cor-de-rosa.


Nesta cena, de pouco me vale informar ao leitor que Roberval foi campeão de sinuca e truco em 96.

Depois de toda essa exemplificação, concluímos: esteja ciente do que representam os adjetivos que você usa. Isso nos leva, por fim, aos adjetivos esquisitos, que geralmente se referem a alguma característica física.
Fanfiqueiros tendem a supervalorizar a aparência dos personagens, tratando suas características físicas como atributos absolutos e onipotentes; uma prática que empobrece pra caramba as narrativas, restringindo as possibilidades de descrição e sobrecarregando o leitor. Como mencionei antes, não é sobre ser ou não permitido mencionar a cor dos cabelos, dos olhos ou da pele dos personagens — é sobre usar esse recurso conscientemente. Saber em que momentos a cor dos cabelos realmente importa e em quais momentos não é tão relevante.
Lembra-se dos exemplos que vimos mais cedo? Castanha, rubra, rosada, perolada, esverdeado... são todos adjetivos que se referem a cores. Uma pessoa rubra seria mais ou menos assim:



Uma pessoa esverdeada, assim:



Uma pessoa rosada, assim:



Peculiar, não é? É o que quero dizer com "adjetivos esquisitos", e creio não ter deixado claro no último jornal (desculpe-me por isso). Não entendo o que leva uma pessoa a diferenciar os personagens pura e exclusivamente por suas estaturas ou, mais frequentemente, cores de cabelo. Uma pessoa é tantas outras coisas além disso! Quando me refiro ao Roberval, é tão importante lembrar ao leitor o tempo todo que a cor de sua pele é rosa?



Enfim, este é o jornal de hoje. Antes de me despedir, porém, gostaria de pedir para que você não me leve muito a sério. As coisas que eu disse são baseadas em puro e simples achismo, informações tiradas do Instituto de Pesquisa Juro por Deus. Se você gosta de usar as características físicas como parâmetro para suas narrativas, não se deixe desanimar por este jornal que reflete apenas os meus gostos como leitora chata.
Não tô querendo ditar regra para ninguém; todos somos livres para escrever e criar da maneira como nos convém, e a beleza da literatura está justamente na pluralidade e diversidade. Portanto, das coisas que eu disse, guarde aquilo que te parece justo e ignore o que for besteira da minha parte.



Obrigada por sua leitura e até mais!


Permalink Comentários (6)

[19/12/2020] AwardsBR: o tal do Mesmo

[08/12/2020] Pedidos de betagem abertos, mas não por muito tempo

[17/11/2020] A Grifinória é uma casa de grandes vilões

[07/10/2020] Aurora NÃO É a protagonista de "A Bela Adormecida"


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Jornal Cronograma de Apresentação - Iniciativa BetaCity
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Boa noite meus anjinhos. Tudo bem com vocês? Espero que sim. Vim hoje mais uma vez pra convidar vocês à participar do nosso cursinho que está acontecendo no..
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@Shinylips esses gregos antigos são uns safados
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@Shinylips sua dor é a minha dor
seus inimigos são meus inimigos
diz o nome dessa equação pra eu descer o braço nela
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@choientist você não pode ver mas estou encabulada ><
se a Bia falou então é lei