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Nome: ゚。・₊˖Ꮺ [𝗵𝗲𝗶𝘁𝗼𝗿/𝗯𝗿𝗲𝗻𝗼] ❛ ꜜ
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𝙢𝙪𝙧𝙥𝙝𝙮, 𝙝𝙖𝙧𝙙𝙮, 𝙜𝙮𝙡𝙡𝙚𝙣𝙝𝙖𝙖𝙡, 𝙚𝙫𝙖𝙣𝙨 [&] @masked-her little b!tch.

. . .swm; chillin' like a villain!. . .

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Escreveu 。 ・ムꜜ✩ 𝐀 𝐂𝐔𝐋𝐏𝐀 𝐍𝐀̃𝐎 𝐅𝐎𝐈 𝒕𝒂𝒍𝒗𝒆𝒛 𝒕𝒆𝒏𝒉𝒂 𝒔𝒊𝒅𝒐 Ꮺ❛✧₊𝑴𝑰𝑵𝑯𝑨, 𝐞𝐮 𝐣𝐮𝐫𝐨 𝐬𝐨𝐥𝐞𝐧𝐞𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 ..!や◟
Mostrar Spoiler: #˚· ✩¸ 𝐘𝐎𝐔'𝐋𝐋 𝐍𝐄𝐕𝐄𝐑 𝐊𝐍𝐎𝐖; 𝐮𝐧𝐥𝐞𝐬𝐬 𝐲𝐨𝐮 𝐰𝐚𝐥𝐤 𝐢𝐧 𝐦𝐲 𝐬𝐡𝐨𝐞𝐬! Ꮺ❝ ››
O quão louco eu tenho que estar para escrever algo desse tipo? Se alguém me ver fazendo essa baboseira é bem capaz que eu seja internado, mas honestamente, já faz muito tempo que eu parei de me importar com a opinião alheia, e olha, se tem uma coisa que o alcoolismo me trouxe foi a habilidade de poder fazer qualquer coisa, por mais louca e inexplicável que seja, e não ser julgado por isso. Bem, escrever para você é uma delas. Olha, há tantas coisas que eu gostaria que você soubesse e mais ainda as que eu gostaria de mudar no meu passado; eu sinto que poderia passar o dia escrevendo aqui sobre elas, mas esse não é o intuito, né? Eu aposto que você não imaginaria que conseguiria decair tanto em tão pouco tempo. Que teria que aprender sozinho a se virar e perceber que você é o seu único melhor amigo. Você também não se imaginaria tentando fazer com que o seu colega de quarto não morresse por causa de uma overdose de heroína, mas aqui está você, tão fodido como sempre esteve. Sabe, hoje eu tava pensando em como começar a escrever e me deu uma saudade da mamãe. Isso é estranho? Não dela em especial, mas dos momentos que poderíamos ter tido juntos. Será que é possível sentir saudade de coisas que nunca sequer aconteceram? Eu acho que esse é o pior tipo de saudade. Nesse exato momento você deve estar vivendo muitas das várias coisas de que eu não sinto falta, então eu acho que só posso te desejar forças, porque provavelmente você ainda é um "homem de verdade" nessa altura do campeonato, e não um banana como eu. Você ainda não sabe, mas o seu futuro vai ser ainda mais difícil que o passado, e sinceramente? Não há nada que possamos fazer com isso. Algumas pessoas simplesmente já nascem fadadas ao fracasso. O que eu peço é que você aproveite. Abrace a sua irmã, converse com os seus amigos e viva intensamente esse momento, mesmo que o nosso pai fique no seu pé e te impeça de fazer grande parte dessas coisas, por favor, faça! Seja feliz e ame muito, porque daqui alguns anos o seu amor vai ser todo voltado a uma garrafa de tequila e um adesivo de LSD. O quão frustrante é isso? A vida nunca foi fácil pra gente e o quanto antes você entender isso melhor, mas eu não ousaria tirar a sua felicidade agora, pois eu ainda preciso que você viva os momentos felizes dos quais hoje em dia eu sinto falta, e que nunca se esqueça que você é um vencedor só por estar aí, aguentando as brigas diárias, vivendo em um lar que nunca te acolheu e engolindo em seco todas essas reclamações infundadas. Eu te amo muito, pequeno Vince. Mais do que a mim mesmo. Nunca se esqueça disso.
De um projeto de homem adulto para um pequeno grande homem.
Escreveu ゚。 ・ムꜜ✩ 𝑨 𝑯𝑰𝑺𝑻𝑶́𝑹𝑰𝑨 𝑸𝑼𝑬 𝑼𝑴 𝑵𝑶𝑴𝑬 𝑪𝑨𝑹𝑹𝑬𝑮𝑨 Ꮺ❛✧₊ 𝐞 𝐚 𝐫𝐚𝐢𝐯𝐚 𝐩𝐨𝐫 𝐭𝐫𝐚́𝐬 𝐝𝐞𝐥𝐞 ..!や◟
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› QUANDO JULIA HARTLEY — à época Lorak Heinsberg — tomou ciência de sua gravidez, o seu casamento com Dominick Heinsberg já estava em seus estágios finais, e ambos sabiam disso. Embora muito respeitado pela população da cidade, o patriarca da família nunca havia tratado a esposa com o respeito, fidelidade e carinho que por ela eram esperados desde o ato do cônjuge: Dominick passava horas fora de casa, com sorte, chegava apenas para o jantar; isso quando suas noites não eram passadas nas camas de outras mulheres. Julia, grávida de apenas dois meses, estava sozinha. Os seus dias eram restritos a passeios nos parques da cidade, cuidar da casa para que tudo estivesse no lugar quando o marido chegasse e, mais importante: planejar a melhor forma de contar ao homem de sua gravidez recém descoberta. Julia tinha medo da reação de Dominick, mas nem mesmo isso poderia lhe roubar a felicidade que percorria em todas as veias de seu corpo. Ela seria mãe pela primeira vez, e ao menos naquele momento, somente isso bastava. Esperando o momento considerado ideal para revelar a informação ao marido, fora um baque quando este lhe pediu o divórcio e mudou-se de cidade, indo morar com sua amante que, segundo as más línguas, estava igualmente esperando um filho seu. Não era como se Julia estivesse sozinha: ela tinha os seus pais, alguns amigos mais próximos e mesmo Dominick não tinha a deixado na mão; mas mesmo assim a solidão e o fardo de saber que cuidaria sozinha daquele bebê eram sentimentos recorrentes em sua mente.
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› ESCOLHER O NOME DE SEU FILHO passou então a ser um grande passatempo na vida da loira, que não pôde esconder a felicidade diante a descoberta do sexo do bebê. O nome “VINCENZO” apareceu repentinamente em sua vida ao ver casualmente em uma das revistas que a mulher tinha recebido de sua colega de trabalho. É uma variação italiana de Vicente e significa “aquele que vence” ou “o que conquista”. Para Julia, pesquisar nomes em livretos como aquele era algo que ela nunca imaginara fazer, mas o nome a cativou imediatamente e ela nem mesmo esperou pela autorização de Dominick quando começou os preparativos para o enxoval de seu primeiro e único filho: Vincenzo Lorak Heinsberg. Sobrenomes esses que são ambos oriundos do patriarca, que mesmo distante, exigiu que fossem adicionados ao seu filho; ao passo que “Hartley”, nome de solteira da mãe, fora esquecido e negligenciado no momento de seu registro. Vincenzo inicialmente não se importou com tal fato, já que não tinha idade para tal, mas especialmente após a sua mudança para a casa de seu pai, o sobrenome Lorak fora adotado por ele como seu único, vide o absoluto asco que tinha ao ser chamado de Heinsberg e consequentemente ser interligado não só com o seu pai e imobiliária de mesmo nome, como também à família da mulher com quem Dominick traiu sua mãe. Desde a sua adolescência, portanto, é comum que o homem se apresente apenas como Vincenzo Lorak, o que automaticamente evita perguntas do tipo “Então você é o bastardo de Dominick?” e assimilação com seu pai, de quem sempre preferiu estar o mais distante possível.
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› SOBRE APELIDOS E MODOS INFORMAIS DE CHAMÁ-LO, desde a sua infância o nome “Vince” fora intrínseco e inerente ao garoto, de maneira instantânea e orgânica. Chamá-lo de Vince é como chamá-lo pelo nome: é normal e ele não se incomoda. Amigos, desconhecidos, familiares, todos o fazem com liberdade e, para Vincenzo, não há motivo algum para se chatear com isso, já que por vezes alheios até pensam que Vince é realmente o seu nome. Fora este, era bem comum em sua adolescência que os seus amigos mais próximos — especialmente os homens — costumavam chamá-lo de “Lorak” ou “Berg”, mais para irritá-lo e tirar uma com a sua cara. Ambos tornaram-se uma piada interna de sua rodinha de amigos. “Enzo” também é recorrente e ele mesmo não se incomoda, assim como “Vinci” ou “Da Vinci”, criados a partir das fonéticas parecidas de seu nome com o sobrenome de Leonardo da Vinci.
Escreveu ゚。 ・ムꜜ✩ 𝐐𝐔𝐀𝐑𝐄𝐍𝐓𝐀 𝐕𝐄𝐋𝐀𝐒 𝐀𝐂𝐄𝐒𝐀𝐒 Ꮺ❛✧₊ 𝐞𝐦 𝐚𝐧𝐢𝐯𝐞𝐫𝐬𝐚́𝐫𝐢𝐨𝐬 𝐯𝐚𝐳𝐢𝐨𝐬 ..!や◟
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› VINCENZO LORAK NASCEU NO DIA quinze de setembro de mil novecentos e setenta e nove, na cidade de Glendale, no estado do Arizona. Era ali que Julia vivia desde o seu nascimento e também fora o lugar onde um dia morou com seu ex-marido e concebeu o seu filho primogênito. Quando os seus gritos ensurdecedores eram ouvidos por toda extensão da sala de parto e o corredor afora, o seu pai e sua mãe foram as únicas pessoas que a confortaram, segurando a sua mão até o último momento, quando o pequeno e frágil bebê deu o seu primeiro suspiro, às quatro e vinte e um daquela madrugada. O pai do garoto não marcou presença em nenhum momento daquele dia. Nem no dia seguinte. Ou no próximo. Apenas três dias após o nascimento do filho, Dominick Heinsberg apareceu no hospital quando Julia recebeu alta de seu médico. Aquela fora a primeira e única vez em que os dois se encontraram após o divórcio; fora marcada por um silêncio constrangedor e a recusa do homem em permanecer por mais que cinco minutos na companhia do pequeno Vince. Segundo ele, sua atual mulher também necessitava de sua companhia por estar grávida de sete meses, então ele se foi, rápido como havia chegado. Vincenzo permaneceu na cidade de Glendale mesmo após a morte de sua mãe, e só se mudou para a capital Phoenix, a cerca de quinze quilômetros de sua cidade natal, quando tinha treze anos completos.
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› ANIVERSÁRIOS, PARA VINCE, são uma época conturbada e desde que passou a morar com a nova família de seu pai, optou por não comemorá-los mais, o que de certa forma despertava a curiosidade de todo o pessoal de seu colégio, que esperava ao menos uma festa vinda de uma família como os Heinsberg. Vincenzo nunca foi questionado por seu pai se isso era um desejo seu — e nem nunca desejou que isso acontecesse —, mas tal fator não impedia que alguns amigos vez ou outra fizessem alguma pequena confraternização ou que o garoto convidasse a sua irmã para sair e jantar, após ganharem intimidade para tal. Atualmente a ânsia em comemorar com festas é ainda menor, e o dia quinze de setembro não é nada mais que um dia comum, como outro qualquer. Regido pelo signo de Virgem, Vincenzo nunca direcionou sua crença a fatores astrológicos, muito embora reconheça certas "coincidências" e características que realmente batem com a sua personalidade e a maneira como se apresenta ao mundo. Desde os seus vinte e um anos, Vincenzo vive na cidade de Boston, no estado de Massachusetts, junto de um amigo de infância e primo de segundo grau. Atualmente ele possui os seus quarenta anos completos na metade de setembro.
Escreveu ゚。 ・ムꜜ✩ 𝐋𝐄𝐎𝐍𝐀𝐑𝐃𝐎 𝐃𝐈𝐂𝐀𝐏𝐑𝐈𝐎 Ꮺ❛✧₊ 𝐞𝐦 𝐚𝐦𝐛𝐚𝐬 𝐚𝐬 𝐟𝐚𝐬𝐞𝐬 ..!や◟
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› VINCENZO LORAK SEMPRE FOI UM GAROTO BONITO, e seria hipocrisia do mesmo dizer que não reconheceu tal atributo em nenhum momento de sua vida. Especialmente em sua adolescência, era comum que as pessoas se aproximassem dele por vários motivos, como a riqueza de sua família, o fato dele ser um forasteiro, desconhecido aos olhos alheios e “carne nova” no colégio; mas também por seu charme. Vince era um galã, sempre preocupado com o penteado em seu cabelo e exalando uma vaidade que, mesmo que maior que o usual e comum, não extrapolava os limites, nem muito menos atingia o egocentrismo e narcisismo. O seu vestuário variava muito da polidez impecável de uma roupa de marca até calças surradas e casacos abertos que dependiam e muito do seu humor no momento. Os olhos azuis e os cabelos castanhos que beiravam o ouro sempre foram suas características físicas mais marcantes desde a adolescência, período em que também mantinha um corpo magro, quase isento de músculos excessivos, de exatos cinquenta e dois quilos. O tempo apagou algumas de suas feições, trouxe várias rugas de expressão e um aumento considerável em seu peso que atualmente vem diminuindo novamente. Mesmo com o rosto mais rígido e preocupado, os olhos ainda brilham vivos e o seu charme e sedução não se perderam: Vince continua um galã, com seus um metro e oitenta e três centímetros e setenta e seis quilos.
Escreveu ゚。 ・ムꜜ✩ 𝐋𝐀𝐑𝐀𝐍𝐉𝐀𝐒 𝐄 𝐁𝐀𝐍𝐀𝐍𝐀𝐒 Ꮺ❛✧₊ 𝐮𝐦 𝐦𝐮𝐧𝐝𝐨 𝐚 𝐝𝐞𝐬𝐜𝐨𝐛𝐫𝐢𝐫 ..!や◟
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› VINCENZO NUNCA TEVE QUALQUER DÚVIDA quanto ao seu gênero designado em seu nascimento, sendo portanto classificado como um homem cisgênero e admite ser um pouco leigo em tal assunto. Não é como se ele tivesse tido a oportunidade de estudar sobre transgêneros ou mesmo sobre os espectros que compreendem a comunidade LGBTQ+; Vince fora criado em um lar fechado, que negava veementemente a expansão de seus pensamentos e questionamentos em observações e fatores que fugiam do padrão heteronormativo que fora estabelecido logo em seu nascimento. Em sua casa, nunca houve espaço para a discussão destes assuntos e os mesmos nunca foram postos à mesa, o que fez com que o ensino médio de Vincenzo fosse fortemente marcado pela confusão e a camuflagem de sentimentos que ele ainda não entendia muito bem, mas que preferia ignorar. Para o Vince de dezoito anos, o sentimento até então estranho que sentia por alguns de seus amigos homens poderia ser explicado da maneira mais fácil — e errônea — possível: era carinho. Era o cuidado e o companheirismo que todo amigo sentia pelo outro; mas será mesmo? O coração palpitar e as borboletas que sentia em seu estômago quando ficavam a sós, completamente nus, no vestiário masculino pós treino não demonstravam ser sentimentos de amizades, mas ele também não tinha interesse em ir mais fundo em tal assunto. O seu real interesse era camuflá-lo e fazer o possível para que ninguém percebesse.
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› O SEU PRIMEIRO BEIJO FORA NO ENSINO MÉDIO com uma garota de sua classe, e o desenrolar de sua sexualidade após isso deu início a poucos namoros que ele tentou ao máximo cultivar. A sua saída do colégio e da cidade de Phoenix marcou o início de uma nova vida para o Lorak, que agora tinha a oportunidade de desvendar não só o seu interior, como também realizar atos e ações que certamente seriam veementemente proibidos pelo seu pai, se o mesmo soubesse. Quando leu pela primeira vez o nome “bissexual”, foi como se um mundo de oportunidades estivesse ali, de portas abertas para ele, esperando que ele tivesse coragem o suficiente para adentrar e experienciar o que nunca havia feito até então. Inicialmente ele não teve, e só com vinte e um anos foi quando beijou um homem pela primeira vez em toda a sua vida. A partir de então, vários foram os relacionamentos com ambos os sexos que ele engatou, e todos eram exatamente iguais: independente se homem ou mulher, as relações eram verdadeiras montanhas russas, repletas de altos e baixos, que atingiam o seu ápice do calor e desejo, mas que com a mesma exímia facilidade se esfriava e eram finalizadas após uma jornada por vezes exaustiva, que sugava todas as suas energias, mas que não o deixava triste. Ele sabe lidar com o término. Ao menos com alguns deles. Vincenzo hoje em dia, com seus quarenta anos, é muito bem resolvido com sua orientação sexual e não mente, nega ou esconde isso de quem quer que queira saber. De toda forma, é mais do que válido ressaltar que por mais que saiba a sua denominação e não tenha vergonha disso, Vincenzo é um tanto quanto fechado à ideia de estudar mais a fundo tudo o que compreende a comunidade em que está inserido. Nem mesmo com sua própria sexualidade é despertado um interesse de estudo, e por vezes pode adotar um comportamento leigo sobre todos os assuntos que a compreende. Ele evita dialogar sobre, em sua mente ele sabe o que precisa saber, e isso é tudo o que sempre bastou no momento.
Escreveu ゚。 ・ムꜜ✩ 𝐌𝐔𝐃𝐀𝐍𝐂̧𝐀 𝐆𝐑𝐀𝐃𝐀𝐓𝐈𝐕𝐀 Ꮺ❛✧₊ 𝐞 𝐫𝐞𝐠𝐫𝐞𝐬𝐬𝐚̃𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐬𝐭𝐚𝐧𝐭𝐞 ..!や◟
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› VINCENZO SEMPRE FOI UMA PESSOA DE FASES. Desde muito pequeno as mudanças repentinas de personalidade do garoto foram alvos de desconfiança por parte de sua família, bem como um possível enquadramento em um cenário de bipolaridade, o que descobriu-se não ser verdade após algumas poucas consultas. O fato é que o garoto é absurdamente mutável, tornando-se assustadoramente incompreensível à maneira como fatores externos conseguem moldar ou mesmo transformar o seu modo de agir, os seus sentimentos e atitudes que variam muito. Em sua adolescência, Vince era literalmente o garoto de ouro, em todos os sentidos: embasado nas riquezas de sua família e em seu comportamento e disciplina invejados e a paixão — não necessariamente romântica — que ele despertava nas mais diversas pessoas, fosse pela maneira calma e alegre com que lidava com tudo o que era referente a escola, por seu sorriso sedutor e charme inigualável ou mesmo por sua dita inocência, que não passava de um falso estereótipo jogado em cima do garoto de comportamento inerente à atitudes bondosas e corpo e aparência padrão de uma pessoa que aparentemente nunca precisou e definitivamente nunca precisaria passar por nada de ruim em toda a sua vida. Mas não era bem assim. Vincenzo fora, desde muito pequeno, ensinado a superar, a lidar com a dor, com a perda, e a extinguir de sua vida qualquer resquício de orgulho ou infantilidade que uma criança deveria e tem a permissão de ser. Ele não desfrutou de tanto luxo e fora praticamente obrigado a amadurecer rápido. Soube desde muito pequeno a lidar com seus sentimentos — ou mesmo fingir que eles não existissem — e seguir calma e tranquilamente com a sua vida. Quando se mudou para a casa de seu pai, toda a situação piorou, porque agora ele não tinha mais os seus avós, tios ou primas para contar: ali, naquela casa grande, vasta e vazia, ele só tinha a si mesmo; e foi então que aprendeu que Vincenzo Lorak era o seu melhor amigo e único companheiro fiel e vitalício. Vince tornou-se o seu maior confidente, agora ele se expressava consigo mesmo, ninguém teria o direito de saber os seus sentimentos, pensamentos e medos; ninguém saberia que por trás de toda a postura de bom e simpático garoto existia uma criança desesperada por ser ouvida. Em ser reconhecida e atendida.
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› O ADOLESCENTE ESBANJAVA SORRISOS PARA QUEM QUER QUE FOSSE, mantinha-se em seu status inalterável de “golden boy” e sempre disposto a ajudar todos. Vince não era um amigo para todas as horas, no entanto, nem muito menos era companheiro de todas as pessoas: ele sabia muito bem distinguir as pessoas que realmente gostavam dele, das que estavam ali por segundas intenções, e isso era uma característica da qual tinha orgulho — e que perdeu ao longo dos anos por depositar confiança em pessoas que de maneira alguma a mereciam. Ele também sempre precisou e zelou pelo seu tempo sozinho. Era extremamente comum que ele fosse atingido por um misto de tristeza e raiva indolores e intrínsecas em seu corpo, cancelando quaisquer compromissos que teria com amigos para simplesmente ficar em casa, refletindo — e chorando, é claro. A gentileza é outro aspecto que felizmente nunca o deixou, e inclusive é a responsável pelas amizades que cultiva nos dias atuais. Vincenzo é do tipo que não pensa duas vezes antes de ajudar um companheiro necessitado, seja financeiramente ou oferecendo conselhos reais, o que é louvável. Embora no campo escolar fosse muito apreciado, era segredo aos alheios o que se passava dentro de sua casa, e aí o seu verdadeiro cotidiano, personalidade e atitudes podem ser verdadeiramente estudados: como o garoto desesperado que era. Sedento por normalidade, ele repudiava o período da noite por ser a parte do dia que tinha que compartilhar o ambiente com aquela pessoa que menos gostava em todo o planeta: o seu pai. Dominick Heinsberg foi um forte formador de caráter para Vince, mas pelos motivos invertidos: o mais velho representava tudo o que o mais novo não queria ser nunca em sua vida. O simples fato de ser comparado ao seu pai já despertava um misto de sentimentos em seu estômago e o fazia querer vomitar, porque Vince se esforçava. E como se esforçava. Ele tentava ao máximo não se tornar igual ao pai, ao mesmo tempo em que era praticamente obrigado a repetir atitudes do mesmo e igualar pensamentos pois necessitava ser aceito. Ele precisava fazer o que Dominick queria pois só assim ele o deixaria em paz; e não importava o quanto tentasse, Vincenzo Lorak nunca foi e nem nunca seria o filho perfeito que existia somente nos sonhos do patriarca da família.
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› É CORRETO AFIRMAR QUE SE VINCENZO FOI UMA PESSOA MADURA em sua adolescência, o exato oposto acontece em sua fase adulta. O tempo enrijeceu não somente os seus traços físicos, como também alguns de seus psicológicos. Em dado momento, ele não tinha mais para quem fingir e se entregou para as garras do garoto que sempre foi: solitário, desesperado por ser aceito, por ser integrado e ser definitivamente diferente do que realmente era. Vince tornou-se um homem inconsequente, que não pensa em suas atitudes — ou o faz em menor escala — e se joga no escuro sem medo do perigo. Ele sabe como aproveitar a vida, e são nesses momentos em que o velho Vince toma lugar, com seus sorrisos a torto e a direita, a pinta de galã e o olhar vivo, brilhante, capaz de convencer a qualquer um de sua felicidade. Mas, assim como o álcool, que entrou para ficar em sua vida, tais momentos são rápidos e terminam rapidamente. Hoje em dia o Lorak tenta ser uma pessoa centrada como era antes, bem como se livrar do comportamento inconsequente que fora adotado há alguns anos e o sentimento de saber amar. De viver. Há muito tempo ele não sabe o que é realmente viver a sua vida, e pode-se dizer que em certos períodos ele perde a vontade de tentar o fazer. Ele continua sendo comunicativo, possui uma boa oratória e uma capacidade argumentativa surpreendente. A verdade é que Vincenzo Lorak tinha tudo para ser bom no que quer que escolhesse fazer: ele tem o carisma, tem a inteligência e definitivamente tem o talento, mas ele próprio se sabota. A auto sabotagem é comum em sua vida: quando pensa que está prestes a conseguir algo bom, ele faz algo ruim que camufla os seus grandes feitos. Quando pensa que está melhorando, a saudade dos velhos hábitos e vícios fazem morada em seu corpo. Ele ainda é uma pessoa que os amigos buscam sempre manter por perto, e é capaz de despertar um sentimento genuíno de cuidado e preocupação nas pessoas ao seu redor, e a lealdade e o comprometimento para com os seus é característica inerente a ele. Vince ainda se cobra demais, e, por ironia do destino, é o seu próprio medo do fracasso que o impede de sair vitorioso. Vince, portanto, é uma pessoa eficiente em manifestar os seus defeitos, em qualquer que seja o âmbito de sua vida. Em sua cabeça, seria um alívio para o seu pai saber que ele se tornou exatamente o que Dominick sempre imaginou que ele se tornaria: um fracasso.
BANNERPAI
Escreveu ゚。 ・ムꜜ✩ 𝐏𝐀𝐈, 𝐄𝐔 𝐓𝐄 𝐎𝐃𝐄𝐈𝐎 Ꮺ❛✧₊ 𝐞 𝐧𝐮𝐧𝐜𝐚 𝐯𝐨𝐮 𝐭𝐞 𝐩𝐞𝐫𝐝𝐨𝐚𝐫 ..!や◟
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› VINCE CRESCEU OUVINDO AS HISTÓRIAS DE COMO o seu pai havia lentamente destruído não só o seu casamento, como também toda a alegria e a personalidade que faziam de Julia Hartley uma pessoa vivida, espontânea e feliz, acima de tudo. Não foi preciso muito tempo para que, ainda criança e com uma mentalidade ainda em desenvolvimento, ele passasse a enxergar o pai como uma pessoa alheia, um destruidor e principal responsável por seu sofrimento — que se iniciava principalmente pela perda de sua mãe. A relação entre pai e filho sempre foi conflituosa, à julgar primeiramente pelas poucas vezes em que se encontravam, sempre em Phoenix, em encontros anuais obrigatórios e verdadeiramente desgastantes para Vince, forçado a não só sair de sua cidade para encontrar uma pessoa que não amava, como também a constatar um fato que sempre o incomodou muito: Dominick tinha uma nova família, e aparentemente eles eram felizes. Como ele poderia ser feliz? Como havia sido tão fácil para ele deixar o passado para trás tão facilmente e ainda assim ser hábil a ter uma nova vida enquanto a sua mãe estava morta? Vince simplesmente não conseguia compreender, e portanto deixou que o rancor e a raiva se tornassem sentimentos recorrentes em todos os diálogos e encontros em que compartilhavam juntos — estes que eram bem poucos, por sinal. Mas Dominick também não ficava muito atrás, é claro: o mais velho fazia tudo ao seu alcance para que o filho não se sentisse bem e, especialmente quando obrigou o filho a morar com ele e sua família, fez o que pôde para que o filho se sentisse o mais desconfortável possível e sempre se lembrasse de que, mesmo que estivesse morando ali, aquela não era e nem nunca seria a sua casa. Para Vincenzo, foi praticamente impossível organizar a sua mente e entender o real motivo de seu pai fazer o que fazia. Afinal de contas, ele sabia que o seu lugar não era ali, e todos na casa faziam questão de ressaltar isso diariamente, mas então por que ele havia sido obrigado a viver lá, em primeiro lugar? A verdade é que nenhuma das partes poderia responder tal questionamento, já que nem mesmo Dominick compreendia o seu desejo: ao mesmo tempo em que queria o filho como um possível herdeiro e pessoa respeitada, ele também garantia que o garoto ficasse o mais longe possível dos negócios da família e dele mesmo, em especial. Para o mais velho, fora muito fácil expulsar o filho de casa quando o mesmo não atendeu expectativas altíssimas que ele depositava em suas costas desde a infância, sendo portanto atingido pela amargura e frustração de que uma pessoa tão frágil como Vincenzo jamais poderia ser o seu filho. Atualmente, se há uma pessoa a quem o Lorak direciona a culpa por sua decadência e infelicidade, essa pessoa é o seu pai. A verdade é que, mesmo após tantos anos afastados e sem contato algum, Vince ainda tem medo do homem. Medo da facilidade com a qual Dominick pode manipulá-lo e trazer à tona todos os traumas do passado; e medo de que mais uma vez ele possa estragar a sua vida e com ela qualquer chance de voltar a ser o menino gentil e feliz que nunca deveria ter deixado para trás.
[img]BANNERMADRASTA[/img]
Escreveu ゚。 ・ムꜜ✩ 𝐄𝐔 𝐒𝐈𝐍𝐓𝐎 𝐌𝐔𝐈𝐓𝐎 Ꮺ❛✧₊ 𝐧𝐮𝐧𝐜𝐚 𝐜𝐨𝐧𝐬𝐞𝐠𝐮𝐢 𝐭𝐞 𝐨𝐝𝐢𝐚𝐫 ..!や◟
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› NÃO QUE O GAROTO GOSTASSE DE ESTEREÓTIPOS, na verdade ele sempre tentou fugir disso, mas Cecília Heinsberg poderia facilmente se encaixar no de “madrasta má”, embora suas atitudes sempre fossem camufladas e feitas de maneira indireta. Eram nos olhares tortos e de cima a baixo, nas perguntas de “você quer realmente vir conosco?” e na exclusão que revelavam-se os verdadeiros sentimentos da mulher, e mesmo assim, Vince nunca conseguiu decifrá-la. Era bem verdade que ambos nunca foram próximos, muito pelo contrário: o que Ceci pudesse fazer para deixar o enteado desconfortável ela fazia; vivia levando informações — falsas, em sua maioria — sobre o mal comportamento do garoto para o marido e nem mesmo por um momento escondeu o desgosto em ter que dividir a sua própria casa com o filho de outra mulher. Para Vincenzo, a madrasta era uma pessoa superficial, presa em seu próprio casulo e bolha, e o atormentava e deixava ligeiramente triste poder constatar que o mesmo que aconteceu com sua mãe anos atrás, também acontecia naquele momento com a mulher. A pena e a dó eram sentimentos recorrentes e mesmo que não fosse recíproco, Vince até mesmo se preocupava com a mais velha, mesmo que não conseguisse esconder a raiva e o rancor que ainda existiam em seu interior. As opiniões e manifestações de Cecília eram absolutamente alheias ao mais novo, que sempre fora muito bem sucedido em ignorá-las por completo e direcionar a sua atenção para o que realmente importava. Ele perdeu o contato com a mulher no instante em que foi expulso de casa; não procurou saber sobre a situação da mulher nem se ela ainda estava casada com o seu pai — embora pensasse ser algo difícil de acontecer. A sua morte foi um baque; ele estava a beira de iniciar o seu tratamento na clínica de reabilitação, mas tudo o que queria era poder abraçar a irmã, confortá-la e dizer que tudo ficaria bem.
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Escreveu ゚。 ・ムꜜ✩ 𝐅𝐎𝐈 𝐄 𝐀𝐈𝐍𝐃𝐀 𝐄́ Ꮺ❛✧₊ 𝐚 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐢𝐦𝐩𝐨𝐫𝐭𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐩𝐫𝐚 𝐦𝐢𝐦 ..!や◟
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› DESDE MUITO PEQUENO VINCENZO FOI OBRIGADO a conviver com a irmã mais nova. Mesmo que se encontrassem apenas duas ou três vezes por ano, esses eram momentos suficientes para fazer com que ambos desenvolvessem um sentimento de “raiva” um pelo outro, mesmo que ainda fossem crianças demais para sequer saber o significado daquilo. O afastamento dos irmãos ocorreu de maneira automática, de modo que não importasse o motivo, os dois sempre conseguiam a proeza de discutir, fosse na mesa de jantar, dentro do carro ou em qualquer que fosse o lugar que dividiam juntos. Mas bem, ao menos na infância isso era completamente aceitável, vide o fato de que eles dividiam apenas duas semanas do ano, e por isso era muito mais fácil deixar que as estranhezas orgânicas tomassem frente em vez de uma possível tentativa de conhecimento profundo que nunca aconteceu nos treze anos em que eram obrigados a dividir a mesa no natal, ação de graças e outras datas comemorativas. Tudo mudou, no entanto, quando Dominick anunciou a surpresa que viria a ser o maior pesadelo daquele início da adolescência de ambos os garotos: Vincenzo iria se mudar para a sua casa em Phoenix por um tempo até então indeterminado, e o que eram apenas encontros pontuais no decorrer do ano passou a ser fixo, e um verdadeiro caos. Naqueles três primeiros anos que compreenderam as idades de treze a dezesseis, Vince e Hazel transformaram a casa em um verdadeiro campo de guerra: eles conseguiam brigar por absolutamente tudo, fosse pelo controle da televisão, o assento do banco da frente no carro, quem comeria o maior pedaço de pizza e até mesmo quem acompanharia o pai até o clube de golfe — mesmo que ambos odiassem o esporte. Para Vincenzo, Hazel era apenas uma garota mimada, criada envolta ao luxo que nunca teve em toda a sua vida e nascida a partir de uma traição e despedaçar do casamento de seus pais e vida de sua mãe; ao passo que para a garota, o irmão era um impostor; um ladrão que invadiu a sua casa sem mais nem menos, voltando todos os holofotes para si e “conquistando” a atenção de seu pai. A verdade é que um dia inveja do outro, o que chegou a ser irônico, visto que as suas opiniões eram embasadas no que viam pelo lado de fora da relação e que de maneira alguma condizia com a realidade: Hazel podia até ser fruto da traição, mas a culpa certamente não era dela; e Vince poderia ter a atenção de Dominick, mas de que valia ela se a única conversação que o garoto tinha com o pai eram discussões, brigas e sermões? Ambos permaneceram presos às visões errôneas que tinham um do outro e não se permitiram se conhecer melhor, desmistificar os rótulos que jogavam entre si, nem muito menos conviver como pessoas civilizadas. O final da adolescência de ambos marcou o fim da guerra que havia se instaurado na casa e o início do que viria a ser uma relação de fidelidade e comprometimento entre dois irmãos que, após cerca de dezesseis anos, finalmente estavam começando a agir como tal.
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› A MEMÓRIA DO DIA EM QUE O MUNDO DE HAZEL CAIU é até hoje fixa na cabeça de Vincenzo: ele se lembra perfeitamente bem de quando a irmã descobriu dos casos extraconjugais do pai e, por mais que para o garoto isso não fosse nenhuma surpresa, para a mais nova era, e ver Hazel ali, chorando ao ter toda a imagem de herói que tinha de Dominick se despedaçando partiu o seu coração e permitiu que ele a consolasse. A Heinsberg encontrou no ombro do Lorak um apoio naquele momento difícil — e em todos os outros que se seguiram —, e a relação que anteriormente se resumia a brigas e xingamentos, agora era fortemente marcada pelo carinho e a compreensão. Ambos estavam no mesmo nível, eram como irmãos gêmeos e estavam sempre nos pensamentos uns dos outros. Mesmo quando Hazel entrou em sua fase rebelde e Vincenzo foi terrivelmente contra a sua maneira de agir, eles ainda assim se apoiavam e mantiveram a proximidade, fazendo planos para um futuro livre de conflitos, do ensino médio e, principalmente, livre de Dominick. Todos os seus sonhos, entretanto, caíram por terra, quando, em uma armadilha do destino, os irmãos foram obrigados a se separar. Não houveram despedidas, um “até logo” e nem mesmo um abraço: quando Hazel acordou de manhã e notou a ausência do irmão, a tristeza a abalou; e quando Vincenzo dela se separou um trauma passou a ser recorrente em toda a sua vida. Eles estavam quebrados e separados. Vince até hoje não sabe bem a versão da história contada a Hazel, e a simples ideia de que a irmã poderia cogitar a ideia de que ele a tinha abandonado o destroçou. Por vários momentos ele quis voltar; envolvê-la em seus braços e dizer que ele não queria que aquilo tivesse acontecido, mas ele era fraco demais para fazer aquilo, especialmente quando a vida passou a pregar várias outras peças em seu corpo e mente ferrados. Tal fato marcou toda a parte de sua vida que compreendeu o fim de sua adolescência até os seus quarenta anos atuais, e não houve nem mesmo um dia em que ele não pensou em sua irmã. Em como ele esperava que ela estivesse feliz. Sem ele ao seu lado, mas feliz, ao menos. Vinte anos depois, lá estava ele, parado em frente a casa da irmã, fedendo a álcool e com o coração em pedaços e, assim como ela havia a consolado quando Hazel quebrou aos dezesseis anos, ela agora o amparou aos quarenta e deu a ele o que sempre esteve ansiando por relembrar: o amor de um irmão. Depois de vinte anos, é seguro dizer que ambos ainda possuem muitas coisas a serem colocadas na mesa antes de darem um próximo passo, mas enquanto o passado estiver vivo em sua mente e Vincenzo se culpar pelos traumas que causou a irmã, isso não acontecerá. Adultos, os irmãos são quase completos estranhos um ao outro, mesmo que, no fundo, nunca tenham deixado de ser a Hazel e o Vince de uma adolescência despedaçada pelo medo, a falta de comunicação e, obviamente, por Dominick Heinsberg.
[img]BANNERSOBRINHOS[/img]
Escreveu ゚。 ・ムꜜ✩ 𝐌𝐈𝐍𝐇𝐀𝐒 𝐏𝐑𝐀𝐆𝐔𝐈𝐍𝐇𝐀𝐒 Ꮺ❛✧₊ 𝐚𝐬 𝐪𝐮𝐚𝐢𝐬 𝐦𝐨𝐫𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐬𝐚𝐮𝐝𝐚𝐝𝐞 ..!や◟
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› VINCE SEMPRE TORCEU PARA QUE HAZEL PUDESSE SER FELIZ e construir a sua própria família, então não foi exatamente uma surpresa quando viu os quatro filhos de sua irmã pela primeira vez. O que surpreendeu ele e todos a sua volta foi a aproximação instantânea que Lorak teve com os quatro sobrinhos: Luna, Fred, George e Harry. Chega a ser cômico, visto que são praticamente cinco crianças convivendo juntas, por vezes que Vince tem atitudes ainda mais infantis que as proles e as incentiva a cometer alguma bagunça, que certamente deixa Hazel de olhos semicerrados, mas que eventualmente a fazem rir. Vincenzo é um tio babão e, mesmo distante, procura sempre manter contato com todos os quatro, em chamadas de vídeo animadas que faz os seus olhos brilharem. Para o homem, ter algum tipo de contato com os sobrinhos, mesmo que mínimo, o permite se sentir parte da família, e só Deus sabe o quanto ele ansiava por isso: sentir que faz parte de algo. Luna é a sua preferida — embora não admita — e os dois estão sempre brigando por alguma coisa boba, como quem vai receber o primeiro pedaço de bolo; algo que a pequena sempre consegue obter com sua chantagem emocional barata que amolece facilmente o coração do tio. Com Fred e George, a relação vai para uma camada mais profunda: a de comprometimento. Demorou muito para que os gêmeos pudessem confiar em Vince, e só quando se permitiram se aproximar do tio, encontraram no mais velho um parceiro fiel e um grande comparsa em armações feitas com o único objetivo de deixar Hazel louca. Com Fred é muito mais fácil, já que este consegue se abrir com mais facilidade, mas George ainda é uma incógnita para Vincenzo e não será raro você ver os dois em uma discussão — que nem os dois envolvidos sabem ser real ou não. Harry é o mascote e quem permanece no colo do tio por incontáveis horas quando este faz as suas visitas. Vince por vezes acha que vai quebrá-lo, ambos são muito grudados, mas Harry é assim com quase todo mundo, para falar a verdade. O caçula geralmente está seguindo a mãe, mas quando isso não acontece, provavelmente estará puxando a barra da calça do tio para que este possa lhe dar algum doce antes do almoço ou um abraço apertado.
[img]BANNERTHOMAS[/img]
Escreveu ゚。 ・ムꜜ✩ 𝐔𝐌 𝐀𝐌𝐈𝐆𝐎 𝐁𝐎𝐌 Ꮺ❛✧₊ 𝐞 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐚𝐧𝐡𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐜𝐚𝐦𝐚 𝐚𝐢𝐧𝐝𝐚 𝐦𝐞𝐥𝐡𝐨𝐫 ..!や◟
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› ESCREVE ESSA PORRAAAA
Escreveu ゚。 ・ムꜜ✩ 𝐌𝐈𝐋 𝐇𝐈𝐒𝐓𝐎́𝐑𝐈𝐀𝐒 𝐏𝐑𝐀 𝐂𝐎𝐍𝐓𝐀𝐑 Ꮺ❛✧₊ 𝐞 𝐥𝐚́𝐠𝐫𝐢𝐦𝐚𝐬 𝐩𝐫𝐚 𝐜𝐡𝐨𝐫𝐚𝐫 ..!や◟
Escreveu ゚。 ・ムꜜ✩ 𝐀𝐍𝐓𝐄𝐒 𝐄𝐔 𝐍𝐀̃𝐎 𝐋𝐈𝐆𝐀𝐕𝐀 Ꮺ❛✧₊ 𝐡𝐨𝐣𝐞 𝐦𝐞 𝐚𝐬𝐬𝐮𝐬𝐭𝐚 ..!や◟
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› PARA VINCE, A “BRINCADEIRA” FORA ALGO NORMAL. Mesmo que não soubesse exatamente de onde ela havia surgido, ele tinha várias outras coisas para se preocupar do que confirmar a veracidade de uma lenda que surgiu nos corredores de sua escola. O Lorak nunca fora uma pessoa cética em assuntos sobrenaturais, especialmente nos dias atuais, já tendo vivido de quase tudo; mas na época do colégio ele tentava não buscar explicações, ele simplesmente fazia. E assim fora com o Tauro. Era comum que ele e seus amigos fizessem brincadeiras do tipo em suas saídas; a tal da “brincadeira do copo” era super comum e mesmo que ele não soubesse exatamente o que acontecia, ele sentia medo. Vincenzo sempre teve mais medo da aura do ambiente do que da atitude em si, então não foi difícil para ele participar do mais novo passatempo que morava nas bocas de praticamente todos os alunos do colégio. Dar um nome fora fácil, ele tinha noventa e nove por cento de certeza que era apenas folclore, e o outro um por cento era somente o mesmo falando mais alto; agora enfrentar o que aconteceu sucessivamente não foi nada simples. Vince nunca foi tão próximo de Sidney, e honestamente, também nunca teve tal vontade, mas uma morte era uma morte e o seu nível de proximidade com o atual cadáver não ditava o seu sofrimento. E como ele sofreu. Ele nunca soube exatamente como lidar com a perda, e ver os parentes do garoto ali, lamentando a sua morte, foi desculpa suficiente para que ele também se sentisse triste, o que acabou por aumentar rumores de que o Lorak havia colocado o nome de Sidney no jogo, o que nunca foi confirmado pois ninguém além de sua irmã soube de seu “voto”. Para ele, o Tauro continua como uma lenda, mas ele não ignora o óbvio: Sidney morreu. Muitas pessoas não gostavam dele. Possivelmente essas pessoas colocaram o seu nome. Ele morreu. Mas como? Perguntas sem respostas sempre afetaram o homem, mas eventualmente o passado passa a ser apenas um lugar de visitação e lembranças, e com o passar do tempo elas foram se esvaindo, a ponto de que começasse a acreditar que o que aconteceu talvez tenha sido somente uma fatalidade. O tempo passou, e ele se acostumou com o choque.
Escreveu ゚。 ・ムꜜ✩ 𝐒𝐄 𝐄𝐔 𝐕𝐎𝐋𝐓𝐀𝐑𝐈𝐀? Ꮺ❛✧₊ 𝐬𝐨́ 𝐬𝐞 𝐟𝐨𝐫 𝐨𝐛𝐫𝐢𝐠𝐚𝐝𝐨 ..!や◟
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› SE O CONVITE TIVESSE SIDO FEITO EM QUALQUER outra fase de sua vida, a resposta obviamente seria não. Não é preciso ser nenhum pensador ou filósofo, basta apenas conhecer um pouco dele para saber que Vincenzo Lorak jamais teria coragem de pôr os pés na cidade de Phoenix novamente. Ao menos não até o ano de dois mil e dezoito. Depois de vinte e um anos longe da cidade ele havia voltado, mesmo que por poucos dias; reencontrado a sua irmã e ido embora antes que aquele local pudesse lhe afetar, porque ele sabe que tudo o que diz respeito àquela cidade detém um poder de persuasão, medo e de fazê-lo sofrer. Ele não é uma pessoa evoluída, muito pelo contrário: Vince não consegue superar — e, sendo honesto consigo mesmo, ele não quer superar. Porque para que consiga atingir esse objetivo em sua vida, ele primeiramente precisaria enfrentar os traumas do passado, mas simplesmente não tem coragem para sequer tentar fazer isso — a sua relação conturbada e mal resolvida com sua irmã está aí para comprovar isso. Em se falando de Phoenix e todos os gatilhos que o lugar lhe traz, Vince é fraco; mas quando a sua família é posta na situação — especificamente, a parte dela que ele ainda nutre sentimentos bons —, toda a situação muda de figura. Vincenzo aceitou o convite tendo como desculpa e motivação o fato de precisar estar ali caso a irmã precisasse, mas a verdade é que ele também está ali por ele mesmo. Para colocar um ponto final em todos os assuntos inacabados e finalmente poder seguir em frente sem ter que olhar para trás, nem que para isso seja obrigado a enfrentar os traumas escondidos em algum lugar de seu subconsciente e reviver sentimentos adormecidos e que ele preferia não despertar.
[img]BANNERSIDNEY[/img]
Escreveu ゚。 ・ムꜜ✩ 𝐔𝐌 𝐁𝐎𝐌 𝐆𝐀𝐑𝐎𝐓𝐎 Ꮺ❛✧₊ 𝐦𝐞𝐬𝐦𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐢𝐧𝐬𝐮𝐩𝐨𝐫𝐭𝐚́𝐯𝐞𝐥, 𝐚𝐥𝐠𝐮𝐦𝐚𝐬 𝐯𝐞𝐳𝐞𝐬 ..!や◟
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› VINCENZO LEMBRA-SE PERFEITAMENTE BEM DO DIA em que conheceu Sidney Tobey, mas também, a julgar pelo fim que o garoto teve, não era como se algum dia ele pudesse esquecer de seu relacionamento com o mesmo. O Lorak nunca tinha sido uma pessoa sociável, especialmente no colégio Hakmann, onde um misto de terror e timidez sempre o atingiam quando ele tentava iniciar qualquer tipo de contato com algum de seus novos companheiros. Entrar no time de basquete, aos dezesseis anos, fez com que seus horizontes se ampliassem e, por conseguinte, ele pudesse se aproximar e conhecer pessoas que ele jamais conheceria se não fosse pela certa popularidade que praticar o esporte lhe dava, e uma dessas pessoas fora Sidney. O mais velho estava em seu segundo ano do ensino médio quando encontrou o Tobey na última festa que o colégio havia proporcionado antes das férias de verão e do fim daquele ano letivo. Um copo de ponche fora o suficiente para aproximar os dois garotos, e mesmo que agora tivesse a bebida avermelhada espalhada em toda a sua camisa branca, Vincenzo não direcionou nem um pingo de raiva à pessoa que tinha trombado nele sem querer. Ele deu risada, na verdade, e isso chamou a atenção de Sid, já que este o chamou para se sentar no balcão, enquanto oferecia um novo copo da bebida ao Lorak, como um pedido de desculpas bem desajeitado. Vince conhecia o garoto, é claro, como ele poderia não conhecer? O nome do Tobey era recorrente em suas conversas com os amigos, geralmente associado a fofocas e coisas ruins que permitiram que Vincenzo formasse uma opinião completamente desfavorável a respeito do mais novo sem sequer ter se permitido conhecê-lo verdadeiramente. Outro agravante era o fato de que sua irmã também era uma amiga de Sid — ou algo parecido disso — e frente ao comportamento rebelde e inconsequente que Hazel vinha adotando nos últimos tempos, foi natural que ele imaginasse que seus amigos tinham uma boa parcela de culpa nisso e, portanto, serem pessoas não muito agradáveis de se ter por perto. Bem, ao menos a respeito de Sidney, ele estava ligeiramente errado em tal apontamento, mesmo que não completamente.
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› BASTOU APENAS UMA SEMANA DE CONVERSA para que as características das quais os outros tanto falavam aparecessem em meio às conversas casuais que ele começou a ter com o Tobey. Ele era sim uma pessoa irritante, e a sua incrível capacidade de abrir a boca nos piores momentos possíveis e a falta de um filtro e senso de ridículo era sentida com facilidade à medida que o diálogo tomava um desenvolvimento. Mesmo sendo animado, e isso era incontestável, Sidney também era alguém indesejado, de modo que uma possível amizade entre ele e Vincenzo foi rapidamente podada pelo segundo, que cedeu não só ao desgosto perante alguns traços da personalidade do Tobey, como também aos pedidos de seus amigos para que ele se afastasse do mesmo. Eles ainda mantiveram um contato mínimo, no entanto, em detrimento de Hazel, primeiramente, e também à sociabilidade de Sid, que sempre puxava Vince para alguma conversa sem pé nem cabeça a qual o mais velho se mostrava desinteressado na maioria das vezes. Para ele, conviver com Sidney poderia ser difícil, mas recompensador. A relação entre ambos não poderia ser classificada exatamente como uma amizade, mas eles também não eram cem por cento alheios um ao outro. Se porventura trombassem em um dos corredores do colégio, certamente trocariam um aceno ou um cumprimento de mão, e assim se seguiu pelos primeiros meses do último ano de Vincenzo no ensino médio. Ele aprendeu a apreciar a companhia do mais novo, em níveis variáveis que dependiam de sua paciência, mas em geral eles conviviam bem, como colegas, conhecidos que não dificultavam em trocar alguma palavrinha rápida no intervalo ou em alguma festa. A morte do garoto o afetou, é claro; mas ele fez o que pôde para camuflar isso, ao mesmo tempo em que a compaixão que sentia pela família do falecido era confundida com arrependimento e remorso pelo restante de seus amigos. É raro, mas não impossível, que Vince se pegue pensando em como teria sido a vida de Sidney Tobey caso este não tivesse morrido daquela forma no ensino médio. Certamente ele teria sido um homem bem sucedido, já que apesar dos pesares ele era esperto; mas seria surpresa o suficiente para o Lorak se Sid sobrevivesse ao menos um semestre na universidade, pois é certo que algum veterano teria feito o mesmo trabalho de Tauro.
Escreveu ゚。 ・ムꜜ✩ 𝐆𝐎𝐒𝐓𝐎𝐒 𝐄 𝐇𝐎𝐁𝐁𝐈𝐄𝐒 Ꮺ❛✧₊ 𝐞 𝐦𝐮𝐢𝐭𝐨𝐬 𝐯𝐢́𝐜𝐢𝐨𝐬 ..!や◟
aaa#˚· ✩¸ Ꮺ❝ ›› AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAMORRI
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Permalink Comentários (5)

[29/09/2020] . . .nke; are you bored yet?. . .

[04/09/2020] . . .bbs; listen up, biotch!. . .

[03/09/2020] . . .happy birthday, jam!. . .

[14/08/2020] . . .pem; hashtag is over party!. . .


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aqui esperando o t0rr3nt de wandavision ♡
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meu vizinho dando a maior festa aqui, que vontade de denunciar. detalhe: ele é médico
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Parassonia12 minutos atrás
FELIZ ANO NOVO GENTE, SE FOREM SOLTAR FOGOS ENFIEM ELE NO C*, MAS FELIZ 2021
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feliz ano novo, gente ♡
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Style: INTJ Personality Type: The Architect
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MBTI PERSONALITY TYPES I. ANALISTS: The Architect INTJ . INTP . ENTJ . ENTP descubra o seu mbti fazendo o teste aqui! Escreveu oq que a eve tem na cabeça pra começar..